quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SNK vs Capcom

Semana passada, eu comecei aqui no átomo o Mês das Coisas que eu Não Gosto Tanto Assim, uma série de posts sobre assuntos que eu até gosto, mas com os quais eu tenho alguma pinimba que me impede de considerá-los como meus favoritos. Conforme eu expliquei semana passada, essa ideia surgiu quando eu tive vontade de fazer um post sobre golfe, um raríssimo caso de esporte com o qual eu não simpatizava. Dizer que o golfe foi o "primeiro" assunto escolhido, porém - como eu, aliás, disse semana passada - é uma meia-verdade. Foi a vontade de escrever sobre golfe que me motivou a fazer a série de posts, mas, antes dele, eu já havia pensado em escrever sobre outro assunto que não me agrada muito. SNK vs Capcom. O tema do post de hoje.

SNK vs Capcom deve ter sido um dos maiores banhos de água fria que eu já levei na vida. Sendo fã de Street Fighter, da série Marvel vs Capcom e dos jogos de porrada do Neo Geo, vocês podem imaginar como eu não fiquei quando li pela primeira vez que as duas maiores empresas do ramo haviam se unido para criar um jogo de porrada com seus principais personagens. O que vocês talvez não possam imaginar é como eu fiquei quando joguei o jogo pela primeira vez. Porque, sejamos francos, SNK vs Capcom é pouco mais que um The King of Fighters vs Street Fighter. Acostumado com Marvel vs Capcom, jamais me conformei que o "lado Capcom" do SNK vs Capcom fosse representado por 14 personagens de Street Fighter e mais a Morrigan, que ainda por cima era secreta. Onde estava o Capitão Comando? O Megaman? O Strider? E, como se isso não bastasse, o "lado SNK" era representado por 14 personagens de King of Fighters - tudo bem, originalmente alguns deles eram de jogos como Fatal Fury e Art of Fighting, mas ainda assim todos haviam aparecido em KoF - e mais uma Nakoruru secreta. Na minha opinião, não custava nada colocar mais alguns personagens de Samurai Shodown, ou talvez alguns de jogos que não fossem de porrada, como Metal Slug. Para piorar, além dessa escolha no meu entender equivocada de personagens, o jogo, ao invés do sistema de duplas tão querido de Marvel vs Capcom, usava um sistema de times semelhante ao de King of Fighters, mas que ainda por cima engessava as escolhas do jogador. O resultado é que eu acho que só joguei o primeiro SNK vs Capcom umas duas vezes, o segundo umas três vezes, e depois desisti. Ainda assim, quando eu escrevia o post do Tasunoko vs Capcom, achei que um post sobre SNK vs Capcom poderia ser interessante, se para mais nada, pelo menos para reclamar dele.

Millenium Fight 2000Diz a lenda que a ideia de se criar um SNK vs Capcom teria surgido quando a revista norte-americana especializada em jogos para arcade Arcadia, ao lançar uma edição que cobria tanto The King of Fighters '98 quanto Street Fighter Alpha 3, escreveu em sua capa, em letras garrafais, "KoF vs SF". Alguns fãs que viram a capa não compreenderam que se tratava de duas matérias sobre dois jogos diferentes, e, como na época a série Marvel vs Capcom estava bombando, imaginaram que vinha por aí um jogo que colocasse frente a frente os personagens da Capcom e da SNK.

Logo essa falha na comunicação se traduziu em boatos, que se tornaram rumores, que fizeram um grande barulho no mundo dos games. Vendo que ali estava uma excelente oportunidade para ganharem dinheiro, a Capcom e a SNK decidiram firmar um contrato, na qual uma licenciaria seus personagens para a outra para o lançamento de dois jogos - um SNK vs Capcom, lançado pela SNK, e um Capcom vs SNK, lançado pela Capcom. Segundo este contrato, a empresa que lançasse cada jogo ficaria responsável pelas plataformas para as quais ele seria adaptado - sendo um lançamento em arcades obrigatório - e somente ela ficaria com os lucros gerados pelo game em questão - ou seja, apenas a Capcom lucraria com o Capcom vs SNK, e apenas a SNK lucraria com o SNK vs Capcom, sem que uma precisasse pagar por direitos de licenciamento dos personagens da outra.

Se esta origem é verdadeira, ou se a Capcom e a SNK decidiram firmar o contrato por qualquer outro motivo, não faz muita diferença. O que importa é que o contrato foi feito, e suas cláusulas estabelecidas. Ainda assim, a SNK, que já se via com alguns problemas financeiros, conseguiu "dar um jeitinho" para tentar lucrar um pouco mais com ele: na época, ela ainda tentava reerguer o Neo Geo Pocket, um videogame portátil que nunca conseguiu fazer muito sucesso. Imaginando que o lançamento de jogos da Capcom para a versão colorida do portátil poderiam levantar as vendas, a SNK propôs à sua rival e parceira que permitisse o uso de seus personagens em alguns títulos SNK vs Capcom exclusivos para o Neo Geo Pocket Color, sendo que, em troca, a Capcom poderia lançar alguns jogos para o portátil, ficando com todo o lucro de suas vendas - enquanto a SNK lucrava com as vendas do Neo Geo Pocket Color, fabricado por ela. Por acreditar que seria uma boa forma de propaganda para os SNK vs Capcom vindouros, a Capcom permitiu, mas, na verdade, pouco se beneficou do contrato, lançando apenas um jogo, Rockman Battle & Fighters, uma adaptação dos dois jogos de arcade do Megaman. Pouco depois, como as vendas não subiam de jeito nenhum, e a situação financeira da SNK se agravava, o Neo Geo Pocket Color teve sua produção interrompida.

Antes disso, porém, a SNK conseguiu lançar quatro SNK vs Capcom para o Neo Geo Pocket Color. E os dois primeiros não somente foram lançados juntos, em outubro de 1999, como também nem eram jogos de porrada. SNK vs Capcom: Card Fighters Clash, lançado em duas versões, evidentemente a SNK Version e a Capcom Version, era um jogo de batalhas com cards, semelhante ao Pokémon Trading Card Game do Game Boy Color. Aliás, o jogo não difere muito de um Pokémon qualquer: nele, você assume o papel de um menino ou uma menina (Cap ou Comet na versão Capcom, Shin ou Kei na versão SNK), que, enquanto passeia por vários ambientes, conversa com pessoas e enfrenta oponentes usando seus cards, buscando ser o campeão. Cada personagem pode ganhar novos cards ao derrotar oponentes, encontrá-los no cenário, ou comprá-los em máquinas e lojas espalhadas pelo jogo. Alguns cards são exclusivos da versão Capcom, outros da versão SNK, mas o jogo em si, como de costume, é idêntico em ambas as versões. O jogador, assim como seus oponentes no jogo, pode formar um baralho com 50 de seus cards, podendo trocá-los a qualquer momento em que não esteja em batalha.

Ao todo, o jogo conta com 300 cards, 120 representando personagens da Capcom, 120 representando personagens da SNK, e 60 Action Cards, que produzem um efeito qualquer assim que o jogador joga uma delas. Cada personagem possui um valor de energia, uma quantidade de pontos especiais, um ou mais personagens que podem se unir a ele durante um ataque, e uma habilidade, que pode estar sempre ativa, ser ativada automaticamente quando o personagem entra em jogo, ou ser ativada no momento em que o jogador desejar. Basicamente, durante uma batalha, o jogador usará seus personagens para tentar reduzir a energia do oponente a zero, enquanto o oponente faz o mesmo. Se houverem personagens na mesa, porém, o jogador não poderá causar dano ao oponente diretamente (embora algumas habilidades permitam causar dano a um personagem e ao oponente simultaneamente), devendo atacar os personagens do oponente primeiro. O primeiro a ter sua energia reduzida a zero perde.

Um mês depois de Card Fighters Clash, a SNK lançou mais um jogo para o Neo Geo Pocket Color, SNK vs Capcom: The Match of the Millenium (lançado no Japão como SNK vs Capcom: Final Great Battle of the Strongest Fighters), o primeiro jogo de porrada da série, considerado por muitos um preview do jogo de arcade que estava a caminho. Com gráficos no estilo Super Deformed (parecidos com os de Pocket Fighters), Match of the Millenium contava com 26 personagens, 13 da Capcom e 13 da SNK, sendo 18 disponíveis desde o início: Ryu (Street Fighter), Ken (Street Fighter), Chun-Li (Street Fighter II), Guile (Street Fighter II), Zangief (Street Fighter II), Dan (Street Fighter Alpha), Sakura (Street Fighter Alpha 2), Morrigan (Darkstalkers) e Felicia (Darkstalkers); Terry Bogard (Fatal Fury), Mai Shiranui (Fatal Fury 2), Ryo Sakazaki (Art of Fighting), Kyo Kusanagi (The King of Fighters '94), Iori Yagami (The King of Fighters '95), Athena Asamiya (Psycho Soldier), Leona (The King of Fighters '96), Haohmaru (Samurai Shodown) e Nakoruru (Samurai Shodown). Os demais, quatro de cada lado, são secretos, e podem ser liberados cumprindo certas condições especiais durante o jogo: Akuma (Super Street Fighter II Turbo), B.B. Hood (Darkstalkers 3), M. Bison (Street Fighter II) e Evil Ryu (Street Fighter Alpha 2); Akari Ichijou (The Last Blade), Yuri Sakazaki (Art of Fighting 2), Geese Howard (Fatal Fury) e Orochi Iori (The King of Fighters '97).

Match of the MilleniumNo início do jogo, você pode escolher se jogará com um esquema de duplas (podendo trocar de personagem durante a luta, tipo Marvel vs Capcom), trios (com o personagem seguinte vindo para a luta quando o anterior é nocauteado, tipo King of Fighters) ou um contra um; e se deseja que sua barra de super seja ao estilo de Street Fighter Alpha (o Average Style), ao estilo de King of Fighters (o Counter Style), ou em um estilo novo (o Rush Style), que enche mais rapidamente, mas só permite supers de nível 1. Se escolher duplas ou trios, o jogador terá de passar por oito lutas, sendo que a quarta é sempre um contra um, contra o rival de seu personagem principal (o primeiro que você escolheu; as rivalidades são sempre Capcom/SNK, tipo Ryu é o rival de Kyo, Chun-Li a rival de Mai, e assim por diante); a sexta luta é "trocada" (tendo de enfrentar uma dupla se escolheu trios e vice-versa); a sétima luta é contra uma dupla de Bison e Geese; e a oitava e última, se o seu personagem principal for da Capcom, será contra Evil Ryu, e se for da SNK, contra Orochi Iori. Se escolher um contra um, o jogador também terá de passar por oito lutas, mas não haverá a luta trocada, e Bison e Geese deverão ser enfrentados primeiro um, depois o outro.

Além do jogo de porrada (o "modo arcade"), Match of the Millenium possui vários minigames, com a participação de vários personagens da Capcom e da SNK, como Arthur (de Ghosts 'n Goblins) e Marco (de Metal Slug), e que rendem pontos para liberar mais golpes especiais dos personagens do modo arcade. Billy Kane (de Fatal Fury) e Vega (de Street Fighter II) também fazem uma participação especial no modo arcade, mas não podem ser escolhidos nem enfrentados pelo jogador.

Antes do Neo Geo Pocket ser descontinuado, a SNK ainda lançou mais um jogo, SNK vs Capcom: Card Fighters Clash 2 Expand Edition, de setembro de 2001. Lançado em uma única versão, o jogo era essencialmente a mesma coisa do anterior, mas com novos cenários, novos oponentes e 124 novos cards, sendo 40 novos personagens Capcom, 40 novos personagens SNK, 4 novas Action Cards, e 40 Reaction Cards, que funcionavam como as Action Cards, mas deviam ser jogadas no turno do oponente. Todas as 300 cartas antigas ainda estavam presentes, com os personagens ganhando nova arte, e as regras para as batalhas continuavam as mesmas. Card Fighters Clash 2 foi o último jogo lançado para o Neo Geo Pocket Color, e jamais foi lançado fora do Japão.

O primeiro jogo da série para arcades, porém, não seria lançado pela SNK, mas pela Capcom. Apesar disso, Capcom vs. SNK: Millennium Fight 2000, de outubro de 2000, se parecia mais com um jogo da SNK, com um esquema de apenas quatro botões, dois socos e dois chutes, ao invés dos seis que os fãs de Street Fighter II estavam acostumados. Semelhante ao que ocorria em Match of the Millenium, Millenium Fight 2000 permitia que o jogador escolhesse entre dois estilos de jogo, batizados de "Grooves": se optasse pelo Capcom Groove, o jogo ficaria mais parecido com Street Fighter Alpha, com uma barra de super de três níveis, que enche conforme você bate a apanha, e supers de três níveis diferentes; optando pelo SNK Groove, o jogo ficava mais ao estilo King of Fighters, com uma barra de um único nível, que deve ser carregada pressionando soco forte e chute forte simultaneamente, e a possibilidade de se usar os Desperation Attacks, supers bastante poderosos. O esquema de duplas ou trios, infelizmente, não estava em discussão: seja qual fosse o Groove escolhido, se seu time tivesse mais de um lutador, o seguinte só viria para a luta quando o anterior fosse nocauteado, como tradicionalmente ocorre em King of Fighters. A escolha do Groove não afeta o computador, que pode escolher um Groove diferente do jogador - e até mesmo um Groove diferente a cada luta.

O jogo permitia, porém, que o jogador escolhesse se iria jogar com apenas um personagem, com uma dupla, um trio, ou até com um time de quatro personagens. A forma como ele fazia isso é que não era lá muito democrática: sem contar com cinco personagens secretos, o jogo oferecia 28 personagens para a escolha do jogador, sendo 14 da Capcom e 14 da SNK. Estes personagens estavam agrupados de acordo com sua força, e identificados por um "nível", 1, 2 ou 3 (três dos secretos eram nível 4). Em termos de jogo, um personagem de nível maior causava mais dano e perdia menos energia que um de nível menor - ou seja, um personagem de nível 1 teria certa dificuldade para vencer um de nível 3, que poderia nocauteá-lo com poucos golpes. Para equilibrar as coisas, o jogo determinava que o nível total de sua equipe fosse 4, nem mais, nem menos. Assim, você poderia jogar com um time de quatro personagens de nível 1, um trio de um personagem de nível 2 e dois de nível 1, uma dupla de personagens de nível 2, uma dupla de um personagem de nível 3 e um de nível 1, ou com um personagem de nível 4 sozinho. Assim como os Grooves, a escolha dos times não afeta o computador, ou seja, mesmo que você escolha uma dupla, poderá ter de enfrentar um trio, ou coisas assim. Os personagens de nível 1 eram Blanka (Street Fighter II), Dhalsim (Street Fighter II), Cammy (Super Street Fighter II) e Sakura; Benimaru Nikaido (The King of Fighters '94), King (Art of Fighting), Vice (The King of Fighters '96) e Yuri Sakazaki. Os de nível 2 eram Ryu, Ken, Chun Li, Guile, Zangief, E. Honda (Street Fighter II), Balrog (Street Fighter II) e Morrigan (secreta); Kyo Kusanagi, Iori Yagami, Mai Shiranui, Terry Bogard, Raiden (Fatal Fury), Kim Kaphwan (Fatal Fury 2), Ryo Sakazaki e Nakoruru (secreta). Os de nível 3 eram Vega, Sagat e M. Bison; Ryuji Yamazaki (Fatal Fury 3), Rugal Bernstein (The King of Fighters '94) e Geese Howard. E os de nível 4, todos secretos, eram Evil Ryu, Orochi Iori e Akuma.

A desvantagem desse sistema era que você nem sempre conseguia fazer o time que queria. Se quisesse jogar com Chun Li e Cammy, por exemplo, teria de escolher mais um personagem de nível 1, pois não era possível jogar com uma dupla de nível total 3. Uma dupla de Ryu e Bison era impossível, pois somava nível total 5, e por aí vai. Tudo bem que os personagens foram agrupados de forma que as equipes mais "normais" fossem possíveis, mas esse engessamento contibuía negativamente para o fator replay do jogo, já que limitava o número de combinações possíveis. Outra reclamação que podia ser feita era em relação aos gráficos: no geral, os gráficos lembravam mais o tom "sério" dos jogos da SNK do que o mais "despojado" de Street Fighter Alpha, mas alguns personagens da Capcom, como Cammy e Morrigan, pareciam ter sido "cortados e colados" de seus jogos de origem, não combinando muito com os demais e com os cenários.

Mark of the Millenium 2001Millenium Fight 2000 foi originalmente lançado para a placa NAOMI, da Sega, e adaptado para o Dreamcast. No ano seguinte, 2001, ganhou uma nova versão, batizada de Capcom vs. SNK: Millennium Fight 2000 PRO, também lançada para NAOMI e Dreamcast, e adaptada para o Playstation 1. Além de polir algumas arestas aqui e ali para deixar o jogo mais bonito (como mais detalhes em alguns cenários e novas poses de vitória para alguns personagens) e os personagens mais equilibrados (diminuindo ou aumentando a quantidade de dano que eles causam ou recebem, e dando novos golpes para alguns deles), a versão PRO ainda operou uma mudança nos Grooves (a barra da Capcom não enche mais quando o personagem apanha, mas a da SNK sim) e incluiu mais dois personagens de nível 1, Dan (de Street Fighter Alpha) e Joe Higashi (de Fatal Fury). Talvez atendendo a reclamações, a versão do Playstation finalmente trouxe um modo de luta em duplas podendo trocar a qualquer momento, batizado de pair match, onde você podia escolher dois personagens quaisquer, independente de nível. A versão arcade, porém, continuou sem esse recurso.

Como estipulava o contrato firmado entre as duas softhouses, apenas a Capcom lucrou com Millenium Fight 2000. Se pudesse prever o futuro, talvez a SNK tivesse feito um contrato diferente, ou lançado seu jogo primeiro, pois, desde 1999, sua situação financeira só fazia piorar, até que, em outubro de 2001, a SNK faliu. Vendo que a SNK não teria como lançar seu jogo, e já que o contrato previa dois, a Capcom fez uma espécie de renegociação, e conseguiu autorização para também lançar o segundo jogo. Assim, em agosto de 2001, foi lançado Capcom vs SNK 2: Mark of the Millennium 2001 (Capcom vs SNK 2: Millionaire Fighting 2001 no Japão).

Curiosamente, enquanto o primeiro jogo, lançado pela Capcom, se parecia mais com um jogo da SNK, o segundo, que deveria ter sido lançado pela SNK, se parecia mais com um jogo da Capcom, com o tradicional esquema de seis botões, sendo três socos e três chutes. O esquema dos níveis foi mantido, mas agora os personagens não tinham um nível fixo: após escolher até três personagens, o jogador poderia "distribuir" níveis entre eles, sendo que, como no jogo anterior, o nível total não poderia ultrapassar 4. Assim, você poderia jogar com um único personagem de nível 4, uma dupla de personagens de nível 2, uma dupla de um personagem de nível 3 e um de nível 1, ou um trio de um personagem de nível 2 e dois de nível 1 - nada de quartetos aqui. Mais uma vez, sua escolha não afetava o computador, que era livre para escolher seus times, e, mais uma vez, quanto maior o nível, mais poderoso era o personagem, causando mais e recebendo menos dano.

O sistema de Grooves também foi modificado, e agora afetava outras coisas além da barra de super, como a forma como os personagens podiam defender, arremessar e contra-atacar. Basicamente, cada um dos seis Grooves disponíveis tornava o jogo um pouco mais parecido com um outro jogo da Capcom ou da SNK. Nomeados de forma bem criativa, os Grooves da Capcom eram o C Groove (Street Fighter Alpha), o A Groove (o V-ISM de Street Fighter Alpha 3), e o P Groove (Street Fighter III), enquanto os da SNK eram o S Groove (King of Fighters), o N Groove (Garou: Mark of the Wolves) e o K Groove (Samurai Shodown). Mais uma vez, o computador estava livre para escolher um Groove diferente do seu, ou até mesmo um Groove diferente a cada luta.

Ao todo, Mark of the Millenium 2001 traz 48 personagens (24 de cada lado) à escolha do jogador. Pela Capcom, temos Akuma, Balrog, Blanka, Cammy, Chun Li, Dan, Dhalsim, Eagle (Street Fighter), E. Honda, Guile, Ken, Kyosuke (Rival Schools), M. Bison, Maki (Final Fight 2), Morrigan, Rolento (Final Fight), Ryu, Sagat, Sakura, Vega, Yun (Street Fighter III) e Zangief. Pela SNK, temos Athena Asamiya, Benimaru Nikaido, Geese Howard, Haohmaru, Iori Yagami, Joe Higashi, Kim Kaphwan, King, Kyo Kusanagi, Mai Shiranui, Nakoruru, Raiden, Rock Howard (Garou: Mark of the Wolves), Rugal Bernstein, Ryo Sakazaki, Ryuhaku Todo (Art of Fighting), Ryuji Yamazaki, Terry Bogard, Vice, Yuri Sakazaki, e uma dupla fixa formada por Chang Koehan e Choi Bounge (The King of Fighters '94). Mais uma vez, Evil Ryu e Orochi Iori são secretos, e Super Akuma (Street Fighter Alpha 2) e Ultimate Rugal (exclusivo desse jogo), além de secretos, servem como últimos chefes. Assim como no jogo anterior, os gráficos de alguns personagens da Capcom foram bastante criticados por terem sido reaproveitados de outros jogos ao invés de criados especialmente para este.

Mark of the Millenium 2001 também foi lançado originalmente para NAOMI e Dreamcast, e mais tarde adaptado para Playstation 2, com algumas novidades, como um modo no qual todas as lutas eram um contra um, e outro no qual todas são em trios, sem níveis. O modo de duplas ficou de fora, mas em compensação Evil Ryu e Orochi Iori estavam disponíveis desde o início. Uma nova versão do jogo, Capcom vs SNK 2 EO, foi lançada em 2002 para o GameCube e em 2003 para o Xbox. Esta versão trazia Super Akuma e Ultimate Rugal disponíveis desde o início, bem como o modo EO ("Easy Operation"), que permitia que os golpes especiais fossem ativados por movimentos do direcional analógico da direita (ou do botão C do GameCube) ao invés de com sequências de botões, e a possibilidade de escolher, no início do jogo, entre o AC-ISM e o GC-ISM. O GC-ISM era uma configuração de controle mais simples, especial para a disposição estranha dos botões do GameCube, enquanto o AC-ISM era a configuração normal do arcade. No Xbox, o GC-ISM foi renomeado EO-ISM.

SVC ChaosEm 2003, a SNK retornou ao mercado, com o nome de SNK Playmore - basicamente, quando sentiu que a companhia iria falir, Eikichi Kawasaki, seu fundador, pediu demissão e fundou a Playmore, em agosto de 2001; em 2003, já bem estabelecido no mercado, ele comprou o que sobrou da SNK, recontratou a maioria dos ex-funcionários, e mudou o nome da empresa para SNK Playmore. Assim que pôde, a SNK procurou novamente a Capcom, e disse que gostaria de cumprir sua parte do contrato, lançando um novo SNK vs Capcom para arcades, mesmo com a Capcom já tendo lançado dois. A Capcom não se opôs, e o resultado foi SNK vs Capcom: SVC Chaos, lançado em 2003 para arcade (para a placa MVS da própria SNK), Neo Geo e Playstation 2, e no ano seguinte para Xbox.

De certa forma, SVC Chaos é o jogo que mais faz justiça ao estilo Marvel vs Capcom, já que pega personagens de vários jogos diferentes, alguns deles sem ser de porrada. Apesar disso, o esquema de lutas é sempre um contra um, sem a possibilidade de se lutar em duplas ou trios. Também não há a escolha de Grooves, com a barra de super sendo a mesma para todos, com três níveis, enchendo conforme se bate ou apanha, e diminuindo lentamente até o nível 2 quando alcança o nível 3 (MAX), sendo que, nesse período, o personagem pode fazer algumas estripulias, como emendar um especial no outro. Além dos supers de nível 1 e 2, também existem golpes chamados Exceed, que só podem ser usados quando a energia do personagem está a menos da metade. No geral, o jogo se parece bastante com os jogos de porrada clássicos da SNK, com gráficos no mesmo estilo e apenas quatro botões, sendo dois socos e dois chutes.

Em relação aos personagens, 24 deles (12 da Capcom e 12 da SNK) estão disponíveis desde o início; oito (quatro de cada lado) são secretos, e podem ser enfrentados durante o jogo como chefes intermediários; dois são os chefes, e só podem ser selecionados nas versões caseiras (inclusive na do Neo Geo); e dois são "chefes secretos", enfrentados se você conseguir cumprir certas condições durante o jogo, e que não podem ser selecionados nem nas versões caseiras (embora exista um hack que os libere na versão Neo Geo). Os personagens disponíveis desde o início são Ryu, Ken, Chun Li, Guile, Dhalsim, Balrog, Vega, Sagat, M. Bison, Akuma, Hugo (Street Fighter III 2nd Impact) e Tessa (Red Earth); Kyo Kusanagi, Iori Yagami, Terry Bogard, Mai Shiranui, Kim Kaphwan, Choi Bounge, Ryo Sakazaki, Kazumi Todo (Art of Fighting 3), Mr. Karate (Art of Fighting), Earthquake (Samurai Shodown), Genjuro Kibagami (Samurai Shodown II) e Shiki (Samurai Shodown 64). Os secretos são Dan, Demitri (Darkstalkers), Zero (Megaman Zero) e Violent Ken (exclusivo); Geese Howard, Goenitz (The King of Fighters '96), Mars People (Metal Slug 2) e Orochi Iori. Os chefes são Super Akuma e Serious Mr. Karate (exclusivo), e os chefes secretos são Red Arremer (Ghosts 'n Goblins) e Athena (a deusa do jogo da SNK de mesmo nome, não a Asamiya).

SVC Chaos não foi o último jogo da série: em 2006, SNK e Capcom se uniram mais uma vez, para lançar um jogo para o Nintendo DS. SNK vs Capcom: Card Fighters DS era bastante semelhante aos seus dois antecessores, mas com uma história um pouco diferente - seu personagem está preso em uma torre, onde todas as demais pessoas sofreram lavagem cerebral feita pelo computador MAX, e deve enfrentá-las em batalhas de cards enquanto sobe os andares da torre, até enfrentar o próprio computador MAX - e algumas mudanças na mecânica das batalhas, embora o objetivo - acabar com a energia do oponente usando suas cartas de personagem - continue o mesmo. Card Fighters DS traz 400 cards totalmente inéditos (mesmo os personagens que já haviam aparecido nos dois jogos anteriores têm arte e texto novos), sendo 150 personagens da Capcom, 150 personagens da SNK, 60 Action Cards e 40 Counter Cards (que substituíram as Reaction Cards, mas possuem a mesma função).

Card Fighers DS também foi a última ocasião na qual SNK e Capcom trabalharam juntas. Atualmente, a série SNK vs Capcom está encerrada, e sem planos de ser ressucitada em um futuro próximo. Durante uma entrevista, porém, Yoshinori Ono, produtor de Street Fighter IV, disse que, se houver interesse dos fãs, ele estaria interessado em negociar com a SNK para fazer um novo jogo, no estilo de SF4. Eu até não acharia ruim - desde que ele fosse mais parecido com Marvel vs Capcom e Tatsunoko vs Capcom do que com os demais jogos de sua série.

2 enfiaram o nariz:

Sávio Christi disse...

Excelente matéria, meus parabéns mas, a palavra personagem é feminina: vem de "persona" que é pessoa em espanhol, italiano e latim e, palavras acabadas em "agem" costumam ser femininas; pode crer?

A propósito: sabia que; ainda farão o Mortal Kombat vs. Street Fighter?

Abraços e nos vemos por aí; está certo?

4:41 PM
Guil disse...

A palavra "personagem" só é feminina em Portugal. No Brasil, ela tem dois gêneros, sendo determinada se masculina ou feminina pelo artigo, como também acontece, por exemplo, com "atleta". Pode ver no dicionário.

Abraços!

4:55 PM

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