segunda-feira, 8 de junho de 2015

Carl Sagan

Uma das lembranças mais nítidas que tenho da minha infância é do seriado Cosmos. Eu não era fã nem nada assim, mas me lembro muito claramente de assistir a alguns episódios, que eram exibidos, se não me engano, aos domingos pela manhã. Tenho, inclusive, uma lembrança extremamente vívida de um episódio que assisti na casa da minha avó, porque nele dizia que "os raios solares atingem a Terra", e eu, criança que era, fiquei muito desesperado com essa informação, só me tranquilizando quando minha mãe me mostrou que um raio solar não era exatamente o laser destruidor que eu havia imaginado.

Cosmos foi uma criação do astrônomo Carl Sagan, e, por isso, desenvolvi uma grande admiração por ele. Na minha mente infantil, Sagan era tipo um apresentador de TV, só que, ao invés de apresentar notícias ou números musicais, apresentava fatos científicos. Grande parte - ou quase tudo - o que eu sabia sobre ciências quando criança, havia aprendido com Sagan - inclusive algumas coisas da escola, as quais, quando a professora nos mostrava, eu me lembrava de já ter visto em Cosmos. Talvez por causa disso, quando Sagan faleceu, em 1996, eu, já com 18 anos, fiquei verdadeiramente consternado. Não foi a primeira vez que eu me emocionei com a morte de uma celebridade - afinal, Ayrton Senna havia nos deixado dois anos antes, e também me lembro que fiquei muito triste quando o John Candy faleceu - mas, por algum motivo, a morte de Sagan me marcou. Tanto que, quando lançaram um Cosmos novo, no ano passado, fui tomado não só por uma certa nostalgia, mas por uma certa tristeza - afinal, se Sagan ainda fosse vivo, estaria completando 80 anos, ou seja, ainda poderia ter contribuído bastante com a comunidade científica.

Já desde o ano passado que eu penso em fazer um post sobre Sagan - na verdade, sobre Cosmos, mas depois resolvi expandir a ideia para falar sobre o criador ao invés de sobre a criatura. Por motivos vários, acabei não o fazendo, mas, essa semana, me lembrei disso, e achei que seria legal. Portanto, embarquem na Nave da Imaginação, pois hoje é dia de Carl Sagan no átomo.

Sagan nasceu em 9 de novembro de 1934, na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Seu pai, de origem ucraniana, trabalhava na indústria têxtil e era um imigrante do Império Russo; sua mãe, de família novaiorquina, era judia e extremamente religiosa. Desde criança, ele se interessaria por assuntos como espaço sideral, estrelas, planetas e dinossauros; o contraste entre a visão de seu pai, que não entendia nada de ciências, mas se interessava quando Sagan falava no assunto, estimulando sua curiosidade, e a de sua mãe, que acreditava que Deus havia criado todas as coisas, e via o interesse do filho como empolgação natural da infância, seriam essenciais para moldar seu caráter e sua personalidade inquisitiva. Um episódio em especial marcaria sua infância: quando seus pais o levariam para visitar a Feira Mundial de 1939, quando ele tinha apenas quatro anos de idade, mas já ficaria maravilhado com as descobertas científicas e previsões para o futuro da época; Sagan se empolgaria, principalmente, com a Cápsula do Tempo, um baú contendo objetos da época que seria enterrado, e só poderia ser desenterrado após mil anos, para que os habitantes da Nova Iorque do futuro soubessem como ela era no passado.

No ano seguinte, Sagan entraria na escola. Seu principal interesse, evidentemente, eram as ciências, especialmente a astronomia, em particular as estrelas. Como nem seus pais, nem nenhum de seus amigos, conseguia explicá-lo o que eram as estrelas, e os professores não tocavam no assunto pois não era matéria para aquela série, sua mãe decidiu levá-lo até a biblioteca pública, e fazer para ele uma carteirinha. Sagan alugaria diversos livros sobre as estrelas, e ficaria maravilhado ao descobrir que o Sol era uma estrela, embora bem próxima da Terra, e que as demais estrelas também eram sóis, embora muito distantes. Segundo ele, essa seria a primeira vez que ele teria compreensão da vasta dimensão do universo, uma descoberta que marcaria sua vida. Nos anos seguintes, ela também faria repetidas visitas ao Museu de História Natural e ao Planetário, e seus pais estimulariam sua curiosidade comprando brinquedos como jogos de química e telescópios, e revistas de ficção científica que traziam histórias de autores como H.G. Wells e Edgar Rice Burroughs. Aos 12 anos, quando surgiriam múltiplos relatos de que discos voadores estavam sobrevoando os Estados Unidos, ela já tinha certeza de que a Terra não poderia ser o único planeta habitado no universo, e suspeitava de que o governo poderia estar omitindo informações sobre esses discos, que seriam, na verdade, espaçonaves alienígenas.

Sagan cursaria a Universidade de Chicago, onde se formaria em física (nos Estados Unidos, a astronomia é um curso da faculdade de física) em 1955, conseguiria seu mestrado em 1956, e seu doutorado em 1960, trabalhando com Gerard Kuiper, presidente da União Astronômica Internacional, que o orientaria em sua tese "Estudos em Física dos Planetas". Durante seu tempo na graduação, ele também trabalharia com o geneticista H.J. Muller e escreveria um trabalho sobre a origem da vida orientado pelo químico H.C. Urey. Em suas férias de verão, ao invés de descansar, ele trabalhava em projetos ao lado de Kuiper, do físico George Gamow e do químico Melvin Calvin. De 1960 a 1962 ele trabalharia no laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley, e de 1962 a 1968 no Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts. Nesse mesmo período, ele trabalharia em várias teses ao lado do geneticista Joshua Lederberg, e lecionaria física na conceituada Universidade de Harvard. Aos 30 anos, ele já teria mais de 50 trabalhos publicados.

Sagan deixaria Harvard em 1968, depois de anos como professor substituto, com a universidade se recusando a contratá-lo como professor titular - um dos motivos seria que os demais professores do departamento de física viam o grande número de trabalhos publicados por Sagan como "autopromoção", e vetavam sua contratação junto à reitoria. Ele se ofereceria para lecionar em outra universidade conceituada, a Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, onde se tornaria titular em 1971. Entre 1972 e 1981, ele seria diretor do Centro de Radiofísica e Pesquisa Planetária da universidade.

Desde 1958, quando seria fundada a NASA, Sagan também trabalharia no programa espacial norte-americano, sendo uma de suas funções a de instruir os astronautas antes de suas viagens à Lua. Sagan também trabalharia em muitas das sondas enviadas para explorar o Sistema Solar, determinando, inclusive, aonde essas sondas deveriam ir e o que deveriam explorar. Sagan acreditava que a exploração espacial deveria se dar através de sondas e robôs, e se opôs ferozmente ao uso do dinheiro do programa para a construção de ônibus espaciais e estações espaciais que só conseguiriam ficar orbitando a Terra, sem explorar o restante do universo.

Não só pelo uso das sondas, mas também por suas teorias, Sagan teria participação fundamental em descobertas sobre nossos vizinhos do Sistema Solar. Seria ele quem proporia a hipótese, por exemplo, de que a superfície de Vênus seria extremamente quente: até 1960, o consenso geral na comunidade científica era a de que as nuvens que envolviam a atmosfera de Vênus eram feitas de vapor d'água, e, portanto, sua superfície deveria ser como um pântano ou charco; analisando ondas de rádio emitidas pelo planeta, Sagan concluiria que sua superfície não poderia ser pantanosa, e sim absurdamente quente, por volta de 500 graus Celsius - pois somente corpos quentes emitem ondas de rádio na frequência emitida por Vênus. Além de formular a teoria, Sagan trabalharia no projeto e na concepção da sonda Mariner 2, que, em 1962, chegaria a Vênus e descobriria que suas nuvens são feitas de ácido sulfúrico, que sua atmosfera é 90 vezes mais densa do que a da Terra, e que em sua superfície o calor chega a 380 graus - mostrando que, mesmo errando 120 graus, a teoria de Sagan estava correta.

Outras teorias de Sagan sobre nossos planetas vizinhos, todas provadas posteriormente, eram a de que Titã, a lua de Saturno, possuía compostos líquidos em sua superfície, e Europa, a lua de Júpiter, tinha água sob a superfície; e que as mudanças de cor na superfície de Marte, observadas através de telescópios, não se davam por mudanças de estação do ano ou formas primitivas de vegetação - as duas teorias mais populares da época - e sim pela ação de fortes ventos na superfície do planeta. Sagan também estaria dentre os primeiros a alertar que o efeito estufa na Terra era uma criação humana, que sua severidade estava aumentando, e que, se nada fosse feito, no futuro o planeta poderia se tornar tão quente e inóspito quanto Vênus. Dentre as teorias ainda não provadas de Sagan, merece destaque uma formulada em parceria com o também astrônomo Edwin Salpeter, seu colega em Cornell: a de que há vida em Júpiter, seres parecidos com balões que habitam suas nuvens e flutuam eternamente. Por mais bizarra que seja, essa teoria não é infundada, pois já foram descobertas grandes quantidades de matéria orgânica flutuando nas nuvens de Júpiter, embora ainda não se tenha descoberto o que exatamente elas são.

Sagan, aliás, foi um dos maiores defensores da existência de vida extraterrestre, e chegou a conduzir experimentos que provavam que as condições para a criação da vida na Terra poderiam ter também ocorrido em outros planetas. Em 1982, ele conseguiria convencer 70 outros cientistas, incluindo três vencedores do prêmio Nobel, a assinar um abaixo-assinado a favor do uso de radiotelescópios para buscar vida inteligente fora da Terra, o que fez com que grande parte da comunidade científica passasse a ver o assunto com outros olhos - até então, a busca por vida extraterrestre não era considerada "ciência séria", e sim um passatempo inútil. Antes disso, em 1974, Sagan ajudaria o também astrônomo Frank Drake a redigir e transmitir a Mensagem de Arecibo, uma gravação de rádio transmitida para o espaço sideral, com o objetivo de ser ouvida por extraterrestres.

Inspirado na Cápsula do Tempo de 1939, Sagan também teria a ideia de incluir nas sondas que fossem deixar o Sistema Solar uma mensagem capaz de ser compreendida por qualquer inteligência extraterrestre que as encontrasse. Sagan conceberia a primeira dessas mensagens, uma placa de alumínio anodizado a ouro com a figura de um homem e uma mulher nus, uma representação do sistema solar com a localização da Terra e a posição relativa do Sol em relação ao centro da galáxia, uma representação esquemática da transição hiperfina do hidrogênio, e uma silhueta da sonda Pioneer 10, que levaria a placa, em tamanho real em comparação com o tamanho das figuras humanas. Duas dessas placas seriam produzidas, uma levada pela já citada Pioneer 10, lançada em 1972, e uma levada pela Pioneer 11, de 1973. Ambas seriam os primeiros objetos fabricados pelo homem a deixar os limites do Sistema Solar.

Sagan também trabalharia em outra mensagem para os extraterrestres, um disco de ouro contendo gravações de inúmeros sons, como os das ondas do mar, trovões, pássaros e baleias, saudações em 55 idiomas, músicas de Bach, Mozart, Beethoven, Chuck Berry e Valya Balkanska, dentre outros, e discursos do então Presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, e do então Secretário Geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim. Além dos sons, o disco continha a gravação de 116 imagens, incluindo do Sistema Solar, de seres humanos, animais, DNA, comida e arquitetura, a maioria com escalas de tempo, tamanho e massa baseadas em constantes universais, e algumas até com indicações de composição química. Dois desses discos seriam produzidos, para serem levados pelas sondas Voyager 1 e 2, ambas lançadas em 1977, e ambas os objetos criados pelo homem a alcançarem a maior distância da Terra - a Voyager 1 é o primeiro objeto criado pelo homem a alcançar o espaço interestelar, e hoje se encontra a 19,5 bilhões de quilômetros da Terra. O próprio Sagan achava difícil uma das sondas ser encontrada por uma civilização alienígena - comparadas com a vastidão do espaço, elas são meros grãos de areia - e mais difícil ainda serem encontradas por uma civilização que tivesse os meios necessários para reproduzi-los, mas, em sua opinião, o simples fato de os seres humanos terem decidido mandar uma "mensagem na garrafa" em direção ao espaço já era um ato louvável.

Em 1977, Sagan seria convidado para realizar uma das famosas Palestras de Natal do Royal Institution em Londres, realizadas anualmente e que já haviam contado com cientistas como Michael Faraday, Richard Dawkins e David Attenborough como oradores. O sucesso das palestras lhe daria a ideia de criar um programa de televisão, para levar a ciência ao maior número de pessoas possível. Assim, em 1978, ele criaria, junto com a produtora e escritora Ann Druyan, com quem se casaria no ano seguinte, o seriado Cosmos.

Exibido pela PBS, o canal de TV público dos Estados Unidos, entre 28 de setembro e 21 de dezembro de 1980, Cosmos teve um total de 13 episódios de 55 minutos cada, que abordavam temas como a origem da vida, as características de nossos planetas vizinhos, como Marte e Vênus, e perfis de grandes nomes da ciência, como Johannes Kepler. Com trilha sonora do compositor grego Vangelis (que, dois anos mais tarde, também faria a trilha de Blade Runner) e apresentado pelo próprio Sagan, Cosmos faria um gigantesco sucesso, sendo vendido para mais de 60 países e tendo uma audiência estimada de 500 milhões de pessoas no mundo inteiro, o que fez com que ele se tornasse o programa mais assistido da história da PBS e fosse considerado um divisor de águas na história dos programas de TV que têm como tema a ciência.

Cosmos também se tornaria famoso pelos efeitos especiais, que usavam o que existia de mais moderno na época, e não costumavam ser encontrados em programas de TV, apenas no cinema. Esses efeitos possibilitaram, por exemplo, que Sagan caminhasse em meio a um modelo do sistema solar, tocasse com as mãos em um modelo de DNA e viajasse pelo universo em sua "Nave da Imaginação", uma espaçonave em formato de pétala de dente-de-leão que visitava planetas, estrelas e galáxias - tudo criado por computação e truques de câmera, ao invés de com modelos de isopor e plástico em escala como era o comum nos documentários científicos da época. Em 1986, Cosmos ganharia uma edição especial, exibida no canal TBS, na qual seria condensado em apenas seis episódios de 45 minutos cada, mas contando com novos efeitos especiais de última geração e alguns trechos de nova narração, nos quais Sagan falava sobre teorias que surgiram entre o lançamento do seriado original e o da edição especial.

Um novo update aconteceria em 1989, quando Ted Turner, o dono da TBS, decidiria comprar os direitos de Cosmos da PBS e produzir uma versão comemorativa dos dez anos da série. Os episódios foram mantidos em sua forma original, e, ao final de cada um, Sagan aparecia em um "Science Update", no qual comentava sobre novas descobertas ou novos pontos de vista que surgiram sobre os assuntos daquele episódio naquele espaço de dez anos. Essa nova versão também contava com um décimo-quarto episódio, no qual Turner entrevistava Sagan, tendo como assunto justamente os avanços da ciência na década de 1980. Em 2005, Cosmos ganharia mais uma versão atualizada, exibida pelo Science Channel em comemoração aos 25 anos da série, na qual os episódios seriam remasterizados, ganhariam novos efeitos especiais de última geração, som digital, e comentários sobre as novas descobertas sobre aquele assunto. Como esses episódios teriam apenas 45 minutos, para permitir a inserção de comerciais, a edição buscou, na medida do possível, sem comprometer a coerência, deixar de fora as informações que já estivessem ultrapassadas ou incorretas, para que não fosse preciso fazer muitas retificações.

Por incrível que pareça, porém, pouquíssima coisa em Cosmos é datada ou ultrapassada; tirando as eventuais descobertas que só foram feitas após sua transmissão, a série permanece como obra de referência em matéria de astronomia, graças à precisão e didatismo com os quais Sagan apresentou seus assuntos. Isso se torna ainda mais impressionante quando se leva em conta de que muitas teorias apresentadas na série são de autoria do próprio Sagan, criticado por muitos colegas seus na época por apresentá-las em um programa de TV antes de terem sido devidamente testadas e comprovadas. Sagan também seria criticado por dar mais atenção às gravações do programa que às suas aulas em Cornell, com muitas delas sendo canceladas porque ele não conseguia retornar das gravações a tempo; para alguns colegas, preterir uma instituição acadêmica em favor de um programa de televisão era um sinal de desrespeito à educação e às ciências. Finalmente, Sagan seria criticado por insistir em comentários sobre a Guerra Fria durante os episódios, o que fazia tentando convencer os governos dos Estados Unidos e União Soviética a interromper a corrida armamentista e começar o desarmamento nuclear, o que foi considerado como inadequado por parte da comunidade científica.

Sagan foi um dos maiores defensores do desarmamento nuclear, pois temia que uma guerra nuclear - algo bastante possível e um medo bastante real durante a Guerra Fria - pudesse prejudicar o equilíbrio ecológico da Terra e devastar não somente a civilização da época, mas deixar o planeta impossível de ser habitado pelas gerações futuras. Em 1983, ele faria parte de um painel de cientistas que tentaria convencer o governo norte-americano a entrar em negociações de paz com a União Soviética, e cujo relatório usava pela primeira vez a expressão "inverno nuclear", criada pelo cientista Richard Turco para descrever a situação na qual as partículas liberadas por uma guerra nuclear impediriam que o calor do Sol chegasse à superfície da Terra, resfriando-a. Sagan seria co-autor de dois livros que debatiam o inverno nuclear e suas consequências, O Inverno Nuclear: O mundo após uma guerra nuclear (The Cold and the Dark: The World after Nuclear War) de 1984, e A Path Where No Man Thought: Nuclear Winter and the End of the Arms Race ("um caminho no qual ninguém pensou: o inverno nuclear e o fim da corrida armamentista") de 1985.

Sagan também escrevia livros para ajudar a popularizar a ciência, como Cosmos, de 1980, que servia como complemento da série, e sua sequência, Pálido Ponto Azul (Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space), de 1994, no qual pondera sobre a posição da Terra em relação ao universo e especula sobre o futuro da humanidade como navegadores do espaço, e cujo nome foi inspirado em um comentário que ele mesmo fez sobre uma foto tirada pela sonda Voyager 1, na qual a Terra, da distância de seis bilhões de quilômetros, aparece como um pontinho azul quase imperceptível. Ao todo, ele seria autor ou co-autor de mais de vinte livros, dentre os quais também se destacam Os Dragões do Éden: Especulações sobre a Evolução da Inteligência Humana (The Dragons of Eden: Speculations on the Evolution of Human Intelligence), publicado em 1978 e que lhe rendeu o prêmio Pulitzer, e Contato (Contact) best-seller de ficção científica lançado em 1985, que se tornaria um filme lançado em 1997, estrelado por Jodie Foster e dirigido por Robert Zemeckis.

Sagan foi co-fundador da Planetary Society, grupo que reúne interessados em astronomia e no estudo dos demais planetas do sistema solar, e que hoje já conta com mais de cem mil membros em 149 países; editor-chefe da seção de tecnologia do periódico científico Icarus, voltado à pesquisa espacial e planetária; presidente da Divisão de Pesquisa Planetária da American Astronomical Society; presidente da seção de planetologia da American Geophysical Union; presidente da seção de astronomia da American Association for the Advancement of Science; e membro do comitê diretor do Instituto SETI, voltado à busca por vida extraterrestre. Também foi membro do comitê de investigação de OVNIs da força aérea norte-americana, posição à qual renunciou por não concordar com o envolvimento do governo dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Sagan, aliás, teria uma ativa participação em questões político-sociais, não somente fazendo campanha pelo desarmamento e pelo fim da Guerra Fria, mas falando abertamente contra o programa "Guerra nas Estrelas" criado pelo presidente Ronald Reagan, e chegando a ser preso em duas ocasiões, durante manifestações no deserto de Nevada em 1986 e 1987 contra a decisão de os Estados Unidos não seguirem o exemplo da União Soviética quando Mikhail Gorbachev anunciou o fim dos testes nucleares em 1985.

Sagan se casaria três vezes e teria um total de cinco filhos. Em 1957, se casaria com a bióloga Lynn Margulis, com quem teria dois meninos, Dorion e Jeremy. Eles se separariam em 1965, com o principal motivo citado sendo o de que ele dava mais importância ao seu trabalho que à sua família. Em 1969, ele se casaria com a artista plástica Linda Salzman, que se tornaria a responsável pelo desenho final da placa levada pelas sondas Pioneer, e lhe daria mais um menino, Nick. Eles se separariam em 1981, após Sagan conhecer Ann Druyan durante a produção de Cosmos. Ele e Druyan se casariam naquele mesmo ano, e ela teria mais um menino, Samuel, e a única filha de Sagan, Alexandra.

Sagan seria diagnosticado com síndrome mielodisplásica, doença congênita que leva a uma produção insuficiente de células sanguíneas, levando a anemia e fazendo com que o paciente precise de múltiplas transfusões de sangue, no final da década de 1980. Ele se submeteria a três transplantes de medula para tentar se curar, e, em 1996, aparentemente, estava tendo progressos. No final do ano, porém, ele teria uma forte pneumonia, e, com o organismo debilitado pela doença e pelos transplantes, não resistiria. Faleceria no dia 20 de dezembro, aos 62 anos, internado no Instituto de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, na cidade de Seattle. Seu corpo seria enterrado na cidade de Ithaca, cidade onde residia desde 1969.

Três prêmios do mundo das ciências seriam batizados em sua homenagem: o Carl Sagan Memorial Award, conferido desde 1997 em conjunto pela American Astronomical Society e pela Planetary Society a indivíduos ou grupos que tenham mostrado pioneirismo em pesquisas e políticas referentes à exploração do espaço sideral; a Medalha Carl Sagan, conferida desde 1998 pela Divisão de Ciências Planetárias da American Astronomical Society a indivíduos cujos esforços tenham contribuído pelo interesse do público em geral pelo estudo dos demais planetas; e o Carl Sagan Award for Public Understanding of Science, conferido pelo Conselho dos Presidentes da Sociedade Científica a indivíduos que tenham contribuído para o interesse do público em geral pela ciência, conferido desde 1993, quando o próprio Sagan foi seu vencedor.

A contribuição de Sagan nessas três áreas foi, de fato, inestimável - é quase impossível determinar quantos cientistas de hoje foram estimulados por ele a seguir essa carreira, sem falar em quantos não chegaram a se tornar cientistas, mas possuem uma compreensão melhor dos mistérios do universo graças ao entusiasmo de um homem verdadeiramente apaixonado pela ciência.

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