Eu poderia começar esse post dizendo "ao contrário do que possa parecer", mas, nesse caso, é exatamente o que possa parecer: a Família Monstro foi criada especificamente para competir contra a Família Addams, com as duas tendo temática e histórias parecidas, e cada uma indo ao ar em um canal - a Família Addams na ABC, a Família Monstro na CBS, com a Família Monstro estreando apenas seis dias depois. Diferentemente do que costuma acontecer nesses casos, a Família Monstro foi mais bem sucedida, tendo maior audiência, roteiros considerados melhores, e uma carreira mais duradoura na syndicaton, quando a CBS vendeu os episódios para outros canais que quisessem exibi-los.
As origens da Família Monstro remontam, porém, à década de 1940, quando ainda nem existia televisão, com o primeiro projeto sendo oferecido ao estúdio de cinema Universal. Eu já devo ter falado isso aqui, mas os monstros que hoje consideramos "clássicos", como Drácula, o Monstro de Frankenstein e o Lobisomem, vieram de várias fontes diferentes, e ganharam seu lugar na cultura pop graças à Universal, que produziu filmes de grande sucesso com atores famosos, como Bela Lugosi, Boris Karloff e Lon Chaney, Jr. nas décadas de 1930 e 1940. Esses filmes fariam tanto sucesso que muitas das coisas que hoje temos como certezas sobre esses monstros, como Drácula não refletir no espelho e o Monstro de Frankenstein ter sido criado com eletricidade, não estão em seus respectivos livros, tendo sido inventadas para os filmes. Nos Estados Unidos, o papel da Universal na popularização desses monstros é tão grande que eles são conhecidos como "os monstros clássicos da Universal".
Pois bem, em 1943, o animador Bob Camplett procuraria a Universal e apresentaria a ideia de uma série para o cinema estrelada por uma família de monstros clássicos, em tom de comédia e produzida como animação. O projeto ficaria em pré-produção de 1943 a 1945, e depois acabaria engavetado, por algum motivo que se perdeu no tempo, provavelmente financeiro. Em 1963, os roteiristas Allan Burns e Chris Hayward, de outra série de animação, As Aventuras de Alceu e Dentinho, descobririam o projeto e decidiriam tentar ressuscitá-lo como uma série de TV, mas ainda como uma animação. A Universal contrataria outros dois roteiristas, Norm Liebman e Ed Haas, para escrever o roteiro de um piloto, que eles chamariam de Love Thy Monster ("ama a teu monstro").
Originalmente, Burns tinha pensado em copiar na cara de pau a Família Addams - que ainda não tinha uma série de TV, mas já era um sucesso nos quadrinhos - e criaria uma família monstruosa, mas inédita. Ao contratar Liebman e Haas, entretanto, o estúdio daria instruções explícitas para que eles usassem Drácula, o Monstro de Frankenstein e o Lobisomem, primeiro porque a Universal já tinha os direitos e já era conhecida por fazer filmes com esses monstros, segundo porque ela esperava que a popularidade dos filmes pudesse se transferir para a série. Para produtores, ela escolheria Joe Connelly e Bob Mosher, hoje considerados criadores da série, famosos por serem roteiristas de vários episódios de um programa de rádio extremamente popular chamado Amos 'n' Andy, mas na época mais conhecidos por terem sido os criadores de outra sitcom de grande sucesso, Leave It to Beaver, que teria seis temporadas, exibidas entre outubro de 1957 e junho de 1963.
Inicialmente, a série seria produzida em animação, mas, ao saber que sua rival MGM estava produzindo uma série com atores para a ABC, a Universal entraria em contato com a CBS e ofereceria uma série também com atores, apostando que a presença dos monstros clássicos fosse suficiente para que o canal a aceitasse. De fato a CBS aceitou, e o piloto de Liebman e Haas seria alterado, se transformando em My Fair Munster - um trocadilho com o nome da famosa peça de teatro que daria origem a um filme com Audrey Hepburn, conhecido no Brasil como Minha Querida Dama, que, curiosamente, estrearia nos cinemas cerca de um mês depois que A Família Addams e A Família Monstro estreassem na televisão. O nome escolhido para a série seria The Munsters, com Munster, que tem a mesma pronúncia de monster, "monstro" em inglês, sendo o sobrenome da família.
Como A Família Addams, A Família Monstro seria uma sitcom com episódios de meia hora, em preto e branco, estrelada por uma família excêntrica, que mora numa mansão decrépita e causa estranheza em quem os conhece por sua aparência e hábitos estranhos, apesar de seu bom coração e do amor que os membros da família demonstram uns para com os outros. A principal diferença entre as duas, como já foi dito, é que em A Família Addams eles são apenas esquisitos, enquanto em A Família Monstro a família é composta por versões dos monstros clássicos da Universal: o pai, Herman Monstro (Fred Gwynne), é o Monstro de Frankenstein; a mãe, Lily (Yvonne de Carlo) é um amálgama de uma vampira com a Noiva de Frankenstein; e o filho, Eddie (Butch Patrick) é um lobisomem. Completam a família o pai de Lily, conhecido apenas como Vovô (Al Lewis), mas chamado por alguns dos outros personagens de Conde (e por Lily, evidentemente, de Papai), que é uma versão caricata do Drácula; e a sobrinha de Herman, Marilyn (Beverly Owen até o episódio 13, Pat Priest nos demais), a única que é um ser humano normal - uma piada recorrente da série é que todos os candidatos a namorado de Marilyn, que é lindíssima para os padrões da época, fogem ao conhecer sua família, o que deixa Herman e Lily se lamentando que ela jamais conseguirá se casar por ser muito feia. A família também tem dois animais de estimação, o corvo Charlie (que fala com voz de Mel Blanc em alguns episódios e de Bob Hastings em outros) e o dragão Spot.
O primeiro piloto seria filmado nos estúdios da MCA no início de 1964; Gwynne e Lewis, que haviam trabalhado juntos na sitcom policial de comédia Car 54, Where Are You?, exibida pela NBC entre setembro de 1961 e abril de 1963, seriam os primeiros escolhidos para o elenco, já que a Universal achava que eles tinham boa química e bom timing de comédia. Owen seria escolhida para interpretar Marilyn após testes, assim como Joan Marshall, que havia participado de episódios de Jornada nas Estrelas e Além da Imaginação, escolhida para interpretar a esposa de Herman, que originalmente se chamaria Phoebe, e Nate Derman, que interpretaria Eddie.
Esse piloto jamais iria ao ar, porque a CBS não gostaria da atuação de Marshall nem do nome Phoebe, além de achar que a personagem se parecia demais com Mortícia Addams. Um segundo piloto seria filmado em abril de 1964, com de Carlo no papel, o nome da personagem sendo mudado para Lily, e sua aparência sendo alterada para lembrar a Noiva de Frankenstein, apesar de ela ser uma vampira. A CBS implicaria de novo, dessa vez com Derman, e um terceiro piloto seria filmado em maio, com Patrick como Eddie. A CBS aprovaria de Carlo e Patrick, mas acharia Eddie muito mimado, encomendando um quarto piloto, que teria alterações no roteiro e seria filmado em julho. Curiosamente, esse piloto também jamais iria ao ar, com um novo primeiro episódio sendo filmado para a estreia da série, o que faz com que a A Família Monstro tenha nada menos que quatro pilotos inéditos. O roteiro do piloto original, entretanto, seria reescrito e daria origem ao segundo episódio da série, também chamado My Fair Munster.
As caracteristicas de alguns personagens também seriam mudadas de um piloto para outro e ao longo da série, sempre para enfatizar que eram personagens cômicos, e não de terror: Herman, no primeiro piloto, tinha uma testa mais protuberante e era mais magro, com Gwynne passando a usar enchimento na roupa para ficar mais parecido com o monstro do filme, interpretado por Boris Karloff; apesar de Gwynne já ser bastante alto, com 1,96 m, a CBS queria que Herman fosse ainda mais alto, com o ator tendo que usar botas plataforma ao filmar. A expressão de Herman também era muito mais sombria nos pilotos, com o ator passando a fazer caretas ao longo da série para tornar o personagem mais cômico - seria de Gwynne a ideia de manter a boca aberta durante a maior parte do tempo, e a de que Herman gagueja quando está nervoso, ambas visando dar mais comicidade ao personagem. Herman era originalmente verde, mas, como a série era gravada em preto e branco, os produtores optaram por fazê-lo cinza-azulado, que filmava melhor.
O visual do Vovô também seria bastante alterado de um piloto para o outro e nos primeiros episódios da série: sua maquiagem era muito mais exagerada, suas sobrancelhas muito mais grossas e seu nariz muito mais pontudo no primeiro piloto, com essas características sendo suavizadas até chegar no ponto que os produtores consideraram ideal; no primeiro piloto, a pele do Vovô era azul, mas, para a série, a equipe de produção decidiria maquiá-lo com o mesmo cinza-azulado de Herman. No início da série, o cabelo de Lily tinha uma mancha branca muito maior, que foi sendo suavizada ao longo da primeira temporada, seu colar era um morcego, mais tarde alterado para uma estrela, e suas sobrancelhas eram angulares, com esse detalhe sendo abandonado após alguns episódios; assim como Herman e o Vovô, Lily também tinha um tom de pele cinza-azulado, aplicado em de Carlo antes das gravações. A maquiagem ficaria a cargo de Bud Westmore, que criaria várias técnicas usadas no cinema e na TV após o fim da série.
Além de Marilyn, o único personagem que teve sua aparência inalterada foi Eddie, com apenas a maquiagem sendo modificada para uma que fosse aplicada mais rápido na segunda temporada, para que Patrick não tivesse de ficar horas se maquiando; a maquiagem de Herman também seria alterada para a segunda temporada, para uma mais fácil de aplicar e que deixava o personagem com uma aparência ainda menos humana. A mansão na qual a família mora seria a mesma desde o primeiro piloto, mas receberia pequenas alterações na fachada para parecer mais sinistra quando a série começasse a ser de fato filmada, além da adição de uma torre e de um "puxadinho" onde morava Marilyn. A sala da mansão, onde ocorre a maior parte das histórias, era menor e mais cheia de objetos nos pilotos, sendo aumentada e se tornando mais limpa para facilitar a movimentação dos atores. Muitas das cenas com o Vovô eram gravadas em uma espécie de masmorra onde o personagem mora, construída em um estúdio diferente e inalterada desde o primeiro piloto.
No primeiro piloto, o endereço da mansão era Mockingbird Lane 43, na cidade de Camelot, Nova Jérsei, mas, para a série, ele seria alterado para Mockingbird Lane 1313, cidade de Mockingbird Heights, estado desconhecido - anos após o fim da série, seria "revelado" que o estado é a Califórnia, e que Mockingbird Heights é "uma pequena cidade próxima a Los Angeles", o que deixaria a Família Monstro em cantos opostos do país em relação à Família Addams, que mora no estado de Nova Iorque. A fachada da mansão seria originalmente construída nos estúdios da Universal para o filme Amor Tempestuoso, de 1946, e reutilizada em várias produções do estúdio, incluindo Leave it to Beaver, sendo reformada para A Família Monstro, após a qual também seria usada, com outras reformas, nas séries Shirley, de 1979, Coach, de 1989, e Desperate Housewives, de 2004, sendo demolida em 2013.
A série também contaria com dois carros criados especialmente para ela, o Munster Koach, carro da família obtido no episódio 4, no qual Lily compra um rabecão em uma loja de carros usados e o customiza para dar de presente de aniversário para Herman, e o DRAG-U-LA, dragster que o vovô monta para participar de uma corrida no episódio 36. O Munster Coach seria criado por Tom Daniel e construído por George Barris a partir de um Ford Model-T 1926 ao custo de 20 mil dólares, o que fez com que ele fosse o objeto de cena mais caro da série e um dos mais caros da década de 1960. Já o DRAG-U-LA, criado e construído por Barris, era um dragster cuja cabine era um caixão - um caixão de verdade, de madeira, comprado pela equipe de produção da série. Ambos existem até hoje, em exposição no Volo Auto Museum, na cidade de Volo, Illinois, próxima a Chicago, onde também se encontram o fusca Herbie, o KITT de Super Máquina, o Ecto-1 original dos Caça-Fantasmas e o General Lee de Os Gatões, dentre outros carros originais e réplicas de carros famosos de filmes e séries de TV.
A música de abertura, conhecida apenas como The Munsters Theme, se tornaria uma das mais famosas dos anos 1960, sendo indicada ao Grammy de Melhor Música de Abertura Composta para um Filme ou Série de TV. Ela seria de autoria do músico e arranjador Jack Marshall, e, curiosamente, originalmente possuía uma letra escrita por Bob Mosher, da qual a CBS não gostou, pedindo para que apenas o tema instrumental fosse usado.
A primeira temporada de A Família Monstro estrearia em 24 de setembro de 1964 - como já foi dito, seis dias depois de A Família Addams - e teria 38 episódios, o último exibido em 10 de junho de 1965. A crítica ficaria encantada, notando que, apesar dos personagens monstrusos, a estrutura era a mesma de qualquer família de sitcom: o pai bem-intencionado e trabalhador, a mãe carinhosa, o parente excêntrico que morava na mesma casa, a adolescente ingênua e a criança precoce. Muitos críticos, aliás, apontariam que a vantagem de A Família Monstro sobre A Família Addams seria que os Addams tinham alguns desses elementos, mas não todos, com o público já estando acostumado com a estrutura familiar dos Monstros e até mesmo se identificando com eles; ainda assim, as duas séries tinham muitos pontos em comum, como todos os membros da família serem honestos e bondosos apesar de suas excentricidades, e algumas de suas práticas serem contrárias ao ideal de vida em sociedade - como o "aspirador de pó" de Lily, que suja tudo ao invés de limpar.
A série também faria referências a grandes sucessos da época, como Papai Sabe Tudo, The Donna Reed Show e My Three Sons - com o Vovô dizendo que essa última era sobre "uma família maluca vivendo aventuras estranhas" - como se os Monstros as acompanhassem em sua televisão. O formato pouco convencional da série, com monstros como protagonistas, proporcionava aos roteiristas uma maior liberdade para fazer críticas sociais e comentários da época, o que também diferenciaria a série das demais e contribuiria para seu sucesso - uma fala de Herman para Eddie em um dos episódios, dizendo que não importa a aparência da pessoa, "e sim o tamanho de seu coração e a força de seu caráter", seria utilizada na luta pelos direitos civis que ocorreria na década de 1960 nos Estados Unidos, e costuma ser citada até hoje por grupos que lutam pelos direitos das minorias.
O sucesso da série seria tão grande que, em meio à primeira temporada, o oceanário Marineland of the Pacific, localizado na cidade de Palos Verdes, Califórnia, pagaria a CBS por um episódio especial no qual a Família Monstro visita o local, para atrair público para suas atrações. Chamado Marineland Carnival, o episódio seria filmado no Marineland em videotape - ao contrário do restante da série, filmado em película - e exibido pela CBS uma única vez, em 18 de abril de 1965, Sábado de Aleluia (véspera do Domingo de Páscoa), não estando presente no pacote vendido para syndication. A fita no qual ele estava gravado desapareceria misteriosamente, e o episódio seria considerado perdido até 1997, quando uma cópia foi doada de forma anônima para o Paley Center, uma espécie de museu do rádio e televisão localizado em Nova Iorque.
Outra prova do sucesso da série foi que Gwynne e Lewis seriam convidados para desfilar em 1964 na Parada do Dia de Ação de Graças da Macy's, em Nova Iorque, uma das mais famosas dos Estados Unidos; eles desfilariam caracterizados como Herman e o Vovô, dirigindo o Munster Koach. Gwynne também apareceria caracterizado como Herman, em 1965 e 1966, em vários programas de sucesso da televisão norte-americana da época, como The Red Skelton Show, The Danny Kaye Show e Murray The K - It's What's Happening, Baby.
O sucesso da primeira temporada também levaria, evidentemente, a uma segunda, de mais 32 episódios, para um total de 70, exibidos entre 16 de setembro de 1965 e 12 de maio de 1966. Infelizmente, a segunda temporada teria audiência muito mais baixa que a primeira, não por culpa dos roteiristas de A Família Monstro, mas devido a estreia de Batman na ABC, com quem nenhum outro canal conseguiria competir. Diante da baixa audiência, a CBS cancelaria a série antes mesmo de todos os 38 episódios previstos serem filmados, se comprometendo a levar ao ar os que já estavam prontos. Connelly e Mosher ainda tentariam convencer o canal a mudar o dia de exibição de A Família Monstro para que ele não coincidisse com o de Batman, mas seus argumentos esbarrariam num problema técnico: depois da estreia de Batman, que era transmitido a cores, a audiência de todas as séries em preto e branco cairia vertiginosamente. Algumas, como Perdidos no Espaço, cuja primeira temporada foi filmada e transmitida em preto e branco, passariam a ser a cores a partir da temporada seguinte, mas a Universal acharia que, por exigir alterações nas maquiagens e nos cenários para ser filmada em cores, A Família Monstro ficaria muito mais cara, suspendendo o financiamento.
Enquanto o cancelamento da série estava sendo discutido, porém, Connelly e Mosher convenceriam a Universal a financiar um filme para o cinema, em cores, chamado Munsters, Go Home!, que eles esperavam fazer sucesso e convencer o estúdio a investir numa terceira temporada. Escrito por Connelly, Mosher, George Tibbles e Earl Bellamy, todos roteiristas da série, e dirigido por Bellamy, que também dirigiu episódios da série, o filme coloca Herman como herdeiro de uma mansão na Inglaterra, com a família viajando para lá de navio para conhecer o local, e a tia de Herman, Lady Effigie (Hermione Gingold), e seus dois filhos, Freddie (Terry-Thomas) e Grace (Jeanne Arnold), que pertencem ao ramo inglês da Família Monstro (e, assim como Marilyn, são humanos) querendo expulsá-los de lá para que Freddie se torne o lorde da mansão no lugar de Herman, mas com todas as suas tentativas falhando, já que, de todas as formas possíveis, eles decidem justamente fingir que a casa é mal-assombrada, o que não incomoda absolutamente os Monstros. O filme conta com a participação de Gwynne, de Carlo, Lewis e Patrick, mas nele Marilyn é interpretada por Debbie Watson. Ele estrearia em 15 de junho de 1966, mas não faria o sucesso esperado, o que enterraria de vez a ideia de uma terceira temporada.
Logo após seu cancelamento, a CBS ofereceria a série para syndication, e sua exibição em vários canais por todos os Estados Unidos mostrariam que ela ainda era capaz de fazer sucesso, com a audiência das reprises sempre sendo considerada boa. Isso animaria a Universal a investir em uma nova série, que, para cortar custos, seria de animação. Um piloto seria produzido, com roteiro de Arthur Alsberg e Don Nelson, e acabaria recebendo o nome de The Mini-Munsters; a ideia era contar com todo o elenco original como dubladores, mas, devido a outros compromissos assumidos previamente pelos atores, apenas Lewis pôde aceitar e dublar o Vovô. A CBS não se interessaria em exibi-lo, e ele acabaria indo ao ar na ABC em 27 de outubro de 1973; o canal, porém, não gostaria dos índices de audiência e não encomendaria o restante da série, o que levaria ao cancelamento do projeto.
No final da década de 1970, o canal NBC procuraria a Universal e negociaria a produção de um filme para a TV com o elenco original de A Família Monstro. Chamado The Munster's Revenge, o filme teria roteiro de Alsberg e Nelson, e seria o último dirigido por Don Weis, que ficaria famoso dirigindo episódios de séries como M*A*S*H*, Além da Imaginação, Starsky e Hutch, CHiPs, dentre outros (mas, curiosamente, nenhum de A Família Monstro) e decidiria se aposentar após concluí-lo. O elenco contaria com Gwynne, de Carlo e Lewis, mas Eddie seria interpretado por K.C. Martel, e Marilyn por Jo McDonnell; no enredo, o Dr. Dustin Diablo (Sid Caesar) cria réplicas robóticas de Herman e do Vovô, que usa para cometer crimes, com a Família Monstro tendo de limpar seu nome com a ajuda do Fantasma da Ópera (Bob Hastings). O filme seria exibido pela NBC em 27 de fevereiro de 1981.
Em meados da década de 1980, o produtor Arthur L. Annecharico compraria da Universal os direitos da Família Monstro, e os usaria para, através de sua empresa, chamada The Arthur Company, em parceria com a MCA TV, produzir uma nova série, chamada The Munsters Today, a cores e contando no elenco com John Schuck como Herman, Lee Meriwether como Lily, Jason Marsden como Eddie, Hilary Van Dyke como Marilyn, e Howard Morton como o Vovô, cujo nome verdadeiro é revelado como sendo Vladimir Dracula. Originalmente, Annecharico queria que Gwynne, de Carlo e Lewis participassem da série, mas nenhum dos três aceitou, então ele decidiu levar o projeto adiante com novos atores; curiosamente, a série não seria um reboot, e sim uma continuação da original, com a família ficando em animação suspensa durante 22 anos, acordando na década de 1980 e tendo de se adaptar aos novos tempos - infelizmente, isso só seria mostrado em um piloto jamais televisionado, então todo mundo que assistia achava que era um remake ambientado nos dias atuais. A série seria um grande sucesso e mais longeva que a original, com três temporadas de 24 episódios cada, totalizando 72, exibidos entre 8 de outubro de 1988 e 8 de junho de 1991. Ao invés de negociar com um canal específico, Annecharico decidiria fazê-la desde o início em syndication, o que seria apontado como uma das razões do sucesso da série, mas também como responsável por seu cancelamento ainda com bons índices de audiência, já que ele falharia em obter patrocínio para uma quarta temporada. The Munsters Today seria indicado a três Emmys, de Melhor Maquiagem para as duas primeira temporadas e de Melhor Cabelereiro para a segunda, ganhando todos os três.
O sucesso de The Munsters Today motivaria a Fox a negociar com Annecharico a produção de outro filme para a TV, mas, durante as negociações, ele acabaria não renovando os direitos, que voltariam para a Universal. Isso causaria um atraso na produção do filme, que acabaria feito pela MCA TV em parceria com a Bodega Bay Productions, exibido pela Fox nos Estados Unidos em 31 de outubro de 1995 (dia do Halloween), mas com a Universal tendo os direitos de exibição internacional, tendo planos, inclusive, de lançá-lo nos cinemas em alguns países - embora eu não tenha conseguido descobrir se ela realmente o fez. Chamado Here Come the Munsters, o filme é ambientado antes dos eventos da série da década de 1960, e começa com Herman, Lily, Eddie e o Vovô morando na Transilvânia e aceitando um convite de Marilyn para se mudarem para os Estados Unidos. Embora na série fique claro que Marilyn é sobrinha de Herman, nesse filme ela é filha de uma prima dele, Elsa Munster Hyde (Judy Gold), que está em coma, o que leva Marilyn a pedir ajuda a Herman para encontrar seu pai, Norman Hyde (Max Grodénchik), que está desaparecido. Enquanto a família luta para se adaptar à vida na América, Herman descobre que, ao fazer um experimento para deixar Marilyn mais parecida com o resto da família, Hyde acabou se transformando em Brent Jekyll (Jeff Trachta), que não tem memórias de sua outra vida e está em campanha para se eleger deputado. O elenco conta como Edward Herrmann como Herman, Veronica Hamel como Lily, Robert Morse como o Vovô, Matthew Botuchis como Eddie, e Christine Taylor como Marilyn, e com a participação especial de de Carlo, Lewis, Patrick e Priest como uma família que tenta comer num restaurante onde Herman está trabalhando como garçom - Gwynne, infelizmente, havia falecido em 1993.
A Fox ficaria satisfeita com a audiência do filme e encomendaria mais um para o ano seguinte, com a MCA TV decidindo que seria um filme natalino. Assim, em The Munsters' Scary Little Christmas, Eddie está com saudades da Transilvânia, com a família decidindo fazer "um Natal tradicional transilvaniense" para animá-lo, convidando vários de seus amigos de lá para visitá-lo, como o Homem-Lobo, a Criatura da Lagoa Negra e a Múmia. Paralelamente a isso, Lily tenta vencer o concurso de casa mais bem decorada da rua, e o Vovô acidentalmente captura o Papai Noel com uma de suas máquinas, colocando o próprio Natal em risco. Exibido pela Fox em 17 de dezembro de 1996, o filme natalino não teria audiência tão boa quanto o anterior, e, por alguma razão, traria um elenco completamente diferente: Sam McMurray como Herman, Ann Magnuson como Lily, Sandy Baron como o Vovô, Bug Hall como Eddie, e Elaine Hendrix como Marilyn.
A próxima aparição da Família Monstro ocorreria apenas em 26 de outubro de 2012, em um filme para a TV chamado Mockingbird Lane, em referência ao endereço da mansão da Família Monstro na série original (com a tela-título sendo a placa da mansão mostrando o endereço "Mockingbird Lane 1313"). Originalmente, Mockingbird Lane seria um reboot da série ambientado nos dias atuais, com a NBC encomendando o piloto junto à Universal em novembro de 2011; se dizendo insatisfeita com o tom "sombrio e inconsistente" do piloto, entretanto, o canal cancelaria o pedido, se comprometendo a exibi-lo como um especial de Halloween. No especial, Eddie está entrando na puberdade e se transformando em lobisomem pela primeira vez, o que causa muita confusão com os vizinhos e traz muitas dúvidas para o menino; paralelamente a isso, o coração de Herman está falhando, e, segundo o Vovô, a única forma de restaurá-lo é com um "banquete de sangue", do qual Herman se recusa a participar. O elenco traz Jerry O'Connell como Herman, Portia de Rossi como Lily, Mason Cook como Eddie, Eddie Izzard como o Vovô, e Charity Wakefield como Marilyn, além de Cheyenne Jackson como Steve, vizinho que se apaixona por Lily e que o Vovô quer matar para o banquete de sangue, Beth Grant como a vizinha fofoqueira Marie, John Kassir como seu marido, e Guy Perry como um lobisomem.
A última produção envolvendo a Família Monstro foi um novo filme, chamado simplesmente The Munsters, uma produção do cantor Rob Zombie, fã de longa data da série, que planejava negociar os direitos com a Universal antes mesmo de lançar seu primeiro trabalho como roteirista e diretor de cinema, A Casa dos 1000 Corpos, de 2003. Na época, a Universal estava negociando com os Irmão Wayans, que planejavam produzir um filme no qual não atuariam, mas o projeto acabaria não indo para a frente; então foi a vez de a NBC negociar, primeiro para a produção de Mockingbird Lane, depois, em 2017, para uma série que seria produzida por Seth Meyers, mas também jamais sairia do papel. Zombie conseguiria convencer a Universal a se envolver na produção, e, quando ficaria claro que a NBC não seguiria adiante, o estúdio pediria para que ele desenvolvesse um filme voltado para o público infantil, protagonizado por Eddie. A pandemia interromperia o projeto e, quando ele voltasse à produção, em 2021, Zombie conseguiria convencer a Universal a fazer um filme estrelado por Herman e Lily.
Escrito e dirigido por Zombie, o filme é ambientado antes dos eventos da série, e mostra a criação de Herman na Transilvânia e como ele conheceu Lily; o único outro personagem da série presente é o Vovô, chamado por todos de Conde. O elenco conta com Sheri Moon Zombie, esposa de Rob, como Lily; Jeff Daniel Phillips como Herman; e Daniel Roebuck como o Conde; além de Richard Brake como o Dr. Henry Augustus Wolfgang, criador de Herman; Jorge Garcia como Floop, seu assistente corcunda; Sylvester McCoy como Igor, servo do Conde; Catherine Schell como Zoya Krupp, cigana e ex-esposa do Conde; Cassandra Peterson (mais conhecida como Elvira, a Rainha das Trevas) como a corretora de imóveis Barbara Carr, que vende a casa na Mockingbird Lane para Herman e Lily; e Tomas Boykin como Lester, irmão de Lily. Priest e Patrick fazem participações especiais, mas ambos apenas com suas vozes: a dela é a voz usada no sistema de som da Transylvania Airlines, e a dele é a do Homem de Lata, que atua como juiz de paz no casamento de Herman e Lily.
Filmado em Budapeste, Os Monstros estrearia em 18 de julho de 2022, mas a Universal optaria por não lançá-lo nos cinemas, ao invés disso conseguindo um acordo para que ele estreasse com exclusividade na Netflix - curiosamente, cerca de dois meses antes de Wandinha, a nova série do serviço de streaming envolvendo a Família Addams. A Netflix jamais divulgaria os números da audiência, mas a crítica não o receberia bem, dizendo que ele não tem história e que o charme dos personagens não bastava para sustentá-lo.

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