domingo, 20 de maio de 2018

Motociclismo

Há duas semanas, eu fiz aqui um post sobre motovelocidade, no qual mencionei que ela é uma das seis disciplinas reguladas pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Na ocasião, eu sabia que seria impossível falar sobre todas as seis em um único post, então decidi que, logo depois, faria mais um com as outras cinco - que é esse aqui. Pulei uma semaninha em nome da variedade, mas hoje completaremos o assunto.

Por questão de uma lógica que vocês entenderão em breve, vamos começar por uma disciplina que se chama enduro - e que não deve ser confundida com o Endurance, uma categoria da motovelocidade. Ao contrário da motovelocidade, disputada em circuitos asfaltados, o enduro é uma corrida cross-country, cujas corridas são disputadas em pistas majoritariamente de terra, com obstáculos como pedras, riachos e lama. "Majoritariamente" porque, pelas regras da FIM, uma pista de enduro pode ter até 30% de sua extensão asfaltada, mas nunca mais que isso. Assim como circuitos de rua da motovelocidade, as pistas de enduro não são permanentes, normalmente sendo utilizados parques e estradas rurais, temporariamente fechados durante a competição.

O enduro não é simplesmente uma competição de "quem chega primeiro ganha". Uma pista de enduro deve ter, no mínimo, 200 km de extensão, com alguns trechos podendo ser compostos de várias voltas ao redor de um mesmo pedaço, e com pontos de controle secretos espalhados pelo caminho - "secretos" porque os competidores não sabem onde estão esses pontos de controle, apenas a organização sabe. Os competidores não largam todos juntos, e sim em pequenos grupos, com alguns minutos de diferença entre a largada de um grupo e outro. O tempo de cada competidor é marcado individualmente, e cada trecho entre um ponto de controle e outro tem um tempo pré-definindo para que cada competidor passe por ele; chegar além desse tempo resulta em perda de pontos - até aí tudo bem - só que chegar antes desse tempo também. Ou seja, se o tempo pré-definido é de 20 minutos, e o competidor passa pelo ponto de controle após 19 minutos, ele perde pontos, da mesma forma que se passasse após 21 minutos. O enduro, portanto, é uma prova de controle, com os competidores devendo manter uma velocidade constante, e os pontos de controle são secretos para que ninguém fique "enrolando" próximo a ponto para cruzá-lo no tempo correto.

Uma moto de enduro é construída especificamente para a competição, sendo bastante leve, com uma suspensão forte e alta, e pneus com sulcos e ranhuras que ajudam a manter a tração no terreno irregular. Mesmo assim, não é incomum que as motos sejam danificadas ao longo do percurso, que conta com pontos específicos nos quais os competidores podem parar para fazer pequenos consertos e para reabastecer, já que normalmente o combustível não dura a prova inteira. O tempo gasto nesses pontos de apoio não conta para o tempo total do trecho, mas há um tempo-limite para que o competidor fique no ponto de apoio, sendo desclassificado se o ultrapassar; não é proibido realizar pequenos consertos na moto fora do ponto de apoio, mas, nesse caso, o tempo do trecho continuará contando. No ponto de apoio, o piloto também pode receber ajuda externa para consertos e reabastecimento, mas, se receber ajuda externa fora do ponto de apoio, será desclassificado.

Uma característica curiosa das motos de enduro é que seu motor, que pode ser de dois tempos ou de quatro tempos, tem apenas um cilindro. A FIM realiza competições em separado para três classes: na Enduro 1, motos com motores de dois tempos devem ter entre 100 e 125 cc, enquanto as de quatro tempos devem ter entre 175 e 250 cc; na classe Enduro 2, motos de dois tempos devem ter entre 175 e 250 cc, e as de quatro tempos, entre 290 e 450 cc; já na classe EnduroGP (que, até 2016, se chamava Enduro 3), motos de dois tempos devem ter entre 290 e 500 cc, e as de quatro tempos, entre 650 e 1000 cc. Vale citar que essa nomenclatura só foi criada em 2004; até aquele ano, as classes tinham o nome do máximo de cilindradas das motos de cada uma. Assim como na motovelocidade, o normal é o piloto começar na Enduro 1, passar para a Enduro 2 e então para a EnduroGP, mas, no enduro, é bem mais comum "queimar etapas", com um piloto estreando diretamente na EnduroGP, por exemplo.

O principal campeonato do enduro é o Mundial, cujo nome completo é FIM World Enduro Championship (conhecido informalmente como WEC, mesma sigla do Mundial de Endurance do automobilismo). O WEC é uma competição relativamente recente, com sua primeira edição tendo sido realizada em 1990. Homens e mulheres competem juntos, mas, desde 2010, como há um grande número de mulheres competindo, a FIM decidiu coroar um campeão masculino e uma campeã feminina por ano. O maior campeão do WEC é o finlandês Kari Tiainen, cinco títulos na classe principal (1992, 1994, 1995, 1997 e 2000) e dois na intermediária; o atual campeão é o britânico Steve Holcombe, campeão na categoria principal em 2016 e 2017, mas sem nenhum título nas outras duas. No feminino, a maior campeã é a espanhola Laia Sanz, com cinco títulos (2012, 2013, 2014, 2015 e 2016); a francesa Ludivine Puy tem dois (2010 e 2011), e a atual campeã é a alemã Maria Franke. Atualmente, o WEC conta com oito etapas: Finlândia, Espanha, Portugal, Estônia, Itália (Trento), Itália (Édolo), Grã-Bretanha e Alemanha.

Outra competição de grande prestígio é o International Six Days Enduro (ISDE), disputado anualmente desde 1913, e organizado pela FIM desde 1981. O ISDE é um evento gigante, que conta com a participação de mais de 800 pilotos em um circuito de 2.000 km. Ao longo de seis dias, são disputadas as provas individual masculina, individual feminina, equipes masculinas (com seis integrantes cada), equipes masculinas júnior (quatro integrantes cada, até 24 anos), equipes femininas (três integrantes cada), equipes masculinas por clube e equipes masculinas por fabricante (ambas com três integrantes cada, as demais equipes são por país); nas provas por equipes, os resultados de todos os membros da equipe são somados para se determinar a equipe vencedora. A cada ano, o ISDE é disputado em uma sede diferente, e Brasil já sediou o evento, na cidade de Fortaleza, Ceará, em 2003.

Muita gente confunde o enduro com outra disciplina, o rally. A diferença fundamental entre as duas é que o rally, ao contrário do enduro, é uma competição de "quem chega primeiro ganha", ou seja, o vencedor é aquele que cruzar a linha de chegada no menor tempo, não existindo tempo pré-determinado nem penalizações por não cumpri-lo. Além disso, provas de rally costumam ser extremamente longas, chegando a 10.000 km ou mais; por causa disso, é impossível completar um rally em um único dia, com a prova sendo completada em etapas, uma etapa por dia - cada etapa tem seu próprio vencedor, que é aquele que cruza a linha de chegada primeiro em cada uma delas, mas, no final, o vencedor do rally é aquele que, na soma dos tempos de todas as etapas, termina com o menor tempo. Outra característica do rally é que o trajeto não é previamente conhecido pelo piloto, devendo ser "encontrado" durante a prova com a ajuda de equipamentos como mapas, bússolas, odômetros e, em alguns casos, GPS.

As motos de rally, assim como as de enduro, devem ser leves e resistentes. A FIM divide as motos de rally em três classes, sendo que nem todas as competições de rally têm corridas para todas as classes. A primeira classe é conhecida como Grupo 3 ou Marathon, e, nela, devem ser usadas motos de fábrica, ou seja, idênticas às que são vendidas nas concessionárias de sua fabricante, não sendo permitidas quaisquer alterações no motor, chassis, carenagem ou no braço da roda da frente. Na segunda classe, conhecida como Grupo 2 ou Superproduction, também devem ser usadas motos de fábrica, mas sendo permitidas quaisquer alterações, exceto no chassis. A terceira classe é o Grupo 1 ou Elite, na qual competem as motos fabricadas especialmente para rally. Independentemente da classe, podem ser usados motores de dois tempos ou de quatro tempos, com um ou dois cilindros; a maioria dos rallys permite apenas motos de até 450 cc, mas alguns têm provas em separado para motos de até 450 cc e para motos de 451 cc ou mais.

A principal competição de rally da FIM é o FIM Cross-Country Rallies World Championship, disputado anualmente desde 1999, com provas em separado para o masculino e o feminino desde 2003, e que atualmente conta com seis etapas: Abui Dhabi, Catar, Peru, Chile, Argentina e Marrocos. Anualmente, a FIM também organiza três provas em separado conhecidas como "Bajas", pois usam as regras da Baja Aragón, prova disputada em Aragão, Espanha, desde 1983; as provas das Bajas também são disputadas em separado no masculino e no feminino, e as outras duas, além da Baja Aragón, são a Baja Vezprem (disputada na Hungria) e a Baja Dubai.

Além dessas provas, ainda existem muitos rallys organizados por várias entidades particulares em conjunto com a FIM, sempre como provas em separado, sem fazer parte de nenhum campeonato, alguns exclusivamente masculinos, outros mistos. O mais famoso, sem dúvida, é o Rally Dakar, que tem esse nome porque, até 2007 (exceto em 1992, 1994, 2000 e 2003), sua linha de chegada ficava na cidade de Dakar, no Senegal. Criado em 1979 com o nome de Rally Paris-Dakar (porque a linha de partida ficava em Paris, França), o Rally Dakar é disputado em 14 etapas ao longo de 15 dias (com um dia de descanso após a sexta etapa), com os participantes percorrendo cerca de 8.000 km. Devido a conflitos bélicos ao longo do trajeto na África, em 2008 o Rally Dakar foi suspenso, e, desde 2009, é disputado na América do Sul; a edição de 2018 teve largada na cidade de Lima, Peru, e chegada em Córdoba, Argentina. Junto com as motos, no Rally Dakar competem carros, jipes, caminhões e quadriciclos, cada uma dessas cinco classes com seu próprio vencedor.

Conforme eu citei, a pista de enduro conta com obstáculos como pedras, lama e riachos. Na década de 1960, alguns competidores começaram a tentar passar por cima desses obstáculos sem tocar os pés no chão ou descer da moto, para tentar ganhar tempo. Dessa prática, surgiu a terceira disciplina que veremos hoje, chamada trials. Diferentemente do enduro, o trial tem um circuito muito curto, de algumas centenas de metros, raramente chegando a 1 km; esse circuito, porém, é lotado de obstáculos, alguns naturais, outros construídos pela organização, sempre do tipo que os competidores têm de subir por um lado do obstáculo e descer do outro. Os competidores passam pelo circuito um por um, e seu objetivo é passar por esses obstáculos sem encostar nenhuma parte de seu corpo no chão - só o que pode encostar no chão são os pneus da moto. Além disso, o competidor não pode deixar a moto "morrer" (o motor desligar), não pode desviar do obstáculo, e não pode andar para trás, apenas para a frente.

O tempo de cada competidor é registrado, mas é usado apenas para desempate; o que conta para determinar o vencedor é a pontuação que ele obterá em cada obstáculo: caso o competidor passe pelo obstáculo sem nenhum problema, ele não ganhará pontos; caso toque com o pé no chão uma vez, ganhará 1 ponto; caso toque duas vezes, 2 pontos; caso toque três ou mais vezes, 3 pontos; mas, independentemente de quantas vezes tocou o pé no chão, se ele deixar a moto morrer, cair da moto, andar para trás ou sair do traçado estipulado pela organização, ganhará 5 pontos. Ao lado de cada obstáculo há um observador (de onde o esporte tira seu nome original, observed trials, "tentativas observadas"), que anota quantos pontos cada competidor ganhou; ao final do circuito, as pontuações de cada obstáculo são somadas, e, depois que todos tiverem passado pelo circuito, quem tiver a menor pontuação será o vencedor. As motos de trial são extremamente leves, mais leves ainda que as de enduro e rally, e possuem suspensão curta e dura; sua principal característica, porém, é que elas não possuem assento, devendo o competidor passar por todo o circuito de pé.

Em relação ao circuito, existem dois tipos, os outdoor, ao ar livre, com a maioria dos obstáculos sendo naturais, e os indoor, montados dentro de ginásios, com todos os obstáculos sendo artificiais. A FIM organiza campeonatos em separado para cada um deles: o outdoor é o FIM Trial World Championship, disputado no masculino desde 1964 e no feminino desde 2000; o indoor é o FIM X-Trial World Championship, disputado apenas no masculino, desde 1993. Curiosamente, o maior campeão no outdoor e no indoor é o mesmo, o espanhol Toni Bou, atual campeão de ambos, com 11 títulos em cada Mundial (desde 2007 só ele ganha); no feminino, a maior campeã é a espanhola Laia Sanz, com 13 títulos, mas a atual é a britânica Emma Bristow, que, em 2017, ganhou seu quarto seguido. O Mundial Outdoor atualmente conta com sete provas (Espanha, Japão, Andorra, Portugal, França, Bélgica, Grã-Bretanha e Itália) e o Indoor com sete, sendo cinco na França (Vendée, Montpelier, Toulouse, Strasburgo e Paris), uma na Espanha e uma na Hungria. Outro torneio importante do trial é o Trial des Nations, prova anual por equipes disputada desde 1984 no masculino e 2000 no feminino. Uma prova indoor por equipes também fez parte do programa dos World Games em 2005, em Duisburgo, Alemanha.

No início do século XX, algumas competições de enduro na Inglaterra começaram a abandonar o formato tradicional, em favor de circuitos mais curtos e com a regra de que quem chega primeiro ganha. Para diferenciá-las das demais competições de enduro, elas eram chamadas de scrambles ("atropelos" - porque, em uma das primeiras corridas desse tipo cobertas pela imprensa da época, todo mundo se embolou na primeira curva e só uns dois ou três continuaram correndo), mas, como logo essa nova disciplina se popularizou e se espalhou pela Europa, na década de 1930, na França, ela ganharia o nome que é usado até hoje: motocross - obtido através da mistura das palavras "motocicleta" e "cross country".

O motocross é, basicamente, uma corrida cross country, disputada em pistas que, ao invés de asfalto, são cobertas de terra, areia, grama, lama e outros "materiais naturais". O motocross possui três diferenças essenciais em relação ao enduro: primeiro, suas pistas são curtas, o que significa que, durante uma prova, os competidores darão várias voltas ao redor dela; segundo, há poucos obstáculos, e, quando há, não são pedras ou rios, e sim rampas ou elevações feitas do mesmo material da pista, os quais as motos usarão para efetuar saltos; e, terceiro e mais importante, numa prova de motocross todos os competidores largam juntos, e aquele que cruzar a linha de chegada em primeiro lugar será o vencedor. A maioria das provas internacionais de motocross é contada por tempo - por exemplo, 30 minutos mais uma volta completa após esse tempo se esgotar - mas há algumas que são contadas por número de voltas.

As motos do motocross são próprias dessa disciplina, e baseadas nas motos off road do início do século XX. Semelhantes às do enduro, elas são extremamente leves, mas com chassis e carenagem extremamente resistentes e suspensão capaz de aguentar o impacto após cada salto. A FIM começaria a regular o motocross em 1952, e, originalmente, todas as motos teriam motores de quatro tempos de até 500 cc; cinco anos depois, ela criaria uma nova classe, para motos de dois tempos e até 250 cc. Avanços na tecnologia fariam com que até as motos de 500 cc passassem a usar motores de dois tempos a partir da década de 1980, mas na primeira década do ano 2000, pelo mesmo motivo, ocorreria o contrário, com quase todas as motos usando motores de quatro tempos. Para manter o equilíbrio, a FIM passaria a permitir máximo de cilindradas diferentes para motores de quatro tempos e de dois tempos a partir de 2004.

O motocross possui sete categorias. A primeira é o motocross próprio, que usa pistas ao ar livre, semelhantes aos circuitos de Grand Prix, mas sem asfalto. O principal campeonato do motocross é o Mundial, chamado FIM Motocross World Championship, disputado desde 1952. Inicialmente, como já foi dito, participavam do Mundial apenas motos de quatro tempos e até 500 cc; em 1957, estrearia a classe 250 cc, com motores de dois tempos, e, em 1975, estrearia a classe 125 cc, e o número de tempos do motor passaria a ser livre para as três classes. Em 2004, os nomes das classes mudariam para MX1, MX2 e MX3, e em 2014 a MX1 seria extinta, e a MX3 passaria a se chamar MXGP. Hoje, a classe MX2 tem máximo de 250 cc para motores de dois tempos e 450 cc para motores de quatro tempos, e a MXGP tem máximo de 500 cc para motores de dois tempos e 750 cc para motores de quatro tempos. A rigor, as classes do Mundial de MX são mistas, mas, como a esmagadora maioria dos competidores é de homens, em 2005 a FIM criou um Mundial feminino em separado, o FIM Women's Motocross World Championship, no qual competem motos de até 125 cc para motores de dois tempos e até 250 cc para de quatro tempos; não há nada no regulamento, porém, que impeça uma mulher de competir no MX2 ou no MXGP.

Atualmente, o Mundial conta com 20 etapas, com uma prova do feminino, uma da MX2 e uma da MXGP sendo disputada em cada uma delas: Argentina, Holanda (Valkenswaard), Espanha, Itália (Pietramurata), Portugal, Rússia, Letônia, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália (Ottobiano), Indonésia (Pangkal Pinang), Indonésia (Semarang), República Tcheca, Bélgica, Suíça, Bulgária, Turquia, Holanda (Assen) e Itália (Ímola). Cada prova é composta por duas baterias, disputadas no mesmo dia, sendo que cada bateria dura 30 minutos e mais uma volta. Assim como no Grand Prix, cada fabricante tem uma equipe principal e diversas outras equipes franqueadas, que correm com modelos inferiores; as atuais fabricantes são Yamaha, Husqvarna, KTM, Suzuki, Kawasaki e Honda. O maior campeão na categoria principal é o belga Roger de Coster, com cinco títulos nas 500 cc (1971, 1972, 1973, 1975 e 1976); o atual campeão da MX GP é o italiano Antonio Cairoli, que também foi campeão em 2014, e tem dois títulos na MX2 e cinco na MX1, para um total de nove. No feminino, a atual campeã, a italiana Kiara Fontanesi, é também a maior, com cinco títulos (2012, 2013, 2014, 2015 e 2017).

Uma das mais importantes provas do motocross é o Motocross des Nations, disputado anualmente desde 1947, sempre nos meses de setembro ou outubro. Nessa competição, cada país tem o direito de inscrever três pilotos, um para a categoria MX2, um para a categoria MXGP e um para a categoria Aberta; os resultados dos três em suas respectivas provas serão convertidos em pontos e somados para se determinar o país campeão. A cada ano, o Motocross des Nations é disputado em uma sede diferente, e o Brasil já sediou o evento, em 1999, na cidade de Indaiatuba, São Paulo. O Brasil, aliás, já participou diversas vezes, tendo como melhor colocação três 14o lugares, em 1999, 2008 e 2009; os maiores campeões são os Estados Unidos, com 22 títulos, sendo 13 deles seguidos, entre 1981 e 1993. O motocross também já fez parte do programa dos World Games, como esporte convidado, em Londres, 1985, tendo sido disputadas provas de 250 cc e de 125 cc, mas sem a presença dos principais pilotos, que ainda estavam envolvidos com a disputa do Mundial.

A segunda categoria é o supercross, que nada mais é que o antigo motocross indoor. Provas de supercross usam pistas temporárias, montadas em locais grandes como estádios de futebol e beisebol; como são muito mais curtas que as pistas de motocross, elas possuem curvas bem mais fechadas e saltos em maior quantidade e mais próximos, o que aumenta exponencialmente a emoção do esporte - não é raro, por exemplo, acontecer no supercross o mesmo que nas corridas de scramble - ou seja, um grande acidente na primeira curva - assim, algumas provas conferem pontos extras para quem completar a primeira volta em primeiro lugar. O supercross foi criado na França, em 1948, quando organizadores decidiram montar uma pista temporária de motocross dentro de um velódromo em Paris; ele se popularizaria, entretanto, a partir da década de 1960, nos Estados Unidos, país que tem, até hoje, poucas pistas de motocross, com os organizadores dos campeonatos de lá achando mais interessante construir as temporárias do que investir em permanentes. Por essa razão, aliás, o supercross é imensamente mais popular nos Estados Unidos que na Europa, com o motocross tendo o efeito inverso, sendo muito popular na Europa mas contando com pouquíssimos praticantes nos Estados Unidos - as vitórias dos norte-americanos no Motocross des Nations, por exemplo, foram quase todas obtidas por pilotos de supercross.

A popularidade do supercross nos Estados Unidos se reflete no principal campeonato da categoria, o FIM World Supercross Championship, que conta com 18 etapas, todas elas disputadas nos Estados Unidos. O Mundial da FIM é disputado desde 2003, e, atualmente, usa motos com motores de quatro tempos e até 450 cc; os maiores campeões são os norte-americanos Ryan Dungey (que também é o atual campeão) e Ryan Villopoto, com quatro títulos cada. As provas de supercross, incluindo as do Mundial, são disputadas em baterias: primeiro são disputadas duas baterias classificatórias, cada uma com 20 ou 21 pilotos, dependendo do número de inscritos, com os nove primeiros de cada uma se classificando para a final; os restantes disputam uma bateria de repescagem, da qual os quatro primeiros também se classificam para a final, para um total de 22 competidores na final. As baterias classificatórias têm tempo de 12 minutos mais uma volta; a repescagem dura 8 minutos mais uma volta; e a final, 15 minutos mais uma volta.

A terceira categoria é o supermoto, cujas pistas misturam asfalto e cross country. O supermoto foi criado em 1979 nos Estados Unidos pelo jornalista Gavin Troppe para um programa de TV do canal ABC, o Wide World of Sports. Inicialmente chamado Superbikers, o segmento convidava astros da motovelocidade e do motocross para competir em pistas híbridas, visando determinar quem era o piloto mais completo. Na década de 1980, alguns clubes começaram a organizar suas próprias competições em pistas híbridas, mas, quando o programa foi cancelado, em 1985, rapidamente os pilotos perderam o interesse nessas competições, que acabaram se extinguindo. Alguns pilotos europeus que tinham participado de alguns eventos, entretanto, ao voltar para a Europa começaram a sugerir que por lá fossem criadas provas e campeonatos desse esporte, com a primeira prova sendo disputada na França em 1986, já com o nome de supermoto. Nos anos seguintes, o supermoto se tornaria bastante popular na Europa, e, em 2000, retornaria aos Estados Unidos, com novas competições sendo organizadas. A FIM começaria a regular a categoria em 2004.

As motos do supermoto são bastante semelhantes às do motocross, mas com pneus diferentes, mais largos e de diâmetro maior, sendo o da frente liso e o de trás sulcado, para garantir aderência e velocidade em todos os tipos de terreno; pelas regras da FIM, os motores devem ser de quatro tempos, ter um só cilindro, e no máximo 450 cc. As pistas de supermoto devem ter no mínimo 50% e no máximo 75% de sua superfície coberta com asfalto, e são compostas por três tipos de terreno: asfalto, off-road (normalmente terra, areia, grama ou lama) e cross country (obrigatoriamente areia ou terra). O segmento off-road pode contar com buracos, depressões, elevações e obstáculos como pedras, enquanto o segmento cross country conta com rampas para saltos ao estilo das do motocross. Pistas de supermoto também costumam ser temporárias, sendo montadas em autódromos ou até mesmo em ruas e estradas, com o asfalto já existente sendo aproveitado e os outros dois segmentos sendo construídos para o evento. O principal campeonato do supermoto é o FIM World Supermoto Championship, disputado desde 2004. Atualmente, o Mundial conta com seis etapas: Lombardia (Itália), Valência (Espanha), Polônia, Grécia, Andorra e Itália.

A quarta categoria é o sidecarcross, que, como vocês devem estar imaginando, é motocross com um sidecar. Ao contrário do sidecar da motovelocidade, o sidecar do motocross é pouco mais que uma cadeira com uma barra para o piloto segurar e uma roda embaixo, preso ao lado direito ou esquerdo - à escolha do piloto e co-piloto - de uma moto comum de motocross. Assim como no sidecar da motovelocidade, o co-piloto - que viaja no sidecar - deve usar seu peso corporal para ajudar o piloto a fazer curvas e ganhar velocidade, assumindo várias posições diferentes ao longo da corrida - por causa disso o sidecarcross é considerado um dos esportes mais extenuantes do mundo, mas apenas para o co-piloto. As pistas usadas no sidecarcross são as mesmas do motocross, mas com obstáculos mais suaves e rampas mais baixas. Motos de sidecarcross têm motores de quatro tempos e até 650 cc.

O sidecarcross foi criado na década de 1950 na Inglaterra, e hoje só é verdadeiramente popular na Europa, contando com pouquíssimos pilotos que não são europeus. Seu principal campeonato é o FIM Sidecarcross World Championship, disputado desde 1980; atualmente, o Mundial conta com nove etapas: Holanda, França, Espanha, Ucrânia, República Tcheca, Letônia, Estônia, Bélgica e Alemanha. Assim como no motocross, cada etapa é composta de duas baterias, disputadas no mesmo dia, cada uma durando 30 minutos mais uma volta.

A quinta categoria é o endurocross, também conhecido como super enduro, que mistura elementos do supercross com elementos do trial. O endurocross é indoor, e suas pistas, de terra, costumam ser montadas em ginásios de basquete ou de hóquei no gelo; elas possuem poucos saltos (normalmente só um), mas muitos obstáculos como troncos e pedras, dos quais os pilotos não devem desviar, e sim passar por cima. Assim como o supercross, o endurocross é disputado em baterias: primeiro são disputadas três baterias classificatórias com nove ou dez pilotos cada, com os três primeiros de cada bateria se classificando para a final; os demais competem em duas baterias de repescagem, nas quais os dois primeiros de cada também se classificam para a final, para um total de 13 pilotos na final. As baterias classificatórias têm tempo de 10 minutos mais uma volta; as de repescagem, 6 minutos mais uma volta; e a final, 12 minutos mais uma volta. As motos são as mesmas do supercross, mas com suspensão mais dura, para aguentar os obstáculos.

O principal campeonato do endurocross é o FIM SuperEnduro World Championship, disputado desde 2007. O endurocross foi criado em 2000 para ser praticado no inverno, quando não é possível ter corridas de enduro ao ar livre, por isso, o Mundial é sempre disputado entre novembro de um ano e março do ano seguinte. A mais recente temporada, 2017/2018, contou com cinco etapas: Polônia, Alemanha, Málaga, Bilbao (essas duas na Espanha) e Suécia. O Brasil já sediou etapas do Mundial, em Belo Horizonte, Minas Gerais (em 2012/13 e 2015/16).

A sexta categoria é o motocross estilo livre, também conhecido por seu nome em inglês, freestyle. Usando uma moto idêntica à do supercross, mas com modificações como selim menor ou guidão mais curto, os pilotos percorrem, um por um, uma pista com vários saltos; a cada salto, o piloto deve realizar uma acrobacia, devendo voltar para a "posição de pilotagem" antes de a moto tocar o chão - vale enfatizar que é o piloto, não a moto, quem faz as acrobacias. Cada piloto tem direito a duas apresentações, que, dependendo do torneio, podem durar de 90 segundos a 14 minutos cada uma; durante cada apresentação, um painel de cinco jurados avalia os saltos e acrobacias, levando em conta o estilo, a dificuldade e a originalidade. As notas de cada jurado são somadas para se determinar a nota de cada apresentação, e as notas das duas apresentações são somadas para se determinar a nota final do piloto. Depois que todo tiverem se apresentado, aquele com a maior nota final será o vencedor.

O freestyle foi criado na década de 1990, e os primeiros campeonatos internacionais surgiram em 1999. Na primeira década do ano 2000, ele ganhou uma variação, chamada big air. No big air, os pilotos se aproximam de uma rampa de metal coberta com terra, a utilizam para um salto e, enquanto a moto está no ar, realizam uma única acrobacia, conhecida como truque, voltando para a posição de pilotagem antes de a moto tocar o chão, o que é feito em uma outra rampa, feita de terra. O truque é julgado por um painel de cinco jurados que levam em conta a dificuldade dos movimentos e a perfeição com a qual eles foram executados; a maior e a menor nota são descartadas, e as outras três são somadas para se determinar o resultado final daquele truque. Os pilotos se apresentam um a um, e, depois que todos tiverem se apresentado, o que tiver tido o melhor resultado é declarado vencedor da prova. Cada piloto tem direito a dois saltos, ou seja, dois truques, mas apenas o truque de maior nota é levado em conta na hora de se determinar o vencedor. Entre o salto e o pouso, pilotos de big air costumam percorrer mais de 20 metros.

O principal campeonato de freestyle da FIM é o FIM Freestyle Motocross World Championship, que conta com oito etapas: Suíça, Alemanha (Berlim), Polônia (Cracóvia), Suécia, Espanha, Alemanha (Colônia), China e Polônia (Gdansk); após seu término, é disputado, a cada ano em uma sede diferente, o Freestyle of Nations, uma competição por equipes. Os principais torneios do estilo livre, porém, são aqueles nos quais o freestyle e o big air são disputados em conjunto com outros esportes radiciais, como os X-Games e o Red Bull X-Fighters.

Finalmente, temos o snowcross, que não é uma corrida de motos, e sim de snowmobiles, aqueles veículos para andar na neve que têm dois esquis na frente e duas esteiras atrás. O snowcross foi inventado no início dos anos 2000, e é regulado pela FIM desde 2004, mesmo ano do primeiro FIM Snowcross World Championship, o Mundial da categoria, que atualmente conta com provas na Suécia, Finlândia, Estados Unidos e Canadá. Uma pista de snowcross é feita de neve, construída ao ao livre, mas tem muitos saltos, como uma de supercross. São disputadas provas em separado no masculino e no feminino.

A sexta e última disciplina da motovelocidade é o track racing, que é uma corrida disputada em uma pista oval curta. As origens do track racing são incertas, e Austrália e Nova Zelândia clamam para si a invenção dessa disciplina, argumentando que o piloto neozelandês Johnnie Hoskins a teria inventado, e que a primeira corrida teria sido disputada na Austrália em 1923; existem, porém, registros de jornais do início do século XX que demonstram que o piloto norte-americano Don Johns seria o verdadeiro inventor, e que as primeiras provas teriam sido disputadas nos Estados Unidos em 1914. Seja como for, na década de 1920 a disciplina se popularizou nos Estados Unidos e na Austrália com o nome de short track racing ("corrida de pista curta"), que depois seria abreviado para apenas track racing. Hoje, o track racing já não é tão popular nos Estados Unidos (à exceção de uma categoria), mas é extremamente popular na Europa, na Austrália e no Japão, onde são disputados vários campeonatos nacionais e internacionais.

O track racing possui cinco categorias. A mais antiga e mais popular é o speedway, disputado em uma pista de terra. Pelas regras da FIM, uma pista de speedway deve ter no mínimo 10 m de largura e entre 260 e 465 m de extensão, com a maioria delas tendo 400 m - ou seja, são do mesmo tamanho de uma pista de atletismo. Assim como no atletismo, corridas de speedway são disputadas no sentido anti-horário. Motos de speedway são próprias para essa categoria, sendo extremamente leves (peso mínimo de 77 kg pelas regras da FIM), tendo apenas uma marcha, não contando com freios e nem com suspensão para a roda traseira; a única forma de diminuir a velocidade, portanto, é deixando de acelerar, e, para fazer as curvas sem perder velocidade, os pilotos devem fazer um movimento com o qual a moto praticamente anda de lado, que é a maior característica do speedway. Os motores das motos são de quatro tempos, um cilindro e no máximo 500 cc; pelas regras da FIM, motos de speedway devem ser obrigatoriamente abastecidas com metanol.

Uma prova de speedway é disputada em baterias de quatro pilotos cada. Ao invés do tradicional sistema de "dois avançam, dois são eliminados a cada bateria", as baterias de classificação usam um sistema de pontos, segundo o qual o vencedor de uma bateria ganha 3 pontos, o segundo lugar ganha 2, o terceiro ganha 1, e o último não ganha nada. As baterias de classificação são montadas de forma que cada piloto corra contra cada um dos outros; se há 16 pilotos inscritos, por exemplo, são realizadas 20 baterias de classificação, e cada piloto correrá em cinco delas. Ao final de todas as baterias de classificação, os oito pilotos com mais pontos avançam para as duas semifinais, e, aí sim, os dois primeiros de cada semifinal avançam para a final, com o vencedor da final sendo o campeão. Seja de classificação, semifinal ou final, uma bateria dura quatro voltas na pista, e é extremamente veloz - os principais pilotos do mundo, atualmente, conseguem dar quatro voltas em uma pista de 400 m em menos de um minuto, o que garante que uma etapa inteira seja concluída em menos de uma hora.

O principal campeonato do speedway é o FIM Speedway Grand Prix (SGP), que começou a ser disputado em 1931 com o nome de World Championship of Speedway, passou a ser regulado pela FIM em 1955 com o nome de FIM Speedway World Championship, e passou a ter o nome atual em 1995; vale registrar que a mudança de nome se deu porque, até 1994, o Mundial consistia de uma única prova, cuja sede mudava a cada ano, e, a partir de 1995, passou a contar com várias provas, com o campeão sendo determinado pela soma dos pontos de todas elas - vale dizer que todos os pontos de todas as provas de cada etapa contam, tanto das classificatórias quanto das semifinais e final, por causa disso, pode ocorrer de o piloto que fez mais pontos em uma etapa não ter sido o campeão dessa etapa. Para 2018, o SGP contará com dez etapas: Polônia (Varsóvia), República Tcheca, Dinamarca, Suécia (Hallstavik), Grã-Bretanha, Suécia (Malilla), Polônia (Gorzow), Eslovênia, Alemanha, Austrália e Polônia (Torun). Os maiores campeões, com seis títulos cada, são o sueco Tony Rickardsson (1994, 1998, 1999, 2001, 2002, 2005) e o neozelandês Ivan Mauger (1968, 1969, 1970, 1972, 1977, 1979); o atual campeão é o australiano Jason Doyle, que, em 2017, ganhou seu primeiro título.

Outro campeonato importante do speedway é a FIM Speedway World Cup, a Copa do Mundo de Speedway, realizada anualmente desde 2001, a cada ano em uma sede diferente. A Copa do Mundo é uma competição entre países, com cada país sendo representado por quatro pilotos, cujos pontos são somados para se determinar o país vencedor; os maiores campeões são os poloneses, com 8 títulos, incluindo os dois mais recentes. O speedway também fez parte dos World Games duas vezes, em 1985, em Londres, Inglaterra, e em 2017, em Breslávia, Polônia.

A segunda categoria se chama long track, e tem esse nome porque sua pista é bem mais longa, com entre 1.000 e 1.200 m de extensão e no mínimo 20 m de largura. Baterias de long track podem ter 6 ou 8 pilotos cada, e as motos são mais parrudas que as de speedway, contando, inclusive, com duas marchas. A pista pode ter superfície de terra, de areia (sendo que a pista de areia, na Alemanha, é considerada uma categoria à parte, chamada sandbahn) ou de grama (sendo que a pista de grama, na Grã-Bretanha, também é considerada uma categoria à parte, chamada grasstrack). O principal campeonato do long track é o FIM Speedway Long Track Grand Prix Series, disputado desde 1971, e que até 1996, consistia de uma única prova, e se chamava FIM Speedway Long Track World Championship; atualmente, o campeonato conta com sete provas: Alemanha (Herxheim), República Tcheca, França, Alemanha (Bielefeld), Holanda (Roden), Holanda (Eenrum) e Alemanha (Mühldorf). Também existe uma competição anual por equipes, chamada FIM Team Long Track World Championship, disputada desde 2007, a cada ano em uma sede diferente.

A terceira categoria se chama flat track, e surgiu nos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial, como uma adaptação do speedway para o gosto norte-americano. A pista do flat track é semelhante à do speedway, mas é levemente inclinada e pode ser indoor; as motos, por outro lado, são completamente diferentes, podendo ter motores de dois tempos ou de quatro tempos, mais de um cilindro, tendo suspensão traseira, e, principalmente, freios, o que torna a forma de fazer as curvas totalmente diferente do speedway. O flat track é muito mais popular nos Estados Unidos que no resto do planeta, de forma que o principal campeonato da FIM, o FIM Speedway Flat Track Grand Prix Series, disputado desde 2012, conta com pouco pilotos e apenas três etapas, na República Tcheca, Itália e França - existe um campeonato norte-americano apenas com pilotos norte-americanos e 12 provas nos Estados Unidos, organizado pela AMA, a Federação Norte-Americana de Motociclismo, que não se dá muito bem com a FIM, inclusive se ressentindo pela FIM ter criado seu Mundial de Supercross apenas com provas nos Estados Unidos, o que, segundo ela, esvaziou o campeonato norte-americano de supercross, e, por isso, não permite que a FIM inclua as pistas de flat track dos Estados Unidos em seu Mundial.

A quarta categoria é o sidecar speedway, que consiste em uma prova de speedway disputada por sidecars. Assim como na motovelocidade, os veículos do sidecar speedway são construídos especialmente para essa categoria, e, embora sigam as mesmas regras das motos do speedway - uma marcha, sem freios nem suspensão traseira - têm aparência totalmente diferente; também como na motovelocidade, cabe ao co-piloto ajudar ao piloto durante as curvas assumindo diferentes posições, inclusive deitado atravessado de bruços na garupa da moto. Motos do sidecar speedway usam motores de quatro tempos, um cilindro, e são abastecidos com metanol, mas têm máximo de 1000 cc. A pista, pelas regras da FIM, é a mesma do speedway, embora, na Grã-Bretanha, inclusive no campeonato nacional, sejam usadas pistas de grasstrack. O principal campeonato do sidecar speedway é a FIM Sidecar Speedway 1000cc World Cup, realizada desde 2011, que consiste de uma única prova por ano, disputada em Adelaide, Austrália.

A quinta e última categoria é o ice speedway. Como o nome sugere, as regras são as mesmas do speedway, sendo a única diferença o fato de que a pista, que pode ser outdoor ou indoor, é feita de gelo ao invés de terra. As motos são divididas em duas classes, as full-rubber, idênticas às do speedway, e as studded tyres cuja única diferença é que os pneus possuem pregos de 3 cm "brotando" de sua superfície para maior estabilidade - por volta de 130 pregos no pneu da frente e de 180 no de trás. Os pregos fazem com que a técnica para fazer as curvas seja diferente, já que impedem que a moto vire de lado. O principal campeonato do ice speedway tem o curioso nome de FIM Ice Speedway Gladiators, e é disputado desde 1966, sendo que consistia de uma única corrida até 1993, e esse nome só passou a ser usado em 2001 - até 2000, ele se chamava FIM Ice Speedway World Championship. Atualmente, o Ice Speedway Gladiators conta com sete etapas: Finlândia, Suécia, Cazaquistão, Rússia, Alemanha (Berlim), Alemanha (Inzell) e Holanda. Desde 1979, também é disputado, anualmente, a cada ano em uma sede diferente, o FIM Team Ice Speedway Gladiators (que se chamava FIM Team Ice Racing World Championship até 2000), uma competição por equipes. A Rússia domina o ice speedway, tendo ganhado nada menos que 35 dos 39 títulos por equipes já disputados (11 deles como União Soviética e um como CEI), além de 45 dos 52 títulos individuais - tanto o maior campeão, Nikolay Krasnikov, que tem 8 títulos (de 2005 a 2012), quanto o atual, Dmitry Koltakov (campeão em 2015 e 2017), são russos, e o último "estrangeiro" a conquistar o título foi o sueco Per-Olof Serenius em 2002, ano no qual a Suécia também foi a última campeã por equipes antes de uma sequência de 15 vitórias da Rússia.

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