domingo, 18 de janeiro de 2004

Hero Clix



Desde pequeno, eu sempre gostei de super-heróis. Apesar da primeira revista do gênero que eu li na vida ter sido do Capitão América, rapidamente eu descobri os X-Men, e depois o Homem-Aranha. Acho que tive a sorte de pegar a melhor época dos dois títulos, com Chris Claremont nos X-Men, por exemplo (ah, sim, "Xis-Men" por favor, detesto esse negócio de "éks-men"). Fui um consumidor contumaz de quadrinhos americanos até a Editora Abril assassinar o famoso "formatinho" e lançar a horrenda linha "Super Heróis Premium", que custavam os olhos da cara com a desculpa de que eram em formato maior e papel de melhor qualidade. Como tinham o mesmo número de histórias (três ou quatro por edição) o custo-benefício se tornou meio desagradável. Juntando isso com o fato de que as histórias já estavam ficando chatas mesmo (o Wolverine já tinha morrido umas quatro vezes, e o Homem-Aranha já tinha mais clones que a população de Ubatuba), decidi encerrar minhas atividades. Nunca mais comprei quadrinhos americanos, com exceção das seis edições dos Transformers que saíram esse ano.

Ainda assim, sempre que posso, costumo acompanhar as novidades (embora muitas vezes me arrependa em seguida). Folheio algumas revistas nas bancas, e cato uma coisa ou outra na internet. Uma das coisas mais legais que eu achei ultimamente não tem muito a ver com revistas em quadrinhos, a não ser pelos personagens. Trata-se de Hero Clix, um jogo de miniaturas colecionáveis.

Um jogo de miniaturas colecionáveis (CMG para os íntimos) é mais ou menos como um Card Game, mas, ao invés de cartas, cada jogador tem um punhado de "bonequinhos", que usará para tentar derrotar os personagens do oponente. Cada miniatura traz informações como força, defesa, velocidade e poderes especiais em sua base, e tem uma "energia", que, quando chega a zero, o personagem é eliminado do jogo.

O primeiro jogo de miniaturas a ser lançado foi o Mage Knight, de temática medieval, pela empresa norte-americana Wizkids. Nele, diversas facções lutam pelo poder em um mundo medieval fantástico, com monstros, guerreiros, magos, e tudo o mais que se tem direito (e até algumas coisas mais estranhas, como golens movidos a vapor e armas de fogo que utilizam pólvora...). O jogo fez grande sucesso nos EUA (onde ainda existem muitos jogadores de wargames, uma espécie de avô do RPG, onde se usam miniaturas de estanho e dioramas detalhados para jogar), e, na minha opinião, só não está sendo mais bem sucedido no Brasil por causa do alt(íssim)o preço.

Na cola do Mage Knight veio o Marvel Hero Clix, do qual estamos falando aqui. Agora os combates eram entre heróis e vilões do Universo Marvel, entre o Bem e o Mal, a Justiça e o Crime, ou simplesmente entre os meus personagens preferidos e os seus. A Marvel já tinha se aventurado com Card Games no passado três vezes, primeiro com o OverPower (muito bom, cheguei a colecionar e jogar, e sinto que tenha sido cancelado) e depois com o X-Men Card Game (horrível, só teve o set básico) e com o ReCharge (fácil de jogar, só que tão fácil que era bobo e sem graça). Como o Marvel Hero Clix utiliza mais ou menos a mesma mecânica do Mage Knight, está sendo mais bem sucedido que os Card Games, além do fato que os bonequinhos são bem mais legais de se colecionar que cartas.

A Wizkids ainda lançou novos jogos de miniaturas, como o Crimson Skies, na minha opinião um dos melhores, que traz uma história alternativa onde os EUA na década de 40 são na verdade vários paisecos em guerra uns com os outros; o Mech Warrior, de "combate entre robozões", inspirado em Battletech; e outros mais ruinzinhos, Shadowrun, inspirado no RPG de mesmo nome; Creepy Freaks, com monstrinhos beeem americanos, feitos de catarro, pum e outras dessas coisas que eles adoram; e o mais recente, Sports Clix, que nada mais é do que, acreditem ou não, um jogo de miniaturas de beisebol!

Quanto ao Hero Clix, hoje já temos, além do da Marvel, o DC Hero Clix, evidentemente com heróis e vilões da DC Comics, e o Indy Hero Clix que traz super-heróis de várias editoras independentes dos EUA (Crossgen, 2000AD, Top Cow, Dark Horse e Crusade, além de personagens dos títulos Danger Girl e Kabuki). É muito legal ver todos os meus heróis preferidos (e até alguns bem desconhecidos) materializados em um jogo deste tipo. Infelizmente, não posso colecionar devido ao preço abusivo (um "deck" com 10 miniaturas custa em torno de R$ 85,00, e um booster com 5 miniaturas sai por volta de R$ 35,00). Mas faço votos para que Hero Clix tenha vida mais longa que seus Card Games antecessores.

Para finalizar, deixo o link do HCRealms, mantido pela RealmWorx, referência quanto às principais novidades de Hero Clix. Lá também existem links para outros "Realms" (como o MKRealms de Mage Knight e o CSRealms de Crimson Skies, dentre outros). É o site que visito para me inteirar dos últimos lançamentos.

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