domingo, 25 de dezembro de 2005

Queen

Há muito tempo eu estou devendo um post sobre o Queen. Como não é bom deixar assuntos pendentes de um ano para o outro, e semana que vem já vai ser 2006, vai ter que ser hoje.



Meu pai gosta muito do Queen. Por essa razão, desde pequeno eu sempre ouvi as músicas cantadas por Freddie Mercury, de forma que é impossível precisar qual foi a primeira, ou por que eu também comecei a gostar da banda. Eu só comecei a me interessar pela banda, porém, um pouco tarde: depois que Freddie Mercury morreu. Na ocasião, eu comprei um Greatest Hits II. Por causa desses eventos, acontece com o Queen uma coisa interessante: é uma banda que eu absolutamente adoro, conheço todas as músicas, sei quase todas as letras de cór, mas sempre que me perguntam quais são minhas bandas preferidas, esqueço de mencioná-la. Sei lá por que isso acontece, mas é um fato.

Como este post não é para falar de mim, sigamos com a história da banda, que começou a se formar por volta de 1968, na Inglaterra, quando o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor tocavam em uma banda chamada Smile, cujo vocalista se chamava Tim Staffell. Freddie Mercury, que viria a se tornar o vocalista do Queen, cantava com outras bandas, mas conhecia o trabalho do Smile, e chegou a apresentar algumas canções que gostaria que eles desenvolvessem. Em 1970, Staffell deixou o Smile, e Mercury assumiu seu lugar. A banda se apresentou durante um ano com vários baixistas de aluguel, até que, em 1971, convidou John Deacon para se tornar membro integral. Em 1972, após apresentar uma fita demo para várias gravadoras, eles conseguiram um pequeno contrato com os Estúdios Trident, para gravar seu primeiro disco. Paralelamente a isto, eles decidiram trocar o nome da banda para Queen.

Queen também foi o nome deste primeiro disco, lançado em 1973, com um estilo de rock semelhante ao de bandas que faziam sucesso na época, como Led Zeppelin e Black Sabbath. Um aviso na contacapa garantia que "nenhum sintetizador foi usado nesta gravação", um "aviso" de que se tratava de rock puro e simples. O álbum não fez muito sucesso, mas a faixa Keep Yourself Alive ficou bem conhecida nas rádios FM.

Um ano depois, em 1974, a banda lançou um segundo álbum, chamado simplesmente Queen II, bem mais experimental que o primeiro. Na época o álbum também não vendeu bem, mas hoje ele é considerado por muitos fãs como um dos melhores trabalhos da banda. Foi deste álbum que saiu a primeira música do Queen a figurar no Top Ten britânico, Seven Seas of Rhye, que alcançou o décimo lugar. A turnê que seguiu ao lançamento do álbum começou a chamar a atenção da imprensa sobre a banda, devido a seus shows cheios de energia e envolvimento com a platéia.

O resultado foi que Sheer Heart Attack, o terceiro álbum da banda, lançado no final de 1974, foi um grande sucesso em toda a Europa, e chegou a ganhar disco de ouro nos EUA. A música Killer Queen alcançou o segundo lugar na parada britânica, e o décimo-primeiro nos EUA. Sheer Heart Attack é um álbum com canções de diferentes estilos, da balada (Lily of the Valley) ao heavy metal (Stone Cold Crazy, que foi até regravada pelo Metallica), passando por ragtime (um estilo musical norte americano do início do século XX, em Bring Back That Leroy Brown) e até ritmos caribenhos (Misfire). Tanta diversidade foi mantida em seu álbum seguinte, A Night at the Opera, de 1975, que contém a famosa e nada usual Bohemian Rhapsody, que se manteve no topo da parada britânica por nove semanas. A banda pelo jeito não se cansava de experimentar, colocando o baterista Taylor para cantar em I'm in Love with my Car, produzindo puro pop em You're my Best Friend, talvez a mais memorável das baladas em Love of my Life, e até mesmo uma faixa de 8 minutos de duração em estéreo, The Prophet's Song. A Night at the Opera vendeu como água na Grã-Bretanha, e ganhou disco de platina triplo nos EUA.

Incapazes de competir consigo mesmos, os membros da banda decidiram que seu próximo disco não iria rivalizar com o anterior, mas complementá-lo. Assim, em 1976 foi lançado A Day at the Races, disco-irmão de A Night at the Opera, mantendo o mesmo estilo, e com uma capa até parecida. Haviam planos para lançar ambos os álbuns em um mesmo pacote, mas isto nunca se concretizou. A Day at the Races não vendeu tanto quanto seu antecessor, e foi considerado pela gravadora um fracasso, mas trouxe pelo menos uma canção de respeito: Somebody to Love, uma balada onde Freddie Mercury, Brian May e Roger Taylor gravaram suas vozes múltiplas vezes, para dar a impressão de que estavam cantando com um coral de 100 vozes, e alcançou o segundo lugar da parada britânica. Na turnê deste álbum o Queen começou sua tradição de shows em estádios enormes para milhares de pessoas, tocando no Hyde Park para 150.000.

O álbum seguinte, News of the World, de 1977, foi trabalhado com este conceito em mente, ou seja, suas músicas funcionam muito melhor quando são escutadas ao vivo. Foi dele que saíram as emblemáticas We Are the Champions e We Will Rock You. A crítica torceu o nariz para o álbum, mas os shows do Queen continuavam arrastando multidões. Em 1978 a banda voltou para a experimentação com seu álbum Jazz, que tinha uma capa inspirada em uma das pinturas do Muro de Berlim, uma canção no estilo discoteca (Fun It) e até mesmo uma com um toque árabe (Mustapha). Por alguma razão, porém, o disco foi taxado pela revista Rolling Stone como "fascista", e não vendeu bem. As vendas da banda começavam a cair pela primeira vez, e Freddie Mercury atribuiu este fato à superexposição. A banda então decidiu que iria passar todo o ano de 1979 trabalhando em seu próximo álbum, sem muito alarde. Devido a um grande número de vendas de gravações piratas dos shows da banda, a gravadora decidiu lançar seu primeiro disco ao vivo, Live Killers, que acabou se tornando um sucesso estrondoso, ganhanado disco de platina em praticamente toda a Europa, e platina duplo nos EUA. 1979 também foi o ano de lançamento do single Crazy Little Thing Called Love, um rock no estilo Elvis Presley que se tornou a primeira música da banda a alcançar o topo da parada norte-americana.

Crazy Little Thing Called Love seria lançada como parte de um álbum em 1980, em The Game, o álbum do Queen que mais vendeu até hoje (disco de platina quádruplo nos EUA), desconsiderando coletâneas. The Game trazia ainda Another One Bites the Dust, uma mistura de rock e hip hop que ficou por quatro semanas no topo da parada norte-americana, e se tornou a primeira música da história a liderar as paradas de rock, dance e R&B da Billboard simultaneamente. O álbum ainda marcou o início do uso dos antes malfadados sintetizadores pela banda. 1980 também foi o ano de lançamento da trilha sonora de Flash Gordon, primeiro filme a ter toda a trilha composta pelo Queen.

1981 não trouxe um novo álbum, mas sim o single Under Pressure, que trazia a participação de ninguém menos que David Bowie. A música entraria no álbum Hot Space, e aparentemente era a única coisa que prestava nele, considerado por quase todo mundo como o pior da carreira da banda. A razão é que, após o grande sucesso de Another One Bites the Dust, o Queen decidiu deixar o rock meio de lado e investir em ritmos como R&B, hip hop, dance e funk, o que provocou a ira dos fãs. Essa ira fez com que o grupo voltasse à sua linha anterior em The Works, álbum de 1984 que trazia dentre suas faixas o rock experimental de Radio Ga-Ga, o pop de I Want to Break Free e o hard rock de Hammer to Fall. Todas estas músicas foram grandes sucessos, mas o álbum não, vendendo pouco fora da Grã-Bretanha. Desconfia-se que uma das razões para isso fosse o clip de I Want to Break Free, onde os membros da banda apareciam vestidos de mulher, em uma paródia à novela britânica Coronation Street, que não era conhecida fora do Reino Unido. Tais críticas e o fato de que as vendas começavam a cair novamente levaram os membros da banda a se envolverem em vários projetos solo durante este período.

Talvez o Queen pudesse ter acabado por causa disso, mas o ano seguinte foi 1985, e trouxe dois grandes concertos, o Live Aid e o Rock in Rio. O Queen foi convidado para tocar em ambos, e em ambos roubou a cena. Isto foi um grande incentivo para a banda, que se reuniu novamente em estúdio e lançou o single One Vision, que acabou entrando na trilha do filme Águia de Aço. Logo após, o Queen foi convidado para fazer a trilha de mais um filme, Highlander. A trilha de Highlander não foi lançada separadamente como a de Flash Gordon, mas adicionada a algumas canções inéditas que deram origem a mais um álbum da banda, A Kind of Magic, de 1986. O Queen estava novamente no topo das paradas e de volta às vendas milionárias, graças a canções como Who Wants to Live Forever?, A Kind of Magic e Friends Will Be Friends. A turnê de A Kind of Magic, batizada The Magic Tour, teve ingressos esgotados em praticamente todos os shows. Seu show no estádio de Wembley deu origem ao que os fãs consideram como o registro definitivo do Queen ao vivo, o álbum duplo Queen Live at Wembley Stadium, mais tarde lançado em VHS, e recentemente em DVD. Durante este show, Freddie Mercury garantiu aos fãs que a banda jamais acabaria enquanto eles vivessem, o que levou a multidão ao delírio. A banda ainda tentou agendar um último show para a turnê em Wembley, mas não haviam horários disponíveis. Eles acabaram encerrando a turnê se apresentando para 120.000 fãs no Knebworth Park, em um show onde os ingressos se esgotaram em duas horas. Infelizmente, esta foi a última apresentação ao vivo do Queen com todos os seus membros originais.

Em 1987 e 1988 os membros da banda se envolveram em projeots solo, como o famoso dueto de Freddie Mercury e Montserrat Caballé em seu disco Barcelona. Somente em 1989 eles lançaram um novo disco, The Miracle, que manteve a mesma linha pop-rock de A Kind of Magic, com canções como Invisible Man e Breakthru, e resgatava o estilo mais "hard" de outros tempos com I Want It All. Freddie Mercury, porém, havia contraído Aids, e sua saúde piorava a cada dia. Mesmo com os tablóides noticiando este fato, ele negava qualquer rumor com veemência, e chegou a trabalhar com a banda, mesmo debilitado, no que seria seu último álbum, Innuendo, de 1991. As canções Innuendo, Headlong, These Are The Days of Our Lives e The Show Must Go On se tornaram grandes sucessos, mas os fãs já se preparavam para o pior. Em 23 de novembro de 1991, deitado em sua cama, Freddie MErcury finalmente anunciou ao mundo que tinha Aids. Menos de 24 horas depois, ele estava morto, aos 45 anos.

Em abril de 1992 foi realizado o The Freddie Mercury Tribute Concert, um grande concerto em homenagem ao músico, onde os demais membros do Queen se apresentaram em companhia de grandes astros como Elton John, David Bowie, George Michael, Guns n' Roses e Metallica, tocando seus maiores sucessos. A banda jamais se separou oficialmente, e até hoje trabalha em alguns projetos que tentam resgatar a grandiosidade do Queen com artistas convidados, embora John Deacon tenha se declarado "aposentado", e só apareça raramente. Ainda foi lançado um último álbum, Made in Heaven, com material de estúdio inédito gravado antes da morte de Freddie Mercury. De vez em quando é feito um concerto em tributo ao Queen, e eventualmente tais concertos são lançados em CD ou DVD.

Este ano, o Queen voltou com uma nova formação, composta por Brian May, Roger Taylor e o vocalista Paul Rodgers. Para não gerar a ira dos fãs, o projeto ganhou o nome de Queen featuring Paul Rodgers, para não passar a impressão de que Rodgers estaria substituindo Freddie Mercury. Infelizmente, parece que não funcionou, já que o disco não teve boas vendas. Freddie Mercury parece ter deixado um buraco na história da música impossível de se tapar.

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