segunda-feira, 27 de abril de 2015

Era do Apocalipse

A década de 1990 foi uma época peculiar para ser fã de quadrinhos. Teve, por exemplo, o lançamento da Image Comics, que, para o bem ou para o mal, mudou para sempre a forma como super-heróis eram retratados, com os personagens de traços simples e cartunescos dando lugar a homens supermusculosos e mulheres de trajes nem um pouco práticos para lutar. Teve, também, a saga DC vs. Marvel, que prometeu ser o tira-teima definitivo entre os principais heróis das duas maiores editoras do mercado, mas acabou sendo meio decepcionante, com a maior parte das lutas se resolvendo de modo forçado ou pouco convincente - dando origem, porém, à Amalgam Comics, série de revistas que trazia personagens amalgamados das duas editoras, como o Super Soldado, amálgama do Super-Homem com o Capitão América, isso sim bastante criativo e interessante. E teve aquela que talvez seja a saga mais famosa da história dos X-Men, a Era do Apocalipse.

Criada por Scott Lobdell, Mark Waid e Fabian Nicieza, a Era do Apocalipse começaria de forma despretensiosa, como uma saga ambientada em uma realidade alternativa que, durante quatro meses, uniria todas as revistas dos X-Men (que, na época, não eram poucas). Essa saga, entretanto, se mostraria tão popular que personagens criados apenas para ela seriam mantidos na cronologia regular ao seu final, e sua ambientação seria revisitada de tempos em tempos, na forma de especiais ou através de personagens com o poder de viajar entre as dimensões. Aliás, outra prova de sua popularidade é que, no planejamento inicial, a Era do Apocalipse substituiria a cronologia normal da Marvel, sendo apagada para sempre quando a ordem fosse reestabelecida; ao invés disso, ela acabaria sendo declarada uma "realidade alternativa oficial", como, por exemplo, aquela na qual ocorrem as histórias da linha Ultimates.

A história da Era do Apocalipse começa com outra saga, A Busca por Legião (Legion Quest), cujo início oficial acontece em na revista Uncanny X-Men 320, de janeiro de 1995, mas teve um "prólogo" na edição anterior. Nessa saga, Legião, o filho esquizofrênico e extremamente poderoso do Professor Xavier, após passar um longo tempo em coma, acorda com uma brilhante ideia: se ele viajar no tempo e matar Magneto antes que ele se torne um criminoso, Xavier terá liberdade para pôr em prática seu plano que permitirá a humanos e mutantes viver em paz.

A ideia de Legião possui um furo, porém: antes de Magneto se tornar um criminoso, ele e Xavier eram amigos. Quando um mutante enlouquecido surge querendo matar Magneto, portanto, Xavier se põe no caminho, e acaba ele sendo morto. Tendo matado seu pai antes de ser concebido, Legião desaparece, assim como um grupo de X-Men que viajou ao passado junto com ele para impedi-lo, exceto um: Bishop, que, já sendo um viajante do tempo, tendo vindo do futuro para o presente no encalço de um criminoso fugitivo, por alguma razão, permaneceu preso no passado - a mais aceita teoria sendo a de que as "energias temporais" em seu corpo o impediram de desaparecer junto com os outros - incapaz de retornar, mas com todas as memórias de tudo o que viveu na realidade na qual Xavier era vivo.

Apocalipse, um dos principais inimigos dos X-Men, está monitorando a luta, e também acaba afetado pelas atitudes de Legião: na cronologia original, Apocalipse permaneceria escondido por mais dez anos, esperando o momento propício de colocar em prática seu plano de dominação mundial, e sendo impedido pelo X-Factor, a equipe formada pelos cinco integrantes originais dos X-Men (Ciclope, Jean Grey, Homem de Gelo, Fera e Anjo). Apocalipse vê a morte de Xavier como uma oportunidade, e decide se revelar desde já. Sem X-Men para detê-lo, e pegando os heróis da época de surpresa, ele consegue dominar rapidamente os Estados Unidos, e inicia um programa para exterminar toda a população humana da Terra, deixando apenas os mutantes - e apenas aqueles que aceitem ser governados por ele. Apocalipse também sabe que a presença de Legião naquela época foi uma anomalia temporal, e, para garantir que nenhum viajante do tempo intrometido queira consertar a história, ordena o extermínio de todos os mutantes com poderes que possibilitem viagens no tempo. Telepatas também são banidos, para que ninguém jamais descubra a verdade.

A morte de Xavier produz um efeito curioso em Magneto, porém: ao ver que seu amigo se sacrificou para salvá-lo, e que Apocalipse está dominando o mundo, Magneto assume o papel que seria de Xavier, reunindo os X-Men e treinando-os para que, um dia, eles consigam derrotar o vilão e livrar o planeta de seu jugo. Enquanto isso, o pobre Bishop, ciente de que aquela realidade está toda errada, tenta encontrar alguém que acredite em sua história e aceite tramar um plano para voltar mais uma vez no tempo, impedir Legião e reestabelecer a ordem natural das coisas. E isso deve ser feito logo: a mudança na realidade foi tão violenta que causou uma reação no Cristal M'Kraan, artefato alienígena que serve de ligação dentre várias realidades. Para evitar efeitos que a mudança em nossa realidade possa causar nas demais, o M'Kraan começa a cristalizar o universo, e a única forma de impedi-lo é reestabelecendo a linha temporal original.

Como Legião viajou no tempo para matar Magneto, todos esses eventos ocorrem cerca de vinte anos no passado. A morte de Xavier, e o fim da saga A Busca por Legião ocorreriam na revista X-Men 41, de fevereiro de 1995. No mês seguinte, a história voltaria para o presente, mas acontecendo em uma realidade na qual Apocalipse já governa o mundo há cerca de vinte anos. Em outras palavras, os personagens e cenários eram bem diferentes dos que conhecemos: Magneto, como já foi dito, é o líder dos X-Men. Vampira é sua esposa. Wolverine ainda usa o nome Arma X. Ciclope trabalha para Apocalipse, e, em uma luta contra Arma X, perdeu um de seus olhos - mas não sem antes decepar a mão esquerda de Logan. Vilões como Dentes de Sabre e Exodus são membros dos X-Men, heróis como Destrutor e Fera são malignos e aliados de Apocalipse. E os heróis que não são mutantes, como o Homem-Aranha e o Homem de Ferro, estão mortos ou jamais ganharam seus poderes.

Durante quatro meses, de março a junho de 1995, as revistas dos X-Men (nove ao todo) seriam substituídas por novas versões, que retratavam os eventos da Era do Apocalipse. Elas chegaram a ter novos nomes e tudo, mas, pelo menos na minha opinião, se um pequeno detalhes tivesse sido observado, teria sido bem mais legal: para começar, a Era do Apocalipse interrompeu a numeração normal dessas revistas (por exemplo, X-Men 41 é de fevereiro de 1995, enquanto X-Men 42 é de julho de 1995, estando as quatro edições da Era do Apocalipse entre elas); as edições da Era do Apocalipse, porém, são numeradas de um a quatro cada. Não sei se isso daria muito mais trabalho, ou se havia algum impeditivo legal, mas, já que a Era do Apocalipse "substituía" a cronologia normal, o mais lógico seria que suas revistas seguissem a numeração antiga - ou seja, depois de X-Men 41, viria Amazing X-Men 42, e não Amazing X-Men 1, com X-Men retornando na edição 46.

Outra coisa curiosa, mas que aí sim daria muito mais trabalho e a Marvel provavelmente não iria querer fazer, é que, embora as revistas da Era do Apocalipse dissessem que, por exemplo, Tony Stark não era o Homem de Ferro nessa realidade, a revista do Homem de Ferro saiu normalmente nos quatro meses da Era do Apocalipse, o que também foi contra o conceito de que a Era do Apocalipse estava substituindo a cronologia normal - mas, como eu disse, pelo menos isso era compreensível, já que os leitores do Homem de Ferro não tinham nada a ver com isso e provavelmente não gostariam de ser afetados por uma saga dos X-Men.

Além das 36 edições que substituíram as regulares mensais, a Era do Apocalipse teve duas edições especiais. A primeira, X-Men: Alpha, lançada em fevereiro de 1995, com capa metalizada especial, seria usada para situar os leitores na nova realidade, apresentando os personagens. Nela, Bishop consegue finalmente se encontrar com Magneto e lhe explicar que a realidade que estão vivendo foi criada pelas ações de Legião, que podem ser revertidas. Magneto decide, então, dividir os X-Men, enviando alguns para descobrir uma forma de retornar no tempo e deter Legião, enquanto dois outros grupos continuarão enfrentando Apocalipse e seus asseclas.

Uncanny X-Men, a revista principal dos X-Men, seria substituída por Astonishing X-Men (nome que em 2004 seria usado em mais uma revista mensal dos X-Men, mas sem nada a ver com a Era do Apocalipse). Nessa revista acompanhamos um dos grupos que continuará se opondo a Apocalipse, liderado por Vampira, a esposa de Magneto, e composto por Dentes de Sabre, Selvagem, Blink, Morfo e Solaris. Esse grupo enfrenta Holocausto, filho de Apocalipse e um de seus Quatro Cavaleiros, originalmente de aparência humana, mas transformado em um esqueleto flamejante contido em um traje especial após uma batalha contra Magneto.

X-Men, a revista secundária do grupo, seria substituída por Amazing X-Men. Nessa revista acompanhamos o outro grupo, liderado por Mercúrio, o filho de Magneto (mas não com Vampira, embora Vampira e Magneto também tenham um filho, chamado Charles, mesmo nome de Xavier) e composto por Tempestade, Cristal, Banshee, Homem de Gelo e Exodus. Esse grupo tem a missão de auxiliar na evacuação de humanos para a Europa, continente que Apocalipse ainda não governa, para tentar salvá-los do genocídio. Seu principal oponente é Abismo, um dos Quatro Cavaleiros de Apocalipse, que tem o poder de "desenrolar" seu corpo, estendendo-o.

X-Force seria substituída por Gambit and the X-Ternals. Gambit é enviado por Magneto ao espaço para conseguir um fragmento do Cristal M'Kraan, essencial para o plano de Bishop de retornar ao passado e deter Legião. Ele lidera um grupo composto por Mancha Solar, Jubileu, Fortão e Lila Cheney. O grupo é perseguido por Rictor, que, nessa realidade, é um dos capangas de Apocalipse, que quer provar seu valor a seu mestre matando Gambit. Ao entrar no espaço Shi'ar, o grupo ainda tem de enfrentar a Guarda Imperial, que não quer deixá-los arrancar um pedaço do M'Kraan.

Excalibur seria substituída por X-Calibre. Nessa revista acompanhamos Noturno, que é enviado por Magneto para encontrar Sina, mutante capaz de ver o futuro e que poderia confirmar a história de Bishop. Para encontrá-la, Noturno deve viajar até Avalon, um santuário governado pelo Anjo, onde humanos e mutantes vivem em paz. No caminho, ele encontra John Proudstar (o Pássaro Trovejante da cronologia regular), Callisto e o monge Cain (que, na cronologia regular, é o Fanático), e conta com a ajuda de sua mãe, Mística, para derrotar um trio de vilões enviados por Apocalipse, composto por Danielle Moonstar, Wade Morto (Deadpool) e Damask (Rainha Negra). Ao chegar a Avalon, Noturno e Mística ainda devem contar com a ajuda de Damask e de uma personagem nova, Ziguezague (que tem o poder de voltar no tempo, mas apenas 10 segundos), para derrotar o Rei das Sombras, que planeja destruir o lugar.

Generation X seria substituída por Generation Next, e acompanharia um grupo de jovens mutantes ainda em treinamento, composto por Câmara, Escalpo, Mondo, Derme e Cimetta, e treinados por Colossus e Lince Negra, que são casados nessa realidade. O grupo recebe a missão de salvar a irmã de Colossus, Illyana, que é mantida como escrava pelo Homem-Doce, novo personagem e assecla de Apocalipse, geneticista com o poder de alterar sua massa corporal, e que, graças a múltiplos experimentos, acabou ficando com uma aparência grotesca. Illyana é a única mutante sobrevivente com o poder de viajar no tempo, de forma que, sem ela, não há como pôr o plano de Bishop em prática.

X-Factor seria substituída por Factor X. Curiosamente, essa revista acompanhava os vilões, mais exatamente a Força de Elite Mutante de Apocalipse, comandada pelo Fera e composta por quatro duplas de irmãos: Ciclope e Destrutor, Estrela Polar e Aurora, Míssil e Amazona, e os Irmãos Tumulto (o Tumulto e o Rei Tumulto da cronologia original). O principal trabalho da Força de Elite é conseguir cobaias, humanas ou mutantes - como Polaris, que alega ser filha de Magneto - para os experimentos de Fera e do Sr. Sinistro, o terceiro Cavaleiro de Apocalipse. Destrutor tem inveja de Ciclope, acha que ele é um traidor que ajuda os humanos, e pretende desmascará-lo.

A revista do Wolverine seria substituída por Weapon X, e nela os ex-X-Men (?) Arma X (Wolverine) e sua esposa Jean Grey trabalham realizando missões para o Alto Conselho Humano. Quando o Alto Conselho decide bombardear a América com mísseis nucleares para derrotar Apocalipse, a dupla se separa, com Jean tentando evacuar quantos humanos conseguir enquanto Arma X parte em uma missão para encontrar Teleporter, o único capaz de fazer com que o ataque seja bem sucedido - já que as defesas de Apocalipse detectariam e neutralizariam os mísseis antes que eles atingissem os alvos caso fossem lançados das bases humanas na Europa. Jean acaba se envolvendo com Ciclope, enquanto Wolverine, com a ajuda de Carol Danvers, enfrenta Donald Pierce.

Já a revista do Cable seria substituída por X-Man, protagonizada por Nate Grey, adolescente com poderes telecinéticos criado em laboratório pelo Sr. Sinistro a partir do DNA de Ciclope e Jean Grey. Nate fugiu e viaja pelos Estados Unidos com Forge, Mestre Mental, Grouxo, Bruto (o Talho da cronologia original) e Sauron, que fingem ser uma companhia de teatro mambembe, mas são na verdade um grupo de rebeldes que ataca e neutraliza instalações ligadas a Apocalipse. Em um desses ataques eles resgatam Sonique (Siryn), que acaba se tornando namorada de Nate. O grupo é seguido por um trio de mercenários formado por Dominó, Caliban e Urso Escarlate, que planeja capturar Nate e levá-lo de volta para Apocalipse, vivo ou morto.

Finalmente, a revista X-Men Unlimited seria substituída não por uma, mas por duas outras revistas: nos meses de março e junho de 1995, iria às bancas X-Men Chronicles, que contaria histórias dos X-Men ambientadas entre Legião matar Xavier e Bishop encontrar Magneto. Na primeira edição, vemos como Magneto formou o X-Men, e descobrimos por que Mercúrio faz parte da equipe mas a Feiticeira Escarlate não. Na segunda, logo após Arma X e Jean Grey deixarem os X-Men, a equipe é atacada por um mutante gigantesco chamado Wolverine (sem nenhuma relação com nenhum personagem da cronologia original, muito menos com o Wolverine), e Vampira tem de escolher entre Magneto e Gambit.

Já nos meses de abril e maio, iria às bancas X-Universe, revista que tentava mostrar o que aconteceu com todos os outros heróis que não eram X-Men durante a Era do Apocalipse. Nela, Mikhail Rasputin, irmão de Colossus e o quarto Cavaleiro de Apocalipse, está usando os poderes de um escravizado Empata para tornar a população da Europa catatônica, facilitando uma invasão por parte das forças de Apocalipse, que finalmente tomariam o continente. Para impedi-lo, o Alto Conselho Humano bola um plano audacioso: um grupo de humanos sem qualquer poder especial, composto por Tony Stark, Gwen Stacy, Donald Blake, Sue Storm, Ben Grimm e Victor Von Doom, se deixará capturar, mas, graças a uma invenção de Stark, não será afetado pelos poderes de Empata, e, uma vez dentro da torre de Mikhail, a destruirá. A única falha no plano é que ninguém sabe que a torre é protegida por um monstro conhecido apenas como Coisa (que, apesar do nome, corresponde ao Hulk na cronologia original).

A Era do Apocalipse se encerraria com X-Men: Omega, lançada em junho de 1995. Nessa edição, os X-Men invadem o quartel general de Apocalipse, e, enquanto Magneto confronta o vilão, Illyana e Sina conseguem enviar Bishop de volta para o passado. Como ele retém todas as memórias do que aconteceu, propositalmente faz com que Legião o acerte com uma adaga psíquica, o que faz com que Legião também fique sabendo o que acontecerá se ele tentar matar Magneto. Horrorizado, Legião desiste, Xavier sobrevive, e a linha do tempo original é restaurada.

Alguns personagens da Era do Apocalipse, porém, conseguiriam "escapar" dessa realidade, vindo parar na cronologia original. Fera e o Homem-Doce voltariam para o passado junto com Bishop, o que permitiria que os roteiristas fizessem vários retcons, como dizer que o Fera foi o responsável pela criação dos Morlocks, e que foi graças ao Homem-Doce que Genosha, um pequenino país insular na costa da África, se tornou uma potência mundial. Já Nate Grey e Holocausto vieram parar na "época atual"; Nate continuaria sendo protagonista da revista X-Man, que se tornaria uma série regular, publicada até 2001, na qual ele tentava se adaptar a um mundo que considerava estranho enquanto escondia seus poderes para não ter de se envolver nas frequentes disputas entre heróis e vilões da nossa realidade, enquanto Holocausto se tornaria aliado de Sebastian Shaw e, mais tarde, um dos arautos do vilão Massacre.

Mas o caso mais curioso foi o de Blink. Já existia uma Blink na cronologia regular, mas que participou de uma única história da Geração X, morrendo no final. Blink tem o poder de teletransportar pessoas e objetos através de portais; a Blink da cronologia original não sabia usar seus poderes direito, e acabava fazendo em pedaços qualquer coisa que tentasse teletransportar, inclusive pessoas, o que fazia com que ela tivesse medo dos próprios poderes, se tornando insegura e deprimida. A Blink da Era do Apocalipse, por outro lado, era forte, decidida, e usava seus poderes em uma grande variedade de formas diferentes, inclusive disparando setas de energia que teletransportavam o que atingiam; o resultado foi que essa versão se tornou absurdamente popular, gerando centenas de cartas dos fãs para que, assim como Nate Grey, Blink também "fugisse" para a cronologia normal.

Os roteiristas, entretanto, resistiram o quanto puderam: nem trouxeram a Blink da Era do Apocalipse para a cronologia regular, nem ressucitaram a original. Somente em 2001 Lobdell se convenceria, e lançaria, entre março e junho, uma minissérie em quatro partes chamada Blink e estrelada pela Blink da Era do Apocalipse, mas ainda ambientada na Era do Apocalipse (e cuja primeira história era provocativamente chamada Vocês venceram! Ela voltou!), antes dos eventos mostrados em 1995. A minissérie mostrou que, mesmo tantos anos depois, Blink ainda era imensamente popular dentre os fãs dos X-Men, o que motivou os roteiristas Mike Marts, Mike Raicht e Judd Winick a escalá-la como líder de uma nova equipe que haviam criado, os Exilados. Essa equipe, que estreou na revista Exiles 1, de agosto de 2001, é formada por personagens vindos de diferentes realidades alternativas, como, por exemplo, a Era do Apocalipse, de onde vieram Blink e Morfo - completavam a equipe original o Mímico da nossa realidade e dois filhos de X-Men famosos vindos de outras realidades alternativas, Magnus (filho de Magneto e Vampira) e Nocturna (filha de Noturno com a Feiticeira Escarlate) - e tinham como missão corrigir anomalias que pudessem levar a alterações na linha do tempo de alguma realidade. Exiles fez bastante sucesso e foi publicada até 2009; os membros da equipe mudavam frequentemente, e até chegaram a contar com outros personagens vindos da Era do Apocalipse, como Dentes de Sabre e Holocausto.

Talvez por coincidência, talvez não, a Blink original seria ressucitada justamente em 2009, durante a saga Necrosha. Atualmente, ela faz parte dos Novos Mutantes, e continua tão popular que aparece até nos filmes dos X-Men nos cinemas, tendo sido interpretada pela atriz chinesa Fan Bingbing em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, de 2014, e já estando confirmada no elenco de X-Men: Apocalipse, previsto para estrear em 2016.

Mas os personagens "fugitivos" não seriam o único resquício da Era do apocalipse ao final da saga. Em setembro de 1995, os eventos que levariam à Era do Apocalipse seriam revisitados em uma edição da revista What If...?, série da Marvel que mostra como eventos importantes do Universo da editora seriam se tivessem transcorrido de forma diferente. Nessa edição, ao invés de matar Xavier, Legião realmente mata Magneto, o que faz com que os X-Men, no presente, sejam uma espécie de celebridades, amados por seus poderes ao invés de odiados. Mas, como nem tudo é perfeito, Apocalipse decide aproveitar que os heróis estão mais interessados em dar autógrafos do que em combater vilões para pôr em prática um plano que possibilitará que ele domine o mundo.

Em dezembro de 1996 e dezembro de 1997, a Marvel lançaria duas edições da revista Tales from the Age of Apocalypse. Assim como X-Men Chronicles, essas edições traziam histórias ambientadas antes dos eventos da saga de 1995. Na primeira, acompanhamos os X-Men em uma viagem à Lua, onde a equipe enfrentará um dos Cavaleiros de Apocalipse, o inumano Maximus. Na segunda, o Corsário, pai de Ciclope e Destrutor, vem à Terra e quer se encontrar com seus filhos, mas acaba sendo capturado pelo Fera e pelo Sr. Sinistro, que querem usá-lo em seus experimentos, já que ele está infectado pela Ninhada.

Em março de 2005, para comemorar os dez anos da saga, a Marvel lançaria X-Men: Age of Apocalypse, uma edição especial que mostrava como Colossus e Lince Negra decidiram deixar os X-Men para treinar a nova geração de mutantes; como Dentes de Sabre e Selvagem se conheceram; e introduziu um personagem que ainda não havia aparecido nessa realidade, o Samurai de Prata. Em maio, esse especial foi seguido de uma minissérie em seis edições, também chamada X-Men: Age of Apocalypse, mas que, pela primeira vez, trazia um arco de histórias ambientado depois dos eventos da saga de 1995, introduzindo novos personagens como Psylocke (a única dos X-Men de 1995 que não havia feito parte da saga original), Feral, Medula, Sanguessuga, Bico e X-23. Foi a partir dessa minissérie que a Era do Apocalipse começou a ser tratada como uma realidade alternativa; até então, ela era um "evento contido", só existindo entre o momento no qual Legião matou Xavier e aquele no qual Illyana e Sina mandaram Bishop de volta ao passado, mas, a partir de 2005, ficaria estabelecido que, mesmo depois de Bishop reestabelecer a linha do tempo normal, a Era do Apocalipse continuaria existindo para seus habitantes como uma realidade em separado. Os Exilados, aliás, visitariam a Era do Apocalipse pela primeira vez durante a publicação dessa minissérie, em uma história em duas partes publicada em Exiles 60 e 61, na qual Blink e Dentes de Sabre estranham que a realidade ainda exista.

Em fevereiro de 2007, a revista What If...? voltaria à Era do Apocalipse, dessa vez mostrando o que teria acontecido se Legião tivesse matado tanto Magneto quanto Xavier. Sem um líder para unir os X-Men, Apocalipse causa ainda mais destruição e morte; sem esperança de detê-lo, um grupo composto por Nate Grey, Arma X, Colossus, Capitão América, Capitão Britânia, Homem Molecular, Sauron e Dr. Vodu luta desesperadamente pela sobrevivência.

Em 2011, a nova formação da X-Force, liderada por Wolverine, revisitaria a Era do Apocalipse em uma saga publicada nas edições de 11 a 15 da revista Uncanny X-Force, na qual a equipe tentava impedir o Anjo de se transformar no novo Apocalipse em nossa realidade. Essa saga daria origem a uma nova história, publicada na revista Uncanny X-Force 19.1 (pois é), de março de 2012, ambientada após o retorno da X-Force para a nossa realidade, na qual um grupo de humanos, auto-denominados X-Terminated, busca derrotar o Herdeiro de Apocalipse e impedir o extermínio total da raça humana. Essa nova história, por sua vez, daria origem a uma série regular mensal, chamada Age of Apocalipse, cuja primeira edição seria lançada em maio de 2012, e acompanhava Jean Grey e os X-Terminated tentando derrotar o Herdeiro de Apocalipse. Essa nova série não faria tanto sucesso quanto as anteriores, e seria cancelada na edição 14, de junho de 2013, com uma saga em sete partes chamada X-Termination, que também teve histórias publicadas na X-Treme X-Men e na Astonishing X-Men, além de duas edições especiais para abrir e fechar a saga.

Mesmo com nenhuma dessas edições subsequentes alcançando o mesmo sucesso das originais de 1995, tantas revisitações tornam difícil argumentar que a Era do Apocalipse não seja a realidade alternativa mais bem sucedida da Marvel - e atestam que, às vezes, uma ideia despretensiosa pode levar a um grande sucesso.

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