domingo, 28 de março de 2004

Megaman (I)

Creio não ser mais segredo pra ninguém que minha série de videogames preferida é a do Megaman. Talvez pelo fato do jogador poder escolher a ordem das fases, talvez pela habilidade de Megaman usar a arma de um robô para destruir o outro, talvez simplesmente por aquela razão desconhecida que faz com que a gente goste de uma coisa e não goste de outra parecida, sei lá.

A primeira vez que eu joguei um jogo da série Megaman foi lá por 1990. Não me lembro bem a data, mas era o Megaman 2, que meu primo tinha pego emprestado com um amigo. Foi meio frustrante, pois não conseguimos vencer um único robô sequer, por pura falta de habilidade. Algum tempo depois, meu primo comprou o Megaman 3, e nós jogamos exaustivamente, até conseguir vencer de trás para a frente. Animado com nosso desempenho, ele decidiu comprar também o 2, e jogar dessa vez foi tão fácil que eu até fiquei espantado com como nós éramos ruins da primeira vez que jogamos. Depois eu comprei o Megaman 1, e aí nunca mais larguei desse vício.

Posso dizer que sei quase tudo sobre a série. Já zerei todos os jogos de Megaman que existem, com exceção de três (Megaman Legends, Megaman Legends 2 e Megaman X7). Sabia como pegar todos os segredos, e derrotar todos os robôs. Um passatempo comum, inclusive, era derrotar os robôs em ordem alfabética, todos com a arma normal, todos com o tiro simples, na ordem do quadro de escolha, e qualquer outra ordem maluca que a imaginação permitisse inventar. O fator replay de Megaman aqui em casa era quase infinito. Ultimamente, não tenho jogado muito, até porque os títulos novos são para videogames que não possuo. Mas, ainda assim, o robozinho azul está no topo da minha lista de games preferidos.

Megaman foi inventado em 1987, com o nome de Rockman, por Keiji Inafune, para o console Famicon (o equivalente japonês do Nintendo 8-bits, ou NES) para a companhia Capcom, famosa por seus jogos de arcade Captain Commando e Final Fight, e que mais tarde viria a inventar Street Fighter. Inafune não gostava muito desses jogos violentos, e queria algo no estilo Super Mario Bros; um jogo simples de plataforma. Uma idéia nova, porém, se tornou o diferencial da série, e grande responsável por seu sucesso: a opção de escolher a ordem das fases, ao invés de seguir por elas em uma ordem pré-determinada.

Na época, os jogos de NES tinham entre 256Kbits e 1Mbit de memória. Megaman tinha 1M640Kbits, o que proporcionava gráficos e música superiores, além do famoso sistema de armas conquistadas ao derrotar os robôs inimigos. A história era a seguinte: em um futuro não muito distante (no ano de "19XX"), dois cientistas, Dr. Thadeus Light e Dr. Albert Wily, trabalham na criação de robôs para auxiliar os seres humanos em suas tarefas diárias. Juntos, eles criam oito robôs: Cutman, um robô jardineiro; Gutsman, que trabalha na construção e mineração; Elecman, usado em subestações elétricas; Iceman, para trabalhar em condições de frio extremo; Fireman, para trabalhar em condições de calor extremo; Bombman, usado em demolição; e os irmãos Rock e Roll, tipos de "empregados domésticos" dos cientistas. Mas o Dr. Light não sabia que o Dr. Wily tinha outros planos: roubou os seis robôs mais poderosos, alterou sua programação, e decidiu utilizá-los para dominar o mundo. Às pressas, Dr. Light criou um novo robô, Blues (que, em inglês, virou Protoman), que seria usado para combatê-los. Blues, porém, fugiu, e não aceitou seu papel. Sem tempo para construir outro robô, Dr. Light foi obrigado a modificar Rock, para que, de empregado e faxineiro, ele se tornasse um robô guerreiro salvador do mundo!

O trunfo de Rockman (ou Megaman, como ficou conhecido em inglês) era sua incrível capacidade de adaptação: Ao derrotar um robô, ele poderia acoplar a si mesmo um de seus chips, e com isso ganhar um dos ataques daquele robô (sua "arma", uma das coisas mais legais do videogame). Assim, Megaman partiu para enfrentar os seis robôs renegados, e, depois de derrotá-los, invadir o laboratório do Dr. Wily, onde enfrentaria um robô gigante capaz de lançar pedaços seus como arma; um sósia maligno; uma estranha máquina em formato de bolhas; e finalmente o próprio cientista, que, apesar de derrotado, conseguiu fugir. Lógico, senão não teríamos Megaman 2.

O jogo fez um sucesso tão estrondoso que a parte 2 saiu um ano depois, em 1988, com 2Mbits de memória, oito robôs inimigos, três armas especiais, e uma fortaleza melhorada e bem mais difícil para o Dr. Wily. Ao longo do tempo, Megaman ganhou inúmeras outras continuações (praticamente uma por ano), mais personagens (o cão-robô Rush, o cientista russo Dr. Cossack, o eterno rival Bass, e muitos outros) quatro "subséries" (Megaman X, Megaman Legends, Megaman Battle Network e Megaman Zero) e se tornou um dos personagens mais populares do Japão, aparecendo em Animes (que nunca chegaram aqui), mangás e inúmeros brinquedos.

Atualmente, a série clássica está meio suspensa. O enfoque principal agora é para as séries Megaman Battle Network (ou Rockman EXE), de RPG, e Megaman Zero, onde Megaman é o vilão e não o herói, ambas para o Gameboy Advance. Este ano saiu também Megaman X7 para Playstation2, e a Capcom promete um título especial, Megaman Anniversary Collection, que contém dez jogos (Megaman do 1 ao 8 e mais dois que só existiam para os arcades), para Playstaion2, GameCube e Gameboy Advance (esta com apenas 5 jogos, Megaman I a V do Gameboy original).

Infelizmente, hoje em dia ninguém mais faz jogos de plataforma, portanto, Megaman X7 é em 3D, Battle Network é de RPG, e apenas Megaman Zero ainda segue o estilo original. O único problema desta série é que Zero, o personagem principal, não pode ganhar as armas dos chefes (até pode, mas isso é tão complicado...), o que tira um pouco da graça do jogo.

Enfim, Megaman é parte importante de minha infância e adolescência, e encabeça a lista dos meus games preferidos, mesmo que hoje não tenha mais o mesmo charme de outrora. Mas, afinal, o quê ainda tem?

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