segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Christina Aguilera

Ultimamente, de cada dez ideias que eu tenho para posts do átomo, nove se enquadram na categoria Música. Algumas eu descarto, outras eu realmente fico com vontade de transformar em post. Eu nem iria fazer mais um hoje. Pensei, já que acabei de fazer um sobre a Tori Amos, em deixar mais espaçado para não parecer repetitivo, mas depois cheguei à conclusão de que é melhor escrever enquanto eu estou com vontade, porque, não sei se vocês sabem, mas escrever um post sem vontade dá bem mais trabalho. Por isso, hoje o post é sobre Christina Aguilera.

Confesso que, no começo, eu não dei muita bola para Christina Aguilera. Quando ela surgiu, pra mim, era só um clone da Britney Spears, de quem eu nunca fui muito com a cara - aliás, até hoje, quando penso "Christina Aguilera", o primeiro descritor que me vem à mente é "rival da Britney", embora atualmente eu já ache que ela come a Britney com farofa no café da manhã em qualquer dia da semana. Quem primeiro chamou minha atenção para ela foi um primo, que comprou o primeiro álbum e tentou me convencer de que ela era boa. Ouvi, achei que ela tinha uma voz interessante, mas não me empolguei. Depois, quando ela lançou Stripped, pensei "pronto, agora espirocou de vez, vai fazer de tudo pra aparecer, depois sumir sem cerimônia". Ouvi Stripped também, até gostei de algumas músicas, mas, novamente, não me empolguei.

Mas aí veio Back to Basics. E ao ouvi-lo, descobri que não somente ela tinha uma voz muito interessante, mas, caramba, como sabia usá-la. Foi só aí que me empolguei, catei as músicas anteriores, e passei a acompanhar seus lançamentos. Até uns oito anos atrás eu acharia isso impossível, mas hoje tenho um monte de músicas dela no meu MP3, e fico muito satisfeito quando ela resolve cantar no meu ouvido.

Essa semana, Christina aparentemente resolveu alugar minha playlist: na volta pra casa depois do trabalho, normalmente dá para eu escutar em torno de quinze músicas; da última vez, nada menos que oito foram dela - duas seguidas, inclusive. Como eu já disse, eu tenho umas mil músicas no meu MP3, e esse acontecimento demonstra ou uma coincidência bizarra, ou que meu MP3 não sabe o que significa shuffle. Seja qual foi o motivo, resolvi pesquisar sobre sua vida, e acabei descobrindo que ela tem umas coincidências igualmente bizarras com a vida da Mariah Carey. Aí já não tinha mais como afastar minha vontade de escrever um post. Senhoras e senhores, hoje é dia de Christina Aguilera no átomo.


Christina María Aguilera nasceu em 18 de dezembro de 1980 em Staten Island, Nova Iorque, Estados Unidos, filha de Fausto Aguilera, um imigrante equatoriano naturalizado, que serviu no exército dos Estados Unidos, e de Shelly Lorraine Fiedler, descendente de irlandeses. Seus avós maternos não aceitaram muito bem o fato de sua filha ter se casado com um latino-americano, principalmente porque, por ser militar, ele tinha de se mudar constantemente, e porque ele costumava ser violento com a esposa e com as filhas - Christina tem uma irmã mais nova, chamada Rachel. Enquanto crescia, Christina morou em Nova Jérsei, no Texas, em Nova Iorque e até no Japão. Quando ela tinha seis anos, seus pais decidiram se divorciar, e ela se mudou com a mãe e a irmã para a casa dos avós, em Rochester, Pensilvânia. Christina não veria mais o pai até 2012, quando o procuraria para fazer as pazes.

O divórcio dos pais foi muito traumático para Christina, que buscou na música uma forma de espantar seus medos e tristezas. Logo sua mãe veria que sua voz era especial, e decidiria inscrevê-la em concursos de talentos para crianças. Christina venceria seu primeiro concurso aos oito anos de idade, cantando uma música de Whitney Houston, com direito a delírio da plateia e embasbacamento dos jurados - e da imprensa local, que a chamou de "menina pequena com grande voz". Aos dez, ela participaria do Star Search, um programa de televisão destinado a revelar novos talentos, mas seria eliminada nas semifinais; sua performance, entretanto, chamaria a atenção dos empresários da cidade de Pittsburgh, segunda maior da Pensilvânia (atrás da Filadélfia) e vizinha de Rochester, que a convidariam para cantar o Hino Nacional antes de jogos dos Pittsburgh Penguins (hóquei no gelo), Pittsburgh Pirates (beisebol) e Pittsburgh Steelers (futebol americano), além de antes da Stanley Cup, a final da NHL, mais importante liga de hóquei no gelo da América do Norte, de 1992, ano no qual ela foi disputada na cidade.

O talento de Christina também chamaria a atenção da Disney, que a chamaria para fazer um teste para o programa de variedades Clube do Mickey em 1991; ela seria aprovada, mas, como deveria ter no mínimo 12 anos para poder participar, só pôde estrear no programa em 1993. Ela participaria do programa durante pouco mais de um ano, participando de esquetes cômicas e de números musicais, ao lado de Ryan Gosling (de Drive), Keri Russell (da série Felicity), Justin Timberlake e Britney Spears, todos com entre 12 e 16 anos. Logo após sair do Clube do Mickey, ela seria convidada pela Disney para gravar um dueto com o cantor japonês Keizo Nakanishi, All I Wanna Do, sua primeira gravação, e se candidataria a intérprete da música-tema do desenho Mulan, Reflection - e seria escolhida graças a mais um cover de Whitney Houston, Run to You, que gravaria e enviaria à Disney. Sua interpretação de Reflection seria bastante elogiada, chegaria à 15a posição na parada da Billboard, e renderia uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original - que concorreria com o dueto When You Believe, de Mariah Carey e Whitney Houston, gravado para O Príncipe do Egito, mas perderia para The Prayer, de Celine Dion e Andrea Bocelli, do fracasso de bilheteria A Espada Mágica: A Lenda de Camelot.

O desempenho de Christina em Reflection também chamaria a atenção da gravadora RCA, que estava procurando um novo talento jovem, e lhe ofereceu um contrato para três álbuns. O primeiro, também chamado Christina Aguilera, seria lançado em agosto de 1999, quando Christina tinha apenas 18 anos. Recheado de canções pop ao estilo das que estavam na moda no final da década de 1990, o álbum fez um enorme sucesso, chegando ao topo da lista dos mais vendidos e rendendo nada menos que oito Discos de Platina. Sua primeira música de trabalho, Genie in a Bottle, chegou ao topo da parada da Billboard, assim como das paradas de sucessos de outros 20 países. As duas músicas seguintes, What a Girl Wants e Come on Over Baby também alcançaram o primeiro lugar da Billboard, colocando Christina em um seleto grupo de artistas com três músicas de seu álbum de estreia no primeiro lugar; a quarta música de trabalho, I Turn to You, por pouco também não chegaria ao topo, alcançando o terceiro lugar. O álbum também daria a Christina um Grammy de Melhor Artista Novo, no qual ela venceu Macy Gray, Kid Rock e, ironicamente, Britney Spears - "ironicamente" porque, para grande parte da crítica especializada, Christina era a "rival da Britney", uma artista lançada pela RCA apenas para combater um fenômeno de vendas de uma gravadora rival. Para provar que não era um "produto de gravadora", Christina faria uma espécie de turnê por vários programas de televisão e pocket shows, nos quais cantava apenas acompanhada de um piano, para demonstrar a força de sua voz. Essas apresentações lhe renderam um convite para participar do show do intervalo do Super Bowl XXXIV, a final do campeonato de futebol americano da NFL e evento mais assistido da televisão dos Estados Unidos, no qual cantou um dueto com Enrique Iglesias.

O álbum seguinte de Christina seria gravado em espanhol. Mi Reflejo, lançado em setembro de 2000, seria uma iniciativa da própria cantora, que manifestaria seu desejo de gravar um álbum para o público latino já na assinatura do contrato, antes mesmo de começar a gravar seu álbum de estreia. A RCA gostaria da ideia, mas esbarraria em um pequeno problema: Christina não falava uma palavra de espanhol, embora se interessasse pela língua por ser o idioma de seu pai. Para contornar o problema, a RCA contrataria o produtor Rudy Pérez, nascido em Cuba, que não só treinaria a pronúncia de várias palavras com ela, mas também desenvolveria um sistema de escrita fonética pelo qual ela conseguiria ler e cantar as letras das músicas em espanhol mesmo sem dominar o idioma. Pérez também escreveria versões para Genie in a Bottle (Genio Atrapado), Come on Over Baby (Ven Conmigo), What a Girl Wants (Una Mujer), I Turn to You (Por Siempre Tú) e Reflection (Mi Reflejo). Já que Reflection havia sido seu primeiro sucesso, Christina fez questão de que o álbum levasse seu nome - e ainda bem que foi atendida, pois a RCA queria chamá-lo de Latin Lover Girl. Pérez ainda comporia quatro músicas inéditas para o álbum, uma delas, Falsas Esperanzas, lançada como música de trabalho. Completariam o álbum dois covers, um de uma música do próprio Pérez, mas originalmente gravada pela cantora portorriquenha Lourdes Robles em 1991, Pero Me Acuerdo de Ti, também lançada como música de trabalho. Mi Reflejo ocuparia o topo da parada latina da Billboard por 19 semanas não-consecutivas, e venderia o suficiente para adicionar mais seis Discos de Platina à coleção de Christina. O álbum ganharia um Grammy Latino de Melhor Performance Vocal Feminina e seria indicado ao Grammy de Melhor Álbum Pop Latino, perdendo para o Mtv Unplugged da Shakira.

Paralelamente a Mi Reflejo, Christina gravaria um álbum de Natal, My Kind of Christmas, lançado em dezembro de 2000, com cinco faixas inéditas e seis covers de canções tradicionais de Natal. O álbum renderia mais um Disco de Platina. Christina começaria 2001 gravando um dueto com Ricky Martin, Nobody Wants to be Lonely. Em seguida, ela, Lil' Kim, Mýa e Pink regravariam Lady Marmalade, sucesso de 1974 do grupo Labelle, para a trilha sonora do filme Moulin Rouge!. Lady Marmalade chegaria ao primeiro lugar da parada da Billboard, onde ficaria por cinco semanas, e, como não foi lançada como single, nem fez parte do álbum da trilha sonora do filme, se tornou a primeira música a não ser oficialmente lançada e ocupar o primeiro lugar por mais de uma semana. A música também renderia a suas quatro intérpretes um Grammy de Melhor Colaboração Pop com Vocais.

Apesar do grande sucesso de seus três primeiros álbuns, Christina estava extremamente insatisfeita com a RCA - mais especificamente, com Steve Kurtz, seu empresário, escolhido pela gravadora. Segundo ela, Kurtz queria forçá-la a ser uma cantora de bubblegum pop - ou, como algumas pessoas dizem por aqui, "pop farofa" - investindo em sua imagem de "rival da Britney", porque achava que era assim que ela renderia dinheiro para a gravadora. Christina, entretanto, queria mais, queria a oportunidade de soltar a voz e provar que conseguiria fazer sucesso cantando qualquer estilo. Kurtz não só se recusava a lhe dar mais controle criativo, mas modificava suas composições, marcava shows sem consultá-la, e se metia até em sua imagem, determinando o que ela poderia ou não vestir, que tipo de maquiagem poderia usar e como deveria ser seu cabelo. Um dia, ela se cansou e simplesmente entrou na justiça contra ele, alegando "interferência imprópria, indevida e inapropriada em suas atividades profissionais". Para solucionar o caso sem ir aos tribunais, e não perder uma mina de ouro, a RCA concordaria em demitir Kurtz, contratar um novo empresário da escolha de Christina, e lhe dar controle criativo total sobre seu próximo álbum. Em um primeiro momento, eles devem ter pensado algo como "o que fomos fazer?", mas, depois, Christina se provaria certa.

Ao começar a divulgar seu próximo álbum, Christina declararia que seria um recomeço, uma reapresentação de seu trabalho, agora livre das amarras da gravadora e refletindo o que ela realmente é e como ela realmente se sente. Até aí tudo bem. Só que ela chamou o álbum de Stripped, posou de topless para sua capa, fez um ensaio sensual para a revista Maxim, pintou os cabelos de preto, passou a se apresentar como "Xtina", e, cada vez que aparecia, estava com menos roupa e com mais piercings e tatuagens - algumas falsas, outras não. De menina comportada do bubblegum pop ela se transformou em um furacão de erotismo e sensualidade, o que levou muitos a se chocarem com as declarações reiteradas de que aquela é que era a verdadeira Christina Aguilera, não a princesinha do pop fabricada pela gravadora.

Do ponto de vista musical, entretanto, realmente Stripped, lançado em outubro de 2002, era muito bom. Mesclando R&B, rock, soul e hip hop, suas músicas de trabalho Dirrty (cujo clipe foi banido na Tailândia por ter conteúdo considerado "sexual"), Beautiful (que lhe rendeu mais um Grammy, de Melhor Performance Vocal Pop Feminina), Fighter, Can't Hold Us Down e The Voice Within mostravam que Christina realmente tinha um vozeirão, bastante mal-aproveitado em seus três primeiros álbuns. Até a imagem de "rival da Britney" ela fez questão de chutar para escanteio, declarando sua amizade pela ex-rival em várias ocasiões - até nisso, aliás, ela achou um jeito de chocar, beijando Britney e Madonna na boca durante uma apresentação do trio no Mtv Video Music Awards de 2003.

Tanto choque talvez tenha contribuído negativamente para as vendas do álbum, que só alcançou o segundo lugar da lista dos mais vendidos - mesma posição de Beautiful, mais bem sucedida de suas músicas de trabalho, na parada da Billboard - e rendeu quatro discos de platina, marca ainda assim impressionante, mas meio decepcionante para quem estreou ganhando o dobro. Christina, pelo menos, disse a que veio, e, ao trabalhar em seu próximo álbum, deixaria "Xtina" de lado e se concentraria em firmar sua voz na galeria das grandes estrelas.

Antes de prosseguirmos, um aparte sobre esse "Xtina" - que se pronuncia "cristina", exatamente como o nome verdadeiro dela. Os norte-americanos costumam, para poupar espaço, abreviar frases substituindo palavras por letras e números quando esses têm o mesmo som (como, por exemplo, "happy birthday 2U" ao invés de "happy birthday to you", já que 2U e "two you" têm o mesmo som). Isso levaria, por exemplo, à abreviação "Xing", pronunciado crossing, escrita no asfalto da rua quando há um cruzamento à frente - para poupar espaço e melhorar a visibilidade, já que "Xing" pode ser escrito em letras bem maiores que "crossing". O motivo pelo qual o X era usado no lugar de "cross" é que, antigamente, a letra X em inglês tinha um "apelido", "criss-cross". Esse apelido também faria com que muitas lojas de antigamente, durante o natal, para poupar espaço nas vitrines, abreviassem a palavra Christmas ("Natal" em inglês) como "Xmas" ("criss-mas"), abreviação essa que acabou se popularizando e é usada até hoje. Christina simplesmente usou o mesmo princípio e substituiu o som "cris" de seu nome por um X, virando Xtina. Embora ela hoje alegue que Xtina era um alter ego, uma segunda personalidade usada apenas durante a gravação, divulgação e turnê de Stripped, o apelido pegou, e ainda hoje ela é chamada por muitos de Xtina.

Pois bem, depois de voltar a ser Christina, Xtina voltaria a gravar uma música para uma trilha sonora - Car Wash, dueto com Missy Elliot, para O Espanta Tubarões - faria duetos com Nelly (Tilt Ya Head Back), Andrea Bocelli (Somos Novios) e Herbie Hancock (uma regravação de A Song for You, de Leon Russell), este último lhe rendendo mais uma indicação para o Grammy de Melhor Colaboração Pop com Vocais, dessa vez perdendo para Feel Good Inc. de Gorillaz e De La Soul. No campo pessoal, em fevereiro de 2005, após três anos de relacionamento, Christina se casaria com o executivo de marketing da indústria da música Jordan Bratman.

Em agosto de 2006 ela lançaria seu quinto álbum, Back to Basics, inspirado nas canções da década de 1920, 30 e 40. Assim como havia mudado sua imagem para divulgar Stripped, ela o fez novamente com Back to Basics, aparecendo com penteados e vestidos ao estilo de divas como Marilyn Monroe, Marlene Dietrich e Mary Pickford. Musicalmente, o álbum, duplo, misturava jazz, blues e soul das antigas, ao estilo de Billie Holiday, Etta James e Ella Fitzgerald, a arranjos modernos, pop e R&B; segundo ela, a escolha se deu por ela achar que, com toda a tecnologia de hoje, "qualquer um pode ser um cantor", então ela quis prestar uma homenagem a uma época na qual as músicas realmente tinham alma - aproveitando para provar que ela não dependia da tecnologia para fazer bonito, já que soltou a voz e usou o mínimo possível de efeitos e correções nas gravações.

A crítica ficou dividida, com alguns achando que o álbum era longo demais, outros com a opinião de que, ao contrário do que Christina pretendia, ele ficou difuso e sem alma, mas a maioria elogiando a ousadia e evolução da cantora. Dentre o público, o sucesso foi instantâneo, com álbum já estreando na primeira posição da Billboard; apesar disso, entretanto, as vendas ficariam abaixo do esperado, rendendo apenas um Disco de Platina. Back to Basics também renderia a Christina duas indicações ao Grammy, ganhando a de Melhor Performance Vocal Feminina (pela canção Ain't No Other Man) e perdendo a de Melhor Álbum Pop Vocal (para Continuum, de John Mayer). Muitas das músicas do álbum são autobiográficas, falando de sua infância, seu casamento, e até mesmo agradecendo a seus fãs pelo apoio e dedicação.

Em janeiro de 2008, Christina daria a luz a seu primeiro filho, um menino, Max Liron Bratman. No mesmo ano, ela apareceria no documentário para o cinema Shine a Light, de Martin Scorcese, sobre os Rolling Stones, no qual canta Live With Me em um dueto com Mick Jagger. Para celebrar os dez anos do lançamento de seu primeiro álbum, ela lançaria, em novembro, a coletânea Keeps Gettin' Better: A Decade of Hits, com seus maiores sucessos e uma faixa inédita, Keeps Gettin' Better, que alcançaria o sétimo lugar na parada da Billboard.

Continuando com a variação de estilos musicais, Christina anunciaria que seu álbum seguinte teria uma abordagem bastante futurista. Bionic, lançado em junho de 2010, realmente tinha um ritmo mais eletrônico, com ritmos classificados pela imprensa especializada como "electropop", "futurepop" e "electro-R&B". O álbum não foi muito bem recebido pelo público, chegando apenas ao terceiro lugar da lista dos mais vendidos e se tornando o primeiro de Christina a não render pelo menos uma certificação - nem para um Disco de Ouro as vendas foram suficientes. Suas músicas de trabalho também não se saíram bem, e ainda foram criticadas - alguns críticos chegaram a reclamar que, aparentemente, todas as faixas do álbum falavam sobre sexo, e que Christina já estaria ficando repetitiva com esse tema. Para piorar, o relacionamento de Christina e Bratman, desgastado, chegaria ao fim em setembro, com o casal se divorciando legalmente em abril de 2011.

Ainda em 2010, Christina faria mais duas incursões pelo cinema. A primeira, modesta, seria uma curta participação especial no filme O Pior Trabalho do Mundo; mas, no final do ano, ela seria protagonista, ao lado de Cher, do musical Burlesque, interpretando Ali, uma garota do interior que sonha se tornar cantora em Los Angeles, vai trabalhar em um clube noturno, e acaba impressionando a todos com sua voz. Burlesque seria um sucesso de bilheteria, e acabaria indicado a três Globos de Ouro, o de Melhor Musical ou Comédia (perdendo para Minhas Mães e Meu Pai) e dois de Melhor Canção Original (Bound To You, cantada por Christina, e You Haven't Seen the Last of Me, cantada por Cher e vencedora do prêmio). Sua trilha sonora chegaria ao 18o lugar da Billboard, e ganharia um Disco de Ouro pelas vendas.

Tirando Burlesque, parecia que Christina estava entrando em uma maré de azar: além das péssimas vendas de Bionic e do fim de seu casamento, ao cantar o Hino Nacional Norte-Americano antes do Super Bowl XLV, em fevereiro de 2011, no Texas, pularia uma linha, tendo de se desculpar publicamente após o evento. No mês seguinte, ela seria presa por estar bêbada em público (acreditem ou não, isso é ilegal na Califórnia), sendo solta sob fiança. Em abril, ela seria escolhida para ser uma das treinadoras do programa The Voice, onde ficaria durante as três primeiras temporadas, até dezembro de 2012, mas sendo bastante criticada por suas opiniões e sugestões. Essa maré de azar só acabaria com mais uma colaboração de Christina com outro artista, Moves Like Jagger, na qual cantava junto com a banda Maroon 5. Lançada em junho de 2011, a música seria um enorme sucesso, chegaria ao topo da parada da Billboard, e se tornaria o nono single mais vendido do ano.

Em março de 2012 ela lançaria mais uma canção em espanhol, Casa de Mi Padre, para a trilha sonora do filme de mesmo nome, estrelado por Will Farrell. Logo em seguida, ela anunciaria que estava trabalhando em seu sétimo álbum, e que este seria mais um "renascimento". De fato, Lotus, lançado em novembro de 2012, teria som bem parecido com o de Stripped, mas seria um fracasso de público e crítica, se tornando seu álbum menos vendido até hoje e não emplacando nenhuma música de trabalho.

Depois disso, ela se dedicaria a duetos e colaborações: Steppin' Out with My Baby, com Tony Bennett; Baby, It's Cold Outside com Cee Lo Green; Feel This Moment, com Pitbull; Hoy Tengo Ganas de Ti, com o cantor mexicano Alejandro Fernández; e Say Something, com a banda A Great Big World. Ela também gravaria We Remain, para a trilha sonora de Jogos Vorazes: Em Chamas. Em setembro de 2013, ela voltaria ao The Voice, após ser substituída durante a quarta temporada por Shakira, ficando até o final da quinta, sendo substituída novamente por Shakira na sexta e por Gwen Stefani na sétima - mas já com contrato para retornar para a oitava.

Em fevereiro de 2014, Christina se casaria novamente, dessa vez com o guitarrista Matthew Rutler, que conheceria durante as filmagens de Burlesque. Em agosto, ela teria seu segundo filho, uma menina, Summer Rain Rutler (um nome até poético, já que "Summer Rain" significa "chuva de verão" em inglês). Atualmente, ela curte a maternidade e trabalha em seu oitavo álbum, sobre o qual ainda não deu detalhes. Se sua carreira foi meteórica e agora está na descendente, ou se ela conseguirá se manter no topo, só o futuro dirá. Voz para fazer sucesso ela tem de sobra.

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