domingo, 29 de janeiro de 2006

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Tartarugas Ninja (II)

Semana passada eu escrevi um post sobre as Tartarugas Ninja, motivado pela lembrança de seus jogos de videogame. Acontece que, naquele post, eu falei de quadrinhos, desenhos, filmes e seriados das Tartarugas, mas não falei uma única palavra sobre os tais jogos. Como eu ando meio sem assunto mesmo, tragam outra rodada de pizza, pois hoje será o dia de falar sobre os games das Tartarugas Ninja!

TMNT (Arcade)Na minha opinião, os games clássicos das Tartarugas Ninja estão entre as mais bem sucedidas adaptações de personagens de outros meios. Na época do NES e do SNES, quando alguém lançava um game baseado em filmes, quadrinhos ou desenhos animados, podíamos ter certeza de que era uma bomba, ou que, no mínimo, tinha pouco a ver com sua fonte. Produzidos pela Konami, os games das Tartarugas, porém (talvez com a exceção da série Tournament Fighters), eram divertidos, e traziam todos os personagens principais do desenho. Um prato cheio para os fãs.

Se bem que o primeiro deles, Teenage Mutant Ninja Turtles, de 1989, para NES (lançado nos EUA pela Ultra Games) e PC, é uma exceção. Trata-se de um jogo de plataforma dificílimo, quase impossível, onde o objetivo é guiar as Tartarugas por cinco missões. Você pode alternar entre as Tartarugas à vontade, mas cada uma delas atua como uma "vida", ou seja, se as quatro morrerem, é Game Over. Cada Tartaruga pode usar suas armas características, e durante as fases você encontra armas de uso limitado, como shurikens, bumerangues e técnicas ninja, além de pizza para recuperar energia. Sua primeira missão será derrotar Bebop e Rocksteady para salvar April O'Neil; a segunda envolve desarmar bombas, em uma represa que representa o fim do jogo para quase todos os jogadores; na terceira missão você deverá derrotar uma Tartaruga-robô para salvar o Mestre Splinter; na quarta o objetivo é recuperar o dirigível das Tartarugas, derrotando um Mouser gigante; e, finalmente, na última missão as Tartarugas invadem o Tecnódromo e enfrentam o Destruidor.

Felizmente, a série não começou apenas com este desastre. No mesmo ano de 1989, foi lançado um Teenage Mutant Ninja Turtles para arcades, no estilo "porrada com fase". A história não ia muito além das Tartarugas tendo que combater seus tradicionais inimigos para salvar April e, mais tarde, Mestre Splinter. Até quatro jogadores podiam controlar as Tartarugas simultaneamente, ao longo de sete coloridas fases que transmitiam bem o clima do desenho. A primeira fase se passava no apartamento de April em chamas, e o chefe era Rocksteady; a segunda nas ruas de Nova Iorque, onde o chefe era Bebop; na terceira, nos esgotos, o cientista Baxter Stockman atacava; a quarta fase era em uma espécie de garagem, onde Bebop e Rocksteady atacavam juntos; a quinta fase era uma espécie de bônus, em uma rodovia onde as Tartarugas andavam de skate; a ação voltava a pé na sexta fase, uma fábrica, onde o chefe era o monstro de pedra Granitor; e, finalmente, na última fase, as Tartarugas mais uma vez invadiam o Tecnódromo, onde enfrentavam o General Tragg, Krang e o Destruidor.

TMNT 2: The Arcade GameCom gráficos excelentes para a época, o jogo arrebatou uma legião de fãs, e acabou adaptado para NES e PC em 1990, com o nome de Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Arcade Game, novamente lançado nos EUA pela Ultra Games. Os gráficos da versão NES, evidentemente, eram muito inferiores à da versão arcade, e apenas duas tartarugas podiam estar na tela ao mesmo tempo. Para compensar, foram introduzidas duas novas fase, uma entre a terceira e a quarta, em um parque cheio de neve, onde o chefe era o cachorro Tora; e uma imediatamente antes do Tecnódromo, em uma academia ninja, onde o chefe era um samurai de nome Shogun. Além disso, Bebop e Rocksteady deixaram de ser os chefes da quarta (agora quinta) fase, substituídos por Baxter Stockman transformado em mosca. Mesmo com todas estas mudanças, o jogo foi um dos mais vendidos da história do NES, e definiu o estilo "porrada com fase" como o predominante em todos os jogos seguintes das Tartarugas.

Como acontecia na época com todos os jogos lançados para o NES, as Tartarugas também ganharam uma versão para Game Boy, em 1990, chamada Teenage Mutant Ninja Turtles: Fall of the Foot Clan, mais uma vez lançado nos EUA pela Ultra Games. Os gráficos eram meio feios, grandes demais e em preto e branco; o jogo era bastante curto;, apenas um jogador podia jogar de cada vez, escolhendo uma das quatro Tartarugas; e trazia três joguinhos secretos, todos envolvendo raciocínio. Em outras palavras, não era exatamente um best seller. Durante cinco curtas fases, as Tartarugas enfrentariam Rocksteady na cidade, Bebop em uma espécie de fábrica, Baxter Stockman em um estacionamento de caminhões, o Destruidor em uma espécie de floresta, e Krang no Tecnódromo, tudo para, mais uma vez, salvar April.

Talvez para tentar se redimir, a Konami começou 1991 lançando mais um jogo de Game Boy, Teenage Mutant Ninja Turtles: Back from the Sewers. Os gráficos e a música deram uma melhorada, mas ainda eram inferiores aos de alguns jogos da época. Mais uma vez, um único jogador escolhia uma das Tartarugas e partia para derrotar o Destruidor e salvar seus amigos. O jogo tinha 6 fases, sendo a primeira nos esgotos e ruas de Nova Iorque, onde o chefe era Rocksteady; a segunda em uma rodovia, com Bebop como chefe; a terceira em um prédio em construção, onde o chefe era Krang; a quarta nos subterrâneos, com um Monstro-Pizza como subchefe, e onde ocorria o primeiro combate contra o Destruidor; a quinta em uma torre, com Baxter Stockman como subchefe e Granitor como chefe; e, finalmente, o Tecnódromo, onde a batalha seria contra o Super Destruidor e contra Krang. O jogo tinha dois modos de dificuldade, e muitas mudanças ocorriam nas fases dependendo de qual você escolhesse.

TMNT: Fall of the Foot Clan1991 também foi o ano de lançamento de mais um jogo das Tartarugas para NES, Teenage Mutant Ninja Turtles III: The Manhattan Project (também lançado para PC, mas com o subtítulo The Manhattan Missions), que buscava manter o clima e repetir o sucesso do anterior, algo que provavelmente só não foi alcançado porque o jogo já não era novidade. Mais uma vez cada jogador podia escolher uma Tartaruga, que metia a porrada nos vilões ao longo de 8 fases, com uma missão inusitada: salvar a ilha de Manhattan, que fora arrancada do solo pelo Destruidor. Pela primeira vez, as Tartarugas contavam com ataques especiais, superpoderosos e que consumiam parte de sua energia, bastando apertar os dois botões simultaneamente. Também era possível um jogador meter a porrada no outro no modo para dois jogadores, mas esta função podia ser desabilitada. Ao longo das fases, as Tartarugas passariam por uma praia, onde enfrentariam mais uma vez Rocksteady; uma divertida fase onde as Tartarugas surfam no mar, cujo chefe é o touro Groundchuck; a ponte de Manhattan, onde os chefes são a tartaruga Slash e depois Bebop; a ilha de Manhattan, flutuando no céu, onde o rato Dirtbag é o chefe; os esgotos, onde o suchefe é um Mouser gigante, e o chefe é o jacaré Leatherhead; o Tecnódromo, onde serão enfrentados o lobo Rahzar e o Destruidor; uma espécie de elevador, onde o chefe é a tartaruga Tokka; e finalmente uma fase enorme em uma nave, onde há mais um Mouser gigante, Krang, e o Super Destruidor.

Finalmente, em 1991 foi lançado o segundo jogo de arcade das Tartarugas, Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time. Mais uma vez os gráficos excelentes e a possibilidade de jogar com quatro tartarugas ao mesmo tempo fizeram do jogo um grande sucesso. Após Krang seqüestrar a Estátua da Liberdade, as Tartarugas são atraídas para uma armadilha, onde se utilizando de um antigo artefato, o Destruidor as manda em uma viagem pelo tempo. Cabe agora aos heróis enfrentar vários perigos buscando retornar ao presente, passando por 9 fases. A primeira fase é na ponte de Manhattan, onde o chefe é Baxter Stockman transformado em mosca; em seguida vêm as ruas da cidade, onde o chefe é a tartaruga-robô Metalhead; e uma fase onde as Tartarugas surfam nos esgotos, sem chefe. Então o Destruidor as manda para a Pré-História, onde deverão enfrentar Slash; um navio pirata, onde os chefes são Tokka e Rahzar; um trem no Velho Oeste, cujo chefe é Leatherhead; uma fase futurista onde as Tartarugas têm pranchas voadoras, e o chefe é Krang; uma base espacial, onde Krang é enfrentado de novo, desta vez usando um pequeno disco voador; e o Tecnódromo, onde o último chefe é o Destruidor. As Tartarugas mantiveram seus ataques especiais de TMNT3, e agora também podiam agarrar soldados do Clã do Pé e jogá-los contra outros inimigos ou "contra a tela", na direção do jogador.

Assim como aconteceu com o primeiro jogo de arcade, o segundo também ganhou uma versão caseira, desta vez para o Super Nintendo, sob o nome de Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time, em 1992. Esta versão também tinha algumas diferenças em relação à original, como a ausência de cut scenes entre as fases, o Rei Rato como chefe da terceira fase, Bebop e Rocksteady substituindo Tokka e Rahzar na fase do navio pirata, e a inclusão de uma fase inteira, no Tecnódromo, logo após a fase dos esgotos, antes da fase da Pré-História. Nesta fase, Tokka e Rahzar são subchefes, e o Destruidor é o chefe, em uma batalha onde a única forma de atingi-lo é jogando soldados do Clã do Pé contra ele. Além disso, o último chefe da versão SNES é o Super Destruidor, com ataques diferentes do Destruidor da versão arcade. Evidentemente, apenas dois jogadores podiam jogar ao mesmo tempo, e não quatro como no arcade.

TMNT 4: Turtles in TimeEm 1992 também seria lançado o primeiro jogo das Tartarugas para um console da Sega, Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist, para Mega Drive, onde o Destruidor usa a tal Hyperstone para encolher Manhattan e seqüestrá-la. Este jogo é uma curiosa mistura dos gráficos de TMNT4 com a história de TMNT3. Dois jogadores podiam escolher suas Tartarugas e enfrentar cinco fases para salvar Manhattan, passando pelos esgotos, onde enfrentariam Letherhead; um navio fantasma, onde o chefe é Rocksteady; uma academia ninja, cujo chefe é o mestre ninja Tatsu; uma estranha caverna onde os três chefes anteriores são subchefes, e o chefe final é Baxter Stockman; e o Tecnódromo, onde o subchefe é Krang e o último chefe é o Super Destruidor. Este jogo passa a impressão de ter sido feito às pressas, tão às pressas que esqueceram de colocar Bebop nele.

O último jogo das Tartarugas para Game Boy, Teenage Mutant Ninja Turtles: Radical Rescue, seria lançado em 1993. Este é um dos mais complexos jogos da série, onde cada Tartaruga tem um poder especial (Michelangelo pode planar girando seus nunchaku como hélices; Donatello escala paredes; Leonardo cava buracos em determinados lugares; e Raphael pode entrar em seu casco e alcançar lugares antes inatingíveis), uma pizza pode ser "armazenada" para recuperar sua energia em momentos críticos; cartões de acesso precisam ser encontrados para liberar determinados locais nas fases; e existem até passwords, para você recomeçar o jogo de onde parou. Mas o mais inusitado é que três das Tartarugas foram seqüestradas, só restando Michelangelo, que é o único com o qual você pode jogar no início do jogo, até salvar os demais. Após salvá-los, você pode alternar entre as Tartarugas que tiver livremente, para fazer melhor uso de suas habilidades. No total, o jogo tem oito fases, divididas em 80 salas, todas ao longo do que parece ser uma base no meio de uma floresta. É possível voltar a salas pelas quais você já passou, para encontrar novos itens. O primeiro chefe do jogo é o gato Scratch, e com a chave obtida com ele, você pode salvar Leonardo; derrotando Dirtbag, você ganha a chave que salva Raphael; e a chave para salvar Donatello está com o dinossauro Triceraton. Existe ainda uma quarta chave, em poder da cobra Scale Tail, que permite que você salve o Mestre Splinter, apesar de não pode jogar com ele. Depois disso, você ainda terá de enfrentar estes quatro chefes de novo, até alcançar o Destruidor, que após derrotado se transforma em Super Destruidor, e terminar o jogo.

1993 também foi o ano de lançamento de três versões de Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters, para NES, SNES e Mega Drive. Diferentemente dos demais jogos da série, estes eram jogos de luta, no estilo Street Fighter, sem fases. Os três jogos eram completamente diferentes uns dos outros - sendo o do SNES o melhorzinho - mas todos tinham a opção de jogar no "modo história", onde você só podia escolher dentre as quatro Tartarugas, e enfrentava os oponentes em uma seqüência pré-determinada; ou o "modo torneio", onde mais personagens podiam ser selecionados, e enfrentavam uns aos outros em uma espécie de torneio. Apesar da versão SNES ser a melhor em termos de gráficos e jogabilidade, quase todos os personagens eram desconhecidos, o que deixava o jogo meio sem graça. Podiam ser selecionados Leonardo, Donatello, Raphael, Michelangelo, o Destruidor, o dinossauro War, o morcego Wingnut, o tubarão Armageddon, o robô Chrome Dome e a ninja Aska. Os chefes eram o Rei Rato e o ninja Karai. A versão NES era mais pobrezinha, e trazia apenas sete personagens: as quatro Tartarugas, Casey Jones, o dragão Hot Head, e o Destruidor, que também fazia o papel de último chefe. Mas a mais bizarra era a versão Mega Drive: os gráficos eram feios, e a lista de lutadores trazia as quatro Tartarugas, o Destruidor, Casey Jones, o besouro Sisyphus, a raia Ray Fillet, e ninguém menos que April O'Neil, em trajes sumários, metendo a porrada nos outros como se uma lutadora fosse. Esta versão tinha três chefes: Triceraton, Krang e Karai.

Durante o hiato na carreira das Tartarugas, os jogos também pararam de ser produzidos. Recentemente, foram lançados três jogos baseados no novo desenho animado: Teenage Mutant Ninja Turtles (2003), Teenage Mutant Ninja Turtles 2: Battle Nexus (2004) e Teenage Mutant Ninja Turtles 3: Mutant Rampage (2005), todos para PC, Game Cube, Playstation 2, Xbox e Game Boy Advance (o terceiro também foi lançado para Nintendo DS). Os três são no estilo "porrada com fase", mas, como eu nunca joguei nenhum deles, vou me abster de comentar. O que eu ouvi dizer, porém, é que são ruins. Talvez seja porque são comparados com os antigos. E, assim como acontece com Megaman, comparar os novos com os antigos é sair perdendo feio.
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domingo, 22 de janeiro de 2006

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Tartarugas Ninja (I)

Semana passada, enquanto eu escrevia sobre World Heroes, me lembrava de outros jogos de videogame da época, que eu achava (e continuo achando) muito mais divertidos que os de hoje, apesar de mais simples. Um dos jogos que me veio à mente foi o de arcade das Tartarugas Ninja. Taí uma coisa que eu gosto pra caramba, e sobre a qual eu ainda não tinha falado. Peguem sua pizza, portanto, pois o post de hoje tem força de tartaruga!

TMNT em quadrinhosPouca gente sabe, mas a primeira aparição das Tartarugas não foi no desenho animado que costumava passar nas manhãs da Globo, mas em uma história em quadrinhos, publicada de forma independente em 1984 pelos artistas Kevin Eastman e Peter Laird. Tudo começou meio sem querer em uma tarde, quando ambos estavam buscando novas idéias, e Eastman decidiu desenhar uma tartaruga com bandana, empunhando nunchakus. Ambos acharam o desenho muito engraçado, devido ao contraste entre a velocidade das tartarugas e da arte do ninjitsu, claramente incompatíveis. De tão inusitada, eles decidiram desenvolver a idéia, e acabaram criando uma equipe de quatro tartarugas, cada uma especializada em uma arma oriental.

Graças a uma ajuda financeira do tio de Eastman, os dois amigos conseguiram imprimir 3000 cópias de Eastman and Laird's Teenage Mutant Ninja Turtles, em formato magazine (do tamanho da Caras, por exemplo), em preto-e-branco e papel de jornal. Não se tratava de uma história "séria", mas de uma grande sátira aos super-heróis da época, principalmente aos Novos Mutantes e ao Demolidor. No enredo, após um acidente com material radioativo que deixaria um menino cego (sim, a origem do Demolidor), tal material radioativo atingiria quatro tartarugas, que estavam sendo levadas em uma caixa por outro menino. Com o susto, este menino deixa cair as pobres tartarugas no esgoto. Paralelamente a isso, um mestre ninja de nome Hamato Yoshi imigra do Japão para os EUA, pois se envolvera em um triângulo amoroso que culminara com a morte de seu amigo Oroku Nagi. Yoshi tem um rato de estimação, de nome Splinter, que aprendeu ninjitsu imitando-o durante seus treinamentos. Oroku Saki, o maligno irmão de Nagi, porém, segue Yoshi atrás de vingança, e o mata. Splinter, entregue à própria sorte, foge para os esgotos, onde encontra as tartarugas e o material radioativo. Os cinco animais então são afetados, assumindo forma antropomórfica e obtendo a capacidade de falar.

Splinter, sendo um mestre do ninjitsu, decide adotar as quatro tartarugas como seus pupilos, e treiná-las para que um dia se vinguem de Saki, que assumiu o pseudônimo de Destruidor, e agora comanda o submundo de Nova Iorque, graças a seus subordinados do Clã do Pé (uma sátira ao Tentáculo, clã ninja inimigo do Demolidor, cujo nome em inglês é hand, "mão"). Para batizar seus "filhos", ele escolhe nomes de grandes artistas da Renascença, Leonardo, Donatello, Raphael e Michelangelo. Splinter também decide que cada um se especializará em uma arma (katana, bo, sai e nunchaku, respectivamente) para maximizar suas habilidades como equipe.

Eastman e Laird levaram sua recém-criada história a uma convenção de quadrinhos em New Hampshire, onde toda a tiragem se esgotou rapidamente, fazendo das Tartarugas um sucesso instantâneo, que atraiu o interesse da Mirage Studios, com a qual eles fecharam contrato para uma série regular, ainda em preto-e-branco. Nesta série, novos personagens foram introduzidos, como a repórter April O'Neil, o vigilante Casey Jones, o cientista Baxter Stockman, e a raça alienígena Ultrom. Após algum tempo, as Tartarugas conseguiram matar o Destruidor, mas, graças a um ritual místico, ele retornou dos mortos, e continuou sendo seu grande inimigo até a edição 11, onde foi decapitado por Leonardo. Nesta época, as Tartarugas já eram um grande fenômeno, com milhares de produtos associados, e seus criadores, não conseguindo mais cuidar da revista, chamavam "artistas convidados" para fazer as histórias, o que acabou quebrando a continuidade. Somente na edição 50 a continuidade foi reestabelecida, quando os autores originais reassumiram o comando e começaram uma nova saga, que duraria até o último número da revista, o 62, de 1993. Dois meses depois foi lançada uma nova série, totalmente em cores, que ficou conhecida como Volume 2. Esta série só durou 13 edições, sendo cancelada em 1995 devido à baixa vendagem. Em 1996 o artista Erik Larsen assumiu a produção dos quadrinhos, lançando o que seria conhecido como Volume 3, pela Image Comics, novamente em preto-e-branco. Modificações arriscadas nos personagens (Leonardo perdeu uma das mãos e Donatello foi transformado em ciborgue, por exemplo), levaram à ira dos fãs, e ao cancelamento da revista após 23 edições, em 1999. Os eventos do Volume 3 não são considerados oficiais na cronologia das Tartarugas.

TMNT em desenhoPois bem, quando o "Volume 1" estava no auge de seu sucesso, Eastman e Laird receberam uma proposta dos estúdios Murakami-Wolf-Swenson, para transformar a série em um desenho animado. Tendo estreado em dezembro de 1987, o desenho das Tartarugas Ninja se tornou um dos maiores sucessos da década de 80 e início da de 90, tanto que a maioria das pessoas acredita que o desenho veio primeiro. O desenho, porém, não é fiel aos quadrinhos, sendo muito mais infantil, e com várias diferenças na história. Splinter, por exemplo, é o próprio Yoshi, que, depois de ser traído por Oroku Saki e expulso de seu clã, viaja para os EUA e passa a morar nos esgotos, onde encontra as quatro tartarugas, derrubadas acidentalmente por seu dono nos esgotos. Um dia, uma estranha substância atinge os quatro, transformando as tartarugas em seres humanóides, e Yoshi em um rato humanóide. Outra diferença é que o Destruidor, ao invés de ser um chefão do crime organizado, é uma espécie de supervilão, aliado de Krang, um alienígena que planeja dominar o mundo com sua tecnologia avançada, e usa como fortaleza um enorme tanque chamado Tecnódromo. Os soldados do Clã do Pé sequer são ninja, mas robôs criados pela tecnologia de Krang. Uma mudança menor, mas sempre notada pelos fãs mais puristas, é que no desenho cada tartaruga tem faixas de uma cor (azul, roxo, vermelho e laranja), enquanto nas poucas ilustrações coloridas dos quadrinhos, todas têm faixas vermelhas. Além de tudo isso, o desenho ainda traz muitos personagens novos, a maioria buscando torná-lo mais cômico, como os vilões Bebop (javali) e Rocksteady (rinoceronte), e os repórteres Irma e Vernon.

O desenho das Tartarugas conseguiu a proeza de ficar no ar por dez temporadas, até 1996, com 193 episódios. Ainda assim, o que acontece no desenho não é considerado oficial pela Mirage Studios, e Eastman e Laird nunca utilizaram nenhum dos personagens criados especialmente para o desenho em nenhum de seus trabalhos. Porém, a enorme maioria do merchandising das Tartarugas, como os jogos de videogame, é associado ao desenho e, contraditoriamente, os fãs do desenho consideram apenas o desenho como oficial, ignorando os quadrinhos. Pensando nestes fãs, a Archie Comics lançou uma série em quadrinhos com traços e histórias parecidas com a do desenho, que durou de 1988 a 1995.

TMNT em filmeO sucesso do desenho também levou à produção de três filmes. O primeiro, As Tartarugas Ninja, foi lançado em 1990, com marionetes criadas pelo mago dos bonecos Jim Henson. O enredo deste filme é muito mais fiel aos quadrinhos, sendo uma adaptação quase literal da primeira saga. O segundo filme, As Tartarugas Ninja 2: O Segredo do Ooze, de 1991, foi mais no estilo do desenho, com um clima mais light e cômico. Isso se deveu principalmente a reclamações dos pais americanos, que acharam o primeiro filme muito violento - neste filme, exceto por Donatello, nenhuma das Tartarugas usa suas armas. Mesmo sendo parcialmente inspirado no desenho, Eastman e Laird se recusaram a colocar Bebop e Rocksteady no filme, criando dois novos vilões para o seu lugar. O terceiro e último filme, As Tartarugas Ninja 3, foi lançado em 1993, e trouxe mais uma adaptação dos quadrinhos, em uma história onde as Tartarugas viajam no tempo até o Japão feudal para salvar April, que foi parar lá por acidente. Como as Tartarugas voltaram a usar suas armas, e haviam muitas batalhas, os estúdios Henson se recusaram a fazer os bonecos do filme, alegando que ele era violento e inapropriado para crianças. A produção então passou aos estúdios All Creature Effects.

A All Creature Effects ainda trabalharia em um novo projeto das Tartarugas, uma série live action chamada As Tartarugas Ninja: a Nova Mutação, lançada em 1997. A série começava exatamente onde o terceiro filme parou, e introduzia um novo personagem, uma tartaruga mutante fêmea chamada Vênus de Milo. Devido à baixa audiência, esta série foi cancelada após uma única temporada. Antes disso, bizarramente, as Tartarugas tiveram um crossover com os Power Rangers durante alguns episódios da série Power Rangers no Espaço.

Em 2001, Peter Laird decidiu tentar um revival das Tartarugas, primeiro com uma nova série em quadrinhos, conhecida como Volume 4, de volta pela Mirage Studios. Esta série é bimestral, e começa 15 anos após onde o Volume 2 parou, ignorando o Volume 3. Em 2004 também foi lançada uma segunda revista, Tales of the TMNT, que conta o que aconteceu durante estes 15 anos. Tales of the TMNT, aliás, também foi o nome de uma minissérie em quadrinhos, lançada em 1987, com sete edições.

O sucesso do Volume 4 levou à produção de um novo desenho animado, desta vez pela Fox. Este desenho é muito mais fiel aos quadrinhos, tendo um clima mais adulto, mas ainda assim amenizado para poder ser assistido por crianças. O desenho estreou em 2003, acompanhado de uma minissérie em quadrinhos de sete edições publicada pela Dreamweave Comics, e atualmente está em produção sua quarta temporada. Devido a modificações feitas na personalidade das Tartarugas, na origem do Destruidor (que agora é um Ultrom) e à ausência de personagens como Bebop e Rocksteady, raramente os fãs do primeiro desenho gostam também deste novo, embora este já tenha conseguido uma grande quantidade de fãs, muitos deles fãs dos quadrinhos que não gostavam do primeiro desenho por considerá-lo infantil. Todo o merchandising lançado após a estréia da nova série é relacionado a ela, como os três mais recentes jogos de videogame. Também está sendo produzido um novo filme baseado nesta nova série, onde as Tartarugas serão personagens digitais.

Para finalizar, uma curiosidade: Na Grã-Bretanha, até o ano 2000, as Tartarugas eram conhecidas como Teenage Mutant Hero Turtles, pois uma lei proibia várias palavras de figurar em produtos para crianças - e, por alguma razão, "ninja" estava entre elas.
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domingo, 15 de janeiro de 2006

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World Heroes

Quando Street Fighter 2 começou a fazer sucesso, obviamente começaram a copiá-lo. Fatal Fury, Mortal Kombat, Samurai Shodown, todo mundo queria enfiar os dentes em um pedaço do bolo. Alguns, como Mortal Kombat, conseguiram, e se tornaram talvez mais populares que o próprio Street Fighter. Outros, como Breakers Revenge, caíram em um poço de obscuridade tão profundo que hoje em dia são poucos os que sabem do que se trata. Mas a maioria ficou em um nível intermediário, não atraindo legiões de fãs, mas sendo lembrados pelos que freqüentavam os fliperamas na década de 90. Dentre estes está um jogo que comeu muito dinheiro meu, mas em compensação me proporcionou muitas horas de diversão: World Heroes, o tema do post de hoje.

O primeiro World Heroes foi lançado em 1992, para arcades e Neo Geo, ganhando mais tarde versões para Super Nintendo e Mega Drive. Produzido pela ADK, uma empresa então nova no ramo (as versões caseiras eram feitas pela Takara), o jogo podia ser definido como um clone descarado de Street Fighter 2, onde oito lutadores, cada um com seus golpes especiais, participavam de um torneio, buscando derrotar o último chefe e se tornar o campeão do mundo. As semelhanças eram tantas que existiam até mesmo dois lutadores rivais com os mesmos golpes, e apenas uma lutadora mulher. Diferentemente de Street Fighter, porém, só havia um chefe - mas esse deve ter sido copiado do Mortal Kombat, pois tinha a habilidade de se transformar por um curto período de tempo em qualquer um dos lutadores do jogo. À história de WH1 podia ser dado um crédito extra pela imaginação: o ano é 3091, e um alienígena veio até o planeta Terra para subjugar a raça humana e dominar a todos. Tendo estudado as armas da Terra durante anos, ele desenvolveu defesas a todas elas, o que torna a tecnologia da época inútil. Para combatê-lo, um cientista decide usar uma máquina do tempo e reunir oito campeões de diferentes eras. Incapazes de agir em conjunto, e não querendo admitir que um deles era superior aos demais, os campeões decidiram se enfrentar mutuamente, até que o vencedor desta peleja teria o direito de confrontar o alienígena em pessoa. Bobo, eu sei, mas jogos de porrada não eram exatamente conhecidos por ter um enredo profundo. Nem Street Fighter tinha uma história coerente, só muito depois de seu lançamento é que resolveram inventar uma razão praquela gente toda se pegar na porrada.

Além da história, WH1 inovou em três outros aspectos: o jogo tinha gráficos mais cartunescos (diferentes dos gráficos "sérios" de todos os jogos do estilo até então); seus lutadores tinham a capacidade de "devolver magia", ou seja, se um oponente tivesse a audácia de disparar um projétil em sua direção, defendendo no tempo certo você mandava o tal projétil de volta na direção dele, causando o mesmo dano, se acertasse, que ele causaria em você (como nota, essa habilidade causaria um terrível estrago em um jogo como King of Fighters); e, por último mas não menos importante, ao iniciar o jogo você poderia escolher entre lutar de forma normal ou em Deathmatches. No modo Deathmatch, cada luta tinha apenas um round, e ambos os lutadores compartilhavam uma única barra de energia, onde um lado aumentava enquanto o outro diminuía, ou seja, quanto mais porrada você aplicava no oponente, mais energia você ganhava. Mas o modo Deathmatch não tinha esse nome só por isso: cada cenário tinha armadilhas, desde bombas e espinhos até cercas eletrificadas e serras, onde você podia jogar seu oponente para causar mais dano. Jogar no modo Deathmatch era muito mais difícil, mas muito mais divertido.

Pois bem, então os lutadores de World Heroes eram personagens históricos, certo? Bem, mais ou menos. Por alguma razão (talvez por evitar problemas com direitos de imagem), os lutadores de World Heroes eram inspirados em personagens históricos, mas eram fictícios per se. Os oito lutadores à disposição do público eram Hanzou, um ninja japonês inspirado em Hattori Hanzo, líder do lendário clã Iga; Fuuma, também ninja, inspirado em Kotaro Fuuma, líder do clã Fuuma, arquirrival do clã Iga; J. Carn, soldado mongol inspirado em Gengis Kahn; Dragon, lutador chinês inspirado em Bruce Lee; Muscle Power, campeão de luta livre norte-americano, inspirado no lutador real Hulk Hogan; Brocken, ciborgue alemão com um visual meio SS; Rasputin, o famoso feiticeiro russo, aqui em uma versão mais miguxinha; e Janne, espadachim francesa inspirada em Joana d'Arc.

O vilão atende pelo nome de Geegus, e, se eu tivesse que arriscar em quem ele foi inspirado, diria que foi no T-1000 de O Exterminador do Futuro 2. Como já foi dito, ele tem a habilidade de se tranformar em qualquer um dos outros oito, mas é um chefe bem menos difícil que Shang Tsung.

Mas eu só joguei WH1 na versão SNES, e depois que já conhecia WH2. Lançado em 1993, primeiro para arcades e Neo Geo, depois para Super Nintendo, World Heroes 2 não era bem uma seqüência, sendo melhor definido como um upgrade do primeiro, já que a história é absolutamente a mesma. Agora haviam dois chefes, porém, e seis lutadores novos se uniram aos já existentes. Os gráficos foram melhorados, foram acrescentadas novas Deathmatches, e as músicas são as melhores que eu já ouvi em um jogo de porrada. Foi jogando WH2 e gastando muito dinheiro até zerá-lo que eu me tornei fã da série. Os quatro lutadores novos de WH2 eram Shura, um kickboxer tailandês, inspirado no lutador real Naikanom Tom; Ryoko, uma judoca japonesa, inspirada na judoca real Ryoko Tani; Captain Kidd, um pirata inspirado no pirata real William Kidd; Erik, o viking, em versão mais rechonchuda; J. Max, jogador de futebol americano inspirado no famoso quarterback Joe Montana; e Mudman, um feiticeiro da Papua Nove Guiné, não inspirado em ninguém famoso, mas talvez o personagem mais cômico do jogo. A Geegus, que foi rebaixado a subchefe, se uniu Dio, o novo último chefe, um alienígena de aparência metálica e cabeluda. Dio não tinha a habilidade de se transformar nos outros, mas tinha golpes bem poderosos, o que o transformava em um último chefe bem difícil.

Em 1994, a ADK decidiu lançar uma nova versão de World Heroes. Embora esta fosse mais diferente de WH2 do que WH2 era de WH1, eles optaram por não chamá-la de WH3, mas de World Heroes 2 Jet. WH2Jet foi lançado primeiro para arcades e Neo Geo, depois ganhou uma inusitada versão para Game Boy. WH2Jet é muito pior do que os jogos anteriores. Para começar, não existem as Deathmatches, o que era praticamente uma marca registrada da série. No lugar, colocaram o estranho modo "Vs. World Heroes", onde você só enfrenta quatro personagens aleatórios em lutas de três rounds, e nem tem final. Ainda por cima, o "jogo normal" se desenvolve em um modo de torneio, onde você enfrenta os oponentes sempre na mesma ordem, sendo os 12 primeiros em lutas de um round, e os cinco últimos em lutas de três rounds. Mas talvez o pior seja que cada personagem não tem mais seu próprio cenário, com as lutas acontecendo em cenários de ordem fixa, ou seja, quem não conseguir ir muito longe no jogo vai ficar vendo sempre os mesmos cenários. WH2Jet traz dois personagens novos, Ryofu, um guerreiro chinês inspirado no lendário guerreiro Lu Bu; e Jack, um punk inglês com uma luva de Freddy Krueger, inspirado no estripador homônimo; e só tem um chefe, um homem enorme chamado Zeus. WH2Jet se passa cronologicamente depois de WH2, e Zeus resolve organizar o torneio para provar que é o lutador mais forte de todos os tempos, derrotando os campeões de diversas eras.

O último jogo da série foi lançado em 1995, World Heroes Perfect, para arcades, Neo Geo e Sega Saturn. O jogo é idêntico a WH2jet, exceto pelo seguinte: são seis botões (três socos e três chutes) ao invés dos quatro usados até então, novos golpes para todos os lutadores, possibilidade de combos (seqüências rápidas de golpes) e uma barra Hero Gauge, que permite fazer especiais enormes e poderosos quando cheia. Não existem Deathmatches, torneio nem Vs.WH, mas os cenários continuam com ordem fixa, desta vez com as lutas se desenrolando através da História. Não há personagens novos, mas existe um personagem secreto, Gokuu, inspirado no mitológico personagem chinês Son Goku; e dois chefes, uma versão mais forte de Dio, chamada Neo Dio, e Zeus.

Não sei o que aconteceu com a ADK, mas lá se vão mais de dez anos sem nem se falar em World Heroes. Alguns personagens estão cotados para aparecer em Neo Geo Battle Colosseum, um enorme crossover entre vários personagens de vários jogos de Neo Geo. Na minha opinião, o jogo nunca conseguiu se popularizar por decisões equivocadas: WH2 era um ótimo jogo, mas tudo o que fizeram depois só fez piorar. Hoje em dia, de qualquer forma, parece que a onda desse tipo de jogo passou, e um World Heroes 3 não faria muito alarde.
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sábado, 7 de janeiro de 2006

Escrito por em 7.1.06 com 0 comentários

Arnold Schwarzenegger

Durante muito tempo, eu não quis colocar meus atores preferidos no meu perfil ali do lado. Principalmente porque é meio difícil listar quem seriam meus atores preferidos. Para começar, como eu já disse umas duas vezes, não sou o tipo de pessoa que assiste a um filme por causa do elenco. Em segundo lugar, não fico reparando na atuação de quem está no filme, e não costumo reclamar disso, a menos que seja algo bisonho, como um Cigano Igor da vida. Em terceiro lugar, fazer uma lista e incluir a Mariana Ximenes só porque ela é linda, ou a Fernanda Montenegro só porque ela é reconhecidamente uma das maiores atrizes do Brasil não me parecia uma atitude de muita personalidade.

Há algumas semanas, porém, dei uma guaribada no perfil, acrescentando algumas coisas que estavam faltando, tirando outras que já não me agradam tanto assim, e substituindo os autores do tópico livros por nomes de livros mesmo. Afinal, ter gostado de ler Neuromancer e ser um fã de William Gibson são duas coisas bem distintas. Nesta ocasião, decidi acrescentar atores à lista. Optei por só colocar atores internacionais não por renegar minha pátria, mas porque sempre achei meio difícil fazer um bom juízo de atores nacionais - salvo unanimidades como Fernanda Montenegro e Lima Duarte - principalmente porque as redes de TV têm a péssima mania de empurrar pela goela da gente qualquer um mais bonitinho que eles achem que merece fazer sucesso. Bom, mas isso seria tema para um post da época em que o átomo era um blog de auto-ajuda. Voltando à saga da lista dos atores preferidos, decidi escolher seis, três homens e três mulheres, para ficar bem democrático. E, embora eu diga e repita que não tenho atores preferidos, e que não costumo assistir filme pelo elenco, qualquer um que me conhece deve ser capaz de dizer o nome de um ator que com certeza seria o primeiro desta lista. Arnold Schwarzenegger.

Ok, Schwarzenegger não é um "oh-meu-Deus-que-ator-fantástico", mas é o meu ator preferido. O único capaz de me fazer assistir a um filme só porque seu nome está nos créditos (Zhang Ziyi aos poucos também está conseguindo esta proeza). O único cujo toda filmografia eu assisti. Bem, quase toda, ainda faltam dois filmes. Enfim, eu adoro Schwarzenegger, adoro seus filmes, e o post de hoje é sobre ele.

Como todo mundo já deve saber, Arnold Schwarzenegger nasceu na Áustria, na pequenina cidade de Thal, em 30 de julho de 1947, filho de um policial e de uma dona de casa. Seu pai sempre incentivou a ele e a seu irmão mais velho Meinhard a praticarem esportes. Meinhard optou pelo boxe, Arnold, a princípio, pelo futebol, mas aos 15 anos decidiu fazer fisiculturismo. Aos 18 anos ele teve de prestar o Serviço Militar Obrigatório, mas obteve uma licença para participar do concurso de Mr. Europa Junior, o qual venceu com a nota máxima.

No ano seguinte, após deixar o exército, Schwarza se mudou para Munique, onde foi fazer faculdade de Marketing, e recebeu um convite para treinar na academia Putzingger, a mais famosa da Alemanha. Neste ano, ele decidiu concorrer ao título de Mr. Universo, categoria amadora, em Londres, e ficou em segundo lugar. Na ocasião, ele conheceu seu ídolo Reg Park, três vezes campeão do Mr. Universo. Arnold começou a treinar junto com Park, copiando sua rotina de exercícios e sua alimentação e, no ano seguinte, venceu o Mr. Universo, se tornando o campeão mais jovem da história do torneio, com apenas 20 anos. Ele seria bicampeão no ano seguinte, em 1968.

Seu sucesso levou a um convite do ex-campeão Joe Weider para treinar nos EUA e se profissionalizar. Arnold chegou aos EUA com apenas vinte dólares no bolso, acompanhado de seu amigo e também fisiculturista Franco Columbu. Weider decidiu patrociná-lo, dando-lhe um salário e um pequeno apartamento em troca do livre uso de seu nome e imagem em campanhas publicitárias. Graças a esta parceria, Arnold venceu o Mr. Universo amador em 1969 e 1970, e o Mr. Mundo e Mr. Universo profissional em 1970, deixando seu ídolo Park em segundo.

Influenciado por Park, Arnold decidiu tentar uma carreira no cinema, obtendo o papel principal no filme Hércules em Nova Iorque, de 1970. Como seu nome era muito complexo, ele foi creditado como Arnold Strong. E, como seu inglês não era muito bom, Arnold teve de ser dublado depois da conclusão do filme. Após esta incursão pelo mundo do cinema, Schwarza voltou ao fisiculturismo, ganhando o concurso Mr. Olympia seis vezes seguidas, entre 1970 e 1975. Em meio a tanto sucesso, duas notícias tristes: seu irmão Meinhard falaceu em um acidente de carro em 1971, e seu pai, de ataque cardíaco, em 1972. Cansado do fisiculturismo, que considerava não o estar levando a lugar algum, em 1974 Arnold decidiu tomar aulas de interpretação, e arriscar fazer novos filmes. Ninguém queria agenciá-lo, porém, pois seu nome era muito difícil, sua aparência não era adequada para certos papéis, e seu sotaque era muito forte. Nesse meio tempo, Arnold e Columbu decidiram investir o dinheiro que ganharam nos concursos produzindo vídeos e fitas sobre fisiculturismo. A venda destas fitas possibilitaram que eles comprassem um condomínio, o qual puseram para alugar a preços populares. Estes aluguéis levaram à entrada de Arnold e Columbu no mercado imobiliário. Paralelamente a isso, Arnold ainda conseguiu concluir sua faculdade de marketing internacional. Graças a seus negócios, ele nem precisava mais ser ator ou fisiculturista, mas desde jovem ele sempre quis ser famoso, e continuou tentando, até conseguir um bom papel.

Este papel veio em 1976, no filme O Guarda-Costas. Acreditem ou não, Schwarza ganhou o Globo de Ouro de ator revelação por este filme - e este é o único prêmio que ganhou em toda a sua longa carreira. A curiosidade de ser um fisiculturista ganhador do Globo de Ouro levou a um convite para um documentário sobre o fisiculturismo, Pumping Iron, de 1977 (que dizem ter sido lançado em DVD aqui no Brasil como O Homem dos Músculos de Aço). 1977 também foi o ano em que Arnold conheceu sua futura esposa, a jornalista Maria Shriver, sobrinha do ex-Presidente John F. Kennedy, durante uma partida de tênis que ambos assistiam. Reza a lenda que, ao ver Arnold na platéia, Maria pediu a um amigo em comum que os apresentasse, sob pena dela atropelá-lo se não o fizesse. Apesar de absolutamente ninguém achar que o relacionamento daria certo, Arnold e Maria se casaram em 1986, tiveram quatro filhos, e estão muito bem até hoje, sendo considerados um dos casais mais felizes da América.

Schwarza ainda tentaria o papel do Incrível Hulk na série de TV, mas o estúdio preferiu Lou Ferrigno, um de seus rivais na época de fisiculturista. Após dois filmes em que fez papéis de quase figurante, Arnold se irritou com o comentário de um fisiculturista em uma entrevista, e decidiu concorrer mais uma vez a Mr. Olympia em 1980, cinco anos após sua última competição. Para a surpresa de todos, Arnold venceu, se tornando o único homem até então a ganhar o concurso sete vezes.

Talvez esta proeza é que tenha feito a carreira de Arnold deslanchar, pois neste ano ele seria convidado para o papel principal de Conan, o Bárbaro, um grande sucesso lançado em 1982, e que ganhou uma continuação, Conan, o Destruidor, de 1984. Antes mesmo de filmar o segundo Conan, Schwarzenegger participou do filme que o transformaria em uma lenda, O Exterminador do Futuro, também lançado em 1984, dirigido por James Cameron, então um diretor em ascenção. O Exterminador trazia Schwarza no papel de um robô assassino enviado do futuro para matar a mãe do futuro líder da resistência contra o domínio das máquinas, transformou tanto Arnold quanto Cameron em estrelas do primeiro time, e é hoje considerado um marco na história dos filmes de ficção científica. Apesar de tanto sucesso, Schwarza era bombardeado pela crítica, principalmente por seu sotaque e seu talento duvidoso.

Mas os fãs não pareciam se importar, e nem Arnold. Ao invés de variar para provar ser um bom ator, ele escolhia sempre o mesmo papel: o ex-militar que tem que matar meio mundo para salvar a filha em Comando para Matar (1985), um bárbaro quase-Conan em Guerreiros do Fogo (1985), um ex-agente do FBI transformado em xerife de cidade pequena em Jogo Bruto (1986), o militar que enfrenta um alienígena caçador em Predador (1987), o presidiário que tem que lutar por sua vida em um programa de TV em O Sobrevivente (1987), e um detetive russo em missão nos EUA em Inferno Vermelho (1988). Além das armas enormes e violência extrema, os filmes de Arnold tinham um humor que não era comum em filmes de ação, principalmente na forma de frases curtas proferidas pelos personagens que interpretava, algumas atribuídas ao próprio Schwarzenegger.

1988 finalmente traria uma guinada na carreira de Schwarza. Primeiro, ele recusou o papel de John McClane em Duro de Matar (que acabou ficando com Bruce Willis), depois ele optou por fazer a comédia Irmãos Gêmeos. Como os produtores não estavam certos se lançar Arnold como astro de comédia seria uma boa idéia, ele propôs não receber cachê, e ficar só com uma porcentagem sobre a bilheteria. Acabou que o filme foi um sucesso estratosférico, e Arnold ganhou muito mais do que se tivesse recebido durante as filmagens.

Em 1989, a Federação Internacional de Fisiculturismo decidiu homenageá-lo, criando o concurso Arnold Classic, realizado anualmente em Ohio, e rivalizando em popularidade com o Mr. Olympia. Em 1990, Arnold foi escolhido pelo então Presidente Bush como Presidente do Conselho de Bem-Estar Físico e Esportes, com a missão de visitar os 50 estados implementando um programa de esportes para a juventude, missão essa que ele executou de bom grado, por compreender a importância do esporte para os jovens. Aliás, Schwarza é dono de uma fundação que ensina esporte e promove campeonatos entre jovens de comunidades pobres, e já ganhou vários prêmios por esta iniciativa.

Schwarza retornaria à ação ainda em 1990 com o filme mais caro feito até então, O Vingador do Futuro, dirigido por Paul Verhoeven, no qual ele interpreta um agente secreto que tem sua memória apagada. No mesmo ano Arnold voltaria à comédia em Um Tira no Jardim de Infância, onde interpretava um policial que tinha de se disfarçar de professor para capturar um traficante. Em 1991, Arnold e James Cameron se reuniriam novamente para o mega sucesso O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, desta vez com Schwarza no papel do mocinho, tendo que proteger seu antigo alvo de um andróide feito de metal líquido. Mas logo após este grande sucesso viria o primeiro fracasso de sua carreira, O Último Grande Herói, de 1993, onde interpretava um herói de filmes de ação que se encontrava, dentro do filme, com um menino vindo do "mundo real". Antes de seu lançamento, o filme era tido como um grande sucesso, mas, na verdade, foi massacrado pela crítica e ignorado pelo público.

A partir de então, a carreira de Schwarzenegger teria altos e baixos alternados, primeiro com mais um grande sucesso em parceria com James Cameron, True Lies (1994), onde interpretava um agente secreto que de repente tinha sua família envolvida em uma missão; depois um fracasso de público com a comédia Júnior (1994), onde Arnold era um cientista que testava uma nova droga e acabava engravidando (papel que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical); então mais um sucesso em Queima de Arquivo (1996), onde era um agente especial encarregado de proteger uma ex-funcionária de uma corporação envolvida em tráfico de armas; e finalmente um filme apagado, Um Herói de Brinquedo (1996), comédia onde interpreta um pai que tenta deseperadamente comprar de última hora para seu filho no Natal o brinquedo mais popular da história. Depois disso ele esteve no nada memorável Batman e Robin (1997), onde interpretava o vilão Mr. Freeze (ou Sr. Frio, Sr. Gelo, ou qualquer outra coisa ao gosto do freguês). Apesar do filme ter sido um fracasso retumbante, que interrompeu a série do Batman por quase dez anos, a imagem de Schwarzenegger parece não ter sido arranhada.

Em 1997, Schwarzenegger teve de se submeter a uma operação complicadíssima no coração para corrigir um defeito congênito que poderia levá-lo à morte. Tudo correu bem, mas ele terá de operar novamente em 2007, pois optou por utilizar uma válvula feita com tecido de seu próprio corpo - que está sendo lentamente absorvida - ao invés de uma válvula de plástico, que duraria para sempre, mas o impediria de praticar exercícios físicos. Esta operação também levaria Schwarza a processar o tablóide inglês The Globe, que noticiou que ele teve de operar por causa do uso de esteróides anabolizantes, e o médico alemão Willi Heepe, que disse em uma entrevista que ele morreria cedo, de problemas no coração e uso de esteróides, sem jamais tê-lo examinado (para constar, o próprio Arnold admite ter usado anabolizantes quando era fisiculturista, mas afirma ter parado no início da década de 80, quando pesquisas confirmaram que eles faziam mal à saúde). Em 1998, Arnold sofreu mais um baque, quando sua mãe faleceu de causas naturais.

Enquanto Schwarza estava se recuperando, vários rumores sobre seus próximos papéis começaram a surgir, como o de que ele seria o astro da nova versão do Planeta dos Macacos, que finalmente interpretaria um austríaco em um filme de Quantin Tarantino sobre a Segunda Guerra, e até mesmo que ele seria Venom em um filme do Homem-Aranha. Mas seu primeiro filme após a operação foi Fim dos Dias (1999), no qual interpretava um ex-policial que tinha de enfrentar o demônio em pessoa. O filme foi outro fracasso, considerado confuso demais. Seu filme seguinte, O Sexto Dia (2000), onde interpretava um instrutor de vôo clonado por engano e envolvido em uma conspiração, também não foi bem nas bilheterias. Então veio Efeito Colateral (2002), que sofreu de uma incrível falta de sorte: nele, Schwarza interpreta um bombeiro que enfrenta terroristas para vingar a morte de sua família. O filme seria lançado justamente na época do Onze de Setembro e, mesmo com seu lançamento adiado em quase um ano, foi considerado de mau-gosto por grande parte da crítica e do público.

A carreira de Arnold parecia estar indo para o buraco quando surgiu um convite para atuar em O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (2003), desta vez sem James Cameron, mas novamente no papel do mocinho. O filme não foi um sucesso tão grande como os dois anteriores, mas foi o primeiro sucesso de Schwarza em sete anos. Logo após, ele tomou uma decisão surpreendente: iria concorrer a Governador da Califórnia. Desde seus primeiros dias nos EUA, Arnold sempre se interessou por política, tendo se filiado ao Partido Republicano em 1983, quando se naturalizou americano. O impeachment do então Governador Gray Davis abriu caminho para uma eleição especial, apenas para o resto de seu mandato. Arnold venceu esta eleição com 48,6% dos votos. Seu mandato termina em 8 de janeiro de 2007, mas ele já anunciou que vai concorrer à reeleição. Enquanto governa, sua carreira de ator está suspensa, já que ele não pode se comprometer com projetos longos. Ainda assim, ele costuma fazer pequenas participações, como em A Volta ao Mundo em 80 Dias, com Jackie Chan. E já começaram a surgir os rumores dos filmes que fará quando puder filmar novamente, como True Lies 2 e Conan Rei.

Schwarzenegger é um dos meus ídolos, porque teve uma vida de crescimento. Em sua juventude, era alguém que tinha quase nada, mas, através de seu esforço e trabalho, e sem se esquecer dos que não tiveram as mesmas oportunidades que ele, hoje é uma pessoa que tem quase tudo, e mesmo assim sempre quer alcançar mais longe. Arnold é uma pessoa que está sempre evoluindo, e isso é o maior mérito que alguém pode ter.
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