quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Squash

Ano passado, mais ou menos nesta época, eu fiz um post sobre tênis. Na ocasião, pensei em fazer um novo post na semana seguinte, talvez identificado no índice como "Tênis (II)", falando de outros esportes que usassem raquetes. Depois, essa ideia não me pareceu tão boa assim, e eu a acabei abandonando.

Como eu disse semana passada, porém, escrever para o átomo nessa época do ano é um tanto complicado. Pensando em um assunto para hoje, acabei me lembrando dessa ideia maluca, e pensei em variar um pouco sobre ela. Tudo bem que eu não escrevesse sobre um bando de esportes que usassem raquetes, mas pelo menos um ou dois deles eu poderia aproveitar. Assim surgiu o post de hoje. Um post que fala sobre squash.

Para quem não liga o nome à pessoa, o squash (que se pronuncia "iscuóch", e não "iscuéch", como se ouve por aí) é o famoso "jogo de tênis contra a parede", onde os jogadores devem rebater a bola contra um muro entre uma jogada e outra. Assim como o tênis, ele descende de uma ampla gama de esportes onde o objetivo era rebater uma bola contra uma superfície qualquer; hoje, é impossível saber qual teria sido o primeiro ou mais antigo desses esportes, mas, em comum, todos eles tinham que a bola era rebatida não com uma raquete, mas com as mãos nuas. Segundo registros históricos, a primeira coisa parecida com uma raquete usada em um desses jogos teria surgido por volta do ano 1500, na França, onde monges praticavam uma atividade física que consistia em rebater uma bola contra uma rede de pesca esticada no meio de um salão usando uma luva com uma espécie de teia entre os dedos.

Entretanto, o primeiro esporte a verdadeiramente usar uma raquete para rebater uma bola contra uma parede surgiu na Inglaterra, mais precisamente na prisão de Fleet, destinada àqueles que não pagavam suas dívidas, por volta do século XVIII. Na época, era muito popular um esporte chamado fives, que consistia em rebater uma bola com as mãos espalmadas contra uma parede. Os presidiários de Fleet, muitos deles pertencentes a camadas não tão baixas da população, teriam adaptado o jogo de fives para o uso de raquetes, então já comuns em esportes como o tênis real e o badminton. Conforme os devedores desportistas eram libertados, ou conforme seus amigos os iam visitar na prisão, o novo esporte se espalhava pela Grã-Bretanha, já que tudo o que era necessário para praticá-lo era uma parede, uma bola e duas raquetes. Logo, ele estava sendo jogado por amigos em becos, por estudantes em escolas, e até mesmo em alguns pubs.

O passo seguinte, evidentemente, foi a construção de quadras próprias para a prática do novo esporte, sendo a primeira a de Eglinton Castle, Escócia, inaugurada em 1839, e que receberia seu primeiro jogo oficial em 1846. Da Grã-Bretanha, levado por imigrantes e soldados, o esporte chegaria também aos Estados Unidos e Canadá, onde chegaria no final do século XIX. Curiosamente, mesmo com a popularização, este esporte jamais recebeu um nome sofisticado, sendo chamado, até hoje, simplesmente de "raquetes" (racquets, na Grã-Bretanha, ou rackets, nos Estados Unidos e Canadá).

Embora exista até hoje, e tenha experimentado um surto de popularidade no início do século XX - fez parte até do programa oficial das Olimpíadas de 1908, em Londres - o jogo de raquetes jamais se espalhou além da Grã-Bretanha, Estados Unidos e Canadá. Um acaso do destino, porém, faria com que ele ganhasse uma variação, que se tornaria popular no mundo inteiro: na metade do século XIX, os alunos da Harrow School, de Londres, Inglaterra, começariam a jogar raquetes no único espaço que tinham, um respiradouro onde canos de água, calefação e até mesmo uma chaminé passavam pelas paredes. Como o espaço era apertado, eles optaram por usar uma bola de borracha, mais mole e que quicava mais que a bola de couro e lã normalmente usada no jogo, e raquetes também menores, que possibilitassem um maior controle da bola. Eventualmente, a escola decidiria construir uma quadra oficial, mas, a pedido dos alunos, que já estavam acostumados com as regras, a fizeram do tamanho do espaço onde já jogavam, bem menor que uma quadra de raquetes oficial - tanto que, no espaço originalmente destinado para a quadra pela escola, eles conseguiram construir quatro. Ainda mais veloz e desafiador que o jogo de raquetes, este esporte acabou apelidado pelos alunos de squash, o verbo "esmagar" em inglês, já que a bola de borracha parecia ser esmagada contra a parede a cada golpe, algo que não ocorria com a bola mais dura do jogo de raquetes.

O squash permaneceu praticamente restrito à Harrow School até o início do século XX, quando se tornou uma febre na Inglaterra: vários clubes e escolas começaram a construir quadras de squash para seus sócios e alunos, e até mesmo alguns cidadãos comuns decidiram fazer uma em casa, para jogar com os amigos. Como sempre ocorria nessas ocasiões, porém, nem as regras do jogo nem as medidas das quadras eram padronizadas, o que fazia com que cada um jogasse como bem entendia. Em 1907, a Tennis, Racquets & Fives Association, organização que regulava os jogos de tênis real, raquetes e fives na Grã-Bretanha, decidiu criar um comitê para codificar também o squash, que passaria a regular. Os esforços do comitê foram em vão, porém, e seu único resultado foi reduzir de dezenas para apenas três os esportes oficialmente considerados como squash. Somente em 1928, com a fundação da Squash Rackets Association, e mesmo assim após cinco anos de negociações, é que o squash seria codificado, passando a ser jogado com as mesmas regras em toda a Grã-Bretanha. A Federação Mundial de Squash (WSF), por sua vez, só seria fundada bem mais tarde, em 1967, com o nome de Federação Internacional de Squash Rackets, nome que abandonaria em 1992. A WSF conta hoje com 147 membros, dentre eles o Brasil, e organiza vários campeonatos, sendo o mais importante o World Open, o campeonato mundial de squash, realizado anualmente desde 1976. O squash está dentre os esportes reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional, e atualmente a maior luta da WSF é para que ele seja incluído no programa das Olimpíadas. Enquanto isso não acontece, o squash faz parte do programa dos World Games, onde foi disputado nas modalidades simples masculinas e simples femininas em 1997, 2005 e 2009.

E, caso alguém aí esteja curioso, o jogo de raquetes ainda é regulado pela Tennis, Racquets & Fives Association, que agora se chama só Tennis & Racquets Association (ou T&RA), que hoje atua não só como órgão do esporte no Reino Unido, mas também internacionalmente. O mais importante torneio de raquetes do mundo é o Campeonato Mundial, o segundo campeonato esportivo mais antigo do mundo ainda em vigor, realizado anualmente desde 1820. Curiosamente, até hoje o esporte de raquetes só é oficialmente disputado na versão masculina, não existindo um campeonato feminino. Só para fechar o assunto, uma quadra de raquetes tem 9,14 m de largura por 18,28 m de comprimento, com o teto a 9 metros de altura; três de seus lados são fechados, com o lado aberto (o de trás dos jogadores) destinado à plateia. As raquetes usadas são de madeira, com 77,5 cm de comprimento, e a bola, feita de couro, linha e lã, tem 38 mm de diâmetro e pesa 28 gramas.

As raquetes e a bola de squash, como já foi dito, são bastante diferentes: originalmente feitas de madeira, mas desde a década de 1980 fabricadas com materiais como grafite, titânio e kevlar, as raquetes de squash devem ter no máximo 68,6 cm de comprimento, com uma cabeça de no máximo 500 cm2 - o que faz com que ela tenha o mesmo comprimento de uma raquete de tênis, mas uma cabeça de 15 a 40% menor. O peso máximo das raquetes é de 255 gramas, mas a maioria dos modelos existentes hoje tem entre 100 e 200 gramas.

A bola de squash merece um parágrafo só para ela - afinal, é por causa dela que o jogo tem esse nome. A bola é até maior que a usada no jogo de raquetes, com entre 39,5 e 40,5 mm de diâmetro, mas é mais leve, pesando entre 23 e 25 gramas. Ela é feita de um composto de vários tipos de borracha, e é oca - o que significa que, em sua fabricação, suas duas metades devem ser coladas com um adesivo potente. Existem vários tipos de bolas de squash diferentes, cada uma apropriada para uma condição de temperatura, pressão atmosférica ou nível de jogo. As bolas são atualmente classificadas com um código de cores, que determina o quanto ela quica e quanta velocidade ela ganha após cada rebatida; a bola oficial dos campeonatos da WSF é a double yellow dot, que tem este nome por ser identificada com dois pontos amarelos. A double yellow dot é a segunda bola de menor velocidade e segunda que quica mais baixo; mais lenta e "menos quicante" que ela só a identificada por um ponto laranja, que só é utilizada em cidades de baixa pressão atmosférica, como a Cidade do México. Mais velozes e "mais quicantes" que a double yellow dot temos, na ordem, a idetificada por apenas um único ponto amarelo, a por um ponto verde ou branco (dependendo do fabricante), a do ponto vermelho e a do ponto azul, a mais veloz de todas. Jogadores amadores costumam comprar a de ponto azul, já que as bolas vão perdendo velocidade e quicando menos com o tempo, o que faz com que as mais velozes durem mais. Como a bola pode atingir grandes velocidades, é equipamento obrigatório dos jogadores um óculos de proteção.

O squash é jogado em uma quadra totalmente fechada, sendo que, em torneios oficiais, três dos lados dessa quadra são transparentes - chamados de "vidros", mas normalmente feitos de acrílico reforçado - para que a plateia possa acompanhar o jogo. Dentro da quadra ficam apenas os jogadores, com o árbitro ficando do lado de fora, em posição normalmente elevada, capaz de ver tudo o que está acontecendo. O squash possui a peculiaridade de que os próprios jogadores anotam os pontos e as irregularidades da partida, com o árbitro tendo o poder de modificar qualquer decisão dos jogadores, e tendo a palavra final quando cada jogador marca uma coisa diferente.

Uma quadra de squash tem 6,4 metros de largura por 9,75 de comprimento, e pode ou não ter teto. Seu muro frontal - aquele no qual os jogadores vão rebater a bola - tem entre 4,57 e 5 metros de altura, sendo que exatamente a 4,57 metros é traçada uma linha-limite, acima da qual a bola é considerada "fora" se atingir. O muro frontal também conta com uma linha-limite a 43 cm do chão, conhecida como tin ("lata"), pelo fato de que, dali para baixo, o muro costuma ser revestido com metal, para fazer um som característico caso a bola o acerte. Evidentemente, acertar o tin também constitui infração.

Os muros laterais têm a mesma altura do muro frontal, mas o muro traseiro - o que fica às costas dos jogadores, e onde fica localizada a porta por onde eles vão entrar - pode ter entre 2,13 e 5 metros de altura, com a linha-limite traçada a 2,13 metros. Por causa disso, a linha-limite dos muros laterais não é reta, mas inclinada, ligando as linhas-limite dos muros traseiro e frontal. Completam as marcações da quadra uma linha de serviço, traçada a 1,78 metro de altura no muro frontal; duas linhas do meio da quadra, traçadas no chão, uma horizontal e uma vertical, sendo que a vertical para na horizontal; e duas áreas de saque, delimitadas por linhas a 2,61 m do muro traseiro, 4,26 m da linha do meio horizontal, e 1,60 m do muro lateral mais próximo.

Um dos jogadores começa a partida sacando. Para isso, ele deve escolher uma das áreas de saque, e se posicionar de forma que um de seus pés fique dentro dela, sem que nenhuma parte desse pé toque suas linhas. Então, o jogador deve bater na bola com a raquete, fazendo com que a bola acerte o muro frontal acima da linha de serviço, na metade oposta da quadra. Quando a bola retornar, ela poderá quicar uma vez no chão, e então o outro jogador deverá rebatê-la no muro frontal, sempre acima do tin e abaixo da linha-limite. Depois de quicar no muro frontal, a bola pode quicar nos muros laterais ou no muro traseiro qualquer número de vezes, desde que seja abaixo da linha-limite, mas só pode quicar no chão uma única vez. Sempre que um jogador rebater a bola para o muro frontal, quando ela voltar, será a vez do outro jogador rebatê-la. Enquanto estão rebatendo, os jogadores podem se movimentar por toda a quadra, mas obstruir um jogador - ou seja, ficar na frente dele para atrapalhá-lo na hora de rebater a bola - é falta punida com ponto automático para o adversário, mesmo que a obstrução tenha sido acidental.

Toda vez que um jogador não conseguir devolver a bola para o muro frontal - ou seja, se ela quicar duas vezes no chão após quicar no muro frontal, se ela quicar no chão após ser rebatida mas antes de quicar no muro frontal, ou se quicar no tin ou acima de qualquer linha limite - será ponto para o outro jogador. Se o jogador que estava sacando fizer o ponto, ele poderá sacar novamente, mas deverá fazê-lo da área de saque oposta à que sacou da última vez. Se o jogador que não estava sacando fizer o ponto, será sua vez de sacar.

Existem duas formas de se contar os pontos no squash; a utilizada pela WSF e pela maioria dos torneios do mundo é conhecida como PARS, de point-a-rally scoring system. No PARS, cada vez que um jogador não conseguir devolver a bola com sucesso, ou quando obstruir o adversário, o adversário ganhará um ponto. Cada vez que um jogador alcança 11 pontos - ou abre uma diferença de dois pontos, caso o jogo empate em 10 a 10 - ele ganha um game. Um apartida pode ser em melhor de 3 games - o vencedor é quem ganha dois primeiro - ou mehor de 5 games - sendo vencedor quem ganha três primeiro - dependendo do torneio.

O outro sistema de contagem de pontos é o English scoring system, adotado quando da codificação do jogo. Segundo este sistema, apenas o jogador que está sacando pode marcar pontos; quando o jogador que não está sacando faz um ponto, ele simplesmente ganha o direito de sacar. Desnecessário dizer, jogos que usam este sistema de pontuação demoram muito mais. Jogos no English scoring system são sempre em melhor de 5 games, com cada game acabando quando um jogador faz 9 pontos - ou 10, caso o jogo empate em 8 a 8, sendo possível terminar 10 a 9. O English scoring system não é mais usado em torneios internacionais, mas ainda é adotado em competições domésticas da Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, África do Sul, Paquistão e Índia.

O squash também pode ser jogado em duplas, com as mesmas regras do simples. Os parceiros de uma mesma dupla se alternam nos saques e na devolução das bolas. Um jogo oficial de duplas sempre era jogado até 11 pontos, mesmo que termine 11 a 10, e em melhor de 3 games; de alguns anos para cá, porém, alguns jogos oficiais têm sido disputados em melhor de 5, ou com games de 15 pontos. A quadra de duplas também é mais larga, com 8,4 metros, para poder acomodar quatro jogadores; quadras recentes têm sido construídas com uma tecnologia apelidada movable wall, com a qual os muros laterais podem ser movidos para aumentar ou diminuir a quadra, permitindo que a mesma quadra abrigue jogos de simples e de duplas.

Curiosamente, o squash é mais popular na Europa, Ásia e Brasil; nos Estados Unidos e no restante da América Latina, ele não é muito praticado, com uma outra variação do jogo de raquetes, chamado raquetebol sendo bem mais popular. O raquetebol foi inventado em 1950, em Greenwich, Connecticut, Estados Unidos por Joe Sobek, jogador de tênis e handebol americano - que não é o esporte coletivo que conhecemos, mas um esporte individual onde o objetivo é rebater uma bola contra uma parede usando as mãos - e professor da Associação Cristã de Moços (YMCA) daquela cidade. Sobek buscava inventar um esporte que fosse rápido, emocionante e fácil de ser aprendido; para isso, ele misturou as regras do handebol americano com as do squash e as do paddleball, esporte que consiste em rebater uma bola contra uma parede usando uma raquete similar à do tênis de mesa; além de criar seu próprio modelo de raquetes, diferentes das usadas em outros esportes. Sobek batizou seu esporte de paddle rackets, e, em 1952, fundou a National Paddle Rackets Association, responsável por codificar e regular o jogo nos Estados Unidos.

Graças a uma intensa campanha de popularização do jogo conduzida pelo próprio Sobek, a seus contatos em YMCAs de outras cidades, e à possibilidade de se jogar seu esporte em uma quadra de handebol americano, facilmente encontrada em clubes e associações de então, o novo esporte rapidamente se tornou popular, chegando a ser uma verdadeira febre na década de 1960. Em 1969, o presidente da Associação Norte-Americana de Handebol, Robert W. Kendler, decidiu fundar uma federação internacional do esporte, que nessa época já era conhecido por todos como raquetebol, nome inventado pelo jogador de tênis e raquetebol Bob McInerney. A Associação Internacional de Raquetebol então substituiu a NPRA de Sobek como órgão organizador dos torneios oficiais em solo norte-americano, e logo partiu para a divulgação do esporte também em outros países. Em 1974, ela se uniria a outras federações nacionais de raquetebol das Américas para se tornar a Federação Internacional de Raquetebol, que hoje conta com 103 membros, incluindo o Brasil.

O raquetebol é jogado em uma quadra mais comprida e mais estreita que a do squash, com 6,1 m de largura por 12,2 m de comprimento. Nos Estados Unidos, é comum que estas quadras sejam convertidas para se tornarem quadras de squash, colocando um muro removível a 9,75 m da porta, o que resulta em uma quadra de squash 30 centímetros mais estreita, mas ainda assim considerada oficial pela WSF em nome da popularização do squash. Curiosamente, na Grã-Bretanha ocorre o contrário, com muitos jogadores de raquetebol utilizando quadras de squash, proibidas em jogos oficiais da IRF. Uma quadra de raquetebol também tem obrigatoriamente um teto, que no squash é opcional.

Todos os quatro muros da quadra de raquetebol têm 6,1 metros de altura, e não possuem qualquer marcação - o que constitui outra birra da IRF em relação ao uso de quadras de squash ou convertidas para a prática do raquetebol. Em seu chão, é marcada uma área de saque, composta de uma linha cheia conhecida como short line, traçada a 6,1 m da porta de entrada, e uma linha cheia chamada service line, traçada a 1,52 m da short line. Dentro da área de saque, a 45,7 cm de cada muro lateral, é traçada uma linha perpendicular a essas duas, que delimita a doubles box, onde o parceiro que não está sacando deve se posicionar durante um saque no jogo de duplas; e a 45,7 cm da linha da doubles box é traçada a screen line, que delimita as laterais da área de saque. Finalmente, há uma linha tracejada a 4,57 m da porta de entrada, chamada receiving line.

Para sacar, um jogador se posiciona dentro da área de saque, quica a bola no chão e a rebate em direção ao muro frontal. Para que o saque seja válido, a bola deve quicar no muro frontal, no máximo em um dos muros laterais, e então no chão, sendo que o jogador que está sacando só pode sair da área de saque depois que ela ultrapassar a short line. O jogador que vai receber o saque se posiciona atrás da receiving line; se a bola, após o saque, voltando do muro frontal, ultrapassar a receiving line, ele não precisa esperar ela quicar para rebatê-la, mas é de bom tom esperar, porque, se ela bater no muro traseiro antes de quicar no chão, o saque será invalidado. Quando um jogador devolve a bola, ela pode quicar nos muros laterais, no muro traseiro ou até mesmo no teto, desde que quique no muro frontal antes de quicar novamente no chão. Os jogadores se alternam rebatendo a bola até que um dos dois erre - normalmente permitindo que ela quique duas vezes seguidas no chão - quando então será ponto para o adversário. Se o ponto foi do jogador que estava sacando, ele continua no saque; se foi do outro, será sua vez de sacar.

Diferentemente do que ocorre no squash, no raquetebol nem sempre obstruir o adversário resulta em ponto automático para ele, apenas se esta obstrução o impediu de marcar um ponto. Se foi uma obstrução acidental, ou que não o impediu de marcar o ponto, o ponto é simplesmente jogado novamente. A autoridade para decidir sobre obstruções é do árbitro, que assiste ao jogo do lado de fora da quadra, em posição que o permita acompanhar as jogadas. Dependendo do torneio, um saque inválido pode resultar também em ponto para o adversário ou em um segundo saque, como no tênis, que, aí sim, se também for inválido, resultará em ponto. Curiosamente, no raquetebol é proibido trocar a raquete de mão no meio de um ponto, o que também resulta em ponto para o adversário se acontecer.

No raquetebol, apenas o jogador que está sacando pode fazer pontos; o outro jogador apenas conquista o direito de sacar, conhecido como vantagem. Dependendo do torneio, o jogo pode ser em melhor de 3 games, com cada um dos dois primeiros games indo até 15 pontos e o terceiro a 11 (mesmo que termine 15 a 14 ou 11 a 10), ou em melhor de 5 games de 11 pontos cada, sendo necessária uma diferença de 2 pontos (como 12 a 10) para se vencer um game.

O raquetebol também pode ser jogado em simples ou em duplas; tirando o fato de que no jogo de duplas os parceiros se alternam nos saques e ao rebater as bolas, não há nenhuma diferença nas regras das duas variações. Existe também uma curiosa variação com três jogadores em quadra, onde um sozinho joga contra um dupla, mas esta não é utilizada em torneios internacionais.

A raquete usada no raquetebol é diferente de todas as demais: ela deve ter no máximo 55,88 cm de comprimento, mas a cabeça tem 800 cm2, o que faz com que a raquete seja curta, mas com uma enorme área para acertar a bola. A raquete também tem uma cordinha no cabo que deve ser colocada em volta do pulso do jogador, para evitar acidentes; muitos jogadores usam ainda uma luva especial que melhora a firmeza na pegada da raquete, mas este equipamento é opcional. Além da raquete, o único equipamento obrigatório, assim como no squash, são os óculos de proteção. A bola de raquetebol é feita de borracha maciça, tem 57 mm de diâmetro, e peso máximo de 40 gramas.

O raquetebol também é um dos esportes reconhecidos pelo COI, mas sua baixa popularidade fora das Américas faz com que seja pouco provável sua inclusão nas Olimpíadas. Sua competição mais importante atualmente é o Campeonato Mundial, disputado pela primeira vez em 1981, depois em 1984, e desde então a cada dois anos. O raquetebol também faz parte do programa dos World Games, onde foi disputado nas modalidades simples masculinas e simples femininas em 1981, 1985, 1993 e 2009.

2 enfiaram o nariz:

Guil disse...

Pois é, perdi todos os meus comentários - de novo. Pela terceira vez, para ser exato.

Aparentemente, a Haloscan cresceu demais, e não está dando conta de hospedar todos os comentários. Por isso, a partir do dia 11 de fevereiro, todos os usuários Haloscan terão de migrar para um serviço do mesmo provedor chamado Echo - que é pago.

Como eu não estou a fim de pagar, e como já há algum tempo o próprio Blogger oferece comentários gratuitamente, decidi não esperar até 11 de fevereiro. O lado bom é que eu acho que não perderei tudo pela quarta vez. O lado ruim é que tudo o que todo mundo comentou desde que eu perdi os comentários pela segunda vez se perdeu de novo.

Mas ninguém precisa re-comentar. Bola pra frente, que não é um percalço desses que vai acabar com o átomo.

Abraços!

12:23 PM
Elton disse...

Cara, esse seu blog é enorme! Achei pesquisando sobre a história das expansões de Magic the Gathering. Ainda não li, mas já deixo aqui meu agradecimento por disponibilizar tanta informação bacana!

Valeu, abraço! =]

-Elton

11:16 PM

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