quarta-feira, 4 de março de 2009

Megaman (V)

Inexoravelmente, o átomo se aproxima dos 300 posts. Neste tempo todo, eu sempre procurei não repetir temas, falar sobre assuntos variados dentro do talvez não tão grande universo das coisas que eu gosto. Existe um tema, porém, com o qual acontece o contrário: sempre que há uma nova informação sobre ele, eu busco um jeito de espremê-lo entre os posts novos, apenas para poder falar mais um pouco. Por isso, hoje é dia de mais um post sobre Megaman!

Megaman 9O motivo que me levou a insistir em mais um post sobre o robozinho azul já deve ser de conhecimento dos que acompanham os lançamentos em termos de games: Megaman 9, mais recente jogo da série clássica, lançado ano passado, nada menos que 12 anos depois do último numerado até então, Megaman 8. Após muitas especulações, de que a série clássica tinha sido enterrada de vez, que MM9 preencheria a lacuna deixada entre a série clássica e a série X, e outros boatos menos citáveis, a Capcom decidiu cometer uma loucura e retornar à série lançando um jogo tradicional, com poucos personagens coadjuvantes, nenhum novo além dos oito robôs do mal, e onde o objetivo é mais uma vez derrotar o Dr. Wily.

Mas a ousadia não terminou por aí: ao invés de aproveitar a potência dos consoles de última geração e lançar um jogo super moderno, com gráficos 3D, interatividade, segmentos em CG entre as fases, ou talvez onde Megaman pudesse ser controlado sacudindo o controle do Wii, a Capcom decidiu por um verdadeiro jogo da série clássica, no sentido mais amplo que o adjetivo "clássica" pode ter.

Megaman 9, portanto, é um jogo, digamos, retrô. Seus gráficos foram feitos para se parecer com gráficos de NES (embora algumas animações, como as plataformas que giram deixando Megaman de cabeça para baixo, denunciem que nem tudo nele seria possível em um NES), e Megaman passa por ele como em qualquer jogo de plataforma tradicional em 2D, apenas andando, pulando e atirando em inimigos, sem muitas extravagâncias em termos de movimento. Além disso, apesar do final denunciar que o jogo se passa após Megaman & Bass, a Capcom decidiu se inspirar em Megaman 2 para fazê-lo, o que significa que Megaman não tem acesso a tiros concentrados (inventados em MM4), nem a escorregões (inventados em MM3). Até o esquema de jogo é o tradicional oito robôs onde se pode escolher a ordem seguidos de um laboratório com quatro partes. O jogo é taõ fiel ao "esquema NES" que, mesmo usando saves ao invés de passwords, você deve passar pelas quatro partes do laboratório de uma vez só, sem poder gravar entre elas. Pelo menos todos os aliados de Megaman, mesmo os inventados depois de MM2, como Rush, Eddie, Beat e Auto, estão no jogo, e Auto e Roll comandam uma loja onde Megaman pode trocar parafusos por vários itens úteis, uma idéia emprestada dos jogos de Game Boy.

A história é bastante simples: Dr. Light é acusado de reprogramar seus robôs para dominar o mundo, e o Dr. Wily aparece para impedi-lo, recolhendo doações para construir robôs capazes de enfrentá-los. Sabendo que isso não passa de mais um embuste do cientista do mal, Megaman parte para enfrentar os oito robôs e limpar o nome de seu criador - que se despede dele com a super bem bolada frase "tenha cuidado, Megaman, você já não faz isso há algum tempo". Os oito robôs que Megaman deverá enfrentar antes de chegar ao laboratório são Concreteman, Jewelman, Hornetman, Tornadoman, Plugman, Galaxyman, Magmaman e... Splashwoman. Pois é, pela primeira vez temos um "robô-mulher", e criada pelo próprio criador de Megaman, Keiji Inafune.

Produzido pela Inti Creates, parceira da Capcom responsável pelas séries Megaman Zero e Megaman ZX, e onde hoje trabalham vários ex-funcionários da Capcom, sendo que alguns até trabalharam no desenvolvimento dos jogos originais de Megaman para NES, Megaman 9 está disponível para todos os três consoles da mais recente geração - Wii, Playstation 3 e Xbox 360 - mas deve ser baixado através dos serviços de internet desses videogames, não existindo em mídia física - uma curiosa embalagem promocional, que lembra um cartucho de NES, que abre para revelar um CD, e vem em uma caixa com arte que lembra as das caixas dos jogos de NES da década de 80 chegou a ser produzida, mas eu não sei se chegou a ser vendida ou era um item promocional ofertado. Este sistema tem pelo menos uma grande vantagem, o preço, inferior até ao que custava um jogo de Megaman para NES na época.

Megaman para celularO formato "baixável" do jogo também permitiu que a Capcom lançasse um enorme pacote de conteúdo exclusivo para download para o jogo, que inclui a possibilidade de jogar com Protoman, que escorrega e concentra tiros, mas toma o dobro de dano de ataques inimigos e não pode comprar itens na loja; uma fase gigante conhecida como "endless stage", que é formada de vários segmentos apresentados em ordem aleatória cada vez que se joga; e até mesmo uma fase secreta com um chefe secreto, Fakeman.

Megaman 9 foi bastante bem recebido pela crítica, mas despertou reações das mais opostas no público: os fãs mais antigos adoraram a oportunidade de poder jogar mais um jogo inédito ao estilo dos que fizeram a fama do NES; os mais recentes acharam tudo uma perda de tempo, e que atualmente não há mais lugar para jogos deste tipo. Seja como for, todos concordaram em pelo menos um ponto: o jogo é bastante difícil, o que pode frustrar alguns marinheiros de primeira viagem. Talvez, porém, ele sirva para trazer novos fãs para a franquia, já que, pelo menos no caso do Wii, os três primeiros jogos de Megaman já foram disponiblizados para download, e Megaman 4, 5 e 6 já estão a caminho.

Para que este post não fique restrito a Megaman 9, vou aproveitar para falar de dois jogos da série lançados para telefones celulares. O primeiro, uma versão do primeiro Megaman, foi lançado em 2003. É um jogo até bonitinho, mas traz algumas diferenças em relação ao original. Para começar, os gráficos, inevitavelmente, são bem piores, o que é de certa forma desculpável, mas somente até certo ponto, pois Megaman é muito pequeno e os robôs do mal são muito feios. A segunda diferença é que as fases não são contínuas, mas tela a tela, ou seja, quando Megaman alcança a borda direita de uma tela, essa tela é trocada pela seguinte, e Megaman surge em sua borda esquerda. A terceira é que o laboratório do Dr. Wily tem apenas uma fase, onde você enfrenta os seis robôs do mal em sequência, seguidos dos quatro chefes do laboratório do jogo original. O final é nada além de uma tela dando os parabéns por você ter completado o jogo, Pelo menos tem música - que pode ser desligada se você estiver jogando no meio da rua - e o jogo lembra onde você parou, não sendo necessário jogá-lo todo de uma vez só, como ocorria com a versão do NES.

Megaman 2, lançado em 2007, corrigiu alguns destes defeitos, mas é mudo, não tendo qualquer música ou efeito sonoro. Pelo menos os gráficos são mais bonitinhos, as fases são contínuas, e todas as fases do laboratório estão lá - embora esteja faltando um chefe, a nave do Dr. Wily. Esse MM2 não tem a opção de escolher o nível de dificuldade nem passwords, mas lembra em que fase você estava - inclusive no laboratório. Curiosamente, Megaman nesta versão também não ganha a Arma 3, apenas a 1 e a 2.

Megaman 7Para fechar este post, que ficará curto mesmo com meus esforços - afinal, não foram lançados tantos jogos novos de Megaman assim desde o último post sobre ele - eu queria falar sobre um jogo não-oficial, mas muito interessante, uma versão de Megaman 7 para PC, que pode ser encontrada neste site (clique no link que começa com "ver.final2").

Assim como MM9, essa versão é em estilo retrô, com gráficos de NES. Para que fique tudo mais realístico, os oito robôs do mal podem ser escolhidos desde o início, não há a fase inicial onde o Dr. Wily escapa da cadeia, e alguns itens, como o Rush Search, foram removidos. O jogo usa um sistema de passwords semelhante aos do NES, mas o laboratório deve, como de praxe, ser jogado de uma vez só. Embora o jogo não seja oficial, e essencialmente "mais do mesmo", já que as fases são idênticas às do MM7 original, eu achei bastante interessante para se ter uma idéia de como seria se Megaman jamais tivesse migrado para o SNES - até um Bass com gráficos de 8 bits aparece no laboratório para confrontar Megaman. Espero que o mesmo grupo responsável resolva fazer a mesma coisa com Megaman 8, mesmo sabendo que o estilo de algumas fases do jogo transformaria esta em uma tarefa hercúlea.

Pouco após o lançamento de Megaman 9, já se começou a falar em um possível Megaman 10. Oficialmente, a Capcom disse que tudo dependerá da resposta e da vontade dos fãs. Eu, pessoalmente, sou a favor. E também de um Megaman X9 com gráficos de SNES e com robôs do mal sem nomes ridículos. Assim eu terei assunto garantido para pelo menos mais um post.

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