domingo, 2 de novembro de 2003

Baralho (I)

Como eu já disse no meu post sobre a Thanos Cardgames, gosto muito de jogos de baralho. Por causa disso, acabei baixando uns jogos esquisitos que eles tinham lá, como um chamado Zsirosas. Desta forma, descobri que não existe só esse tipo de baralho que estamos acostumados a usar. Quer dizer, eu também conhecia o baralho italiano, que é um pouco diferente, mas achava que ele era simplesmente uma variação do Tarô. Com minha curiosidade aguçada, decidi fuçar aqui e ali atrás de sites sobre baralhos. Achei dois bem legais, que vou indicar para vocês hoje.

Antes, vamos a um momento "Você Sabia?": Vocês sabiam que existem cinco tipos básicos de baralho ocidental?

Baralho Francês - Ás de Espadas1 - Este tradicional, que todos nós conhecemos e usamos para jogar uma biribinha, é o Baralho Francês. Os quatro naipes são Espadas, Paus, Ouros e Copas, e tem treze cartas: Ás (A), 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, Valete (J), Dama (Q) e Rei (K), além de eventuais curingas (normalmente dois ou três). Alguns países substituem o Ás pelo 1, e usam letras em seu próprio idioma para representar as figuras (por exemplo, na Alemanha, o Valete é 'B', a Dama 'D' e o Rei 'K').


Baralho Latino (Padrão Espanhol) - Sete de Espadas2 - Outro bastante difundido é o Baralho Latino, que eu conhecia como italiano. Os naipes aqui são Espadas, Bastões, Taças e Moedas. Podem tem 40, 48 ou 52 cartas, normalmente do 1 ao 7, 9 ou 10, e mais as figuras, o Valete ou Aia, o Cavaleiro (montado em um cavalo e tudo) e o Rei. No padrão espanhol, os bastões são porretes de madeira, as espadas são sempre desembainhadas, e as figuras são numeradas 10, 11 e 12, respectivamente. Além disso, as figuras são impressas em um único sentido da carta, ou seja, podem ficar "de cabeça para baixo". Este padrão também é utilizado no sul da Itália, e em alguns países da América Latina. No padrão italiano, utilizado no norte da Itália, as espadas podem estar dentro de bainhas, os bastões são bastões cerimoniais, as figuras não são numeradas, e são impressas nos dois sentidos, como no baralho francês, para nunca ficarem de cabeça para baixo.

Baralho Alemão - Nove de Folhas3 - Menos conhecido por aqui é o Baralho Alemão. Os quatro naipes são, acreditem ou não, Castanhas, Sinos, Folhas e Corações, e são apenas 32 cartas: 7, 8, 9, e 10, mais quatro figuras: o Obermann e o Untermann, espécies de valetes, conhecidos internacionalmente como Over e Under, o Rei, e o Ás ou Deuce, dependendo do padrão. Em qualquer caso, só o 7, 8, 9 e 10 são numerados. Os dois padrões mais famosos são o "de Salzburgo", que, por incrível que pareça, não foi inventado em Salzburgo nem é utilizado por lá, no qual as figuras são impressas num único sentido, e a carta mais alta é o Deuce, representado por duas figuras do naipe; e o "Padrão Guilherme Tell", assim chamado porque todas as figuras são personagens da lenda de Guilherme Tell, com figuras impressas nos dois sentidos da carta, os quatro Reis montados a cavalo, e onde a carta mais alta é o Ás, representado por um personagem, e não por uma figura do naipe, como era de se esperar. Em nenhuma das versões as figuras possuem letras de identificação (tipo O, U e K), mas o naipe do Under é na parte de baixo da carta para diferenciá-lo do Over. Curiosidade: No Padrão Guilherme Tell, os ases de Sinos e de Corações são mulheres - as únicas de todo o baralho. O Padrão de Salzburgo não tem uma mulherzinha sequer.

Baralho Suíço - Rei de Escudos4 - Mais estranho ainda é o Baralho Suíço, provavelmente uma adaptação do alemão, utilizado apenas am algumas cidades da Suíça, e para jogar um único jogo, chamado Jass. São 36 cartas. As numeradas vão do 6 ao 9. As demais são o Over, o Under, o Rei, o Sau, representado por duas figuras do naipe, e o Banner, representado por uma bandeira com o naipe. Os naipes são Castanhas, Sinos, Flores e Escudos. Algumas lojas suíças vendem uma versão de 48 cartas, que inclui o 3, 4 e 5 que talvez fosse utilizada para outros jogos além do Jass.

Tarô (Padrão Francês) - Trunfo 215 - Finalmente, temos o Baralho de Tarô, que, ao contrário do que muitos pensam, foi inventado para jogar baralho, e depois os ocultistas começaram a utilizá-lo para ler o futuro, e não o contrário. Os dois tipos mais difundidos são o Tarô Italiano, mais conhecido como "Tarô de Marselha" (Marselha fica na França, mas foi lá que este Tarô se popularizou, daí o nome), o mais utilizado para ler o futuro; e o Tarô Francês, o mais utilizado para jogar, pois tem as cartas menores. Baralhos de Tarô normalmente têm 78 cartas, do 1 ao 10, mais o Valete, Cavaleiro, Dama e Rei de cada naipe, mais 21 trunfos fixos, numerados de 1 a 21, que não pertencem a naipe nenhum, e mais o Louco (na verdade um problema de tradução; o original era "o Bobo", no sentido de bobo-da-côrte), que não tem naipe nem número, e em cada jogo tem uma função. Alguns subtipos regionais podem ser encontrados em vários países da Europa, com mais ou menos cartas que o tradicional. Um exemplo é o Tarô Minchiate, que tem nada menos que 40 trunfos fixos, totalizando 97 cartas!

Além disso, temos diversos tipos de baralhos orientais, como o Hanafuda japonês, o baralho circular indiano, e muitos outros que não podem ser classificados dentro de nossos padrões ocidentais.

Tudo isso eu aprendi bisbilhotando os dois sites dos quais falei no início do post. Um deles é o Andy's Playing Cards, onde, além de muitas fotos de baralhos exóticos, vocês vão encontrar a história dos jogos de cartas, seu uso e evolução, onde se usa qual baralho e por quê, como surgiram os curingas, e muitos outros fatos interessantíssimos. O segundo se chama simplesmente Card Games Web Site, e, além de uma versão resumida dos tipos de baralho e de vários jogos regionais, conta com regras de um bonucatilhão de jogos de cartas, desde os mais ridículos, como "Pegue 52" e "O Ás da Morte" até os mais complicados, como 500 e Bridge (aliás, alguém aí sabe jogar Bridge? Eu já estou quase desistindo de aprender). Uma boa pedida se você está cansado de jogar Biriba e quer arrumar uns jogos novos para mostrar aos amigos.

Ambos os sites são interessantes porque demonstram que os jogos de cartas são parte importante da cultura regional. Aqui na América, seja do Norte ou do Sul, os baralhos ficaram com imagem negativa, de uma coisa errada, proibida, de jogo de azar. Mas ninguém precisa perder todos os seus bens materiais para se divertir, e um baralho é uma diversão barata, fácil de transportar, e de variações praticamente ilimitadas. E cultural.

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