segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Pantera Negra

Hoje eu vou falar de mais um super-herói da Marvel que está em voga graças aos recentes filmes para o cinema, o Pantera Negra. Tendo estreado em julho de 1966, o Pantera Negra foi não somente o primeiro super-herói negro da Marvel, mas também o primeiro personagem negro com superpoderes nos quadrinhos - embora, antes dele, já existisse uma revista dedicada apenas a personagens negros, a All-Negro Comics, lançada por uma editora de mesmo nome em 1947; a Atlas Comics, que viria a se transformar na Marvel, tivesse um herói negro chamado Waku, um príncipe africano que estreou na revista Jungle Tales em setembro de 1954; e a Dell Comics tivesse um herói chamado Lobo, cujas aventuras eram ambientadas no Velho Oeste, e que foi o primeiro herói negro a ter sua própria revista, em dezembro de 1965; nenhum deles tinha superpoderes, e nenhum teria o alcance do Pantera Negra, já que essas editoras eram pequenas e vendiam pouco. Vale citar, também, que o primeiro super-herói negro da DC, Jon Stewart, só estrearia mais de cinco anos após o Pantera Negra, em dezembro de 1971.

Enfim, o Pantera Negra foi o primeiro super-herói negro da Marvel, criado na década de 1960, mas estava longe de ser o estereótipo que todos esperavam de um herói negro daquela época (exceto, talvez, pelo fato de ser africano, e não afro-americano). Rico, extremamente inteligente e rei de uma nação africana, a fictícia Wakanda, altamente avançada em termos de tecnologia e desenvolvimento humano, o Pantera Negra, cujo nome verdadeiro era T'Challa (pronunciado "titchála") obtinha seus poderes de uma planta em formato de coração, que cresce apenas em Wakanda e precisa ser preparada de acordo com uma receita secreta conhecida apenas pelos sacerdotes do local para que confira a quem a ingere força, agilidade, velocidade, vigor, resistência e reflexos sobre-humanos, além de cura acelerada. De acordo com os wakandanos, esses poderes não vêm diretamente da ingestão da planta, e sim do fato de que, ao ingeri-la, a pessoa entra em contato direito com o deus-pantera de Wakanda, que passa a lhe conferir os meios necessários para proteger seu país e seu povo. Dessa forma, não é qualquer um que pode ingerir a planta, que, aliás, é extremamente venenosa, apenas o atual rei de Wakanda (cuja linhagem possui uma imunidade hereditária ao veneno da planta), que passa a ser, também, seu protetor, assumindo não somente os poderes, mas também o manto e o nome do Pantera Negra - T'Challa os assumiria após seu pai, T'Chaka, ser assassinado pelo aventureiro Ulysses Klaw (que, após uma série de eventos se tornaria um vilão recorrente da Marvel chamado Garra Sônica).

Além dos superpoderes, T'Challa possui um intelecto privilegiado, tendo pós-doutorado em física pela Universidade de Oxford, além de ser um exímio caçador, rastreador, estrategista, político e inventor, sem descuidar de sua forma física, tendo habilidades em ginástica olímpica, diversas artes marciais e várias formas de luta originárias da África. O Pantera Negra também tem à sua disposição alguns artefatos místicos que pertencem à sua família há várias gerações, e todo o arsenal de Wakanda, que, segundo consta, tem o exército mais poderoso e mais bem equipado da África, e o mais tecnologicamente avançado do planeta. Wakanda se orgulha de jamais ter sido invadida em toda a sua história, e não foi por falta de tentativas, já que o país desperta a cobiça de vizinhos, de nações rivais e de aventureiros em busca de ganho fácil por possuir as únicas reservas encontradas em nosso planeta do poderosíssimo metal vibrânio, um dos componentes do escudo do Capitão América, e que tem uma ampla gama de usos militares. Para manter suas tradições intactas e suas reservas protegidas, Wakanda é um dos países mais isolados do mundo, sendo difícil até mesmo estabelecer relações comerciais com eles.

Criado por Stan Lee e Jack Kirby, a estreia do Pantera Negra no Universo Marvel se daria na revista Fantastic Four 52, na qual ele convida o Quarteto Fantástico para visitar Wakanda, mas, inexplicavelmente, os ataca. Na verdade, ele queria testar suas próprias habilidades, para ver se estava pronto para enfrentar Klaw - que ainda não havia se tornado Garra Sônica, mas queria vingança por T'Challa ter decepado sua mão, a qual substituiu com um aparelho emissor de ondas sonoras que viria a ser a origem de seu nome de vilão. Após a luta amistosa, o Pantera Negra e o Quarteto Fantástico se tornariam amigos, com o Quarteto o ajudando na luta contra Klaw (nas edições 53 a 56) e o Pantera os ajudando a enfrentar o Homem Psíquico, em uma aventura publicada em novembro de 1967 na Fantastic Four Annual 5, mais uma vez com roteiro de Lee e arte de Kirby. Sua aventura seguinte, em três partes publicada entre janeiro e março de 1968 na revista Tales of Suspense 97, 98 e 99, seria em parceria com o Capitão América, com os dois heróis se unindo para enfrentar o Barão Zemo em Wakanda, mais uma vez com roteiro de Lee e arte de Kirby.

Depois dessa aventura, o Pantera Negra receberia um convite do Capitão para se unir aos Vingadores, o que fez na Avengers 52, de maio de 1968, quando a equipe combateria o Ceifador. O herói ficaria na equipe até a edição 88, de maio de 1971, período durante o qual a revista passou por uma fase bastante elogiada, com roteiros de Roy Thomas e arte de nomes como Gene Colan, Barry Windsor-Smith e John e Sal Buscema, e que incluiu o surgimento de Ultron, um dos maiores inimigos dos Vingadores. Mesmo após sair oficialmente da equipe, o Pantera Negra ainda seria figura recorrente na revista Avengers até 1996 - quando a equipe seria reformulada na infame saga Heróis Renascem.

Logo após deixar os Vingadores, o Pantera Negra enfrentaria ninguém menos que o Dr. Destino, que tentaria invadir Wakanda em uma história publicada na Astonishing Tales 6 e 7, em julho e agosto de 1971. Sua aparição seguinte seria na Fantastic Four 119, de fevereiro de 1972, e contaria com uma curiosidade; nela, o herói não se chamaria Pantera Negra (Black Panther) e sim Leopardo Negro (Black Leopard), por razões políticas: quando Lee criou o personagem, ainda não existia o partido político Black Panther Party (conhecido no Brasil como "Os Panteras Negras"), que lutava pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, muitas vezes usando de violência, e ficaria famoso mundialmente quando dois atletas negros, Tommie Smith e John Carlos, fizessem o sinal característico do movimento liderado pelo partido ao receber, no pódio, suas medalhas de ouro e bronze nas Olimpíadas de 1968, na Cidade do México. O partido seria fundado em outubro de 1966, três meses após a estreia do personagem, mas, mesmo assim, muitos associavam um ao outro, com até mesmo algumas fontes citando, erroneamente, que Lee teria batizado o personagem em homenagem ao partido - segundo Lee, ele teria optado por esse nome ao se lembrar de um herói pulp do qual gostava, que vivia aventuras na África e tinha uma pantera negra que o acompanhava, e por achar que Pantera Negra seria um bom nome para um herói negro. Insatisfeito com a associação feita entre seu personagem e o partido, Lee decidiria mudar o nome do herói, mas, após o lançamento da Fantastic Four 119, voltaria atrás, e decidiria continuar usando o nome original, porque, segundo ele, "os leitores não se importavam com o nome". Vale citar ainda, como curiosidade, que, nos primeiros esboços de Kirby para o personagem, ele se chamava Coal Tiger (o "tigre de carvão").

Em outubro de 1972, a Marvel decidiria ressuscitar a revista Jungle Action, que teve seis edições publicada pela Atlas Comics entre outubro de 1954 e agosto de 1955, e que trazia as aventuras de um clone loiro do Tarzan chamado Tharn, que a Marvel queria integrar a seu universo. Inicialmente, porém, nem Tharn nem a revista fariam sucesso, e, para tentar salvá-la, na edição 5 seria republicada a história da Avengers 62, de março de 1969, da qual o Pantera Negra era o protagonista. Essa edição venderia bem, e a Marvel decidiria, a partir da edição 6, de setembro de 1973, fazer da Jungle Action a revista mensal do Pantera Negra (inclusive mudando seu nome para Jungle Action featuring the Black Panther). Com roteiros de Don McGregor e arte de Rich Buckler, Gil Kane e Billy Graham, a revista seria publicada até a edição 24, de novembro de 1976, e traria dois arcos de história: o aclamadíssimo A Fúria do Pantera, publicado entre as edições 6 e 18, considerado por muitos como a primeira graphic novel da Marvel, pela forma como as histórias se interligavam, apesar de cada uma ter um vilão e um enredo diferentes, e o controverso Pantera Negra contra o Klan, publicado entre as edições 19 e 22, no qual o herói enfrenta a Ku Klux Klan, a organização norte-americana que luta pela supremacia branca, quase sempre usando de violência contra os negros. Caso alguém esteja curioso, a edição 23 foi uma reimpressão da Daredevil 69, de outubro de 1970, na qual o Pantera Negra e o Demolidor se unem para salvar a vida de uma criança, e, na edição 24, o Pantera Negra enfrenta um vilão chamado Águia do Ar em uma história sem conexão com um arco específico.

Talvez devido ao controverso arco da Ku Klux Klan, as vendas da Jungle Action cairiam drasticamente, e a revista acabaria sendo cancelada, colocando o Pantera Negra na aposentadoria até janeiro de 1977, quando seria lançada a revista Black Panther, com roteiros e arte de Kirby. Mas Kirby, que estava acabando de voltar de um período no qual trabalhou para a DC, queria criar novos heróis, e não ficou satisfeito de trabalhar com um que já existia. Archie Goodwin, o então editor da Marvel, ainda o convenceria a ficar até a edição 12, mas depois ele sairia, sendo substituído nos roteiros por Ed Hannigan e na arte por Jerry Bingham, que ficariam até a edição 15, de maio de 1979. Desde o início, as vendas da Black Panther foram abaixo do esperado, e caíram ainda mais após a saída de Kirby, o que levou ao seu cancelamento após a edição 15; Hannigan e Bingham, porém, já haviam preparado mais três histórias, e, para não descartá-las, a Marvel as publicaria na bimestral Marvel Premiere 51, 52 e 53, entre dezembro de 1979 e abril de 1980.

O Pantera Negra ficaria por oito anos na aposentadoria, até estrelar uma minissérie de quatro edições também chamada Black Panther, lançada entre julho e outubro de 1988, com roteiros de Peter B. Gills e arte de Denys Cowan, na qual ele perde seus poderes, e deve lutar para continuar sendo o soberano de Wakanda. A minissérie seria um grande sucesso, mas, ao invés de seguir com a revista Black Panther, a Marvel decidiria seguir com as histórias do herói na quinzenal Marvel Comics Presents, começando pela edição 13, de fevereiro de 1989, que iniciava a saga em 25 partes (!) A Busca do Pantera, de Don McGregor e Gene Colan, na qual o Pantera Negra embarca em aventuras para aprender mais sobre seu passado, principalmente sobre sua mãe. Com o fim da saga, na edição 37, de dezembro de 1989, o herói também deixaria a Marvel Comics Presents, ficando mais de um ano desaparecido até retornar em mais uma minissérie, Black Panther: Panther's Prey, de McGregor e Dwayne Turner, publicada em quatro edições entre maio e outubro de 1991, na qual ele enfrenta o vilão alado Solomon Prey. Black Panther: Panther's Prey tinha fortes histórias secundárias, que mostravam o Pantera Negra viajando aos Estados Unidos e reencontrando um amor do passado, e ainda abordava a questão das drogas, com um personagem secundário morrendo de overdose. A minissérie não faria sucesso, e, exceto por algumas participações especiais na Avengers, o Pantera Negra passaria a década de 1990 aposentado.

O herói só retornaria em 1998, com um novo relançamento da revista Black Panther, com numeração recomeçando do 1, dessa vez dentro do selo Marvel Knights, cujas revistas traziam histórias com grandes doses de violência e enredo mais adulto que o padrão da editora. O roteirista responsável pelo relançamento seria Christopher Priest, que reformularia vários vilões clássicos do Pantera Negra, além de criar personagens secundários de destaque e um tanto polêmicos, como um meio-irmão do herói, chamado Hunter, e sua protegida, Queen Divine Justice. Priest desejava realçar as características africanas do herói, que, segundo ele, sempre foi retratado de forma errada, visando agradar aos leitores brancos. A estratégia aparentemente daria certo, já que a revista, cujas primeiras edições contaram com a arte bastante elogiada de Mark Texeira, seria aclamada pela crítica e venderia bastante bem, o que garantiria que ela fosse a mais longeva série estrelada pelo Pantera Negra, com 62 edições, a última lançada em setembro de 2003. Na edição 50, Priest tomaria uma decisão ousada e polêmica, ao transformar o policial novaiorquino Kasper Cole no novo protagonista, um herói idêntico ao Pantera Negra, mas chamado Tigre Branco, relegando T'Challa a um papel secundário. A mudança não agradaria aos fãs e as vendas da revista cairiam vertiginosamente, o que acabaria levando ao seu cancelamento.

A Black Panther seria mais uma vez relançada, com a numeração novamente recomeçando do 1, em abril de 2005. Com roteiros do diretor e roteirista de cinema Reginald Hudlin, a revista focava no aspecto do herói como governante de Wakanda, seus atributos como monarca, sua relação como seu povo e as origens do ritual do Pantera Negra. As seis primeiras edições formariam a saga Quem é o Pantera Negra?, com arte de John Romita Jr., uma das histórias mais elogiadas da Marvel. A revista também cobriria o casamento de T'Challa com Ororo Munroe, mais conhecida como a X-Men Tempestade, a qual conheceu ainda na adolescência e pela qual sempre foi apaixonado (conforme visto na minissérie Storm, em seis edições lançadas entre maio e novembro de 2006), e mostraria a repercussão do envolvimento do Pantera Negra na saga Guerra Civil e sua participação na Invasão Secreta, além de trazer histórias ambientadas nos universos paralelos de Dinastia M e Zumbis Marvel.

A quarta versão da Black Panther duraria 41 edições, a última lançada em novembro de 2008, e seria cancelada não por baixas vendas, e sim por uma decisão editorial, tanto que a revista seria novamente relançada, e novamente com numeração começando do 1, em fevereiro de 2009, ainda com Hudlin como roteirista. A quinta versão da Black Panther era protagonizada pela irmã de T'Challa, Shuri, que assumiria o manto e o nome de Pantera Negra, ficando seu irmão mais uma vez restrito a um papel secundário. Jonathan Maberry assumiria os roteiros e Will Conrad a arte na edição 7, mas, devido a baixas vendas, a revista seria cancelada na 12, em março de 2010.

Curiosamente, a quinta versão da Black Panther começaria interligada com a saga Reino Sombrio e terminaria com a Doomwar, saga na qual o Dr. Destino tenta invadir Wakanda para se apoderar do vibrânio; a aparição seguinte do Pantera Negra (T'Challa, não Shuri), portanto, seria ao lado do Quarteto Fantástico na minissérie Doomwar, com seis edições lançadas entre abril e setembro de 2010. Depois de derrotar o vilão, ele aceitaria um convite de Matt Murdock para assumir o manto do Demolidor e se tornar o novo protetor da Cozinha do Inferno, passando a estrelar a revista Daredevil a partir da edição 513, em fevereiro de 2011, quando ela seria renomeada para Black Panther: The Man Without Fear ("o homem sem medo", apelido do Demolidor), mas mantendo a numeração. Para ficar mais próximo da população, T'Challa passaria a trabalhar em um pequeno restaurante e se identificar como Sr. Okonkwo, um imigrante da República Democrática do Congo. O Pantera Negra ficaria à frente da publicação até a edição 523, de novembro de 2011.

Depois de Black Panther: The Man Without Fear, o herói passaria um tempo sem revista própria, aparecendo apenas em sagas como Vingadores vs. X-Men e as novas Guerras Secretas. Ele também voltaria a fazer parte dos Vingadores, a partir da revista New Avengers 1, de março de 2013. A mais recente revista estrelada pelo herói é, novamente, a Black Panther, relançada em junho de 2016, com roteiros de Ta-Nehisi Coates e arte de Brian Stelfreeze, que coloca o Pantera Negra contra um grupo terrorista que realiza ataques em Wakanda.

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