segunda-feira, 9 de abril de 2018

Pesca Esportiva

Depois de escrever o(s) post(s) sobre esportes aéreos, resolvi fazer uma lista de todos os esportes que já fizeram parte do programa dos World Games, para saber se eu estava longe de abordá-lo por completo. Assim que terminei, olhei para alguns deles e pensei algo como "pff, sobre esse aqui eu nunca vou falar", como, por exemplo, a pesca esportiva. Mas aí, tomado pela curiosidade, resolvi pesquisar um pouco sobre pesca esportiva, e achei que um post sobre esse esporte seria interessante. Assim, preparem-se para uma frase que eu jamais pensei que fosse escrever: hoje é dia de pesca esportiva no átomo.

Existem três tipos de pesca esportiva, cada uma regulada por uma federação internacional diferente. Vamos começar por aquela que já fez parte do programa dos World Games, o casting - que, até onde eu consegui apurar, não tem nome em português, sendo chamado no Brasil, simplesmente, de "pesca esportiva". O casting está para a pesca assim como o tiro esportivo está para a caça, ou seja, não são usados peixes de verdade, e sim equipamentos que simulam a pesca, capazes de conferir pontos aos competidores para determinar quem foi o vencedor de cada prova. O casting surgiu na metade do século XIX na Inglaterra, mas não há como se precisar quem o teria inventado, sendo a teoria mais aceita a de que diversos grupos de pescadores decidiram quase ao mesmo tempo criar regras para que a habilidade de um pescador pudesse ser testada sem que ele efetivamente estivesse pescando. O primeiro torneio de casting do qual se tem registro foi disputado em Londres, em 1881.

Pouco após sua criação, o esporte chegou aos Estados Unidos, onde um novo conjunto de regras, mais de acordo com o gosto dos norte-americanos, foi desenvolvido. A partir do final do século XIX, o casting também começaria a se espalhar pela Europa, mais uma vez ganhando variações nas regras de acordo com a forma como a pesca era realizada em cada local. Para que fosse possível uma competição internacional, era necessário unificar essas regras todas, de forma que, em 1955, representantes de 14 federações nacionais de casting, sendo 13 europeus e mais os Estados Unidos, se uniram para formar a Federação Internacional de Casting (ICF, da sigla em inglês, até 1981, quando mudou de nome para ICSF, incluindo a palavra sport). Hoje, a ICSF conta com 31 membros dos cinco continentes, incluindo o Brasil, representado pela Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS).

Atualmente, a ICSF reconhece 16 disciplinas do casting. Curiosamente, nove delas são agrupadas sob o nome disciplinas 1-9, enquanto outras seis fazem parte do flycasting, sendo a restante conhecida como surfcasting. É interessante registrar que a ICSF reconhece cada um desses grupos como uma modalidade em separado, ou seja, segundo o estatuto da ICSF, eles não regulam uma, mas três modalidades da pesca esportiva, o casting (disciplinas 1-9), o flycasting e o surfcasting. Vale dizer também que a CBPDS só regula, em âmbito nacional, o flycasting e o surfcasting, ou seja, pelo menos na teoria, brasileiros não podem participar de torneios das disciplinas 1-9. Vale citar, também, que, até os anos 1970, todas as disciplinas do casting eram disputadas em corpos de água naturais, como rios e lagos; desde então, a ICSF criou regras para que possam ser usados locais próprios de competição, inclusive cobertos, como estádios e ginásios - a única exceção é o surfcasting, que continua sendo disputado obrigatoriamente em uma praia.

A primeira das disciplinas 1-9 é a da precisão. O local onde a prova de precisão é disputada consiste de uma plataforma de madeira, de 50 cm de altura, mínimo de 1,5 m de comprimento e mínimo de 1,2 m de largura, e mais cinco "alvos", dispostos em posições específicas em relação à plataforma: o centro do alvo de número 1 fica 8 m à esquerda do centro da parte frontal da plataforma, e o centro do alvo de número 5 fica a 13 m à direita do centro da parte frontal da plataforma, ambos formando um ângulo de 90o com o centro da parte frontal da plataforma; os alvos de 2 a 4 ficam em linha reta entre os alvos 1 e 5, sendo que o centro do alvo 3 fica diretamente à frente do centro do parte frontal da plataforma, e a distância do centro do alvo 3 para os centros dos alvos 2 e 4 é de 1,8 m. Cada um dos alvos é um círculo de plástico, semelhante a um bambolê, de 60 cm de diâmetro e 3 cm de altura; caso a prova esteja sendo disputada em um corpo de água (como um lago ou represa), o círculo é preso ao fundo por arames finos, mas, caso a prova seja disputada em um local seco (como um gramado ou ginásio), cada círculo é colocado sobre uma lona e seu interior é preenchido com água.

A vara usada pelos competidores deve ser do tipo padrão para uma mão, com no máximo 3 metros de comprimento; o molinete também deve ser do tipo padrão, sem quaisquer componentes extras, e de tamanho capaz de comportar, enrolado, toda a linha e todo o líder (o componente que prende o anzol à linha). A linha deve ser do tipo comum, sem componentes de metal, e ter no mínimo 13,5 m de comprimento. As iscas devem ser do tipo fly, que imita um inseto, de cor branca, amarela ou vermelha, de categoria 10 (de acordo com as especificações da ICSF) e com diâmetro entre 16 e 20 mm; não pode ser usado anzol, com a isca devendo ser presa diretamente ao líder, que deve ter no mínimo 1,8 m de comprimento, com ponta de no mínimo 30 cm de comprimento e no máximo 0,5 mm de diâmetro, e não pode ser transparente. O competidor deve usar apenas uma das mãos para arremessar a linha em direção a cada alvo, e deve sempre ter um dos pés mais à frente que o outro.

Cada competidor deverá passar por duas fases, a primeira usando isca seca (que boia na água) e a segunda usando isca molhada (que afunda na água). Na fase da isca seca, o competidor se posiciona em qualquer local da plataforma, e, de lá, deve realizar dez lançamentos na direção dos alvos, na seguinte ordem: 3-1-4-2-5-3-1-4-2-5. Antes do primeiro lançamento, a linha (mas não o líder) deve estar totalmente enrolada no molinete, mas, após cada lançamento, o competidor não poderá usar o molinete para alterar o comprimento da linha, devendo fazê-lo através do chamado "lançamento falso", um movimento da vara que enrola ou desenrola a linha, sendo não somente permitida como também obrigatória a realização de um (e apenas um) lançamento falso antes de cada lançamento válido. Depois de realizar os dez lançamentos com isca seca, o competidor mudará a isca e realizará dez lançamentos com isca molhada, na ordem normal dos alvos (1-2-3-4-5-1-2-3-4-5). Na fase da isca molhada não são permitidos lançamentos falsos, devendo o competidor regular a linha, usando o molinete, antes do primeiro lançamento, e podendo recolhê-la (mas não estendê-la) após o quinto lançamento, mas devendo realizar todos os demais lançamentos com a quantidade de linha usada em cada lançamento anterior. Não cumprir qualquer uma dessas regras resulta em desclassificação imediata.

A pontuação é bastante simples: cada vez que o competidor acerta a isca dentro de um círculo, ele ganha 5 pontos, para uma pontuação máxima de 100 pontos (20 alvos x 5 pontos cada). Cada competidor tem um tempo máximo de 5 minutos e 30 segundos para completar a prova (que começa a contar do momento em que ele sobe na plataforma, e inclui a troca de isca, os lançamentos falsos e as regulagem de linha na fase da isca molhada), mas estourar esse tempo não resulta em eliminação, apenas faz com que o competidor mantenha a pontuação que tinha quando o tempo estourou. Em caso de empate em pontos entre dois ou mais competidores, o tempo restante é usado como desempate, ficando à frente o que precisou de menos tempo para alcançar aquela pontuação.

A segunda disciplina é a da distância com uma das mãos. A vara, a isca (seca) e o líder são os mesmos da precisão, mas o líder deve ter no máximo 3 m de comprimento; o molinete é livre, podendo ser usado qualquer modelo; mas a linha deve ser de um tipo especial chamado "linha laranja", porque é dessa cor, devendo ter comprimento mínimo de 13,5 m e peso máximo de 38 g no masculino e 34 g no feminino, sendo proibidas, além disso, quaisquer diferenças em relação a uma linha laranja padrão conforme os regulamentos da ICSF. A plataforma usada para os competidores também é a mesma da precisão, mas não há alvos; o objetivo é simplesmente lançar a isca o mais longe possível, sendo que cada metro vale um ponto, e o competidor com mais pontos vence. A isca deve permanecer no ar durante todo o lançamento, com a distância sendo aferida assim que ela toca o solo (ou a água, no caso de a prova estar sendo realizada em um lago, rio ou represa). Cada competidor tem direito a realizar quantos lançamentos conseguir durante 5 minutos, sendo válidos os dois maiores lançamentos, que são somados para se determinar a pontuação final. A isca deve permanecer dentro dos limites da área válida de "pouso" - que tem 25 m de largura, com a plataforma posicionada bem no meio - em todos os momentos, seja quando estiver no ar, seja quando a linha estiver sendo recolhida, sob pena de desclassificação do competidor; a linha, por outro lado, pode ultrapassar os limites da área válida sem problemas. Na maioria dos torneios, a área válida tem 50 m de comprimento, mas é permitido que a isca caia depois dessa distância - o atual recorde mundial é de 72 metros.

A terceira disciplina é a do arenberg, que tem esse nome por causa do tipo de alvo usado: um quadrado de lona no qual são traçados cinco círculos concêntricos, de 0,75, 1,35, 1,95, 2,55 e 3,15 m de diâmetro. Esses círculos são traçados com linhas brancas, de no máximo 2 cm de largura, e o único opaco é o menor de todos, de cor preta, sendo todos os demais sem preenchimento. Esse tipo de alvo é conhecido no meio do casting como "alvo arenberg", em homenagem à região da Alemanha na qual a prova foi criada. Do menor círculo para o maior, a pontuação conferida quando a isca atinge um dos círculos é de 10-8-6-4-2 pontos.

Além do alvo, a área de competição do arenberg possui cinco "estações de lançamento", cinco tábuas de 1 m de comprimento, 2 cm de largura e no máximo 10 cm de altura, dispostas em relação ao alvo mais ou menos da mesma forma em que os alvos estão dispostos em relação à plataforma na prova da precisão: a estação 1 fica à esquerda, com seu centro a 10 m do centro do alvo, e a estação 5 à direita, com seu centro a 16 m do centro do alvo, essas duas estações formando com o centro do alvo um ângulo de 90 graus; as estações 2, 3 e 4 formam uma linha reta com as estações 1 e 5, sendo que a estação 3 fica diretamente em frente ao centro do alvo, e a distância do centro de uma estação para o centro da estação seguinte é de 2 m. Cada competidor realiza dois lançamentos seguidos de cada estação, em ordem numérica (ou seja, 1-1-2-2-3-3-4-4-5-5), sendo que cada estação tem regras próprias para seus lançamentos: na estação 1, é permitida qualquer postura do competidor, mas o lançamento deve começar com a isca posicionada abaixo da vara; na estação 2, o competidor deve segurar a vara apenas com a mão direita, a vara só pode se movimentar na horizontal e pelo lado direito do competidor, a ponta da vara deve percorrer no mínimo 1 m durante o lançamento, e a isca não pode tocar o chão enquanto estiver sendo recolhida; na estação 3, qualquer postura é permitida, mas a vara deve percorrer um movimento de forma que a isca passe por cima da cabeça do competidor ao ser lançada; a estação 4 possui a mesma regra da estação 2, mas com a vara na mão esquerda e se movimentando à esquerda do competidor ao invés de à direita; e na estação 5 a técnica de lançamento é livre, podendo, inclusive, ser usada uma técnica diferente em cada um dos dois lançamentos. O competidor deve se dirigir para o primeiro lançamento na estação 1 e deixar a estação 5 após o último lançamento com a isca na mão, e recolher a linha totalmente, usando o molinete, após cada um dos lançamentos. O tempo-limite total para realizar todos os lançamentos é de cinco minutos, contado do momento em que o competidor começa a se mover na direção da estação 1 até o momento em que ele deixa a estação 5 com a isca na mão.

A vara usada no arenberg é a para uma mão, com no mínimo 1,37 m e no máximo 2,5 m de comprimento, no mínimo 3 anéis de diâmetro máximo de 50 mm cada no corpo e um anel de diâmetro máximo 10 mm na ponta, e cujo cabo não seja maior que 1/4 do tamanho total da vara; o molinete deve ser do tipo aberto ou do tipo spool padrão ou equivalente; a linha pode ser de qualquer tipo, mas deve ter no mínimo 20 m de comprimento livre (ou seja, que não estão tocando o molinete ou a vara) e deve ter o mesmo diâmetro em toda a sua extensão; a isca deve ser do tipo plug, que se parece com um peixinho, pesar entre 7,35 e 7,65 g, ter superfície uniforme, comprimento de 53 mm, diâmetro de 18,5 mm (ambas essas medidas com tolerância de 0,3 mm para mais ou para menos), diâmetro do olho entre 4 e 6 mm, e ser da cor branca.

A quarta disciplina é a da precisão com molinete. A vara, molinete, linha e isca usados são os mesmos do arenberg, assim como as estações de lançamento; os alvos, porém, se parecem com os alvos da precisão: são cinco círculos de plástico com 75 cm de diâmetro e 10 cm de altura cada, cheios de água, de cor amarela, e montados de forma que fiquem inclinados na direção do competidor, com a borda virada para o competidor estando a 5 cm de altura e a borda oposta a 17 cm de altura. A distância entre o centro de uma estação para o da seguinte é de 1,5 m, e a distância do centro da estação 1 para o centro do alvo 1, posicionado diretamente à sua frente, é de 10 m; da estação 2 em diante, cada alvo está 2 m mais distante que o anterior, ou seja, 12, 14, 16 e então 18 m do centro da estação 5 para o centro do alvo 5. Cada competidor realiza dois lançamentos para cada alvo, em ordem numérica (1-1-2-2-3-3-4-4-5-5), ganhando 5 pontos em cada caso acerte dentro do círculo, para um total de 100 pontos no máximo. Assim como no arenberg, o competidor deve se encaminhar à estação 1 e deixar a estação 5 com a isca na mão, e recolher a linha usando o molinete entre um lançamento e outro. O tempo-limite para completar toda a prova é de 8 minutos.

A quinta disciplina é a da distância com uma das mãos e molinete. A vara, o molinete e a isca são os mesmos do arenberg, mas a linha deve ter diâmetro mínimo de 0,18 mm em toda sua extensão, e deve ser usado um líder, de 0,25 mm de diâmetro mínimo, comprimento mínimo de uma volta completa no molinete, e que não pode ser transparente. A área de competição é idêntica à da prova de distância com uma das mãos, mas com o dobro do tamanho (50 m de largura, 100 m de comprimento) e uma única estação de lançamento no lugar da plataforma. Cada competidor se posiciona atrás da estação e efetua três lançamentos não consecutivos (ou seja, são três rodadas, com cada rodada se encerrando após todos os competidores tendo lançado), valendo a maior distância obtida. Cada metro obtido vale 1,5 ponto. O estilo de lançamento é livre, mas o competidor só pode manter uma das mãos na vara durante o lançamento. Cada competidor tem 60 segundos para realizar seu lançamento após seu nome ser chamado.

A sexta disciplina é a da distância com duas mãos. A vara deve ser do tipo padrão para duas mãos, com comprimento máximo de 5,2 m, e a linha deve ser do tipo comum, sem componentes de metal, ter no mínimo 15 m de comprimento e pesar no máximo 120 g. A área de competição, o molinete, a isca e o líder são os mesmos da distância com uma das mãos, mas o líder tem comprimento máximo de 5,2 m. As regras também são as mesmas da distância com uma das mãos, mas, obviamente, o lançamento é realizado com as duas mãos, e o tempo-limite é de 6 minutos. Em competições da ICSF, as provas de distância com duas mãos são exclusivamente masculinas.

A sétima disciplina é a da distância com duas mãos e molinete. A escolha de vara e molinete é livre por parte do competidor, mas o molinete deve ser do tipo aberto. A linha também é livre, mas deve ter diâmetro mínimo de 0,25 mm e o mesmo diâmetro em toda sua extensão; o líder deve ter 0,35 mm de diâmetro mínimo, comprimento mínimo de uma volta completa no molinete, e não pode ser transparente. A isca é do tipo plug, deve pesar entre 17,7 e 18,3 g, ter superfície uniforme, comprimento de 38 mm, diâmetro de 22 mm (ambas essas medidas com tolerância de 0,3 mm para mais ou para menos), diâmetro do olho entre 5 e 7 mm, e ser da cor branca. A área de competição e as regras são as mesmas da distância com uma das mãos e molinete, mas, evidentemente, o competidor deve manter ambas as mãos na vara durante o lançamento. Assim como na distância com duas mãos, em competições da ICSF as provas de distância com duas mãos e molinete são exclusivamente masculinas.

A oitava disciplina é a da precisão com multiplicador. A escolha de vara, molinete e linha é livre, mas a vara deve ser para uma das mãos e ter comprimento máximo de 2,5 m, a linha deve ter o mesmo diâmetro em toda a sua extensão e comprimento mínimo de 22 m, e o molinete deve ser do tipo multiplicador com spool padrão; a isca é a mesma da distância com duas mãos e molinete. A área de competição e as regras são as mesmas da precisão com molinete, mas a distância dos alvos para as estações de lançamento é maior: o centro do alvo 1 está a 12 m do centro da estação 1, e então 14, 16, 18 e 20 m de distância do centro do alvo 5 para o centro da estação 5.

A nona e última disciplina é a da distância com duas mãos e multiplicador. A escolha de vara é totalmente livre; a linha e a isca são as mesmas da distância com duas mãos e molinete; e o molinete é o mesmo da precisão com multiplicador. A área de competição e as regras são as mesmas da distância com duas mãos e molinete, mas cada competidor tem dois minutos para realizar cada lançamento (incluindo se dirigir à estação, lançar, recolher a linha e sair da estação), com o lançamento sendo invalidado caso esse tempo seja ultrapassado.

Todas as provas com mais de 12 competidores no masculino ou 9 no feminino são disputadas em duas etapas, sendo que todos os competidores participam da primeira etapa, mas apenas os 8 melhores no masculino ou os 6 melhores no feminino disputam a final. Todos começam a final com sua pontuação zerada, ou seja, a pontuação da primeira etapa não é levada em conta.

Além de provas separadas para cada uma das disciplinas, a ICSF também regula três tipos de provas combinadas: no pentatlo, cada competidor disputa as disciplinas de 1 a 5, com seus pontos em cada uma delas sendo somados para se determinar o vencedor, que será aquele com a maior pontuação após serem realizadas as cinco provas; o pentatlo é disputado no individual masculino, no individual feminino, por equipes masculinas ou por equipes femininas, sendo que as equipes masculinas são compostas por 4 competidores, e as equipes femininas por 2 competidoras - nas provas por equipes, simplesmente somam-se os pontos de todos os competidores de uma mesma equipe, e a equipe com mais pontos após a realização das cinco provas será a vencedora. Já o heptatlo é disputado exclusivamente no individual masculino, e segue as mesmas regras do pentatlo, sendo disputadas, porém, provas das disciplinas de 1 a 7. Finalmente, temos o all-round, que, no individual masculino, é composto por nove provas (uma de cada disciplina), e, no individual feminino, é composto de sete provas (das disciplinas 1, 2, 3, 4, 5, 8 e 9). Todas as provas combinadas são disputadas em uma única etapa, sem final.

Enquanto as disciplinas 1-9 visam medir a habilidade do competidor no manejo do equipamento de pesca, as disciplinas do flycasting visam avaliar como ele se comportaria em uma situação de pesca real, e, por isso, possuem nomes até bem engraçados. A primeira delas, por exemplo, se chama truta precisão, porque simula uma pesca à truta. A área de competição é formada por quatro alvos, cada um composto de três círculos concêntricos, de 60 cm, 1,2 m e 1,8 m de diâmetro. O mais próximo deles fica a 8 m de distância do local no qual o competidor vai se posicionar, e o mais distante a 15 m de distância; os quatro alvos, entretanto, não são posicionados em linha reta, e sim em posições aleatórias dentro de um quadrado imaginário de 7 m de lado, sendo que a distância da linha imaginária que corta o centro de um alvo para a linha imaginária que corta o centro do seguinte deve ser de 1,75 m. O local onde o competidor vai se posicionar é simplesmente um quadrado, de 1,2 m de lado.

A vara usada pode ser de qualquer tipo, mas deve ter comprimento máximo de 2,75 m. A escolha do molinete é livre por parte do competidor. A linha deve ser do tipo laranja, com comprimento máximo de 36,57 m. O líder deve ser de monofilamento, com comprimento mínimo de 2,5 m, comprimento máximo da ponta de 40 cm, e diâmetro máximo de 0,3 mm. A isca é do tipo fly, e fornecida pela organização do evento. Ao começar a prova, o competidor deve estar com a isca na mão, e o comprimento da linha livre não pode ser maior que o comprimento da vara; quaisquer ajustes no comprimento da linha durante a prova só podem ser feitos com lançamentos falsos, nunca com o molinete. Em todos os lançamentos, a vara deve percorrer um movimento de forma que a isca passe por cima da cabeça do competidor ao ser lançada.

Cada competidor possui um tempo-limite de 5 minutos para efetuar 16 lançamentos, contra os alvos em ordem numérica (1-2-3-4-1-2-3-4-1-2-3-4-1-2-3-4). Acertar dentro do círculo central ou em sua borda vale 5 pontos, acertar dentro do círculo intermediário ou em sua borda vale 3 pontos, acertar dentro do círculo exterior ou em sua borda vale 1 ponto, e acertar fora do círculo confere uma pontuação de 0 e obriga o competidor a passar para o alvo seguinte - mesmo que a isca tenha tocado fora do círculo "sem querer", como, por exemplo, durante um lançamento falso. Se dois ou mais competidores terminarem empatados em pontos, o desempate se dará pelo tempo total que cada um deles levou para efetuar os 16 lançamentos.

A segunda disciplina é a da truta distância. A vara, o molinete e a linha são as mesmas da truta precisão, mas a única exigência para o líder é que ele tenha comprimento máximo de 3 m; a isca é fornecida pela organização, e trata-se de uma bolota de cortiça ou lã. A área de competição é composta de uma plataforma de madeira retangular, com 2 m de comprimento e entre 5 e 10 m de largura, a partir da qual são traçadas duas linhas-limite, de no mínimo 50 m de comprimento. O objetivo do competidor é, posicionando-se na plataforma, lançar a isca o mais longe possível, com a isca mantendo-se dentro dos limites das linhas paralelas do momento do lançamento até quando tocar o solo (ou a água). Cada competidor tem 4 minutos para realizar quantos lançamentos conseguir, sendo considerado apenas o que alcançou a maior distância - exceto se dois ou mais competidores empatarem, quando serão comparados os segundos melhores lançamentos de cada um, e assim por diante.

A terceira disciplina é a da truta marinha distância, que tem a mesma área de competição e as mesmas regras da truta distância (mas com distância mínima das linhas paralelas de 60 m ao invés de 50 m), mas equipamento levemente diferente: o molinete, o líder e a isca (fornecida pela organização) são os mesmos, mas a vara deve ter no máximo 3,06 m de comprimento, e a linha deve ser de material sintético, com diâmetro máximo de 2 mm e peso máximo de 27 g.

A quarta disciplina é a do salmão distância, novamente com a mesma área de competição e mesmas regras da truta distância (mas com distância mínima das linhas paralelas de 70 m e tempo-limite de 5 minutos), mas equipamento diferente: a vara deve ter no máximo 4,6 m de comprimento; a linha deve ser sintética, com no máximo 3 mm de diâmetro e 55 g de peso; e o líder deve ser de monofilamento, com comprimento máximo de 5 m - o molinete é de livre escolha do competidor, e a isca, mesma da truta distância, é fornecida pela organização.

A quinta disciplina é do spey distância 15'1". Spey é o nome de um rio, localizado na Escócia, onde o tipo de técnica utilizado nessa prova foi criado, e 15'1" é o comprimento máximo da vara: 15 pés e uma polegada, que equivalem a 4,5974 m; como a ICSF é camarada, ela arredonda para 4,6 m. O molinete é livre, a isca (mesma das demais provas de distância) é fornecida pela organização, e a linha e o líder são os mesmos do salmão distância.

A prova do spey deve ser disputada obrigatoriamente na água, com profundidade mínima de 60 cm; os competidores devem ficar dentro da água, dentro dos limites de um quadrado (imaginário ou demarcado no fundo) de 1 m de lado. Do centro do lado desse quadrado diretamente em frente ao competidor saem duas linhas na diagonal de no mínimo 60 m de comprimento, que formam um ângulo de 40 graus. Cada competidor tem um tempo-limite de 6 minutos, e deve realizar, obrigatoriamente, dois tipos de lançamento: um no qual a vara se mova da esquerda para a direita e um no qual a vara se mova da direita para a esquerda, sempre com a isca passando por cima de uma linha imaginária que passa pelos ombros do competidor - a mão com a qual o competidor vai segurar a vara é livre. Para se determinar o vencedor, são somadas as maiores distâncias obtidas em cada um dos dois tipos de lançamento, com as segundas maiores distâncias (e daí por diante) sendo usadas em caso de empate.

A sexta e última disciplina é a do spey distância 16'/18' com esses números fazendo referência ao comprimento máximo da vara: no feminino, 16 pés (4,8768 m, arredondado para 4,89 m), e, no masculino, 18 pés (5,4864 m, arredondado para 5,5 m); o restante do equipamento é idêntico ao da outra prova de spey. A área de competição também fica na água, com o competidor dentro d'água e dentro de um quadrado de 1 m de lado, mas as linhas que partem do centro do lado frontal do quadrado têm no mínimo 70 m de comprimento, e formam um ângulo de 30 graus. Não há obrigatoriedade de estilo de lançamento, e é considerado apenas o lançamento que alcançar a maior distância de cada competidor, sem somas - mas ainda com os seguintes sendo usados para desempate.

Todas as provas do flycasting com mais de 15 competidores são disputadas em duas fases, sendo uma fase realizada por dia, e com os seis primeiros da primeira fase se classificando para a fase final, na qual os pontos da primeira fase não são levados em conta - ou seja, somente os pontos obtidos na final determinam o vencedor. Caso a competição tenha menos de 15 participantes, é disputada somente uma fase, e aquele com mais pontos é declarado campeão.

Finalmente, temos o surfcasting, disputado sempre em uma praia, com os competidores se posicionando na beira do mar. É usada uma vara própria, com entre 3 e 4 m de comprimento, que deve ser segurada com as duas mãos; a linha, o molinete, o líder e a isca são os mesmos da prova de distância com duas mãos. A prova do surfcasting é de distância, com os competidores fazendo um lançamento com um movimento próprio, e aquele que obtiver a maior distância após três lançamentos não consecutivos será o vencedor. A vara e a técnica do surfcasting permitem que sejam alcançadas distâncias muito maiores que nas demais provas - o atual recorde mundial de distância no surfcasting é de 286,63 m.

O principal campeonato do casting é o Campeonato Mundial de Casting, disputado anualmente desde 1957 no masculino e desde 1981 no feminino, com provas das disciplinas 1-9. Desde 2014, a ICSF também organiza, anualmente, no masculino e no feminino, o Campeonato Mundial de Flycasting, somente com as disciplinas do flycasting. O casting fez parte do programa dos World Games entre 1981 e 2005 (exceto em 1989), com provas masculinas e femininas das disciplinas 1-9; desde então, a ICSF vem tentando incluir novamente suas provas no programa, mas esbarra em má-vontade dos organizadores, que alegam que o casting demanda muita organização e atrai pouco público. Retornar aos World Games é o primeiro passo para tentar alcançar a maior ambição da ICSF, a de incluir o casting nas Olimpíadas, o que não vai ser fácil, já que ele sequer está dentre os esportes reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional.

O segundo tipo de pesca esportiva é o angling, para o qual eu também não consegui encontrar um nome em português. O angling é a pesca esportiva propriamente dita, na qual cada competidor pega um peixe, eles são avaliados por jurados, e o melhor peixe de acordo com as regras da competição ganha - e todos os peixes são devolvidos à água depois, não vão pra panela nem nada assim. O angling é muito mais antigo que o casting, com a primeira referência escrita à atividade de pescar como esporte ao invés de como meio de sustento ou sobrevivência datando de 1496, na Inglaterra; os primeiros clubes de pesca e as primeiras competições com regras bem definidas, entretanto, datam do início do século XIX, no mesmo país. No final do século XIX, o angling se popularizaria imensamente nos Estados Unidos, graças a novas técnicas e novos livros escritos sobre a pesca da truta; de lá, o esporte se espalharia pelo mundo, e hoje já temos competições de angling em todos os cinco continentes.

Existem três modalidades do angling, cada uma regulada por uma federação internacional própria. Duas delas usam iscas vivas ou iscas artificiais do tipo plug, a pesca esportiva em água doce, regulada pela Federação Internacional de Pesca Esportiva em Água Doce (FIPSed, da sigla em francês) e a pesca esportiva marítima, regulada pela Federação Internacional de Pesca Esportiva Marítima (FIPS-M); a terceira, a pesca esportiva com isca artificial, regulada pela Federação Internacional de Pesca Esportiva com Mosca (FIPS-mouche), usa iscas artificiais do tipo fly (palavra que, aliás, significa "mosca" em inglês). Em 1952, essas três federações se uniram e formaram a Confederação Internacional de Pesca Esportiva (CIPS), que, desde então, é o órgão reconhecido como responsável por dar a palavra final em todos os assuntos sobre angling - é a CIPS, por exemplo, que atualmente faz campanha para que o angling seja incluído nas Olimpíadas. Embora os torneios sejam organizados diretamente pelas federações, e elas possuam autonomia em termos de regras, a CIPS dita linhas gerais que devem ser seguidas por cada uma das três.

Competições de angling são sempre realizadas em corpos d'água naturais, como rios, lagos e praias. Todos os competidores pescam ao mesmo tempo, para que seja assegurada a igualdade de condições; como é impossível todos pescarem no mesmo ponto, os "melhores" lugares são reservados aos melhor ranqueados ou melhor classificados, com os demais ficando cada vez mais afastados. Dependendo da prova, os pescadores podem ficar posicionados na margem ou dentro de um barco; no caso do barco, se for necessário, é usado mais de um, com os grupos de cada barco sendo sorteados para maior justiça. As regras de todas as provas de angling são semelhantes, com o básico sendo que cada competidor tem um tempo-limite para pegar um peixe (contado em horas, espalhadas por vários dias, diferentemente do tempo do casting, contado em minutos), que, então, é avaliado pelos jurados, com o melhor peixe de acordo com as regras daquela prova (normalmente o mais pesado, mas raramente pode ser o de melhor aparência) determinando o vencedor; dependendo da prova, podem ser permitidos dois ou mais peixes dentro do tempo-limite, com o competidor escolhendo qual será julgado. A escolha do material, como vara, molinete, linha, isca etc. é livre por parte do competidor, com apenas algumas poucas restrições - em competições da FIPSed, por exemplo, a linha deve ter um comprimento máximo de 11,5 m no feminino e 13 m no masculino.

A FIPSed regula oito disciplinas do angling: pesca de truta com isca viva, pesca de achigã, pesca de carpa, pesca de peixe vulgar (qualquer peixe que não seja achigã, carpa, truta ou salmão), pesca de peixe vulgar com feeder (uma espécie de gaiola usada no lugar do anzol), pesca de peixe carnívoro a partir da margem, pesca de peixe carnívoro a partir de barco (sendo essa a única disciplina da FIPSed na qual os competidores não pescam da margem), e pesca no gelo (na qual, como nos desenhos animados, os competidores fazem um buraco redondo no gelo e pescam nele). Já a FIPS-mouche regula apenas duas discipinas, a pesca a partir da margem e a pesca a partir de barco, com o tipo de peixe válido sendo determinado pela organização de cada prova e variando de acordo com o local da prova. A FIPS-mouche também é a única que organiza provas por equipes, nas quais os resultados de todos os competidores de uma mesma equipe são somados para se determinar a equipe campeã.

A FIPS-M eu deixei para o final porque é a mais variada, regulando nada menos que 17 disciplinas, divididas em cinco grupos. No grupo da pesca a partir da margem (shore angling), temos a pesca a partir de praia (na qual os competidores se posicionam na beira do mar, em uma praia), a pesca a partir de pedra (na qual os competidores se posicionam em uma estrutura natural à beira-mar), a pesca a partir de píer ou porto (na qual os competidores se posicionam em uma estrutura artificial à beira-mar), e a pesca a partir de flutuador (na qual uma estrutura flutuante é montada no mar e os competidores se posicionam nela). No grupo da pesca a partir de barco, temos a pesca a partir de barco ancorado (parado em um local específico), a pesca a partir de barco ancorado sem vara (com os competidores segurando a linha com suas próprias mãos), a pesca a partir de barco à deriva (em movimento, mas bem lentamente, levado pelo movimento do mar), a pesca a partir de barco à deriva com atração artificial (na qual é usado um equipamento chamado pirk ou pilker, que atrai os peixes na direção do barco), e a pesca a partir de barco à deriva com jig (um tipo de isca que lembra um peixinho mole na vertical, diferente do plug, que é rígido e na horizontal). No grupo da pesca de peixes grandes temos a pesca a partir da praia, a pesca a partir de barco ancorado, o trolling (no qual o barco se move pela água relativamente rápido, arrastando a linha na água), o drifting (no qual o barco se move lentamente, e é o competidor quem arrasta a linha na água, em um movimento lateral), a pesca em águas rasas com isca do tipo plug, e a pesca em águas rasas com isca do tipo fly. No grupo da pesca longa com pesos, temos uma única disciplina com esse mesmo nome, na qual é usado um peso, de 100, 125, 150 ou 175 g, preso à ponta da linha, próximo ao anzol, para que ela vá mais longe durante o arremesso e mais fundo na água. Finalmente, temos o grupo da pesca em barcos leves, que também conta com apenas uma disciplina de mesmo nome, na qual são usados barcos pequenos, à deriva, e, a cada dia, os competidores participam de um grupo (e de um barco) diferente.

Não existe um "campeonato mundial de angling", e sim vários Mundiais, de acordo com as disciplinas presentes em cada um deles. A FIPSed organiza o Campeonato Mundial de Pesca de Peixes Vulgares (anualmente desde 1954 no masculino, desde 1994 no feminino e desde 1999 em versão paralímpica, masculino e feminino), o Campeonato Mundial de Pesca de Truta (anualmente desde 1993, masculino e feminino), o Campeonato Mundial de Pesca de Carpa (anualmente desde 1999, masculino e feminino), o Campeonato Mundial de Pesca de Peixes Carnívoros a Partir da Margem (anualmente desde 2003, masculino e feminino), o Campeonato Mundial de Pesca no Gelo (anualmente desde 2004, masculino e feminino), o Campeonato Mundial de Pesca de Achigã (anualmente desde 2005, masculino e feminino), o Campeonato Mundial de Pesca de Peixes Carnívoros a Partir de Barcos (anualmente desde 2008, masculino e feminino) e o Campeonato Mundial de Feeder (anualmente desde 2009, misto). Já a FIPS-M organiza o Campeonato Mundial de Pesca Esportiva Marítima a Partir de Barco (anualmente desde 1965, misto), o Campeonato Mundial de Pesca Esportiva Marítima a Partir da Praia (anualmente desde 1984 no masculino e 1993 no feminino), o Campeonato Mundial de Pesca Esportiva Marítima de Peixes Grandes (anualmente desde 1992, somente masculino) e o Campeonato Mundial de Pesca Esportiva Marítima Longa com Pesos (anualmente desde 1998, apenas masculino). Finalmente, a FIPS-mouche organiza, anualmente desde 1983, o Campeonato Mundial de Pesca com Mosca, que é exclusivamente masculino.

Atualmente, a CIPS se encontra em campanha para tentar incluir pelo menos uma disciplina do angling nas Olimpíadas, mas o fato de que são usados peixes vivos durante as provas, aliado ao detalhe de que uma única prova pode durar até quatro dias, contribui negativamente para a percepção desse esporte, que encontra grande resistência da comunidade internacional atualmente. Assim como o casting, o angling ainda não é um esporte reconhecido pelo COI, reconhecimento este obrigatório para sua inclusão nos Jogos Olímpicos.

O terceiro tipo de pesca esportiva é a pesca submarina, regulada pela Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas (CMAS), também responsável por regular outros esportes disputados sob a água sobre os quais eu já falei aqui, como o finswimming, o aquathlon e o hóquei subaquático. O equipamento usado na pesca submarina consiste de uma arma que dispara um arpão, que pode ser do tipo com elástico ou que usa ar comprimido, mas que deve ser recarregada usando a força do competidor, não sendo permitidos recarregadores automáticos; nadadeiras, luvas, máscara, óculos de mergulho, snorkel, roupa protetora de neoprene, um gancho e uma faca para situações de emergência, um peso para ajudar o competidor a submergir, uma boia de emergência caso ele precise subir rapidamente, cronômetro, bússola, medidor de profundidade, lâmpada submarina, sonar portátil e GPS. Notem que eu não escrevi "tanque de oxigênio", porque, assim como em outras competições da CMAS, não é permitido respirar durante a prova, devendo o competidor submergir, pescar e voltar à superfície em um único fôlego.

Assim como uma prova de angling, uma prova de pesca submarina pode durar vários dias, com os competidores usando períodos de 4, 5 ou 6 horas consecutivas a cada dia. O objetivo também é o mesmo: pescar um peixe e submetê-lo à avaliação dos juízes, sendo que o melhor peixe (normalmente o mais pesado) é que determina o vencedor da prova. Diferentemente de no angling, entretanto, "pescar" na pesca submarina envolve nadar para encontrar o peixe, arpoá-lo, buscá-lo e subir com ele à superfície. É interessante notar, também, que cada competidor possui uma boia designada na superfície, e, durante a prova, não pode se afastar mais de 25 metros dessa boia em qualquer direção, não somente por razões de segurança, mas também para que não invada a zona de pesca de outro competidor ou pesque além dos limites permitidos pela organização. Os competidores são levados até suas boias de barco, e recolhidos ao final da prova; barcos de apoio patrulham a área caso algum competidor precise de ajuda ou surja alguma emergência.

O principal campeonato da pesca submarina é o Campeonato Mundial de Pesca Submarina, disputado desde 1957 em intervalos irregulares, mas a cada dois anos desde 1992, mesmo ano no qual começou a ser disputada a prova feminina (até então, o Mundial era exclusivamente masculino). Assim como o angling, a pesca submarina é alvo de muitos protestos - talvez mais ainda, porque os peixes arpoados morrem e não podem ser devolvidos ao mar - de forma que dificilmente a CMAS conseguirá incluir esse esporte em competições multidesportivas como os World Games ou as Olimpíadas - com a CMAS tendo a vantagem, porém, de que os esportes subaquáticos são reconhecidos pelo COI.

Para terminar por hoje, eu vou falar rapidinho sobre a fotografia submarina, porque, aí, eu finalmente termino de falar sobre todos os dez esportes regulados pela CMAS. A fotografia submarina segue as mesmas regras da pesca submarina, mas, ao invés de arpoar um peixe, o competidor deve tirar uma foto dele. Na avaliação, não é simplesmente o melhor peixe que ganha, e sim a melhor foto, sendo levados vários critérios artísticos em conta; por isso, o tipo de câmera usado em cada prova é determinado pela organização do torneio, para que a qualidade do equipamento não seja mais importante que a habilidade do competidor.

O principal campeonato da fotografia submarina é o Campeonato Mundial de Fotografia Submarina, disputado em intervalos irregulares desde 1985, mas a cada dois anos desde 2005; como ainda há um número baixo de competidores, as provas do Mundial são mistas. No Mundial de 2011, a CMAS incluiu uma nova modalidade, na qual, ao invés de tirar fotos, os competidores gravam vídeos dos peixes. Visando dar mais exposição a essa modalidade, ao invés de incluí-la no Mundial de 2013, a CMAS decidiu organizar um campeonato em separado, o Campeonato Mundial de Vídeo Submarino, em 2014. Infelizmente, o baixo número de participantes fez com que a edição seguinte, prevista para 2016, fosse cancelada, e não há previsão de quando uma nova edição será realizada. Aliás, na CMAS, a fotografia submarina é vista como uma alternativa ecológica à pesca submarina (já que, afinal, ela não mata os peixes), e há um movimento para que os atletas da pesca submarina passem a competir na fotografia submarina - que, até agora, não vem apresentando resultados significativos.

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