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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Escrito por em 2.11.15 com 0 comentários

Angel

Semana passada, eu planejava falar sobre as temporadas de Angel, o spin off de Buffy, a Caça-Vampiros de forma intercalada com as temporadas de Buffy. Só que, além de o post ter ficado muito comprido, acabou ficando também muito bagunçado. O resultado foi que Angel acabou ganhando um post só pra ele.

Angel seria criada por Joss Whedon e pelo produtor David Greenwalt. A ideia partiria de Whedon, que considerava Angel o único personagem capaz de rivalizar em importância com Buffy na série da caçadora, e decidiu imaginar como seria se ele fosse protagonista de suas próprias histórias. Conversando com Greenwalt, eles decidiriam criar a série, e levá-la em uma direção completamente diferente de Buffy: enquanto Buffy era uma espécie de pária, em conflito com sua missão de salvar o mundo, Angel estaria em busca de redenção, tentando fazer o bem como forma de apagar seus pecados passados, cometidos quando o demônio ainda controlava seu corpo. A série de Angel, portanto, seira mais sombria e mais adulta que a de Buffy, com histórias de clima policial e de suspense.

Angel (David Boreanaz) deixaria Buffy no final da terceira temporada, e, em busca de redenção, se mudaria para Los Angeles - segundo Whedon, uma metrópole cheia de seus próprios demônios, mais adequada ao clima da série que uma cidade pequena como Sunnydale. Lá, ele seria contatado por Allen Francis Doyle (Glenn Quinn), irlandês que, na verdade, é metade humano e metade demônio, e tem a habilidade de receber mensagens de entidades de outros planos através de sonhos crípticos. Doyle revela a Angel que recebeu dessas entidades a missão de guiá-lo para que ele se torne um campeão da humanidade, impedindo que demônios invadam nossa dimensão. Pouco depois, os dois encontram Cordelia Chase (Charisma Carpenter), colega de Buffy que, após terminar o colégio, decidiu se mudar para Los Angeles para tentar uma carreira de atriz. Juntos, os três fundam a Angel Investigations, uma empresa de investigações particulares, que Angel usará como fachada para caçar demônios e destruí-los.

Angel possuía um formato um tanto diferente de Buffy: cada temporada de Buffy era centrada em um antagonista principal - o Mestre, o Prefeito etc. - e, embora alguns episódios tivessem histórias "soltas", que não se relacionavam com esse antagonista - conhecidas popularmente como "monstros da semana" - a maioria deles fazia parte de um arco, que se concluía ao final da temporada com a derrota do antagonista. Em Angel, todas as temporadas formam um grande arco, com um antagonista persistente, a firma de advocacia Wolfram & Hart, na verdade uma fachada para que forças demoníacas de outras dimensões atuem em Los Angeles. Exceto nos eventuais episódios de "monstros da semana", os enredos dos episódios envolvem Angel investigando e combatendo a Wolfram & Hart e seus associados.

Para tentar vender a série para o canal WB, Whedon e Greenwalt produziriam um "episódio" de 6 minutos, com a participação de Boreanaz, Quinn e Carpenter, que seria apelidado de "piloto" - após a aprovação, suas cenas seriam reaproveitadas na abertura da série. Como Buffy, na terceira temporada, estava no auge do sucesso, os executivos da Warner se animaram com a possibilidade de ter não uma, mas duas séries ambientadas nesse universo no ar, e deram o sinal verde. Assim como Buffy, Angel seria produzida pela Fox, mas exibida pela WB, de propriedade da Warner Bros.

A primeira temporada de Angel teria 22 episódios, e estrearia em 5 de outubro de 1999 - mesmo dia da estreia da quarta temporada de Buffy. Em uma decisão controversa, após nove episódios, Doyle seria morto, e, antes de falecer, passaria seus poderes para Cordelia; ele seria substituído na Angel Investigations por outro personagem vindo de Buffy, o Sentinela Wesley Wyndam-Pryce (Alexis Denisof), que atuaria como apoio cômico. A morte de Doyle e a comicidade de Wesley não seriam bem aceitas pelos fãs a princípio, e, ao longo da temporada, Wesley gradualmente passaria a ser um personagem mais sério. A primeira temporada teria como personagens recorrentes Charles Gunn (J. August Richards), líder de uma gangue que protege a vizinhança de ataques de vampiros; a detetive de polícia Kate Lockey (Elisabeth Röhm), que investiga os crimes sem saber que eles têm ligação com demônios, e acaba tendo um breve relacionamento amoroso com Angel; e Lindsey MacDonald (Christian Kane) e Liah Morgan (Stephanie Romanov), advogados da Wolfram & Hart que se tornam os principais antagonistas de Angel. A primeira temporada também contaria com participações especiais, em alguns episódios, de Buffy (Sarah Michelle Gellar), Oz (Seth Green), Spike (James Marsters) e Faith (Eliza Dushku).

A primeira temporada faria um grande sucesso, tendo audiência quase tão alta quanto a quarta temporada de Buffy, o que garantiria a Angel uma segunda temporada, de mais 22 episódios, que estrearia em 26 de setembro de 2000. Na segunda temporada, Gunn seria promovido a personagem principal, passando a trabalhar para a Angel Investigations e tendo de lidar com sentimentos contraditórios por ter como chefe um vampiro. Faith seria promovida a personagem recorrente, atuando como parceira de Angel em vários episódios. Além de MacDonald, Morgan e Lockey, os personagens recorrentes da segunda temporada incluem Lorne (Andy Hallett), demônio que não deseja se tornar um guerreiro sanguinário como os demais de sua dimensão original, e quer viver dentre a humanidade admirando a arte, a música e as mulheres; e Winifred Burkle, apelido Fred (Amy Acker), jovem humana que passou cinco anos presa na dimensão de Lorne, e agora tem de se readaptar a seu próprio mundo.

Duas personagens vindas das primeiras temporadas de Buffy também seriam recorrentes na segunda temporada de Angel. Uma delas seria Harmony Kendall (Mercedes McNab), personagem bem coadjuvante das três primeiras temporadas de Buffy, inicialmente membro da trupe de meninas populares de Cordelia, mas que acabaria transformada em vampira por Spike, e iria a Los Angeles visitar Cordelia, sem revelar a ela que agora é uma vampira. A outra seria Darla (Julie Benz), que participou das duas primeiras temporadas de Buffy, a vampira que transformou Angel em vampiro, e agora está ligada à Wolfram & Hart; após seu retorno, Darla e Angel desenvolvem um relacionamento amoroso, o que faz com que Angel se torne depressivo e autodestrutivo. A segunda temporada de Angel também teria participações especiais de Spike, Willow (Alyson Hannigan) e Drusilla (Juliet Landau).

Ao final da segunda temporada de Angel (que foi exibida simultaneamente à quinta temporada de Buffy), algo curioso ocorreria: a Warner decidiria não renovar o contrato para uma sexta temporada de Buffy, citando como principais motivos a audiência decrescente e um pedido dos atores principais por aumento de salário. Entretanto, como a audiência de Angel, embora mais baixa que a de Buffy, se manteve constante, e ninguém pediu por mais dinheiro, a Warner renovou Angel para uma terceira temporada, o que fez com que, embora as duas séries continuassem sendo exibidas simultaneamente, agora estariam em canais diferentes - Angel no WB, Buffy no UPN. Talvez por isso, a terceira temporada seria a primeira de Angel a não contar com participações especiais de personagens que estivessem no ar em Buffy.

A terceira temporada, que teria mais 22 episódios, o primeiro estreando em 24 de setembro de 2001, se distanciaria um pouco das duas primeiras, deixando a Wolfram & Hart de lado - a única personagem da firma com algum destaque nessa temporada seria Morgan - e investindo em um curioso arco de história: Angel e Darla, contra todas as probabilidades, teriam um filho, Connor; como um filho de dois vampiros é uma aberração, o demônio Sahjhan (Jack Conley) ressucita o caçador de vampiros Daniel Holtz (Keith Szarabajka), que, na Inglaterra Vitoriana, tentou destruir Angel e Darla, para que ele conclua sua missão e mate, também, Connor. Holtz recruta uma jovem, Justine Cooper (Laurel Holloman), cuja irmã foi morta por vampiros, para ser sua assistente, e, com sua ajuda, sequestra Connor e o leva para a dimensão demoníaca de Quor'Toth, onde cria o menino como se fosse seu. Como o tempo em Quor'Toth passa mais depressa que na Terra, após apenas algumas semanas, Connor retorna como um adolescente (Vincent Kartheiser), que não aceita que Angel é seu pai, e quer destruí-lo. Ainda na terceira temporada, Fred seria promovida ao elenco principal, e Lorne continuaria como recorrente.

Lorne e Connor seriam promovidos ao elenco principal, se unindo à Angel Investigations, na quarta temporada, de mais 22 episódios, que estrearia em 6 de outubro de 2002. Nela, um demônio gigantesco bloqueia a luz do Sol, mergulhando Los Angeles nas trevas, e começa a matar todos os empregados da Wolfram & Hart. Cordelia é possuída por um demônio chamado Jasmine, que tenta convencer a equipe de que a única forma de detê-lo é acabando com a alma de Angel, o que, como efeito colateral, faria com que ele voltasse a ser um vampiro maligno. Mas, com a ajuda de Willow e Faith, o demônio é detido, Angel mantém sua alma, e Cordelia se vê livre do domínio de Jasmine, que obtém um corpo só pra ela (Gina Torres), e passa a tentar controlar toda a população de Los Angeles. Após uma sequência inesperada de eventos, Morgan oferece a Angel a presidência da filial de Los Angeles da Wolfram & Hart.

A quarta temporada teria um formato diferente das demais, não somente com um antagonista próprio (Jasmine) como em Buffy, mas também com episódios serializados, com o seguinte começando de onde o anterior parou. Aparentemente, isso não agradou aos fãs, e a audiência despencou. Também contribuiu para a queda da audiência a decisão do WB de exibir a série aos domingos (as duas primeiras temporadas foram exibidas às quintas-feiras, e a terceira às segundas); após sete episódios, o WB moveu a série para as quartas-feiras (dia no qual os episódios da quinta temporada também seriam exibidos), mas a audiência continuou caindo.

A série retornaria ao seu formato mais tradicional, tanto na estrutura dos episódios quanto no fato de que a Wolfram & Hart voltaria a ser a principal antagonista, na quinta temporada, de mais 22 episódios, que estrearia em 1o de outubro de 2003. Cordelia sairia da série, aparecendo em apenas alguns episódios como participação especial, e Connor passaria a ser um personagem recorrente; em compensação, Spike e Harmony entrariam para o elenco principal. Dessa vez seria Fred quem seria possuída por um demônio, Illyria, e MacDonald voltaria à série, após ficar de fora duas temporadas, para antagonizar Angel, agora presidente da filial de Los Angeles da Wolfram & Hart. Os personagens recorrentes da quinta temporada são todos ligados à Wolfram & Hart: Knox (Jonathan M. Woodward), que venera Illyria, e arranja para que ela possua o corpo de Fred; Eve (Sarah Thompson), que atua como ligação entre a presidência da firma e os demônios que a controlam (chamados por MacDonald de "acionistas majoritários"); e Marcus Hamilton (Adam Baldwin), que tem sangue de demônio e atua como conselheiro de Angel após ele assumir a presidência.

Diferentemente de Buffy - cuja última temporada foi ao ar simultaneamente à quarta temporada de Angel - Angel não chegou a ter um desfecho que satisfatoriamente encerrasse a série. O último episódio da quinta temporada, exibido em 19 de maio de 2004, deixa a série em aberto, terminando justamente quando Angel e seus aliados vão enfrentar um grupo de demônios. Uma das razões para isso foi que a série seria cancelada abruptamente, com a Warner anunciando que não renovaria para uma sexta temporada em fevereiro de 2004, pegando Whedon e a equipe da Fox de surpresa. Embora um dos executivos do WB, durante uma entrevista, tenha dito que o motivo do cancelamento foi a pressão de Whedon para que a série fosse renovada já em fevereiro, ao invés de em maio, como normalmente acontece, o motivo oficial divulgado pela Warner foi a baixa audiência. Whedon negou que houvesse pressionado pela renovação, e muitos executivos da Warner nem acreditam que essa versão seja verdadeira. Seja como for, também diferentemente do que ocorreu com Buffy, nenhum outro canal se interessou por assumir a série, e Angel terminaria mesmo com apenas cinco temporadas.

Três anos após o cancelamento da série, a história de Angel continuaria na série em quadrinhos Angel: After the Fall, publicada pela IDW Publishing. Inicialmente uma minissérie, com roteiro de Whedon e Brian Lynch, a série foi sendo esticada até se transformar, após 17 edições, em uma série regular, com histórias de vários roteiristas diferentes, todas consideradas canônicas dentro do universo de Angel. After the Fall teria um total de 44 edições, publicadas entre novembro de 2007 e abril de 2011.

Depois disso, o universo de Angel seria oficialmente encerrado, e Angel (mas não seus coadjuvantes) continuaria a viver suas aventuras no universo de Buffy, principalmente na série em quadrinhos Angel & Faith, já citada na semana passada.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Escrito por em 26.10.15 com 0 comentários

Buffy, a Caça-Vampiros

Quando escrevi sobre Neil Gaiman, mencionei que, mesmo me aproximando do post 650, ainda existem assuntos dos quais eu gosto que ainda não foram abordados aqui no átomo, e isso me causa uma certa surpresa. Depois de escrever aquele post, outro desses assuntos me veio à mente: Buffy, a Caça-Vampiros. Série que eu adoro, mas que, até agora, jamais havia abordada.

Acreditem ou não, Buffy é considerada uma das séries mais importantes da TV norte-americana, um divisor de águas na produção de séries de ação voltadas para o público jovem. Sua estrutura narrativa influenciaria séries futuras tão diversas quanto Smallville e Doctor Who, seus temas são estudados por acadêmicos até hoje, e mais de vinte livros já foram publicados abordando as metáforas presentes nos episódios, as relações interpessoais entre os personagens, e analisando a própria Buffy e sua psiquê.

Ainda assim, até bem pouco tempo atrás, eu nunca havia me interessado pela série. Quando adolescente, eu vi o filme e achei bem ruinzinho, de forma que, quando a série passava na TV, não me interessei em acompanhá-la achando que seria igual ao filme - mesmo com um primo que era fã me garantindo que não tinha nada a ver. Foi só depois de assistir Firefly e começar a me interessar por outros trabalhos de Joss Whedon que eu resolvi dar uma chance a Buffy. Infelizmente, ainda não consegui assistir a todos os episódios - e um dos motivos foi que, além de a série jamais ter sido lançada completa em DVD aqui no Brasil, as temporadas que foram lançadas se encontram atualmente fora de catálogo - mas, mesmo assim, os que vi realmente me cativaram, e tornaram Buffy merecedora de um post por aqui. Portanto, peguem suas estacas, pois hoje é dia de Buffy, a Caça-Vampiros no átomo!

Como já foi dito, Buffy foi uma criação de Joss Whedon, hoje famoso por ter dirigido os dois filmes dos Vingadores da Marvel, mas na época um roteirista em início de carreira praticamente desconhecido, que só havia escrito roteiros de episódios da séries Roseanne, estrelada por Roseanne Barr, em 1988, e Parenthood, a primeira e mal-sucedida tentativa de transformar em série o filme de mesmo nome, em 1990. Whedon começaria a trabalhar com a ideia de uma adolescente que se acha insignificante, mas de repente descobre ter incríveis poderes, e inicialmente chamaria esse projeto de "Rhonda, a Garçonete Imortal". Mais tarde, ele teria a ideia de subverter um dos mais presentes clichês dos filmes de terror, o da menina bonita que só está no filme para ser morta pelo monstro. Whedon decidiria transformar essa menina na heroína, empoderando-a e fazendo com que os monstros tivessem medo dela. Desenvolvendo essa ideia, ele escreveria a sinopse de um filme que chamaria de Buffy the Vampire Slayer ("Buffy, a matadora de vampiros").

Aliás, "Buffy" não é um apelido, e sim um nome próprio feminino que realmente existe na língua inglesa, embora não seja muito popular. Whedon escolheria esse nome justamente por que, por sua sonoridade, é praticamente impossível levar a sério que alguém que se chama "Buffy" possa ser uma super-heroína caçadora de vampiros. Aliás, a sonoridade é provavelmente a causa da baixa popularidade do nome entra as mães na hora de escolher o nome de suas filhas.

Enfim, Whedon escreveria uma sinopse de Buffy e o ofereceria a vários estúdios, sem sucesso. No final de 1991, a diretora Fran Rubel Kuzui tomaria conhecimento da sinopse, e entraria em contato com Whedon, ajudando-o a transformar a sinopse em um roteiro completo e a conseguir o dinheiro necessário para a produção - obtido através de seu marido, o japonês Kaz Kuzui, dono da produtora Kuzui Enterprises, que negociaria um contrato de financiamento com a produtora Sandollar, da qual uma das proprietárias é a cantora Dolly Parton. Com orçamento de 7 milhões de dólares, o filme ficaria pronto no início de 1992, e estrearia nos cinemas em 31 de julho daquele ano.

Só haveria um problema, porém: o intuito de Whedon era fazer um filme sério, com os vampiros servindo como metáfora para as dificuldades que os adolescentes enfrentam na escola, principalmente em relação à aceitação social (se tornar um dos "populares"). Fran Kuzui, por outro lado, achava que o filme deveria ser uma comédia, com referências à cultura pop e com os vampiros sendo representados pelos estereótipos que os adolescentes norte-americanos fazem deles. Curiosamente, Kuzui conseguiria dar essa direção ao filme alterando pouquíssima coisa no roteiro original de Whedon - o que eu acho uma proeza - apenas mudando o tom das interpretações e o ritmo das cenas. Isso levaria a uma situação inusitada: o roteiro de Whedon seria elogiadíssimo pela comunidade cinematográfica, mas o filme seria um tremendo fracasso de crítica e público.

No filme, Buffy Summers (Kristy Swanson) é uma líder de torcida popular e superficial, cujas maiores alegrias na vida são fazer compras junto com suas amigas ricas e esnobes e passar o tempo com seu igualmente popular e superficial namorado Jeffrey (Randall Batinkoff). Um dia, Buffy é abordada por um estranho homem chamado Merrick Jamison-Smythe (Donald Sutherland), que lhe revela que ela é uma Caçadora (Slayer, no original), uma espécie de "escolhida", que receberá poderes como força, agilidade e vigor sobre-humanos, mas terá a missão de erradicar os vampiros da face da Terra. Buffy, a princípio, não aceita seu destino, mas, quando um poderoso vampiro de nome Lothos (Rutger Hauer), responsável pela morte de diversas Caçadoras anteriores, chega à cidade e ameaça seus amigos, ela decide usar seus poderes para enfrentá-lo, assim como a seus asseclas. O filme conta ainda com a participação de Luke Perry (o Dylan de Barrados no Baile) como Oliver Pike, que inicialmente detesta Buffy por sua superficialidade, mas acaba se tornando seu interesse amoroso e "donzelo em perigo", tendo de ser salvo por ela das garras de Lothos; e de Hillary Swank (de Menina de Ouro) como Kimberly, uma das amigas de Buffy.

Pois bem, o filme é realmente bem ruinzinho, e não fez sucesso algum, mas seu roteiro chamaria a atenção de Gail Berman, que, na época, trabalhava na Sandollar. Em 1995, Berman chegaria à presidência da Sandollar, que, graças ao acordo firmado com a Kuzui, detinha os direitos de Buffy caso fosse feita uma adaptação para a televisão - prática extremamente comum no início dos anos 1990, mas que acabaria não sendo exercida nesse caso devido ao fracasso do filme - e procuraria Whedon, perguntando-o se ele não gostaria de transformar seu roteiro de Buffy em uma série de TV. Whedon aceitaria, com a condição de que a série não tivesse nada a ver com o filme. Ele, inclusive, chegaria a cogitar batizar a série apenas como Slayer e mudar o nome da protagonista, mas, não querendo abrir mão do nome "Buffy", acabaria optando por manter o mesmo nome do filme.

Whedon escreveria um roteiro para um piloto, de 25 minutos, cuja filmagem seria financiada em parte pela Sandollar, em parte pelo próprio Whedon, e que seria oferecido por Berman à Fox. A Fox gostaria do piloto e concordaria em produzir a série, mas acabaria não a exibindo em seu próprio canal de TV: na época, a Warner também estava estreando um canal, chamado The WB Television Network, e estava à procura de séries de ação para sua programação. Os executivos da Fox ofereceriam Buffy ao WB, que também gostariam dela e a comprariam. Assim, a Fox ficaria responsável pela produção, mas a série seria exibida pelo canal WB. Por sugestão do WB, o piloto, considerado amadorístico e muito curto, seria refilmado, mantendo a mesma história - apenas com a adição de mais elementos, para que o tempo total fosse de 45 minutos - e praticamente o mesmo elenco - apenas a atriz que interpretou Willow, Riff Regan, seria substituída.

É importante explicar que, embora a série já comece com Buffy sabendo que é uma Caçadora, e perfeitamente habituada à sua rotina de caçar vampiros, ela não é uma continuação do filme, o que fica claro pelos diversos elementos conflitantes entre ambos: no filme, os pais de Buffy são riquíssimos e dão pouca atenção a ela, preferindo ocupar seu tempo com torneios de golfe e festas; na série, os pais de Buffy são divorciados, e sua mãe trabalha em uma galeria de arte, tendo uma condição financeira mediana. A própria Buffy, aliás, é superficial e meio cabeça-oca no filme, enquanto na série é pé no chão, bastante centrada e levemente atormentada pela sua condição de Caçadora. No filme, Merrick é simplesmente alguém que sabe que existem vampiros e a Caçadora, mas, na série, Buffy conta com a ajuda de um Sentinela (Watcher), alguém que tem a missão específica de treinar e guiar a Caçadora. Praticamente a única semelhança entre o filme e a série - além do fato de Buffy ser "a escolhida" e possuir força, agilidade e vigor sobre-humanos - é que ela originalmente morava em Los Angeles, embora na série ela e sua mãe tivessem tido de se mudar para a pequena cidade de Sunnydale após ela ter colocado fogo no ginásio da escola (evidentemente, em uma luta contra os vampiros) - incêndio esse que, no filme, jamais aconteceu.

Também é interessante notar que os vampiros, no filme, possuem sempre pele pálida, olhos amarelos e caninos protuberantes, enquanto na série eles possuem duas formas: na maior parte do tempo, são humanos perfeitamente normais, mas, quando se transformam, além dos olhos amarelos e dos caninos, também ficam com uma testa protuberante e um nariz enrugado. Whedon se referia a essa aparência como vamp face, e, segundo ele, ela teria sido criada com um duplo propósito: primeiro, para que os vampiros pudessem se infiltrar na sociedade, com Buffy não sabendo quem era humano e quem era vampiro até ocorrer a transformação; segundo, para ficar claro que ela só matava monstros, nunca humanos normais. Também vale dizer que os vampiros do filme, quando morriam, revertiam à forma humana, mas os da série viravam pó - sem deixar vestígios que pudessem corroborar uma eventual história de que Buffy matou um vampiro, por exemplo. Na série também é explicado que, quando uma pessoa é transformada em vampiro, ela morre, e um demônio se apossa de seu corpo; os atos praticados pelo vampiro desde então, portanto, não são controlados pela pessoa original, e sim por esse demônio.

Buffy, a Caça-Vampiros estrearia no WB em 10 de março de 1997. Inicialmente, a Warner encomendaria a série como um mid-season replacement - série que ocupa o mesmo horário de outra enquanto essa outra está entre duas temporadas - para a série Savannah, de forma que somente 12 episódios foram produzidos para a primeira temporada. Neles, Buffy Summers (Sarah Michelle Gellar) chega à pequena cidade de Sunnydale com sua mãe, Joyce (Kristine Sutherland, que não é parente de Donald Sutherland), após ter sido expulsa de sua escola em Los Angeles. Em sua nova escola, ela logo faz amizade com dois alunos nada populares, o atrapalhado Xander Harris (Nicholas Brendon) e a tímida Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), e ganha uma inimiga, a popular líder de torcida Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Inicialmente aliviada por ter deixado sua vida de Caçadora para trás, Buffy logo descobre que não pode fugir de seu destino, quando o bibliotecário da escola, Rupert Giles (Anthony Stewart Head), lhe revela que será seu novo Sentinela, e que o trabalho de Buffy será mais necessário do que nunca, pois Sunnydale fica sobre um portal conhecido como Boca do Inferno, que atrai não somente vampiros, mas todo tipo de demônios, e ainda serve como prisão para o Mestre (Mark Metcalfe), um vampiro antiquíssimo e muito poderoso, que, bem agora que Buffy chegou, tenta realizar um ritual para se libertar e dominar o mundo. Enquanto combate os vampiros, Buffy também começa um relacionamento com o misterioso Angel (David Boreanaz), que, sem que ela saiba, também é um deles, embora lute ao lado do bem, já que, devido a um ritual cigano, sua alma original foi restaurada, reassumindo o controle de seu corpo.

Gellar já era uma atriz premiada quando foi fazer o teste para a série, tendo ganhado um Emmy de Melhor Atriz Principal Jovem em Série Dramática aos 18 anos por seu papel na série All My Children. Curiosamente, após seu primeiro teste, ela seria escalada para o papel de Cordelia, mas pediria especificamente pelo papel de Buffy, e, após uma nova série de testes, conseguiria. Gellar acabaria se encaixando perfeitamente na subversão de papéis que Whedon planejava, pois, com 1,63 m de altura, magra e de feições delicadas, era ainda mais surreal que ela conseguisse enfrentar e derrotar vampiros mais altos e aparentemente bem mais fortes que ela - no piloto, por exemplo, ela enfrenta em combate corporal um vampiro interpretado por Brian Thompson, que tem 1,91 m. Outra curiosidade quanto ao papel de Buffy é que Carpenter, que acabaria ficando com o papel de Cordelia após Gellar ser promovida a Buffy, chegaria a fazer o teste para Buffy, mas não seria aprovada. Ryan Reynolds chegaria a fazer um teste para o papel de Xander, que acabaria ficando com Brendon, que não tinha qualquer experiência prévia com atuação. E Hannigan ganharia o papel de Willow quando os produtores, insatisfeitos com a interpretação de Regan no piloto, decidiriam procurar por uma atriz que conseguisse dar à personagem um certo tom de melancolia, mas ainda assim torná-la simpática junto ao público, coisa que Hannigan fez com maestria durante o teste.

Inicialmente, como o filme havia sido um fracasso, nem Whedon, nem a Fox, nem a Warner sabiam como seria a reação do público à série, de forma que Whedon preferiria fazer da primeira temporada uma história completa, com Buffy derrotando Mestre no último episódio. A temporada, entretanto, teria um excelente desempenho na avaliação da Warner, que encomendaria uma segunda, dessa vez de 22 episódios e para ser exibida no período usual de séries (e não no mid-season), entre setembro e maio. Essa segunda temporada estrearia ainda em 1997, no dia 15 de setembro.

Apesar de ter encerrado a história do Mestre, Whedon deixaria algumas pontas soltas, justamente para o caso de uma segunda temporada. Logo nos primeiros episódios dessa nova temporada, entretanto, ele decidiria levar a série em uma outra direção, e logo fecharia todas essas pontas, praticamente recomeçando - tanto que é de opinião geral que foi a segunda temporada quem estabeleceu o cânone da série. Na segunda temporada, chegam a Sunnydale dois vampiros, Spike (James Marsters) e Drusilla (Juliet Landau), cujo passado está ligado ao de Angel. Eles servem como principais antagonistas da temporada, que conta ainda com uma segunda Caçadora, Kendra Young (Bianca Lawson) - teoricamente, só pode existir uma Caçadora por vez, mas, durante a luta final contra o Mestre, Buffy esteve morta por alguns segundos, o que causou a "ativação" de Kendra. Também nessa temporada, Cordelia se torna amiga de Buffy, Xander e Willow - embora continue tão superficial e avoada como antes - e Willow não somente começa a namorar o guitarrista Daniel Ozbourne, apelido Oz (Seth Green) como também começa a estudar bruxaria.

A segunda temporada teria audiência ainda melhor que a primeira, e a crítica também começaria a reparar na série, com Buffy sendo eleita uma das melhores séries do ano para o público jovem, e ganhando três Emmys - dois de Melhor Maquiagem e um de Melhor Composição Musical. Esse bom desempenho garantiria, evidentemente, uma terceira temporada, de mais 22 episódios, que estrearia em 29 de setembro de 1998. Na terceira temporada, Giles é temporariamente substituído na função de Sentinela por Wesley Wyndam-Pryce (Alexis Denisof), pois o Conselho dos Sentinelas não estava satisfeito com a relação pouco profissional que ele tinha com Buffy - que via nele uma figura paterna, enquanto ele a tratava como a filha que jamais teve. Uma terceira caçadora também chega a Sunnydale, Faith Lehane (Eliza Dushku), que logo passa a antagonizar Buffy. Mas o principal vilão da temporada é o Prefeito de Sunnydale (Harry Groener), que, embora se mostre amável com a população, tem planos secretos de realizar um ritual e se tornar um demônio.

A terceira temporada seria a de maior audiência da série, com média de 5,3 milhões de telespectadores, o que lhe garantiu o posto de segunda série mais assistida do WB em 1999, atrás apenas de Sétimo Céu. Muito do sucesso da temporada seria atribuído à presença de Gellar e Hannigan em dois filmes de grande sucesso daquele ano, a primeira em Segundas Intenções, a segunda em American Pie, mas a grande audiência também se deveu a uma estratégia do WB, que não colocou a série para competir com nenhum dos sucessos dos grandes canais (CBS, ABC e NBC), o que garantiu que as televisões estivessem disponíveis aos jovens que queriam ver Buffy no horário em que a série era exibida.

A terceira também seria a última temporada com a presença de Angel e Cordelia, que, junto com Wesley, seriam transferidos para um spin off estrelado por Angel que estrearia em 5 de outubro de 1999. Nesse mesmíssimo dia, estrearia a quarta temporada de Buffy, com mais 22 episódios, que trouxe grandes mudanças, a principal delas sendo que os personagens já haviam se formado na escola, e agora precisavam começar a estudar em uma universidade. O principal arco da quarta temporada envolve um grupo conhecido como Iniciativa, que teoricamente caça demônios, mas, na verdade, tem um plano sinistro para dominar o mundo envolvendo Adam (George Hertzberg), uma criatura feita de partes de vários cadáveres, como o Monstro de Frankenstein. A Iniciativa tenta recrutar Buffy e seus amigos, e acaba recrutando Spike, que passa, não por vontade própria, a lutar ao lado de Buffy. Ainda na quarta temporada, Buffy começa a namorar Riley Finn (Marc Blucas), que é membro da Iniciativa, e Xander começa a namorar Anya Jenkins (Emma Caulfield), um demônio que perdeu seus poderes e ficou preso na forma humana. Mas o par romântico mais famoso da quarta temporada envolve Willow, que, após terminar o namoro com Oz, e estando cada vez mais versada nas artes da bruxaria, começa um relacionamento com outra bruxa, Tara Maclay (Amber Benson), se tornando a primeira personagem principal feminina homossexual em uma série de TV.

A quinta temporada, mais uma vez com 22 episódios, estrearia em 26 de setembro de 2000. Nela, Whedon decidiria introduzir a irmã de Buffy, Dawn (Michelle Trachtenberg), que, apesar de jamais ter sido sequer mencionada até então (aliás, pelo contrário, em um dos episódios da terceira temporada, Joyce diz com todas as letras que Buffy é filha única), seria introduzida na série como se sempre tivesse existido e todos soubessem de sua existência. Segundo Whedon, ele decidiria dar a Buffy uma irmã porque queria um personagem com quem ela pudesse ter um relacionamento profundo que não fosse romântico. A principal antagonista da temporada é Glory (Clare Kramer), uma deusa originária de uma dimensão infernal, que planeja abrir um portal e apagar as fronteiras entre a nossa dimensão e a sua, transformando tudo no inferno. Para derrotá-la e selar o portal, Buffy tem de sacrificar a própria vida.

Whedon decidiria matar Buffy porque, com a audiência da série na decrescente - no final, a média de audiência da quinta temporada ainda seria maior que a da primeira, mas bem menor que a das três anteriores - e os atores principais pedindo aumento de salário, o WB decidiria não renovar a série para uma sexta temporada; a morte de Buffy, portanto, seria um encerramento caso a série realmente não fosse adiante. Após o WB decidir não renovar, entretanto, o canal UPN - de propriedade de outro estúdio de cinema, a Paramount - se interessaria por financiar não somente a sexta temporada, mas também uma sétima, fazendo logo o contrato para duas temporadas de uma vez. Após cinco temporadas no WB, portanto, Buffy teria mais duas no UPN.

A sexta temporada estrearia em 2 de outubro de 2001, com mais 22 episódios, e seria a mais sombria da série até então: Buffy seria trazida de volta à vida, mas ficaria melancólica, pois, segundo ela, estava no Paraíso e não queria voltar; Dawn se torna cleptomaníaca e se envolve em um relacionamento abusivo com Spike; Xander deixa Anya no altar e ela volta a ser um demônio; e Willow se torna viciada em magia, o que faz com que Tara termine tudo com ela. O principal antagonista da temporada é Warren Mears (Adam Busch), que lidera um grupo de nerds que planeja matar Buffy novamente e dominar Sunnydale; acidentalmente, eles acabam matando Tara, o que leva Willow a uma depressão profunda que faz com que os poderes das trevas a dominem e ela ameace destruir o mundo.

Na sétima e última temporada, que estrearia em 24 de setembro de 2002, com mais 22 episódios, é revelado que a ressurreição de Buffy causaria um desequilíbrio que permitiria a um antigo mal, conhecido apenas como Primeiro Mal, interferir no mundo, matando potenciais novas Caçadoras antes que elas ganhassem seus poderes, causando o surgimento de vampiros superpoderosos conhecidos como Turok-Han, e dando poderes a um padre chamado Caleb (Nathan Fillion), que planeja abrir de vez a Boca do Inferno, que engoliria Sunnydale e permitiria que o Primeiro Mal dominasse o mundo. Para detê-lo, Buffy e seus amigos, com a ajuda de Angel, têm de destruir a Boca do Inferno, o que causa a destruição de toda Sunnydale. O último episódio iria ao ar em 20 de maio de 2003.

Curiosamente, a série não terminaria por decisão da Fox, nem de Whedon, nem da UPN - que até gostaria de renovar para uma oitava temporada, já que, apesar de a média de audiência das duas últimas ter sido menor que a da quinta, ainda foi maior que a da primeira, e bem alta para um canal secundário como a UPN - mas de Gellar, que decidiria não renovar seu contrato ao final da sétima temporada - segundo ela, ela gostaria de sair no auge, quando a audiência ainda estava boa, ao invés de ver a série cancelada por baixa audiência.

Mesmo assim, e apesar da destruição de Sunnydale, a série continuaria, mas não na televisão: em 14 de março de 2007, a editora Dark Horse Comics começaria a publicar uma série em quadrinhos chamada Buffy the Vampire Slayer: Season Eight ("oitava temporada"), escrita por Whedon e por diversos outros roteiristas da série, com arte de Georges Jeanty e Karl Moline. Essa série em quadrinhos é considerada a continuação oficial da série da TV, e tudo o que ocorre nela é considerado canônico ("oficial") para o Buffyverso - nome pelo qual o universo no qual a história ocorre, cunhado depois que a série de TV deu origem a diversos outros produtos, como livros, games, brinquedos e séries em quadrinhos.

Season Eight teria um total de 40 edições mensais e três edições especiais, e seria publicada até janeiro de 2011. Em agosto do mesmo ano, a Dark Horse começaria a publicar Buffy the Vampire Slayer: Season Nine ("nona temporada"), série limitada de 25 edições mensais, que, assim como a anterior, trazia material canônico. Junto com Season Nine, a Dark Horse publicaria um spin off, chamado Angel & Faith, estrelado, obviamente, por Angel e Faith, também com 25 edições mensais. Ambas as séries seriam encerradas em setembro de 2013, e, enquanto estavam sendo lançadas, a Dark Horse também publicaria três minisséries, Willow: Wonderland e Spike: A Dark Place, ambas com cinco edições mensais cada, e Love vs Life, de três edições mensais.

A atual série em quadrinhos oficial de Buffy se chama apenas Buffy the Vampire Slayer, mas tem o apelido de Season 10 ("décima temporada"). Ela começaria a ser publicada em março de 2014, e já conta com 19 edições mensais. Um mês depois, em abril de 2014, começaria a ser publicada uma nova série Angel & Faith (também apelidada Angel & Faith Season 10), que continua a história da anterior, e já conta com 18 edições mensais.

Essas oitava, nona e décima temporadas não seriam as únicas séries em quadrinhos estreladas por Buffy publicadas pela Dark Horse; entre 1998 e 2003, a editora publicaria uma série também chamada Buffy the Vampire Slayer, que usava os mesmos personagens da série de TV mas em diferentes histórias, e, por isso, não é considerada canônica pelos fãs. Essa série teve um total de 64 edições mensais, mais 13 especiais e 7 minisséries de três edições cada. As minisséries eram centradas cada uma em um personagem, como Angel, Spike, Oz e Willow, exceto uma, The Origin, publicada entre janeiro e março de 1999, e que trazia a verdadeira origem de Buffy, contando como ela descobriu ser uma Caçadora, mostrando seu primeiro treinamento e sua luta contra os vampiros que resultou no tal incêndio na escola que fez com que ela fosse expulsa e tivesse de se mudar para Sunnydale. The Origin seria escrita por Christopher Golden e Dan Brereton usando como base o roteiro original de Whedon, e costuma ser considerada canônica.

Em 2009, começaram a circular rumores na internet de que Fran e Kai Kuzui estariam interessados em realizar um remake do filme de Buffy, em um tom mais sério, mas sem a participação de Whedon. Apesar dos protestos generalizados dos fãs e até do elenco da série, o projeto chegou a entrar em pré-produção, mas, felizmente, as últimas notícias que se tem dele são de dezembro de 2011, quando um roteiro de Whit Anderson foi rejeitado e os produtores anunciaram estar procurando por um novo. Como não se disse mais nada desde então, parece que o projeto foi engavetado.

Espero que sim. Porque Buffy é uma daquelas obras que ninguém em sã consciência deveria cogitar refilmar - nem que seja para substituir o filme horrível o qual lhe deu origem.
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