segunda-feira, 17 de março de 2014

Demolidor

Eu tenho pena do Demolidor. Não porque ele seja cego, mas porque, apesar de ser um dos mais interessantes heróis da Marvel, ele é pouquíssimo explorado: não existe desenho do Demolidor, ele raramente aparece nos principais games da Marvel, e, depois do malsucedido filme com o Ben Affleck, parece que também não o veremos na tela grande tão cedo. O que é uma pena, pois essa falta de exposição faz com que ele seja bem menos famoso do que poderia ser. Eu estava pensando nisso essa semana, quando vi uma história do Demolidor nas bancas, e pensei que, como eu também estava contribuindo para essa pouca exposição, já que já fiz posts sobre todos os principais heróis Marvel, mas nunca havia feito um sobre ele, talvez fosse hora de começar a mudança por mim mesmo, como se diz por aí. Portanto, hoje é dia de Demolidor no átomo!

O Demolidor (que, em inglês, se chama Daredevil, o que significa algo como "audacioso" ou "intrépido") foi criado por Stan Lee e Bill Everett, com uma contribuição não-especificada de Jack Kirby - imagina-se, embora ninguém negue ou confirme, que Lee teria criado a história do herói e Kirby sua aparência, mas, como Everett foi o desenhista da primeira edição, teria sido creditado como co-criador; de qualquer forma, é certo que o bastão, arma característica do herói, foi uma criação de Kirby. Sua estreia aconteceria, de forma até incomum para um herói da Marvel, em uma revista com o seu nome, a Daredevil número 1, de abril de 1964. Nela, ficaríamos conhecendo a origem do herói: quando criança, Matt Murdock, ao tentar salvar um senhor cego que atravessava a rua de ser atropelado, foi atingido nos olhos por material radioativo, levado pelo caminhão que iria atropelar o senhor e o derramou ao desviar. O material radioativo deixou Matt também cego, mas ampliou seus outros sentidos e lhe conferiu uma espécie de sonar: através da reflexão do som, ele consegue identificar a posição e a forma dos objetos ao seu redor.

Matt esconderia esse dom de todos, inclusive de seu pai, o boxeador Jack Murdock, que, após ficar viúvo, o criou para ser uma pessoa estudiosa e pacifista, tentando fazer com que o filho levasse uma vida melhor que a dele. Os esforços de Jack acabariam valendo a pena, pois Matt se tornaria um respeitável advogado - residente da Cozinha do Inferno, um dos bairros mais pobres de Nova Iorque (e que realmente existe, não tendo sido inventado para a história, embora hoje já não seja tão pobre assim), ele inclusive aceitaria representar os mais pobres de graça ou em troca de bens de pouco valor, por acreditar que fazer o bem vale mais do que receber dinheiro. Em segredo, Matt também treinava o uso de seu sonar e suas habilidades físicas, se tornando um ginasta de grande agilidade e precisão.

Infelizmente, criar um filho cego até ele conseguir um diploma de nível superior também era muito dispendioso, e Jack acabaria, ao longo da carreira, se envolvendo em lutas pouco honestas, mas que pagavam mais. Um dia, ao se recusar a perder uma luta de propósito a mando de um agiota porque Matt estava na plateia, Jack acabaria assassinado. Matt, então, decidiria vestir um uniforme feito com as roupas de treino de seu pai, e usar suas habilidades para encontrar e punir o assassino. Depois disso, ele decidiria permanecer na ativa como um super-herói, combatendo aqueles que explorassem ou maltratassem os moradores de seu bairro. Ele adotaria o nome de Demolidor, mas, como o uso de seu sonar (e o fato de ser cego) permitiam que ele realizasse movimentos e acrobacias impressionantes sem demonstrar o menor temor, acabaria ganhando, dentre a população, o apelido de "O Homem sem Medo".

O primeiro uniforme do Demolidor - que, apesar de sua origem, não lembrava em nada o de um boxeador, se parecendo mais com o de um acrobata - era amarelo com detalhes em preto e vermelho, mas já trazendo, na cabeça, o pequeno par de chifres - pois o devil, de daredevil, significa "diabo" em inglês - que se tornaria uma de suas marcas registradas, junto com o D duplo no peito - embora no primeiro uniforme fosse um D só. O característico uniforme todo vermelho seria introduzido apenas na edição 7, criado pelo desenhista e arte-finalista Wally Wood, que assumiria a revista na edição 5, lá ficando até a 12. Nessa edição, o responsável pelos traços passaria a ser John Romita, que retornaria à Marvel e aos super-heróis após uma década ilustrando romances. Romita ficaria até a edição 20, de setembro de 1966, quando assumiria a revista o primeiro dos mais icônicos artistas do Demolidor, Gene Colan.

Colan possuía uma forma bastante peculiar de trabalhar: ao invés de o roteirista - até a edição 50, o próprio Stan Lee - lhe entregar o roteiro que seria desenhado, ele pedia para que o enredo lhe fosse contado oralmente, e gravava a descrição em seu gravador. Mais tarde, ouvindo o enredo, ele criava os painéis, inventado as partes necessárias para se criar uma história completa. Lee, especialmente, gostava dessa liberdade criativa, já que Colan adicionava elementos que ele sequer havia imaginado, e que acabavam contribuindo favoravelmente para a história. Sob a batuta de Colan, o Demolidor alcançou grande popularidade, contando, nesse período, com histórias memoráveis como a que Matt defende um veterano da Guerra do Vietnã de um crime que ele não cometeu, e uma saga que lida com uma possível esquizofrenia de Matt, que tem de adotar uma terceira identidade, a de seu "irmão gêmeo" Mike Murdock - que, ainda por cima, não é cego - para evitar que descubram que ele e o Demolidor são a mesma pessoa. A ideia de Lee, aliás, era fazer com que Matt, além de cego, sofresse de transtorno de múltiplas personalidades, mas, como isso não foi bem aceito pelos leitores, acabou abandonado.

Stan Lee deixaria os roteiros da revista na edição 51, passando a atuar apenas como editor, e colocando Roy Thomas em seu lugar. Thomas continuaria a bem sucedida parceria com Colan até a edição 72, quando Gerry Conway, então com 18 anos, assumiria os roteiros. Conway criaria um romance entre o Demolidor e a Viúva Negra, moveria o herói de Nova Iorque para São Francisco, e optaria por uma abordagem mais de ficção científica, incluindo robôs, armas futuristas e viagens no tempo nas histórias, o que levou a um declínio nas vendas e na popularidade do personagem. Para tentar remediar a situação, Steve Gerber foi transferido da revista do Hulk para a do Demolidor, para assumir os roteiros na edição 97, mas, na época, Colan já estava cansado e querendo fazer outra coisa. A "Era Colan" se encerraria na edição 100, de junho de 1973, e, após seis edições com ilustradores temporários, Bob Brown, que na época desenhava os Vingadores, assumiu a revista.

O Demolidor teria um novo aumento de popularidade na edição 124, de 1975, quando Marv Wolfman assumiu os roteiros. Wolfman traria o herói de volta para a Cozinha do Inferno, criaria um de seus mais populares vilões, o Mercenário - um assassino de aluguel psicopata com uma mira fora do comum - e escreveria uma saga na qual o vilão Polichinelo manipularia a mídia com notícias falsas para tentar derrubar o governo. Curiosamente, Wolfman só ficaria à frente do título por 20 edições, deixando-o após a edição 143, insatisfeito ele mesmo com seu próprio trabalho, já que buscava, em sua opinião sem sucesso, criar uma identidade própria para o Demolidor. Coincidentemente, Wolfman deixaria a revista na mesma época em que Brown faleceria, de leucemia.

Após a saída de Wolfman, os roteiros seriam assumidos por Jim Shooter, que trabalharia com vários desenhistas diferentes, sem ter um fixo. Novamente as vendas cairiam, e dessa vez tanto que a Marvel decidiria transformar a revista em bimestral. Shooter deixaria a revista já na edição 150, e, a partir da 151, Roger McKenzie assumiria os roteiros. Oriundo das revistas de terror, McKenzie daria um tom bem mais sério e sombrio ao personagem, mudando sua origem para incluir que ele teria perseguido e aterrorizado o agiota que ordenou a morte de seu pai até fazer com que ele morresse do coração; ligando o herói ainda mais intrinsecamente ao submundo da Cozinha do Inferno, criando uma rede de informantes composta de marginais, viciados e mendigos dos quais ele obtinha informações; e criaria o repórter Ben Urich, que trabalhava para o Clarim Diário com a missão de descobrir a identidade secreta do Demolidor. Os vilões também se tornariam mais sobrenaturais, e, em uma das histórias, o Demolidor seria responsável pelo suicídio do pai de sua então namorada, Heather Glenn.

McKenzie trabalharia sem desenhista fixo até a edição 158, de maio de 1979, quando Frank Miller assumiria a função. Então, as vendas estavam tão baixas que a revista corria risco de cancelamento. Shooter, promovido a editor, não fazia esforço nenhum para salvá-la, e, sabendo que Miller não gostava dos roteiros de McKenzie, começou a fazer intriga para que o desenhista se demitisse, o que enterraria a revista de vez. A providência divina, entretanto, teve outros planos: repentinamente, Shooter seria substituído na função de editor por Danny O'Neil, que, tendo lido uma história que Miller escreveu, demitiu McKenzie e colocou Miller à frente dos roteiros. Começava, assim, a carreira de um dos roteiristas hoje considerados dos mais brilhantes dos quadrinhos, e a fase mais famosa e de maior popularidade do Demolidor.

Acumulando as funções de roteirista e desenhista a partir da edição 164, de maio de 1980, Miller reformularia totalmente o personagem, ignorando completamente tudo o que tinha sido feito até então e reescrevendo tudo do seu jeito - Jack Murdock, por exemplo, até então um pai carinhoso que só queria o melhor para seu filho, passaria a ser retratado como um bêbado espancador de crianças, definindo um novo motivo para Matt se tornar advogado. Miller procurava só trabalhar com personagens novos, de sua autoria, e, quando precisava usar algum dos antigos, reformulava totalmente suas origens e motivações - até mesmo o Mercenário se tornaria obcecado por derrotar o Demolidor, ao invés de apenas pago para fazê-lo. Achando que o herói não tinha nenhum arqui-inimigo à altura, ele decidiria mover o Rei do Crime, até então vilão do Homem-Aranha, para as histórias do Demolidor, transformando-o no principal responsável por tudo de errado que acontece na Cozinha do Inferno.

Essencialmente, Miller transformaria o Demolidor em um anti-herói, disposto a qualquer coisa para combater o crime, mesmo que isso inclua matar os bandidos - algo que hoje é até comum, mas, na época, era bastante controverso. Os antigos fãs torceram o nariz, mas a nova abordagem traria muitos fãs novos, e as vendas subiriam tanto e tão rápido que a Marvel decidiria transformar a revista novamente em mensal a partir da edição 167 - após apenas três edições com Miller no comando.

Mais controversa ainda que a decisão de transformar o Demolidor em um anti-herói, seria a decisão de Miller de incluir ninjas em suas histórias. Miller jamais se conformou de o herói ter se tornado um ginasta sozinho, e preferia que suas habilidades tivessem origem nas artes marciais. Assim, ele criaria um sensei para o personagem, Stick, que o treinou em segredo na adolescência; uma ex-namorada que se tornou uma ninja assassina, Elektra; e todo um clã ninja devotado a atividades criminosas, o Tentáculo. Elektra rapidamente se tornaria uma das personagens mais populares não somente da revista, mas de toda a Marvel, o que fez com que mais uma decisão de Miller se mostrasse altamente controversa: na edição 181, de abril de 1982, o Mercenário a mataria. Essa edição bateu recordes de vendas, e sua capa é hoje considerada uma das mais icônicas da revista.

A "Era Miller" duraria apenas mais um ano depois disso; cansado de acumular funções, Miller pediria para que o arte-finalista Klaus Janson assumisse os desenhos na edição 185, e, na 191, deixaria a revista. O próprio O'Neil, sob o argumento de que não havia nenhum outro bom candidato para o cargo, assumiria os roteiros, e manteria o clima noir criado por Miller, mas, aos poucos, desconstruiria a imagem de anti-herói criada por ele, voltando a fazer do Demolidor um herói tradicional Marvel.

A revista passaria por vários roteiristas e ilustradores ao longo dos anos seguintes, até Miller decidir voltar na edição 226, de janeiro de 1986. O desnehista, então, era David Mazzucchelli (que deve ter ganhado o prêmio de maior número de letras dobradas na indústria dos quadrinhos), e a dupla criaria a mais famosa saga do personagem, A Queda de Murdock, na qual Karen Page, ex-namorada do herói que não dava as caras desde quando Wolfman era roteirista, retorna como uma atriz pornô viciada em heroína e vende, para conseguir uma dose, a informação sobre a identidade secreta do Demolidor. Essa informação acaba chegando ao Rei do Crime, que orquestra um plano para cassar a licença de advogado de Matt e destruir sua vida. Também durante essa saga, Matt descobre que sua mãe está viva e se tornou freira.

Miller deixaria novamente a revista ao fim dessa saga, na edição 233. Após alguns roteiristas e desenhistas temporários, os roteiros seriam assumidos por Ann Nocenti na edição 238, de janeiro de 1987, e o traço por John Romita Jr. na edição 250, de janeiro de 1988. A "Era Nocenti" teria histórias com temas como feminismo, terrorismo, desarmamento nuclerar e direitos dos animais. Ela criaria outra vilã de sucesso, Mary Tyfoid, cuja identidade secreta, Mary Walker, teria um romance com Matt Murdock, sem que nenhuma das partes soubesse que a outra é alter ego de seu inimigo. Nocenti também ousaria ao criar uma série de histórias nas quais o Demolidor era removido, pela primeira vez, do ambiente urbano, com Matt indo morar na zona rural ao norte do estado de Nova Iorque. Ao fim dessa série, ele voltaria às origens, retornando à Cozinha do Inferno.

Nocenti ficaria na revista até a edição 291, de abril de 1991, quando seria substituída pelo roteirista D.G. Chichester, que trabalhava com o desenhista Lee Werks. Pegando o gancho de onde Nocenti parou, Chichester evoluiu ainda mais a relação do Demolidor com a cidade, escrevendo várias histórias nas quais o perigo era não um supervilão, mas criminosos comuns que ameaçavam moradores da Cozinha do Inferno. Ele também criaria a saga A Queda do Rei do Crime, que se concluiria na edição 300, na qual, com um plano engenhoso, Matt consegue readquirir sua licença de advogado e, finalmente, levar o Rei do Crime à justiça.

Miller ainda voltaria mais uma vez a escrever o Demolidor em 1993, mas não na revista regular, e sim na minissérie O Homem Sem Medo, ilustrada por John Romita Jr. A minissérie recontava a origem do herói buscando um meio termo entre o romantismo da versão original e o clima pesado da primeira versão de Miller, mostrando Jack Murdock como imperfeito mas não tanto, aprofundando o papel de Stick e Elektra na formação do herói e detalhando seu primeiro encontro com o Rei do Crime. A minissérie seria um grande sucesso, e muitos dos leitores que conheceriam o herói por ela migrariam para a revista regular.

Infelizmente, entretanto, simultaneamente à minissérie, Chichester, ao lado do desenhista Scott McDaniel, daria uma sacudida na vida do herói que não seria bem recebida nem pelos novos, nem pelos antigos fãs: na saga Caindo em Desgraça, que iniciou na edição 319, ele trouxe de volta Elektra (que, a bem da verdade, já tinha ressucitado lá na edição 190, quando a revista ainda era escrita por Miller) e fez com que o Demolidor sofresse um acidente que faria com que ele ficasse seriamente debilitado, precisando usar uma "armadura de material biomimético", nas cores vermelha, cinza e marrom, para poder continuar fazendo suas acrobacias. Mais que isso, sua identidade secreta seria publicamente revelada, e Matt teria de se envolver em um verdadeiro calvário para convencer o público de que ele não era o Demolidor, inclusive divulgando que a identidade secreta do herói era alguém chamado Jack Baitlan.

Essa saga e as histórias que se seguiram foram tão criticadas, e fizeram com que as vendas caíssem tanto, que a Marvel demitiria Chichester e colocaria J.M. DeMatteis em seu lugar com ordens expressas para desfazer aquilo tudo. Depois de DeMatteis, a revista passaria pelas mãos de outros roteiristas temporários, que fizeram um Demolidor bem mais parecido com o original da década de 1960 do que com o anti-herói criado por Miller. Para tentar salvar as vendas, Colan até aceitaria desenhar a revista novamente, mas acabaria se demitindo após sete edições, reclamando da qualidade dos roteiros. Como as vendas só faziam despencar, a Marvel tomaria uma atitude drástica e cancelaria a revista em sua edição 380, de setembro de 1998.

O cancelamento, pelo menos, não teria nada de permanente: após pular um mês, o Demolidor retornaria em uma nova revista, também chamada Daredevil, mas com numeração recomeçando do 1 e como parte do selo Marvel Knights, que trazia histórias mais adultas que o padrão da editora. Essa estreia já seria com uma saga, Diabo da Guarda, escrita pelo diretor de cinema Kevin Smith e ilustrada por Joe Quesada, que colocava o herói como guardião de uma criança que pode ser tanto o próximo messias quanto o anticristo. Nessa saga, o Demolidor também tem sua fé testada ao ver sua namorada de longa data Karen Page ser assassinada pelo Mercenário, justamente como havia ocorrido com Elektra, e chega a pensar no suicídio como solução para seus problemas.

Smith e Quesada trabalhariam na revista até a edição 8, sendo substituídos pelo roteirista e desenhista David Mack, que criaria a artista marcial surda Eco e traria seu amigo Brian Michael Bendis, responsável por reformular os Vingadores, para trabalhar na revista a partir de 2001. Bendis sacudiria novamente o universo do herói, mas dessa vez com histórias bastante elogiadas, que traziam o retorno do Rei do Crime, a introdução de uma nova namorada para o herói, Milla Donovan, e uma nova exposição de sua identidade secreta, que faria com que o FBI decidisse investigá-lo.

Aqui vale um parêntese para falar de mais uma minissérie, Demolidor: Amarelo, escrita por Jeph Loeb, ilustrada por Tim Sale e lançada em 2001. Essa minissérie reconta os primeiros dias de combatente do crime do Demolidor através de cartas escritas por Karen Page, que se vê apaixonada tanto pelo herói quanto por Matt Murdock, sem saber que os dois são a mesma pessoa. Premiadíssima, a minissérie traz duas grandes sacadas: não somente o apelido "O Homem Sem Medo" foi cunhado pela própria Page como também foi ela quem sugeriu que ele usasse um uniforme todo vermelho ao invés de amarelo, preto e vermelho.

Bendis ficaria na revista até a edição 81, de janeiro de 2006. Na edição seguinte, Ed Brubaker o substituiria, e a Marvel removeria a revista do selo Marvel Knights, dando liberdade ao roteirista para escrever histórias mais leves se assim o desejasse. Como, durante a "Era Bendis", as vendas haviam voltado a subir e se manteriam boas desde então, a Marvel optaria por retomar a numeração original - assim, após a edição 119, em agosto de 2009, viria a edição 500. Nessa edição, o Demolidor finalmente derrota o Tentáculo, se tornando seu novo líder.

Curiosamente, a numeração antiga não duraria muito. Após uma saga na qual o herói seria possuído por um demônio e deixaria a Cozinha do Inferno sob proteção do Pantera Negra para tentar se livrar do encosto, a Marvel decidiria mais uma vez recomeçar a numeração do 1 em setembro de 2011, trazendo o roteirista Mark Waid e o desenhista Paolo Rivera para a revista. Sob a batuta de Waid, Matt descobriu ser impossível continuar atuando como advogado devido ao interesse da imprensa em sua identidade de Demolidor, decidindo abrir uma firma de consultoria; o Demolidor se uniria aos Vingadores, participando também da revista do grupo de heróis, então escrita por Bendis; teria posse de um disco rígido com informações sobre todo o crime do mundo, sendo perseguido por vários criminosos que queriam por as mãos nele; se uniria ao Homem-Aranha e a Justiceiro para acabar de vez com os sindicatos do crime de Nova Iorque; seria sequestrado pelo Dr. Destino e levado para a Latvéria; e teria sua sanidade questionada pelo seu melhor amigo.

A numeração sequencial foi novamente interrompida na edição 36, de novembro de 2013. Após alguns meses sem aventuras do herói, o Demolidor retornou esse mês em uma nova revista com numeração começando pelo 1, dessa vez como parte do selo Marvel NOW!. Com roteiros ainda de Mark Waid e arte de Chris Samnee, a revista coloca o herói novamente vivendo em São Francisco, e tendo de lidar com muitas mudanças em sua vida.

O Demolidor é considerado pelos críticos com um dos mais interessantes heróis dos quadrinhos. Infelizmente, devido a seus altos e baixos, e talvez por opção da própria Marvel, que aparentemente não o considera um herói do mesmo patamar que o Homem-Aranha, os X-Men e os Vingadores, ele jamais conseguiu se tornar um dos mais populares. Resta torcer para que, com essa nova série, ele finalmente alcance um lugar mais alto na galeria dos super-heróis.

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