quarta-feira, 11 de junho de 2008

Beisebol (I)

Já não deve ser surpresa para ninguém que eu adoro esportes. Assim, também não surpreende o fato de que, sempre que possível, eu gosto de falar sobre um esporte por aqui. De preferência, esportes que não sejam muito conhecidos do público em geral - afinal, por mais que eu goste de futebol, basquete e vôlei, creio que poucas novidades serão ditas se eu escrever sobre eles. O tema de hoje é um esporte que até é bastante popular no Brasil, mas permanece desconhecido da maioria da população, principalmente porque muitos consideram suas regras complicadas. Hoje é dia de falar sobre beisebol.

Por mais que eu goste de beisebol, não costumo assistir a muitas partidas, por um motivo bem simples: elas demoram muito. Tudo bem que se possa argumentar que futebol americano também demora muito, mas aí é diferente, porque eu não gosto tanto de beisebol quanto de futebol americano, então ficar quatro horas na frente da tv vendo um sujeito tentando acertar uma bolinha com um taco não é tão divertido quanto ficar quatro horas na frente da tv vendo um bando de brutamontes tentando levar uma bola oval até o outro lado do campo. Apesar disso, como eu já disse, eu gosto de beisebol, e quando eu acho um jogo passando, ou na época dos play-offs, costumo assistir vários pedaços de partidas. Acho que os únicos jogos de beisebol que eu assisti inteiros foram os do Brasil na época do Pan.

Mas não é a duração excessiva das partidas, ou o fato da ESPN ser praticamente o único canal a transmitir beisebol por aqui, que impede este esporte de se popularizar no Brasil; dois outros fatores costumam ser citados pelos que ainda não gostam de assisi-lo: o primeiro, que as regras são muito complicadas, o que não é absolutamente verdade - as regras do beisebol são surpreendentemente simples, só que não dá para deduzi-las só assistindo a um jogo, é preciso uma "ajuda externa" para aprendê-las; o segundo é que o beisebol está fortemente ligado à cultura dos Estados Unidos, então o preconceito anti-americano acaba fazendo com que muitos queiram distância de tacos, luvas e bases.

De fato, talvez nenhum outro esporte esteja tão ligado à imagem dos Estados Unidos quanto o beisebol, talvez nem mesmo o futebol americano. O beisebol é o esporte que tem o maior número de praticantes na Terra do Tio Sam, desde o século XIX é considerado o esporte nacional de lá, tem o curioso apelido de "o passatempo americano", e apenas recentemente perdeu o status de esporte mais popular da América para o futebol americano. Mas engana-se quem pensa que só por lá este esporte é popular: segundo uma estimativa da Federação Internacional, em 2005 o beisebol era o sétimo esporte mais popular do mundo, e em países como Cuba, Venezuela e Japão, ele é mais popular do que qualquer outro. No Brasil, apesar de praticado desde 1850, o esporte ainda está engatinhando, e é praticado principalmente por descendentes de imigrantes japoneses. Ainda assim, pode-se dizer que o esporte está em ascenção, pois vários jogadores brasileiros já foram contratados por times do Japão e dos Estados Unidos, e, principalmente sob influência da popularidade da liga nacional norte-americana, a cada dia o beisebol consegue mais fãs em todos os cantos do país.

Ninguém sabe com certeza quando o beisebol foi inventado, mas praticamente todos concordam que ele é uma evolução de um jogo chamado rounders, que por sua vez era similar ao críquete, um dos esportes mais populares da Inglaterra, e que também não era um esporte inédito: registros de jogos onde o objetivo é acertar uma bola arremessada usando um bastão existem desde 1300, e, como todos os esportes tão antigos, existiam milhares deles com apenas pequenas variações nas regras. Estes esportes chegaram aos Estados Unidos trazidos por imigrantes ingleses e irlandeses, e lá teriam sofrido mais alterações, até resultar no jogo que temos hoje. A primeira menção registrada ao nome baseball data de 1791, quando uma lei da cidade de Pittsfield, Massachusetts, proibiu a prática do jogo a menos de 70 metros da câmara de vereadores da cidade; mas o primeiro registro de um jogo de beisebol data de 4 de junho de 1838, em Beachville, Canadá. As regras do esporte foram codificadas em Nova Iorque em 1845, e o primeiro jogo oficial aconteceu em 19 de junho de 1846 em Nova Jérsei, quando o New York Nine derrotou o New York Knickerbockers por 23 a 1.

Os primeiros clubes de beisebol começaram a surgir nos Estados Unidos por volta de 1860. O primeiro clube totalmente profissional, o Cincinnati Red Stockings, foi fundado em 1869, e o primeiro torneio entre times profissionais foi realizado em 1871. Até o início do século XX, o beisebol era um esporte restrito a Estados Unidos, Canadá e Cuba (que na época era uma espécie de colônia dos EUA, mais ou menos como Porto Rico), mas a partir da década de 1920 começou a se espalhar pelo mundo, com a criação das Ligas de Beisebol da Holanda (1922), Austrália (1934) e Japão (1938). A Federação Internacional de Beisebol (IBAF) foi fundada em 1938, e hoje conta com 112 países dos cinco continentes, incluindo o Brasil, membro desde 1946.

Agora que já vimos um pouco sobre a história do beisebol, vamos detonar o mito de que suas regras são complicadas. É claro que, como ocorre com qualquer esporte, existem algumas nuances, mas o básico que apresentarei aqui é perfeitamente suficiente para qualquer um aprender o jogo, e conseguir assistir a uma partida na tv sem ficar boiando.

Um estádio de beisebol costuma ser conhecido como ball park. O campo tem o formato de um quarto de círculo. Em volta de seu ângulo reto há um círculo de 8 metros de diâmetro, todo de terra batida, sem grama. No centro deste círculo fica a home plate, um pentágono de borracha cuja base tem 43 cm, e os outros lados 22 cm. Partindo das linhas diagonais da home plate, é traçado um losango de 27,4 metros de lado, chamado diamante. Em cada um dos outros três vértices desse losango fica uma base, uma "almofada" quadrada de lona de 43 cm de lado e 13 cm de altura, de onde o jogo tira seu nome, e numeradas como primeira, segunda e terceira em sentido anti-horário a partir do home plate. A área em volta do diamante é feita de terra batida, e conhecida como infield; para além do diamante, o campo é gramado, e conhecido como outfield. A área interior do diamante também é gramada, mas não tem nome; em seu centro, a 18,39m do home plate, fica um montinho de terra batida, de 5,47 metros de diâmetro e 25 cm de altura, no topo do qual fica o arremessador. Curiosamente, o tamanho do outfield não é estabelecido nas regras, mas normalmente, do home plate até a cerca que separa o campo das arquibancadas, em linha reta, a distância varia entre 118 e 133 metros. Os lados do losango que tocam o home plate se prolongam até o final do outfield, e só é considerado área válida de jogo o que está dentro destas linhas.

O uniforme do beisebol é bastante tradicional e característico, composto de uma camisa de mangas compridas abotoada na frente, uma calça comprida com cinto, sapatilhas próprias para beisebol, e um boné na cabeça. Os jogadores que estão no ataque usam uma espécie de capacete ao invés do boné, e são munidos de um bastão, feito de madeira ou alumínio, dependendo das regras adotadas e da preferência do jogador. O bastão é cilíndrico, com 1 metro de comprimento, 2,5 cm de diâmetro na empunhadura e 5 cm na outra ponta, e pesa 1 Kg. Os jogadores que estão na defesa usam uma luva especial, feita de couro, com dedos grandes e uma membrana entre o indicador o polegar, para facilitar na hora de pegar a bola. A bola tem 23 cm de circunferência, pesa 142 gramas, é feita de um núcleo de cortiça envolto em borracha e enrolado com sisal e lã, coberta com couro branco costurado com linha vermelha de algodão - e, diga-se de passagem, a bola é muito dura, podendo até quebrar um braço se atingi-lo após um arremesso suficientemente forte.

Um time de beisebol é formado por nove jogadores. Quando o time está na defesa, eles tomam posições pré-determinadas no campo: três deles, conhecidos como outfielders, ficam, evidentemente, no outfield, um na direção entre a primeira e a segunda base (o right field), um entre a segunda e terceira base (o left field) e um bem na direção da segunda base (o center field). Outros quatro jogadores ficam no infield, e são conhecidos como infielders: um marcando a primeira base (e que também se chama primeira base), um entre a primeira e a segunda base (o segunda base), um entre a segunda e a terceira base (o short stop), e um marcando a terceira base (o terceira base). Além destes temos o catcher, que fica agachado atrás do home plate para pegar os arremessos que passam pelo rebatedor, e usa um equipamento especial, incluindo uma proteção de couro para o torso, joelheiras, um capacete com grade e uma luva própria; e o arremessador ou pitcher, de certa forma o jogador mais importante do time, que arremessará a bola para o catcher, preferencialmente de uma forma que o rebatedor não consiga acertá-la. Quando o time está no ataque, todos os nove jogadores se tornam rebatedores, e um por um tentarão rebater a bola, se posicionando do lado direito ou esquerdo do home plate, de acordo com sua preferência. Alguns torneios permitem a presença de um rebatedor designado, um jogador que não atua na defesa, e só serve para substituir o arremessador durante as rebatidas - isso porque arremessadores são altamente especializados, e costumam ser péssimos rebatedores. A importância do arremessador é tão grande que em alguns jogos ele é o único jogador que tem reservas, normalmente três. Um arremessador pode ser substituído a qualquer momento em que a bola não esteja em jogo, mas, uma vez que saia, não pode mais voltar naquele jogo. Qualquer outro jogador também pode ser substituído quando a bola não estiver em jogo, mas isso raramente acontece.

Uma partida de beisebol não tem um tempo limite pré-estabelecido: ela é dividida em nove períodos conhecidos como innings, ou entradas. Cada entrada é dividida em duas partes, conhecidas como top e bottom, e, em cada uma destas partes, um time rebate enquanto o outro defende - normalmente o time da casa rebate no bottom, ou seja, depois. O objetivo do time que começa defendendo (arremessando) é eliminar três rebatedores do time que está atacando; se conseguir, ele passa então a atacar, e o time que estava atacando passa a defender com o mesmo objetivo. Quando ambos os times tiverem três eliminações, a partida passa para a entrada seguinte. As formas mais comuns de conseguir uma eliminação são o strike out, o fly out, o ground out, o force out e o tag out.

O strike out é, talvez, a forma de eliminação mais característica do beisebol: se o arremessador jogar a bola e o rebatedor não conseguir pegá-la, indo a bola parar na luva do catcher, temos um strike. Três strikes, e o jogador que estava tentando rebater está eliminado. Para que o strike seja válido, porém, a bola deve chegar à luva do catcher passando por um quadrado imaginário chamado zona de strike, que representa a área onde rebater a bola é possível de acordo com a posição do rebatedor. Esta regra foi criada para que o arremessador não jogue a bola longe demais do rebatedor, o que seria injusto, já que ele tem o controle total da bola, e pode até combinar com o catcher, através de sinais secretos, onde e como irá jogá-la. Caso a bola não passe por dentro da zona de strike, ela é considerada bola (isso mesmo, bola). Se um arremessador cometer quatro bolas, o rebatedor ganha um walk, e pode se dirigir para a primera base mesmo que não tenha conseguido rebater - por esse motivo, um rebatedor que tem dois strikes e três bolas está com a "contagem cheia", pois no próximo lançamento ou ele vai andar, ou ser eliminado. Um rebatedor também ganha um strike caso rebata a bola para fora do campo, exceto se ele já tiver dois strikes; nesse caso, o arremesso é invalidado, e o arremessador deverá jogar outro. Finalmente, o rebatedor ganha um walk automático, independente de quantas bolas tenha, se a bola arremessada atingir qualquer parte de seu corpo, mesmo que sem intenção do arremessador.

O fly out também é bastante constante: acontece quando o rebatedor consegue rebater a bola, mas um dos jogadores de defesa (normalmente um outfielder) a pega sem que ela tenha tocado o chão. Neste caso, o rebatedor é eliminado automaticamente. Se a bola tocar o chão antes de tocar a luva de um jogador, ainda assim um dos jogadores de defesa poderá pegá-la, e tentar fazer com que ela chegue à base antes do rebatedor - para isso, basta que o jogador que recebeu a bola esteja pisando sobre a base, e que a bola toque sua luva antes que o rebatedor toque a base. Caso isso aconteça na primeira base, se chama ground out, na segunda ou terceira base ou no home plate, se chama force out. É possível até eliminar os jogadores da segunda e primeira base na mesma jogada, bastando o jogador que recebeu a bola na segunda base pisar nela antes do adversário e depois arremessar a bola para o da primeira antes do rebatedor chegar lá, o que recebe o nome de double play. Finalmente, se o arremessador notar que um dos jogadores do outro time não está exatamente sobre a base, poderá arremessar a bola diretamente para aquela base ao invés de para o catcher, e, se a bola alcançar a base antes do jogador, ocorre um tag out.

Enquanto o time defendendo tem por objetivo conseguir três eliminações, o time atacando (rebatendo) tem como objetivo anotar corridas, o que ocorre da seguinte forma: toda vez que um rebatedor consegue uma rebatida válida (que não vai para fora do campo nem termina em fly out), ele é obrigado a correr para a primeira base. Se chegar lá antes da bola, fica por lá até a próxima jogada. Se já houver um jogador na primeira base, ele é obrigado a correr para a segunda, o da segunda para a terceira, e o da terceira para o home plate - e, toda vez que um jogador do time atacando pisa no home plate antes que a bola o alcance, anota uma corrida. Corridas podem ser anotadas mesmo que não haja uma rebatida válida, caso já haja um jogador em cada base, e o que está rebatendo receba um walk. Por esse motivo, um jogador em cada base é uma situação muito arriscada para o time defendendo, e é conhecida como "bases lotadas". Não há limite para o número de corridas que um mesmo time possa anotar por entrada: enquanto ele não tiver três eliminados, os nove rebatedores vão se alternando e tentando mais.

Um jogador que já esteja em uma base pode tentar "roubar" a base seguinte - ou até mesmo o home plate e anotar uma corrida. Para roubar uma base, o jogador deve sair correndo da base onde está depois que a bola deixa a mão do arremessador, e chegar na seguinte antes da bola - que será arremessada pelo catcher para o jogador que está marcando aquela base. Roubar bases é raro e difícil, mas existem jogadores especializados nesta façanha, e até mesmo alguns truques para consegui-la, como se posicionar a 9 metros da base, distância segura para voltar caso o arremessador perceba e jogue a bola para aquela base, e que dá uma boa vantagem na hora de correr para a próxima. Graças às "roubadas", pode ocorrer de uma base ser "pulada' - ou seja, há um jogador na segunda, mas nenhum na primeira, por exemplo. Neste caso, o jogador que está na base após a "pulada" não é obrigado a correr para a próxima no caso de uma rebatida válida, mas também não se move automaticamente para ela em caso de walk.

Existe um tipo de rebatida onde a bola não cai dentro dos limites do campo, mas não só é considerada válida como também é a rebatida mais desejada pelos rebatedores: o famoso home run. Um home run ocorre quando o rebatedor rebate a bola para além do outfield, para fora do campo ou para algum sortudo da arquibancada (mas dentro do limite estabelecido pelas linhas que partem do home plate). Como o time defendendo não conseguirá pegar a bola mesmo, todos os jogadores atacando podem ir de base em base tranqüilamente para o home plate. Um home run com bases lotadas vale nada menos que quatro corridas de uma vez só, razão mais do que suficiente para ele ser tão cobiçado - mas, desnecessário dizer, também é um evento raro, embora alguns jogadores sejam conhecidos por conseguir muitos deles.

Ao final da nona entrada, o time que tiver anotado mais corridas é declarado vencedor. Caso haja um empate, são jogadas sucessivas novas entradas, até que um dos times tenha mais corridas que o outro. Se, ao final do top da última entrada, o time defendendo estiver ganhando, não será necessário jogar o bottom - já que ele já está ganhando mesmo, não há necessidade de anotar mais corridas.

Uma partida de beisebol pode ter até seis árbitros, chamados umpires. Normalmente, quanto mais importante o jogo, mais árbitros ele terá. O único árbitro "obrigatório" é o que fica atrás do catcher, e diz se a rebatida foi válida, se houve strike, ou se houve bola. Até três outros árbitros podem estar presentes no infield, um ao lado de cada base se todos forem usados, e servem para dizer quem chegou primeiro à base, o rebatedor ou a bola; se houverem menos de três, um deles se desloca para a base mais próxima de onde está quando houver uma jogada relevante. Os dois últimos árbitros quase nunca são usados, e se posicionam no outfield, ao lado das linhas que determinam o limite do campo, para atestar a validade de rebatidas longas, home runs e fly outs.

Atualmente, o torneio de beisebol mais importante do mundo é o da liga profissional norte-americana, a MLB (Major League Baseball), criada em 1903, e que na verdade não é uma liga, mas a reunião de duas: a Liga Nacional, fundada em 1876, que conta com 16 times; e a Liga Americana, de 1901, com 14 times. Curiosamente, existem algumas diferenças entre as regras de uma Liga e de outra - a Liga Nacional, por exemplo, não permite batedores designados - e, quando dois times de Ligas diferentes de enfrentam, são usadas as regras do time da casa. A temporada da MLB vai de março a outubro, e inclui uma primeira fase, onde cada time joga 162 vezes, e os playoffs, compostos de uma primeira fase em melhor de cinco jogos, e a final de cada Liga em melhor de sete. Os campeões da Liga Nacional e da Liga Americana se enfrentam na World Series, também em melhor de sete jogos, sendo o vencedor declarado campeão da MLB.

O beisebol é esporte olímpico "oficial" somente desde 1992 - e, infelizmente, já foi decidido pelo COI que a partir de 2012 ele não fará mais parte do programa - mas participou como esporte de demonstração em 1912, 1936, 1956, 1964, 1984 e 1988. Os Estados Unidos venceram todas as versões de demonstração exceto a de 1984 (vencida pelo Japão), mas, desde que o esporte entrou para o programa olímpico, Cuba venceu três edições, e os EUA apenas uma. Muitos devem este desempenho - e a própria retirada do esporte das Olimpíadas - ao fato de que a MLB se recusa a interromper seu torneio ou ceder seus jogadores durante os Jogos Olímpicos, o que faz com que os Estados Unidos acabem competindo com equipes de jogadores das chamadas Ligas Menores ou universitários. Por este mesmo motivo, a Copa do Mundo de Beisebol, realizada desde 1938, atualmente a cada dois anos sempre nos anos ímpares, e vencida 25 vezes por Cuba contra 3 dos Estados Unidos e Venezuela, jamais conseguiu ser um sucesso de público, e acabou levando a IBAF a criar um "segundo mundial", batizado de World Baseball Classic. Criado por uma parceria entre a IBAF e a MLB, o WBC servirá como o principal torneio internacional do esporte, contando, inclusive, com a participação dos astros da MLB. A primeira edição foi realizada em 2006 nos Estados Unidos, com o Japão derrotando Cuba na final (e o time da casa terminando em oitavo com MLB e tudo...); uma nova edição já está programada para 2009 novamente nos EUA, e a partir de então o torneio será realizado a cada quatro anos em países diferentes.

Antes de encerrarmos, eu gostaria de falar um pouco sobre outro esporte, o softbol. Embora seja considerado - inclusive por boa parte da mídia - como a "versão feminina" do beisebol - principalmente porque o beisebol profissional só é disputado na versão masculina - o softbol é um esporte separado, regulado por sua própria Federação Internacional, a ISF, fundada em 1952, e que hoje conta com 130 países membros, mais até do que a IBAF, dentre eles o Brasil.

O softbol foi inventado em 1887 em Chicago por George Hancock, um membro da Câmara de Comércio da cidade. Seu intuito não era inventar um beisebol feminino, mas uma versão "indoor", que pudesse ser disputada em ambientes fechados durante o inverno. Aos poucos o esporte foi se popularizando, passou a ser jogado em campos de beisebol ao ar livre, se espalhou pelos Estados Unidos, e, durante a Segunda Guerra Mundial, pelas mãos dos soldados canadenses, chegou à Holanda, que já gostava muito de beisebol na época. De lá o jogo se espalhou pelo mundo, e, em alguns países, como a Nova Zelândia, se tornou mais popular até do que o beisebol que lhe deu origem. Embora o softbol feminino seja mais famoso, também existe softbol masculino, com Campeonato Mundial e tudo, disputado a cada quatro anos desde 1966, vencido cinco vezes pela Nova Zelândia, cinco pelos Estados Unidos, e três pelo Canadá. No Mundial Feminino a superioridade dos Estados Unidos é absoluta, com nada menos que oito títulos, sendo os seis últimos seguidos.

O nome "softbol" ("bola macia") vem da bola usada neste esporte, bem maior (30 cm de circunferência), mas mais pesada (200 gramas) que a do beisebol. A bola é feita do mesmo material que a do beisebol, mas é menos densa, e costuma ser amarela ao invés de branca. O bastão de softbol é mais curto, com 86 cm de comprimento, e mais largo, com 6 cm de diâmetro na ponta oposta à empunhadura. O uniforme também é mais despojado, com camisetas e bermudas, mas ainda com o boné na cabeça. As luvas são semelhantes às do beisebol, mas mais largas, já que a bola é maior.

O campo de softbol é um pouco menor - os lados do diamante têm 18 metros cada - e o outfield tem uma distância fixa, 76,2 metros do home plate em linha reta. O arremessador fica a 14 metros do home plate. O campo costuma ter uma "outra" primeira base, de cor diferente e ao lado da "original", usada para evitar colisões entre os jogadores: o rebatedor corre para a "outra", enquanto o Primeira Base defende a "original", estando o rebatedor eliminado se a bola chegar ao defensor antes dele. Se não precisar de desempate, uma partida de softbol tem sete entradas, e não nove. Finalmente, o arremesso do softbol é sempre "por baixo", com o arremessador fazendo um arco com o braço para trás, e arremessando a bola de baixo de sua linha da cintura - enquanto o arremesso do beisebol é "por cima", com a bola normalmente saindo de cima da linha do ombro do arremessador. Tirando essas diferenças, as regras são as mesmas do beisebol.

O softbol é esporte olímpico apenas desde 1996, sendo que os Estados Unidos ganharam os três ouros disputados. Assim como o beisebol, o softbol também já está fora dos Jogos de 2012, por ser considerado um esporte de pouco público. Na minha opinião, o pentatlo moderno tem bem menos público que o softbol, mas como eu não mando em nada mesmo...

1 enfiaram o nariz:

Anônimo disse...

muito bom

3:34 PM

Postar um comentário