segunda-feira, 16 de maio de 2011

Toei Heroes (IV)

Hoje teremos mais um post sobre os heróis clássicos da Toei, com mais criações fantásticas de Shotaro Ishinomori.

Robotto Keiji K
1973


Exibido entre abril e setembro de 1973 na TV Fuji, o Policial Robô K (e esse K se pronuncia "kei") foi o primeiro herói a surgir na esteira de Kikaider, que estreou no ano anterior. Para quem não sabe ou não se lembra, Kikaider era praticamente o inverso dos demais heróis henshin, humanos ou alienígenas de aparência humana que se transformam para ganhar incríveis poderes: originalmente, ele era um androide de incríveis poderes, que se transformava para assumir aparência humana.

Um dia, o produtor Akira Hirayama procurou Ishinomori, criador de Kikaider, com uma proposta que expandiria esse conceito: um androide que não assumisse forma humana, mas simplesmente vestisse roupas para ocultar sua aparência, vivendo dentre os humanos sem que ninguém se importasse. Ishinomori gostou da ideia, e assim nasceu K.

Assim como outra criação famosa de Ishinomori, o Kamen Rider, a origem de K está diretamente ligada à organização criminosa que ele combate, chamada Bad. Diferentemente de outras organizações criminosas que planejavam dominar o mundo, a Bad visava simplesmente o lucro a qualquer preço, agindo com crimes como assalto, sequestro e extorsão, sempre tentando obter a maior quantidade de dinheiro possível. Apesar de seu poder, a Bad seria uma organização criminosa comum, se não fosse pelas habilidades de seu líder e fundador, Kirishima, um cientista brilhante da área de robótica. Graças a ele, a Bad se utilizava não de humanos, mas de robôs com características especiais adequadas ao tipo de crime que iriam cometer (os "Bad Robots"), bem como de ciborgues de aparência humana mas grande força, agilidade e velocidade, armados com metralhadoras e facas, que atuavam como capangas (os "Bad Agents" - pois é, nomes muito criativos).

Graças aos robôs e ciborgues dos vilões, a polícia não era páreo para a Bad, que expandia a cada dia seu império do crime, sem que os valorosos policiais japoneses pudessem fazer nada para impedir. Até que Saori, irmã de Kirishima, decidiu intervir. Também uma cientista brilhante da área da robótica (quem diria), ela decidiu criar um androide superavançado, que combinava emoções humanas a uma força e inteligência sem comparação, além de esconder todo o tipo de arma em seu corpo. A esse androide ela deu o nome de K.

A princípio, K não era muito bem visto pela polícia, mas, conforme ia derrotando os agentes da Bad, passaria a ser mais respeitado, até que todos passaram a tratá-lo como igual. Como não tinha a capacidade de assumir forma humana, no dia a dia, fora das batalhas, K vestia uma calça comproda branca, um jaquetão vermelho, e sapatos, luva e boina amarela - aparentemente, Saori esqueceu de ensiná-lo a combinar roupas ao programá-lo. Quando chegava a hora da batalha, K arrancava sua jaqueta (e o resto da roupa sumia misteriosamente) para revelar seu corpo robótico, que além de ultrarresistente ainda escondia uma metralhadora, um rifle com mira telescópica, um radar, um monitor de TV, jatos nas pernas que lhe permitiam voar por um curto período de tempo, uma pistola que disparava água ou metal líquido, uma arma sônica, granadas, um detetor de metais, um lança-chamas, uma broca, uma serra e um lança-foguetes. Além disso tudo, K ainda tinha um golpe especial com a mão, parecido com aquele golpe de caratê que quebra tábuas, e o "Modo Blow Up", no qual seu corpo ficava vermelho, ainda mais resistente, e com acesso a dois lança-mísseis nos ombros e três lasers na cabeça.

Uma das características mais distintivas de K eram seus olhos, que mudavam de cor de acordo com sua emoção: normalmente, eles eram amarelos, e no Modo Blow Up eram prateados, mas quando K estava triste eles ficavam azuis, e quando estava zangado, vermelhos. Saori também construiu para ele um carro especial, chamado Joker, que possuía sua própria inteligência artificial, podia alcançar a velocidade de 500 Km/h, e ainda passar por pequenas transformações que lhe permitiam voar ou mergulhar a profundidades de até 300 metros. Saori residia em uma grande fortaleza em formato de estátua chamada, apropriadamente, Mother, para a qual K podia ser levado caso precisasse de reparos.

Dentre os aliados humanos de K estavam o Detetive Go Shinjo, primeiro a aceitar sua presença na polícia, e que acabaria se tornando seu parceiro; o informante Jihei Jigoku ("ouvidos do inferno"), que sempre tentava vender informações quentes para a dupla; e o Inspetor-Chefe Daizo Chiba, que relutou o quanto pôde a ter um robô sob seu comando, principalmente porque suas duas filhas eram apaixonadas por ele.

Robotto Keiji K teve 26 episódios e um filme para o cinema, que era uma espécie de resumo da série, com poucas cenas inéditas. Foi exibido no Havaí no final da década de 1970 com o nome de Robot Detective, pelo qual a série é mais conhecida fora do Japão. Além do tokusatsu, K teve um mangá, também escrito por Ishinomori, publicado na Weekly Shonen Magazine no segundo semestre de 1973. Como de costume, o mangá tinha várias diferenças em relação à série, a principal a de que o cérebro de K era orgânico, ou seja, ele era um ciborgue, não um androide. Vale citar como curiosidade que a organização criminosa liderada por Kirishima no mangá se chamava RRKK, e a criadora de K se chamava Reiko, não Saori.

Até hoje, no Japão, K é um personagem muito famoso, tanto que de vez em quando surge um novo policial robô incapaz de assumir forma humana e que às vezes se veste com um jaquetão para homenageá-lo, como o Metal Hero Janperson; o lutador Q, de Street Fighter III; ou o policial Pero, do anime Metrópolis.

Inazuman
1973


No início da década de 1970, Shotaro Ishinomori começaria a trabalhar em uma nova série em anime, chamada Mutant Z, na qual adolescentes com poderes mutantes combateriam vilões também mutantes - qualquer semelhança com os X-Men, lançados uns dez anos antes, provavelmente era mera coincidência. Mutant Z acabou engavetado, mas Ishinomori aproveitaria o que já tinha criado em sua nova série de tokusatsu, Inazuman (o "homem-relâmpago").

Por algum motivo desconhecido, mutantes começam a nascer em meio aos humanos. Alguns deles, deformados e monstruosos, não encontram lugar na sociedade e se revoltam. Surge, então, o Imperador Bamba, autoproclamado líder de todos os mutantes, que funda uma organização conhecida como Shinjinrui (a "nova ordem humana"). O objetivo da Shinjinrui é, simplesmente, exterminar todos os humanos do planeta, para que apenas os mutantes vivam na Terra. E, incidentalmente, matar também todos os mutantes que se oponham a seus planos, pois são aliados dos humanos e merecem morrer.

Para combater a Shinjinrui, o Governo da Terra cria a organização Youth Corps, formada por jovens com poderes mutantes e psíquicos. Dentre esses jovens, se destaca Goro Watari, jovem que teve uma infância extremamente problemática - sua mãe morreu quando ele ainda era uma criança, e sua primeira namorada foi levada por soldados norte-americanos durante a ocupação japonesa - mas que demonstra grande senso de justiça, coragem e determinação. Mais que isso, Goro é um mutante poderoso, o que será revelado durante sua primeira luta contra o exército da Shinjinrui.

Cruzando os braços sobre o peito e proferindo a frase gouriki shourai ("conjurar poder maior"), Goro se transforma em uma criatura conhecida como Sanagiman (o "homem-larva"), de grande força, agilidade e resistência. Sanagiman possui um cinto com um medidor, e a habilidade de converter em energia qualquer ataque proferido contra ele. Quando o medidor avisa que seu poder já está no nível máximo, ocorre uma segunda transformação: cruzando novamente os braços sobre o peito e proferindo a frase chouriki shourai ("conjurar poder definitivo"), Sanagiman se transforma em Inazuman, que tem força, agilidade, velocidade e resistência ainda maiores, alguns poderes baseados em eletricidade, e um cachecol que se transforma em diversas armas, além de um elo telepático com seu carro Raijingo, que pode se controlar sozinho, lançar mísseis e morder inimigos com uma boca escondida no capô.

Inazuman é, na verdade, como sua aparência atesta, uma espécie de mariposa - nos rascunhos de Mutant Z, inclusive, ele tinha asas que lhe permitiam voar e uma prosbócide com a qual absorvia energia. Seguindo esse raciocínio, Sanagiman seria seu estado de pupa, e Goro o estado de lagarta, precisando passar pela forma intermediária para obter os poderes da forma final.

A principal missão de Inazuman enquanto membro da Youth Corps era combater a Shinjinrui, composta por mutantes de diferentes formas e poderes, auxiliados pelo Phantom Army - soldados que lembravam os da Segunda Guerra Mundial, com máscaras de gás e metralhadoras - e comandados pelo Imperador Bamba.

Inazuman foi exibido na TV Asahi entre outubro de 1973 e março de 1974, com um total de 25 episódios e um filme para o cinema, produzido em 3D. Os vilões do filme eram uma organização criminosa diferente, a Despair Army (o "exército do desespero", em inglês), liderada pelo Fuhrer Geisel - que, acreditem ou não, foi batizado em homenagem ao Presidente do Brasil na época, Ernesto Geisel.

A Despair Army tinha um objetivo um pouco diferente da Shinjinrui: exterminar todos os mutantes do mundo, para que somente os humanos vivessem na Terra, incidentalmente matando os humanos que defendessem os mutantes. No episódio 24, esses novos vilões estrearam também na série, onde, como era de se esperar, entraram em conflito com a Shinjinrui,o que fez com que Inazuman tivesse dois inimigos para combater ao invés de um. Pelo menos a rixa entre os dois imperadores do mal levou à destruição do Imperador Bamba, no episódio 25.

Para combater a Despair Army, portanto, Inazuman ganharia uma segunda série, chamada Inazuman Flash, exibida entre abril e setembro de 1974, também na TV Asahi, para um total de 23 episódios. Inazuman ganhou uma nova arma, parecida com um canivete, que lhe permitia lançar raios elétricos, e um novo parceiro, o agente da interpol Arai Makoto, secretamente um ciborgue, que possui motivos pessoais para combater a Despair Army. Inexplicavelmente, toda a Youth Corps sumiu da série, sem que nenhum de seus integrantes aparecesse em Inazuman Flash.

Para todos os efeitos, Inazuman e Inazuman Flash são cosideradas duas séries distintas, mas a continuidade das histórias - afinal, a Despair Army estreia no episódio 24 de Inazuman - e o fato de que o episódio 25 de Inazuman termina com o famoso tsuzuku ("continua") no canto inferior direito da tela faz com que muitos fãs e muitas fontes considerem tudo como uma única série de 48 episódios. Falando nisso, Inazuman Flash também teve um filme para o cinema, no qual os vilões também eram a Despair Army.

Após a estreia do tokusatsu, como era de seu costume, Ishinomori decidiu lançar também um mangá de Inazuman, lançado com o nome de Mutant Sabu. O mangá era muito mais parecido com o rascunho original de Mutant Z, com Inazuman - que agora se chamava Saburo Kazeda, apelido Sabu, daí o nome do mangá - sendo um adolescente com poderes mutantes, que estudava em uma escola própria para adolescentes mutantes e eventualmente enfrentava mutantes malvados na companhia de seus amigos. O Inazuman do mangá tinha asas e podia voar, mas Sabu ainda tinha de passar pelo estágio de Sanagiman antes de poder se transformar nele.

De vez em quando surgem boatos de que um anime de Inazuman estaria sendo produzido, mas até hoje isso não se confirmou. Inazuman fez uma participação especial, entretanto, em um dos episódios do anime de Kikaider, lançado em 2004. Mas esse Inazuman era o do mangá, não o do tokusatsu, que só retornaria em uma participação especial em um filme lançado mês passado em homenagem aos 40 anos do Kamen Rider, chamado OOO, Den-O, All Riders: Let's Go Kamen Riders.

Segai no Shimboru Condorman
1975


Destoando um pouco dos demais heróis de hoje (e da Toei), Condorman não foi uma criação de Ishinomori, mas de Kohan Kawauchi, criador de quatro heróis superclássicos: Gekko Kamen, o primeiro seriado de tokusatsu da TV japonesa; Nanairo Kamen, primeiro tokusatsu da Toei; e dois heróis de muito sucesso produzidos pela Toho, Rainbowman e Diamond Eye. Foi justamente o sucesso desses dois heróis, exibidos na TV japonesa respectivamente em 1972 e 1973, que levou o produtor Akira Hirayama a convidar Kawauchi a criar um novo herói para a Toei.

O jovem Ishin Mitsuya era membro da NGO, uma organização internacional devotada a manter a paz em todo o planeta. Um dia, ele foi enviado para uma missão nos Estados Unidos, onde deveria deter um grupo terrorista que tentava assassinar um político. Durante a missão, Mitsuya e os terroristas se depararam com um raríssimo Dragão Condor, que tentava proteger seu ovo. Os terroristas atacaram o dragão, mas Mitsuya o protegeu, infelizmente morrendo no processo. Em agradecimento, o dragão pediu ao mago Taba Roujin, que morava ali perto e era seu amigo, para fundir o corpo de Mitsuya ao dragãozinho que nasceria do ovo. Através dessa fusão, Mitsuya ressucitou, ganhou incríveis poderes, e se transformou no Símbolo da Justiça Condorman.

Ou quase. O Mitsuya ressucitado não é o mesmo Mitsuya morto, e sim o espírito do Dragão Condor vivendo em seu corpo. Por causa disso, ele não possui nenhuma memória de sua vida, e, ao retornar ao Japão, não reconhece sua família e colegas de trabalho. Taba, então, passa a agir como uma espécie de mentor, guiando-o nessa nova vida e ensinando-o a usar seus poderes para o bem.

O que será bastante necessário, já que os terroristas que a NGO perseguia não eram humanos, mas monstros nascidos das emoções negativas da humanidade, capazes de assumir aparência humana e devotados a mergulhar nosso planeta no caos. Somente Condorman consegue identificar os monstros disfarçados, através de seu poder Condor Eye. Suas armas na batalha eram as adagas Condor Arrows, em formato de penas, que arremessava, e os golpes especiais Condor Hurricane, Condor Thunder e o poderoso soco Shocker Punch, com o qual destruía os monstros. Mais para o final da série, Condorman ganha também a habilidade de voar e a capacidade de se transformar em um dragão, que cospe fogo e tudo.

Além desses incríveis poderes, Condorman possuía um carro, o Golden Condor, que tinha um bico no lugar do capô, podia voar e disparar um raio de calor de seus faróis. Finalmente, Condorman possuía a habilidade de se comunicar com os pássaros, entendendo o que eles diziam e podendo conversar com eles, além de poder estabelecer um elo mental com um pássaro qualquer, através do qual podia enxergar através dos olhos do pássaro em questão.

Enquanto não estava sob a forma de Condorman, Mitsuya ficava com sua família, que não se conformava com sua amnésia e fazia todo o possível para ajudá-lo. A família era composta de seu pai, Gentaro, sua mãe, Tamiko, sua irmã caçula, Yoko, seu irmão mais velho, Ken, e sua cunhada Makoto, esposa de Ken. Ken era o membro mais atuante da família, pois era um repórter, sempre em busca de novas notícias sobre Condorman e os monstros, normalmente em companhia de sua assistente e fotógrafa Maki Oomaeda. Outros personagens de destaque eram a namorada de Mitsuya, Sayuri Terada; Ishimatsu Iwata, um rapaz que trabalhava no mercadinho de propriedade da família Mitsuya; e um grupo de sete crianças conhecidas como Condor Jr. (Nobuyuki, Toru, Hiroshi, Shimizu, Terashima, Takeda e Akemi), para os quais Condorman deu penas douradas com as quais poderiam chamá-lo em caso de emergência. Os Condor Jr. atuavam como detetives mirins, às vezes ajudando Condorman, às vezes tendo de ser salvos por ele por enfiarem o nariz onde não deviam, e normalmente estando sob a guarda de Makoto.

Os monstros que atuavam como vilões da série eram conhecidos simplesmente como Família Monstro (monsuta ichizoku no original). Seu líder era King Monster, nascido da ganância da humanidade. King Monster tinha três rostos, um azul, um amarelo e um vermelho, além de enormes chifres e um terceiro olho no rosto azul, com o qual podia lançar raios mágicos. Sua base de operações era no Empire State Building, de onde enviava seus asseclas, disfarçados de humanos, para espalhar o terror pelo planeta. Outros monstros de destaque eram o cientista Madosaienda, o assassino profissional Gamma Dan e o general Red Batton, que comandava os Gokibura, soldados da Família Monstro que se pareciam com baratas gigantes.

Condorman teve 24 episódios, exibidos entre março e setembro de 1975 na TV Asahi, além de um filme para o cinema, que, assim como o de K, era uma espécie de resumo da série.

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