domingo, 29 de fevereiro de 2004

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Palavras Cruzadas

Eu sempre gostei de Palavras Cruzadas. Desde pequeno, minha mãe sempre comprava a famosa revista Picolé, que eu passava horas fazendo, tentando descobrir as respostas, e perguntando aos adultos quando eu não sabia. Este saudável vício cresceu comigo, e ainda hoje eventualmente eu compro uma revistinha da Coquetel para ficar fazendo nas horas vagas. O meu preferido é o Cruzadox, mas as revistinhas da série Ouro também costumam transitar aqui em casa. De vez em quando eu arrisco um Desafio Cérebro, do nível difícil, mas este é meio frustrante, porque pergunta coisas que poucos seres humanos devem saber de cór (sinônimo de "esqueleto"? Ora, façam-me o favor!).

Uma revista da CoquetelO primeiro jogo de palavras cruzadas que se tem notícia foi publicado em 1913, no jornal The New York World, pelo jornalista Arthur Wynne, editor do jornal em questão. Ao contrário do que muitos acreditam, porém, Wynne não foi o "inventor" das palavras cruzadas. Vários povos da Antigüidade, como os egípcios, os romanos e os gregos, tinham a "mania" de brincar com as palavras, dispondo-as de forma a cruzar umas com as outras, formando novas palavras. Esta prática, porém, era considerada altamente intelectual, praticada apenas pelos sacerdotes e escribas mais importantes, e não um mero passatempo.

O New York World, porém, era um jornal revolucionário: foi o primeiro a publicar histórias em quadrinhos (as do Yellow Kid, em 1896, consideradas por muitos como as primeiras histórias em quadrinhos do mundo), o primeiro a trazer brindes (no caso, partituras musicais) e, aos domingos, trazia o suplemento Fun. Este suplemento, composto de 8 páginas, tinha cartuns, propagandas, anedotas e pequanos passatempos. Wynne era o responsável por descobrir novos passatempos para o suplemento. Ele começou com o liga-pontos, carta enigmática, e os famosos puzzles do tipo "quantos quadrados existem na figura abaixo". Em 21 de dezembro de 1913, baseado nos antigos "Quadrados de Palavras", espécie de passatempo onde o objetivo é criar um quadrado de 5x5 letras onde as mesmas palavras lidas na horizontal possam ser lidas na vertical, Wynne criou um jogo que chamou de "Crosswords" (para quem não sabe, "Palavras Cruzadas"). A diferença entre as Palavras Cruzadas e o Quadrado era que, nas Palavras Cruzadas, as palavras da vertical eram diferentes das da horizontal. Foi um sucesso instantâneo, e as Palavras Cruzadas retornaram domingo após domingo, tornando-se parte integrante do suplemento. Wynne tentou convencer Joseph Pulitzer, o dono do jornal, a patentear as Palavras Cruzadas, mas não conseguiu, pois este achava que o passatempo seria um modismo passageiro.

Com o passar do tempo, outros jornais começaram a publicar as Palavras Cruzadas, até que elas foram finalmente patenteadas pelo New York Times, o rival do New York World. As regras foram mudando ao longo do tempo, até se tornarem como são hoje. Wynne nunca recebeu um centavo por sua invenção, e o New York Times chegou a contestar a "paternidade" do passatempo ao noticiar a morte de Wynne, em 1945.

Estilo americanoNo Brasil, o primeiro jogo de Palavras Cruzadas foi publicado no jornal carioca A Noite, em 22 de abril de 1925. Era baseado nas regras da época para as Palavras Cruzadas, mas com a diferença de que as palavras eram em português.

O jogo de Palavras Cruzadas inventado por Wynne ficou conhecido como "Palavras Cruzadas Americanas" ou simplesmente "Crosswords". Em seu diagrama, quadrados brancos ("abertos") e pretos ("fechados") se alternam, e o objetivo é responder às perguntas nos quadrados abertos, de acordo com sua numeração, na horizontal ou na vertical. As perguntas vêm separadas do diagrama, normalmente abaixo do mesmo.

No Brasil, em grande parte devido à popularidade das revistas Coquetel, são mais populares as "Palavras Cruzadas Diretas" ou "Direkten", inventadas na Alemanha. Seu diagrama é composto apenas de quadrados abertos, sendo que alguns são ocupados pelas perguntas, com uma seta indicando onde a resposta deve ser escrita. Este estilo foi inventado porque, na Alemanha das décadas de 20 e 30, o espaço nos jornais era muito bem planejado para cortar custos, e um diagrama separado das perguntas ocuparia mais espaço que um onde as perguntas já viessem dentro do próprio diagrama.

Enquanto as Crosswords são praticamente todas iguais (exceto pelas palavras, logicamente), as Diretas possuem muitas variações, como os famosos "quadradinhos cortados", onde devem ser escritas duas letras (inclusive existe uma variação onde o próprio jogador tem que determinar quais quadrados irá cortar), a "Silábica", onde cada quadrado comporta uma sílaba ao invés de uma letra, e o "Bolsão", que, além de quadrados brancos, tem quadrados acinzentados, ondem devem ser escritas de duas a cinco letras dependendo da palavra, aumentando o grau de dificuldade do passatempo.

As primeiras Palavras Cruzadas Diretas publicadas no Brasil apareceram na revista Coquetel, publicada pela editora Ediouro, em 1948. Com o passar do tempo, Coquetel se tornou uma linha de produtos da Ediouro, que hoje conta com vários títulos, de vários níveis de dificuldade diferentes, alguns dedicados a apenas um tipo de passatempo, como Caça-Palavras, e outros com passatempos variados, mas sempre incluindo as Diretas, como a já citada série Ouro. Ao todo, a Ediouro "despeja" nas bancas nada mais nada menos que 60 revistas a cada 15 dias, que apresentam alternadamente 36 tipos de passatempos diferentes!

Para terminar este imenso porém interessantíssimo post, deixarei dois links: o primeiro, evidentemente, é o da Coquetel, referência obrigatória em Palavras Cruzadas e demais passatempos do gênero no Brasil, onde, inclusive, pode-se jogar on-line (mediante um cadastro gratuito e indolor). O segundo é para o Palavras Cruzadas.com, que eu achei procurando uma figura das primeiras Palavras Cruzadas, e traz fatos históricos interessantíssimos sobre a origem do joguinho. Divirtam-se.
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domingo, 15 de fevereiro de 2004

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Tapa-Buraco (II)

Esta semana foi muito atarefada, e não tive tempo de preparar nada para postar aqui. Quando isso acontece, é hora de mais uma música da Tori Amos! \o/



Winter
Letra e música: Tori Amos

Snow can wait, I forgot my mittens
Wipe my nose, get my new boots on
I get a little warm in my heart when I think of winter
I put my hands on my father’s glove
I run off where the drifts get deeper
Sleeping Beauty trips me with a frown
I hear a voice “You must learn to stand up
For yourself cause I can’t always be around”
He says...

Refrão
When you gonna make up your mind?
When you gonna love you as much as I do?
When you gonna make up your mind
'Cause things are gonna change so fast
All the white horses are still in bed
I tell you that I'll always want you near
You say that things will change, my dear

Boys get discovered as winter melts
Flowers competing for the sun
Years go by and I’m here still waiting
Withering where some snowman was
Mirror, mirror where’s the crystal palace?
But I only can see myself
Skating around the truth who I am
But I know dad, the ice is getting thin

Repete Refrão

Hair is grey and the fires are burning
So many dreams on the shelf
You say I wanted you to be proud of me
I always wanted that myself

When you gonna make up your mind?
When you gonna love you as much as I do?
When you gonna make up your mind
'Cause things are gonna change so fast
All the white horses have gone ahead
I tell you that I’ll always want you near
You say that things must change, my dear

Never change
All the white horses...
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domingo, 8 de fevereiro de 2004

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Origami



Alguém aí sabe fazer origami? Eu sei! É um ótimo passatempo, embora algumas vezes o papel amasse todo, ou o bicho não fique nem um pouco parecido com o desenho que eu estou seguindo. Na maioria das vezes, porém, fica bonitinho.

Quando eu era criança, eu só sabia fazer aviãozinho, barquinho e bolinha (essa piada é da Kiki: "Eu sei fazer bolinha, fica lindo!"). Um dia, alguém que eu não lembro quem foi, me ensinou a fazer aquele passarinho que voa. O meu ficou todo troncho, e não voava. Também me ensinaram a fazer balãozinho, mas o meu esgarniçava todo na hora de soprar por aquele furinho que tinha embaixo, pro balão encher. Talvez minhas mãos não fossem feitas para dobrar papel, afinal.

Mas eu não me dei por vencido! Aproveitei que fomos a uma Bienal do Livro (não lembro o ano, mas deve ter sido 1991) e comprei um livro que ensinava a fazer os básicos.

Pra quem não sabe, o origami tem uma série de movimentos básicos, que se repetem em qualquer outra figura que você aprenda ou invente. Me esforcei para decorar esses movimentos, e elegi uma figura para aprender a fazer com perfeição, antes de partir para outras: o pássaro-que voa.

Tudo que era propaganda que caía na minha mão virava um pássaro. Passei uns dois anos fazendo pássaro atrás de pássaro. Fiz uns mil. Sei fazer de cór. Voa. Pronto, estava preparado para novos desafios.

Até há alguns anos, eu sabia fazer cigarra, pingüim, peixe, sapo e o famoso pássaro de cór. Infelizmente, esqueci tudo, menos o pássaro, que deve ter grudado no meu cérebro de tantos que eu fiz. Mas graças à experiência adquirida com o pássaro (e à coordenação motora também), hoje consigo fazer qualquer bicho, basta me dar o molde. Alguns são mais difíceis (e saem mais tortos), outros mais fáceis, mas eu sempre consigo chegar ao final. O que é um alívio, pois a maioria dos moldes diz "cuidado com esse passo, é muito difícil", e eu passo direto, sem sentir problema algum (embora de vez em quando amasse o papel todo sem querer). Culpa do pássaro. Nunca me arrisquei a inventar meus próprios bichos, mas tem uns malucos que o fazem.

Para aqueles que também apreciam esta forma de entretenimento, deixo um link muito legal, a Dr. Stephen O'Hanlon's The Origami Page. Os moldes estão em formato .pdf (do Adobe Acrobat), e tem inclusive instruções sobre a terminologia dos moldes e os movimentos básicos, ou seja, até quem só sabe fazer bolinha pode se arriscar. (Nota do Guil: Aparentemente, esse site saiu do ar bem quando eu resolvi linkar pra ele. Como agora eu estou meio sem tempo para achar outro, vamos torcer para que ele volte, mas prometo que indico um novo assim que for possível).

Para os que não têm paciência de ficar dobrando papel, mas acham bonitinhos os "resultados finais" (conforme um professor meu certa vez disse), outro link: a Pseudo Art Gallery, uma espécie de "museu", com figuras de vários e diversos origami montados. Foi de lá que veio o rinoceronte que ilustra este post.
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domingo, 1 de fevereiro de 2004

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Micro Heroes



Já que estamos mesmo no assunto "super-heróis", vamos falar hoje dos incríveis Micro Heroes!

A primeira vez que eu vi um Micro Hero foi no saudoso O Arauto de cada Aurora, o finado blog do Capitão Cinza. Por um acaso, era um Micro Hero do próprio Capitão Cinza, logo apelidado de "Capitão Cinza versão Dragon Ball", pois se parecia com os personagens deste infame desenho. Alguns dias depois, o Capitão postou alguns Micro Heros da DC. No início, eles atiçaram minha curiosidade: De onde vinham? Seria algo do tipo Dollz? Foi o próprio Capitão Cinza que os fez? Como estava meio ocupado na época, larguei pra lá e esqueci.

Enquanto procurava uma figura decente do Homem-Coisa para o post anterior, porém, me deparei com uma página só de Micro Heroes, a Rich's Micro Heroes Page. Lá eu descobri que foram alguns malucos que inventaram essa onda. Funciona da seguinte forma: Os malucos disponibilizam um "molde", de bonequinhos "pelados", e o interessado desenha o uniforme de seu herói preferido por cima. O "site oficial" dos Micro Heroes, além de vários heróis prontos, também traz moldes de máscaras, capas, cabelos e acessórios. Aparentemente, pode-se criar qualquer super-herói do mundo no formato Micro Hero, desde que se tenha paciência.

Eu achei os Micro Heroes uma idéia muito interessante, principalmente porque me lembra a época em que eu não tinha mais o que fazer e ficava fazendo ícones de super-heróis (infelizmente era só a cabeça, senão ficava muito pequenininho). Hoje em dia não tenho mais tempo livre nem paciência para ficar desenhando uniformes, mas me sinto bastante tentado a sair fazendo um monte de Micro Heroes. Já baixei os moldes, mas ainda não me animei a começar.

Para quem tiver um pouco mais de disposição, os moldes estão disponíveis no "Site Oficial" dos Micro Heroes. É um grupo do Yahoo!, o que significa que os interessados precisam se cadastrar.

E, antes que alguém pergunte, eu não achei nenhum Micro Hero do Homem-Coisa. Mas o Google tem essa mania de nos mostrar coisas que não têm nada a ver com o que procuramos.
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