segunda-feira, 22 de junho de 2015

Saltos Ornamentais / Nado Sincronizado

Meus posts esportivos não estão conseguindo sair da água. Como eu mencionei no post sobre finswimming, quando decidi escrever o post sobre natação, imaginei algumas estratégias que poderia usar para aumentá-lo caso ele ficasse curto demais. No fim, o post ficou com um tamanho satisfatório, e eu acabei não precisando utilizá-las. Uma dessas estratégias, entretanto, daria origem ao já citado post sobre finswimming. Outra dará origem ao post de hoje.

Essa outra estratégia, no caso, era fazer com o post da natação, de certa forma, o mesmo que eu fiz com posts sobre esportes como ciclismo e equitação: como a natação não é o único esporte regulado pela FINA - a Federação Internacional de Natação - eu aproveitaria o post para falar sobre os demais. Ao todo, a FINA regula seis esportes; sobre um deles, o polo aquático, eu já havia falado em um post próprio, de forma que faltavam cinco. Acabou, porém, que eu só falei sobre dois no da natação, a natação em si e a natação em águas abertas, que a FINA considera um esporte em separado. Sobram três, portanto, que veremos a partir de agora.

O primeiro, como o título do post atesta, são os saltos ornamentais. Neste esporte, para quem não sabe, o atleta salta de uma plataforma ou trampolim de uma determinada altura em direção a uma piscina, e, enquanto cai, deve fazer movimentos acrobáticos, recebendo notas por eles, e sendo o vencedor aquele que conseguir a maior. Os saltos ornamentais podem não ter a mesma popularidade aparente de esportes como o futebol, o atletismo e a própria natação, mas são responsáveis por um dado curioso: normalmente, nos torneios onde há uma competição de saltos ornamentais, incluindo as Olimpíadas, os ingressos para esse esporte ficam sempre dentre os mais procurados, e, não raro, estão dentre os primeiros a se esgotar.

Os saltos ornamentais têm sua origem em outro esporte bem menos belo, chamado mergulho à distância, que, por sua vez, foi criado quando um grupo de nadadores, por volta do ano 1880, na Inglaterra, decidiu disputar uma prova de natação sem a parte da natação - basicamente, eles se jogavam na água e boiavam com a inércia do movimento inicial até o mais longe que conseguissem, sendo vencedor da prova o que alcançasse a maior distância. O mergulho à distância jamais se tornou um sucesso de público ou crítica - a maioria dos espectadores achava o esporte muito chato ou não entendia o que estava acontecendo, e, para os jornalistas da época, não era necessária qualquer habilidade atlética para ser bem sucedido nesse esporte, com inclusive os competidores mais gordos tendo vantagem sobre os mais leves - mas, curiosamente, era extremamente popular dentre os nadadores, que inclusive se dedicavam a desenvolver novas técnicas de salto para que uma maior distância fosse alcançada. No início do século XX, a popularidade do mergulho à distância nos Estados Unidos era tamanha que os atletas da natação conseguiram convencer os organizadores das Olimpíadas de 1904, em Saint Louis, a incluir uma prova desse esporte no programa. Depois disso, porém, a popularidade do esporte foi diminuindo, e ele não só não voltaria a ser disputado em uma Olimpíada como também desapareceria completamente - a última competição oficial de que se tem notícia foi a edição do Campeonato Mundial de Mergulho à Distância realizada em Londres em 1937.

A principal razão para a derrocada do mergulho à distância seria a popularização de um outro esporte, também surgido na Inglaterra, mas dez anos depois, em 1890. Apelidado de plain high diving, algo como "mergulho alto simples", ele envolvia mergulhar não da borda da piscina, como no mergulho à distância, mas sim de uma plataforma de altura elevada. A primeira plataforma construída especialmente para uma competição desse esporte seria erigida na lagoa de Hampstead, em 1893, e teria 4,5 metros de altura, mas, já em 1895, a Real Sociedade de Salva-Vidas Britânica, responsável pela regulação do esporte, estabeleceria as alturas de 5 e de 10 metros como oficiais. Assim como ocorreu com o mergulho à distância, a popularidade do plain high diving faria com que os atletas convencessem os organizadores das Olimpíadas de 1904 a incluí-lo no programa; diferentemente do que ocorreu com o outro esporte incluído junto com ele, esse conseguiu manter-se lá durante um tempo, sendo disputado até as Olimpíadas de 1924. Também diferentemente do mergulho à distância, o plain high diving jamais foi totalmente extinto, com algumas federações nacionais realizando campeonatos dessa modalidade até hoje.

No plain high diving, cada atleta realizava dois saltos, um iniciando parado na ponta da plataforma, outro iniciando com uma corrida, e recebia uma nota pela "graciosidade" de cada um deles, sendo as notas somadas e aquele com a maior nota declarado vencedor; o atleta não realizava, porém, qualquer pirueta ou movimento acrobático durante a queda, se limitando a mergulhar da forma mais graciosa possível, seja lá o que isso queria dizer. Faltava, portanto, um elemento para que o esporte dos saltos ornamentais ficasse como o conhecemos hoje. E esse elemento seria introduzido pelos suecos Otto Hagborg e C.F. Mauritzi, também no início do século XX.

Desde o início do século XIX, os ginastas alemães tinham o hábito de treinar seus movimentos em plataformas sobre a água, pois, se caíssem, se machucariam menos. Quando a prática desportiva da ginástica chegou à Suécia, os atletas de lá mantiveram o costume. Alguns, como diversão, começaram a saltar na água de propósito, fazendo durante o salto as acrobacias que estavam acostumados a realizar nos treinamentos. Isso não chegaria a se tornar um esporte, mas logo atrairia a atenção de pessoas que não eram ginastas, com alguns até começando a imitá-los.

Hagborg e Mauritzi eram, originalmente, atletas da natação, e começaram a saltar na água fazendo acrobacias por diversão. Em 1901, ambos estavam na Inglaterra para uma competição de natação, e decidiram visitar a lagoa de Hampstead, que, então, já contava com duas plataformas, nas alturas de 5 e 10 metros. Lá, eles efetuaram saltos com piruetas a partir da plataforma de 10 metros, chamando a atenção dos presentes e criando um novo esporte, que se tornaria conhecido como fancy diving, algo como "mergulho extravagante". O fancy diving seria incluído nas Olimpíadas nos Jogos de 1908, em Londres, e não sairia mais do programa.

1908 também seria o ano da fundação da FINA, que, desde o início, também seria a responsável pela regulação internacional dos saltos ornamentais - nome que ela mesma definiria como oficial desse esporte, substituindo fancy diving. Ter a FINA como órgão máximo, porém, é motivo de uma certa discórdia entre os atletas dos saltos ornamentais, que acham que ela dá muito mais atenção à natação que aos demais esportes que regula. Na maioria dos 204 países membros da FINA, a entidade nacional também é a mesma para a regulação da natação e dos saltos ornamentais, e, em muitos deles, os atletas lutam para que seja criada uma federação de saltos ornamentais em separado, mas esbarram em um problema: apenas atletas filiados a federações nacionais reconhecidas pela FINA podem participar de competições internacionais, ou seja, se um grupo de insatisfeitos romper com sua federação nacional de natação, fundar uma federação nacional de saltos ornamentais, e essa não for reconhecida pela FINA, não vai adiantar nada, pois seus afiliados ficarão de fora das competições da FINA, como as Olimpíadas e o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos.

As competições dos saltos ornamentais são realizadas em duas modalidades, o trampolim e a plataforma. O trampolim é uma prancha de madeira ou alumínio, que confere um impulso ao atleta quando ele salta sobre ela. A rigidez do trampolim - e, logo, a altura do impulso - pode ser regulada antes de cada salto pelo próprio atleta através de uma espécie de engrenagem, chamada fulcro. Um trampolim oficial tem 4,8 metros de comprimento por 50 cm de largura; não há requerimento oficial para a espessura, determinada pelo fabricante através de testes de flexibilidade - um trampolim muito grosso seria pouco flexível e pouco prático, enquanto um muito fino, embora super flexível, poderia se quebrar durante a competição. Existem duas alturas oficiais de trampolim nas competições da FINA, o trampolim de 1 metro e o de 3 metros.

Já a plataforma é feita de concreto, e não tem qualquer flexibilidade. Existem plataformas nas alturas de 1 metro, 3 metros, 5 metros, 7 metros (na verdade 7,5 metros) e 10 metros, sendo que competições da FINA sempre usam a de 10 metros. As plataformas de 1 e 3 metros têm 5 metros de comprimento por 60 cm de largura cada, as de 5 e 7 metros têm 6 metros de comprimento por 1,5 metro de largura cada, e a de 10 metros tem 6 metros de comprimento por 3 metros de largura. Independentemente de sua altura, a plataforma deve ter entre 20 e 30 cm de espessura, e não precisa ser perfeitamente paralela à linha da água, podendo ter uma inclinação de no máximo 10 graus para cima ou para baixo. Caso uma mesma piscina tenha mais de um trampolim ou plataforma, eles não podem, evidentemente, ficar uns sobre os outros, devendo ser arrumados com distâncias mínimas de segurança entre si.

Uma competição de saltos ornamentais pode usar uma piscina exclusiva para esse esporte ou uma área de uma piscina compartilhada com outros esportes aquáticos, como a natação e o polo aquático. Ela deve ter, porém, no mínimo 18,29 metros de comprimento por 22,89 metros de largura. Sua profundidade mínima depende da modalidade: para o trampolim de 1 metro, a piscina deve ter, no mínimo, 3,4 metros de profundidade; para o trampolim de 3 metros e para as plataformas de 1, 3 e 5 metros, a profundidade mínima é de 3,7 metros; para a plataforma de 7 metros deve ser de 4,1 metros; e para a de 10 metros, o mínimo é 4,5 metros. Piscinas usadas para saltos ornamentais também costumam possuir um "chuveirinho", um jato largo de gotículas lançado na direção da água, para facilitar aos atletas e árbitros a visualização da linha da água.

Assim como na ginástica, antes de realizar o salto, o atleta deve informar aos árbitros qual salto ele tentará. Existe uma lista de movimentos válidos sancionados pela FINA, e a combinação desses movimentos determinará a dificuldade do salto - quanto mais difícil, mais pontos o salto valerá se executado corretamente. Ao julgar se o salto foi realizado corretamente, os árbitros avaliam a altura máxima alcançada pelo atleta ao iniciar o salto, a distância que o atleta se afastou do trampolim ou plataforma ao saltar (que deve ficar o mais próximo possível de 60 cm), a posição corporal do atleta durante o salto (os pés, por exemplo, devem permanecer unidos), se o número correto de revoluções e piruetas daquele salto foi executado, e o ângulo de entrada na água (que deve ser o mais próximo possível de 90 graus). Diferentemente do que muita gente imagina, "levantar água" ao entrar na piscina nem sempre resulta em perda de pontos, apenas se o ângulo de entrada for ruim. Alguns saltos também exigem que o atleta comece não de pé, mas apoiado nas mão, "plantando bananeira" na plataforma; nesse caso, a rigidez do corpo e o tempo que o atleta permaneceu na posição também são avaliados.

Uma competição pode contar com um painel de cinco ou de sete árbitros. Eles não ficam todos na linha da água, e sim em cabines a diferentes alturas em relação ao trampolim ou plataforma. Cada árbitro confere uma nota de 0 a 10 a cada salto. Para evitar fraudes, caso seja um painel de cinco árbitros, a maior e a menor nota são descartadas, e as três restantes são somadas, com o resultado sendo multiplicado pelo grau de dificuldade do salto para se determinar a nota final. Caso seja um painel de sete árbitros, podem ser adotados dois métodos: no mais simples, usado nas Olimpíadas, as duas maiores e as duas menores notas são descartadas, com as três restantes sendo somadas e o resultado multiplicado pelo grau de dificuldade para determinar o resultado final; no outro, apenas a maior e a menor nota são descartadas, então as cinco restantes são somadas, o resultado é multiplicado por 3/5, e esse novo resultado é multiplicado pelo grau de dificuldade. O intuito desse método dos 3/5 é fazer com que as notas do painel de sete sejam sempre proporcionais às do painel de cinco árbitros, mesmo com mais notas sendo atribuídas.

Dependendo da competição, cada atleta tem direito a 3 ou a 6 saltos, com as notas finais de todos eles sendo somadas para se determinar a nota geral daquele atleta. Algumas competições também são divididas em múltiplas fases, com cada atleta tendo direito ao mesmo número de saltos em cada fase e começando cada nova fase com sua nota zerada - nas Olimpíadas, por exemplo, são três fases, com todos os atletas participando da preliminar, os 18 melhores se classificando para as semifinais e os 12 melhores desses 18 avançando para a final; cada atleta efetua 6 saltos por fase, e o vencedor é o que tiver a maior nota geral na final, independente de seus resultados na preliminar e na semifinal.

No final dos anos 1990, a FINA criaria um novo estilo de saltos ornamentais, chamado de salto sincronizado. Nesse estilo, dois atletas saltam juntos, devendo realizar o mesmo salto, com seus movimentos em perfeita sincronia. O salto sincronizado é julgado por um painel de nove ou onze árbitros; no de nove são três árbitros para avaliar cada atleta e três para avaliar apenas a sincronia, enquanto no de onze são três para cada atleta e cinco para a sincronia. A maior e a menor nota de cada grupo são descartadas; no painel de nove, portanto, sobram três, uma para cada atleta e uma para a sincronia, que são somadas e o resultado é multiplicado pelo grau de dificuldade. No painel de 11, usado nas Olimpíadas, sobram cinco notas, uma para cada atleta e três para a sincronia; essas notas são somadas, o resultado é multiplicado por 3/5, e o novo resultado é multiplicado pelo grau de dificuldade. Esse método garante uma maior ênfase na sincronia do que nas performances individuais de cada atleta.

Os saltos ornamentais fazem parte das Olimpíadas desde 1904 no masculino e 1912 no feminino, com o sincronizado tendo estreado em 2000; atualmente, fazem parte do programa olímpico o trampolim de 3 metros e a plataforma de 10 metros, ambos nas categorias individual masculino, individual feminino, sincronizado masculino e sincronizado feminino, para um total de 8 provas. Os saltos ornamentais também fazem parte do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, desde sua primeira edição, em 1973, no masculino e no feminino, com o sincronizado tendo estreado em 2001; atualmente, são disputadas no Mundial 13 provas: as mesmas 8 das Olimpíadas, mais as provas de trampolim de 1 metro no individual masculino e no individual feminino, as provas do trampolim de 3 metros e da plataforma de 10 metros no sincronizado misto (com cada dupla sendo formada por um homem e uma mulher), e uma prova por equipes, na qual as notas de um atleta homem e de uma mulher no trampolim de 3 metros e na plataforma de 10 metros são somadas para se determinar a equipe vencedora. Finalmente, a FINA organiza anualmente, desde 2007, a Diving World Series, uma espécie de circuito mundial de saltos ornamentais, com várias etapas ao redor do mundo (atualmente seis), e a colocação final de cada atleta em cada prova valendo pontos, que são somados para, ao final da última etapa, se determinar o campeão de cada prova. Na Diving World Series são disputadas, atualmente, 10 provas: o trampolim de 3 metros e a plataforma de 10 metros nas categorias individual masculino, individual feminino, sincronizado masculino, sincronizado feminino e sincronizado misto.

Em 2013, a FINA começaria a regular uma nova forma dos saltos ornamentais, a qual consideraria como um esporte em separado, o salto de penhasco. O salto de penhasco é realizado em águas abertas, como lagoas ou represas; embora pessoas saltassem de penhascos e pedras por diversão há milhares de anos, ele acabaria virando esporte por iniciativa da Red Bull, que, em 2009, criou uma competição anual dessa modalidade. O salto de penhasco segue os mesmos fundamentos dos saltos ornamentais, com a diferença de que o atleta, em nome da segurança, deve, obrigatoriamente, entrar na água com os pés para baixo, e não de cabeça; também em nome da segurança, os atletas não saltam de um penhasco em si, mas de uma plataforma temporária, montada especialmente para a competição, mas bem mais alta que as encontradas nas piscinas: no masculino, a plataforma tem 27 metros de altura, enquanto no feminino tem 20 metros. O salto de penhasco faz parte do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos desde 2013, mas ainda não tem um torneio oficial da FINA em separado, nem previsão de se, um dia, fará parte das Olimpíadas.

Passemos, então, ao segundo esporte do título, o nado sincronizado. O nado sincronizado surgiria não como esporte, mas como uma expressão artística, chamada balé aquático. Na virada do século XIX para o XX, várias casas de espetáculo apresentavam shows da novidade, contando com grandes tanques transparentes no palco, para que a plateia pudesse ver toda a apresentação. Na época, uma das mais famosas bailarinas era a australiana Anette Kellerman, que, inclusive, apresentaria pela primeira vez vários movimentos usados ainda hoje nas rotinas das atletas. A ideia de transformar uma apresentação de balé aquático em uma competição esportiva surgiria no Canadá, onde, por volta de 1900, os clubes de natação começariam a disputar entre si quem conseguiria apresentar as mais belas rotinas de balé aquático. Na época, o esporte era disputado por homens e mulheres.

A popularização do nado sincronizado como esporte se daria através da nadadora norte-americana Katherine Whitney Curtis, que, em 1933, prepararia um show de balé aquático para a Feira Mundial de Chicago. Embora Curtis usasse o nome "natação rítmica" para suas apresentações, o material de divulgação do espetáculo traria o nome "nado sincronizado", criado por Norman Ross, e que acabaria pegando. O grande sucesso da apresentação de Curtis levaria a um convite da Universidade de Chicago para que ela treinasse as nadadoras de lá nesse esporte. Logo outras universidades começariam a fazer o mesmo, e, em 1939, já haviam times suficientes para que fosse realizado o primeiro campeonato norte-americano de nado sincronizado. Dois anos depois, em 1941, a AAU, associação responsável pela regulação dos esportes amadores nos Estados Unidos, reconheceria o nado sincronizado como um de seus esportes oficiais. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, Curtis, que trabalhava como diretora de recreação da Cruz Vermelha, seria transferida para a Europa. Lá, ela aproveitaria não só para espalhar o esporte pelo maior número de países possível, mas também para refinar suas regras.

Curtis retornaria aos Estados Unidos em 1962, e, para sua surpresa, encontraria o nado sincronizado já como um esporte bem estabelecido e de grande sucesso, com competições de bom público e um alto número de praticantes. A principal responsável por essa popularização seria a atriz Esther Williams: nadadora de sucesso, dona de vários recordes nacionais, e só não tendo ido às Olimpíadas porque as de 1940 seriam canceladas devido á Segunda Guerra Mundial, Williams se dedicaria ao nado sincronizado pouco antes de começar a atuar, em 1942, e, quando os produtores de seus filmes descobrissem isso, decidiriam utilizar esse seu talento em seus filmes. Williams faria cenas de nado sincronizado em filmes de enorme sucesso como Escola de Sereias (1944), A Filha de Netuno (1949), A Rainha do Mar (1952) e A Preferida de Júpiter (1955), que seriam os principais responsáveis por um boom do nado sincronizado no pós-guerra. Esse sucesso também teria, porém, um efeito colateral inesperado: aos poucos, o nado sincronizado passaria a ser visto como um esporte exclusivamente feminino. Na década de 1960, as competições adultas masculinas já estariam totalmente extintas, com apenas alguns poucos colégios e universidades dos Estados Unidos ainda contando com homens em suas equipes.

A FINA assumiria a regulação do nado sincronizado a nível mundial em 1968, e já em 1973 o incluiria no programa do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos. Nas Olimpíadas, porém, o nado sincronizado só seria incluído em 1984, quatro anos após a morte de Curtis, uma das principais defensoras de sua inclusão. A FINA também organiza, desde 1979, atualmente a cada quatro anos, de forma intercalada com as Olimpíadas, a Copa do Mundo de Nado Sincronizado, e, anualmente desde 2006, o Troféu Mundial de Nado Sincronizado - que tem uma pequena diferença em relação à Copa do Mundo, que veremos em breve.

O nado sincronizado é disputado em uma piscina de, no mínimo, 3 metros de profundidade. Nem toda a piscina é usada, apenas uma área de 12 por 12 metros, distante no mínimo 8 metros de cada borda; por isso, podem ser usadas vários tipos de piscinas, incluindo a olímpica da natação, a curta da natação e a dos saltos ornamentais. Duas exigências específicas do nado sincronizado são que a água deve ser límpida o suficiente para os árbitros conseguirem ver tudo o que ocorre dentro da piscina, e que haja um sistema de som sob a água, para que os atletas possam ouvir a música da apresentação mesmo quando estiverem submersos. O nado sincronizado é um dos esportes mais fisicamente exigentes, pois as atletas devem permanecer nadando todo o tempo, sendo proibido tocar no fundo ou nas bordas da piscina - por isso as precauções dos 3 metros de profundidade e dos 8 metros de distância em relação à borda. Todas as apresentações de nado sincronizado ocorrem sob música.

O uniforme do nado sincronizado é bastante característico, com os maiôs contando com detalhes e enfeites em cores fortes e brilhantes. Os cabelos devem obrigatoriamente ser compridos e presos em um coque; para que este não se desfaça durante a apresentação, as atletas costumam passar gelatina incolor nos cabelos. Além do coque, os cabelos devem ser enfeitados por uma tiara, que costuma ser presa com grampos, pois, se ela cair durante a apresentação, a atleta perderá pontos. A maquiagem também é bastante característica, chegando a ser exagerada, e usada principalmente para realçar os olhos das atletas - a maquiagem, aliás, é um ponto bastante criticado do esporte, com os que são contra argumentando que outros esportes artísticos, como a patinação e a ginástica rítmica, não possuem obrigatoriedade de maquiagem. Além da obrigatoriedade dos cabelos e maquiagem, as atletas do nado sincronizado devem ter um sorriso aberto durante todo o tempo em que suas faces estiverem fora da água, perdendo pontos se não estiverem sorrindo. Curiosamente, há um equipamento que não é obrigatório, mas usado por absolutamente todas as atletas profissionais, o tampão de nariz, uma espécie de grampo colocado sobre as narinas para tapá-las e evitar que a água entre durante a apresentação.

Provas de nado sincronizado podem ser disputadas nas categorias solo (embora eu ache meio inapropriado usar a palavra "sincronizado" para uma apresentação solo), duplas ou equipes (de oito atletas cada). Existem dois tipos de rotinas, a rotina técnica e a rotina livre. A rotina técnica consiste de uma apresentação de dois minutos e meio, durante a qual as atletas devem efetuar movimentos pré-determinados pela organização do torneio em uma ordem específica. Já a rotina livre tem duração de cinco minutos, e nela as atletas podem apresentar quaisquer movimentos considerados válidos pela organização do torneio. Ambas as rotinas são julgadas por um painel de dez árbitros, e cada árbitro conferirá uma nota de 0 a 10 (podendo ter até uma casa decimal, ou seja, 8,4 vale, 8,25 não) para cada apresentação, mas os critérios de julgamento para cada rotina são diferentes.

Durante uma rotina livre, serão cinco árbitros para o mérito técnico e cinco para a impressão artística. A nota do mérito técnico leva em conta a execução, a sincronia e a dificuldade dos movimentos apresentados - quanto mais difíceis os movimentos, maior essa parte da nota, mesmo que eles tenham sido executados incorretamente (o que resultará em menos pontos na parte da execução). Já na impressão artística são avaliadas a coreografia, a interpretação da música e a postura das atletas. Atualmente, o computador possui um grande papel no julgamento, pois cada árbitro, ao invés de ficar dividindo suas notas, simplesmente dá uma nota de 0 a 10 para cada componente (por exemplo, uma nota de 0 a 10 para a execução, uma para a sincronia e uma para a dificuldade) e o computador atribui os pesos de cada uma, multiplicando e dividindo para se chegar à nota final. Em competições de duplas e equipes, a nota de execução (no mérito técnico) e a da coreografia (na impressão artística) valem 40% do total de cada nota, enquanto a sincronia e a dificuldade (no mérito técnico), a interpretação e a postura (na impressão artística) valem 30% cada; já em competições solo, a execução e a coreografia valem 50%, a sincronia (em relação à música) e a interpretação valem 20%, e a dificuldade e a postura valem 30%. Além disso, em todas as competições, a nota do mérito técnico vale 50% da nota total, e a da impressão artística os outros 50%.

O julgamento da rotina técnica é, de certa forma, mais simples: são cinco árbitros para a execução e cinco para a impressão geral. A execução avalia cada movimento separadamente: quanto mais perfeita a execução do movimento, maior a nota. Independentemente de quantos movimentos sejam apresentados, o árbitro dá uma nota de 0 a 10 para cada um deles, e o computador faz a média e chega à nota final. Já a nota da impressão geral avalia quatro fatores: coreografia, sincronia, dificuldade e postura. Mais uma vez, o árbitro dá uma nota de 0 a 10 para cada fator, e o computador faz a média. Em ambas as rotinas, depois que o computador tiver calculado todas as notas, a maior e a menor são descartadas, e as três restantes são somadas para se determinar a nota final. Penalidades, como a de perder a tiara, não sorrir, ou encostar no fundo da piscina, são aplicadas à nota final.

Por enquanto, o nado sincronizado ainda é um dos dois únicos esportes olímpicos disputados apenas no feminino - sendo o outro a ginástica rítmica, e não existindo nenhum disputado apenas no masculino. "Por enquanto" porque já está prevista, para os jogos de 2016, uma prova de dueto misto, com cada dupla sendo formada por um homem e uma mulher. Isso porque, desde o início da década de 2000, o nado sincronizado masculino voltaria a ganhar espaço na Europa e Japão, deixando de ser restrito aos colégios e universidades dos Estados Unidos - embora na maior parte das vezes com duplas mistas ou com equipes compostas por uma maioria de mulheres e apenas um ou dois homens; solos masculinos, duplas masculinas e equipes totalmente masculinas ainda são raros. Visando contribuir para a popularização do esporte, a FINA decidiria voltar a permitir a participação de homens em provas oficiais de nado sincronizado em 2014, e incluir o dueto misto no Mundial de 2015 e nas Olimpíadas de 2016.

Atualmente, no Mundial, são disputadas nove provas: solo rotina livre, solo rotina técnica, dueto rotina livre, dueto rotina técnica, dueto misto rotina livre, dueto misto rotina técnica, equipes rotina livre, equipes rotina técnica e combinado rotina livre. A prova do combinado é, essencialmente, uma prova por equipes, mas, além de a equipe ter dez membros e não oito, durante a apresentação, ela deve mostrar, também, elementos das provas de solo e de duplas - ou seja, em determinado momento, uma atleta ou uma dupla se destaca e se apresentam separadamente. Na Copa do Mundo, são disputadas quatro provas: solo, duetos, equipes e combinado rotina livre; nas provas de solo, duetos e equipes, todas as atletas se apresentam primeiro na rotina técnica, depois na rotina livre, com as notas de ambas as apresentações sendo somadas para se determinar a nota final. O mesmo acontece com as Olimpíadas, onde, atualmente, são disputadas as provas de duetos e equipes (e, a partir de 2016, duetos mistos), com a prova de solo tendo sido disputada entre 1984 e 1992.

Para terminar, vale dizer, finalmente, o que o Troféu Mundial de Nado Sincronizado tem de diferente dos demais torneios: essa é uma competição puramente artística, ou seja, todas as provas são de rotina livre, e apenas a impressão artística é julgada, por um painel de cinco árbitros, não existindo as notas de mérito técnico. Outra característica do Troféu é que, em suas provas, é permitido o uso de acessórios, como aros e bolas, que serão usados durante a coreografia, proibidos em outras competições. Atualmente são disputadas no Troféu as provas de duetos, equipes, combinados e uma chamada Synchro Highlight Routine, na qual equipes de 12 atletas apresentam cada uma uma rotina de 2 minutos onde todos os movimentos são arremessos para fora da água.

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