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domingo, 12 de novembro de 2006

Escrito por em 12.11.06 com 0 comentários

Castlevania (II)

Hoje terminaremos o post sobre Castlevania. Semana passada, paramos em Symphony of the Night, que, de certa forma, reinventou a série. Hoje veremos o porquê.

Depois de Symphony of the Night, a Konami decidiu investir na história de Castlevania, então muito complexa e cheia de pontas soltas. Para começar a ligá-las, ela decidiu lançar um novo jogo para o Game Boy, ainda em 1997, chamado Castlevania Legends (Akumajo Dracula: Shikkoku Taru Zensokyoku, "Prelúdio para a Noite das Trevas", no original). Este jogo foi o mais "antigo" até então, ambientado em 1450, e versava sobre a primeira luta dos Belmont contra Drácula. Curiosamente, foi também o primeiro Castlevania com uma mulher no papel principal, Sonia Belmont. Sonia nasceu com um dom sobrenatural, que permitia que ela visse seres das trevas que pessoas comuns não conseguiam ver. Aparentemente, seu avô tinha este mesmo dom, e decidiu treiná-la no uso do chicote, para que um dia ela pudesse enfrentar estas criaturas. Aos 17 anos, Sonia conheceu e se apaixonou por Alucard, que tramava a morte do próprio pai, o Conde Drácula, por não concordar com o reinado de terror que este impunha aos habitantes da Transilvânia. Um dia, Alucard partiu, e Sonia decidiu ela mesma invadir o castelo do vampiro e enfrentá-lo. E é aí que o jogador assume, para guiar Sonia através de cinco fases, munida de seu chicote e de algumas magias encontradas ao derrotar os inimigos. Na quarta fase, Sonia e Alucard se enfrentam, com aquele pretexto de que ele não deixará ela prosseguir, pois é muito perigoso - a menos que ela o derrote e mostre do que é capaz. Após ser derrotado, Alucard entra voluntariamente em torpor (um sono profundo no qual os vampiros passam muitos anos de suas longas vidas) e Sonia parte para destruir Drácula. Ao perder a derradeira batalha, o vampiro diz que voltará, pois enquanto existir maldade no mundo ele ressucitará. Sonia então faz seu juramento, de que os Belmont sempre estarão de vigia para que, quando ele volte, seja derrotado novamente. No fim do jogo, Sonia dá a luz a Trevor, herói de Dracula's Curse, dando, enfim, um começo à história.

Castlevania LegendsQue não durou muito tempo: em 2002, o produtor da série, Koji Igarashi, anulou a história de Legends, removendo-a da cronologia oficial do jogo. Ninguém sabe ao certo por que ele fez isso, mas Legends não foi o único a ser limado: os três jogos seguintes também são considerados, desde 2002, como não-oficiais, e suas histórias também não devem ser levadas em conta pelos programadores dos novos títulos.

Dois destes jogos foram lançados no mesmo ano, 1999, e para o mesmo console, o Nintendo 64. O primeiro se chamava simplesmente Castlevania, mas ganhou o apelido de Castlevania 64 (no Japão era Akumajo Dracula: Mukushiroku, "Apocalipse"), e foi o primeiro jogo da série em 3D, sendo bem recebido pela crítica e pelo público, mas depois ganhando um estigma de malfeito, com gráficos fracos para a época e uma câmera problemática. Este também é o primeiro Castlevania onde você pode escolher dentre dois personagens diferentes no início do jogo: Reinhardt Schneider, um caçador de vampiros descendente dos Belmont; e Carrie Fernandez, uma jovem com poderes mágicos. O jogo é ambientado no Século XIX, e nossos heróis terão de passar por dez fases - sendo três exclusivas para cada um - para acabar mais uma vez com a ameaça de Drácula.

Devido às críticas recebidas, o jogo ganhou uma "versão especial" no final do mesmo ano: Castlevania: Legacy of Darkness ("Legado das Trevas"; Akumajo Dracula Mukushiroku Gaiden: Legend of Cornell no Japão - gaiden significa "história paralela"). Apesar de ambientado no mesmo cenário e com a mesma história, trata-se de um jogo totalmente novo, com quatro personagens à disposição do jogador. No início, apenas um está disponível, o lobisomem Cornell (daí o subtítulo da versão japonesa, "A Lenda de Cornell"), que decide invadir Castlevania para salvar sua irmã adotiva, Ada, que foi seqüestrada para ser oferecida como sacrifício para a ressurreição de Drácula. Durante 14 fases, Cornell enfrentará as forças das trevas, capitaneadas pelo também lobisomem Ortega. Ao derrotar Ortega e Drácula, porém, ele descobre que tudo era uma cilada, pois ele será o sacrificado, e não Ada. Terminando o jogo com Cornell, você libera mais um personagem, o cavaleiro Henry Oldrey. A história de Oldrey se passa oito anos depois da de Cornell, e sua missão é entrar em Castlevania e, em seis fases, resgatar criancinhas seqüestradas por Drácula. Vencendo com Oldrey, você libera os dois outros personagens, Reinhardt e Carrie, que seguem o mesmo enredo de Castlevania 64, mas tendo que passar por 12 e 11 fases, respectivamente, todas redesenhadas em relação ao jogo anterior. Os problemas com a câmera foram resolvidos, mas os gráficos continuaram pobres - a menos que se utilizasse o Expansion Pack, que aumentava a memória do Nintendo 64, mas aí o problema era outro: o jogo ficava muito lento.

Castlevania 64Depois da experiência desagradável com o Nintendo 64, a Konami decidiu apostar em um novo videogame, o recém-lançado Game Boy Advance, que permitiria que Castlevania voltasse à fórmula de plataforma 2D que consagrou a série. O primeiro Castlevania para o GBA foi lançado em 2001, com o nome de Castlevania: Circle of the Moon ("Círculo da Lua"; curiosamente Akumajo Dracula: Circle of the Moon no Japão). O jogo retomava a fórmula de Symphony of the Night, com uma única e imensa fase com muitas salas diferentes para serem exploradas. Mais uma vez o jogo tinha elementos de RPG: o personagem tinha quatro atributos (Força, Defesa, Inteligência e Sorte), que podiam ser modificados ao longo do jogo através de itens segundo a vontade do jogador, trazendo resultados diferentes com cada combinação. O sistema de magia também era interessante, devendo o jogador combinar duas cartas, uma de Ação e uma de Atributo; combinações diferentes faziam efeitos mágicos diferentes, e o personagem obtia as cartas destruindo inimigos. O herói de Circle of the Moon é o caçador de vampiros Nathan Graves, que invade Castlevania em 1830 junto com seu mentor, Morris Baldwin, e seu colega Hugh Baldwin, para interromper um ritual que ressucitará Drácula mais uma vez. Eles alcançam a sala do ritual, mas o vampiro captura Morris e destrói o chão sob Nathan e Hugh, que caem em uma espécie de masmorra. Hugh parte para salvar seu pai, e pede a Nathan que fuja do castelo. Ao invés de fugir, Nathan decide explorá-lo, buscando uma forma de destruir Drácula de uma vez por todas. Assim como ocorreu com as dos três jogos anteriores, esta história também foi removida da cronologia em 2002, tornando Circle of the Moon um jogo não-oficial.

O sucesso de Circle of the Moon levou ao lançamento de mais dois títulos para o GBA, e o primeiro deles, lançado em 2002, veio acompanhado de uma novidade: pela primeira vez, um jogo de Castlevania se chamaria Castlevania também no Japão, e não Akumajo Dracula. Além de buscar uma padronização mundial, já que o jogo só não se chamava Castlevania no Japão, a Konami ainda planejava, em futuros títulos, utilizar outros personagens que não Drácula como vilões principais dos jogos, o que faria com que seu nome no título não tivesse muito sentido. Mas em Castlevania: Harmony of Dissonance ("Harmonia da Dissonância"; Castlevania: Byakuya no Kosokyoku, "Concerto da Noite Breve", no original), o vampiro ainda era a ameaça principal, desta vez confrontado por Juste Belmont, neto de Simon e pai de Richter. A história se passa 50 anos após Simon's Quest, e começa quando o caçador de vampiros Maxim Kischine parte em uma jornada de auto-conhecimento. Dois anos depois, em 1748, ele retorna, e diz a Juste que uma amiga de infância de ambos, Lydie Erlanger, havia sido seqüestrada. Maxim leva Juste ao local onde Lydie supostamente desapareceu, e lá eles encontram Castlevania. Juste entra no castelo, e Maxim promete se juntar a ele em breve. Na verdade, buscando provar ser melhor caçador de vampiros do que Juste, Maxim tentara imitar Simon, reunindo os restos mortais de Drácula para ressucitá-lo, e então destruí-lo. Algo saiu errado, porém, e Maxim foi possuído pelo espírito de Drácula. Ao descobrir esta história, Juste decide procurar no castelo pelos restos do vampiro, para destruí-los, livrar seu amigo da maldição, e salvar Lydie. O jogo é bem parecido com Circle of the Moon, uma mistura de aventura e RPG, passada em uma única e imensa fase. O sistema de magias foi reformulado, utilizando livros que devem ser combinados com as armas secundárias para criar seus efeitos; e alguns itens podem ser combinados com o chicote, criando novos tipos de ataques. E, após terminar o jogo, como um bônus, o jogador pode escolher jogar como Maxim.

Castlevania: Circle of the MoonO jogo seguinte, Castlevania: Aria of Sorrow ("Ária da Mágoa", ária é um dos movimentos da ópera, quando o cantor canta sozinho acompanhado pela orquestra; Castlevania: Akatsuki no Enbukyoku, "Minueto da Aurora", no original), lançado em 2003, foi o primeiro Castlevania ambientado no futuro. Em 1999, Julius Belmont enfrentou Drácula no santuário de Hakuba, Japão, e conseguiu destruí-lo de uma vez por todas, selando Castlevania com o poder do Santuário. Esta vitória veio com um preço: Julius perdeu a memória, e passou a vagar pelo Japão, sem idéia de quem fosse, e sem gerar descendentes para a família Belmont. Aria of Sorrow começa em 2035, quando o adolescente Soma Cruz, um aluno de intercâmbio morando no Japão, decide visitar o Santuário em companhia de sua amiga Mina Hakuba, filha do responsável pela conservação do lugar. Quando eles estão lá, ocorre um eclipse solar, e Soma e Mina são transportados para Castlevania. Eles então são abordados pelo misterioso Genya Arikado - na verdade, Alucard - que revela que Soma possui o poder paranormal de absorver almas de criaturas sobrenaturais mortas por ele. Arikado então incumbe Soma da missão de explorar Castlevania, recolhendo almas até se tornar poderoso o suficiente para entrar em uma sala onde só Drácula conseguiria, e restaurar o selo que mantinha Castlevania em outra dimensão, antes que Drácula ressucite mais uma vez. No mesmo estilo dos dois jogos anteriores, a maior inovação de Aria of Sorrow é justamente o poder de Soma: o jogo traz 110 almas diferentes, obtidas ao destruir alguns inimigos; combinando-as, Soma ganha poderes diferentes. Com um cabo link, é possível até "trocar almas" com amigos que também tenham este jogo (Nota do Guil: pelo menos ele não vem em duas versões...). O jogo possui três finais diferentes, e a possibilidade de jogar com Julius após terminá-lo. Julius, inclusive, está vagando sem memória por Castlevania, mas, ao se encontrar com Soma, a recupera, e lhe revela uma assustadora verdade: Soma é a reincarnação de Drácula - por isso ele tem este poder - e, ao absorver almas suficientes, se transformará no vampiro. Soma então passa a ter duas missões: restaurar o selo, e não se transformar em Drácula.

Depois de ir ao futuro, Castlevania chegou à nova geração de consoles voltando o mais que pôde ao passado. Castlevania: Lament of Innocence ("Lamento da Inocência"; curiosamente apenas Castlevania no Japão), lançado em 2003 para o Playstation 2, é ambientado em 1094, e conta a história da luta do primeiro Belmont a empunhar o Vampire Killer contra o homem que viria a se tornar Drácula, substituindo a história de Legends, desde o ano anterior removida da cronologia. Leon Belmont era um Barão, que lutava nas Cruzadas ao lado de seu amigo Mathias Cronqvist. Um dia, sua noiva, Sara Trantoul, foi seqüestrada pelo vampiro Walter Bernhard, que vivia em um castelo na floresta. Para poder resgatá-la, Leon teve de abrir mão de seu título de nobreza, pois a Igreja não o autorizou a abandonar as Cruzadas. Antes de chegar ao castelo do vampiro, Leon encontrou o alquimista Rinaldo Gandolfi, que também queria vingar-se do monstro, e fez para ele um chicote capaz de destruir as criaturas das trevas. Lament of Innocence é um jogo de ação 3D, mas com gráficos e câmera bem melhores que os do Nintendo 64. Leon terá de passar por oito fases - a ordem das cinco primeiras é a critério do jogador - enfrentando as criaturas das trevas com seu chicote, até alcançar o vampiro. No final, Leon destrói Bernhardt, Sara morre, e o Belmont descobre uma terrível verdade: quem estava por trás de tudo era Mathias, que enlouqueceu após sua esposa Elisabetha morrer repentinamente, abandonou sua fé, e agora planejava se vingar da humanidade. Mathias conseguiu um artefato que o deixaria imortal, mas, para isso, precisava da alma de Bernhardt. Após conseguir seu objetivo, Mathias convidou Leon para unir-se a ele, mas este recusou, e prometeu que sua linhagem iria caçá-lo até destruí-lo. Mathias, então, adotou o nome de Drácula, e a família Belmont se tornou devotada à sua destruição.

Castlevania: Lament of InnocenceEm 2005, devido a reclamações dos fãs, a série, no Japão, voltou a se chamar Akumajo Dracula. Além disso, ela chegou ao Nintendo DS, com o lançamento de Castlevania: Dawn of Sorrow ("Aurora da Mágoa"; Akumajo Dracula: Sogetsu no Jujika, "Passagem da Lua Azul", em japonês), uma continuação direta de Aria of Sorrow. Um ano após os acontecimentos deste, Soma Cruz é perseguido por cultistas que querem sacrificá-lo para ressucitar Drácula. Soma os segue até um castelo que usam como base, para desmantelar o culto e impedir a ressurreição do vampiro. O castelo é cheio de monstros, dos quais Soma pode ganhar almas, como no jogo anterior. O jogo ainda se utiliza da tela com touchscreen do DS para uma finalidade inusitada: após derrotar certos monstros, o jogador precisa desenhar um selo na tela para aprisioná-lo, ou o monstro regenerará e continuará lutando. Após terminar o jogo, você ainda pode liberar três personagens secretos: Julius Belmont, Alucard, e Yoko Belnades, descendente de Sylpha, de Dracula's Curse.

A série também voltaria ao Playstation 2 em 2005, com Castlevania: Curse of Darkness ("A Maldição das Trevas"; o mesmo em japonês, Akumajo Dracula: Yami no Juin), também lançado para Xbox. Este jogo se passa três anos após os eventos de Dracula's Curse, e nele o jogador assume o papel de Hector, um demônio servo de Drácula que se cansou desta vida e decidiu viver como humano entre os mortais. Tudo corria bem até a noiva de Hector ser quimada na fogueira como bruxa, e ele descobrir que este evento foi orquestrado por seu antigo colega Isaac. Hector então parte em uma jornada pela Europa, ainda assombrada por servos de Drácula mesmo após sua morte, em busca de Isaac e de vingança. Apesar de também ser em ação 3D, o jogo é mais parecido com Symphony of the Night que com Lament of Innocence, mas se passa em vários cenários, ao invés de apenas em Castlevania. Hector não usa um chicote, mas diferentes armas que obtém no decorrer do jogo, assim como Alucard no jogo do Playstation. Hector ainda conta com a curiosa habilidade de conjurar demônios para ajudá-lo. Um fato interessante sobre este jogo é que, ao terminá-lo, você poderá escolher jogar com Trevor, usando o chicote e todas as armas secundárias de Dracula's Curse, mas sem poder conjurar demônios, evidentemente.

O mais recente jogo da série será lançado ainda este ano, para o Nintendo DS. Castlevania: Portrait of Ruin ("Pintura da Ruína"; Akumajo Dracula: Gyarari obu Rabirinsu, "A Galeria do Labirinto", no original) será uma continuação de Bloodlines, ambientado durante a Segunda Guerra Mundial. O jogador poderá alternar durante o jogo entre dois personagens, o caçador de vampiros Jonathan Morris, filho de John Morris; e a feiticeira Charlotte Aulin, descendente dos Belnades. Morris usará diferentes tipos de armas, enquanto Charlotte usará magias, algumas possivelmente fazendo uso do touchscreen; a cooperação entre ambos será fundamental para desvendar todas as salas do castelo. A história envolve o vampiro Brauner, que planeja ressucitar Drácula com o poder de pinturas mágicas espalhadas pelo castelo, que tiram seu poder das almas dos mortos durante a Guerra. Através destas pinturas, Morris e Charlotte poderão acessar novas fases, ambientadas em locais como o Antigo Egito.

Castlevania: Dawn of SorrowA série Castlevania também teve dois jogos cancelados, ambos para sistemas da Sega. Castlevania: The Bloodletting ("A Sangria") seria lançado para o Sega 32X, o acessório que transformava o Mega Drive em um videogame de 32 bits, em 1996 ou 1997, e envolveria Richter Belmont e Maria Renard, mais um terceiro personagem desconhecido. Com o abandono do 32X e o foco da Sega no Saturn, a produção foi cancelada, e o que podia ser aproveitado foi usado para Symphony of the Night. O segundo jogo cancelado foi Castlevania: Resurrection, que seria lançado em 2000 para o Dreamcast. Este jogo traria novamente Sonia Belmont, e um novo membro da família, Victor Belmont. Os dois seriam levados através de uma viagem no tempo até o ano de 1666 - Victor seria do Século XIX - para impedir uma Condessa de ressucitar Drácula mais uma vez. Seria um jogo de ação 3D, e muitas imagens já haviam sido divulgadas quando o projeto foi engavetado, graças ao fraco desempenho do console, e a um maior interesse da Konami no Playstation 2. Recentemente, alguns cenários que seriam usados em Resurrection foram reaproveitado para Curse of Darkness.

Castlevania é uma das minhas séries preferidas porque possui ótimos jogos de plataforma, um estilo que eu adoro. Como ainda falta muita coisa para explicar - como, por exemplo, o que Drácula andou fazendo de 1094 até o Século XV - provavelmente ainda serão lançados muitos outros títulos. Só não sei se eu serei capaz de acompanhá-los, já que não tenho nenhum desses videogames novos...

Castlevania

Parte 2

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domingo, 5 de novembro de 2006

Escrito por em 5.11.06 com 0 comentários

Castlevania (I)

Parece que "impressionar" é a palavra da moda entre os desenvolvedores de videogames. Cada jogo que sai tem mais cenas de animação, personagens mais realísticos, músicas mais envolventes. Um dia, não conseguiremos diferenciar um game de um filme que esteja passando na televisão.

É claro que isso não é uma coisa necessariamente ruim, desde que não deixem de lado a diversão. Afinal, de nada adianta um jogo ser lindo e sem graça. Mas essa busca pela perfeição acabou tendo um efeito colateral: a cada dia que passa, são lançados menos jogos do meu estilo preferido, o plataforma. Ninja Gaiden e Mario, que começaram como plataforma, hoje já são de ação 3D. Jogos de plataforma inéditos são pouquíssimos a cada ano. Praticamente, o único videogame que ainda trazia jogos de plataforma em quantidade era o Game Boy Advance, que já está sendo substituído aos poucos pelo Nintendo DS.

Este intrólito levou dias para ser escrito, e foi a forma que eu encontrei de anunciar o tema do post de hoje. Um dos melhores jogos de plataforma que já fizeram, e um dos poucos que se mantém neste estilo, apesar de já ter se aventurado pelo 3D: Castlevania.

CastlevaniaCastlevania é uma das séries mais famosas da Konami, considerada uma das melhores produtoras de games do Japão. Seu primeiro título foi lançado em 1986 para uma plataforma onde os jogos da Konami abundavam, os computadores MSX, e recebeu o nome de Akumajo Dracula, "O Castelo Demoníaco de Drácula", título este que foi traduzido para Vampire Killer, "Matador de Vampiros", quando o jogo foi lançado na Europa e aqui no Brasil. Neste jogo, ambientado em 1691, o jogador assumia o papel de Simon Belmont (Belmondo, no original japonês), descendente de uma família de caçadores de vampiros, que, utilizando o chicote Vampire Killer, parte para derrotar o Conde Drácula, que ressucitara após 100 anos, e trazer a paz de volta à Transilvânia. Como muitos jogos do MSX, a ação se desenrolava "uma tela de cada vez", ou seja, ao tocar o canto da tela, o jogador surge no canto da tela seguinte, como se o castelo de Drácula fosse composto de infinitas salas, cada uma com perigos e tesouros. Para alcançar o Conde Drácula, Simon terá de passar por seis fases, enfrentando monstros clássicos como a Múmia, o Monstro de Frankenstein, e até mesmo a Morte. No final, Drácula evidentemente é derrotado pelo herói, mas esta vitória tem um preço, que ficaremos conhecendo muito em breve.

Apesar de ser um jogo excelente, Akumajo Dracula não se tornou muito popular fora do Japão, principalmente porque nunca foi lançado nos EUA. Para mudar este quadro, entretanto, bastou que ele fosse adaptado no ano seguinte para um videogame que estava surgindo na época, mas já era bastante popular, o Famicom, conhecido fora do Japão como Nintendo Entertainment System, ou NES. A versão NES é praticamente idêntica à do MSX, mas com uma movimentação mais suave, sem mudanças de tela. Outra mudança significativa foi em relação a armas especiais, como adagas e crucifixos: na versão MSX elas substituem o chicote, enquanto na versão NES elas atuam como armas secundárias, com um número limitado de usos, e sem impedir que Simon continue usando o chicote. Muitos elementos de RPG, como lojas de itens e a necessidade de se encontrar chaves para abrir determinadas salas também foram suprimidos da versão NES, tornando o jogo mais focado na ação. Mas a maior mudança de todas, evidentemente, foi no nome. Na época, a Nintendo tinha uma política muito rigorosa quanto ao que era apropriado para seus jovens jogadores e o que não era, e títulos com as palavras "demoníaco" e "matador" não pareciam muito apropriados. A solução acabou sendo chamar o jogo de Castlevania, um trocadilho com as palavras castle ("castelo", em inglês) e Transilvânia. Castlevania, na versão norte-americana, é o nome do castelo de Drácula, onde o jogo se desenrola; este nome, porém, é alvo de muitas críticas, pois o nome Transilvânia, que significa "além da floresta", vem das palavras latinas trans, "além", e silvanus, "floresta". "Vania", portanto, não significa nada, e não deveria ter sido utilizado no nome do castelo. Na minha opinião, discutir estes pormenores vinte anos depois do jogo ter sido lançado é uma coisa meio sem sentido.

Pois bem, voltando ao que interessa, Castlevania se tornou um grande sucesso, tanto que acabou sendo adaptado em 1990 para os computadores Commodore 64 e PC (versão DOS), em 2002 ganharia uma versão Windows, e em 2004 uma versão para Game Boy Advance. Mas antes disso tudo ganharia uma continuação, Castlevania 2: Simon's Quest ("A Busca de Simon"), lançado no final de 1987 para NES, e que tinha o título original de Dracula 2: Noroi no Fuuin ("O Selo Amaldiçoado"). A história é bastante interessante: após derrotar Drácula no final do primeiro jogo, Simon recebeu deste uma maldição. Segundo esta maldição, Simon teria de reunir os cinco pedaços de Drácula, que se espalharam pela Transilvânia após sua morte, e levá-los a Castlevania para ressucitá-lo; caso contrário, morreria. O jogo é muito mais parecido com um RPG do que com o primeiro Castlevania, embora a ação seja em sidescrolling ("visto de lado"), e não "visto de cima" como era comum nos RPGs da época. Simon passa o jogo visitando sete cidades e cinco castelos da Transilvânia, em busca dos pedaços de Drácula para concluir sua missão. O jogo não possui fases, mas tem alguns chefes, e três finais diferentes, dependendo de quanto tempo Simon leve para ressucitar Drácula, além de uma grande inovação, um sistema de dia/noite: enquanto você guia Simon pela Transilvânia, de repente pode anoitecer, e o número de inimigos aumentará, pois os lacaios de Drácula preferem a noite. Se você não quiser confusão, pode esperar em uma cidade (que normalmente tem menos inimigos) até amanhecer novamente. Alguns eventos só podem acontecer durante a noite, e outros durante o dia. Simon's Quest é um jogo complexo, mas muito interessante e muito divertido.

Castlevania: Rondo of BloodEm 1988 foi lançado um jogo de Castlevania para arcades, chamado no Japão por seu nome original de Akumajo Dracula, e nos EUA por Haunted Castle ("Castelo Mal-Assombrado"). Curiosamente, neste jogo Drácula seqüestra a noiva de Simon no dia de seu casamento, então a missão de nosso herói é salvá-la, e não livrar o povo da Transilvânia da ameaça do vampiro. Também são seis fases, com os mesmos inimigos do primeiro Castlevania. O jogo é dificílimo (não tem "continue", se acabarem as três vidas você é forçado a recomeçar do início, mesmo que coloque outro crédito) e os gráficos são meio estranhos (Simon parece ter sifose), o que contribuiu para que este jogo fosse um fracasso, e se tornasse pouco conhecido. Muita gente inclusive, nem sabe que ele é um jogo de Castlevania.

Em 1989 foi a vez do Game Boy ganhar seu Castlevania, Castlevania: The Adventure, lançado no Japão como Dracula Densetsu ("A Lenda de Drácula"). Este jogo se passa 115 anos antes do Castlevania original, e o jogador deve guiar Christopher Belmont, bisavô de Simon, através de quatro fases, em sua luta contra Drácula em uma aparição anterior do vampiro. O jogo é especialmente conhecido - e odiado - por sua fase três, onde Christopher deve escalar cordas e plataformas enquanto é "seguido" por uma plataforma com espinhos, que representava o fim do jogo para muitos jogadores. Além disso, Christopher se move muito mais lentamente que Simon, e o jogo não tem armas secundárias, o que fez com que este fosse mais um título da série a passar em branco.

A tão esperada seqüência de Castlevania para o NES veio em 1990, mas não era exatamente uma seqüência. Castlevania 3: Dracula's Curse ("A Maldição de Drácula"), lançado no Japão como Akumajo Densetsu ("A Lenda do Castelo Demoníaco"), se passa 215 anos antes do primeiro Castlevania. Desta vez o herói é Trevor Belmont (Ralph Belmondo no original), avô de Christopher, que deve passar por nove fases, enfrentando monstros clássicos e outros nem tanto, para - adivinhem - destruir Drácula e salvar a Transilvânia. O jogo é considerado um dos melhores do NES, não somente por seus gráficos e música excepcionais para a época, mas também por seu sistema de fases: após algumas fases, o jogador pode escolher entre dois caminhos diferentes, proporcionando aventuras diferentes a cada vez que se joga. Além disso, durante sua jornada, Trevor conhecerá três aliados: o pirata Grant DaNasty, que pode escalar paredes e mudar de direção no meio de um pulo (algo que nenhum personagem dos primeiros Castlevania podia fazer, e que era uma espécie de marca da série); a bruxa Sypha Belnades, de ataques fracos mas magias poderosas; e Alucard, o filho de Drácula, que lança bolas de fogo e pode se transformar em morcego. Um deles poderá acompanhar Trevor - mas apenas um de cada vez. As fases subseqüentes à escolha do aliado se tornam bastante diferentes dependendo de quem esteja acompanhando Trevor, e o jogo tem quatro finais diferentes, um para cada aliado e um para Trevor sem aliado nenhum. Apesar de ser um jogo tão fantástico, Dracula's Curse tinha um defeito curioso: na versão japonesa, os gráficos e a música eram ainda melhores - o jogo vinha com um chip especial para música, inclusive - a dificuldade era menor, e Grant atacava jogando adagas, ao invés de com uma faca.

Super Castlevania 4Tais diferenças entre as versões japonesa e americana também estariam presentes no lançamento seguinte, Super Castlevania 4, o primeiro para o Super Nintendo, de 1991. No Japão, este jogo era um remake do primeiro Castlevania, com a mesma história, tendo, inclusive, o mesmo nome, Akumajo Dracula; nos EUA, por outro lado, o manual e a abertura do jogo foram modificados para que ele fosse uma seqüência de Simon's Quest, onde Simon Belmont tem mais de uma vez de lidar com Drácula, que fugiu após ser ressucitado por ele no final do jogo anterior, enganando-o para que pensasse que estava morto. Seja como for, Simon terá de passar por 10 fases até derrotar o vampiro novamente. O jogo utilizava vários recursos populares do Super Nintendo, como zoom, dois planos de jogo na mesma tela e rotação, e trazia gráficos de última geração - alguns tão bons que foram censurados na versão norte-americana: estátuas nuas ganharam roupas, e um rio de sangue ficou verde.

No mesmo ano de Super Castlevania 4, foi lançado um novo título para Game Boy, Castlevania 2: Belmont's Revenge ("A Vingança de Belmont"; Dracula Densetsu 2 em japonês). Buscando reparar os defeitos do jogo anterior, a Konami adicionou armas secundárias, aumentou a velocidade do movimento do protagonista, e ainda adicionou um sistema de escolha de fases, semelhante aos dos jogos de Megaman. Neste título, você mais uma vez está no papel de Christopher Belmont, que desta vez tem de salvar seu filho, Solieyu (Nota do Guil: Eles trocam Ralph por Trevor, mas deixam Solieyu?), seqüestrado por Drácula após os eventos de Castlevania: The Adventure. Christopher terá de destruir quatro castelos de Drácula (as quatro fases que você pode escolher a ordem), cada um com um tema diferente - ar, plantas, terra e cristal. Após vencer os quatro, Christopher terá acesso a Castlevania, onde duas novas fases o aguardam.

Em 1993 foram lançados dois títulos exclusivos para o mercado japonês; um deles foi um novo remake do primeiro Castlevania, desta vez para os computadores Sharp X68000, que só existiam no Japão. Além dos gráficos e música melhorados, algumas fases foram redesenhadas, e alguns itens e inimigos novos adicionados. O nome era o mesmo de sempre, Akumajo Dracula. Embora esta versão nunca tenha sido lançada nos EUA, ela se tornou muito popular, principalmente devido aos emuladores, de forma que, em 2001, a Konami decidiu lançá-la para Playstation, com o nome de Castlevania Chronicles (Akumajo Nendaiki, "Crônicas do Castelo Demoníaco", em japonês). Além da versão original do X68000, Chronicles ainda trazia uma versão ainda mais melhorada, com filmes de computação gráfica e gráficos de 32 bits.

Castlevania BloodlinesA outra versão exclusiva para o mercado japonês foi lançada para o videogame de 16 bits PC Engine, conhecido nos EUA como Turbografx-16. Akumajo Dracula X: Chi no Rondo ("Rondó de Sangue", rondó é um estilo musical originário da Idade Média) foi considerado o melhor jogo daquele console, e um dos melhores da série. Além disso, foi o primeiro Castlevania lançado em CD. Com gráficos e música primorosos para um console de 16 bits, Rondo of Blood, como ficou conhecido nos EUA, se passa em 1792, e conta a história de Richter Belmont, bisneto de Simon, que tem mais uma vez de enfrentar Drácula, que foi ressucitado pelo sacerdote Shaft e seqüestrou quatro jovens e belas moças para tomar como suas esposas, dentre elas Anette Renard, noiva de Richter. Assim como Dracula's Curse, Rondo of Blood tem muitos caminhos alternativos ao longo de suas oito fases, e em um deles Richter pode ganhar uma aliada, Maria, uma menininha de 12 anos com poderes mágicos ligados aos animais. Rondo of Blood ainda foi o primeiro jogo a permitir um mega ataque com as armas secundárias, o que logo voltaria a aparecer em mais títulos da série. Assim como aconteceu com o jogo do X68000, Rondo of Blood também ganhou uma versão para o mercado americano, Castlevania: Dracula X (conhecido como Akumajo Dracula XX no Japão e Castlevania: Vampire's Kiss, "O Beijo do Vampiro", na Europa), lançado em 1995 para o Super Nintendo. A história era a mesma, mas as fases - algumas diferentes ou redesenhadas - se sucediam de forma linear, sem bifurcações, e a dificuldade foi atenuada. Estes dois fatos, somados a gráficos mais simples que os da versão original, fizeram com que Dracula X fosse alvo de muitas críticas, sendo considerado inferior ao original.

Em 1994 seria lançado o único Castlevania para o console Mega Drive, da Sega. Curiosamente chamado de Vampire Killer no Japão, Castlevania: The New Generation ("A Nova Geração") na Europa, e Castlevania Bloodlines ("Linhagens") no resto do mundo, este título se passa em plena Primeira Guerra Mundial, no ano de 1917, e é uma tentativa de incluir o livro Drácula, de Bram Stoker, na cronologia oficial de Castlevania. Segundo o jogo, a Condessa Elizabeth Bartley, sobrinha de Drácula, tomou parte no assasinato de Franz Ferdinand, o evento que deu origem à Guerra. Seu plano era iniciar um ritual profano onde milhares de almas européias fossem ceifadas, o que permitiria a ressurreição de Drácula. Para impedí-la, o jogador pode escolher entre dois personagens: John Morris, filho de Quincey Morris, o caubói que participa da caçada a Drácula no livro, e segundo o jogo descendente dos Belmont; e Eric Lecarde, o melhor amigo de John, que quer vingança contra a Condessa por ela ter transformado sua noiva Gwendolyn em vampira. Bloodlines é o único título da série em que os personagens viajam pelo mundo, visitando cinco países diferentes ao longo de suas seis fases, algumas com as já famosas bifurcações. Os gráficos mais uma vez são excelentes, e bastante detalhados. O jogo foi bem aceito pelos fãs, mas a história confusa e a ausência de um Belmont "verdadeiro" fizeram com que os mais puristas - e muitos críticos - torcessem o nariz.

Castlevania: Symphony of the NightDepois do Mega Drive, foi a vez de Castlevania chegar ao Playstation. Lançado em 1997, e um ano depois para o Sega Saturn, Castlevania: Symphony of the Night ("Sinfonia da Noite"; Akumajo Dracula X: Gekka no Yasokyoku, "Música Noturna à Luz da Lua", em japonês) é uma continuação direta de Rondo of Blood (e, por conseguinte, de Dracula X), e é considerado por muitos como o melhor de todos os Castlevania. De fato, além de gráficos e músicas primorosos, que demonstraram que os jogos de plataforma com sprites ainda tinham muito o que oferecer em uma época em que a maioria dos jogos já era em 3D, Symphony of the Night ainda trouxe um esquema de jogo não-linear, com elementos de RPG, todo ambientado em uma única e imensa fase - o castelo de Drácula - ao invés do tradicional esquema de uma fase após a outra, característico não só da série, mas dos jogos de plataforma em geral. Este esquema fez tanto sucesso que foi utilizado em muitos outros jogos da série, e ganhou o apelido, entre os fãs norte-americanos, de "Castleroid", em alusão ao jogo Metroid, da Nintendo, que também o utilizava, mas já no NES.

A história se passa em 1797, cinco anos após os eventos de Rondo of Blood. Você começa o jogo no papel de Richter Belmont, que, após derrotar Drácula, recebe uma maldição do sacerdote Shaft, que o transforma em uma espécie de demônio, e coloca Castlevania sob seu poder. O jogador então assume o papel de Alucard, o filho de Drácula, que decide investigar o castelo do pai para saber por que ele continua em atividade mesmo após a derrota do vampiro, e por que Richter está desaparecido. Assim como em jogos de RPG, ao longo de sua aventura Alucard ganha novas armas e movimentos, que permitirão que ele enfrente inimigos mais poderosos e acesse áreas do castelo antes inacessíveis - uma boa sacada é que as magias de Alucard não são acessadas através de menus, mas de comandos, como os golpes em jogos de luta. Durante a exploração, Alucard pode ganhar a ajuda de Maria Renard, e existe um truque secreto para jogar com Richter após você terminar o jogo. Falando nisso, o jogo tem quatro finais, dependendo de seu desempenho na exploração do castelo, e após alguns deles Alucard receberá um novo desafio: invadir o Castelo Invertido, que surge dos céus, e enfrentar ninguém menos que seu pai, o Conde Drácula. Os inimigos do jogo são mais uma vez monstros clássicos, mas desta vez foram adicionados alguns mais modernos, como os dos livros de Lovecraft.

Pois bem, ainda faltam uns dez jogos, e este post já está bem grandinho. A conclusão ficará para a semana que vem. Até lá!

Castlevania

Parte 1

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