sábado, 30 de dezembro de 2006

Megaman (IV)

Quem bisbilhotar a coluna ali do lado vai notar que eu já escrevi nove posts sobre Megaman - três sobre a Série Clássica, dois sobre a Série X, dois sobre a Zero e dois sobre a Battle Network. O intuito destes posts, evidentemente, era falar de todos os jogos do robozinho azul, muitos deles dentre meus preferidos. Este ano, porém, saíram mais quatro jogos de Megaman, e sobre pelo menos três deles eu gostaria de falar aqui. Ao invés de simplesmente atualizar os posts antigos, o que poderia levar ao risco de ninguém ler, eu decidi escrever um novo. Portanto, mais uma vez, é dia de Megaman no átomo!

Vamos começar pela Série X, mais precisamente por Megaman X Collection, uma coletânea lançada apenas nos EUA, para aproveitar o sucesso da Anniversary Collection, que trazia os oito jogos da Série Clássica e mais uma penca de extras. Com versões para Playstation 2 e Game Cube, Megaman X Collection trazia versões remasterizadas de Megaman X a X6, e mais Megaman Battle & Chase, o jogo de karts da Série Clássica, como extra. Apesar de muito aguardada, a coletânea foi alvo de muitas críticas, principalmente por não ter tantos extras quanto a anterior, e pela versão de Megaman X3 incluída nela ser a do Playstation, cujas músicas são consideradas inferiores às do Super Nintendo. Além disso, a dublagem original de Megaman X6 foi removida, e alguns bugs costumam ocorrer em X2 e X5. Um dos motivos pelos quais a coletânea foi bastante aguardada é que a Capcom chegou a consultar dois dos maiores sites sobre Megaman da internet, teoricamente querendo saber o que os fãs gostariam que a coletânea contivesse - e não utilizou nada so que foi respondido.

Maverick Hunter XMuitos dizem que isso aconteceu porque grande parte das mudanças sugeridas iria ser utilizada em uma nova série, Maverick Hunter X, cujo primeiro título também foi lançado este ano, para o PSP, o Playstation portátil. Inicialmente, a série seria composta de remakes para PSP dos jogos de X a X8, aparando algumas arestas e fechando pontas soltas, para se ter finalmente uma história oficial da Série X. Infelizmente, porém, o jogo não vendeu bem, e as seqüências estão suspensas até segunda ordem.

Seja como for, MHX é bem mais que um remake, é praticamente um Megaman X novo. Assim como Megaman X8, é um jogo de plataforma 2D com gráficos em 3D, seqüências em animação entre as fases, e vozes dubladas para os personagens. A história é basicamente a mesma de Megaman X, com Sigma enlouquecendo e tentando destruir a cidade com a ajuda de oito Mavericks - robôs (ou "reploids") teoricamente infectados com um vírus que faz com que eles ajam de forma violenta, embora este vírus não seja mencionado na nova versão da história. Cabe a X, um robô criado no passado pelo Dr. Light, posto em animação suspensa e redescoberto cem anos depois pelo Dr. Cain, enfrentar estes Mavericks, confrontar Sigma, e trazer a paz de volta. Em sua missão, X contará com a ajuda de Zero, um reploid amigo seu também caçador de Mavericks; deverá constantemente lutar contra Vile, um reploid que, nesta versão, se opõe tanto aos caçadores quantro a Sigma; e poderá encontrar as quatro partes de uma armadura especialmente desenvolvida pelo Dr. Light para maximizar suas habilidades - as partes da armadura, inclusive, estão em locais diferentes das do Megaman X original. Dentre seus extras, o jogo traz um anime completo, intitulado The Day of Sigma ("O Dia de Sigma"), que mostra o dia em que o até então caçador de Mavericks Sigma enlouqueceu e se tornou ele mesmo um Maverick; uma fase demo do jogo que veremos a seguir; e a possibilidade de se jogar com Vile após terminar o jogo com X. Jogando com Vile, o jogador terá acesso a uma nova história, novas músicas, 40 novas armas - sendo que Vile pode usar até quatro delas ao mesmo tempo, embora todas compartilhem uma mesma barra de energia - e fases ligeiramente modificadas para se adequar ao estilo de jogo do robô. Falando nisso, embora as fases do jogo sejam as mesmas - uma fase inicial, oito Mavericks, quatro fases da fortaleza de Sigma - a maioria das fases foi redesenhada, ficando diferente das da versão do SNES - e ganhando, inclusive, um novo chefe surpresa na fortaleza. Os oito Mavericks também são os mesmos - Chill Penguin, Flame Mammoth, Storm Eagle, Spark Mandrill, Armored Armadillo, Sting Chameleon, Launch Octopus, e o único que mudou de nome, Boomerang Kuwanger - mas agora eles têm personalidade própria e motivações para se unir a Sigma. No geral, foi um jogo pensado para agradar tanto a quem jogou o original e gostou quanto aos novos fãs - e muitos culpam a escolha do PSP como plataforma exclusiva para o jogo por seu fracasso.

Também este ano, e também para o PSP, foi lançado mais um jogo para a Série Clássica. Sob o nome de Megaman: Powered Up (e, curiosamente, Rockman Rockman no Japão), o intuito era fazer com a Série Clássica o mesmo que MHX iria fazer com a Série X: remakes de Megaman 1 a 8, mudando umas coisinhas aqui e ali na história, para atualizá-los. Infelizmente, este também não vendeu bem - e mais uma vez a culpa foi para o PSP - e suas seqüências também estão adiadas por prazo indeterminado.

Megaman: Powered UpAssim como MHX, MMPU também é um jogo de plataforma em 2D com gráficos em 3D, só que ele é um remake do primeiro jogo de Megaman, aquele lá do NES. E é em Super Deformed, um estilo de animação japonesa onde os personagens se parecem com crianças com corpo de adultos, e com cabeças grandes. Por incrível que pareça, Keiji Inafune, o criador de Megaman, declarou que este era o estilo no qual ele queria que os jogos originais de Megaman fossem, mas a tecnologia da época não permitiu.

Também como MHX, MMPU é mais um jogo novo que um remake. A história é mais ou menos a mesma, com o Dr. Light criando Protoman, os irmãos Rock e Roll (que, na versão em inglês, viraram Mega e Roll, acabando com uma boa idéia), e oito robôs para ajudar a humanidade trabalhando por ela. Isso mesmo, oito: MMPU traz os seis robôs de Megaman - Cutman, Gutsman, Elecman, Fireman, Iceman e Bombman - e mais dois totalmente novos, criados pelo próprio Inafune, Timeman e Oilman. Uma das mudanças da história é que agora Dr. Wily nunca trabalhou com Dr. Light, mas ficou com raiva por seu trabalho anterior na área de robótica não ter sido creditado quando o Dr. Light ganhou o Prêmio Nobel de Física. Wily vê uma oportunidade surgir à sua frente quando encontra Protoman, um dos primeiros robôs criados pelo Dr. Light, e que tem um defeito em sua fonte de alimentação. Wily conserta Protoman, e aproveita para estudar sua constituição, aprendendo como reprogramar os robôs de Light. Assim, ele invade o laboratório de seu rival, rouba os oito robôs que julgou mais úteis, descartando Rock e Roll, que só serviam para tarefas domésticas, e os reprograma para dominar o mundo. Rock, dotado de um grande senso de justiça, pede para que o Dr. Light o adapte para a batalha, o transformando em Megaman, e parte para confrontar os robôs e deter o cientista do mal.

MMPU traz dois modos de jogo, o New Style, onde o jogador tem de passar por uma fase inicial, os oito robôs, e quatro fases do laboratório do Dr. Wily, e o Old Style, este sim um verdadeiro remake do jogo original, idêntico se não fossem os gráficos 3D. No New Style as fases do jogo original foram redesenhadas, e o jogador pode liberar um extra impressionante: se Megaman vencer um robô utilizando apenas seu tiro normal, ao invés de destruí-lo ele o desativará, e o levará de volta para que Dr. Light o reprograme. Em termos de jogo, isto significa que, de uma próxima vez que for jogar em New Style, você poderá escolher este robô ao invés de Megaman - e o mais legal é que a história se adapta, com Dr. Wily seqüestrando Megaman, deixando para trás o robô que você escolheu, e até mesmo com você tendo que enfrentar um robô chamado "Megaman?" na fase que seria do robô (por exemplo, se estiver jogando com Fireman, na fase de Fireman o chefe será "Megaman?"). As fases sofem pequenas adaptações dependendo de com qual robô você estiver jogando, e apenas Megaman pode utilizar as armas dos robôs que derrota, devendo os demais robôs passar o jogo inteiro com sua arma original - o que pode ser um problema para jogar com Oilman, que tem uma arma meio esquisita.

Além de jogar com os oito robôs, preenchendo determinados requisitos o jogador também terá disponível três outras versões de Megaman, chamadas Megaman S (que pode usar o escorregão, introduzido em Megaman 3), Megaman C (que pode concentrar os tiros, como a partir de Megaman 4) e Mega (Megaman sem ter sido transformado em Megaman, que ataca com um chute). Como se isso não fosse o bastante, ainda é possível jogar com Protoman, o robô mais poderoso do jogo; e Roll, que ataca com uma vassoura e gera diálogos hilários com alguns chefes. Conectando o PSP à internet, o jogador ainda poderá fazer downloads de vários extras, dentre eles novas fases e doze novos uniformes para Roll. Finalmente, além disso tudo, o jogo ainda vem com um editor de fases, para você criar seus próprios desafios para Megaman, e um Challenge Mode, composto de vários minigames diferentes para passar o tempo.

Megaman Battle Network 6Para encerrar por hoje, vamos falar do jogo que me motivou a escrever este post, Megaman Battle Network 6, o último da série para o Game Boy Advance. Lançado mais uma vez em duas versões, Cybeast Falzar e Cybeast Gregar, o jogo traz Lan e Megaman novamente lutando contra a WWW, a organização criminosa liderada pelo Dr. Wily que planeja destruir toda a internet. Como nos últimos dois jogos o vilão era a organização criminosa Nebula, curiosamente este ficou mais parecido com MMBN3 do que com eles. Os Dark Chips e Soul Unison, por exemplo, não estão presentes, tendo sido substituídos pelos Cross Changes e pelo Beast Out. Durante o jogo, você encontrará alguns Navis - cinco em cada versão - chamados de "Link Navis", por permitir que Lan controle-os ao invés de Megaman. Assim que encontra um Link Navi, você deverá passar por uma minifase no comando deste Navi, para provar que sabe utilizar suas características únicas. Ao final desta fase, Megaman terá de enfrentar o Link Navi, e, vencendo-o, ganhará um Cross Change. Sob todos os aspectos, um Cross Change é um Soul Unison, com a única diferença de que não é preciso descartar um Chip para ativá-lo, bastando pressionar para cima na tela de escolha dos Chips e escolher qual Cross Change você quer. Outra diferença é que não há um número de turnos máximo para permanecer em Cross Change, podendo Megaman utilizar esta função até você desistir, ou até sofrer um ataque contra o qual o Cross Change é fraco, o que causará dano dobrado e anulará o Cross Change, impedindo que Megaman o use novamente até o final da batalha.

O Beast Out, de certa forma, é parecido: a partir de um determinado momento do jogo, Megaman poderá se mesclar com uma das feras que dá nome ao jogo (Falzar ou Gregar, dependendo da versão). Após fazê-lo, na tela de escolha dos Chips passará a aparecer um símbolo. Clicando neste símbolo, Megaman faz uma espécie de Soul Unison com a fera, tornando-se superpoderoso por três turnos, após os quais o efeito passará e ele não poderá mais utilizar este poder naquela batalha. Você pode ativar o Beast Out e um Cross Change ao mesmo tempo, o que tem essencialmente o mesmo efeito de uma Chaos Soul de MMBN5.

Outras características que foram mantidas dos jogos anteriores foram o Full Synchro, que altera as características de Megaman dependendo de quão bem você está se saindo em batalha; o Regular Chip, que permite que Megaman escolha um "chip preferido" que sempre aparecerá na tela da escolha dos chips; e o Navi Customizer, que permite que Lan instale novos programas para melhorar o desempenho de Megaman e lhe conferir habilidades especiais. Estes dois últimos vieram com novidades: Além do Regular Chip, Megaman agora pode escolher dois Tag Chips, que sempre aparecerão juntos na tela de escolha; e o Navi Customizer agora permite que você encaixe programas com alguns pedaços "para fora da tela", aumentando o número de programas que podem ser instalados, mas gerando bugs no processo. Diretamente de MMBN3, voltaram as missões, que Lan pode tentar cumprir para ganhar itens, e os personagens que trocam chips com Lan. MMBN6 ainda traz uma espécie de minigame, onde você colocará vírus para brigar com outros vírus. Os Battle Chips do jogo são 272, divididos em 200 Standard, 60 Mega (sendo 15 exclusivos em cada versão), 10 Giga (5 exclusivos para cada versão) e 2 secretos. Os Navis presentes são Blastman, Diveman, Aquaman (versão Falzar), Heatman (versão Gregar), Circusman, Tenguman (Falzar), Slashman (Gregar), Judgeman, Tomahawkman (F), Elecman (G), Elementman, Groundman (F), Eraseman (G), Dustman (F), Chargeman (G), Colonel, Protoman e Bass.

A história é a seguinte: o pai de Lan é transferido para outra cidade, Cyber City, o local de Electopia onde a tecnologia é mais avançada, e onde sempre se está pesquisando algo novo. Evidentemente, Lan tem que ir com ele, deixando seus amigos de ACDC Town para trás. Na nova cidade, Lan faz novos amigos, como o bagunceiro Mick, o vendedor de chips Tab, e a misteriosa Iris. E, como esse é um jogo de Megaman Battle Network, logo ele e Megaman se metem em mais uma confusão.

Há muito tempo, no local onde hoje fica a rede de Cyber City, duas feras cibernéticas, o lobo Gregar e a ave Falzar, se degladiaram até quase destruir a internet. Após muito esforço, ambas foram aprisionadas em uma espécie de fosso, de onde não mais saíram. Recentemente, porém, aumentou a atividade no tal fosso, e muitos começaram a temer que as feras pudessem se libertar, o que em um mundo tão dependente da internet seria o caos total. Não demora muito para Megaman descobrir que quem está por trás disso é a organização criminosa liderada pelo Dr. Wily, a WWW. Sempre cientes de seu dever, e já tendo derrotado os Navis do cientista de outras vezes, Lan e Megaman irão passar por diversos lugares de Cyber City, como Central Town, Seaside Town, Green Town e Sky Town, para impedir que o vilão coloque a mão nas feras, o que lhe daria um poder incalculável. Em cada versão do jogo a história é mais centrada em uma das feras, e a fera que dá nome à versão é o último chefe dela.

O motivo pelo qual eu fiz questão de falar sobre MMBN6 é que ele é o último da série. No final, Dr. Wily se arrepende de seus crimes, passa a trabalhar por uma sociedade melhor, e temos uma passagem de vinte anos, mostrando como Lan e seus amigos cresceram em um mundo de paz. Em outras palavras, não haverá MMBN7, sendo esta a segunda série de Megaman que ganha um "final oficial" - a primeira foi a Série Zero.

Se a Capcom encerrasse as séries e ficasse por aí, eu até acharia bom, mas o que ela está fazendo, pra mim, virou bagunça: as séries Zero e Battle Network foram oficialmente substituídas por duas novas séries, Megaman ZX e Megaman Star Force, ambas exclusivas do Nintendo DS. O que me irrita mais nem é que elas são exclusivas de um videogame que eu nem planejo ter (se tivesse dinheiro, compraria é um PSP), mas o fato de que dois jogos que deveriam ser de Megaman nem tem um Megaman de verdade: em ZX você joga com dois adolescentes que ganham armaduras que lembram os personagens de Megaman Zero, e em Star Force você joga com um menino que se une a um alienígena (algo meio Tokusatsu) para se transformar em um robô guerreiro chamado Megaman. Enquanto isso, as séries Clássica e X seguem incompletas e bagunçadas...

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