domingo, 16 de outubro de 2005

Metal Heroes (II)

Hoje daremos seqüência ao post dos Metal Heroes, com duas séries.

Uchuu Keiji Shaider
1984


ShaiderHá 12 mil anos, o Império Fuuma ("demônio do vento") tentou dominar a Terra, sendo impedido por um valoroso guerreiro de nome Shaider. Shaider derrotou os Fuuma, e os aprisionou em uma dimensão conhecida como Mundo Estranho. No Mundo Estranho, porém, os Fuuma se fortaleceram, e, na época atual, conseguiram criar um portal para tentar novamente conquistar a Terra.

Enquanto isso, um jovem arqueólogo de nome Dai Sawamura conseguiu decifrar estranhos hieróglifos no deserto de Nazca. Impressionada, a União das Patrulhas Galáticas decide recrutá-lo e treiná-lo para ser o novo Detetive Espacial designado para defender a Terra. Na iminência de um novo ataque dos Fuuma, a União decidiu dar a Sawamura o mesmo nome do antigo guerreiro que os derrotou, transformando-o no Detetive Espacial Shaider. Shaider então recebeu armas de última geração, que o permitiriam destruir os Fuuma de uma vez por todas.

Como Sawamura não tinha prática em ser um Detetive Espacial, a União lhe designou como parceira a agente Annie. Diferentemente de Mimi e Lili (as parceiras de Gavan e Sharivan), Annie não servia apenas para ficar na base dando apoio moral a Shaider, sendo uma lutadora competente, e caindo na porrada com os Fuuma sempre que necessário. Na verdade, Annie era tão competente que cabe até perguntar por que ela não tinha um arsenal como o de Shaider.

O arsenal de Shaider consistia de sua armadura, formada de partículas de Granium, lançadas de sua nave Babylos cada vez que Sawamura gritava o comando "Shouketsu" (algo como "unir por pressão"). Acompanham a armadura uma pistola e a já tradicional espada laser. Sua nave Babylos possuía três formas: a de nave, que também servia como base para Shaider e Annie; a forma de batalha, que lembra vagamente um robô; e uma estranha forma de arma. Quando a Babylos se transforma em arma, um holograma gigante de Shaider aparece no espaço e a empunha, disparando um raio colossal nos oponentes. A Babylos também serve para guardar os outros veículos de Shaider, uma moto voadora, com a qual ele pode alcançar o Mundo Estranho; e um tanque, que pode se separar em jato e perfuradora.

Banidos para o Mundo Estranho, os Fuuma conquistaram tudo por lá e criaram um portal para conquistar a Terra. Seu líder era o Grande Imperador Kubilai, uma cabeça de ouro com três olhos, capaz de assumir uma forma monstruosa semelhante a uma serpente, ou uma forma de robô. Na maior parte do tempo, porém, Kubilai permanecia imóvel, e quem comandava os Fuuma era seu filho, o Oficial Divino Poe, vivo há 15.000 anos graças a um elixir que deve beber a cada 500 anos. No Mundo Estranho, Kubilai é considerado um deus, e Poe é seu sumo-sacerdote. Os Monstros da Semana são os Fushigijuu ("bestas estranhas"), os habitantes originais do Mundo Estranho.

Shaider teve 48 episódios e dois filmes para o cinema, além de um especial para a TV, que foi ao ar em 1985. Neste especial, os três Detetives Espaciais, Gavan, Sharivan e Shaider, se unem contra um inimigo comum. Shaider também teve seus direitos comprados pela Saban, a produtora dos Power Rangers, que utilizou suas cenas na segunda temporada de seu horroroso seriado VR Troopers. A Rede Globo chegou a passar alguns episódios aqui no Brasil no início da década de 90, logo depois do fracasso assustador que foi Bicrossers (Deus, eu lembrei dos Bicrossers! Argh!), mas passou tão desapercebido que muita gente nem sabe disso.

Kyojuu Tokusou Jaspion
1985


JaspionShaider foi o último dos Detetives Espaciais a proteger a Terra. Após considerar que a fórmula já estava gasta, a Toei optou por um novo estilo de Metal Hero, mais parecido com os famosos seriados de Kaijuu (monstros gigantes), como Godzilla ou Ultra-Q. Este seriado se chamaria Youjuu Tokusou Deniro ("Investigador de Bestas Alienígenas Deniro"), e contaria a história de um lobo solitário que vagaria pelo espaço destruindo monstros gigantes, sem vilão principal. Felizmente, esta idéia foi abandonada, e em seu lugar foi lançado o Investigador de Bestas Gigantes Jaspion, o Metal Hero mais conhecido no Brasil.

Durante uma viagem espacial, uma nave tripulada por uma família composta de pai, mãe e um filho ainda bebê cai em um planeta inóspito. O pai e a mãe falecem, mas o bebê sobrevive milagrosamente. O único habitante do planeta onde ocorreu o acidente era o eremita Edin, último sobrevivente de uma raça altamente avançada no campo tecnológico, composta de profetas guardiães da Bíblia Galática há dezenas de milênios, cujo planeta original havia sido destruído por um cometa. Edin havia decifrado uma terrível profecia, na qual um demônio formado pelas energias negativas do universo devastaria toda a galáxia. Vendo a sobrevivência do bebê como um sinal divino, ele o treinou para ser um valoroso guerreiro, e usou a avançada tecnologia de sua raça para criar armas e veículos capazes de fazer frente à ameaça que se avizinhava. Quando chegou a hora, Edin enviou o jovem, que havia decidido chamar de Jaspion, em sua nave Daileon, rumo à Terra, o atual alvo do demônio.

Com a tecnologia avançada de seu povo, Edin adaptou a nave Daileon para se transformar em um robô, o Gigante Guerreiro Daileon, com o qual Jaspion poderia derrotar os monstros gigantes enviados por seu inimigo. Edin também desenvolveu uma armadura de Metaltex, um metal extremamente resistente, mas igualmente leve, que Jaspion pode vestir através de um comando mental. Quando vestido com a armadura, Jaspion tem acesso a uma pistola e à sua espada laser, com a qual derrota oponentes de tamanho humano. Jaspion ainda conta com uma motocicleta de combate e um tanque anfíbio, que pode se separar em jato e perfuradora.

Além de todos esses equipamentos, Edin ainda construiu a andróide Anri, que acompanha Jaspion em sua viagem, com a missão de vigiá-lo e protegê-lo, embora seja especialista em se meter em encrenca. Outros aliados de Jaspion são o alienígena Miya, que o salvou de uma planta carnívora gigante e acabou se tornando uma espécie de mascote da dupla; Boomerman, um lutador que usa dois bumerangues e quer vingar a morte de seu irmão; e a família Nambara, que acabou se tornando uma espécie de família adotiva de Jaspion.

O tal demônio da profecia era o terrível Satangorth (que no Brasil virou Satan Goss, ou Satan Ghost, ou qualquer coisa parecida), formado pela reunião de toda a energia negativa do universo. Satangorth ainda está se formando, e precisa de uma armadura que contém seu poder, mas quando estiver totalmente formado evoluirá para uma forma monstruosa, e terá poder suficiente para aniquilar toda a galáxia. A única coisa capaz de destruir Satangorth é o Pássaro Dourado, formado pela reunião de toda a energia positiva do universo (faz sentido). Para conseguir conjurar o Pássaro Dourado, Jaspion precisa reunir seis crianças irradiadas pela Luz Universal, pois somente seus corações puros poderão trazer o Pássaro Dourado a este mundo. Convenientemente, uma das crianças é Kanoko, a filha da família Nambara. Os outros cinco devem ser encontrados o mais depressa possível.

Satangorth não agia sozinho. Além de lançar mão de vários monstros espaciais gigantes, ele contava com a ajuda de seu filho (embora ninguém tenha se arriscado a explicar quem era a mãe), um humano de nome Madgalant (que aqui no Brasil virou MacGaren, ou qualquer coisa parecida). Madgalant também podia invocar uma armadura de batalha, com a qual se tornava quase mais forte que Jaspion, com direito à sua própria espada e a uma nave em formato de inseto. Após a metamorfose final de Satangorth, Madgalant também se transformaria em um demônio gigante, condenando o universo de vez, razão pela qual Jaspion também deve se preocupar em destruí-lo. Madgalant recrutava vários mercenários especiais para se unir à causa de Satangorth, como as irmãs feiticeiras Kilza e Kilmaza, o guarda-costas Zanpa, o andróide Ikki, a assassina Gyooru e a profetisa Burima.

Jaspion teve 46 episódios, exibidos no Brasil pela Rede Manchete no final de década de 80 e início da de 90, com o nome de O Fantástico Jaspion. Curiosamente, Jaspion é extremamente popular no Brasil e na França, mas no Japão é considerado o pior de todos os Metal Heroes. Outra curiosidade envolve o nome do herói: Jaspion vem de justice champion, o "campeão da justiça". Por essa razão, e também pela pronúncia, nos EUA ele é conhecido como Juspion. A razão pela qual ele não é Juspion também no Japão é novamente a pronúncia, já que "justice" se pronuncia "jâstice", e "ju" em japonês tem som de "ju" mesmo.

3 enfiaram o nariz:

Gileno Motas disse...

Adoro posts sobre Metal Heroes! Lembram minha infância!
So duas coisinhas:
- Os nomes da versão brasileira, buscavam se assemelhar mais a pronuncia japonesa, do que na escrita. Por exemplo Mad Galant, soava como algo tipo "Mado Garan", o que justificaria a versão brasileira "MacGaren".
-A outra coisa é que os japoneses não consideram Jaspion como o pior Metal Hero. Ele só não foi aclamado como aqui, é uma serie comum, com audiência apenas mediana. Houve outros Metal Heroes mais "odiados" pelos japoneses. Metalder é um exemplo disso.
Valeu! Comentário quase 10 anos depois, mas tá valendo!

5:08 AM
Guil disse...

Olá Gileno! Obrigado por seu comentário, não importa que se passaram dez anos, muita gente (acho que é seu caso), está lendo pela primeira vez, então vale!
Na época em que eu escrevi esse post eu realmente achei um artigo que dizia que Jaspion era considerado o pior dos Metal Heroes. Mas, mesmo que não seja, não deixa de ser curioso que a série tenha se tornado tão popular aqui e na França, enquanto no Japão não fez tanto sucesso assim.
Abraços!

12:44 PM
Gileno Motas disse...

Confesso que não tinha esperanças de alguém responder isso, com tanto tempo assim de diferença! Obrigado pela resposta.

Curioso é, esse fato da pouca popularidade de Jaspion na terra do sol nascente, mas confesso que é perfeitamente compreensível.
Jaspion é o sinônimo de Tokusatsu no Brasil, pura e simplesmente porque foi o primeiro! Assim como se você perguntar a qualquer brasileiro que viveu na década de 80 e assistiu de fato aos tokus na tv aberta, qual o melhor sentai da história, me arrisco sem sombra de dúvidas a dizer que de 10 pessoas, 5 dirão que é Changeman, 4 que é Flashman (os dois primeiros a aparecem por aqui) e 1 incauto irá dizer que é Power Rangers (cof, cof, cof). Logo, dá tranquilamente pra entender porque para os japoneses o melhor Metal Hero disparado para eles é Gavan, seguido por Sharivan. Ué, foram os primeiros!
Só fico a pensar o que pensaríamos de Jaspion, se o primeiro Metal Hero a passar fosse Jiraya por exemplo, ou mesmo Metalder. Enfim.

Quanto à indicação de melhores ou piores Metal Heroes, é uma série de questões que precisam ser analisadas. Eu lí todos os seus outros posts e soube que Metalder é seu preferido. Pois bem, justamente ele é o mais "fracassado" Metal Hero que existiu. A audiência dele foi baixíssima, tão baixa que a série foi a menor de todas, disparado. Dizem que a temática carregada de drama desagradou completamente o público alvo. A Toei não quis mais conta.
Mas claro, não é nem de longe o pior Metal Hero. Não precisa ser hoje nenhum gênio em termos de crítica televisiva pra saber que o final da franquia com séries como Kabutack e Robotack, foi de fato, o fundo do poço (ainda que a audiência tenha sido melhor que Jaspion ou Metalder).
Na verdade, na verdade mesmo, eu sinto muitíssimo pelo rumo que tomou essa franquia tão amada e com enorme potencial, mas que por motivos mil, se perdeu a tal ponto que não pôde mais ser recuperada.
Não é possível que os Metal Heroes sejam tão piores que os Kamen Riders ou principalmente os Super Sentais, onde começaram muito antes e duram simplesmente até hoje, enquanto os pobres guerreiros de metal só duraram 16 anos. Triste, triste.
E também para nós brasileiros, afinal a Toei já fez a parte dela celebrando o aniversário de 30 anos desde o primeiro Metal Hero, lançando filmes, trazendo de volta os antigos protagonistas para fazerem participações saudosas, porém, duvido e muito que tenhamos um remake de nosso grande e eterno Jaspion, afinal, nem eles mesmo tão nem aí pro coitado, que dirá...

Enfim, falo demais. Valeu pelas boas lembranças.

3:06 AM

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