segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

À Procura de Kadath

Hoje veremos mais um livro com contos de Lovecraft publicado pela Editora Iluminuras. O escolhido dessa vez foi À Procura de Kadath, que tem uma diferença curiosa em relação aos outros: é temático. Todos os seus seis contos pertencem ao chamado Dream Cycle (o "ciclo dos sonhos"), um conjunto de histórias nas quais Lovecraft deixou de lado os horrores ancestrais do mundo terreno e escreveu sobre o mundo dos sonhos e seus estranhos habitantes. Embora muitas das características lovecraftianas ainda possam ser encontradas nessas histórias, elas possuem uma atmosfera diferente, pendendo mais para o fantástico e menos para o horror.

À Procura de Kadath (The Dream-Quest of Unknown Kadath) - Três vezes Randolph Carter sonhou contemplar de uma sacada uma belíssima cidade ao pôr do sol. Mas, toda vez que iria descer as escadas para caminhar por suas ruas, acordava. Após rezar para os deuses para que deixassem ele visitar a magnífica cidade que havia criado em seus sonhos, Carter não só não obteve resposta, como também parou de sonhar com ela. Sendo um sonhador experiente, ele sabia o que devia fazer: passar voluntariamente pelo Portal do Sono Mais Profundo e viajar pelas terras dos sonhos à procura de Kadath, a morada dos deuses. Uma vez diante deles, lhes suplicaria permissão para visitar a cidade, e encontraria a paz. Mais de um habitante do mundo dos sonhos tentaria dissuadi-lo, argumentando que os deuses não querem negócios com os mortais e que o fato de eles terem feito com que Carter parasse de sonhar com a cidade seria um aviso para que ele não chegasse até ela. A vontade de Carter, porém, era inabalável, e, mesmo sozinho e a pé, ele se pôs a cruzar as terras do sonhar, em busca do misterioso Kadath, do qual ninguém parecia saber a localização exata.

Durante sua jornada, Carter atravessou a floresta dos zoogs; viu os gatos de Ulthar; foi levado até a lua por misteriosos mercadores; fez uma aliança com os ghouls; reencontrou seus antigos amigos, Richard Pickman e o Rei Kuranes; escapou dos perigosos gugs; visitou a cidade de Celephaïs, onde o tempo jamais passa; navegou o mar que toca o céu; cavalgou iaques, zebras, pássaros fantásticos e criaturas da noite; e ficou frente a frente com ninguém menos que Nyarlathotep, o Caos Rastejante. Tudo isso para alcançar o inalcançável Kadath, e suplicar aos deuses que atendessem seu pedido.

A principal inspiração de Lovecraft para criar essa jornada fantástica teria sido Vathek, romance de William Beckford publicado em 1786, que por sua vez teria sido inspirado nas histórias das Mil e Uma Noites. Lovecraft já havia se inspirado em Vathek para escrever um conto, Azathoth, que seria parte de uma história maior jamais concluída. Para muitos estudiosos, inclusive, À Procura de Kadath seria uma segunda tentativa de Lovecraft de completar Azathoth, desta vez sem utilizar o fragmento já escrito.

As histórias de Edgar Rice Burroughs ambientadas em Marte também teriam exercido forte influência sobre À Procura de Kadath. Nelas, assim como na história de Lovecraft, um visitante de outro mundo chega a uma terra fantástica não como refém ou abduzido, mas como um herói disposto a impor sua vontade sobre as criaturas locais em nome de uma missão pessoal. A busca pela cidade misteriosa e o final da história ecoariam os de O Mágico de Oz, embora não se tenha certeza se Lovecraft teria lido essa obra antes de escrever a sua. A influência de obras de Nathaniel Hawthorne, em especial The Marble Faun e The Great Stone Face também poderia ser vista em algumas passagens de À Procura de Kadath, e, embora a obra de Lord Dunsany seja a principal influência do Dream Cycle, é consenso que aqui o dunsanismo age apenas sobre a ambientação, não sobre os eventos. Finalmente, alguns fãs costumam comparar À Procura de Kadath com Alice no País das Maravilhas, o que, para os estudiosos, é descabido e somente ocorre porque ambas as histórias são ambientadas em um mundo de sonhos fantástico.

Uma das principais curiosidades de À Procura de Kadath é a referência que faz a muitas outras obras de Lovecraft, do Dream Cycle ou não, em especial a O Modelo de Pickman, Os Gatos de Ulthar, Os Outros Deuses e, principalmente, Celephaïs. Nyarlathotep, um dos deuses antigos da cosmologia de Lovecraft, é citado em várias outras de suas histórias, mas aqui, pela primeira vez, interage diretamente com o protagonista. Curiosamente, Leng, uma das terras do mundo dos sonhos, já havia sido citada em O Sabujo e voltaria a sê-lo em Nas Montanhas da Loucura, mas, em cada uma das três obras sua localização é diferente. Kadath também voltaria a ser citado em Nas Montanhas da Loucura, e já havia aparecido em A Estranha Casa entre as Brumas e na transcrição do Necronomicon em O Horror de Dunwich.

Escrita ao longo de um ano, entre 1926 e 1927, À Procura de Kadath jamais foi publicada enquanto Lovecrat viveu, sendo editada pela primeira vez, já sob a forma de livro, pela Arkham House em 1943. A história - uma novela - é a segunda mais longa escrita por Lovecraft, com 42.603 palavras, ficando atrás de O Caso de Charles Dexter Ward, que tem 51.098, e vindo logo à frente de Nas Montanhas da Loucura, com 40.878. Vale citar que não era comum para Lovecraft escrever histórias tão longas - tanto que o quarto lugar é ocupado por A Sombra Fora do Tempo, que tem 25.216 palavras, mais de quinze mil a menos que a terceira colocada.

À Procura de Kadath também é a maior e mais importante história do Dream Cycle, sendo considerada por alguns como o ápice do desenvolvimento do estilo literário de Lovecraft nesse período. Mais que uma história de horror, é um verdadeiro épico da fantasia, não deixando nada a dever a outras obras cujos protagonistas visitam reinos fantásticos e interagem com criaturas mitológicas. Infelizmente, é justamente essa característica que faz com que alguns fãs se afastem, considerando a história boba, complicada ou até mesmo incompreensível. O próprio Lovecraft, após concluí-la, temeu por sua aceitação, imaginando que a extensa quantidade de criaturas e cenários imaginários acabaria por dispersar a atenção do leitor, anulando o impacto que elas costumam ter individualmente em suas outras obras. Apesar disso, Lovecraft ficou satisfeito com o que escreveu, considerando que foi boa prática para quando decidisse escrever um romance.

De minha parte, eu acho À Procura de Kadath uma história superlegal, e seria minha primeira escolha para um filme baseado na obra de Lovecraft - talvez até em 3D, já que tudo hoje tem que ser em 3D. Mas, como eu costumo dizer, eu não mando em nada.

Celephaïs (Celephaïs) - Escrito em novembro de 1920 e publicada na edição de maio de 1922 da revista Rainbow, este conto mostra as origens da cidade de Celephaïs (pronuncia-se "selefé"), uma das mais importantes das terras do sonhar. Lá, não há percepção de tempo, o que significa que um viajante pode ficar fora anos e, ao retornar, encontrar tudo do jeito que deixou, com inclusive seus habitantes agindo como se ele tivesse acabado de partir. Também por causa dessa característica, a própria cidade jamais envelhece, com suas ruas e construções estando, eternamente, em estado de novas.

Celephaïs foi originalmente sonhada pelo homem que viria a ser conhecido como Kuranes, e, eventualmente, se tornaria seu rei. Assim como Carter, Kuranes jamais se conformou de perder sua cidade, mas, diferentemente do herói da história anterior - no livro, mas posterior cronologicamente - ele conseguia revisitar Celephaïs sempre que sonhava. De fato, Kuranes ficou tão apegado à cidade que passou a recorrer a drogas para cada vez dormir por mais tempo, negligenciando sua vida no mundo real em nome de uma existência no mundo dos sonhos.

Nada surpreendentemente, Celephaïs foi inspirada em um sonho do próprio Lovecraft, que um dia sonhou estar voando por sobre uma cidade. Assim como o restante do Dream Cycle, Celephaïs recebe uma forte influência da obra de Lord Dunsany, em especial de The Coronation of Mr. Thomas Shap, cujo personagem-título também se torna cada vez mais envolvido com um reino imaginário, passando a negligenciar sua vida real.

A Chave de Prata (The Silver Key) - Escrita em 1926, A Chave de Prata é mais uma história de Lovecraft que tem como protagonista Randolph Carter. Nela, Carter está deprimido por não conseguir sonhar mais com os locais fantásticos que visitava nos sonhos de sua juventude. Desiludido por ter de passar todo o seu tempo lidando com os assuntos mundanos da humanidade, e sofrendo o preconceito de seus amigos, que não veem sentido em querer ser um sonhador, ele anseia por reencontrar os sonhos de outrora, e se envolve com vários místicos e estudiosos de artes esquecidas. Um dia, quando já tinha praticamente desistido de voltar a sonhar como antes, Carter sonha com seu avô, que lhe informa sobre uma antiga e estranha chave de prata, escondida no sótão da casa da família. Com ela, Carter poderá abrir mais uma vez os portais que o separam de seus sonhos tão almejados. Só que, usando-a, ele também abrirá outro portal, para um desfecho surpreendente.

Lovecraft teria se inspirado a escrever A Chave de Prata durante uma visita à cidade de Foster, Rhode Island, onde viveram seus ancestrais maternos. O nome do caseiro da família Carter, Benijah Corey, seria uma homenagem a Emma Corey Phillips, uma parente de Lovecraft que ainda morava por lá à época da visita, e a Benijah Place, fazendeiro dono do terreno em frente à casa na qual Lovecraft se hospedara na ocasião.

Estudiosos da obra de Lovecraft veem semelhanças entre A Chave de Prata e À Rebours, livro escrito por Joris-Karl Huysmans, no qual o protagonista experimenta um crescimento interior filosófico semelhante ao de Carter. À Rebours, de 1884, era um dos livros preferidos de Lovecraft, e já teria influenciado outro de seus contos, O Sabujo. Alguns estudiosos também veem semelhanças entre A Chave de Prata e uma das primeiras histórias escritas por Lovecraft, A Tumba, cujo narrador também encontra em seu sótão uma chave capaz de revelar segredos do passado.

Lovecraft ofereceu A Chave de Prata à Weird Tales na metade de 1927, mas o editor da revista, Farnsworth Wright, torceu o nariz e a rejeitou. Um ano depois, porém, sem qualquer explicação aparente, Wright pediu para ler novamente a história e a aprovou, publicando-a na edição da revista de janeiro de 1929. Para completar a maluquice, no mês seguinte Wright chamou Lovecraft e lhe disse que a história havia sido "violentamente rejeitada" pelos leitores, o que teria sido um dos principais motivos pelos quais o escritor temeria pelo sucesso de À Procura de Kadath, jamais oferecendo-a à revista.

Embora tenha sido escrita antes, A Chave de Prata é claramente cronologicamente posterior a À Procura de Kadath. Segundo estudiosos, a "ordem correta" das histórias estreladas por Carter começaria com À Procura de Kadath, seguida por O Depoimento de Randolph Carter, O Inominável, A Chave de Prata e concluindo com Através dos Portais da Chave de Prata.

Através dos Portais da Chave de Prata (Through the Gates of the Silver Key) - Wright pode ter achado que A Chave de Prata foi "violentamente rejeitada" pelos leitores - talvez tenha sido mesmo, através de cartas que só ele viu, quem sabe - mas a história fez pelo menos um fã de peso, o escritor E. Hoffmann Price, autor de O Estranho do Curdistão e A Filha do Infiel.

Price e Lovecraft se conheceriam pessoalmente em 1932, durante uma viagem de Lovecraft a Nova Orleans, cidade onde Price morava. Avisado da visita por Robert E. Howard, amigo em comum de ambos, Price atuou como anfitrião e guia turístico de Lovecraft durante uma semana - e diz a lenda que até o levou a um bordel, no qual, para espanto de Lovecraft, vários dos funcionários do local se declararam seus fãs e pediram autógrafos. Após a partida de Lovecraft, ele e Price continuaram se correspondendo, e chegaram até a tramar uma parceria, na qual escreveriam a quatro mãos e publicariam sob o pseudônimo de Etienne Marmaduke de Marigny.

A parceria jamais se concretizou, mas, em uma das cartas, Price confessou a Lovecraft que uma de suas histórias preferidas era A Chave de Prata. Narrando a Lovecraft o prazer que havia tido em lê-la e relê-la, Price lhe sugeriu que ambos escrevessem em conjunto um desfecho, contando o que aconteceu a Carter - e ao mundo que ele deixara - após os eventos da história. Lovecraft relutou de início, mas acabou concordando em ler um rascunho de seis mil palavras enviado por Price em agosto de 1932.

Em abril de 1933, Lovecraft devolveria a Price uma história de 14 mil palavras, das quais menos de cinquenta eram originárias do rascunho original enviado no ano anterior. Apesar de tantas alterações, Price ficou extremamente satisfeito com o resultado, e impressionado com a forma como Lovecraft transformou seu rascunho, agora já considerado até por ele mesmo como apressado e inadequado, em uma nova obra de arte.

Mesmo mudando muito do sugerido por Price e acrescentando o famoso "toque lovecraftiano" à história, porém, Lovecraft fez questão de manter o esqueleto básico da narrativa, bem como a maior parte das ideias de Price para o que teria acontecido com Carter após usar a chave de prata. O resultado é que Através dos Portais da Chave de Prata é uma história com dois momentos distintos, começando como um exemplar perfeito do Dream Cycle, mas terminando como horror lovecraftiano da melhor qualidade.

A história começa quatro anos após o desaparecimento de Carter, quando um de seus primos, o advogado Ernest K. Aspinwall, de Chicago, exige que Carter seja oficialmente declarado morto, e seu espólio dividido entre os herdeiros. Mas um dos amigos de Carter, Ward Phillips, estudioso do ocultismo, acredita que ele pode ainda estar vivo, e se recusa a permitir a partilha. Ambos então recorrem a Etienne Laurent de Marigny, outro amigo de Carter estudioso do ocultismo e de antiguidades orientais, apontado testamenteiro pelo desaparecido, e único que tem poder para resolver sobre a questão. Também acreditando que Carter possa estar vivo, de Marigny convoca uma reunião em sua casa entre Aspinwall, Phillips e o indiano Swami Chandraputra, alegado místico e sonhador experiente, que clama ter informações sobre o que teria acontecido com Carter após ele ter usado a chave de prata. A história contada por Chandraputra, porém, desafia a imaginação até mesmo de estudiosos experientes como de Marigny e Phillips, e parece terrível demais para ser verdadeira - ou apenas um golpe muito bem tramado, na opinião de Aspinwall.

Através dos Portais da Chave de Prata foi publicada na edição de julho de 1934 da Weird Tales, creditada tanto a Lovecraft quanto a Price, e fazendo grande sucesso entre os leitores. Anos mais tarde, em 1982, Price daria autorização para publicação de seu rascunho original, com o nome de The Lord of Illusion, na revista Crypt of Cthulhu, dedicada a histórias influenciadas pela obra lovecraftiana, e editada por Robert M. Price, um dos maiores estudiosos de Lovecraft (e que, apesar da coincidência, não é parente de E. Hoffmann Price).

A Nau Branca (The White Ship) - Escrita em 1919 e publicada na edição de novembro do mesmo ano do jornal oficial da UAPA, The United Amateur, A Nau Branca foi uma das primeiras histórias de Lovecraft a trazer elementos do Dream Cycle. Nela, o narrador Basil Elton é responsável por cuidar de um farol, seguindo os passos de seu pai e avô. Um dia, ele recebe a visita de um navio branco capitaneado por um homem barbado, e decide partir com eles em uma viagem através de terras fantásticas e cidades que ele jamais imaginou conhecer. Apenas no final do conto nos fica claro que essa viagem fora através da terra dos sonhos, embora quem já está acostumado com histórias do Dream Cycle perceba isso assim que o navio aparece.

Apesar de ser uma das mais republicadas histórias do autor, infelizmente pouco se sabe sobre ela, como as influências que teriam levado Lovecraft a escrevê-la. Estudiosos concordam, porém, que a história contém muitos elementos que mais tarde seriam melhor desenvolvidos, como o fato de o principal meio de locomoção na terra dos sonhos ser através de navios.

A Estranha Casa Entre as Brumas (The Strange High House in the Mist) - Na pequena cidade de Kingsport, há um estranho penhasco, no alto do qual há uma mais estranha ainda casa, cuja porta dá para o precipício. Julgando pelas luzes em suas janelas e pelos sons que emite, a casa parece habitada, mas não há nenhuma forma conhecida de se subir até lá. A população da cidade evita até olhar para a casa, mas um dia o filósofo Thomas Olney, que está de passagem, decide dar a volta no penhasco, certo de que encontrará um caminho pelo qual os habitantes da casa descem e vão fazer compras em Arkham, a cidade mais próxima pelo outro lado. Olney realmente encontra um caminho que o leva à casa, e nela encontra um estranho morador. Mas esse encontro, como de costume, mudará sua vida para sempre.

Escrita de uma vez só em 9 de novembro de 1926, A Estranha Casa Entre as Brumas foi oferecida para a Weird Tales no ano seguinte, mas rejeitada. Em 1929, W. Paul Cook perguntou a Lovecraft se poderia publicá-la na segunda edição de um periódico que estava lançando, The Recluse, e Lovecraft concordou. Problemas financeiros, entretanto, impediram Cook de levar seu periódico além do primeiro número. Com seus próprios problemas financeiros, em 1931 Lovecraft decidiu oferecer mais uma vez a história à Weird Tales, que, dessa vez, surpreendentemente, não somente a aceitou como pagou por ela 55 dólares, uma verdadeira fortuna para os padrões da época. A história seria publicada na edição de outubro daquele ano.

Assim como muitas outras histórias de Lovecraft, A Estranha Casa Entre as Brumas teve inspiração em uma história de Lord Dunsany, Chronicles of Rodriguez, na qual a população de uma pequena cidade observa estranhos acontecimentos ocorrendo na casa de um mago, no alto de um penhasco. Outra possível fonte de inspiração seria uma visita que Lovecraft fez à cidade de Gloucester, Massachusetts, na qual existe um penhasco famoso, chamado Mother Ann. A cidade de Kingsport também é recorrente na obra de Lovecraft, sendo mencionada em À Procura de Kadath, A Chave de Prata, O Caso de Charles Dexter Ward e A Coisa na Soleira da Porta, e servindo de ambientação para O Festival e para a história para a qual foi criada em 1920, O Terrível Ancião - que, curiosamente, é um dos personagens de A Estranha Casa Entre as Brumas, fazendo comentários sobre a casa do penhasco.

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