quinta-feira, 15 de julho de 2010

Futebol (II)

Mês passado, aproveitando a Copa do Mundo, eu fiz um post sobre futebol. No início, minha intenção era ir além do futebol "de campo", falando um pouco também sobre as variações. Enquanto escrevia, porém, achei que o futebol puro e simples já rendia assunto suficiente, e acabei deixando os outros pra lá. Hoje, porém, decidi retomar o tema, e falar de outras formas de futebol, que não sejam jogadas com onze de cada lado em um campo gramado.

A mais conhecida e popular dessas variações é o futsal, a forma moderna do esporte que eu jogava quando criança com o nome de futebol de salão. O futebol de salão foi inventado em 1932, em Montevidéu, Uruguai, por Juan Carlos Ceriani Gravier, professor da Associação Cristã de Moços, que decidiu adaptar as regras do futebol para que ele pudesse ser praticado nas quadras de basquete e vôlei da ACM. Aos poucos, o novo esporte foi se espalhando pela América do Sul, mas, como sempre acontecia, cada lugar utilizava regras ligeiramente diferentes, como o número de jogadores de cada lado variando entre 5 e 7, e diversos tipos diferentes de bola sendo utilizados.

Foi somente em 1948, em São Paulo, que o secretário-geral da ACM daquela cidade, João Lotufo, decidiu codificar o esporte. Com a ajuda do diretor de educação física da entidade, Asdrúbal Monteiro, Lotufo elaborou um conjunto de regras que utilizava elementos do futebol, hóquei, basquete e até mesmo do polo aquático. Essas novas regras foram sendo testadas e aperfeiçoadas em vários torneios da ACM, até serem publicadas, em sua forma definitiva, no ano de 1950.

Mesmo após a publicação, as regras "oficiais" só eram amplamente utilizadas no Brasil. Foi somente a partir de 1957, com o apoio de Sylvio Pacheco, presidente da Confederação Brasileira de Desportos, que esforços começaram a ser feitos para que as regras fossem utilizadas também internacionalmente. Esses esforços culminaram, em 1965, na criação da Confederação Sul-Americana de Futebol de Salão, fundada pelas federações nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru. Em 1971, com a entrada dos novos membros Bolívia e Portugal, a entidade decidiu mudar de nome para Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA).

Até meados da década de 1980, a FIFUSA era a entidade máxima do esporte, chegando a contar com 28 países-membros. Na segunda metade da década, porém, a FIFA começou a acusá-la de uso indevido do nome "futebol" - acreditem ou não, e entidade alegava que "futebol" era apenas o esporte regulado por ela própria, sendo outras federações internacionais proibidas de batizar seus esportes com esse nome (e, aparentemente, o futebol americano teria escapado por não ter uma federação internacional à época). Para evitar problemas com a FIFA, a FIFUSA decidiu mudar o nome de seu esporte para "futsal", uma contração do nome futebol de salão.

Mas isso não apaziguou os ânimos da FIFA, que, evidentemente, tinha o intuito de substituir a FIFUSA como entidade maior do esporte. Em 1985, a FIFA criou sua própria versão do esporte, com algumas regras diferentes, e começou a convidar seus países-membros para disputar seus campeonatos. O primeiro Campeonato Mundial organizado pela FIFA foi disputado em 1989, e seu sucesso faria com que, aos poucos, a FIFUSA fosse sendo esvaziada, até ter de fechar as portas em 2002. Curiosamente, desde 1996 a FIFA também passaria a utilizar o nome futsal para sua versão do esporte - talvez por esse ser "internacional", não precisando ser traduzido como os nomes indoor football e five-a-side football que ela utilizava até então.

O futsal da FIFA é jogado por duas equipes de cinco jogadores cada, sendo um goleiro e quatro "na linha". Cada time conta, ainda com sete reservas, sendo que as subsituições são ilimitadas - um jogador que já tenha saído pode voltar ao jogo posteriormente sem problemas - e podem ser feitas a qualquer momento, inclusive quando a bola estiver rolando. Para evitar confusão, cada time conta com uma área de substituição, por onde os jogadores saem e entram do jogo, sendo que o de fora só pode entrar quando o de dentro tiver saído (cruzado a linha) totalmente. Uma curiosidade do futsal é que o time pode atuar sem goleiro - ou seja, o goleiro pode ser subsituído por mais um jogador de linha - embora esse "trunfo" só costume ser usado em situações raras e desesperadoras.

A quadra de futsal é feita de madeira ou de qualquer material sintético plano, liso e não-abrasivo. Pode ter entre 38 e 42 metros de comprimento por entre 18 e 25 metros de largura. Assim como no futebol de campo, as linhas que delimitam a quadra no comprimento são as linhas de lado, e as que delimitam na largura são as linhas de fundo. Centrado em cada uma das linhas de fundo fica o gol, de 3 metros de largura por 2 de altura. Assim como o do futebol, o gol é composto por duas traves e um travessão, com uma rede - nesse caso, obrigatória - presa à baliza para evitar que a bola se perca e facilitar a marcação do gol, que faz com que ele tenha entre 80 cm e 1 metro de profundidade. Para evitar acidentes, o gol não é fixo no chão, embora deva ser posicionado de forma que não vire em seu eixo horizontal.

Além das linhas de lado, fundo, do meio de campo, das áreas de substituição (cada uma com 5 metros de largura e localizada a 5 metros da linha do meio), dos semicírculos do escanteio (com 25 cm de raio cada) e do círculo central (que tem 3 metros de raio), as únicas outras marcações oficiais na quadra são a área e as marcas do pênalti. Uma das marcas do pênalti fica a 6 metros do gol, e é utilizada quando uma falta é cometida dentro da área pelo time que está defendendo; a outra fica a 10 metros, e é utilizada quando um time comete sua sexta falta ou posterior - porque, no futsal, como diz um amigo meu, "a partir da sexta falta é tudo pênalti". A área é traçada de uma forma curiosa: dois quartos de círculo, com 6 metros de raio cada, são traçados centrados no centro do gol, e conectados por uma linha reta que também está a 6 metros do centro do gol. Além de servir para determinar se uma falta foi ou não pênalti, somente dentro da área é que o goleiro pode defender ou conduzir a bola com as mãos.

Uma partida de futsal dura dois tempos de 20 minutos cada, com um intervalo de, no máximo, 15 minutos. Diferentemente de no futebol, no futsal o relógio para toda vez que a bola para também, e acréscimos só são permitidos se o árbitro tiver marcado um pênalti ou uma falta que seja a sexta ou posterior exatamente quando o relógio zerou, ou seja, o jogador poderá cobrar o pênalti ou a falta com o relógio já zerado. Fora isso, quando o relógio zera (o que é indicado por um sinal sonoro), o jogo acaba imediatamente, embora um gol ainda valha caso a bola estivesse no meio do caminho quando o relógio zerou. É possível um jogo terminar empatado, mas, caso seja um jogo que não possa, é disputada uma prorrogação, de dois tempos de cinco minutos cada. Caso o empate persista, o jogo é decidido na cobrança alternada de tiros livres da marca do pênalti de 6 metros.

Obrigatoriamente, uma partida de futsal deve ter dois árbitros, sendo um principal e um auxiliar. Outros dois árbitros são obrigatórios para jogos internacionais, e opcionais para outros torneios; um deles fica responsável pela cronometragem, enquanto o outro se ocupa de registrar quantas faltas cada time já cometeu, servindo também como árbitro reserva caso um dos outros dois se contunda. Assim como no futebol, há faltas punidas com tiro livre direto, tiro livre indireto e com pênalti, com a diferença de que, a partir da sexta falta que não seja obrigatoriamente de tiro livre indireto, todas serão tiros livres diretos cobradas da marca do pênalti de 10 metros. Antes da sexta falta, os jogadores do time faltoso podem formar uma barreira para dificultar a cobrança, mas esta deve ficar a, no mínimo, 5 metros da bola até o momento do chute. Os oponentes também devem ficar a cinco metros da bola em uma cobrança de escanteio ou lateral - que, diferentemente de no futebol, é cobrado com um chute, com a bola sobre a linha de lado no local onde saiu.

Também como no futebol, o jogador faltoso pode ser punido com cartão amarelo ou vermelho, sendo que um jogador que tome dois amarelos no mesmo jogo obrigatoriamente toma o vermelho. Jogadores expulsos podem ser substituídos dois minutos após saírem de quadra ou até seu time tomar um gol, o que acontecer primeiro, mas não podem mais retornar para a partida. Caso um time tenha tantos expulsos que fique com apenas três em quadra, perde automaticamente o jogo.

Finalmente, falta falar de um dos elementos mais característicos do futsal: a bola. Semelhante a uma bola de futebol apenas na aparência e nos materiais de que é feita (um núcleo de látex, inflado, coberto por painéis costurados de borracha vulcanizada ou poliuretano), a bola de futsal tem entre 62 e 64 cm de circunferência e pesa entre 400 e 440 gramas, sendo, portanto, menor que a de futebol, que tem entre 68,6 e 71,1 cm, mas mais pesada, já que a de futebol tem entre 397 e 423,5 gramas. Por causa disso, o futsal (na verdade, o futebol de salão, mas o futsal o herdou) ganhou o apelido de "futebol da bola pesada". O menor tamanho e maior peso da bola de futsal garantem que ela quique menos, sendo melhor controlada rente ao chão.

O campeonato mais importante do futsal é a Copa do Mundo (que se chamava Campeonato Mundial até 2004), realizada sob a chancela da FIFA pela primeira vez em 1989, na Holanda, depois em 1992, em Hong Kong, e então de quatro em quatro anos, sendo que a mais recente edição foi disputada em 2008, no Brasil, e a próxima está programada para 2012, na Tailândia. O Brasil é o maior campeão, com quatro títulos, e a Espanha ganhou os outros dois. Há um movimento até bastante forte e organizado a favor da inclusão do futsal nas Olimpíadas, mas, enquanto a FIFA e o COI viverem às turras, é pouco provável que o esporte seja incluído - há quem diga, aliás, que a condição do COI para aceitar o futsal seria a FIFA liberar todos os jogadores do futebol para disputar as Olimpíadas, ao invés de impor restrições como faz hoje. É interessante registrar que, embora a FIFA reconheça o futsal feminino, não exerce nenhuma ação no sentido de seu desenvolvimento - como faz, por exemplo, com o futebol feminino - o que faz com que o esporte seja pouco difundido, essencialmente amador, e não tenha nenhum torneio internacional organizado pela entidade.

Também é interessante registrar que, mesmo com o fim da FIFUSA, o futebol de salão original não acabou, ainda sendo praticado em diversos países e, desde 2003, sendo regulado internacionalmente pela AMF (Associação Mundial de Futebol de Salão, na sigla em espanhol), entidade que já conta com 36 membros, dentre eles o Brasil, que disputa seus campeonatos com uma equipe diferente (a da Confederação Nacional de Futebol de Salão) da que disputa os campeonatos do futsal da FIFA (e representa a Confederação Brasileira de Futebol de Salão).

O futebol de salão da AMF ainda mantém as regras originais do jogo, segundo as quais laterais e escanteios são cobrados com as mãos, o goleiro não pode sair da área, as substituições só podem ocorrer com a bola parada, e a bola jamais pode ser levantada com os pés acima da linha da cintura do jogador, dentre outras. A bola do futebol de salão, inclusive, é ainda menor (entre 58 e 62 cm) e mais pesada (entre 440 e 460 gramas) que a do futsal, o que coíbe o jogo áereo e privilegia o rasteiro.

Como a AMF herdou os campeonatos mundiais da FIFUSA, já se contam nove edições, disputadas a cada três anos desde 1982 (primeira edição que, aliás, foi no Brasil), e a cada quatro a partir de 2003. O maior campeão é o Paraguai, com três títulos, seguido do Brasil, com dois, e de Colômbia, Venezuela, Argentina e Portugal, que têm um cada. Diferentemente da FIFA no futsal, a AMF apoia e incentiva o futebol de salão feminino, tendo organizado na Argentina em 2006, inclusive, o primeiro Campeonato Mundial feminino, vencido pela Rússia. Como a AMF não é reconhecida pelo COI, é improvável que o futebol de salão vá parar nas Olimpíadas.

O futsal tem ainda um outro parente menos cotado, conhecido como indoor soccer, futebol indoor ou arena soccer. Este esporte foi inventado no Canadá, em 1969, pelo ex-jogador húngaro Joe Martin, que adaptou o futebol a quadras de hóquei no gelo para que pudesse disputar seu esporte preferido durante os gélidos invernos canadenses. Aos poucos, o novo esporte foi sendo levado por outros ex-jogadores para outros países, e hoje já é praticado nas Américas, Europa e Ásia. Talvez por ter nascido lá, curiosamente, o futebol indoor é bastante popular nos Estados Unidos e Canadá, países que não costumam ser muito lembrados quando o assunto é a popularidade do futebol de campo, contando, inclusive, com disputadas ligas profissionais.



O futebol indoor é jogado em uma quadra de 60 metros de comprimento por 25,5 de largura. Diferentemente de outros esportes "de quadra", a superfície é feita de grama sintética, para deixá-la parecida com um campo de futebol. Os gols são centrados nas linhas de fundo, e têm 4,2 metros de largura por 2,4 de altura e 1,5 de profundidade. Devido à sua origem - quadra de hóquei adaptada - a quadra do futebol indoor também possui uma característica curiosa: um muro de no mínimo 90 cm de altura percorre toda a sua volta. Esse muro faz com que a bola não "saia", fazendo com que não existam cobranças de lateral - a bola simplesmente bate no muro e volta, continuando em jogo. Nas linhas de lado, o muro possui um prolongamento de 2 metros de altura de acrílico transparente, para não obstruir a visão do jogo, mas, como nas linhas de fundo não há esse prolongamento, é possível a bola passar por cima do muro. Caso isso aconteça, se a bola foi colocada para fora por um jogador da defesa, há uma cobraça de escanteio; se foi colocada para fora por um jogador do ataque, o goleiro a repõe em jogo com as mãos. A quadra também tem cantos arredondados, ao invés de quinas como a de futsal. A bola utilizada é semelhante à do futebol de campo, com entre 68 e 79 cm de circunferência e entre 410 e 450 gramas de peso.

A quadra do futebol indoor é dividida no meio pela linha do meio de campo, que conta com um círculo central de 4,5 cm de raio. Na frente de cada gol há uma grande área - um semicírculo de 12 metros de raio centrado no centro do gol - e uma pequena área, composta de um semicírculo de 4,5 metros de raio centrado na marca do pênalti, ligado à linha de fundo por duas linhas retas. A 15 metros de cada linha de fundo é traçada uma linha sem nome, conhecida como "linha amarela" por ser dessa cor, e usada para uma regra parecida com o icing do hóquei no gelo, segundo a qual uma bola chutada para a frente não pode passar pelas duas linhas amarelas sem tocar em nenhum jogador no meio do caminho. Finalmente, há diversas marcações para cobranças de faltas, como a marca do pênalti, a 6 metros do centro do gol; a marca de tiro livre direto, a 10,5 metros do centro do gol, sobre a pequena área; a marca para cobranças de faltas que impediriam situações claras de gol, a 15 metros do centro do gol, sobre a linha amarela; e as marcações para cobranças de escanteio, a 4,5 metros de cada trave e 30 cm da linha de fundo.

Um time de futebol indoor é composto de seis jogadores, sendo que um é o goleiro. Cada time pode ter ainda seis reservas, e, assim como no futsal, as substituições são ilimitadas e podem ser feitas a qualquer momento. A partida é oficiada por dois árbitros, um que fica em campo com os jogadores e um auxiliar que fica fora de campo controlando dados como o tempo de jogo e o número de faltas. Jogadores faltosos, dependendo da gravidade da falta, podem ser punidos com o cartão azul, que faz com que ele tenha de ficar de fora da partida durante dois minutos; cartão amarelo, que faz com que ele tenha de ficar de fora da partida durante cinco minutos; ou cartão vermelho, que o expulsa da partida, devendo o time passar a atuar o resto da partida com um jogador a menos.

Uma partida dura quatro quartos de 15 minutos cada, com um intervalo de 2 minutos entre o primeiro e o segundo e entre o terceiro e o quarto quartos, e de 10 minutos entre o segundo e o terceiro quartos. Cada técnico tem direito a pedir três tempos de um minuto cada por jogo, sendo que não mais de dois podem ser pedidos em cada metade do jogo - ou seja, se pedir dois no primeiro quarto, só poderá pedir novamente no terceiro quarto. Caso a partida não possa terminar empatada, é disputada uma prorrogação de dois tempos de 15 minutos cada, na qual quem fizer o gol primeiro ganha, e, persistindo o empate, disputa de pênaltis. Curiosamente, durante o jogo, cada gol não vale um ponto, mas dois, se for feito de dentro da grande área, ou três, se for feito de fora.

O futebol indoor chegou ao Brasil em 1972, quando o ex-jogador Francisco Monteiro, conhecido como Todé, que fora atuar no Canadá, onde conheceu Martin e seu recém-criado esporte, decidiu trazê-lo para nosso país, promovendo, inclusive, uma partida no Maracanãzinho, entre uma seleção de jogadores brasileiros e um combinado de jogadores estrangeiros. Infelizmente, o jogo não pegou, e foi relegado ao esquecimento por mais de 30 anos, até que, em 2005, um grupo de empresários decidiu mudar algumas regras e rebatizá-lo como showbol, organizando campeonatos em diversos países da América do Sul, com times compostos de ex-jogadores consagrados do futebol de campo.

O showbol não é exatamente o mesmo esporte que o futebol indoor - embora as principais características, a quadra de grama sintética e o muro, tenham sido mantidas. Para começar, sua quadra é menor, tendo de 42 a 44 metros de comprimento por de 22 a 24 metros de largura, e com as únicas marcações sendo a linha do meio, a área (marcada a 8 metros do gol) e a marca do pênalti. Além disso, cada gol vale um ponto, não interessa de onde for feito, e existem cobranças de lateral, já que o muro lateral também não tem o prolongamento de acrílico. O jogo é oficiado por um único árbitro, e não existe cartão amarelo, apenas azul e vermelho. Finalmente, cada partida dura dois tempos de 25 minutos cada, com intervalo de dez minutos.

Aos poucos, o showbol também vem se espalhando pelo mundo, em parte graças à estratégia de se utilizar equipes representando os times mais populares de cada país - mesmo que não sejam oficialmente ligadas a estes times - compostas por ex-jogadores de certo renome. Como nem o futebol indoor nem o showbol têm federações internacionais, ainda não existe um campeonato mundial de nenhum dos dois esportes, mas partidas internacionais de showbol são comuns e frequentes, e até já se chegou a disputar um mundialito do esporte em 2006, na Espanha, que contou com a participação de Brasil, Argentina, Espanha e Holanda, sendo vencido pela seleção brasileira. Até onde eu sei, o futebol indoor e o showbol só são disputados profissionalmente no masculino, com equipes femininas, se é que existe alguma, sendo amadoras.

Finalmente, além do futebol de campo e do futsal, a FIFA também regula outra forma de futebol, o futebol de areia, também conhecido como futebol de praia ou beach soccer. Também como no futsal, entretanto, a FIFA não era originalmente a entidade máxima desse esporte, tendo-o assumido, neste caso amigavelmente, em 2005.

O futebol de areia começou como esporte recreativo, principalmente nas praias do Rio de Janeiro. Credita-se a praia do Leme como local oficial de surgimento do esporte, já que lá eram disputados campeonatos entre equipes amadoras. No início da década de 1990, vendo que o esporte tinha potencial para atrair público e patrocinadores, um grupo de empresários criou a Beach Soccer Worldwide (BSWW), organização que se encarregaria de espalhá-lo pelo mundo. Seu primeiro passo foi codificar as regras do esporte, em 1992; o segundo foi formar equipes compostas de ex-jogadores consagrados e de fama internacional, que seriam os principais garotos-propaganda do futebol de areia.

No ano seguinte, a BSWW organizaria o primeiro torneio profissional internacional de futebol de areia, em Miami, com a participação de seleções do Brasil, Estados Unidos, Argentina e Itália. O sucesso do evento garantiu um crescimento rápido do esporte, que em 1995 já organizaria seu primeiro Campeonato Mundial, na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, e em 1996 daria início ao Pro Beach Soccer Tour, uma espécie de circuito mundial composto de 16 etapas em diversos países das Américas, Europa e Ásia. Paralelamente a isso, também surgiria o campeonato europeu, que ajudaria a desenvolver o futebol de areia em diversos países do continente. Em pouco tempo, o novo esporte já era um gigantesco sucesso, atraindo, inclusive, patrocinadores de grande renome, como Coca-Cola, McDonald's e Mastercard.

Com o esporte se espalhando e se popularizando cada vez mais rapidamente, no início dos anos 2000 a FIFA e a BSWW entraram em negociações, para que a primeira passasse a atuar também como federação internacional do futebol de areia. O acordo foi totalmente firmado em 2005, quando a FIFA passou a organizar o Campeonato Mundial, suas eliminatórias e cuidar das regras e da promoção do esporte, enquanto a BSWW ficou com a organização dos campeonatos europeus e com a elaboração do ranking mundial do futebol de areia. Como a absorção foi amigável, em seu estatuto a FIFA reconhece a BSWW como criadora e principal incentivadora à prática do novo esporte.

O futebol de areia é disputado em uma "quadra" de 35 a 37 metros de comprimento por de 26 a 28 metros de largura, delimitada por uma fita azul de 8 a 10 cm de largura. Como a quadra é feita de areia, fica meio difícil fazer marcações, então as únicas presentes são a linha do meio campo e a linha da área, traçada a 9 metros da linha de fundo, que delimita o espaço no qual o goleiro pode jogar; ambas essas linhas são imaginárias, e traçadas entre bandeirinhas de 1,5 metro de altura colocadas nas linhas de lado - amarelas para as áreas, vemelhas para o meio e para os escanteios. Laterais podem ser cobrados com os pés ou com as mãos, à escolha do jogador; escanteios são sempre cobrados com os pés, e tiros de meta com as mãos. Faltas cometidas dentro da área também são pênaltis, sendo que a "marca do pênalti", também imaginária, fica em frente ao centro do gol, sobre a linha da área. Todas as demais faltas são tiros livre diretos, sem barreira, com os adversários devendo ficar a no mínimo 5 metros da bola. O gol tem 5,5 metros de largura por 2,2 de altura e 1,5 de profundidade. A bola utilizada é a mesma do futebol de campo.

Um time de futebol de areia é composto de cinco jogadores, dos quais um é o goleiro. Cada time tem também cinco reservas, com as substituições sendo ilimitadas e podendo ser feitas a qualquer momento. Um detalhe interessante das regras é que os jogadores devem atuar descalços, sem nenhum tipo de calçado sendo permitido, exceto meias próprias para a proteção de áreas lesionadas. A partida é oficiada por três árbitros, sendo que dois ficam na quadra, junto aos jogadores, e um terceiro fica de fora, registrando o tempo de jogo e as substituições, e servindo como reserva para um dos outros dois em caso de necessidade. Faltas podem render aos jogadores cartões amarelos ou vermelhos; um amarelo faz com que o jogador tenha de ficar fora de campo durante dois minutos, enquanto um vermelho o expulsa do jogo, embora o time possa colocar outro em seu lugar após dois minutos da expulsão.

Uma partida de futebol de areia dura três tempos de 12 minutos cada, com intervalo de três minutos entre um tempo e outro, sendo que o relógio só anda quando a bola está em jogo. Nenhum jogo termina empatado: caso haja empate no tempo normal, é jogada uma prorrogação de 3 minutos na qual quem fizer gol primeiro ganha, e, persistindo o empate, disputa de pênaltis, sendo que ganha o primeiro time que acertar a cobrança e o outro não.

A competição mais importante do futebol de areia é a Copa do Mundo, que até 2004 se chamava Campeonato Mundial, disputado anualmente de 1995 a 2009, mas a cada dois anos desde então. Diferentemente do que ocorre com o futsal, a FIFA reconhece todas as edições organizadas pela BSWW, o que significa que o maior campeão é o Brasil, com nada menos de 13 títulos dos 15 possíveis - curiosamente, porém, a primeira edição organizada pela FIFA, em 2005, foi vencida pela França, com o Brasil terminando em terceiro lugar, após perder para Portugal nas seminfinais; Portugal também foi o campeão de 2001, derrotando a França na final e mais uma vez o Brasil nas semifinais, terminando o Brasil em quarto após perder para a Argentina. Também é curioso registrar que as treze primeiras edições foram realizadas no Brasil (dez em Copacabana, a de 2000 na Marina da Glória, Rio de Janeiro, a de 2001 na Costa do Sauipe, Bahia, e a de 2002 dividida entre Vitória, Espírito Santo, e Guarujá, São Paulo) mas a partir de 2008 a FIFA passou a variar os países-sede, com edições já disputadas em Marselha, França, e Dubai, Emirados Árabes, e as duas próximas programadas para Itália e Taiti. Assim como o showbol, até onde eu saiba o futebol de areia só é praticado profissionalmente no masculino, com equipes femininas, se existirem, sendo amadoras.

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