domingo, 26 de setembro de 2004

Escrito por em 26.9.04 com 0 comentários

M. Night Shyamalan

De vez em quando, meus posts são motivados por acontecimentos recentes, discussões com amigos ou coisas que leio na internet. Hoje é dia de um desses posts. Um sobre M. Night Shyamalan.

Para quem passou os últimos anos em Marte, Shyamalan é o diretor dos filmes Sexto Sentido, Corpo Fechado, Sinais e, mais recentemente, A Vila. Nascido em 6 de agosto de 1970 em Pondicherry, Índia, se mudou para os subúrbios da Filadélfia, onde mora com sua esposa Bhavna e seus dois filhos até hoje, antes dos 10 anos de idade. Filho de dois médicos, apaixonado por cinema, antes dos 15 anos já tinha produzido mais de 45 filmes curtos. Aos 23 anos, escreveu, dirigiu, produziu e atuou em seu primeiro longa metragem, Praying with Anger, a história de um indiano que vai pequeno com sua família para os EUA, mas retorna à Índia para fazer faculdade. Lançado de forma independente, o filme não fez sucesso entre público ou crítica, mas rendeu um convite a Shyamalan para escrever um roteiro para a Fox. O que seria seu segundo filme, Labor of Love, foi cancelado antes mesmo de começar, porque o estúdio se recusou a colocar Shyamalan, um estreante, como diretor do projeto.

Em 1995, Shyamalan conseguiu vender um de seus roteiros para a Miramax, Wide Awake, a história de um garoto que decide procurar por Deus após a morte de seu avô (disponível em português com o título Olhos Abertos). Este foi um sucesso de crítica, mas não de público. Menos mal, rendeu a Shyamalan em 1997 um convite para escrever o roteiro de O Pequeno Stuart Little (sim, isso mesmo que vocês leram, aquele do ratinho), e, em 1999, a oportunidade de filmar pela primeira vez como diretor, lançando Sexto Sentido. Como muitos artistas, ele é do tipo ame-o ou odeie-o, não existe meio termo. Você pode até gostar do cara e não gostar de um dos filmes dele, mas este será o "pior filme de sua carreira", coisa que eu já ouvi muita gente falando de qualquer um dos três últimos (o que leva a uma constatação curiosa: como alguém que sempre faz um filme pior que o anterior consegue ser tão bem-sucedido?)

Esta semana, eu finalmente consegui assistir Sinais, o único que eu não tinha conseguido ver no cinema. Muita gente já tinha me dito que era o "pior de todos" (isso antes de estrear A Vila, quando algumas dessas mesmas pessoas vieram falar algo como "eu ouvi dizer que esse aí é o pior de todos"), de forma que eu já estava curiosíssimo pra saber qual cagada o Shyamalan tinha feito pra desandar a mão assim. Afinal, eu tinha achado Sexto Sentido um clássico. Corpo Fechado eu não gostei tanto, mas compreendi que eram dois filmes diferentes, embora ambos tivessem o tal final-super-surpreendente-que ninguém-espera (e o Bruce Willys). A Vila eu também achei um clássico, interessantíssimo, o que só atiçou minha curiosidade sobre o Sinais. Era necessário conferir com meus próprios olhos.

Para ser sincero, não achei tão ruim. Na verdade, achei até um filme bom, só que completamente diferente dos dois anteriores, e do posterior. Confabulando sobre isso, cheguei a algumas conclusões que gostaria de compartilhar com vocês neste post. Primeiramente, gostaria de dizer que não desejo impor minha opinião sobre a de qualquer de vocês, nem convencê-los de que Shyamalan é um mestre do cinema, de que seus filmes são obras-primas e que vocês é que são burros e não entenderam. Nada disso. Só quero expor pensamentos que resolveram coçar dentro da minha cabeça, e talvez encontrar vozes ressonantes em alguns de vocês.

Como eu já disse, Corpo Fechado é um filme totalmente diferente de Sexto Sentido. E Sinais é totalmente diferente dos outros dois. Conclusão lógica, A Vila é totalmente diferente dos outros três. E aí começa nosso primeiro problema.

Na minha modesta e humilde opinião, o maior problema com os filmes do Shyamalan se resume a um único fato: seu "primeiro filme" foi o Sexto Sentido. Um sucesso estrondoso. Suspense, sustos, fantasmas, final inesperado. Isso deveria ser bom, mas não foi.

Por quê? Simples. Às vezes também acontece com bandas. Se o primeiro disco de uma banda é absolutamente genial e vende o equivalente a um disco de platina quíntuplo, os seguintes jamais conseguirão fazer o mesmo sucesso. Não porque também não sejam absurdamente geniais, mas porque sempre serão comparados com aquele primeiro. E se a banda resolver se reformular e lançar um disco totalmente diferente dos anteriores, danou-se, será inevitavelmente conhecido como o pior de sua carreira. Estarão eternamente fadados a se copiarem sempre e sempre.

Shyamalan é um gênio, disso eu não duvido. Mas, exatamente por ser um gênio, ele não é um homem de um filme só. Esperar que cada filme de Shyamalan seja uma cópia de Sexto Sentido é ofendê-lo, querer que ele vista um chapéu cônico na cabeça. Por isso, não é surpresa que cada filme seu seja tão diferente do anterior. Na verdade, é até melhor assim.

Mas tem o outro lado também. Por ser um ótimo filme de suspense, Sexto Sentido angariou muitos fãs, fãs estes que a cada anúncio de novo filme de Shyamalan correm aos cinemas exatamente querendo ver uma cópia do Sexto Sentido. Por isso seus filmes são tão criticados. Ver que o mesmo diretor do Sexto Sentido fez um filme sobre super-heróis ou alienígenas causa uma certa decepção em quem queria ver fantasmas mutilados assustando aos pobres transeuntes.

Fora isso, ainda devemos considerar outro aspecto: filmes de Shyamalan são para se pensar. Infelizmente, cada vez mais, as pessoas se recusam a pensar, seja por preguiça, seja por comodidade. Sexto Sentido, apesar de ter uma mensagem altamente importante, apresenta esta mensagem de forma quase subliminar. Em outras palavras, ninguém precisa entender o filme para gostar dele. Com Sinais a história já é diferente: a mensagem é muito súbita e, sem compreendê-la, o filme se torna apenas mais um de invasão extraterrestre, e um com final repentino, ainda por cima. A Vila então nem se fala, se você não compreender a história, você simplesmente não entende o filme. Fica sem pé nem cabeça.

Raciocinando em cima disso, eu cheguei a outra conclusão. Shyamalan usa elementos não tradicionais para o tipo de filme que faz. Fantasmas, super-heróis, alienígenas e monstros da floresta não são figuras muito presentes em filmes que exigem raciocínio. As pessoas vão ao cinema para ver uma coisa e se deparam com outra. Se elas pelo menos compreendessem o que estão vendo, os filmes teriam uma função social. Mas elas preferem se revoltar e sair do cinema reclamando, fazer o quê?

Sexto Sentido é uma crítica à falta de comunicação. Ninguém se fala naquele filme. O menino não fala com a mãe, e a mãe não quer saber qual o problema do menino. O psicólogo não fala com sua esposa, que também não se preocupa em falar com ele (depois nós descobrimos o porquê, mas isso é outra história). Os únicos personagens que travam diálogos sociáveis e compreensíveis são o psicólogo e o menino. Nada estranho, então, que os problemas se resolvam exatamente por causa disso. E, no final, finalmente o menino e sua mãe conversam, abrem seus corações. Full circle.

Corpo Fechado é sobre as escolhas que fazemos para sermos aceitos entre nossos pares. Até que ponto podemos abrir mão do que gostamos em nome de nossa "felicidade"? Até que ponto o meio em que vivemos influencia nossas ações? Nenhum dos personagens do filme tem auto-estima. Todos estão insatisfeitos com suas vidas, seja por suas escolhas, seja pelas escolhas que foram forçados a fazer, seja por sua própria condição intrínseca. E até que ponto mudar é realmente uma melhora?

Sinais é um filme sobre a fé. Um homem questiona sua fé após um acontecimento traumático. Nada de mais, se ele não fosse um padre. Justamente um sacerdote, quem as pessoas sempre acham que possui a fé mais inabalável de todas, a quem procuram quando necessitram de conforto ou orientação, é o personagem com menos fé em todo o filme. O ataque alienígena serve não somente para que este homem conteste ainda mais sua fé, mas como oportunidade para, reunido com sua família, ter a chance de renová-la.

A Vila é uma crítica à sociedade. Mais não falarei pois o filme ainda está passando por aí, muita gente ainda não viu e, acreditem em mim, por mais vago que fosse o que eu falasse, estragaria muito do filme. Mas é uma crítica atroz, não a toda ela, mas a alguns elementos específicos. Muita coisa que muita gente fala é "desmentido" de certa forma, com um excelente exemplo.

O final-super-surpreendente-que-ninguém-espera se tornou um tipo de marca registrada do diretor (embora Sinais não o tenha; em compensação, A Vila tem dois momentos que mudam totalmente a história do filme). Estranhamente, tenho visto muita gente reclamando exatamente disso. Ora, é o que tem mais graça! Se tirar isso, aí é que ninguém vai gostar dos filmes mesmo. Outra crítica que vejo freqüentemente é sobre os personagens não se falarem (A Vila ainda tem um violino tocando quando ninguém fala, mas nos outros é silêncio mesmo) outra espécie de marca registrada, que pra mim não interfere em nada na história.

Talvez pensar não seja mesmo feito para cinema. Eu mesmo prefiro ver um monte de Aliens e Predadores se matando do que assistir a um filme de drama. Mas ainda assim, os filmes de Shyamalan são excelentes, tensão psicológica como não víamos há muito tempo, sem precisar "apelar" para o terror. Alguns já estão se referindo a ele como o novo Hitchcock, mas isso eu já acho meio exagerado.

Por mim, podem falar mal o quanto quiserem. Podem achar que o próximo filme será pior do que A Vila. Desde que o Sr. Shyamalan continue lançando seus filmes, tão diferentes uns dos outros quanto quiser, com final surpreendente ou não, e por mais súbita que a mensagem possa ser, eu vou continuar assistindo. E gostando.
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domingo, 19 de setembro de 2004

Escrito por em 19.9.04 com 0 comentários

Dragão Brasil

Embora eu goste muito de cinema, não concordo com o Severiano Ribeiro. Para mim, ler é que é a maior diversão. E além de livros, eu sempre gostei muito de ler revistas. Já colecionei Super Interessante, Game Power, Wizard; na minha adolescência, gastava os tubos comprando X-Men, Homem-Aranha, Witchblade, Gen13... Houve uma época em que eu chegava a comprar mais de 15 revistas por mês.

Enfim, a palha acabou de queimar, enchi o saco de gastar tanto dinheiro, e hoje só coleciono duas revistas, além de comprar alguma "avulsa" muito raramente. Uma revista que eu comecei a comprar lá em 1995 e sobreviveu até hoje é o tema deste post. A Dragão Brasil.

Se não me engano, comecei a comprar a DB pelo número 6. Na época eu jogava Mage e Werewolf, e vi um dos meus amigos comprando a publicação na saudosa banca do Paulinho (caraca, será que o Paulinho ainda está lá?). Não conhecia a revista, mas pedi para dar uma olhada e achei interessante. Resolvi comprar também. Não comecei a colecionar, comprava só alguns números esporádicos, que traziam matérias que me interessavam. Mais tarde, como eu já tinha quase todas mesmo, dei um jeito de comprar as que tinha "perdido" (e a mais difícil foi a no 15, que eu demorei quase um ano para conseguir). Por volta do no 30 eu já tinha a coleção completa, e estava colecionando.

Pois bem, eu parei de jogar RPG, parei de colecionar revistas, mas a DB ficou. Até hoje eu gasto uma parcela do meu dinheiro todo mês com ela. Mas por quê? Do que se trata?

Bem, como alguns já devem ter reparado, a Dragão Brasil é uma revista sobre RPG, aquele famoso jogo onde cada jogador interpreta um personagem, e um jogador chamado Mestre apresenta os desafios na forma de uma aventura. Já escrevi aqui sobre ele, procurem ali ao lado no Arquivo.

Na DB, todos os meses temos os últimos lançamentos de RPG no Brasil e nos EUA, alguns com resenhas, além de aventuras prontas para o Mestre que quiser poupar um pouco de tempo, e adaptações de histórias famosas, como filmes e anime. Se você quiser meter a porrada no Inu Yasha, a DB no 97 traz a ficha dele.

Apesar de comentar sobre todos os sistemas, para as adaptações são utilizados principalmente quatro: d20 (D&D), Storyteller (Vampire, Werewolf), GURPS (esse andava meio sumido, mas parece que agora voltou) e 3D&T. 3D&T, aliás, é o sistema "da casa", inventado por um dos editores e criadores da DB, Marcelo Cassaro, sob o nome de Defensores de Tóquio, um RPG satírico com heróis japoneses (Tokusatsu e Sentai), e depois adaptado para proporcionar a criação de aventuras em qualquer cenário, incluindo fantasia medieval.

Falando em fantasia medieval, a DB também possui seu cenário "oficial", Tormenta. De vez em quando são publicados livros para o cenário (alguns até em d20!) e regularmente temos matérias na revista sobre ele. Tormenta já é um dos cenários mais jogados no Brasil (se não o mais jogado) e é um dos mais interessantes que eu já vi, não devendo nada aos oficiais do D&D.

Além de RPG, a DB também fala de Card Games (tipo Magic: The Gathering), jogos de miniaturas (Mage Knight, Hero Clix) e RPGs de videogame (Final Fantasy, Star Ocean). De vez em quando também são publicados contos e histórias em quadrinhos. Como curiosidade, a Dragão Brasil tem este nome porque, quando começou, resolveu utilizar o nome Dragon, o mesmo da mais importante publicação norte-americana do gênero. Só que eles não eram uma versão brasileira da Dragon, e provavelmente foram obrigados a mudar de nome pela Dragon verdadeira. Assim, a partir do no 3, a revista passou a se chamar Dragão Brasil.

Para os padrões do mercado nacional, em se tratando de uma revista de uma editora pequena (a Talismã, que só publica mesmo a DB e suas edições especiais) a DB é uma revista muito profissional. Mesmo que alguns descontentes reclamem de vez em quando, todo o material é de alta qualidade. Se você joga RPG e não a conhece (o que deve ser meio difícil, já que ela é "a maior, melhor e única revista de RPG do Brasil") eu recomendo.

Atualização (29/05/2005): Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J. M. Trevisan saíram da Editora Talismã, foram para a Editora Mantícora, e estão em uma nova revista, a Dragonslayer. A Dragão Brasil agora é de responsabilidade da equipe do site RedeRPG. Inicialmente, acho que não vai ser uma mudança ruim. Afinal, duas revistas de RPG no mercado é sempre melhor que uma.

Atualização (21/11/2016): Pouco depois de ser passada para as mãos da RedeRPG, a Dragão Brasil, sem fazer sucesso, acabaria cancelada. Mas, para a surpresa de todos, este mês ela retornou em formato digital (pdf), e pelas mãos de seus criadores originais, Cassaro, Saladino e Trevisan, ajudados por outros profissionais competentíssimos como Leonel Caldela, Gustavo Brauner e Guilherme dei Svaldi. Para receber a nova revista todos os meses, basta fazer uma assinatura no site da Dragão Brasil no Apoia.se, sendo possível escolher entre três opções, com valores de 7, 11 e 20 Reais, e alguns mimos incluídos para quem assinar com mais de 7. Em breve, também estarão disponíveis para venda no mesmo site as edições anteriores (aparentemente, apenas as digitais, não as das Editoras Trama e Talismã).
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domingo, 12 de setembro de 2004

Escrito por em 12.9.04 com 0 comentários

Cake



Não tenho um gênero favorito de música perfeitamente definido. Gosto de rock, é verdade, mas não sou da turma do progressivo, do heavy metal, do niumetal, do trash, do grunge, nem nada assim. Gosto do que me agrada, e isso faz com que minha lista de favoritos tenha coisas tão antagônicas quanto, digamos, Jewel e Evanescence. Uma de minhas bandas favoritas parece sofrer de um problema parecido, de não saber em que estilo musical se enquadra, embora eu ache que ela tem um quê de country music. Tal banda, tema deste post, são os californianos do Cake.

Eu descobri o Cake através de um clip da Mtv, a regravação de I Will Survive, de Gloria Gaynor (bem antes da Globo colocar esta mesma música na trilha de uma novela qualquer que eu nem me lembro mais qual foi, mas que "revelou" a banda para o Brasil). Eu achei aquela regravação tão deliciosamente debochada, tal o ritmo quase catártico no qual o vocalista a cantava, que decidi procurar o disco. Era o ano de 1996, e ninguém sabia do que se tratava, já que ainda não era comum lançamentos quase simultâneos com o exterior de bandas quase desconhecidas no Brasil. Felizmente, na época, um Dólar ainda era mais ou menos um Real, eu ainda tinha cartão de crédito, e ainda cultivava o hábito de comprar pela CDNow. Encomendei o bichinho, e não me arrependi nem um centavo.

Não era só o tom que era debochado, as letras também. A maioria não faz o menor sentido, mas e daí? Imediatemente, o Cake entrou para a minha lista de favoritos, e logo depois, graças à tal novela que eu citei ali em cima, estava tocando nas rádios, o que não só fez com que o CD começasse a vender por aqui, como possibilitou que eu descobrisse que Fashion Nugget, o tal que eu tinha comprado, não era o primeiro deles, mas o segundo (pois é, eu tenho mania de conhecer as bandas pelo segundo disco). Quando saiu o terceiro, Prolonging the Magic, aproveitei e comprei o primeiro, Motorcade of Generosity, no mesmo dia. Excelente negócio, diga-se de passagem.

A história da nossa banda começou em 1980, quando o futuro vocalista do Cake, John McCrea, começou a tocar como guitarrista de aluguel em várias bandas de Sacramento, na Califórnia. No final da década, John decidiu que seria mais fácil se tornar conhecido se mudando para Los Angeles, mas descobriu que as oportunidades eram as mesmas, só que mais caras e mais distantes umas das outras. Em 1991, ele fundou a "banda" Cake (que, na verdade, era ele sozinho), fez um único show, e voltou para Sacramento, onde recrutou alguns amigos para sua recém-formada empreitada. A primeira formação do Cake, além de John McCrea nos vocais, tinha Frank French como baterista, o trumpetista Vince di Fiore, Greg Brown na guitarra e Sean McFessel no baixo. Pouco tempo depois, McFessel deixou a banda para cursar a Universidade, e foi substituído por Gabe Nelson.

Em 1993, sem conseguir contrato com nenhuma gravadora, eles decidiram bancar seu primeiro álbum de seus próprios bolsos. Primeiro gravaram um single de 7 minutos, com Rock n Roll Lifestyle no lado A, e Jolene no lado B. Mais tarde, gravaram seu primeiro disco, Motorcade of Generosity, totalmente pago com recursos da banda, e vendido sem distribuição, apenas para os amigos e algumas pessoas do meio. Uma das cópias deste álbum foi parar na Capricon Records, em Nashville, Tenessee, que se interessou pelo trabalho da banda e decidiu contratá-los.

Antes do contrato ser firmado, Gabe Nelson e Frank French tiveram que deixar a banda, e foram substituídos por Victor Damiani e Todd Roper, respectivamente. Contrato firmado, em 1994 Motorcade of Generosity foi relançado, desta vez "profissionalmente", com distribuição em todo o país, e a banda saiu em sua primeira turnê, enquanto já trabalhava em novas canções. Uma curiosidade sobre este álbum é que a banda decidiu reaproveitar algumas das faixas que tinham gravado para a primeira versão do CD, e creditá-las a Nelson e French no encarte.

As faixas Rock n Roll Lifestyle, Jolene e Ruby Sees All se tornaram grandes sucessos nas rádios e na Mtv, e a banda passou meses em turnê, até que, no final de 1995, decidiu se concentrar em seu próximo lançamento. Totalmente gravado no mesmo estúdio de Motorcade (para dar sorte, talvez), o segundo álbum da banda, Fashion Nugget, foi lançado em setembro de 1996. sua primeira música de trabalho, The Distance, se tornou mais um sucesso da banda, que saiu novamente em turnê. Outras faixas de sucesso deste lançamento foram I Will Survive e Frank Sinatra.

No início de 1997, Victor Damiani decidiu deixar a banda para cuidar de outros interesses, e Gabe Nelson foi convidado a retornar, convite que prontamente aceitou. Em agosto deste mesmo ano, cansados de tantas turnês, a banda decidiu dar uma parada nas turnês e retornar a Sacramento, para descansar e trabalhar em seu terceiro álbum.

Em janeiro de 1998, o guitarrista Greg Brown também resolveu deixar a banda. Ao invés de substituí-lo, McCrea decidiu gravar seu terceiro álbum, Prolonging the Magic, utilizando seis guitarristas de aluguel diferentes. Para escolher qual guitarrista tocaria em cada faixa, ele fazia testes com os selecionados, e utilizava a seqüência que havia ficado melhor. Uma das faixas, Never There, porém, não agradava McCrea com nenhum dos guitarristas que ele havia escolhido. Com a data para fechar o álbum se aproximando, ele decidiu pegar a primeira versão teste da música, mesmo não sendo essa sua preferida. Prolonging the Magic foi lançado em setembro de 1998, e logo depois o Cake partia para sua primeira turnê pela Europa, levando consigo o guitarrista Xan McCurdy, um dos seis que contribuíram para as faixas do novo álbum, agora membro definitivo da banda. Por uma daquelas razões inexplicáveis, Never There, a música que tanta dor de cabeça deu a McCrea, se tornou o maior sucesso do novo álbum, a primeira da banda a alcançar o número 1 da parada da Billboard, e contribuiu para que a banda se tornasse conhecida mundialmente. Sheep Go To Heaven, lançada algum tempo depois, também se tornou um grande sucesso.

Todo este sucesso chamou a atenção da gravadora Columbia, com a qual o Cake firmou contrato no início de 2000. Em 2001 eles lançaram seu quarto álbum, Comfort Eagle, o mais bem sucedido financeiramente até agora. O clip de Short Skirt/Long Jacket, que mostrava as reações de pessoas na rua à nova canção da banda antes de seu lançamento, se tornou um grande sucesso na Mtv, e foi imitado por várias outras bandas. Love you Madly também teve um clip original, onde os componentes da banda competiam em um concurso de culinária, preparando os pratos enquanto a música tocava. Pouco após o lançamento de Comfort Eagle, o baterista Todd Roper decidiu deixar a banda para se dedicar à família, e foi substituído por Pete McNeal, que participou da turnê.

No final de 2003 a banda deu uma nova parada em suas turnês, e começou a trabalhar em seu mais recente álbum, Pressure Chief, já finalizado. O lançamento está previsto para outubro de 2004, com várias músicas no mesmo estilo ao qual os fãs já se acostumaram.
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domingo, 5 de setembro de 2004

Escrito por em 5.9.04 com 0 comentários

Order of the Stick

Uma das coisas realmente boas da internet é a possibilidade que ela dá de divulgação de um trabalho. Você não precisa de um contrato com uma editora para mostrar seus textos para o mundo, nem com uma gravadora para espalhar suas músicas por aí. Dentro desta idéia, começaram a surgir uma forma de entretenimento que eu muito aprecio, embora confesse que não tenha muita paciência para ficar acompanhando: as Webcomics, tiras em quadrinhos disponibilizadas em um site, ao invés de em jornais ou revistas. Algumas têm atualizações diárias, outras semanais, outras são atualizadas quando dá na telha do autor.

A primeira que eu encontrei foram os Combo Rangers, que acompanhei até o final da "fase sentai". Depois achei o Bob & George, que acompanho até hoje. Esporadicamente, achava uma ou outra, que lia um pouquinho, mas não acompanhava. Recentemente, um amigo me indicou uma hilária, que decidi acompanhar também: a Order of the Stick.

Trata-se de uma Webcomic para fazer troça com o Dungeons & Dragons o famoso RPG. A tal Order of the Stick é um grupo de seis heróis, explorando uma masmorra cheia de perigos ("e tesouros!" - piada interna) buscando eliminar da face da Terra o malvado lich Xykon. Para quem não está familiarizado, um lich é um mago muito poderoso que, através de um ritual, se transformou em um morto vivo, ampliando seus poderes, e se tornando virtualmente imortal.

Nossos bravos heróis são: Roy Greenhilt, o guerreiro; Elan, o bardo um tanto quanto prejudicado na rolagem de inteligência; Durkon Thundershield, o anão clérigo de Thor; Haley Starshine, ladra e destruidora de corações; Belkar Bitterleaf, halfling ranger e sem educação; e Vaarsuvius, elfo mago muito poderoso e de sexo indefinido.

E porque seria Order of the Stick o nome da história? Isto é simples: todos os personagens são bonecos-palito (stick figures, em inglês). Longe de ser uma coisa ruim, isto contribui e muito para a graça da história. As piadas são engraçadíssimas, mesmo para quem não conhece as regras do RPG, embora algumas "piadas específicas" possam eventualmente passar despercebidas por estes.

As atualizações são feitas às segundas e quintas, e existem versões em alemão, italiano e português (A Ordem do Palito), embora a versão em português tenha alguns errinhos (algumas palavras escritas errado, como "estúpedos", e alguns trocadilhos muito mal traduzidos) e esteja atrasada 80 números. Mesmo assim, recomendo a todos os que gostam de quadrinhos e estejam procurando por alguma diversão darem uma passadinha pelo site da Order. Vamos prestigiar o autor.
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