sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Hurling / Futebol Gaélico

Mês passado, eu fiz aqui um post sobre lacrosse, sob a alegação de que sentia falta de falar sobre um esporte que não fosse muito conhecido da população brasileira em geral. Mas, por incrível que pareça, quando decidi que escreveria mais um post sobre um esporte exótico, o lacrosse não foi o primeiro que me veio à cabeça. Na verdade, eu pensei em um ainda mais exótico e mais desconhecido, que acabou só não virando post porque eu me lembrei do lacrosse em seguida, e achei que um post sobre lacrosse seria melhor.

Mas sabe como é, quando a gente sente vontade de fazer um post e não o faz, aquele bichinho fica zanzando dentro da cabeça da gente, de vez em quando zumbindo como quem diz que só vai sair quando o post for escrito. E, como ele é um bichinho muito teimoso, a única forma de fazer com que ele saia é mesmo escrevendo o post. Por isso, hoje é dia de um post sobre hurling!

hurlingSim, existe um esporte chamado hurling. Se você presta atenção no que eu escrevo, inclusive, já deve até ter visto uma frase sobre ele aqui. Aliás, foi justamente ao escrever essa frase, no meu já longínquo post sobre as Olimpíadas de 1904, que eu descobri que ele existia. Graças ao milagre da internet, eu consegui descobrir suas regras, e até o achei bastante interessante. Agora, assistir hurling é outro papo; acho que o único meio é pelo YouTube, porque uma televisão daqui jamais se interessará em transmitir uma partida. Isso porque o hurling é um esporte tradicional da Irlanda, e, por maior que seja a colônia irlandesa no Brasil, provavelmente a audiência não justificaria o televisionamento. E, antes que alguém faça essa piada nos comentários, sim, viajar para a Irlanda também é uma forma de assistir a uma partida.

Considerado o esporte coletivo mais veloz do mundo, o hurling não somente é um dos esportes mais tradicionais da Irlanda, como também é um dos esportes mais antigos do planeta, com relatos de partidas anteriores ao início dos registros da história irlandesa. A mais provável origem para o esporte é a de que ele tenha sido criado pelos celtas, que, como de costume, o jogavam com times de centenas de jogadores de cada lado, cada time representando um clã ou tribo. Várias lendas irlandesas, como o Táin Bó Cuailgne e a lenda dos Fianna, descrevem partidas de hurling, e já no Código de Brehon, uma das primeiras legislações irlandesas, datada do Século V, há uma menção a esse esporte.

Como todo esporte muito antigo, o hurling foi mudando e se adaptando ao longo dos anos, para que suas partidas se tornassem menos confusas e mais atraentes ao público. O Século XVIII, em especial, é conhecido como a Era de Ouro do hurling, com diversas alterações nas regras que aumentaram a popularidade do jogo, e diversos times disputando campeonatos. A primeira tentativa de codificar o jogo, porém, só ocorreria uns cem anos mais tarde, em 1879, com a fundação da Irish Hurling Union, em Dublin, que tinha o objetivo de padronizar as regras do hurling para jogos disputados em todo o território da Irlanda. Depois disso, com o Século XX, veio um grande período de organização do esporte, com o estabelecimento de vários clubes e campeonatos de sucesso, que transformaram o hurling no segundo esporte mais popular da Irlanda - e aos poucos começou a espalhá-lo por outros países, levado por imigrantes irlandeses.

Certo, e como se joga hurling? Para começar, diferentemente do que o nome possa dar a entender ("hurl", em inglês, é o verbo "arremessar"), no hurling ninguém arremessa nada. Na verdade, o jogo se parece com o hóquei, com cada jogador usando um taco para conduzir a bola. Este taco, chamado camán, é feito de madeira, tem entre 70 cm e 1 m de comprimento, e uma ponta levemente inclinada, redonda e chata, como se fosse um taco de golfe. Com este taco, os jogadores conduzirão a bola, chamada sliotar (se pronuncia "shliter"), que se parece com uma bola de beisebol, feita com um núcleo de cortiça envolvido com uma capa de couro, medindo entre 23 e 25 cm de circunferência e pesando entre 110 e 120 g. O hurling não é considerado o esporte mais veloz do mundo à toa: uma pancada bem dada na bola pode fazer com que ela viaje a mais de 150 Km/h, o suficiente para fazer com que ela quase vá de um gol ao outro em uma única tacada. Diferentemente de outros jogos onde a bola alcança tal velocidade, porém, no hurling os jogadores não são obrigados a vestir nenhuma proteção especial, embora possam jogar com capacetes, protetores bucais e luvas especiais, chamadas ashguards, se quiserem. Os goleiros também não têm nenhum tipo de proteção extra, mas devem usar um taco diferente, maior, chamado bas, que os auxilia nas defesas, além de um uniforme de cor diferente do restante do time, para que sejam identificados mais facilmente.

Uma diferença fundamental entre o hurling e o hóquei, porém, é que, no hurling, a bola não corre pelo chão sendo impulsionada pelo taco: no hurling, a bola é carregada pelo taco. Isso mesmo, o jogador deve equilibrar a bola na parte maior do taco enquanto corre pelo campo, ou ficar quicando ela no taco, como se fosse uma daquelas raquetes em que a bola é presa por um fio. O jogador até pode pegar a bola com a mão, mas não pode dar mais de quatro passos com a bola na mão, não pode passá-la de uma das mãos para a outra, não pode passá-la da mão para o taco e de volta para a mão mais de três vezes seguidas, e não pode arremessá-la para um companheiro com a mão - para passar a bola, ele deve usar o taco, ou bater nela com a mão espalmada; nesse caso, é o "tapa" que deve impulsionar a bola, não o movimento do braço, e mesmo assim esse tapa só pode ser usado para passar a bola, nunca para marcar um gol. Como também seria muito difícil proibir a bola de correr pelo chão, ela até pode, mas nenhum jogador pode bater com o taco na bola para impulsioná-la, ao estilo hóquei, enquanto ela estiver no chão, devendo levantá-la primeiro. Também é proibido pegar uma bola do chão diretamente com as mãos; ela sempre deve ser levantada com o taco ou com o pé antes que um jogador possa pegá-la.

O hurling é jogado em um campo gramado de 137 a 145 metros de comprimento por 80 a 90 metros de largura - maior que um campo de futebol, portanto. Curiosamente, ao invés de uma linha no meio do campo, existem duas, cada uma a no mínimo 7 metros da metade do campo, e no máximo a 65 metros da linha de fundo. Cada metade do campo conta ainda com três outras linhas, uma a 45 metros, uma a 20 metros e uma a 13 metros da linha de fundo. Essas linhas são utilizadas como referência em várias faltas - por exemplo, durante a cobrança de um pênalti, nenhum jogador, à exceção do goleiro que tentará defendê-lo, pode ficar entre a linha de 20 metros e a linha de fundo - além de servirem para delimitar as partes do campo que cada jogador cobrirá, de acordo com a posição em que joga. Além dessas linhas, as únicas outras marcações no campo são as áreas - um retângulo de 19 m de largura por 13 m de comprimento, com um menorzinho, de 14 m de largura por 4,5 m de comprimento dentro - e dois semicírculos de 13 m de raio, centrados nas linhas de 20 metros. Os goleiros possuem alguns privilégios enquanto estão dentro da área, embora possam sair dela e jogar pelo campo todo normalmente se desejarem. Uma regra curiosa em relação à área é a que diz que nenhum jogador do time que está atacando pode entrar na área carregando a bola se já houver um jogador de seu time lá dentro.

No final das áreas, sobre as linhas de fundo, ficam os elementos mais importantes do jogo de hurling: os gols. Assim como no rugby, o gol do hurling tem o formato de um H, com 6 m de altura, 6,4 m de largura, e com a barra do meio a 2,44 m do chão. Diferentemente do rugby, a metade de baixo, protegida pelo goleiro, tem uma rede, como a do gol do futebol. Durante o jogo, acertar a rede vale 3 pontos, e se chama gol, enquanto jogar a bola por sobre a barra do meio, entre as barras laterais, vale 1 ponto, e se chama simplesmente ponto - evidentemente, porque é mais fácil acertar a parte de cima, maior e sem goleiro, que a de baixo. O placar de uma partida de hurling não é obtido somando os gols e pontos, mas registrando-os separadamente, com os gols primeiro. Assim, um time que faça dois gols e treze pontos terá um placar de 2-13. Para se determinar o vencedor de uma partida, a quantidade de gols e pontos é irrelevante, valendo sua soma; um placar de 0-20, portanto, ganharia deste placar de 2-13 (que soma 19), mesmo sem o time do 0-20 ter marcado nenhum gol.

Cada time de hurling conta com nada menos que 15 jogadores, sendo um goleiro, três defensores, três meio-defensores, dois meios de campo, três meio-atacantes e três atacantes. Estas posições são mais ou menos fixas, com cada jogador sendo responsável por uma função e por uma determinada parte do campo - os defensores, por exemplo, costumam jogar entre a linha de fundo e a de 45 metros, enquanto os meio-atacantes jogam entre a linha de 65 metros e a de 45 metros do adversário - embora eventualmente um jogador possa "abandonar" sua posição original para concluir uma jogada, não sendo punido por "ultrapassar seu limite". Além dos 15 titulares, cada time pode ter até 5 reservas. As substituições podem ser feitas a qualquer momento em que a bola esteja parada, e um jogador que sai não pode mais voltar.

Além de uma infinidade de jogadores, o hurling também tem uma infinidade de árbitros: são oito ao todo, sendo um árbitro principal, que corre junto aos jogadores, marcando faltas e irregularidades; quatro (dois de cada lado do campo, atrás das linhas de fundo) responsáveis pela marcação e validação dos gols e pontos; dois (um de cada lado, junto à linha lateral) responsáveis por controlar as saídas de bola, indicando a qual time pertence a reposição, além de auxiliar o árbitro principal na marcação de faltas; e um responsável por controlar o tempo de jogo e as substituições. Uma partida de hurling dura dois tempos de 35 minutos cada, sendo que, como no futebol, o relógio não para nunca, e o árbitro principal pode seguir com o jogo após os 35 minutos para descontar o tempo em que a bola ficou parada. Um jogo de hurling pode terminar empatado, mas, se isto não for possível - se for um jogo eliminatório, por exemplo - é jogada uma prorrogação de dois tempos de dez minutos cada. Persistindo o empate, é marcado um jogo-desempate.

O hurling deve ser o único esporte do mundo no qual as versões masculina e feminina têm nomes diferentes: o hurling feminino se chama camogie. Essa diferença no nome surgiu do fato de que o taco usado na época pelas mulheres, menorzinho que o dos homens, se chamava camóg, o diminutivo de camán. Originalmente, em irlandês, ambos os esportes recebiam seus nomes dos tacos, e se chamavam camánaíocht e camógaíocht; quando o hurling foi codificado pela primeira vez, porém, optaram por usar o nome pelo qual o esporte era conhecido na língua inglesa, que por sua vez havia sido "emprestado" de outro esporte, originário da Cornualha, e que não tinha nada a ver com o hurling irlandês. O camogie só seria codificado em 1904, e, na ocasião, a Associação Irlandesa de Camogie decidiu por um meio termo, uma anglicização do nome original, o que transformou o cámogaíocht em camogie.

Além do nome, o camogie possui algumas outras diferenças em relação ao hurling, algumas porque as regras do hurling foram alteradas ao longo dos anos, enquanto as do camogie permaneceram mais fiéis às originais, outras porque, quando da codificação, decidiram que o jogo seria mais atraente às mulheres se fosse um pouco diferente. Para começar, embora atualmente os tacos de camogie já sejam os mesmos do hurling, as bolas são menores, com 21 cm de circunferência e entre 90 e 110 g de peso. O jogo de camogie também é mais curto, com dois tempos de 30 minutos cada. As goleiras do camogie não contam com nenhum privilégio especial dentro da área, e, portanto, não precisam usar uniformes de cor diferente. Após cada gol, as goleiras repõem a bola com uma tacada da linha de 13 metros, enquanto no hurling a reposição é com uma tacada da linha de fundo. Finalmente, no camogie é permitido marcar gols tanto com tacadas quanto com o tapa na bola. Há alguns outros detalhes diferentes, como a proibição das jogadas ombro a ombro no camogie, mas estas são as principais.

Nem o hurling nem o camogie possuem federações internacionais; o hurling é regulado pela Associação Atlética Gaélica (GAA), uma espécie de centro de tradições esportivas da Irlanda, fundada em 1884 com o objetivo de conservar e promover os esportes tradicionais irlandeses. Foi a GAA a maior responsável pelo crescimento do hurling no Século XX e por sua expansão internacional, com a fundação de GAAs espalhadas ao redor do mundo. O camogie ainda é regulado até hoje pela Associação Irlandesa de Camogie, que entretanto é filiada à GAA, o que também contribui para a expansão do esporte.

Além de em sua Irlanda natal, hoje o hurling e o camogie são disputados em mais de 20 países. Todas as competições de hurling e camogie, entretanto, são disputadas por clubes, filiados a sete GAAs (Irlanda, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canadá, Europa, Ásia e Australásia), não existindo seleções nacionais destes esportes (com exceção das seleções irlandesas, que uma vez por ano jogam uma partida de hurling e uma de camogie contra as seleções escocesas masculina e feminina de shinty, outro esporte semelhante ao hóquei, usando regras híbridas). Na verdade, até mesmo competições "internacionais" de hurling - entre clubes de GAAs diferentes - são raras, o que leva a todos os clubes a praticamente só jogarem contra os demais de sua própria GAA. Uma das razões para isso é que, por imposição da GAA irlandesa, todos os esportes gaélicos devem ser amadores, ou seja, seus praticantes não podem viver do esporte, o que impede que os campeonatos de hurling e camogie tenham estruturas comparáveis às de outros esportes.

Mas existe, como sempre, uma exceção: o All-Ireland Senior Hurling Championship, o principal campeonato irlandês de hurling, disputado entre os principais clubes de hurling do país, e seu equivalente no camogie, o All-Ireland Senior Camogie Championship. Disputados respectivamente desde 1887 e 1932, os All-Ireland atraem multidões aos seus jogos, especialmente às finais, disputadas sempre no mês de setembro. Também vale registrar que o hurling quase já foi esporte olímpico, já que foi incluído pelo comitê organizador no programa das Olimpíadas de 1904, em Saint Louis, Estados Unidos. Como ambos os times que competiram eram dos próprios Estados Unidos, porém, o COI optou por não sancionar as medalhas, retirando o hurling do programa oficial.

Antes de encerrar este post, eu queria aproveitar para dizer que, além do hurling (e, de certa forma, do camogie), a GAA regula três outros esportes tradicionais irlandeses (chamados de "esportes gaélicos", como eu mesmo escrevi ali em cima): o handebol gaélico, esporte semelhante ao squash, mas jogado com as mãos ao invés de com raquetes; o rounders, que se parece um pouco com o beisebol; e o futebol gaélico, sobre o qual eu gostaria de tecer algumas palavrinhas. Lá no início do post, eu falei que o hurling é o segundo esporte mais popular da Irlanda. Pois o futebol gaélico é o primeiro.

Embora não seja tão antigo quanto o hurling, o futebol gaélico também é muito antigo, com sua primeira referência escrita datando de 1308. Sua Era de Ouro ocorreu cem anos antes da do hurling, no Século XVII, quando a nobreza passou a patrocinar jogos valendo prêmios em dinheiro. No Século XIX, graças à chegada de dois esportes importados da Inglaterra, o futebol e o rugby, a popularidade do futebol gaélico foi diminuindo, até que ele quase caiu no esquecimento. Foi a GAA que o salvou, codificando suas regras em 1887, e passando a promover campeonatos por toda a Irlanda.

camogieCuriosamente, a fórmula encontrada pela GAA para popularizar novamente o futebol gaélico foi torná-lo o mais parecido possível com o hurling. Assim, o tamanho do campo, o número de jogadores e de árbitros, as posições e funções de cada um, a duração do jogo e a marcação da pontuação são idênticas às do hurling. A diferença é que os jogadores do futebol gaélico não usam tacos, usando suas mãos e pés para transportar a bola - semelhante a uma bola de vôlei, com entre 69 e 74 cm de circunferência e 370 e 425 gramas de peso, feita de couro e inflada.

Assim como no hurling, um jogador não pode dar mais de quatro passos carregando a bola nas mãos, devendo quicá-la no chão, como no basquete, ou soltá-la e chutá-la de volta para as mãos; é proibido, entretanto, jogar a bola para cima com as mãos e pegá-la de novo mais adiante. Um jogador também não pode quicar a bola duas vezes seguidas (ou seja, dar quatro passos, quicar, dar mais quatro e quicar de novo), embora possa chutá-la de volta para as mãos quantas vezes seguidas quiser. Se a bola vier correndo pelo chão, o jogador também não pode pegá-la com as mãos, devendo levantá-la com o pé antes. Não é permitido, porém, conduzir a bola com os pés, como no futebol, o que na prática proíbe dois chutes seguidos sem que a bola tenha passado pelas mãos do jogador. Também como no hurling, um jogador não pode passar a bola de uma das mãos para a outra, nem arremessá-la para um companheiro, embora possa passá-la com um chute, ou batendo nela com a mão espalmada ou fechada. Finalmente, os pontos podem ser marcados com chutes ou batendo na bola com as mãos, mas um gol só pode ser marcado com a mão se a bola vier pelo ar, partindo de outro jogador ou após quicar na trave, e o jogador atingi-la com a mão fechada. O futebol gaélico não é um jogo de contato físico como o rugby, o máximo que se permite é um eventual encontrão ombro a ombro e bater na bola para que o outro jogador a solte; jogadas mais vigorosas que estas são punidas com faltas.

O futebol gaélico também existe em versão feminina, regulada pela Ladies' Gaelic Football Association, filiada à GAA. Assim como o hurling e o camogie, o futebol gaélico feminino tem algumas diferenças em relação ao masculino, mas elas são apenas seis: uma jogadora pode pegar a bola do chão diretamente com as mãos, desde que esteja de pé; é permitido passar a bola de uma das mãos para a outra; a goleira pode repor a bola em jogo soltando-a de suas mãos e chutando-a antes dela chegar ao chão (no masculino, a bola é obrigatoriamente colocada no chão antes do chute); o jogo dura dois tempos de 30 minutos cada; o jogo termina automaticamente no final do tempo (no masculino, assim como no hurling, o árbitro pode dar acréscimos); e é proibido qualquer contato físico, inclusive ombro a ombro e bater na bola se ela estiver nas mãos de uma oponente.

Assim como o hurling, o futebol gaélico hoje já é praticado em mais de 20 países ao redor do mundo, graças à atuação das sete GAAs. Por também ser um esporte amador, porém, jogos entre clubes de GAAs diferentes são praticamente inexistentes, com duas gratas exceções sendo um time de Londres e um de Nova Iorque, convidados a disputar o All-Ireland Senior Football Championship todos os anos - embora jamais tenham conseguido resultados expressivos. Também não existem seleções nacionais de futebol gaélico, salvo a seleção masculina irlandesa, que uma vez por ano joga contra a seleção australiana uma partida de "international football", com regras híbridas do futebol gaélico e do futebol australiano - que também não tem nada a ver com o futebol, usando bastante as mãos e tendo até mais contato físico que o rugby, se é que isso é possível.

As principais competições do futebol gaélico são a já citada All-Ireland Senior Football Championship, sua versão feminina, a All-Ireland Senior Ladies' Football Championship, e a National Football League (que, além de compartilhar o mesmo nome com a famosa competição do futebol americano, compartilha também a mesma sigla, NFL), todas competições nacionais irlandesas. Assim como o hurling, o futebol gaélico foi disputado durante os Jogos Olímpicos de 1904, mas, como ambos os times envolvidos na disputa eram dos Estados Unidos, o COI não referendou as medalhas, e não o incluiu no programa oficial.

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