segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Arquivo X

Quando eu fico sem assunto, costumo olhar para a minha coleção de DVDs, em busca de algum filme sobre o qual sinta vontade de falar. Hoje, porém, eu resolvi fazer uma coisa meio diferente: assim que bati o olho nos DVDs, vi não um filme, mas um box de uma série. Como eu já havia falado sobre filmes semana passada, achei que seria bom variar um pouquinho. Portanto, hoje é dia de Arquivo X aqui no átomo. Que talvez já merecesse um post há mais tempo, mas, enfim, às vezes as coisas acontecem de formas estranhas.

Arquivo X (The X-Files no original) acompanha dois agentes do FBI, Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson), que trabalham no departamento de mesmo nome, dedicado a casos sem solução normalmente associados a fenômenos paranormais. Especialista em traçar perfis de criminosos, Mulder se voluntariou para trabalhar nos Arquivos X devido a uma experiência pessoal: aos 12 anos, viu sua irmã, Samantha, ser abduzida por extraterrestres. Convencido de que extraterrestres vivem entre nós há anos sem o conhecimento geral da população, Mulder dedica sua carreira a expor uma conspiração do governo, que ocultaria esse fato para proteger seus próprios interesses. Scully, por outro lado, é uma médica, de família católica, que acredita que todos os fenômenos paranormais relatados nos Arquivos X tenham uma explicação científica. No primeiro episódio, ela é designada para "desmascarar" o trabalho de Mulder, explicando tais fenômenos à luz da ciência. Conforme a dupla investiga os casos, entretanto, Scully vai se vendo cada vez mais envolvida na conspiração relatada por Mulder, e passa a ter sua fé e sua habilidade questionadas.

A série foi criada em 1992 por Chris Carter, um produtor de séries do canal Fox. Cansado de produzir comédias, um dia Carter leu uma reportagem que dizia que quase quatro milhões de norte-americanos alegavam ter sido abduzidos por extraterrestres, e decidiu criar uma série nos moldes de Kolchak e os Demônios da Noite, famosa série da década de 1970 exibida na ABC, na qual um repórter investigava casos ligados ao ocultismo e à paranormalidade, mas jamais conseguia provas do que vira, o que fazia com que ninguém acreditasse em suas histórias. Carter escreveu sozinho o roteiro do episódio piloto, no qual um casal de agentes do FBI investigava um caso envolvendo extraterrestres, e o ofereceu à emissora.

Os executivos da Fox, entretanto, não se mostraram muito entusiasmados. Em primeiro lugar, eles não acreditavam que o público pudesse se interessar pelo tema. Em segundo, eles gostariam que Scully fosse uma loura gostosona envolvida romanticamente com seu parceiro, e não uma cientista cabeçuda que sempre questionava tudo. Em terceiro, eles não acreditavam que a inversão de papéis proposta por Carter, e que desafiava o status quo dos seriados televisivos - Mulder, o homem, é intuitivo e dá muito valor a palpites, enquanto Scully, a mulher, segue a lógica e valoriza a razão - fosse funcionar.

Carter, porém, não desistiu, fez algumas mudanças no roteiro - mantendo, porém, suas convicções - e atazanou os executivos até conseguir a luz verde para escalar o elenco. Gillian Anderson, uma atriz de teatro sem nenhuma experiência na televisão, na época com 24 anos, foi a primeira a ser escolhida, pois Carter acreditou ser a única a fazer o teste capaz de interpretar Scully. David Duchovny, que na época gostaria de construir uma carreira no cinema, mas foi convencido por sua empresária a fazer o teste, agradou ao diretor de elenco, mas não a Carter, que não o via como agente do FBI. O diretor acabou convencendo Carter, que não se arrependeu. Finalmente, Mitch Pileggi, que interpretaria o diretor-assistente Walter Skinner, chefe direto de Mulder e Scully, fez testes para diversos papéis menores, até chegar para o teste de Skinner de mau humor. Carter achou que ele estava interpretando um personagem mal humorado, que isso combinava com Skinner, e lhe deu o papel.

O episódio piloto de Arquivo X estrearia na Fox em 10 de setembro de 1993, sendo bem recebido pelo público e pela crítica. O sucesso levou à exibição da primeira temporada, com mais 23 episódios, entre 1993 e 1994. Entre os pontos mais elogiados pela crítica estavam o clima de paranoia e a tensão constante entre os protagonistas. Fãs de ficção científica também elogiaram a abordagem criada por Carter, considerada inovadora e diferente em relação ao que vinha sendo feito para a TV. A abertura da série, criada por Carter, com efeitos especiais hoje considerados até simplórios, mas que na época eram quase impossíveis de se fazer na televisão, também foi bastante elogiada.

Já na primeira temporada, o estilo característico de Arquivo X - Mulder e Scully investigam um caso qualquer, Mulder acha que tem a ver com extraterrestres ou paranormalidade, Scully encontra uma explicação científica, só Mulder vê o desfecho paranormal - foi estabelecido, e diversos personagens recorrentes foram introduzidos, em especial o pai de Mulder, William (Peter Donat); a mãe e a irmã de Scully, Margaret (Sheila Larken) e Melissa (Melinda McGraw); o informante de Mulder, um homem que lhe dá pistas sobre os casos, conhecido apenas como Garganta Profunda (Jerry Hardin); e um homem que fuma sem parar (William B. Davis), apelidado Canceroso por Mulder, que faz parte da conspiração governamental que esconde a existência de vida extraterrestre da população. Langly (Dean Haglund), Byers (Bruce Harwood) e Frohike (Tom Braidwood, que também era produtor da série), três amigos de Mulder, extremamente paranóicos, que o ajudam em suas investigações e publicam uma revista chamada The Lone Gunman (que tira seu nome da teoria conspiratória envolvendo a morte de Kennedy, segundo a qual, devido ao ângulo do tiro e outros detalhes, seria impossível o responsável ter sido Lee Harvey Oswald, um "atirador solitário"), dedicada a expor conspirações do governo, também se tornariam personagens recorrentes nas temporadas seguintes.

Também já seria estabelecido na primeira temporada o esquema segundo o qual os episódios seriam apresentados até o final da série: por volta de um terço deles seriam relacionados à chamada mitologia da série, contando a história principal, envolvendo os extraterrestres e a conspiração governamental para escondê-los. Os outros dois terços, que ganharam o apelido de "monstros da semana", mostrariam Mulder e Scully trabalhando em um caso qualquer dos Arquivos X ou se envolvendo acidentalmente em um evento que envolvesse paranormalidade. Embora esses episódios não tivessem ligação direta com a espinha dorsal da história, eles ajudavam a estabelecer o clima do seriado, de que o sobrenatural age entre nós sem o nosso conhecimento. Curiosamente, esses episódios não faziam distinção entre os estilos de sobrenatural, sendo centrados em praticamente qualquer coisa fantástica, como criaturas folclóricas, vampiros, lobisomens, satanismo, espiritualismo, superpoderes conferidos por defeitos congênitos ou condições evolutivas, e até mesmo eventos bizarros sem qualquer explicação ou correlação com lendas ou histórias já existentes.

O sucesso da primeira temporada garantiu a produção da segunda, que estrearia em 16 de setembro de 1994, com 25 episódios. Carter e a equipe passaram por vários problemas para conseguir colocar a segunda temporada no ar: em primeiro lugar, o primeiro episódio, escrito pot David Duchovny, deveria ser filmado na Rússia, mas a Fox não conseguiu as permissões necessárias, e teve de ser reescrito para ser ambientado em Porto Rico. Em segundo, a primeira temporada terminou com o fechamento dos Arquivos X e o remanejamento de Mulder e Scully para outros setores; Carter planejava começar a segunda com um arco de histórias no fim dos quais eles seriam reabertos, mas o fato de o primeiro episódio ter de ser reescrito e uma inesperada gravidez de Gillian Anderson fizeram com que ele tivesse de mudar seus planos. Os executivos da Fox ficaram furiosos com a gravidez, e exigiram que outra atriz fosse escalada para o papel de Scully, mas Carter se recusou, e preferiu reescrever os episódios para que a participação de Scully fosse mínima, e ela sempre aparecesse apenas em close. Quando não tinha mais jeito, Carter fez Scully ser abduzida, em um episódio em duas partes que também serviu para declarar a reabertura dos Arquivos X e a volta de Mulder e Scully para suas antigas missões.

No geral, todos esses incidentes acabaram funcionando bem para a série, cujos roteiros reescritos acabaram contribuindo para fortalecer a relação entre Mulder e Scully, e colocá-la definitivamente ao lado dele em questões que envolviam o governo. O episódio no qual Scully retorna, aliás, foi uma das maiores audiências da série, e é considerado por muitos fãs como seu preferido. A segunda temporada também marcou a estreia de dois novos personagens recorrentes, o agente do FBI Alex Krycek (Nicholas Lea) e um novo informante para Mulder, interpretado por Steven Williams.

A terceira temporada, que estrearia em 22 de setembro de 1995 com mais 24 episódios, traria muito mais "monstros da semana" que episódios envolvendo a mitologia, mas começaria a lançar uma luz sobre os verdadeiros motivos do governo para esconder a presença de extraterrestres entre nós. A terceira temporada também é infame por trazer três episódios em tom de comédia, adorados por alguns fãs, odiados por outros.

A quarta temporada introduziria mais um personagem recorrente, a secretária da ONU Marita Covarrubias (Laurie Holden), além de episódios nos quais Mulder descobriria qual poderia ter sido o verdadeiro destino de sua irmã, e Scully descobriria que tem câncer, que poderia ter sido causado por sua abdução, da qual descobre mais detalhes. A quarta temporada teve mais 24 episódios, e estreou em 4 de outubro de 1996. Na época de seu final, Arquivo X já era o programa mais assistido da Fox e um dos mais assistidos da TV norte-americana, o que jogou uma enorme dose de expectativa sobre a temporada seguinte.

Estreando em 2 de novembro de 1997 com 20 episódios, a quinta temporada foi uma espécie de divisor de águas: introduzindo dois novos agentes do FBI recorrentes, Jeffrey Spender (Chris Owens) e Diana Fowley (Mimi Rogers), que, aliás, foi ex-parceira de Mulder nos Arquivos X antes da chegada de Scully, a temporada começa com Mulder em uma cruzada para encontrar a cura para o câncer de Scully, e termina com os Arquivos X e todo o trabalho da vida de Mulder destruídos.

Curiosamente, há quem ache que isso significa que a quinta temporada foi planejada para ser a última - e o fato de seu episódio final ser chamado The End não ajuda muito as coisas. Na verdade, a sexta temporada já estava planejada, e o nome do episódio foi uma alusão ao fato de as filmagens se mudarem de Vancouver, Canadá, para Los Angeles, Califórnia, o que resultou na troca da maior parte da equipe envolvida, já que não havia como levá-la em peso para os Estados Unidos. Desde a primeira temporada, Arquivo X vinha sendo filmado em Vancouver, mas, na época da quinta temporada, alguns dos produtores e diretores começaram a se mostrar insatisfeitos com o clima local, que os impossibilitava de criar, por exemplo, histórias ambientadas em locais de clima mais quente. Quando Duchovny também se mostrou descontente com as filmagens no Canadá, alegando ter de passar longos períodos afastado de sua esposa, a também atriz Téa Leoni, Carter optou por levar as filmagens para a Califórnia.

Entre a quinta e a sexta temporada há um filme (chamado aqui no Brasil de Arquivo X: O Filme, mas que em inglês se chama apenas The X-Files), que estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 19 de junho de 1998. Escrito por Chris Carter e Frank Spotnitz (um dos roteiristas regulares da série) e dirigido por Rob Bowman (também um dos diretores regulares da série), o filme é baseado na mitologia, revela novos detalhes da conspiração governamental para ocultar a existência de extraterrestres, e coloca Scully novamente em perigo de morte - além de trazer sua primeira cena romântica com Mulder. Curiosamente, Arquivo X: O Filme foi quase que totalmente filmado no intervalo entre a quarta e a quinta temporadas, com apenas algumas cenas adicionais ou refeitas sendo filmadas no decorrer da quinta temporada. Para evitar que detalhes vazassem com antecedência, Carter e Spotnitz recorreram a truques dignos do Canceroso, como imprimir os roteiros em papel vermelho, para evitar que eles fossem fotocopiados, e divulgar informações falsas para a imprensa. Arquivo X: O Filme teve boa aceitação do público e da crítica, com boa bilheteria; parte desse sucesso se deveu aos esforços de Carter para tornar o filme atraente também para quem não acompanhava a série, escalando, inclusive, atores de renome, como Martin Landau, Blythe Danner e Glenne Headly para o elenco, algo que ele sempre se recusou a fazer na série, preferindo trabalhar com atores iniciantes e desconhecidos.

A sexta temporada começaria exatamente de onde o filme parou, e estrearia em 8 de novembro de 1998, com mais 22 episódios. Mulder e Scully são afastados do Arquivo X, e agora devem se reportar ao diretor-assistente Alvin Kersh (James Pickens Jr.), um burocrata que segue as regras do FBI ao pé da letra, e fará tudo ao seu alcance para impedi-los de continuar investigando casos sobrenaturais - sem sucesso, já que eles continuam se envolvendo em situações bizarras tanto quanto em qualquer temporada anterior. A sexta temporada traz o único episódio em duas partes sem relação com a mitologia, e conta com a participação especial de Lily Tomlin e Edward Asner em um episódio especial de natal.

A sexta temporada se encerraria com o final do arco da história da conspiração governamental, iniciado lá no episódio piloto. A sétima temporada, que estrearia em 7 de novembro de 1999 com mais 22 episódios, também encerraria um arco importante, revelando finalmente o destino de Samantha Mulder. Carter tomou a decisão de encerrar esses arcos quando a equipe de produção começou a pressentir que a série não seria renovada para uma oitava temporada pela Fox - em 1996, Carter havia começado a trabalhar em uma nova série, Millenium, que seria cancelada repentinamente após três temporadas sem a conclusão de nenhum de seus arcos; esse evento o deixaria de certa forma traumatizado, sem querer que o mesmo acontecesse a Arquivo X, então ele decidiria encerrar logo os arcos e trabalhar em novas histórias antes que não desse mais tempo. A insatisfação de Carter com o cancelamento repentino de Millenium foi tão grande que ele dedicou um episódio inteiro da sétima temporada de Arquivo X - também chamado Millenium - a tentar fechar aquela série, inclusive com a participação do elenco dela.

Arquivo X acabaria ganhando uma oitava temporada, mas sem a presença constante de Fox Mulder. Após uma briga com a Fox envolvendo valores contratuais e carga de trabalho, David Duchovny optou por não protagonizar mais a série, aparecendo apenas como astro convidado em alguns episódios. A solução foi fazer com que Mulder fosse abduzido (o que na verdade ocorreu no final da sétima temporada) e que Scully ganhasse um novo parceiro nos Arquivos X, John Doggett (Robert Patrick, o T-1000 de O Exterminador do Futuro 2), que a ajudaria a procurar por Mulder. Na segunda metade da temporada também seria introduzida uma nova agente do FBI, Monica Reyes (Annabeth Gish), que se tornaria parceira de Doggett, formando uma nova dupla nos moldes de Mulder e Scully. Por opção dos produtores, o Canceroso também não apareceria nessa temporada, o que fez com que a abdução de Mulder fosse o primeiro arco de história da série sem a participação do vilão.

A oitava temporada estreou em 5 de novembro de 2000, e teve 21 episódios, sendo que apenas 12 contavam com a participação de Mulder. Carter planejava aproveitar a saída de Duchovny e a introdução dos novos agentes para começar um novo ciclo do Arquivo X, com mais, acreditem ou não, dez temporadas, nas quais Doggett e Reyes seriam os protagonistas. Para isso, ele chegou até a mudar a abertura da série, o que fez com que a oitava temporada fosse a primeira a ter uma abertura diferente desde o início da série.

Além de querer prosseguir com seu "Arquivo X eterno", Carter decidiu lançar um spin-off, uma série chamada The Lone Gunmen, na qual Frohike, Langly e Byers investigariam teorias conspiratórias enquanto se viam às turras com Yves Adele Harlow (Zuleikha Robinson), a filha de um contrabandista de armas que de vez em quando se metia no caminho do trio, e Jimmy Bond (Stephen Snedden), agente secreto apaixonado por ela. Se você achou que Jimmy Bond é um nome sem-vergonha, espere até saber que Yves Adele Harlow é um anagrama de Lee Harvey Oswald. Mulder e Skinner fizeram participações especiais em alguns episódios.

The Lone Gunmen, que estreou em 4 de março de 2001, não fez sucesso, e foi cancelada repentinamente após apenas 13 episódios - tendo de ser concluída, ao estilo Millenium, em um episódio da nona temporada de Arquivo X. A série ficou famosa, porém, por "prever" os atentados do Onze de Setembro, ao mostrar, já em seu episódio piloto, um plano para fazer um Boeing 747 se chocar contra o World Trade Center.

Por mais que Chris Carter quisesse dez novas temporadas de Arquivo X, ele só conseguiria fazer mais uma, a nona, que estrearia em 11 de novembro de 2001, com 20 episódios. A razão foi que, desde a oitava temporada, a audiência já vinha caindo vertiginosamente, mas no início da nona ela bateu no fundo do poço. Carter ainda promoveu Mitch Pileggi finalmente a protagonista, com direito a nome na abertura e tudo, mas o público aparentemente não gostou dos rumos que a série tomou com Doggett e Reyes à frente das investigações. A nona temporada introduziu dois novos personagens, o diretor-assistente do FBI Brad Follmer (Cary Elwes) e a militar Shannon McMahon (Lucy Lawless), mas não contou com a presença de Mulder e Scully em todos os episódios - Mulder, aliás, só aparece nos dois últimos, assim como o Canceroso.

O último episódio de Arquivo X foi ao ar em 19 de maio de 2002, dando à série o título de seriado de ficção científica que ficou por mais tempo no ar - o qual perderia cinco anos depois, para Stargate SG-1. A Fox decidiu não renovar a série para uma décima temporada, e Carter conseguiu encerrá-la antes do cancelamento, mas ainda tinha pelo menos um plano para os Arquivos X: um segundo filme.

Inúmeros problemas legais, entretanto, fizeram com que Carter só conseguisse tirar o segundo filme do papel em 2008, dez anos depois da estreia do primeiro. Ambientado realmente seis anos após os eventos da série, Arquivo X: Eu Quero Acreditar (The X-Files: I Want to Believe), dirigido por Carter e escrito por Carter e Spotnitz, que estreou em 25 de julho, é no estilo "monstro da semana", sem ligação com a mitologia da série. Nele, Mulder e Scully, que já não trabalham para o FBI, são procurados para auxiliar uma equipe a investigar o misterioso desaparecimento de uma jovem agente. Mulder e Scully não são chamados por acaso, mas porque o caso possui contornos paranormais: um ex-padre, condenado por abusar sexualmente de uma criança, alega ter visões sobre o desaparecimento da agente. Além de Duchovny, Anderson e Pileggi, o filme conta no elenco com Billy Connolly, Amanda Peet, Callum Keith Rennie (de Battlestar Galactica) e o rapper Xzibit.

Após o cancelamento do seriado, Carter planejava fazer uma série de filmes, talvez um por ano, com enredos que não tivessem ligação com a mitologia, mas envolvessem o sobrenatural, o ocultismo e a paranormalidade. A enorme demora para tirar Eu Quero Acreditar do papel, aliado ao fato de que o filme foi um fracasso de público e crítica - custou 30 milhões de dólares, mas rendeu pouco menos de 21 milhões - acabou sepultando de vez os seus planos, e fazendo com que o segundo filme fosse a última vez na qual Mulder e Scully trabalharam juntos.

Apesar desse fim meio deprimente, Arquivo X é considerado um marco da televisão norte-americana, uma das mais importantes produções da década de 1990, com enorme impacto cultural na ficção científica, e tendo influenciado várias séries subsequentes, incluindo The Dead Zone, Fringe e Lost. Foi indicado a 40 Emmys, ganhando 13 (sendo o mais importante o de Melhor Atriz em Série Dramática de 1997 para Gillian Anderson); a 12 Globos de Ouro, ganhando cinco (Melhor Série Dramática de 1994, 1996 e 1997; Melhor Ator em Série Dramática de 1996 para David Duchovny; Melhor Atriz em Série Dramática de 1996 para Gillian Anderson); e a 14 prêmios do Screen Actors Guild, ganhando dois (ambos para Gillian Anderson, por Melhor Atriz em Série Dramática em 1995 e 1996).

Por enquanto, não existem planos para que Arquivo X volte aos holofotes. Foi um grande clássico, mas sua época infelizmente passou. No mundo pós-Onze de Setembro, aparentemente não há lugar para agentes do FBI que desrespeitam regras em nome de desvendar casos sobrenaturais e expor seu próprio governo.

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