sábado, 25 de dezembro de 2004

Escrito por em 25.12.04 com 0 comentários

Post de Natal

É Natal! E vocês sabem, com todas essas festas, mal dá tempo de preparar um post decente. Na verdade, eu até tinha uns que planejava deixar prontos com antecedência, mas estão incompletos. Assim, vamos aproveitar para mais uma musiquinha da Tori Amos! Embora eu ache que este não tenha sido composta, apenas interpretada por ela, ficou muito bonita com sua voz e seu piano.

E feliz Natal e um excelente 2005 para todos os frequëntadores do átomo e do BLOGuil. Mais posts aqui, só no ano que vem!

Have Yourself a Merry Little Christmas

Have yourself a merry little Christmas
Let your heart be light
From now on our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas
Make the yuletide gay
From now on our troubles will be miles away

Here we are as in olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us once more

Through the years we all will be together
If the fates allow
Hang a shining star upon the highest bough
And, have yourself a merry little Christmas, now
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domingo, 19 de dezembro de 2004

Escrito por em 19.12.04 com 1 comentário

Alien

Meus dois estilos preferidos de filmes são ficção científica e horror. Horror, notem bem, não terror. Coisas como O Chamado, Poltergeist, Stephen King. Isso é horror. Jason estripando todo mundo é terror. Ou talvez carnificina. Enfim, na junção destes dois estilos agradáveis, fica um filme que eu adoro, pois além de juntar ficção científica e horror dos bons, e ser dirigido por Ridley Scott, o homem que mais tarde colocaria Blade Runner no mundo, ainda tem um vilão criado por H. R. Giger, um de meus artistas preferidos. Você pode não estar ligando os nomes às pessoas, mas sabe de qual filme eu estou falando. Alien.



Alien é um filme completamente sui generis, e eu acho que é aí que ele se torna interessante. Para começar, foi lançado em 1979, no fervilhar causado por Star Wars e Tubarão. Inclusive, muitos críticos da época diziam que o filme era uma mistura dos dois, embora não tenha absolutamente nada a ver com nenhum deles. A premissa era interessante: um tipo de casa mal-assombrada espacial, uma nave onde seus tripulantes teriam de lidar com um horror desconhecido. Obrigados a investigar um planeta onde ocorreu um acidente, mesmo sem estarem devidamente equipados para isso, os tipulantes da Nostromo (eu adoro esse nome) acabam trazendo para bordo um convidado inesperado. Hoje todo mundo sabe o que é, mas na época o monstro foi guardado a sete chaves - tudo pelo bem das surpresas do filme. Eu não pude ter o prazer de assisti-lo no cinema, mas mesmo em vídeo, e anos após o lançamento, eu tomei uns bons sustos. E conhecendo a cara do bicho.

Até aí, podem argumentar, nada de mais. Filmes de casa mal-assombrada existem aos borbotões, esse só troca a casa por uma nave. Pode ser. Mas o slogan do filme era "no espaço, ninguém pode ouvir você gritar". Na maioria dos filmes de terror, os pré-cadáveres têm para onde fugir, apenas não conseguem. Como se foge para o espaço? E mais, o segredo mantido em torno da criatura maximizou o suspense do filme a um ponto até então jamais visto. Sim, porque nos primeiros 45 minutos de projeção não acontece absolutamente nada de anormal. Os tripulantes acordam de sua animação suspensa, religam a nave, tomam seu cafezinho, conversam, lêem jornal. Um longo e proposital prólogo, onde o intuito é relaxar os espectadores, que já foram para o cinema tensos. Só para assustá-los de novo depois (em tempo, o final de O Chamado so é bom do jeito que é por causa dessa técnica. Um dia eu falo disso).

Então, quando você já está confortável na sua cadeira pensando "pô, esse Ridley Scott é o maior enganador, esse filme nem tem nada de pavoroso", a Nostromo recebe o chamado (trocadilho não-intencional), e Kane é infectado. É um sustinho, mas nada de mais. Logo o parasita morre, sabe-se-lá-o-porquê, e Kane está bem novamente. Até a larva pular para fora de seu peito. Essa é uma daquelas cenas que, como eu li em algum lugar, "once seen, can never be unseen" (uma vez vista, jamais pode ser "desvista"). Hoje aliens pulam para fora do peito de todo mundo em tudo o que é filme, mas a primeira vez ninguém esperava. Confesso que nem eu.

A partir daí é que o filme se torna único, coisa jamais vista. O personagem principal sempre sobrevive, certo? Pense de novo. Hoje em dia todo mundo considera a Tenente Ripley de Sigourney Weaver como a protagonista, mas não é isso que a primeira metade do filme dá a entender. Até ali, para todos os efeitos, o capitão Dallas era o personagem principal, e Ripley era apenas mais uma tripulante. Aliás, na época, ninguém iria achar que uma garota (mesmo uma garota de 1,82m) seria a única a enfrentar cara-a-cara um bicho asqueiroso e sobreviver.

Ah, sim, o bicho asqueiroso. No início, ele quase nunca aparece, é como um vilão subjetivo. Quando resolve aparecer, porém, rouba todas as cenas. Preto em uma nave escura, todo mundo faz a maior força para ver o alien da forma mais nítida possível. Como se ele já não fosse propositalmente parecido com uma cruza de inseto e humano, ainda era praticamente invulnerável, babão, e com sangue ácido. Chega uma hora em que a gente já está achando que ele vai matar todo mundo e o filme vai acabar por falta de personagens.

Bom, concluindo, eu não vou contar o filme todo, até porque é mais do que óbvio que Ripley enfrenta o alien e sobrevive para contar a história. Mas já deu para pegar a idéia de que Alien foi um marco na história do cinema. Até mesmo o nome em português é uma pérola, Alien: O Oitavo Passageiro, já que os tripulantes originais da Nostromo são sete. O único efeito colateral deste título foi que todo mundo ficou se referindo ao bicho como "o Alien", como se esse fosse o nome dele, mas não é. O bicho criado por Giger não tem nome, e é baseado nos biomecanóides, uma "raça" de seres que misturam partes biológicas e mecânicas, presentes em alguns dos trabalhos do artista (a alienígena Sil, do filme A Experiência também é inspirada nos biomecanóides). Os fãs costumam se referir aos aliens como xenomórficos, mas este não é um nome oficial. Mesmo sem nome, o alienígena babento conseguiu se tornar figurinha fácil em muitos e muitos filmes de sátira, jogos de videogame, histórias em quadrinhos, enfim, praticamente se tornou parte do imaginário popular.

Alien teve três continuações, sendo só a imediatamente seguinte realmente boa. Lançada em 1986, e desta vez dirigida por James Cameron, Aliens (aqui chamado de Aliens: O Resgate) mostra a Nostromo sendo resgatada, tendo Ripley, em animação suspensa, como a única sobrevivente. Na Terra, ela descobre que o planeta onde o primeiro alien foi encontrado foi colonizado pelos humanos, e que nós perdemos contato com eles há algum tempo. Sabendo o que pode vir pela frente, Ripley reúne uma força-tarefa e parte para erradicar os aliens e salvar os pouco prováveis sobreviventes. Desta vez não é um filme de horror, mas sim um senhor filme de ação, quase guerra. Se um alien já era ruim, imagine trezentos, dos mais variados tamanhos. A cena final, em que Ripley enfrenta a rainha "munida" de um robô-empilhadeira, é antológica.

Depois disso, virou bagunça. Em 1992, agora dirigido por David Fincher, chegou aos cinemas Alien3, praticamente uma ofensa ao primeiro filme. Teoricamente, a idéia era resgatar o clima de horror do original (até foi parcialmente bem sucedido, a seqüência das portas fechando pro bicho não entrar é uma tensão só) mas eu acho que até eu teria escrito um roteiro melhor se tivessem me pedido. Teoricamente, Ripley e seus amigos exterminaram todos os aliens do universo, menos um, em forma embrionária, que se infiltrou na nave, danificou os sistemas, fazendo com que ela ficasse à deriva, e ainda infectou o cachorro da nave. A-han. A nave cai em um planeta prisão, cheio de assassinos e estupradores. Como o alien sai de um cachorro, ele é quadrúpede e meio diferente. Isto significa que todos os aliens que vimos antes tinham saído de humanos? Se um alien sair de um pombo poderá voar? Bem, deixa isso para lá. O que interessa é que, depois que vários assassinos e estupradores estão mortos, Ripley descobre que também foi infectada, e carrega em seu ventre uma larva de rainha. No fim, Ripley se sacrifica para impedir que o monstro nasça, e terminar a série de uma vez por todas.

Quem dera. A próxima seqüência, Alien: A Ressurreição, de 1997, dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet, é uma ofensa ao primeiro filme. 200 anos após a morte de Ripley, uma megacorporação decide cloná-la, buscando ressucitar a rainha que havia em seu ventre para criar aliens em escala industrial com fins militares. Tem como dar certo? Pois é. Entre outros efeitos colaterais, o DNA de Ripley se mescla ao da rainha, fazendo com que ela tenha superforça e sangue ácido; e os aliens criados pela corporação fogem e começam a matar todo mundo. Cabe a Ripley e a alguns contrabandistas espaciais que estavam de passagem (um deles Winona Ryder) destruirem os aliens e a rainha antes que a nave chegue à Terra, o que poderia causar a extinção de toda a humanidade. Este filme é composto de um monte de coisas ruins, mas a pior de todas foi reservada para o final: assim como o DNA da rainha se misturou com o de Ripley, o de Ripley se misturou com o da rainha, fazendo com que ela dê a luz (com parto e tudo, ao invés de ovos, que é a maneira tradicional pela qual os aliens se reproduzem) a um estranho híbrido de humano e alien, ao qual Ripley se afeiçoa como se fosse sua mãe, mas deve matar para que a raça humana não pereça. Fala sério.

Bem, mas são equívocos que não tiram o brilho dos dois primeiros filmes. Existem rumores de que Ridley Scott teria aceitado dirigir um provável Alien 6, para colocar as coisas nos eixos, mas são apenas boatos (o "Alien 5" seria Alien vs. Predador, que estreou este ano nos cinemas, mas eu não vou comentar aqui porque não acho que faça parte da série original). Seja como for, talvez fosse melhor deixar o bicho babento quieto. Ou deixá-lo como coadjuvante, igual em AvP. Dá menos raiva.
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domingo, 12 de dezembro de 2004

Escrito por em 12.12.04 com 0 comentários

Homem-Aranha (I)

Não me lembro quando comecei a ler histórias em quadrinhos de super-heróis, mas me lembro que os primeiros foram os X-Men. Por causa disso, até hoje os mutantes são meu grupo preferido, embora eu não acompanhe mais. Mas outros dois heróis também disputavam minha preferência freqüentemente, fazendo com que eu comprasse uma revistinha aqui, outra ali, para saber como eles estavam se saindo. Eram o Homem de Ferro e o Homem-Aranha. Todo mundo conhece o Homem-Aranha, o mais famoso dos super-heróis Marvel, de forma que falar sobre ele é meio que chover no molhado. Mas ainda assim, talvez devido ao lançamento de Homem-Aranha 2 em DVD, me deu vontade de fazer um post sobre o Amigo da Vizinhança.

Reparem no preço: 12 centavos!O Homem-Aranha não foi o primeiro super-herói da Marvel, como muitos acreditam (este posto pertence ao Quarteto Fantástico), tendo sido criado em 1962, para a revista Amazing Fantasy. Na época, além das "revistas individuais" de seus super-heróis (como a do próprio Quarteto Fantástico), a Marvel publicava revistas que traziam histórias de vários heróis diferentes na mesma edição. Entre elas tínhamos a Tales of Suspense, Tales to Astonish, Journey into Mystery, Strange Tales, Amazing Adventures e a própria Amazing Fantasy, que, de todas, era a que menos vendia. Por conta deste desempenho, a revista seria cancelada. Em seu último número, Stan Lee decidiu "experimentar" um novo super-herói, que não havia sido considerado apropriado para o público jovem. Afinal, era um Homem-Aranha, e todo mundo sabe que as pessoas detestam aranhas. Ainda assim, a primeira história do aracnídeo chegou as bancas, pois a revista iria ser cancelada mesmo, não fazia mal se ninguém comprasse. Este é o Stan Lee que conhecemos.

Para desenhar o novo herói, Stan Lee escolheu Steve Ditko, que inventou seu uniforme, e até hoje é considerado por muitos dos fãs como o que melhor conseguiu captar o espírito do Homem-Aranha. A capa foi desenhada por Jack Kirby, já na época considerado um dos melhores artistas do mercado. Por conta desta parceria, Stan Lee, Ditko e Kirby são considerados os pais do personagem.

Surpreendentemente, a revista vendeu como água, e a Marvel começou a receber carta após carta de mais e mais leitores querendo novas aventuras deste intrigante herói. Tal empolgação levou a editora à decisão de lançar uma revista própria para o Aranha. Em março de 1963, chegava assim às bancas o primeiro número de Amazing Spider-Man.

É provável que você saiba a origem do herói, mas eu vou contar assim mesmo. Peter Parker era apenas um adolescente típico americano, rejeitado por seus colegas por não ser popular. Na verdade, ele era um tremendo nerd, e isso fazia com que seus únicos amigos fossem os livros. Parker foi criado por seus tios, May e Ben, pois seus pais morreram quando ele era pequeno. Um dia, Parker foi picado por uma aranha radioativa (ah, o temor da radioatividade...) e, ao invés de morrer de câncer, ganhou incríveis poderes, a saber: força sobre-humana, capacidade de escalar superfícies lisas apenas usando suas mãos e pés, agilidade impressionante, e um "sexto-sentido", que o avisa momentos antes de qualquer perigo ao qual ele esteja sujeito. Gênio da ciência (e aparentemente do corte e costura), Parker desenvolveu "lançadores de teias", pequenos aparelhos presos a seus pulsos, que lançam um fluído semelhante à teia da aranha, que permitem que ele se balance de prédio em prédio para chegar a seu destino, além de criar os mais variados objetos, como escudos, redes, luvas e muito mais. Parker também criou um uniforme de acordo, e foi ganhar a vida... lutando luta livre!

Rapidamente ganhando fama e fortuna graças a seus poderes, o Homem-Aranha começou a ser convidado para vários shows de TV. Durante um destes shows, houve um assalto, e o Homem-Aranha não impediu o assaltante, pois achava que não tinha nada a ver com isso. Infelizmente, durante a fuga, o assaltante acabou matando seu tio Ben. Neste momento, Parker entendeu o significado de uma frase que seu finado tio sempre dizia: "Grandes poderes trazem grandes responsabilidades". A partir deste momento, surgiu um novo combatente do crime, e os vilões da cidade nunca mais tiveram paz! Nem o Homem-Aranha, que cada vez arruma mais sarna para se coçar.

Evidentemente, o enorme sucesso do herói se deve à sua história única. Ele não é alienígena, robô, semideus, milionário, nem bonito e gostosão. É um adolescente comum, com uma vida chatíssima, mas capaz de grandes feitos quando põe a máscara. Não é exagerado dizer que muitos dos leitores se identificaram com esta história (bem, tirando a parte da máscara, a não ser talvez como metáfora). Além desta biografia nada invejável, o Homem-Aranha ainda teve uma origem de respeito, e muitos supervilões interessantes. O primeiro foi o Camaleão, capaz de assumir a aparência de qualquer pessoa. E antes mesmo da décima edição, nosso herói já tinha derrotado o Gatuno, o Abutre, o Consertador, Dr. Octopus, o Homem-Areia, o Lagarto, Electro e os Executores! Além disso, logo em Amazing Spider-Man número 1 o Homem-Aranha tentou entrar para o Quarteto Fantástico, em ASM número 5 ele enfrentou o Dr. Destino, e várias vezes teve a ajuda do Tocha Humana.

O principal inimigo do Homem-Aranha, o Duende Verde, surgiu na edição 13, e atazanou o herói até morrer. Aliás, foi o único a ser morto em combate, uma pequena mancha na ficha de um campeão da justiça. E ainda assim o Duende "ressucitou" várias vezes, como que querendo relembrar o herói deste fato. Falando nisso, outro mérito é que as histórias não traziam apenas combate após combate, mas desenvolviam a personalidade do herói, o que sempre as tornava interessantes para o público. Vivendo como Homem-Aranha, Parker acabou por se tornar uma pessoa mais segura e decidida, o que se refletiu com o adolescente conseguindo um emprego (de fotógrafo no Clarim Diário, jornal comandado pelo tosco J. Jonah Jameson, inimigo declarado do Aranha), amigos (até Flash Thompson, o valentão da escola, por fim pôs suas diferenças de lado), e até mesmo uma namorada (Gwen Stacy, que acabou morta pelo Duende Verde). Muitas vezes o peso da responsabilidade foi demais, e Parker quase abandonou a vida de super-herói. Mas sempre houveram bons motivos para retornar.

Este lado "humano" das histórias, porém, não impedia a lista de vilões de crescer, e além de uma eventual revanche contra vários oponentes anteriormente derrotados, como Dr. Octopus e o Abutre, ainda vieram tomar um piau do herói muitos outros, como Mysterio, Kraven o Caçador, o Escorpião, o Besouro, o Magma, Rino, Shocker... Hoje em dia é quase impossível listar todos os vilões que já cruzaram o caminho do Amigo da Vizinhança. Ao longo de todos estes anos o Aranha também já atuou ao lado de praticamente todos os heróis Marvel, desde os X-Men até o Homem-Coisa, passando pelo Dr. Estranho, Vingadores, Demolidor...

Vários roteiristas e desenhistas assumiram as rédeas do aracnídeo após Stan Lee e Steve Ditko irem se dedicar a outros projetos, como John Romita e John Romita Jr, John e Sal Buscema, Tom DeFalco, J.M. Dematteis, Rick Leonardi, Howard Mackie, Todd MacFarlane, Bill Mantlo, Marc Silvestri, David Michelinie, Roger Stern, Len Wein e até os brasileiros Mike Deodato Jr e Luke Ross. Infelizmente, manter boas histórias durante quarenta anos é algo meio difícil, e muitos enredos ruins já foram tecidos, como os infames simbiontes (que deram origem ao uniforme negro do Homem-Aranha, e, mais tarde, aos vilões Venom e Carnificina) e a duplamente infame guerra dos clones, da qual é melhor nem falar aqui (se bem que eu até gostava do Aranha Escarlate...).

Graças aos céus, tais bagunças não aconteceram quando decidiram transportar o herói para o cinema. Confesso que fiquei um pouco receoso quando soube dos boatos de se produzir um filme do Homem-Aranha (até porque os primeiros boatos diziam que Peter Parker iria ser... Tom Cruise!), receio este que diminuiu bastante após o filme dos X-Men, mas não sumiu por completo. Felizmente, ambos os filmes são primorosos, obras-primas do cinema de ação. Com direção de Sam Raimi, com Tobey Maguire como Peter Parker/Homem-Aranha, Kirsten Dunst como Mary Jane Watson (a atual namorada do Aranha; no filme eles pularam a Gwen), Willem Dafoe como Norman Osborn/Duende Verde e James Franco como Harry Osborn, o filme optou por contar a origem do herói e do vilão, com algumas coisinhas mudadas aqui e ali para o bem do cinema. Todos os conflitos de Peter Parker estão lá, e diga-se de passagem, Maguire é um Peter Parker perfeito. As cenas de ação são muito bem feitas (com exceção de um detalhe na parte em que o Homem-Aranha ainda lutador de luta livre persegue o bandido que havia matado seu tio Ben, onde o herói é claramente um boneco de computador) e suas duas horas e um minuto passam rapidamente enquanto acompanhamos as agruras do herói.

O segundo filme seguiu o mesmo caminho, agora colocando um Pater Parker insatisfeito com sua vida de herói (ele chega a jogar o uniforme de Aranha no lixo) tendo de enfrentar o Dr. Octopus, interpretado por Alfred Molina. Ignorando o conceito de que continuações são sempre uma tristeza, este foi ainda melhor que o anterior, com seqüências de ação de tirar o fôlego, e bastante espaço para drama pessoal. Até algumas seqüências de comédia integram o filme, num casamento perfeito. Sim, eu adoro este filme.

O terceiro já está programado para 2007, e parece que agora o Homem-Aranha terá de enfrentar o Lagarto e um novo Duende Verde. Confesso que uma série infinita para o cinema não é uma boa opção na minha opinião (pode ser que os atores comecem a mudar, a qualidade a cair, colocarem dois vilões por filme, sem dar tempo de desenvolver nenhum deles, essas coisas que aconteceram com o Batman, por exemplo), mas já estou aguardando ansiosamente. Afinal, com os quadrinhos confusos do jeito que estão, histórias fechadas, bem desenvolvidas e consistentes são excelentes para se manter o interesse no personagem. Mesmo que um eventual fã reclame que o uniforme do Duende Verde está diferente. É por isso que eu não gosto de fãs.
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domingo, 5 de dezembro de 2004

Escrito por em 5.12.04 com 0 comentários

Vampire Princess Miyu

Vampiros não são um de meus temas favoritos. Tem muita gente que se amarra, e eu absolutamente não tenho nada contra, pois toda mitologia é fascinante. No Japão, também houve uma época em que vampiros eram moda, quando surgiram vários anime e mangá onde os protagonistas - tanto vilões quanto heróis - eram vampiros. As diferenças culturais entre o ocidente e o oriente, porém, fizeram com que alguns dos vampiros nipônicos saíssem um tanto... incomuns. Um desses vampiros incomuns - perdão, uma dessas vampiras incomuns - é a protagonista de um anime que eu gosto muito, Vampire Princess Miyu, tema do post de hoje.



Miyu não é exatamente uma vampira, mas um Shinma, uma espécie de demônio que se alimenta da miséria humana, natural de uma dimensão paralela. Destinada a se tornar a rainha dos Shinma, Miyu acidentalmente os libertou, fazendo-os chegar até a Terra, quando sua mãe preparava um ritual para transformá-la em humana. Miyu então decidiu vir até a Terra, destruir os Shinma e mandá-los de volta para sua dimensão. Miyu é imortal e jamais envelhece, e ainda pode criar fogo com as mãos para destruir os Shinma e outros oponentes. Sua desvantagem é que, sendo um Shinma, ela precisa se alimentar de sangue humano, o que faz com que ela seja confundida com uma vampira.

Assim como Lodoss e muito outros, a primeira vez que eu vi um episódio de Miyu foi em um Comic Mania (ou Trash Mania, ou Anime Mania, sei lá) do SESC, em 1995 ou 1996. Assisti um lá do final, e não entendi nada. Há uns poucos anos, uma revista chamada DVD Anime começou a vender os episódios da segunda série, mas só ofereceu 10 episódios em 3 DVDs. Até hoje eu estou esperando o resto.

Criada com o nome de Kyuuketsu Miyu, a menina vampira já teve quatro séries, duas em anime e duas em mangá. A primeira, lançada em 1988, foi lançada em formato OVA (somente em vídeo sem nunca ter passado na TV, uma prática comum no Japão), em quatro volumes. Nesta série, o personagem principal não é Miyu, mas sim uma investigadora espiritualista chamada Himiko. No primeiro episódio, Himiko acaba conhecendo Miyu e, fascinada com seus poderes, decide observar como seria sua vida. Miyu já está cumprindo sua missão de caçar os Shinmas fugitivos, e conta com a ajuda de Larva, um Shinma não-maligno, destinado a tomar conta da menina enquanto ela estiver na Terra. Himiko acaba se tornando a biógrafa de Miyu, descobrindo através da menina como os Shinma vieram até a Terra, por que ela luta contra eles, e quais seriam seus poderes. Os Shinma normalmente se disfarçam como pessoas ou animais, e se alimentam de sofrimento humano. Para isso, eles fazem com que estas pessoas imaginem estar vivendo outra vida, uma espécia de transe, como se eles estivessem em um sonho eterno, enquanto os Shinma se alimentam de sua tristeza. Quando Miyu se alimenta de um ser humano (afinal, ela também é Shinma), sua vítima também entra neste transe, que é irreversível. Miyu costuma escolher pessoas que estejam sofrendo muito, sem chance de viver uma vida melhor, como crianças órfãs que perderam toda sua família. No fundo, porém, seu comportamento não é tão diferente dos Shinma malignos (exceto porque estes escolhem suas vítimas indiscriminadamente), e Miyu morre de remorsos, desejando que consiga derrotar logo todos os Shinma fugitivos para que ela possa voltar para sua dimensão e deixar a humanidade em paz. O clima dos desenhos de Miyu é tenso e sinistro, além de possuir um toque inesperado: as vítimas dos Shinma não saem do transe quando estes morrem, e alguns até morrem durante a luta de Miyu contra o Shinma. Tudo isso fez com que o desenho fosse considerado adulto, o que também é comum no Japão.

Em 1997, a mesma equipe responsável pela OVA criou uma segunda série, desta vez para a TV, em 25 episódios. Agora mais apropriada para adolescentes que para adultos, Miyu é a personagem principal, estuda em um colégio, vive aventuras com suas colegas de classe, possui um mascote (um Shinma-coelho do qual eu não lembro o nome) e uma rival, Reiha, outra princesa Shinma, mas com o poder de criar gelo, e cujo mascote é uma boneca de porcelana que fala. Reiha também veio à Terra para destruir Shinmas, mas costuma ser mais violenta e menos preocupada com baixas civis do que Miyu. Aliás, nesta série Miyu é muito mais "humana" que na anterior, demonstrando muito mais compaixão. Os episódios não são tão tensos, mas mesmo assim são sinistros (alguns bem tenebrosos) e as vítimas dos Shinma continuam morrendo - sem falar nas vítimas de Reiha, que não deveria ser uma vilã. Larva fala muito mais nesta série (na outra, se ele disse duas frases foi muito) e frequentemente aparece sem máscara. Dizem que foi estratégia para atrair o público feminino, já que ele é charmoso. Aliás, Miyu, Larva e Reiha são quase humanos, mas tem cada outro Shinma... Fãs da primeira série não costumam gostar desta segunda, principalmente por ser mais de ação que de terror, mas mesmo assim foi uma produção bem sucedida.

Miyu também teve duas séries em mangá, uma com história quase idêntica à da segunda série, outra onde Shinmas europeus resolvem invadir o Japão e matar os Shinmas japoneses (?). Também gerou uma subsérie, Vampire Princess Yui, onde a protagonista é uma menina meio-humana meio-Shinma, cuja mãe recebeu o sangue de Miyu enquanto estava grávida (??). Na minha opinião, psicodélico demais, desculpe.

Fã de filmes e livros de terror que sou (terror mesmo, nada de carnificina igual Sexta-Feira 13, por favor) acabei gostando bastante dos desenhos de Miyu. Pena que não consegui ainda ver todos. Provavelmente, nunca vai passar na TV aberta, devido a todos aqueles velhos preconceitos que conhecemos, entre eles o de que desenho é coisa de criança. Ainda bem que no Japão o pensamento é diferente.
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