segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Clássicos Disney (II)

Hoje teremos a segunda parte do post sobre os Clássicos Disney, com os três últimos dos chamados Big Five, os cinco primeiros clássicos que Disney produziu.

Fantasia
1940


Acreditem ou não, na década de 1930, Mickey passava por um período de declínio em sua popularidade. Seus desenhos atraíam menos público que os do Pateta e do Pato Donald, e até mesmo que os do Popeye, do concorrente Max Fleischer. Para elevar novamente seu personagem mais querido à categoria de grande astro de seu estúdio, Walt Disney decidiu produzir um episódio especial de Silly Symphonies, que aliasse bela animação a música clássica.

Disney decidiu que esse desenho seria uma versão do poema O Aprendiz de Feiticeiro, de Goethe, usando a música de mesmo nome composta por Paul Dukas. O desenho não traria quaisquer falas, sendo sua animação perfeitamente sincronizada à música. Após esquematizar o roteiro e conseguir os direitos para o uso da música, Disney pôs-se a procurar um maestro de renome para conduzir a orquestra. Sua primeira escolha foi Arturo Toscarini, mas Disney acabaria optando por Leopold Stokowski, após conhecê-lo casualmente em um restaurante em Hollywood. Stokowski se mostrou tão empolgado em trabalhar para os estúdios Disney que chegou a oferecer trabalhar de graça no projeto.

A produção de O Aprendiz de Feiticeiro começaria em janeiro de 1938, com a gravação da música usando uma orquestra de 100 músicos regidos por Stokowski, seguida de um longo processo de animação que tentaria sincronizar cada cena com cada movimento da gravação. Isso se mostrou extremamente complicado, e logo o custo do desenho ultrapassaria os 125 mil dólares. Disney sabia que jamais conseguiria recuperar esse dinheiro com um curta-metragem. Felizmente, ele tinha um plano B.

Quando Disney e Stokowski se encontraram pela primeira vez, o maestro falou ao cineasta sobre uma ideia que tinha para um desenho de longa metragem: fazê-lo composto de vários segmentos, cada um tendo como música de fundo uma das grandes obras da música clássica. Disney não gostou da ideia de início, mas agora, com seu Aprendiz de Feiticeiro estourando o orçamento, começava a pensar nela com mais carinho. Produzindo mais episódios e juntando todos eles em um longa metragem, Disney poderia usar um orçamento maior, e teria mais chances de recuperar o dinheiro com a bilheteria.

Logo, logo, o projeto se tornaria um dos preferidos de Disney, que se via empolgado com a possibilidade de levar a música clássica a plateias que normalmente não tinham contato com ela. Como foi Stokowski quem teve a ideia, Disney permitiu que ele mesmo escolhesse o nome do filme, e o maestro escolheu Fantasia.

Disney convidou o compositor, crítico de música e personalidade do rádio da época Deems Taylor para atuar como consultor técnico; mais tarde, ele concordaria em fazer parte do filme como mestre de cerimônias, apresentando cada um de seus segmentos em um cenário junto à orquestra e a Stokowski. Disney, Taylor e Stokowski se reuniriam várias vezes para decidir quais músicas fariam parte do filme, tocando cada uma delas várias vezes, e imaginando quais histórias poderiam ser contadas durante sua execução. Algumas músicas acabariam fora do programa justamente por não se conseguir chegar a um consenso sobre como deveria ser a história, enquanto algumas histórias imaginadas pelos roteiristas ficariam de fora por não se adequarem a nenhuma das músicas escolhidas.

Como de costume, Disney não poupou esforços para que o desenho ficasse o mais perfeito possível: dançarinos foram contratados para ensinar aos animadores como os personagens deveriam dançar, várias visitas a museus e planetários foram feitas, e até mesmo jacarés e hienas foram levados ao estúdio para os animadores verem como eles se comportavam. Até mesmo o ator Béla Lugosi seria contratado para "interpretar" Chernabog, o demônio do último segmento - embora suas poses não tenham agradado o animador, que acabaria usando outro modelo para a versão final. Perfeccionista, Disney obrigava refilmagens de várias sequências, muitas vezes por dias e dias até que o efeito fosse o que ele esperava. Por causa disso, o último segmento só ficaria pronto um dia antes da estreia, e o último rolo de filme chegaria a Nova Iorque algumas horas antes da primeira exibição do desenho.

Fantasia conta com sete segmentos, além de uma introdução na qual os músicos são apresentados, e de um intervalo no qual os músicos fazem uma jam session e "apresentam a trilha sonora", como se ela fosse um personagem. O primeiro dos segmentos traz como trilha Tocata e Fuga em D Menor, de Johann Sebastian Bach, e tem uma animação abstrata, que se move ao som dos instrumentos. O segundo, meu preferido, é O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky, ambientada em uma floresta onde flores, plantas, peixes e fadinhas dançam ao som da música. O terceiro é O Aprendiz de Feiticeiro, e em seguida temos A Sagração da Primavera, de Stravinsky, contando o início da vida na Terra. Depois do intervalo, vemos a Sinfonia Pastoral, de Beethoven, em um cenário da Grécia Antiga, com centauros, pégasos e ninfas em uma festa em homenagem ao deus Dionísio. O hilário sexto segmento traz A Dança das Horas, de Amilcare Ponchielli, ao som da qual avestruzes, hipopótamos, elefantes e jacarés dançam balé. Finalmente, com Noite em Monte Calvo, de Modest Mussorgsky, o demônio Chernabog convoca seus servos para dominar o mundo, mas é impedido pelo raiar do dia, ao som da Ave Maria de Schubert.

Ao todo, mais de mil pessoas trabalharam em Fantasia. Além da animação, Disney também planejava que o som fosse perfeito e, por isso, não podia usar o som normal dos cinemas da época. A solução seria inventar, em conjunto com os engenheiros da RCA, um novo sistema de som, que ele batizaria de fantasound, cujo objetivo era fazer com que o público se sentisse assistindo a uma apresentação da orquestra de Stokowski, e não a um filme no cinema. O fantasound usaria nada menos que 33 microfones durante a gravação do som da orquestra, nove canais de som, um circuito diferencial de três vias inventado especialmente para a ocasião, e doze caixas de som espalhadas pelo cinema. Graças a isso, Fantasia seria o primeiro filme a ser exibido em um cinema usando som estéreo e surround, algo que é o padrão atualmente. Disney também pretendia fazer com que o filme fosse em 3D, mas acabaria - felizmente - abandonando essa ideia por não querer que o público tivesse de usar os óculos próprios durante a apresentação. Se bem que eu acho que, se ele pudesse, teria inventado uma forma de fazer o desenho em 3D sem os óculos.

No total, Fantasia consumiu 2,28 milhões de dólares. Sua estreia seria em 13 de novembro de 1940, em um esquema conhecido nos Estados Unidos como roadshow: o filme inicialmente estreia em apenas alguns cinemas de algumas cidades, e somente com uma ou duas sessões por dia, cada uma delas com um intervalo no meio, mudando de cidades após algumas semanas. Ao todo, 88 cidades receberiam Fantasia nesse esquema antes de sua estreia "normal" em abril de 1941, distribuído pela RKO. Os esforços de guerra começaram a cobrar um preço, entretanto, e, para a estreia nacional, o filme não pôde contar com o fantasound, sendo exibido com som mono. Fantasia ainda seria relançado novamente, com som estéreo e em widescreen, em 1956 e 1963; com som estéreo e seu formato de tela original em 1969 e 1977; com som restaurado digitalmente em 1982 e 1985; e totalmente restaurado, por ocasião de seu quinquagésimo aniversário, em 1990. O fantasound, porém, só seria mesmo usado em sua exibição original, lá no roadshow.

Disney pretendia fazer de Fantasia uma obra em eterna construção; a cada ano, novos segmentos seriam adicionados, enquanto alguns antigos seriam removidos. Esse projeto acabaria soterrado por um fato inesperado: Fantasia foi um imenso fracasso de bilheteria. O alto custo da instalação do fantasound, a Segunda Guerra Mundial e a falta de interesse do grande público pela música clássica fizeram com que poucos cinemas se interessassem em exibi-lo após o lançamento oficial - e mesmo a renda do roadshow ficaria abaixo do esperado. Felizmente, a cada relançamento o desenho seria redescoberto e novamente elogiado - somando todas as suas bilheterias, chega-se a mais de 76 milhões de dólares. Hoje, Fantasia é considerado por quase todos como uma obra-prima, um dos mais fantásticos desenhos animados de todos os tempos.

Vale citar como curiosidade que O Aprendiz de Feiticeiro foi o primeiro desenho de Mickey no qual ele apareceria com pupilas, acrescentadas para que seu rosto se tornasse mais expressivo. Até então, Mickey só havia aparecido com seu visual hoje considerado clássico, cujos olhos são compostos apenas pelas íris.

Dumbo
1941


Em 1939, o gerente de merchandising da Disney, Kay Kamen, apresentou a Walt uma nova ideia com a qual havia entrado em contato: um "Roll-a-Book", um livro infantil no qual, ao invés de passar as páginas, a criança rolava uma espécie de pergaminho, mudando as imagens em uma tela conforme lia. Escrito por Helen Aberson e ilustrado por Harold Pearl, o Roll-a-Book contava a história de Jumbo Jr, um elefantinho que, por causa de suas orelhas enormes, era ridicularizado por seus colegas, recebendo o apelido de Dumbo - dumb, em inglês, significa estúpido ou pouco inteligente. Voltado às crianças pequenas, o livro possuía apenas oito desenhos e poucas linhas de texto.

Kamen pretendia que a Disney passasse a investir ela também em Roll-a-Books. Walt Disney, entretanto, teve justamente a ideia contrária: transformar a história de Dumbo em um episódio de Silly Symphonies. Após negociar com Aberson e Pearl, Disney rapidamente conseguiu os direitos da história, e colocou sua equipe para trabalhar em um roteiro. Mas, no ano seguinte, os sucessivos fracassos de bilheteria de Pinóquio e Fantasia fariam com que ele mudasse seus planos: Disney precisava de um novo longa metragem, de orçamento baixo e retorno alto, para tentar equilibrar suas finanças. Dumbo seria o escolhido.

No filme, assim como no livro, Dumbo é um filhote de elefante que nasce com orelhas enormes, o que leva à ridicularização por parte das crianças que frequentam o circo no qual ele e sua mãe, a Sra. Jumbo, trabalham. Um dia, revoltada, a Sra. Jumbo tenta proteger seu filho e é tida como louca, sendo acorrentada e separada de Dumbo, que, então, passa a figurar no show dos palhaços. Sozinho no mundo e maltratado pelos palhaços, Dumbo faz amizade com o ratinho Timóteo, que tenta levantar sua auto-estima. Um dia, acidentalmente, Dumbo e Timóteo descobrem que, graças a suas enormes orelhas, Dumbo é capaz de voar, um fato inédito e impressionante para um elefante, que mudará sua vida para sempre.

Para manter o orçamento baixo, Disney determinou que a produção do desenho fosse o mais simples possível, mais próxima dos curtas do que dos três longas lançados até então. Por causa disso, embora use os mesmos planos de fundo aquarelados vistos em Branca de Neve, Dumbo não usa nenhuma outra técnica de animação revolucionária, tendo personagens de desenhos simples, cenários pouco detalhados e poucas células de animação. Com 64 minutos, é o mais curto de todos os Clássicos Disney - tão curto que a RKO quase se recusou a distribuí-lo, pedindo para que Disney ou o estendesse, ou o cortasse e o transformasse em um curta, ou permitisse sua exibição casada com outro filme. Somente após muita insistência de Disney é que a RKO aceitaria distribuí-lo como estava.

Até mesmo os dubladores tiveram de entrar em um acordo, recebendo pouco e não tendo seus nomes creditados durante a exibição. O principal nome do elenco era Edward Brophy, que dublou o ratinho Timóteo, e, curiosamente, era mais conhecido por interpretar gângsters. Dois dubladores já ligados à Disney concordaram em fazer participações especiais no filme, Sterling Holloway como a Cegonha, e Cliff Edwards, a voz do Grilo Falante, como o líder do grupo de corvos. Já a matriarca dos elefantes ficaria a cargo de Verna Felton, que retornaria no futuro para dublar a fada-madrinha de Cinderela, a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas e a fada Flora de A Bela Adormecida. Por opção dos roteiristas, tanto Dumbo quanto sua mãe, a Sra. Jumbo, são mudos.

A estratégia de Disney acabaria dando certo: com um custo de apenas 813 mil dólares, ainda alto, mas equivalente à metade do que custou Branca de Neve e um terço do que custaram Pinóquio e Fantasia, Dumbo arrecadaria 1,6 milhão de dólares após sua estreia, em 23 de outubro de 1941. Os críticos ficaram novamente encantados, declarando que o desenho era uma grata volta às origens, depois da experimentação artística que havia sido Fantasia. O elefantinho voador acabaria salvando os Estúdios Disney de uma provável falência, e se tornaria tão popular que a revista Time o selecionaria para sua capa da edição de dezembro de 1941. Infelizmente, naquela mesma época os japoneses bombardeariam Pearl Harbor, os Estados Unidos entrariam definitivamente na Segunda Guerra, e a capa da revista acabaria sendo dedicada ao ataque, e não a Dumbo.

Dumbo seria indicado ao Oscar de Melhor Canção (Baby Mine) e de Melhor Trilha Sonora, ganhando este último, além de conquistar o prêmio de Melhor Animação no Festival de Cannes. Mantendo a tradição, o desenho seria relançado nos cinemas em 1949, 1959, 1972 e 1976, sempre com boa bilheteria. Dumbo também seria o primeiro Clássico Disney a ser exibido na televisão, embora editado para ficar com apenas 40 minutos, no programa Disneylândia, em 1974.

Bambi
1942


Assim como os demais Clássicos Disney até então, Bambi não foi inventado por Walt Disney. Trata-se de uma adaptação do livro Bambi: Eine Lebensgeschichte aus dem Walde ("Bambi: a história de uma vida na floresta"), escrito em 1923 pelo austríaco Felix Salten. Em 1933, a MGM havia comprado os direitos do livro, e pretendia com eles fazer um filme, usando animais de verdade. Evidentemente, logo o projeto se mostrou impossível para a época e, para tentar recuperar parte do dinheiro investido, em 1937 a MGM ofereceu os direitos a Disney, que os comprou prontamente, empolgado com a possibilidade de fazer um desenho em longa metragem inspirado em um livro recente.

Disney pretendia que Bambi fosse seu segundo longa, logo após Branca de Neve. Os roteiristas, entretanto, tiveram vários problemas para adaptar a história, que consideraram adulta e sombria, para um desenho para toda a família. Os animadores também tiveram certas dificuldades para fazer animais realísticos, e, na opinião de Disney, os estavam fazendo caricatos demais, quase antropomórficos, o que acabaria com o clima da história. Diante destes problemas, a produção foi interrompida, e retomada apenas após a conclusão de Pinóquio. O envolvimento do estúdio com Fantasia e a necessidade de se fazer Dumbo para ganhar dinheiro acabariam atrasando ainda mais a produção, e o resultado seria que, ao invés do segundo, Bambi seria apenas o quinto Clássico Disney.

Animado com a boa bilheteria de Dumbo, Disney voltou ao seu estado normal de perfeccionismo: um pintor de animais foi contratado especialmente para ensinar aos animadores como os animais do filme deveriam se comportar; um pequeno zoológico, com coelhos, cangambás, corujas e dois filhotes de veado foi montado dentro do estúdio, para que seus hábitos pudessem ser estudados; e o responsável pelos planos de fundo passaria duas semanas nas florestas do Vermont e do Maine, fotografando e estudando paisagens e animais. O perfeccionismo nos detalhes dos animais era tanto que apenas um segundo de filme era produzido por dia, ao invés dos treze segundos usuais. Devido a esse atraso, Disney teria que cortar 12 minutos do roteiro, sob o risco de não ter dinheiro para concluir o desenho.

O filme acompanha a vida de Bambi (dublado, conforme cresce, por Bobby Stewart, Donnie Dunagan, Hardie Albright e John Sutherland), um filhote de veado (no livro, ele é uma corça, mas os animadores decidiram mudar porque não existem corças nos Estados Unidos; talvez, se não tivessem mudado, não teríamos hoje centenas de piadinhas envolvendo as palavras "Bambi" e "veado") filho do Grande Príncipe da Floresta (Fred Shields), o mais importante de sua espécie. Tendo, a princípio, como única companhia a sua mãe (Paula Winslowe), Bambi logo faz amizade com dois outros animais, o coelho Tambor (Peter Behn, Tim Davis e Sam Edwards) e o cangambá Flor (Stan Alexander, Tim Davis e Sterling Holloway) - que, apesar do nome, é macho. Juntos, e sempre observados pelo Amigo Coruja (Will Wright), os três se envolvem em grandes brincadeiras, descobrindo os encantos da floresta, as dificuldades do inverno e as delícias do prado - onde Bambi, inclusive, conhece o amor, na figura da veada Faline (Cammie King e Ann Gillis). Mas nem tudo é leveza na vida de Bambi: da pior maneira, ele aprenderá sobre seu pior inimigo, o Homem. Em sua infância, o Homem o privará de sua mãe; em sua vida adulta, será responsável por um incêndio na floresta que quase o privará de seus amigos.

A cena da morte da mãe de Bambi, aliás, é uma das mais traumáticas de toda a história do cinema. O curioso é que, tecnicamente, essa cena não existe: jamais vemos a mãe de Bambi alvejada ou morta, tudo é sugerido pelos sons da floresta e pela solidão do pobre Bambi ao retornar para seu lar - suficientes, ainda assim, para fazer chorar milhares de criancinhas ao longo de todos esses anos. O Homem, maior vilão do filme, também nunca aparece na tela, sendo sua presença apenas sugerida - uma presença tão aterradora que o colocou no vigésimo lugar de uma lista dos 50 maiores vilões do cinema, elaborada pelo American Film Institute em 2003.

Bambi seria lançado em 13 de agosto de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. Talvez por isso, tenha sido um novo fracasso de bilheteria: ao custo de quase dois milhões de dólares, rendeu menos um milhão. Após o final da Guerra, entretanto, em 1947, o filme seria relançado, e aí sim se tornaria um sucesso. Seguindo a tradição, Bambi seria novamente relançado em 1957, 1966, 1975, 1982 e 1988 - somando todas as suas bilheterias, o filme renderia mais de 267 milhões de dólares. Bambi seria indicado aos Oscars de Melhor Edição de Som, Melhor Canção (Love is a Song) e Melhor Trilha Sonora, mas não ganharia nenhum dos três.

Bambi seria extremamente importante para os Estúdios Disney como forma de aprendizado: várias das técnicas de animação desenvolvidas durante a produção do filme seriam utilizadas no futuro, tanto em longas quanto em curtas, e centenas de novas cores criadas especialmente para ele estavam agora à disposição dos animadores. O desenho é considerado um dos principais responsáveis pelo alto padrão Disney de qualidade visto especialmente a partir de 1950, já que, graças a ele, agora seus animadores tinham referências para diversos graus de realismo em seus personagens.

Além disso, Bambi seria o responsável pela criação de um ícone: devido à cena do incêndio na floresta, o governo dos Estados Unidos propôs a Disney que Bambi se tornasse o símbolo de uma campanha de prevenção contra incêndios. Disney concordou, mas licenciou o personagem por apenas um ano. Como a campanha ainda estava fazendo sucesso após esse período, o governo teve de criar um novo personagem para estrelá-la - e acabou criando o urso Smokey, aquele vestido de guarda florestal, que fala "só você pode prevenir os incêndios nas florestas", hoje considerado um dos personagens mais famosos dos Estados Unidos.

Para finalizar, vale citar que, em 2006, Bambi ganharia uma sequência, chamada Bambi 2: O Grande Príncipe da Floresta. Esse segundo filme, que nos Estados Unidos foi lançado diretamente em DVD, mas aqui no Brasil e em alguns países da Europa chegou a ser exibido nos cinemas, conta como foi a infância de Bambi ao lado de seu pai, preenchendo o buraco que há no original entre a morte de sua mãe e seu reaparecimento já na idade adulta. Bambi 2 entraria para o Livro dos Recordes como continuação lançada mais tempo depois do original: nada menos que 64 anos separam os dois filmes.

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