segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Björk

Quando eu conheci Björk, eu não sabia que ela era Björk. No início da década de 1990, eu comprava uma revista chamada Bizz Letras Traduzidas, que trazia letras de várias músicas que faziam sucesso nas rádios, acompanhadas das traduções das mesmas - para as traduções eu nem ligava muito, mas, em uma época na qual não existia internet, e como eu costumava comprar fitas cassete, que não vinham com encarte, ao invés de LPs, era praticamente a única forma que eu tinha de saber as letras das músicas das quais eu gostava. Na primeiríssima edição que eu comprei dessa revista, veio uma letra de uma música de uma banda que eu nunca tinha ouvido falar, chamada The Sugarcubes; cada letra era acompanhada de uma foto, e a dessa era da vocalista da banda, que, por causa dos olhos amendoados, eu achei que fosse japonesa.

Alguns anos mais tarde, Björk estouraria na Mtv - que eu assistia praticamente o dia inteiro - e eu gostaria bastante das duas primeiras músicas que ela lançou, Human Behaviour e Venus as a Boy - principalmente dessa segunda. Comprei seu primeiro CD, e só aí descobri que ela era a ex-vocalista dos Sugarcubes, ora vejam só.

Apesar de eu ter gostado muito de Björk na adolescência, faltou alguma coisa para que ela se imiscuísse de vez na minha lista de cantoras favoritas. Ainda assim, gosto de muitas das músicas que ela lançou de sua estreia solo pra cá - Jóga, Hidden Place, Triumph of a Heart, todas fantásticas - e admiro muito os videoclipes que ela grava para acompanhar essas músicas, todos visualmente interessantes e extremamente criativos - All is Full of Love chega a me dar um arrepio. Essa semana, eu li um comentário na internet sobre esses clipes, e achei que seria uma boa escrever sobre ela. Dito e feito, hoje é dia de Björk no átomo!


Björk Guðmundsdóttir nasceu em 21 de novembro de 1965 em Reykjavík, capital da Islândia, em uma família bastante politizada: seu pai, Guðmundur Gunnarson, era eletricista e líder sindical, e sua mãe, Hildur Rúna Hauksdóttir, era ativista política, tendo participado de um dos protestos mais famosos da história da Islândia, contra a construção da hidrelétrica de Kárahnjúkar.

Pausa para duas informações interessantes. A primeira é que Björk se pronuncia "biórc". A segunda, que quem leu o post sobre os sobrenomes já sabe, é que, na Islândia, não são usados nomes de família, e sim patronímicos, um tipo de sobrenome que não é passado dos pais para os filhos, e sim construído com base no nome do pai da pessoa. Assim, o sobrenome de Björk é Guðmundsdóttir porque seu pai se chama Guðmundur (dóttir significa "filha", então Guðmundsdóttir é a "filha de Guðmundur), e esse sobrenome é diferente dos de ambos os seus pais, porque nenhum dos seus avós se chamava Guðmundur - seu avô paterno se chamava Gunnar, por isso o sobrenome de seu pai é Gunnarson, e seu avô materno se chamava Hauk, por isso o sobrenome de sua mãe é Hauksdóttir. Se alguém quiser saber minha opinião, esse método deve ser muito complicado de se usar no dia a dia.

Enfim, os pais de Björk se separariam logo após ela nascer, e sua mãe a levaria para morar com ela em uma comunidade hippie, na qual se casou novamente, com o guitarrista Sævar Árnason, membro de uma banda chamada Pops. Graças a Árnason, Björk cresceria rodeada por música, e desde cedo se interessaria por canto e instrumentos musicais; aos seis anos de idade, sua mãe notaria que ela tinha aptidão musical, e a matricularia na Barnamúsíkskóli, a mais famosa escola de música de Reykjavík, onde ela aprenderia flauta e piano. Aos onze anos, ela participaria de um recital escolar, no qual interpretaria I Love to Love, de Tina Charles. Seus professores ficariam tão impressionados com sua performance que enviariam a gravação para a RÚV, na época a única rádio da Islândia, e portanto com alcance nacional, que a tocaria repetidas vezes. A gravação chamaria a atenção de um executivo da gravadora Fálkinn, que entraria em contato com a família de Björk e a ofereceria um contrato para o lançamento de um álbum. Ela aceitaria, e, assim, em 18 de dezembro de 1977, seria lançado Björk, o primeiro disco de sua carreira.

O álbum seria composto, em sua maioria, por canções criadas por Árnason, mas também trazia covers de canções em inglês traduzidas para o islandês, como The Fool on the Hill, dos Beatles (que virou Álfur Út Úr Hól), e Your Kiss Is Sweet, de Stevie Wonder (que virou Búkolla). Com duração de pouco mais de meia hora, teria tiragem limitada de 7.000 cópias, mas não venderia bem nem seria bem recebido pelos críticos. A Fálkinn ainda ofereceria a Björk uma extensão de contrato para que ela gravasse um segundo álbum, mas ela recusaria. Com o dinheiro que ganhou com o lançamento de Björk, ela compraria um piano, que usaria para compor suas próprias canções.

A vida de Björk nos anos seguintes ao lançamento de seu primeiro álbum seria muito agitada. Ela logo começaria a se interessar por punk rock, e, na companhia de amigas do colégio, formaria, em 1979, uma banda chamada Spit and Snot, que teria vida curta. Um ano depois, em 1980, ela formaria um grupo de jazz fusion chamado Exodus. Em 1982, ela sairia desse grupo e formaria uma nova banda punk, chamada Tappi Tíkarrass (que, em islandês, significa algo singelo como "mete no rabo dessa piranha"), que conseguiria lançar um EP, Bitið Fast í Vitið ("mordendo rápido para o inferno", sério, eles eram uns gênios), em agosto de 1982, e um LP, Miranda, em dezembro de 1983. O Tappi Tíkarrass seria selecionado para fazer parte de um documentário sobre a cena do rock em Reykjavík no início dos anos 1980, e Björk acabaria aparecendo na capa do VHS desse documentário. Apesar do relativo sucesso que vinha alcançando, Björk deixaria o Tappi Tíkarrass em 1984, após conhecer o guitarrista Þór Eldon, da banda Medusa. Ela, Eldon e o poeta Sjón formariam uma nova banda, chamada Rokka Rokka Drum, que também não teria vida muito longa.

Pouco depois, ela seria convidada para participar da última edição de um popular programa de música da RÚV, que seria cancelado, no qual se apresentaria ao vivo junto com os músicos Einar Melax (da banda Fan Houtens Kókó), Einar Örn Benediktsson (da Purrkur Pillnikk), Guðlaugur Kristinn Óttarsson e Sigtryggur Baldursson (da Þeyr), e Birgir Mogensen (da Spilafífl). Após o programa, eles decidiriam continuar cantando juntos, formando uma banda chamada Kukl ("feitiçaria"). A Kukl seria escolhida para abrir um show na Islândia da banda punk inglesa Crass, que acabaria a convidando para lançar um álbum pela sua gravadora, a Crass Records, e para se apresentar no festival Roskilde, na Dinamarca, o que fez com que a Kukl fosse a primeira banda islandesa a se apresentar em um festival de rock de grandes proporções realizado fora da Islândia. Ao todo, a Kukl lançaria dois álbuns, The Eye, em setembro de 1984, e Holidays in Europe, de janeiro de 1986. Alguns meses após esse segundo álbum, a banda se desentenderia e chegaria a seu fim.

Ainda em 1986, Björk descobriria que estava grávida de Eldon, se casaria com ele teria seu primeiro filho, Sindri Þórson. Infelizmente, o casamento não daria certo, e eles se divorciariam em menos de um ano. Naquele mesmo ano, ela estrearia como atriz em Einitréð ("zimbro", um tipo de árvore comum no hemisfério norte, conhecido em inglês como juniper tree), no qual ela interpretou uma garota cuja mãe fora condenada por bruxaria.

Também em 1986, Eldon e Benediktsson fundariam a Smekkleysa ("mau gosto"), para atuar como gravadora e editora. Os dois, mais Björk, Melax, Baldursson, e um ex-membro da Purrkur Pillnikk, Bragi Ólafsson, formariam uma nova banda, chamada Sykurmolarnir, que lançaria seus álbuns pela Smekkleysa. Para tentar se lançar no mercado internacional, eles cantariam em inglês, e se identificariam nas capas dos álbuns com o nome de The Sugarcubes - sendo que tanto Sugarcubes quanto Sykurmolarnir significam a mesma coisa, "cubos de açúcar".

Os Sugarcubes acabariam lançando apenas um single pela Smekkleysa, Ammæli ("aniversário"), exatamente no dia do aniversário de 21 anos de Björk. No mês seguinte, eles assinariam com a gravadora britânica One Little Indian, e, em agosto de 1987, lançariam seu primeiro single fora da Islândia, Birthday (que acho que todo mundo sabe que também significa "aniversário"), no Reino Unido. Naquele mesmo ano, eles conseguiriam um contrato com a Elektra Records para a distribuição de seus álbuns nos Estados Unidos; o primeiro, Life's Too Good, seria lançado em abril de 1988, na Islândia, Reino Unido e Estados Unidos. Logo após o lançamento, a nova namorada de Eldon, Margrét Örnólfsdóttir, substituiria Melax.

Life's Too Good faria um grande sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias ao redor do planeta, e dando origem a uma turnê dos Sugarcubes pelos Estados Unidos, com direito a David Bowie e Iggy Pop na plateia durante um show no hotel Ritz de Nova Iorque e participação no programa Saturday Night Live. O segundo álbum, Here Today, Tomorrow Next Week!, seria lançado em outubro de 1989, mas seria um fracasso, tanto de vendas quanto de críticas, o que levaria a banda a entrar em um hiato logo após uma curta turnê pela Europa para promovê-lo. Durante esse hiato, Björk começaria a trabalhar em vários projetos solo, e gravaria um álbum chamado Gling-Gló com a banda de jazz Tríó Guðmundar Ingólfssonar. Nessa época ela já havia decidido se lançar em carreira solo, mas o contrato com a gravadora previa o lançamento de três álbuns, então ela concordou em gravar mais um com os Sugarcubes.

Stick Around for Joy seria lançado em fevereiro de 1992, e faria um enorme sucesso de público e crítica. Os Sugarcubes abririam duas vezes para o U2 nos Estados Unidos durante a turnê ZooTV, seriam eleitos a maior banda de rock da Islândia de todos os tempos, e ainda teriam lançada uma coletânea de remixes, It's-It, antes de seu fim definitivo, no Natal de 1992, após um último show no clube Tunglið, em Reykjavík. No início de 1993, Björk se mudaria para Londres para investir em sua carreira solo.

O primeiro álbum de Björk pós-Sugarcubes se chamaria Debut, e seria lançado em junho de 1993. Produzido por Nellee Hooper (que havia trabalhado com o Massive Attack), faria um sucesso estrondoso, rendendo um Disco de Platina nos Estados Unidos e sendo eleito álbum do ano pela prestigiada revista britânica NME. Sua principal música de trabalho, Human Behaviour, não tocaria muito nas rádios, mas seu videoclipe, dirigido por Michel Gondry, que, em 2004, ganharia um Oscar por Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, seria um dos mais exibidos pela Mtv, e um dos principais responsáveis pela popularidade do álbum. Outras músicas de trabalho eram Venus as a Boy, Big Time Sensuality e Violently Happy. Metade das faixas do álbum era de canções que Björk vinha compondo desde a adolescência, com a outra metade sendo de novas compostas em parceria com Hooper, mais um cover do standard de jazz Like Someone in Love; enquanto trabalhavam nas canções de Debut, Björk e Hooper também comporiam Bedtime Story, que acabaria sendo gravada por Madonna. O sucesso do álbum renderia a Björk dois prêmios no BRIT Awards, o prêmio mais importante da indústria fonográfica britânica, de Melhor Cantora Internacional e Melhor Revelação Internacional.

Um novo álbum de Björk, Post seria lançado em junho de 1995, e teria uma pegada mais dance e techno que Debut, motivada, principalmente, por seus produtores - além de Björk e Hooper, o álbum seria produzido por Howie B, produtor de álbuns de música eletrônica, pelo rapper Tricky e por Graham Massey, da banda techno 808 State. Post teria nada menos que seis músicas de trabalho: Army of Me, Isobel, It's Oh So Quiet, Hyperballad, Possibly Maybe e I Miss You; todas elas seriam bastante executadas pelas rádios britânicas, embora a execução nos Estados Unidos, mais uma vez, tenha sido pouca, com os clipes conseguindo mais espaço na Mtv que as canções nas rádios - ainda assim, Post, mais uma vez, renderia um Disco de Platina nos EUA. O álbum também ficaria na sétima posição de uma lista dos 90 melhores álbuns dos anos 1990, organizada pela conceituada revista Spin, e renderia a Björk mais um prêmio de Melhor Cantora Internacional no BRIT Awards.

Após o lançamento de Post, Björk seria confrontada pelo lado ruim da fama, passando a reclamar constantemente do assédio de repórteres e paparazzi. Em 1996, ao viajar para um show na Tailândia, ela expressaria que não atenderia a repórteres fora de uma conferência previamente marcada, mas, mesmo assim, um batalhão deles a esperava no aeroporto, e uma delas chegaria a ser agredida pela cantora ao tentar segurar Sindri para fazer-lhe perguntas sobre a mãe. Também em 1996, um fã obsessivo indignado por Björk ter começado a namorar com o DJ Goldie decidiria enviar uma carta para a cantora armada com um dispositivo que espirraria ácido em quem a abrisse e se suicidar em seguida; felizmente, a polícia descobriria o plano e interceptaria a carta antes de Björk recebê-la.

O álbum seguinte de Björk traria um som bastante experimental, com o qual a cantora começaria a dar uma guinada em sua carreira. Lançado em setembro de 1997, Homogenic seria gravado na Espanha, e teria como músicas de trabalho Jóga (pronunciado como yoga), Bachelorette, Hunter, Alarm Call e All Is Full of Love. O clipe de All Is Full of Love, dirigido por Chris Cunnigham, seria um dos mais aclamados da história da Mtv, e seria o primeiro DVD-single lançado nos Estados Unidos, iniciativa que mais tarde seria adotada por vários outros artistas. Homogenic seria aclamado pela crítica - renderia seu terceiro prêmio de Melhor Cantora Internacional no BRIT Awards - mas venderia menos que seus antecessores, rendendo apenas um Disco de Ouro.

Em 1999, o diretor Lars von Trier convidaria Björk para compor a trilha sonora de seu filme Dançando no Escuro. Durante a produção, ele ficaria tão impressionado com a cantora que a convidaria para ser sua protagonista, Selma, uma mulher que luta para conseguir pagar por uma operação sem a qual seu filho ficará cego. Björk seria extremamente elogiada por sua atuação, ganhando a Palma de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Cannes - com o filme ganhando a de Melhor Filme na mesma premiação - e sendo indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática - que perderia para Julia Roberts em Erin Brockovich. Ela ficaria tão esgotada emocionalmente com sua entrega ao papel, porém, que chegaria a declarar que jamais voltaria a atuar novamente - anos mais tarde, ela também declararia que von Trier a assediava sexualmente constantemente durante as filmagens e que todos pareciam achar isso normal, o que a deixaria extremamente desiludida com a indústria do cinema. A trilha sonora composta por ela para o filme seria lançada em setembro de 2000 com o nome de Selmasongs, e a principal canção do filme, I've Seen It All, seria indicada para o Globo de Ouro e para o Oscar de Melhor Canção Original - perdendo ambos para Things Have Changed, de Bob Dylan, do filme Garotos Incríveis.

Em agosto de 2001, Björk lançaria o álbum Vespertine, que teria uma direção totalmente contrária à de Homogenic, com músicas mais introspectivas, sobre temas mais pessoais, e nas quais a cantora era companhada por orquestras e corais. A turnê que ela fez para promovê-lo teve shows apenas em teatros e casas de ópera, nos quais ela era acompanhada pelos músicos Matmos e Zeena Parkins e por um coral formado por inuit, o qual ela foi à Groenlândia especialmente para selecionar. Vespertine seria o álbum de vendagem mais rápida da carreira de Björk, alcançando um milhão de cópias vendidas no mundo inteiro antes do final do ano, mas, nos Estados Unidos, não venderia o suficiente para receber certificação; em compensação, ele seria o primeiro a chegar ao primeiro lugar de uma das paradas da Billboard, a de música eletrônica. Suas músicas de trabalho seriam Hidden Place, Pagan Poetry e Cocoon, e, mais uma vez, chamariam mais atenção pelos clipes que por sua execução nas rádios: o clipe de Pagan Poetry trazia Björk de topless, pessoas fazendo piercing e uma simulação de sexo oral, e acabaria sendo pouco exibido pela Mtv, e, quando o fosse, seria censurado; já o de Cocoon trazia Björk aparentemente nua (na verdade, com uma malha cor de pele) secretando uma espécie de lã vermelha pelos mamilos, que a envolvia em um casulo (que, em inglês, é cocoon), e sequer seria exibido pela Mtv.

Em 2002, Björk daria a luz a uma menina, Isadora Bjarkardóttir Barney, sua filha com o artista plástico norte-americano Matthew Barney. Naquele mesmo ano, seria lançada a coletânea Greatest Hits, com os maiores sucessos de seus quatro álbuns anteriores, escolhidos pelos próprios fãs através de uma votação no site oficial da cantora, mais uma faixa inédita, It's in Our Hands. A coletânea também seria lançada em DVD, com todos os clipes de Björk até o momento.

O álbum seguinte de inéditas, Medúlla, seria lançado em agosto de 2004, mais uma vez seguindo em uma direção oposta e inesperada: as canções são quase que inteiramente a capella, sem qualquer acompanhamento musical, apenas com a presença aqui e ali de algum instrumento. Elas contam com a participação especial de diversos outros artistas, como Mike Patton, vocalista da banda Faith No More; Robert Wyatt, da banda Soft Machine; o beatboxer japonês Dokaka; o cantor de hip hop Rahzel; e a cantora inuit canadense Tanya Tagaq. Medúlla teria apenas duas músicas de trabalho, Who is It e Triumph of a Heart, mas também traria as primeiras músicas gravadas por Björk em islandês desde sua adolescência, Vökuró, Öll Birtan e Miðvikudags, além da faixa-bônus Komið, para quem o comprasse pelo iTunes. Uma de suas faixas, Oceania, seria cantada por Björk na abertura das Olimpíadas de 2004, em Atenas, Grécia.

Em 2005, Björk e Barney participariam do filme Drawing Restraint 9, no papel de dois ocidentais que visitam um navio baleeiro japonês e se transformam em duas baleias; mudo, o filme, escrito e dirigido por Barney, tinha apenas sons ambientes e uma trilha sonora composta pela própria Björk, lançada em julho daquele ano. Ainda em 2005, Björk participaria do documentário Screaming Masterpiece, sobre a história do rock na Islândia, e que trazia cenas de apresentações dos Sugarcubes e da Tappi Tíkarrass, entremeadas por uma entrevista com a cantora. Em novembro de 2006, os Sugarcubes se reuniriam para uma única apresentação em Reykjavík, com renda revertida para a Smekkleysa, que, já há alguns anos, passara a atuar como uma organização sem fins lucrativos voltada ao desenvolvimento da música contemporânea islandesa. Em 2007, Björk regravaria The Boho Dance para um tributo à cantora Joni Mitchell, e recusaria o papel de protagonista no filme Sonhando Acordado, de Gondry, papel que acabaria ficando com Charlotte Gainsbourg - ela aceitaria, entretanto, emprestar sua voz para a protagonista da animação islandesa Anna og Skapsveiflurnar.

O álbum seguinte de Björk, Volta, seria lançado em maio de 2007, e marcaria um retorno à música eletrônica. Ele seria o primeiro da cantora a entrar no Top 10 da Billboard, chegando à nona posição, além de chegar à primeira posição da parada de música eletrônica, mas, mais uma vez, não conseguiria certificação. Suas músicas de trabalho seriam Earth Intruders, Innocence, Declare Independence, Wanderlust e The Dull Flame of Desire. No ano seguinte, ela lançaria Náttúra, single vendido exclusivamente pela internet, cuja renda seria revertida para a preservação do meio ambiente na Islândia.

O projeto seguinte de Björk se chamaria Biophilia. Mais que um álbum, ele seria composto de uma série de apps para iPad, uma turnê especial com shows e palestras sobre ciência e natureza, e um programa educacional voltado para crianças entre 10 e 12 anos, explorando a relação entre música, ciência e meio-ambiente. O programa seria elogiadíssimo, e a prefeitura de Reykjavík decidiria adotá-lo em todas as escolas públicas da cidade. O projeto ganharia vários prêmios na Europa, com os apps sendo selecionados para o acervo do MoMA, o Museu de Arte Moderna da cidade de Nova Iorque (na primeira vez em que apps foram selecionados para fazer parte do acervo de um museu), e um dos shows, realizado no Alexandra Palace de Londres, sendo filmado e exibido em mais de 400 cinemas ao redor do mundo com o nome de Björk: Biophilia Live. Biophilia, o álbum, seria lançado em outubro de 2011, e teria como músicas de trabalho Crystalline, Cosmogony, Virus e Moon. O álbum mais uma vez chegaria ao topo da parada de música eletrônica da Billboard, mas mais uma vez venderia pouco e não conseguiria certificação.

O álbum seguinte, Vulnicura, acabaria vazando na internet, e, para tentar diminuir o prejuízo, seria lançado no iTunes em janeiro de 2015, com a versão física sendo lançada somente em março. Com letras emotivas que faziam referência ao fim do relacionamento de Björk com Barney, o álbum seria extremamente elogiado pela crítica, mas falharia em cativar o público; uma das razões para isso foi que, em mais uma inovação, Björk decidiria que ele não teria nenhuma música de trabalho, com, ao invés disso, cada uma de suas faixas tendo um clipe, com todos eles sendo reunidos em uma mostra chamada Björk Digital, na qual os visitantes poderiam assisti-los em um ambiente de realidade virtual em 360 graus. Em novembro de 2015, seria lançado um "álbum-complemento", chamado Vulnicura Strings, no qual todas as faixas são reinterpretadas usando apenas instrumentos de cordas, incluindo um chamado viola organista, inventado por Leonardo da Vinci. Uma semana depois, Vulnicura Live, uma versão ao vivo do álbum, seria lançada, primeiro em tiragem limitada, que se esgotou rapidamente, depois com nova arte em edição regular.

O mais recente álbum de Björk se chama Utopia, e está previsto para ser lançado em novembro de 2017, também conhecido como mês que vem. Fãs ansiosos já esperam pelo que ela vai inventar dessa vez, pois Björk parece estar sempre em inovação, jamais satisfeita em fincar raízes em um único estilo musical, e sempre na vanguarda quando se trata de promover seus álbuns.

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