Semana passada eu escrevi um post sobre as Tartarugas Ninja, motivado pela lembrança de seus jogos de videogame. Acontece que, naquele post, eu falei de quadrinhos, desenhos, filmes e seriados das Tartarugas, mas não falei uma única palavra sobre os tais jogos. Como eu ando meio sem assunto mesmo, tragam outra rodada de pizza, pois hoje será o dia de falar sobre os games das Tartarugas Ninja!
Na minha opinião, os games clássicos das Tartarugas Ninja estão entre as mais bem sucedidas adaptações de personagens de outros meios. Na época do NES e do SNES, quando alguém lançava um game baseado em filmes, quadrinhos ou desenhos animados, podíamos ter certeza de que era uma bomba, ou que, no mínimo, tinha pouco a ver com sua fonte. Produzidos pela Konami, os games das Tartarugas, porém (talvez com a exceção da série Tournament Fighters), eram divertidos, e traziam todos os personagens principais do desenho. Um prato cheio para os fãs.
Se bem que o primeiro deles, Teenage Mutant Ninja Turtles, de 1989, para NES (lançado nos EUA pela Ultra Games) e PC, é uma exceção. Trata-se de um jogo de plataforma dificílimo, quase impossível, onde o objetivo é guiar as Tartarugas por cinco missões. Você pode alternar entre as Tartarugas à vontade, mas cada uma delas atua como uma "vida", ou seja, se as quatro morrerem, é Game Over. Cada Tartaruga pode usar suas armas características, e durante as fases você encontra armas de uso limitado, como shurikens, bumerangues e técnicas ninja, além de pizza para recuperar energia. Sua primeira missão será derrotar Bebop e Rocksteady para salvar April O'Neil; a segunda envolve desarmar bombas, em uma represa que representa o fim do jogo para quase todos os jogadores; na terceira missão você deverá derrotar uma Tartaruga-robô para salvar o Mestre Splinter; na quarta o objetivo é recuperar o dirigível das Tartarugas, derrotando um Mouser gigante; e, finalmente, na última missão as Tartarugas invadem o Tecnódromo e enfrentam o Destruidor.
Felizmente, a série não começou apenas com este desastre. No mesmo ano de 1989, foi lançado um Teenage Mutant Ninja Turtles para arcades, no estilo "porrada com fase". A história não ia muito além das Tartarugas tendo que combater seus tradicionais inimigos para salvar April e, mais tarde, Mestre Splinter. Até quatro jogadores podiam controlar as Tartarugas simultaneamente, ao longo de sete coloridas fases que transmitiam bem o clima do desenho. A primeira fase se passava no apartamento de April em chamas, e o chefe era Rocksteady; a segunda nas ruas de Nova Iorque, onde o chefe era Bebop; na terceira, nos esgotos, o cientista Baxter Stockman atacava; a quarta fase era em uma espécie de garagem, onde Bebop e Rocksteady atacavam juntos; a quinta fase era uma espécie de bônus, em uma rodovia onde as Tartarugas andavam de skate; a ação voltava a pé na sexta fase, uma fábrica, onde o chefe era o monstro de pedra Granitor; e, finalmente, na última fase, as Tartarugas mais uma vez invadiam o Tecnódromo, onde enfrentavam o General Tragg, Krang e o Destruidor.
Com gráficos excelentes para a época, o jogo arrebatou uma legião de fãs, e acabou adaptado para NES e PC em 1990, com o nome de Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game, novamente lançado nos EUA pela Ultra Games. Os gráficos da versão NES, evidentemente, eram muito inferiores à da versão arcade, e apenas duas tartarugas podiam estar na tela ao mesmo tempo. Para compensar, foram introduzidas duas novas fase, uma entre a terceira e a quarta, em um parque cheio de neve, onde o chefe era o cachorro Tora; e uma imediatamente antes do Tecnódromo, em uma academia ninja, onde o chefe era um samurai de nome Shogun. Além disso, Bebop e Rocksteady deixaram de ser os chefes da quarta (agora quinta) fase, substituídos por Baxter Stockman transformado em mosca. Mesmo com todas estas mudanças, o jogo foi um dos mais vendidos da história do NES, e definiu o estilo "porrada com fase" como o predominante em todos os jogos seguintes das Tartarugas.
Como acontecia na época com todos os jogos lançados para o NES, as Tartarugas também ganharam uma versão para Game Boy, em 1990, chamada Teenage Mutant Ninja Turtles: Fall of the Foot Clan, mais uma vez lançado nos EUA pela Ultra Games. Os gráficos eram meio feios, grandes demais e em preto e branco; o jogo era bastante curto;, apenas um jogador podia jogar de cada vez, escolhendo uma das quatro Tartarugas; e trazia três joguinhos secretos, todos envolvendo raciocínio. Em outras palavras, não era exatamente um best seller. Durante cinco curtas fases, as Tartarugas enfrentariam Rocksteady na cidade, Bebop em uma espécie de fábrica, Baxter Stockman em um estacionamento de caminhões, o Destruidor em uma espécie de floresta, e Krang no Tecnódromo, tudo para, mais uma vez, salvar April.
Talvez para tentar se redimir, a Konami começou 1991 lançando mais um jogo de Game Boy, Teenage Mutant Ninja Turtles: Back from the Sewers. Os gráficos e a música deram uma melhorada, mas ainda eram inferiores aos de alguns jogos da época. Mais uma vez, um único jogador escolhia uma das Tartarugas e partia para derrotar o Destruidor e salvar seus amigos. O jogo tinha 6 fases, sendo a primeira nos esgotos e ruas de Nova Iorque, onde o chefe era Rocksteady; a segunda em uma rodovia, com Bebop como chefe; a terceira em um prédio em construção, onde o chefe era Krang; a quarta nos subterrâneos, com um Monstro-Pizza como subchefe, e onde ocorria o primeiro combate contra o Destruidor; a quinta em uma torre, com Baxter Stockman como subchefe e Granitor como chefe; e, finalmente, o Tecnódromo, onde a batalha seria contra o Super Destruidor e contra Krang. O jogo tinha dois modos de dificuldade, e muitas mudanças ocorriam nas fases dependendo de qual você escolhesse.
1991 também foi o ano de lançamento de mais um jogo das Tartarugas para NES, Teenage Mutant Ninja Turtles III: The Manhattan Project (também lançado para PC, mas com o subtítulo The Manhattan Missions), que buscava manter o clima e repetir o sucesso do anterior, algo que provavelmente só não foi alcançado porque o jogo já não era novidade. Mais uma vez cada jogador podia escolher uma Tartaruga, que metia a porrada nos vilões ao longo de 8 fases, com uma missão inusitada: salvar a ilha de Manhattan, que fora arrancada do solo pelo Destruidor. Pela primeira vez, as Tartarugas contavam com ataques especiais, superpoderosos e que consumiam parte de sua energia, bastando apertar os dois botões simultaneamente. Também era possível um jogador meter a porrada no outro no modo para dois jogadores, mas esta função podia ser desabilitada. Ao longo das fases, as Tartarugas passariam por uma praia, onde enfrentariam mais uma vez Rocksteady; uma divertida fase onde as Tartarugas surfam no mar, cujo chefe é o touro Groundchuck; a ponte de Manhattan, onde os chefes são a tartaruga Slash e depois Bebop; a ilha de Manhattan, flutuando no céu, onde o rato Dirtbag é o chefe; os esgotos, onde o suchefe é um Mouser gigante, e o chefe é o jacaré Leatherhead; o Tecnódromo, onde serão enfrentados o lobo Rahzar e o Destruidor; uma espécie de elevador, onde o chefe é a tartaruga Tokka; e finalmente uma fase enorme em uma nave, onde há mais um Mouser gigante, Krang, e o Super Destruidor.
Finalmente, em 1991 foi lançado o segundo jogo de arcade das Tartarugas, Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Mais uma vez os gráficos excelentes e a possibilidade de jogar com quatro tartarugas ao mesmo tempo fizeram do jogo um grande sucesso. Após Krang seqüestrar a Estátua da Liberdade, as Tartarugas são atraídas para uma armadilha, onde se utilizando de um antigo artefato, o Destruidor as manda em uma viagem pelo tempo. Cabe agora aos heróis enfrentar vários perigos buscando retornar ao presente, passando por 9 fases. A primeira fase é na ponte de Manhattan, onde o chefe é Baxter Stockman transformado em mosca; em seguida vêm as ruas da cidade, onde o chefe é a tartaruga-robô Metalhead; e uma fase onde as Tartarugas surfam nos esgotos, sem chefe. Então o Destruidor as manda para a Pré-História, onde deverão enfrentar Slash; um navio pirata, onde os chefes são Tokka e Rahzar; um trem no Velho Oeste, cujo chefe é Leatherhead; uma fase futurista onde as Tartarugas têm pranchas voadoras, e o chefe é Krang; uma base espacial, onde Krang é enfrentado de novo, desta vez usando um pequeno disco voador; e o Tecnódromo, onde o último chefe é o Destruidor. As Tartarugas mantiveram seus ataques especiais de TMNT3, e agora também podiam agarrar soldados do Clã do Pé e jogá-los contra outros inimigos ou "contra a tela", na direção do jogador.
Assim como aconteceu com o primeiro jogo de arcade, o segundo também ganhou uma versão caseira, desta vez para o Super Nintendo, sob o nome de Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time, em 1992. Esta versão também tinha algumas diferenças em relação à original, como a ausência de cut scenes entre as fases, o Rei Rato como chefe da terceira fase, Bebop e Rocksteady substituindo Tokka e Rahzar na fase do navio pirata, e a inclusão de uma fase inteira, no Tecnódromo, logo após a fase dos esgotos, antes da fase da Pré-História. Nesta fase, Tokka e Rahzar são subchefes, e o Destruidor é o chefe, em uma batalha onde a única forma de atingi-lo é jogando soldados do Clã do Pé contra ele. Além disso, o último chefe da versão SNES é o Super Destruidor, com ataques diferentes do Destruidor da versão arcade. Evidentemente, apenas dois jogadores podiam jogar ao mesmo tempo, e não quatro como no arcade.
Em 1992 também seria lançado o primeiro jogo das Tartarugas para um console da Sega, Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist, para Mega Drive, onde o Destruidor usa a tal Hyperstone para encolher Manhattan e seqüestrá-la. Este jogo é uma curiosa mistura dos gráficos de TMNT4 com a história de TMNT3. Dois jogadores podiam escolher suas Tartarugas e enfrentar cinco fases para salvar Manhattan, passando pelos esgotos, onde enfrentariam Letherhead; um navio fantasma, onde o chefe é Rocksteady; uma academia ninja, cujo chefe é o mestre ninja Tatsu; uma estranha caverna onde os três chefes anteriores são subchefes, e o chefe final é Baxter Stockman; e o Tecnódromo, onde o subchefe é Krang e o último chefe é o Super Destruidor. Este jogo passa a impressão de ter sido feito às pressas, tão às pressas que esqueceram de colocar Bebop nele.
O último jogo das Tartarugas para Game Boy, Teenage Mutant Ninja Turtles: Radical Rescue, seria lançado em 1993. Este é um dos mais complexos jogos da série, onde cada Tartaruga tem um poder especial (Michelangelo pode planar girando seus nunchaku como hélices; Donatello escala paredes; Leonardo cava buracos em determinados lugares; e Raphael pode entrar em seu casco e alcançar lugares antes inatingíveis), uma pizza pode ser "armazenada" para recuperar sua energia em momentos críticos; cartões de acesso precisam ser encontrados para liberar determinados locais nas fases; e existem até passwords, para você recomeçar o jogo de onde parou. Mas o mais inusitado é que três das Tartarugas foram seqüestradas, só restando Michelangelo, que é o único com o qual você pode jogar no início do jogo, até salvar os demais. Após salvá-los, você pode alternar entre as Tartarugas que tiver livremente, para fazer melhor uso de suas habilidades. No total, o jogo tem oito fases, divididas em 80 salas, todas ao longo do que parece ser uma base no meio de uma floresta. É possível voltar a salas pelas quais você já passou, para encontrar novos itens. O primeiro chefe do jogo é o gato Scratch, e com a chave obtida com ele, você pode salvar Leonardo; derrotando Dirtbag, você ganha a chave que salva Raphael; e a chave para salvar Donatello está com o dinossauro Triceraton. Existe ainda uma quarta chave, em poder da cobra Scale Tail, que permite que você salve o Mestre Splinter, apesar de não pode jogar com ele. Depois disso, você ainda terá de enfrentar estes quatro chefes de novo, até alcançar o Destruidor, que após derrotado se transforma em Super Destruidor, e terminar o jogo.
1993 também foi o ano de lançamento de três versões de Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters, para NES, SNES e Mega Drive. Diferentemente dos demais jogos da série, estes eram jogos de luta, no estilo Street Fighter, sem fases. Os três jogos eram completamente diferentes uns dos outros - sendo o do SNES o melhorzinho - mas todos tinham a opção de jogar no "modo história", onde você só podia escolher dentre as quatro Tartarugas, e enfrentava os oponentes em uma seqüência pré-determinada; ou o "modo torneio", onde mais personagens podiam ser selecionados, e enfrentavam uns aos outros em uma espécie de torneio. Apesar da versão SNES ser a melhor em termos de gráficos e jogabilidade, quase todos os personagens eram desconhecidos, o que deixava o jogo meio sem graça. Podiam ser selecionados Leonardo, Donatello, Raphael, Michelangelo, o Destruidor, o dinossauro War, o morcego Wingnut, o tubarão Armageddon, o robô Chrome Dome e a ninja Aska. Os chefes eram o Rei Rato e o ninja Karai. A versão NES era mais pobrezinha, e trazia apenas sete personagens: as quatro Tartarugas, Casey Jones, o dragão Hot Head, e o Destruidor, que também fazia o papel de último chefe. Mas a mais bizarra era a versão Mega Drive: os gráficos eram feios, e a lista de lutadores trazia as quatro Tartarugas, o Destruidor, Casey Jones, o besouro Sisyphus, a raia Ray Fillet, e ninguém menos que April O'Neil, em trajes sumários, metendo a porrada nos outros como se uma lutadora fosse. Esta versão tinha três chefes: Triceraton, Krang e Karai.
Durante o hiato na carreira das Tartarugas, os jogos também pararam de ser produzidos. Recentemente, foram lançados três jogos baseados no novo desenho animado: Teenage Mutant Ninja Turtles (2003), Teenage Mutant Ninja Turtles 2: Battle Nexus (2004) e Teenage Mutant Ninja Turtles 3: Mutant Rampage (2005), todos para PC, Game Cube, Playstation 2, Xbox e Game Boy Advance (o terceiro também foi lançado para Nintendo DS). Os três são no estilo "porrada com fase", mas, como eu nunca joguei nenhum deles, vou me abster de comentar. O que eu ouvi dizer, porém, é que são ruins. Talvez seja porque são comparados com os antigos. E, assim como acontece com Megaman, comparar os novos com os antigos é sair perdendo feio.
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Se bem que o primeiro deles, Teenage Mutant Ninja Turtles, de 1989, para NES (lançado nos EUA pela Ultra Games) e PC, é uma exceção. Trata-se de um jogo de plataforma dificílimo, quase impossível, onde o objetivo é guiar as Tartarugas por cinco missões. Você pode alternar entre as Tartarugas à vontade, mas cada uma delas atua como uma "vida", ou seja, se as quatro morrerem, é Game Over. Cada Tartaruga pode usar suas armas características, e durante as fases você encontra armas de uso limitado, como shurikens, bumerangues e técnicas ninja, além de pizza para recuperar energia. Sua primeira missão será derrotar Bebop e Rocksteady para salvar April O'Neil; a segunda envolve desarmar bombas, em uma represa que representa o fim do jogo para quase todos os jogadores; na terceira missão você deverá derrotar uma Tartaruga-robô para salvar o Mestre Splinter; na quarta o objetivo é recuperar o dirigível das Tartarugas, derrotando um Mouser gigante; e, finalmente, na última missão as Tartarugas invadem o Tecnódromo e enfrentam o Destruidor.
Felizmente, a série não começou apenas com este desastre. No mesmo ano de 1989, foi lançado um Teenage Mutant Ninja Turtles para arcades, no estilo "porrada com fase". A história não ia muito além das Tartarugas tendo que combater seus tradicionais inimigos para salvar April e, mais tarde, Mestre Splinter. Até quatro jogadores podiam controlar as Tartarugas simultaneamente, ao longo de sete coloridas fases que transmitiam bem o clima do desenho. A primeira fase se passava no apartamento de April em chamas, e o chefe era Rocksteady; a segunda nas ruas de Nova Iorque, onde o chefe era Bebop; na terceira, nos esgotos, o cientista Baxter Stockman atacava; a quarta fase era em uma espécie de garagem, onde Bebop e Rocksteady atacavam juntos; a quinta fase era uma espécie de bônus, em uma rodovia onde as Tartarugas andavam de skate; a ação voltava a pé na sexta fase, uma fábrica, onde o chefe era o monstro de pedra Granitor; e, finalmente, na última fase, as Tartarugas mais uma vez invadiam o Tecnódromo, onde enfrentavam o General Tragg, Krang e o Destruidor.
Com gráficos excelentes para a época, o jogo arrebatou uma legião de fãs, e acabou adaptado para NES e PC em 1990, com o nome de Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game, novamente lançado nos EUA pela Ultra Games. Os gráficos da versão NES, evidentemente, eram muito inferiores à da versão arcade, e apenas duas tartarugas podiam estar na tela ao mesmo tempo. Para compensar, foram introduzidas duas novas fase, uma entre a terceira e a quarta, em um parque cheio de neve, onde o chefe era o cachorro Tora; e uma imediatamente antes do Tecnódromo, em uma academia ninja, onde o chefe era um samurai de nome Shogun. Além disso, Bebop e Rocksteady deixaram de ser os chefes da quarta (agora quinta) fase, substituídos por Baxter Stockman transformado em mosca. Mesmo com todas estas mudanças, o jogo foi um dos mais vendidos da história do NES, e definiu o estilo "porrada com fase" como o predominante em todos os jogos seguintes das Tartarugas.Como acontecia na época com todos os jogos lançados para o NES, as Tartarugas também ganharam uma versão para Game Boy, em 1990, chamada Teenage Mutant Ninja Turtles: Fall of the Foot Clan, mais uma vez lançado nos EUA pela Ultra Games. Os gráficos eram meio feios, grandes demais e em preto e branco; o jogo era bastante curto;, apenas um jogador podia jogar de cada vez, escolhendo uma das quatro Tartarugas; e trazia três joguinhos secretos, todos envolvendo raciocínio. Em outras palavras, não era exatamente um best seller. Durante cinco curtas fases, as Tartarugas enfrentariam Rocksteady na cidade, Bebop em uma espécie de fábrica, Baxter Stockman em um estacionamento de caminhões, o Destruidor em uma espécie de floresta, e Krang no Tecnódromo, tudo para, mais uma vez, salvar April.
Talvez para tentar se redimir, a Konami começou 1991 lançando mais um jogo de Game Boy, Teenage Mutant Ninja Turtles: Back from the Sewers. Os gráficos e a música deram uma melhorada, mas ainda eram inferiores aos de alguns jogos da época. Mais uma vez, um único jogador escolhia uma das Tartarugas e partia para derrotar o Destruidor e salvar seus amigos. O jogo tinha 6 fases, sendo a primeira nos esgotos e ruas de Nova Iorque, onde o chefe era Rocksteady; a segunda em uma rodovia, com Bebop como chefe; a terceira em um prédio em construção, onde o chefe era Krang; a quarta nos subterrâneos, com um Monstro-Pizza como subchefe, e onde ocorria o primeiro combate contra o Destruidor; a quinta em uma torre, com Baxter Stockman como subchefe e Granitor como chefe; e, finalmente, o Tecnódromo, onde a batalha seria contra o Super Destruidor e contra Krang. O jogo tinha dois modos de dificuldade, e muitas mudanças ocorriam nas fases dependendo de qual você escolhesse.
Finalmente, em 1991 foi lançado o segundo jogo de arcade das Tartarugas, Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Mais uma vez os gráficos excelentes e a possibilidade de jogar com quatro tartarugas ao mesmo tempo fizeram do jogo um grande sucesso. Após Krang seqüestrar a Estátua da Liberdade, as Tartarugas são atraídas para uma armadilha, onde se utilizando de um antigo artefato, o Destruidor as manda em uma viagem pelo tempo. Cabe agora aos heróis enfrentar vários perigos buscando retornar ao presente, passando por 9 fases. A primeira fase é na ponte de Manhattan, onde o chefe é Baxter Stockman transformado em mosca; em seguida vêm as ruas da cidade, onde o chefe é a tartaruga-robô Metalhead; e uma fase onde as Tartarugas surfam nos esgotos, sem chefe. Então o Destruidor as manda para a Pré-História, onde deverão enfrentar Slash; um navio pirata, onde os chefes são Tokka e Rahzar; um trem no Velho Oeste, cujo chefe é Leatherhead; uma fase futurista onde as Tartarugas têm pranchas voadoras, e o chefe é Krang; uma base espacial, onde Krang é enfrentado de novo, desta vez usando um pequeno disco voador; e o Tecnódromo, onde o último chefe é o Destruidor. As Tartarugas mantiveram seus ataques especiais de TMNT3, e agora também podiam agarrar soldados do Clã do Pé e jogá-los contra outros inimigos ou "contra a tela", na direção do jogador.
Assim como aconteceu com o primeiro jogo de arcade, o segundo também ganhou uma versão caseira, desta vez para o Super Nintendo, sob o nome de Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time, em 1992. Esta versão também tinha algumas diferenças em relação à original, como a ausência de cut scenes entre as fases, o Rei Rato como chefe da terceira fase, Bebop e Rocksteady substituindo Tokka e Rahzar na fase do navio pirata, e a inclusão de uma fase inteira, no Tecnódromo, logo após a fase dos esgotos, antes da fase da Pré-História. Nesta fase, Tokka e Rahzar são subchefes, e o Destruidor é o chefe, em uma batalha onde a única forma de atingi-lo é jogando soldados do Clã do Pé contra ele. Além disso, o último chefe da versão SNES é o Super Destruidor, com ataques diferentes do Destruidor da versão arcade. Evidentemente, apenas dois jogadores podiam jogar ao mesmo tempo, e não quatro como no arcade.
Em 1992 também seria lançado o primeiro jogo das Tartarugas para um console da Sega, Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist, para Mega Drive, onde o Destruidor usa a tal Hyperstone para encolher Manhattan e seqüestrá-la. Este jogo é uma curiosa mistura dos gráficos de TMNT4 com a história de TMNT3. Dois jogadores podiam escolher suas Tartarugas e enfrentar cinco fases para salvar Manhattan, passando pelos esgotos, onde enfrentariam Letherhead; um navio fantasma, onde o chefe é Rocksteady; uma academia ninja, cujo chefe é o mestre ninja Tatsu; uma estranha caverna onde os três chefes anteriores são subchefes, e o chefe final é Baxter Stockman; e o Tecnódromo, onde o subchefe é Krang e o último chefe é o Super Destruidor. Este jogo passa a impressão de ter sido feito às pressas, tão às pressas que esqueceram de colocar Bebop nele.O último jogo das Tartarugas para Game Boy, Teenage Mutant Ninja Turtles: Radical Rescue, seria lançado em 1993. Este é um dos mais complexos jogos da série, onde cada Tartaruga tem um poder especial (Michelangelo pode planar girando seus nunchaku como hélices; Donatello escala paredes; Leonardo cava buracos em determinados lugares; e Raphael pode entrar em seu casco e alcançar lugares antes inatingíveis), uma pizza pode ser "armazenada" para recuperar sua energia em momentos críticos; cartões de acesso precisam ser encontrados para liberar determinados locais nas fases; e existem até passwords, para você recomeçar o jogo de onde parou. Mas o mais inusitado é que três das Tartarugas foram seqüestradas, só restando Michelangelo, que é o único com o qual você pode jogar no início do jogo, até salvar os demais. Após salvá-los, você pode alternar entre as Tartarugas que tiver livremente, para fazer melhor uso de suas habilidades. No total, o jogo tem oito fases, divididas em 80 salas, todas ao longo do que parece ser uma base no meio de uma floresta. É possível voltar a salas pelas quais você já passou, para encontrar novos itens. O primeiro chefe do jogo é o gato Scratch, e com a chave obtida com ele, você pode salvar Leonardo; derrotando Dirtbag, você ganha a chave que salva Raphael; e a chave para salvar Donatello está com o dinossauro Triceraton. Existe ainda uma quarta chave, em poder da cobra Scale Tail, que permite que você salve o Mestre Splinter, apesar de não pode jogar com ele. Depois disso, você ainda terá de enfrentar estes quatro chefes de novo, até alcançar o Destruidor, que após derrotado se transforma em Super Destruidor, e terminar o jogo.
1993 também foi o ano de lançamento de três versões de Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters, para NES, SNES e Mega Drive. Diferentemente dos demais jogos da série, estes eram jogos de luta, no estilo Street Fighter, sem fases. Os três jogos eram completamente diferentes uns dos outros - sendo o do SNES o melhorzinho - mas todos tinham a opção de jogar no "modo história", onde você só podia escolher dentre as quatro Tartarugas, e enfrentava os oponentes em uma seqüência pré-determinada; ou o "modo torneio", onde mais personagens podiam ser selecionados, e enfrentavam uns aos outros em uma espécie de torneio. Apesar da versão SNES ser a melhor em termos de gráficos e jogabilidade, quase todos os personagens eram desconhecidos, o que deixava o jogo meio sem graça. Podiam ser selecionados Leonardo, Donatello, Raphael, Michelangelo, o Destruidor, o dinossauro War, o morcego Wingnut, o tubarão Armageddon, o robô Chrome Dome e a ninja Aska. Os chefes eram o Rei Rato e o ninja Karai. A versão NES era mais pobrezinha, e trazia apenas sete personagens: as quatro Tartarugas, Casey Jones, o dragão Hot Head, e o Destruidor, que também fazia o papel de último chefe. Mas a mais bizarra era a versão Mega Drive: os gráficos eram feios, e a lista de lutadores trazia as quatro Tartarugas, o Destruidor, Casey Jones, o besouro Sisyphus, a raia Ray Fillet, e ninguém menos que April O'Neil, em trajes sumários, metendo a porrada nos outros como se uma lutadora fosse. Esta versão tinha três chefes: Triceraton, Krang e Karai.
Durante o hiato na carreira das Tartarugas, os jogos também pararam de ser produzidos. Recentemente, foram lançados três jogos baseados no novo desenho animado: Teenage Mutant Ninja Turtles (2003), Teenage Mutant Ninja Turtles 2: Battle Nexus (2004) e Teenage Mutant Ninja Turtles 3: Mutant Rampage (2005), todos para PC, Game Cube, Playstation 2, Xbox e Game Boy Advance (o terceiro também foi lançado para Nintendo DS). Os três são no estilo "porrada com fase", mas, como eu nunca joguei nenhum deles, vou me abster de comentar. O que eu ouvi dizer, porém, é que são ruins. Talvez seja porque são comparados com os antigos. E, assim como acontece com Megaman, comparar os novos com os antigos é sair perdendo feio.
Pouca gente sabe, mas a primeira aparição das Tartarugas não foi no desenho animado que costumava passar nas manhãs da Globo, mas em uma história em quadrinhos, publicada de forma independente em 1984 pelos artistas Kevin Eastman e Peter Laird. Tudo começou meio sem querer em uma tarde, quando ambos estavam buscando novas idéias, e Eastman decidiu desenhar uma tartaruga com bandana, empunhando nunchakus. Ambos acharam o desenho muito engraçado, devido ao contraste entre a velocidade das tartarugas e da arte do ninjitsu, claramente incompatíveis. De tão inusitada, eles decidiram desenvolver a idéia, e acabaram criando uma equipe de quatro tartarugas, cada uma especializada em uma arma oriental.
Pois bem, quando o "Volume 1" estava no auge de seu sucesso, Eastman e Laird receberam uma proposta dos estúdios Murakami-Wolf-Swenson, para transformar a série em um desenho animado. Tendo estreado em dezembro de 1987, o desenho das Tartarugas Ninja se tornou um dos maiores sucessos da década de 80 e início da de 90, tanto que a maioria das pessoas acredita que o desenho veio primeiro. O desenho, porém, não é fiel aos quadrinhos, sendo muito mais infantil, e com várias diferenças na história. Splinter, por exemplo, é o próprio Yoshi, que, depois de ser traído por Oroku Saki e expulso de seu clã, viaja para os EUA e passa a morar nos esgotos, onde encontra as quatro tartarugas, derrubadas acidentalmente por seu dono nos esgotos. Um dia, uma estranha substância atinge os quatro, transformando as tartarugas em seres humanóides, e Yoshi em um rato humanóide. Outra diferença é que o Destruidor, ao invés de ser um chefão do crime organizado, é uma espécie de supervilão, aliado de Krang, um alienígena que planeja dominar o mundo com sua tecnologia avançada, e usa como fortaleza um enorme tanque chamado Tecnódromo. Os soldados do Clã do Pé sequer são ninja, mas robôs criados pela tecnologia de Krang. Uma mudança menor, mas sempre notada pelos fãs mais puristas, é que no desenho cada tartaruga tem faixas de uma cor (azul, roxo, vermelho e laranja), enquanto nas poucas ilustrações coloridas dos quadrinhos, todas têm faixas vermelhas. Além de tudo isso, o desenho ainda traz muitos personagens novos, a maioria buscando torná-lo mais cômico, como os vilões Bebop (javali) e Rocksteady (rinoceronte), e os repórteres Irma e Vernon.
O sucesso do desenho também levou à produção de três filmes. O primeiro, As Tartarugas Ninja, foi lançado em 1990, com marionetes criadas pelo mago dos bonecos Jim Henson. O enredo deste filme é muito mais fiel aos quadrinhos, sendo uma adaptação quase literal da primeira saga. O segundo filme, As Tartarugas Ninja 2: O Segredo do Ooze, de 1991, foi mais no estilo do desenho, com um clima mais light e cômico. Isso se deveu principalmente a reclamações dos pais americanos, que acharam o primeiro filme muito violento - neste filme, exceto por Donatello, nenhuma das Tartarugas usa suas armas. Mesmo sendo parcialmente inspirado no desenho, Eastman e Laird se recusaram a colocar Bebop e Rocksteady no filme, criando dois novos vilões para o seu lugar. O terceiro e último filme, As Tartarugas Ninja 3, foi lançado em 1993, e trouxe mais uma adaptação dos quadrinhos, em uma história onde as Tartarugas viajam no tempo até o Japão feudal para salvar April, que foi parar lá por acidente. Como as Tartarugas voltaram a usar suas armas, e haviam muitas batalhas, os estúdios Henson se recusaram a fazer os bonecos do filme, alegando que ele era violento e inapropriado para crianças. A produção então passou aos estúdios All Creature Effects.
O primeiro World Heroes foi lançado em 1992, para arcades e Neo Geo, ganhando mais tarde versões para Super Nintendo e Mega Drive. Produzido pela ADK, uma empresa então nova no ramo (as versões caseiras eram feitas pela Takara), o jogo podia ser definido como um clone descarado de Street Fighter 2, onde oito lutadores, cada um com seus golpes especiais, participavam de um torneio, buscando derrotar o último chefe e se tornar o campeão do mundo. As semelhanças eram tantas que existiam até mesmo dois lutadores rivais com os mesmos golpes, e apenas uma lutadora mulher. Diferentemente de Street Fighter, porém, só havia um chefe - mas esse deve ter sido copiado do Mortal Kombat, pois tinha a habilidade de se transformar por um curto período de tempo em qualquer um dos lutadores do jogo. À história de WH1 podia ser dado um crédito extra pela imaginação: o ano é 3091, e um alienígena veio até o planeta Terra para subjugar a raça humana e dominar a todos. Tendo estudado as armas da Terra durante anos, ele desenvolveu defesas a todas elas, o que torna a tecnologia da época inútil. Para combatê-lo, um cientista decide usar uma máquina do tempo e reunir oito campeões de diferentes eras. Incapazes de agir em conjunto, e não querendo admitir que um deles era superior aos demais, os campeões decidiram se enfrentar mutuamente, até que o vencedor desta peleja teria o direito de confrontar o alienígena em pessoa. Bobo, eu sei, mas jogos de porrada não eram exatamente conhecidos por ter um enredo profundo. Nem Street Fighter tinha uma história coerente, só muito depois de seu lançamento é que resolveram inventar uma razão praquela gente toda se pegar na porrada.
Em 1994, a ADK decidiu lançar uma nova versão de World Heroes. Embora esta fosse mais diferente de WH2 do que WH2 era de WH1, eles optaram por não chamá-la de WH3, mas de World Heroes 2 Jet. WH2Jet foi lançado primeiro para arcades e Neo Geo, depois ganhou uma inusitada versão para Game Boy. WH2Jet é muito pior do que os jogos anteriores. Para começar, não existem as Deathmatches, o que era praticamente uma marca registrada da série. No lugar, colocaram o estranho modo "Vs. World Heroes", onde você só enfrenta quatro personagens aleatórios em lutas de três rounds, e nem tem final. Ainda por cima, o "jogo normal" se desenvolve em um modo de torneio, onde você enfrenta os oponentes sempre na mesma ordem, sendo os 12 primeiros em lutas de um round, e os cinco últimos em lutas de três rounds. Mas talvez o pior seja que cada personagem não tem mais seu próprio cenário, com as lutas acontecendo em cenários de ordem fixa, ou seja, quem não conseguir ir muito longe no jogo vai ficar vendo sempre os mesmos cenários. WH2Jet traz dois personagens novos, Ryofu, um guerreiro chinês inspirado no lendário guerreiro Lu Bu; e Jack, um punk inglês com uma luva de Freddy Krueger, inspirado no estripador homônimo; e só tem um chefe, um homem enorme chamado Zeus. WH2Jet se passa cronologicamente depois de WH2, e Zeus resolve organizar o torneio para provar que é o lutador mais forte de todos os tempos, derrotando os campeões de diversas eras.
Ok, Schwarzenegger não é um "oh-meu-Deus-que-ator-fantástico", mas é o meu ator preferido. O único capaz de me fazer assistir a um filme só porque seu nome está nos créditos (Zhang Ziyi aos poucos também está conseguindo esta proeza). O único cujo toda filmografia eu assisti. Bem, quase toda, ainda faltam dois filmes. Enfim, eu adoro Schwarzenegger, adoro seus filmes, e o post de hoje é sobre ele.