Mostrando postagens com marcador Musicais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Musicais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Escrito por em 22.2.16 com 0 comentários

Glee

Na época em que Glee estava no ar, eu li em algum lugar que existem dois tipos de pessoas, as que gostam de musicais e as que não gostam, e que pouco podia ser feito para que as que não gostam passassem a gostar. Eu não sei o que foi feito para que eu passasse, porque, até bem próximo dos meus trinta anos, eu detestava musicais, principalmente por achar super ridículas aquelas cenas nas quais todo mundo começa a cantar e dançar de repente como se isso fosse a coisa mais normal do mundo, com apenas duas exceções: A Pequena Loja dos Horrores e The Rocky Horror Picture Show. Em dado momento, porém, talvez com a maturidade, passei a vê-los com outros olhos, resolvi assistir novamente Grease e Amor Sublime Amor, e até passei a gostar. Assim, quando li que iria estrear uma série musical ambientada em uma escola que contava com um coral composto por alunos párias da sociedade, resolvi assistir. Acompanhei Glee na TV do primeiro ao último capítulo, adorei algumas das músicas, não gostei tanto assim de algumas outras, e hoje posso dizer que é uma das minhas séries preferidas. E, agora que ela já terminou há algum tempo, acho que cabe fazer um post. Por isso, hoje é dia de Glee no átomo.


Glee foi uma criação de Ian Brennan, que fez parte do coral da escola quando estudante, e inicialmente escreveu o roteiro não para uma série, mas para um filme, em 2005. Durante anos, ele tentaria oferecer esse roteiro a vários estúdios, sempre sem sucesso, até que, através de um amigo, o roteiro chegaria às mãos de Ryan Murphy, co-produtor da série Nip/Tuck para o canal Fox. Murphy também havia feito parte do coral de sua escola, e estava procurando uma nova série que não envolvesse tiros, ficção científica ou tribunais - que, segundo ele, haviam dominado a televisão. Ele chamaria Brennan e Brad Falchuk, seu colega na produção de Nip/Tuck, e sugeriria que o roteiro fosse alterado para que Glee se tornasse uma série. Os três trabalhariam no roteiro do piloto e o ofereceriam à Fox, que daria a luz verde apenas quinze horas após recebê-lo - em parte devido ao grande sucesso de American Idol, que levou a Fox a acreditar que uma série estrelada por jovens cantores poderia seguir o mesmo caminho. Brennan, Murphy e Falchuk escreveriam, então, todos os episódios da primeira temporada, com Murphy e Falchuk atuando como produtores, e Brennan como produtor executivo.

Murphy também seria o responsável por selecionar todas as canções que apareceriam nos episódios, o que fazia tentando equilibrar sucessos pop e clássicos da Broadway. Ele se mostraria surpreso com a facilidade com a qual os compositores autorizavam o uso de suas canções, muitos deles, inclusive, permitindo que elas fossem usadas de graça, sem pagamento de direitos autorais - dentre as exceções estavam Bryan Adams, Guns N' Roses e Coldplay, que negaram a autorização, embora o Coldplay, após a segunda temporada, tenha voltado atrás, procurado Murphy e autorizado o uso de suas músicas. Todas as músicas presentes nos episódios seriam lançadas em formato digital e em CD pela Columbia Records, e seriam grandes sucessos de vendas.

Na hora de escolher o elenco, os produtores dariam preferência a atores com experiência em musicais de teatro, especialmente da Broadway - Murphy passaria três meses assistindo a espetáculos da Broadway para selecionar os melhores atores, que então convidaria para fazer testes. Aqueles que não foram selecionados dessa forma se inscreveram para os testes devendo apresentar um vídeo no qual cantavam e dançavam - à exceção de Jane Lynch, que originalmente não cantaria em nenhum episódio e teria apenas um papel recorrente, sendo promovida ao elenco principal depois que outro seriado do qual ela participaria foi cancelado. Todos os atores assinaram contrato não somente para a primeira temporada, mas também para três filmes, dos quais apenas um foi efetivamente realizado.

A primeira temporada de Glee estrearia em 19 de maio de 2009, e contaria com 22 episódios. Nela, Will Schuester (Matthew Morrison, um dos selecionados na Broadway), ex-aluno e professor de espanhol do Colégio William McKinley, localizado na pequena cidade de Lima, Ohio, no meio-oeste dos Estados Unidos, ao saber que a posição para instrutor do clube do coral (glee club, em inglês) do colégio estava vaga, decide se candidatar. Na época em que Schuester era aluno, o coral do McKinley, do qual ele fazia parte, era respeitado e vitorioso, tendo chegado às finais nacionais em mais de uma ocasião, mas já há alguns anos estava desacreditado, com poucos membros, e só servia para ser esculachado pelos alunos mais populares, como os que faziam parte dos times esportivos. Visando reviver aqueles que foram os melhores dias de sua vida, Schuester reformula totalmente o coral, e abre inscrições para novos membros.

Devido à má-fama do coral, porém, apenas alunos párias se candidatam, e, após uma série de testes, Schuester seleciona os melhores: Kurt Hummel (Chris Colfer), homossexual assumido que sofre bullying de praticamente todos os colegas do colégio; Artie Abrams (Kevin McHale, ex-integrante da boy band Not Like Them), cadeirante que sonha ser diretor de cinema e sofre por, em sua concepção, não poder levar uma vida normal como seus colegas; Tina Cohen-Chang (Jenna Ushkowitz, também selecionada na Broadway), de ascendência asiática, discriminada por ser tímida e gaga; Mercedes Jones (Amber Riley), aparentemente confiante e segura de si, mas que internamente sofre com a discriminação das colegas por ser negra e gordinha; e a cereja do bolo, Rachel Berry (Lea Michele, outra selecionada na Broadway), dona de uma voz sem igual e de uma auto-estima aparentemente sem limites, mas que sofre bullying por ser baixinha, judia e ser filha de dois pais homossexuais.

Para completar a equipe, porém, Schuester precisa de doze integrantes - mínimo para que o coral possa se inscrever em competições oficiais - incluindo um cantor principal masculino. Ao descobrir que o quarterback da equipe de futebol americano do colégio, Finn Hudson (Cory Monteith) canta bem, mas não está interessado em fazer parte do clube por medo de perder sua popularidade, ele o chantageia, fingindo ter encontrado em suas coisas maconha que, na verdade, pertencia ao instrutor anterior do clube, Sandy Ryerson (Stephen Tobolowsky), e alegando que irá mostrá-la ao treinador do time, Ken Tanaka (Patrick Gallagher), se Finn não se unir à equipe. Mesmo começando somente porque foi chantageado, Finn acaba não somente adorando fazer parte do clube como também leva para lá três outros membros, seus colegas no time de futebol americano Noah "Puck" Puckermann (Mark Salling), bad boy que não leva nada a sério nem obedece ninguém, e decide se unir ao grupo para "tomar conta" de Finn; Mike Chang (Harry Shum, Jr.) também de ascendência asiática, cujo sonho é ser dançarino profissional; e Matt Rutherford (Dijon Talton), que também adora dançar, mas tinha medo de se inscrever no coral e perder sua popularidade, decidindo, entretanto, seguir o exemplo de Finn.

Os três últimos membros de que Schuester precisava viriam por obra da treinadora das líderes de torcida, Sue Sylvester (Jane Lynch), mulher arrogante, egoísta, que adora atormentar Schuester e tem como maior orgulho na vida o fato de ser campeã do concurso de líderes de torcida há oito anos seguidos. Sue vê o novo clube do coral como uma ameaça, já que, se ele for bem sucedido, recursos da escola serão transferidos das líderes de torcida para o coral, e ordena que suas três principais líderes de torcida - Quinn Fabray (Dianna Agron), namorada de Finn que desconfia que ele possa querer largá-la para ficar com Rachel; Santana Lopez (Naya Rivera), latina namoradeira e que adora fazer bullying com os demais membros do clube; e Brittany Pierce (Heather Morris), excelente dançarina, mas um tanto prejudicada intelectualmente - se inscrevam no clube para sabotá-lo.

Além de treinar o coral, o qual batiza com o nome de Novas Direções, Schuester tem de lidar com a pressão de sua esposa, Terri (Jessalyn Gilsig), que é contra esse seu novo projeto, e com o fato de que se descobre apaixonado pela orientadora pedagógica da escola, Emma Pillsbury (Jayma Mays), que tem um severo caso de Transtorno Obsessivo Compulsivo relacionado a limpeza - e que também é o interesse romântico de Tanaka, que vê em Schuester um rival. Os personagens recorrentes da primeira temporada incluem o diretor da escola, Figgins (Iqbal Theba); Becky Jackson (Lauren Potter), aluna com Síndrome de Down que logo se torna ajudante de Sue; Jacob Ben Israel (Josh Sussman), responsável pelo jornal da escola, no qual publica muitas fofocas sobre os membros do Novas Direções; April Rhodes (Kristin Chenoweth), colega de Schuester na época em que ele era aluno e fazia parte do coral, e a quem ele procura para uma ajuda; a mãe de Finn, Carole (Romy Rosemont); e o pai de Kurt, Burt (Mike O'Malley), dono de uma oficina mecânica. Ao longo da temporada também participam a mãe biológica de Rachel, Shelby Corcoran (Idina Menzel), que canta tão bem quanto a filha; e Jesse St. James (Jonathan Groff), cantor principal do Adrenalina Vocal, principal coral rival do Novas Direções, e que tem um breve romance com Rachel.

A primeira temporada de Glee fez um enorme sucesso, com alguns episódios chegando a registrar quase 14 milhões de espectadores; teve quatro indicações ao Globo de Ouro, ganhando o de Melhor Série de TV Musical ou Comédia; e um total de 11 indicações ao Emmy, das quais venceu três - Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia para Jane Lynch, Melhor Ator Convidado em Série de Comédia para Neil Patrick Harris (que interpretou um outro colega de Schuester da época em que ele era aluno e fazia parte do coral em um dos episódios) e Melhor Diretor em Série de Comédia para Murphy. Evidentemente, com esse sucesso todo, foi garantida uma segunda temporada, na qual, novamente, todos os roteiros foram escritos por Brennan, Murphy e Falchuk.

A segunda temporada estrearia em 21 de setembro de 2010, com mais 22 episódios. Matt deixaria o coral e seria substituído por Sam Evans (Chord Overstreet), aluno recém-transferido ao McKinley, que se torna rival de Finn como candidato a principal voz masculina e a quarterback do time de futebol. Tanaka teria um colapso nervoso, e seria substituído como técnico do time por Shannon Beiste (Dot-Marie Jones), mulher que sofre com o preconceito de seus pares, que a consideram masculinizada. Após sofrer um bullying violento de parte de outro aluno, Dave Karofsky (Max Adler), Kurt decide trocar de escola, se matriculando na Academia Dalton e passando a fazer parte dos Warblers, o coral de lá, onde conhece Blaine Anderson (Darren Criss), rapaz sofisticado e bem-humorado que logo se torna seu namorado; para o lugar de Kurt no coral é escalada Lauren Zizes (Ashley Fink), garota gorducha que faz parte do time de luta livre do McKinley, por quem Puck se apaixona. Outros personagens da segunda temporada incluem a professora substituta Holly Holliday (Gwyneth Paltrow), que tem um breve romance com Schuester e se torna sua co-instrutora no Novas Direções; o dentista Carl Howell (John Stamos), que tem um breve romance com Emma; e a filipina Sunshine Corazón (Charice Pempengco), que chega a tentar uma vaga no Novas Direções, mas, após ser impedida por Rachel, que vê nela uma potencial rival, se torna a nova estrela do Adrenalina Vocal, que também tem um novo instrutor, Dustin Goolsby (Cheyenne Jackson).

Ao longo da primeira e segunda temporadas, o elenco fixo da série também sairia em uma turnê, realizada entre 10 de maio de 2010 e 3 de julho de 2011, com um total de 44 shows, sendo 31 na América do Norte e 13 na Europa. Chamada Glee Live! In Concert!, essa turnê apresentava os maiores sucessos interpretados na série, e renderia mais de 40 milhões de dólares em ingressos.

A segunda temporada teria seis indicações ao Emmy - só ganhando uma, para Gwyneth Paltrow como Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia - e cinco ao Globo de Ouro, das quais ganhou três: Melhor Série de TV Musical ou Comédia, Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para a TV (Chris Colfer) e Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para a TV (Jane Lynch). Na primeira metade, a audiência seria ainda melhor que a da primeira temporada - com o episódio A Queda de Sue Sylvester registrando mais de 26 milhões de espectadores - mas, da metade em diante, os números começariam a cair, talvez pelo fato de a série já não ser mais novidade.

Ainda assim, a Fox garantiria uma terceira temporada, de mais 22 episódios, que estrearia em 20 de setembro de 2011. Pela primeira vez, a série teria episódios que não fossem escritos por Brennan, Murphy ou Falchuk, com uma equipe de roteiristas composta por Ali Adler, Roberto Aguirre-Sacasa, Marti Noxon, Michael Hitchcock, Matt Hodgson e Ross Maxwell sendo contratada pelo novo produtor executivo, Dante di Loreto, para injetar sangue novo na trama.

Antes da terceira temporada, em 12 de agosto de 2011, estrearia nos cinemas o único dos filmes realizados com o elenco da série, Glee: The 3D Concert Movie. Dirigido por Kevin Tancharoen, o filme é pouco mais do que o registro de um dos shows da turnê Glee Live! In Concert!, realizado em East Rutherford, Nova Jérsei, com a adição de cenas de bastidores e depoimentos de adolescentes fãs da série que tiveram suas vidas tocadas por suas histórias.

Na terceira temporada, Kurt retorna ao McKinley, trazendo Blaine com ele, e ambos passam a fazer parte do Novas Direções - com Sam e Lauren deixando o grupo, embora, na metade da temporada, Sam retorne. Novos personagens incluem Rory Flanagan (Damian McGinty), estudante de intercâmbio vindo da Irlanda, que se apaixona por Brittany e luta para conseguir sua atenção; Joe Hart (Samuel Larsen), hippie que só come comida natural e vegetariana, anda descalço e toca violão, e se apaixona por Quinn; Sugar Motta (Vanessa Lengies), completamente desafinada mas filha de um milionário que faz gordas doações à escola, e exige que ela seja incorporada ao coral; Roz Washington (NeNe Leakes), treinadora da equipe de nado sincronizado do McKinley, que logo se torna rival de Sue; Sebastian Smythe (Grant Gustin), membro dos Warblers apaixonado por Blaine que quer tomá-lo de Kurt e não mede esforços para sabotar o Novas Direções; e Wade "Unique" Adams (Alex Newell), menino que gosta de se vestir de menina enquanto está cantando e é o novo trunfo do Adrenalina Vocal.

Samuel Larsen, Alex Newell e Damian McGinty entraram para o elenco da terceira temporada após serem os vencedores da primeira temporada de The Glee Project, Reality Show realizado pela Fox entre 12 de junho e 21 de agosto de 2011, que visava, justamente, encontrar novos talentos para o elenco de Glee. Larsen e McGinty terminaram empatados em primeiro lugar, enquanto Newell e outra candidata, Lindsay Pearce, terminaram empatados em segundo; entretanto, enquanto Larsen e Newell ganharam papéis no elenco fixo, McGinty ganharia apenas um papel recorrente (participaria apenas da terceira temporada e de um dos episódios da quarta) e Pearce faria apenas algumas participações especiais no papel de Harmony, outra jovem de Ohio que, assim como Rachel, deseja ingressar na NYADA. The Glee Project teria uma segunda temporada, exibida entre 2 de junho e 14 de agosto de 2012 e vencida por Blake Jenner, que também ganharia um papel na quarta temporada.

A terceira temporada também marcaria o fim de um ciclo: como a série é ambientada em um colégio, não faria muito sentido que os alunos estudassem lá eternamente; assim, ao longo da temporada, muitos deles já se preparavam para ingressar em uma universidade. Diferentemente do que ocorre com outras séries adolescentes (como Barrados no Baile, Buffy ou Veronica Mars), na qual todo o grupo costuma ingressar na mesma universidade, e a série continua com mais ou menos o mesmo elenco apenas em uma ambientação diferente, em Glee cada personagem tinha suas próprias ambições - Rachel, por exemplo, desejava ingressar na Academia de Artes Dramáticas de Nova Iorque (NYADA), sendo avaliada pela professora Carmen Tibideaux (Whoopi Goldberg), enquanto Quinn foi aceita em Yale, Finn resolveu servir ao exército, e Puck decidiu se mudar para a Califórnia e tentar carreira como roteirista de cinema - o que fez com que o elenco sofresse uma mudança substancial para a quarta temporada.

A terceira temporada já não faria tanto sucesso de público e crítica quanto as duas anteriores, o que se refletiu em apenas uma indicação tanto ao Emmy quanto ao Globo de Ouro - este último mais uma vez na categoria Melhor Série de TV Musical ou Comédia, que perdeu para Modern Family. Ainda assim, apostando que a série iria se reerguer após a entrada do novo elenco, a Fox a renovaria para duas temporadas logo de uma vez, com a quarta, de mais 22 episódios, estreando em 13 de setembro de 2012. A quarta temporada ganharia o reforço de dois ex-roteiristas da série House, Russel Friend e Garrett Lerner, no lugar de Adler e Noxon, e receberia apenas três indicações ao Emmy, sem ganhar nenhuma, e nenhuma ao Globo de Ouro, e sua audiência seria mediana, embora consistente.

Na quarta temporada, Finn, Quinn, Mike, Mercedes, Santana, Puck e Emma passaram a ser personagens recorrentes; enquanto Rachel e Kurt continuaram sendo do elenco fixo, mas agora morando em Nova Iorque ao invés de em Lima. O Novas Direções agora é formado por Blaine, Artie, Sam, Tina, Brittany, Joe, Sugar, Unique (que trocou o Adrenalina Vocal pelo coral do McKinley) e quatro personagens novos: Marley Rose (Melissa Benoist), menina pobre, tímida e com tendência à bulimia, considerada pelos colegas como "a nova Rachel", e cuja mãe, Millie (Trisha Rae Stahl), trabalha na cantina do McKinley; Ryder Lynn (Blake Jenner), jogador de futebol americano disléxico apaixonado por Marley; Kitty Wilde (Becca Tobin), líder de torcida metida que decide se inscrever no coral para paquerar Ryder e atormentar Marley; e Jake Puckerman (Jacob Artist), meio-irmão de Puck e rebelde como ele. Os outros novos personagens são do núcleo nova-iorquino: Cassandra July (Kate Hudson), professora de dança que decide pegar no pé de Rachel; Brody Weston (Dean Geyer), aluno da NYADA que se apaixona por Rachel; Adam Crawford (Oliver Kieran Jones), líder do coral da NYADA, que se apaixona por Kurt; e Isabelle Wright (Sarah Jessica Parker), diretora da Vogue.com, onde Kurt consegue um estágio.

Entre a quarta e a quinta temporadas, a série sofreria um baque: Cory Monteith, intérprete de Finn, seria encontrado morto em um quarto de hotel em Vancouver, Canadá, aos 31 anos, vítima de uma overdose de heroína. Consternado, Murphy decidiria também matar Finn na série, em um episódio-tributo tanto ao ator quanto ao personagem. Os roteiristas, agora contando com o reforço de Stacy Traub, decidiriam aproveitar a parada de final de ano (tradicional para algumas séries exibidas em canais que também exibem os play-offs da MLB), que ocorreria justamente após esse episódio-tributo, para decidir que rumos os personagens e a própria série iriam tomar após a morte de Finn; com isso, a quinta temporada, que estreou em 26 de setembro de 2013, seria mais curta, com apenas 20 episódios.

O Novas Direções, e o elenco em geral, não tiveram grandes novidades na quinta temporada, à exceção da participação especial de dois astros da música: Demi Lovato como Dani, garçonete que trabalha em um café em Nova Iorque frequentado por Rachel, Kurt e Santana, e que sonha se tornar cantora; e Adam Lambert (o novo vocalista do Queen) como Elliott "Starchild" Gilbert, aluno da Universidade de Nova Iorque (NYU) que se torna rival de Kurt quando ambos decidem ingressar na mesma banda. Essas participações, infelizmente, não contribuiriam para elevar a audiência da temporada - que se manteve decrescente desde o episódio-tributo a Finn - nem seu prestígio junto aos críticos, o que se refletiu em nenhuma indicação ao Globo de Ouro e apenas uma ao Emmy, de Melhor Diretor para Paris Barclay pelo centésimo episódio da série, o qual ele infelizmente não ganhou.

Vale citar, aliás, que a quarta e a quinta temporadas tiveram uma estrutura diferente das anteriores: nas três primeiras, cada temporada equivalia a um ano letivo completo, enquanto a quarta e a quinta equivaliam a um único ano letivo - ou seja, a quinta era uma continuação direta da quarta, sem intervalo de tempo significativo entre o último episódio da quarta e o primeiro da quinta. Esse formato foi criado por Murphy com dois objetivos: primeiro, para que os alunos que ainda estavam no McKinley, como Artie e Tina, não precisassem ir para uma universidade ao final da quarta temporada, e, segundo, para que os novos, como Marley e Jake, pudessem permanecer como alunos do McKinley por mais que três ou quatro temporadas como ocorreu com os originais.

Entretanto, após a morte de Monteith, e com a popularidade da série em queda, Murphy declararia não ter mais o mesmo entusiasmo para prosseguir produzindo a série. De comum acordo, ele, Falchuk e Brennan decidiriam que estava na hora de encerrar as carreiras dos alunos do McKinley, fazendo com que a sexta temporada, que havia sido encomendada pela Fox antes mesmo da estreia da quinta, fosse a última.

Os produtores pediriam à Fox, porém, que a temporada fosse mais curta, apenas para poderem fechar as pontas soltas e dar um final digno à série. Assim, a sexta temporada, que estrearia em 9 de janeiro de 2015, com a exibição de dois episódios seguidos, teria apenas 13 episódios, com os dois últimos também sendo exibidos em um único dia, 20 de março de 2015.

A sexta temporada é bastante centrada em Rachel, que decide voltar a Lima para reconstruir o Novas Direções após todos os membros antigos terem debandado. Além dela, Kurt, Blaine, Artie, Sam e Mercedes, mais Schuester, Sue e Beiste, são os únicos que permanecem como personagens fixos, com Tina, Santana, Brittany, Quinn, Puck, Mike, Matt, Joe, Sugar, Kitty e Unique fazendo participações especiais, e Jake e Ryder aparecendo apenas no último episódio. A sexta temporada também introduziria brevemente os novos membros do Novas Direções, que assumiriam o clube do coral após a partida definitiva dos anteriores: o gordinho Roderick Meeks (Noah Guthrie); o jogador de futebol americano Spencer Porter (Marshall Williams); a ex-aluna da Academia Dalton, rejeitada pelos Warblers, Jane Hayward (Samantha Marie Ware); e os gêmeos Madison e Mason McCarthy (Laura Dreyfuss e Billy Lewis Jr.).

Após a sexta temporada, Glee acabou de vez. Seus atores agora tentam a sorte no cinema, teatro, na Broadway ou em carreiras solo. Como de costume, alguns serão bem sucedidos, outros não, mas, assim como os membros do Novas Direções, já são todos vencedores.
Ler mais

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Escrito por em 29.10.12 com 0 comentários

The Rocky Horror Picture Show

Depois de amanhã é Halloween. E, embora eu não tenha a intenção de fazer dos posts de Halloween uma nova tradição do átomo, quando me lembrei de que, ano passado, fiz um post sobre Orgulho e Preconceito e Zumbis para "comemorar" a data, imediatamente tive a ideia de um novo post para esse ano. Um post sobre The Rocky Horror Picture Show.

The Rocky Horror Picture Show é um dos meus filmes preferidos, mas parece que aqui no Brasil é um daqueles filmes que todo mundo conhece, mas quase ninguém assistiu, e só uma ou outra pessoa conhece a história - tipo Carruagens de Fogo ou Pássaros Feridos, podem perguntar a seus amigos para comprovar. Enfim, embora por aqui ele seja meio marginal, nos Estados Unidos The Rocky Horror Picture Show é um filme cult e um grande clássico, tanto que é dono de um recorde invejável: é o filme que está a há mais tempo em cartaz nos cinemas do mundo inteiro, não tendo ainda encerrado sua temporada desde que estreou em 1975. Mas, antes que vocês pensem que algum cinema maluco está exibindo o mesmo filme há 37 anos, vale dizer que, desde 1977, The Rocky Horror Picture Show é exibido no sistema de limited release - ou seja, apenas em algumas salas, apenas durante algum tempo. No caso, somente nas sessões de meia-noite do dia 31 de outubro, mas em mais de 300 cidades dos Estados Unidos, o que faz com que a Fox, sua distribuidora, considere tudo como um único período de exibição.

Riff Raff, Brad, Janet, MagentaThe Rocky Horror Picture Show não foi originalmente concebido como um filme, mas como um musical para o teatro, chamado The Rocky Horror Show (sem o Picture). E nem era um musical da Broadway, mas um musical inglês, que estreou no Royal Court Theatre de Londres em 19 de junho de 1973. Seu autor, Richard O'Brien, era um ator que decidiu escrevê-lo para se manter ocupado durante a temporada de inverno, na qual as peças de teatro rareavam na Inglaterra. Desde jovem, O'Brien era apaixonado por filmes B norte-americanos, e começaria a escrever sua peça sem nenhuma pretensão, buscando aliar o humor involuntário dos filmes B; o diálogo pretensioso dos filmes de horror da década de 1970; as cenas insólitas dos filmes estrelados por homens musculosos, conhecidos como muscle flicks e famosos na Inglaterra da época graças ao ator Steve Reeves; e muito rock and roll dos anos 1950, seu estilo de música preferido.

O'Brien mostraria uma versão preliminar de seu roteiro ao diretor Jim Sharman, a quem havia conhecido durante a montagem de Jesus Cristo Superstar, dirigida por Sharman e na qual O'Brien havia interpretado Herodes. Sharman adoraria a história e o convenceria a montar a peça no segundo andar do Royal Court Theatre, espaço reservado para peças experimentais. Sharman traria praticamente toda a equipe de Jesus Cristo Superstar para o projeto, exceto alguns cargos, como o de diretor musical, o qual ofereceria a amigos seus. Após a finalização do roteiro e o início dos ensaios, o título escolhido para a peça seria It Came from Denton High, bem ao estilo dos filmes de horror B; poucos dias antes da primeira pre-estreia, entretanto, Sharman sugeriria mudá-lo para The Rocky Horror Show, nome mais parecido com os dos musicais ingleses da época.

Após duas pre-estreias, o musical estrearia com casa cheia. Seu sucesso inesperado garantiria não só um contrato para que o elenco gravasse um álbum com a trilha sonora da peça - algo reservado normalmente apenas às maiores produções do gênero - mas também que, após pouco mais de um mês, ela se mudasse do acanhado segundo andar do Royal Court Theatre, de apenas 63 lugares e localizado em Kensington, para o bem maior Classic Cinema, de 270 lugares e localizado em Chelsea, bairro bem mais chique, onde ficaria de 14 de agosto a 20 de outubro de 1973. A casa não parava de lotar, e, em 3 de novembro, a peça se mudaria para o King's Road Theatre, também em Chelsea, com 500 lugares à disposição. Logo o musical se tornaria também um sucesso de crítica, ganhando o Evening Standard Award, mais prestigiado prêmio do teatro britânico. Além disso, a peça conquistaria uma audiência cativa - um grupo de espectadores que ia assisti-la toda semana, decorando suas canções e cantando-as junto com os atores.

The Rocky Horror Show ficaria no King's Road Theatre até 31 de março de 1979, quando se mudaria para o Harold Pinter Theatre, em Westminster, com capacidade para 820 espectadores. Lá ele ficaria até 13 de setembro de 1980, onde encerraria sua temporada original após 2.960 apresentações. Após uma breve temporada em 1984 no Theatre Royal de Hanley, o musical seria ressucitado em 1990 no Piccadilly Theatre, onde ficaria por um ano. Desde 2006, o musical está em turnê itinerante, sendo montado com diversos elencos em várias cidades do Reino Unido.

Mas a peça começaria a virar filme já durante sua primeira montagem. Em julho de 1973, o produtor norte-americano Lou Adler iria assisti-la no Royal Court Theatre, e, acreditando estar diante de um sucesso mundial, faria questão de conhecer os realizadores nos bastidores e negociar com eles os direitos para montar a peça nos Estados Unidos. The Rocky Horror Show estrearia em solo norte-americano em 24 de março de 1974 no Roxy Theatre de Los Angeles, onde ficou por nove meses. Assim como a original inglesa, a montagem norte-americana seria um grande sucesso, e com frequência se apresentaria para a casa cheia. Esse sucesso garantiria um lugar na Broadway, onde o musical estrearia em 3 de janeiro de 1975. Infelizmente, o público da costa leste não se mostraria tão receptivo quanto o da costa oeste, e a versão Broadway seria um grande fracasso de público, encerrando sua temporada após apenas 45 apresentações - a crítica, entretanto, o elogiaria, indicando-o, inclusive, a um prêmio Tony, o mais importante da Broadway, na categoria Design de Iluminação.

No final de 1975, Adler decidiria retornar com a peça para a costa oeste, e com isso The Rocky Horror Show estrearia em 3 de fevereiro de 1976 no Montgomery Playhouse de San Francisco, onde ficou até 30 de maio. O musical ainda seria brevemente ressucitado em uma turnê por várias cidades norte-americanas em 1980, e retornaria à Broadway em outubro de 2000, lá ficando até janeiro de 2002. Essa segunda montagem da Broadway seria indicada a quatro Tonys (Melhor Remontagem, Melhor Ator Principal, Melhor Direção e Melhor Figurino), mas acabaria sendo encerrada por dificuldades financeiras. Desde então, The Rocky Horror Show não foi mais montado nos Estados Unidos.

Pois bem, enquanto The Rocky Horror Show ainda estava em sua montagem norte-americana original, lá no Roxy Theatre, o executivo da Fox Gordon Stulberg decidiu ir assisti-lo. Adorando o clima da peça e acreditando estar diante de um sucesso cinematográfico em potencial, ele procuraria Adler, e ofereceria um contrato de um milhão de dólares para transformar a peça em um musical de cinema. As negociações com O'Brien e Sharman se desenvolveriam sem problemas, e as filmagens começariam em dezembro de 1974.

Além de ser filmado na Inglaterra - em sua maior parte em um castelo em Berkshire já usado muitas vezes em filmes de horror da produtora Hammer - a versão cinematográfica de The Rocky Horror Show - que O'Brien e Sharman fizeram questão de que se chamasse The Rocky Horror Picture Show - manteriam praticamente toda a equipe do musical original: O'Brien e Sharman escreveriam o roteiro, Sharman dirigiria, as músicas usadas seriam as mesmas, compostas por Richard Hartley para a peça, e o elenco seria praticamente o mesmo, encabeçado por Tim Curry, protagonista tanto da montagem inglesa quanto da primeira montagem norte-americana do Roxy Theatre.

O roteiro também é praticamente o mesmo: recém casados, dois universitários, Brad Majors (Barry Bostwick) e Janet Weiss (Susan Sarandon, em um de seus primeiros papéis), estão viajando de carro quando, durante um temporal, um dos pneus fura. O casal ruma até a casa mais próxima, um estranho castelo, para tentar usar um telefone para pedir ajuda. Ao chegar lá, eles descobrem que a residência, normalmente habitada pelo mordomo Riff Raff (Richard O'Brien, que também fazia o papel na peça original inglesa) e a doméstica Magenta (Patricia Quinn, idem), está sediando a Convenção Anual da Transilvânia, abrigando todo o tipo de pessoas estranhas, em especial uma amiga de Magenta, a groupie Columbia (Nell Campbell, mais uma da peça). Após uma curta interação com os convidados, Brad e Janet conhecem o dono da casa, o Dr. Frank-N-Furter (Tim Curry), um travesti bissexual egocêntrico e megalomaníaco que busca criar o homem perfeito para ser seu amante. Contra todos os prognósticos, ele consegue, criando o musculoso Rocky Horror (Peter Hinwood).

Frank-N-FurterApós uma pequena confusão envolvendo o roqueiro motoqueiro Eddie (o cantor Meat Loaf), ex-namorado de Columbia, o Dr. Frank-N-Furter e Rocky Horror se casam, mas o cientista, aparentemente insatisfeito, decide seduzir tanto Brad quanto Janet - que, para piorar as coisas, se apaixona por Rocky. Depois dessa bagunça, o casal tenta desesperadamente fugir da mansão e retornar a suas vidas normais, contando com a ajuda do Dr. Everett V. Scott (Jonathan Adams), rival de Frank-N-Furter que vai à reunião sem ser convidado. Toda essa história é narrada por um criminologista (Charles Gray), que investiga o destino dos jovens.

Assim como a peça, o filme foi um grande sucesso: com orçamento de 1,2 milhões de dólares, rendeu até hoje quase 140 milhões. Curiosamente, a maior parte desse sucesso só veio depois que o filme começou a ser exibido à meia-noite no Halloween: suas primeiras sessões após a estreia, em 26 de setembro de 1975, tiveram pouco público, oito cidades desistiriam de exibi-lo após apenas uma semana, e até mesmo uma sessão epspecial no Halloween de 1975 em Nova Iorque seria cancelada pelo temor da falta de público. Para tentar salvá-lo, a Fox começou a promover sessões duplas com O Fantasma do Paraíso, Pink Flamingoes e até com Reefer Madness, um filme de 1936 originalmente produzido para tentar desencorajar o uso de maconha entre os jovens.

Como esses filmes costumavam ser exibidos à meia-noite, a Fox tentaria exibir The Rocky Horror Picture Show também nesse horário, como uma última cartada. A primeira sessão à meia-noite do filme ocorreria não em um Halloween, mas em um Primeiro de Abril, também em Nova Iorque, em 1976; por algum motivo, a sessão teve tanto público que a rede de cinemas decidiu repetir no Halloween daquele ano, começando a tradição que dura até hoje.

O sucesso das sessões à meia-noite foi tanto que por volta de 50 cidades exibiram o filme nesse horário o ano de 1978 inteiro, sempre às sextas-feiras e sábados. Em 1979, esse número aumentou para por volta de 230. Foi nessa época que o filme começou a ganhar status de cult, adquirindo uma plateia cativa também no cinema - com a maioria, inclusive, indo assisti-lo fantasiada. Logo surgiriam também as primeiras convenções, periódicos e itens colecionáveis relacionados à obra. No início da década de 1980, The Rocky Horror Picture Show era um fenômeno de massa tão grande quanto Star Wars.

Em 1981, O'Brien e Sharman pensaram em escrever uma sequência para o filme, chamada The Brad and Janet Show. Após muitas mudanças, o roteiro acabaria dando origem a um filme completamente diferente, chamado Tratamento de Choque. Embora também seja protagonizado por um casal chamado Brad e Janet, esse filme, um musical de humor negro, não tem nada a ver com The Rocky Horror Picture Show, embora seja considerado um "filme associado". O'Brien tentaria novamente no ano seguinte, escrevendo um roteiro que chamou de Revenge of the Old Queen, esse sim uma verdadeira sequência para The Rocky Horror Picture Show. Esse filme, entretanto, jamais chegaria a ser feito, e o próprio O'Brien admite que tanto tempo se passou desde a estreia do original que uma sequência talvez nem faça mais sentido.

Se bem que, para um filme que está em cartaz desde 1975, "muito tempo após a estreia" parece ser um termo um tanto vago.
Ler mais

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Escrito por em 1.11.10 com 2 comentários

A Pequena Loja dos Horrores

Outro dia eu li em algum lugar, não sei se é verdade, que estão planejando fazer um Gremlins 3, no qual os gremlins seriam não bonecos, mas feitos de computação gráfica. Após um nostálgico pensamento tipo "não vai ficar tão legal" passar pela minha mente, me pus a pensar que talvez nunca mais tenhamos filmes com bonecos, o que de certa forma me entristece. É lógico que eu compreendo os motivos que levaram Hollywood a substituir os marionetes pela CG, como menor custo e maior realismo, mas filmes com bonecos foram uma parte importante da minha infância, de forma que constatar que eles jamais voltarão a existir é algo meio deprimente.

Enquanto pensava em tudo isso, um outro filme com bonecos me veio à lembrança, um filme que eu absolutamente adorava, mesmo talvez não sendo apropriado para alguém da minha idade quando o assisti pela primeira vez. Esse filme se chamava A Pequena Loja dos Horrores, e o boneco em questão era uma planta carnívora. Junto com a lembrança, me veio a vontade de escrever um post, e o resultado são essas linhas que vocês agora leem.

É lógico que a versão de A Pequena Loja dos Horrores à qual eu estou me referindo é a da década de 1980, com Rick Moranis e Steve Martin. Essa não é, porém, a primeira versão do filme: a original é em preto e branco, foi filmada em 1959, e dirigida por Roger Corman, o rei dos filmes B, responsável por "clássicos" como O Emissário de Outro Mundo, A Mulher Vespa e O Homem dos Olhos de Raio-X. Bem ao estilo Corman, a ideia para o filme surgiu quando o diretor teve acesso a estúdios que estavam sendo utilizados para outros filmes, os quais seriam desmontados em breve. Como economizaria com cenografia se os utilizasse para um filme seu, Corman imediatamente chamou seu amigo roteirista Charles B. Griffith, e os dois começaram a trabalhar em um roteiro que pudesse ser filmado rapidamente, usando os cenários que já estavam prontos.

Inicialmente, Corman queria fazer um filme policial, sobre um detetive particular. Griffith, por outro lado, queria escrever uma comédia de humor negro, e apresentou ao diretor o esboço de Cardula, filme sobre um crítico de música que também era vampiro. Corman rejeitou a ideia, e Griffith lhe apresentou Gluttony, sobre um cozinheiro dono de um restaurante que matava clientes e os adicionava como ingredientes em seus pratos. Corman gostou da ideia, mas jamais conseguiria permissão para filmar uma história como essa. Griffith, que, segundo ele mesmo, já estava bêbado a essa altura das negociações, sugeriu, então, trocar o cozinheiro por uma planta carnívora, e o restaurante por uma loja de flores. Corman, que não precisava estar bêbado para gostar de uma bizarrice dessas, aceitou.

Querendo economizar ao máximo, Corman chamou para o filme apenas atores que já conhecia, que já tivessem trabalhado em outros filmes seus - assim não precisaria gastar dinheiro com testes. O próprio Griffith interpretou um ladrão e participou como figurante em várias outras cenas, e o pai e a avó do roteirista também foram escalados, para papéis pequenos. Para economizar com figurantes, na hora de filmar as externas Corman abordava crianças e mendigos que estivessem por ali e lhes oferecia cinco centavos apenas para ficar andando para lá e para cá na rua, sair correndo ou efetuar qualquer outra ação que não demandasse muito empenho artístico - mendigos e bêbados, aliás, eram "contratados" até mesmo para funções técnicas, como segurar o microfone ou transportar os equipamentos. Até mesmo objetos de cena eram reaproveitados dos demais filmes que usaram o estúdio ou emprestados por conhecidos de Corman e Griffith, como a dona de uma funerária, que emprestou um caixão - dizem as lendas, com um corpo dentro. O mais curioso foi a filmagem de parte do filme em um pátio da companhia de trens de Los Angeles: os funcionários que tomavam conta do local foram "convencidos" a permitir as filmagens após ganhar de Corman duas garrafas de uísque. Uma das cenas gravadas no pátio de trens envolvia um atropelamento, filmado de forma revolucionária para a época: a locomotiva foi filmada andando para trás, se afastando do personagem atropelado, e, na hora da edição, o filme foi passado de trás para a frente, fazendo com que o trem viajasse na direção do atropelado.

Até mesmo o equipamento usado nas filmagens foi o mais reduzido possível, tudo em nome da economia: o usado nas externas foi alugado a apenas 279 dólares, e cada estúdio só tinha duas câmeras, posicionadas em ângulos opostos. Muitas vezes isso fez com que ficasse difícil "juntar" as cenas na hora da edição, o que foi resolvido com um truque bizarro: o editor tinha em seus arquivos uma cena da lua, que ele mesmo filmara. Toda vez que uma cena não se encaixava com a seguinte, lá vinha a lua entre as duas, para suavizar a mudança. Mais bizarro que isso foi o artigo escrito por uma revista em 1960, que, alheia a esse truque, dedicou oito páginas a "o simbolismo da lua em A Pequena Loja dos Horrores".

Com toda essa economia, o orçamento oficial do filme ficou em apenas 30.000 dólares, baratinho até mesmo para uma época em que os filmes eram bem mais baratos que hoje em dia. Mas o mais curioso, acreditem, não foi o custo da produção, mas seu tempo de filmagem: apenas dois dias. O motivo oficial, lógico, foi que, depois desses dois dias, os estúdios nos quais ele estava sendo filmado seriam desmontados e remontados para outras produções; essa rapidez nas filmagens, porém, levou a várias lendas sobre o filme, como a de que Corman havia sido obrigado a filmá-lo em dois dias porque perdera uma aposta, ou a de que, já que em 1o de janeiro de 1960 entraria em vigor uma nova lei, que obrigava o pagamento de direitos conexos aos atores por cada exibição ou relançamento do filme (o que é verdade, até então os atores eram pagos pelo filme e acabou, não recebendo mais nada pelas exibições), Corman quis filmar correndo antes disso, para não precisar pagar mais nada a ninguém e economizar mais ainda.

A Pequena Loja dos Horrores do título é uma floricultura, localizada no bairro de Skid Row, na periferia de Los Angeles, de propriedade do ganancioso Gravis Mushnick (Mel Welles). Lá trabalham a bela Audrey Fulquard (Jackie Joseph) e o atrapalhado Seymour Krelboin (Jonathan Haze). A floricultura não tem muitos clientes, fora alguns fiéis, como a senhora judia Siddie Shiva (Leola Wendorff), que está sempre comprando flores para os vários funerais de seus muitos parentes, e o excêntrico Burson Fouch (Dick Miller), que compra plantas para comer. Um dia, a floricultura recebe uma importante encomenda de arranjo de flores do dentista Dr. Farb (John Shaner); como Seymour faz besteira e estraga o arranjo, Mushnick o despede. Seymour, porém, consegue convencê-lo a não mandá-lo embora, mostrando-o uma nova espécie de planta carnívora que ele mesmo criou, cruzando uma pinguícula (aquela que parece um jarrinho) com uma dioneia (o estereótipo da planta carnívora, popularizada pelos desenhos animados, aquela que parece uma armadilha de urso), a qual ele batizou de "Audrey Jr." em homenagem à sua colega de trabalho, por quem é apaixonado. Com a planta na vitrine, a floricultura passa a receber centenas de visitantes, que pagam apenas para vê-la.

Seymour, porém, tem um problema: Audrey Jr. parece não se interessar por comer insetos, e definha a cada dia, aparentemente em direção à morte. Um dia, ele se corta acidentalmente em um espinho, e descobre que sua planta se alimenta de sangue. Ao chupar o sangue de Seymour, Audrey Jr. cresce cada vez mais, e, um dia, começa a falar (com a voz de Griffith).

Conforme a planta cresce, Seymour se torna incapaz de alimentá-la - ele já está anêmico, e não tem sangue suficiente para suprir as necessidades da já enorme Audrey Jr. A planta, faminta, fala com ele em um tom agressivo, e praticamente o obriga a lhe conseguir comida. Andando pela cidade sem saber o que fazer, Seymour vai para no pátio de trens, onde arremessa longe uma pedra para aplacar sua frustração. A pedra, porém, acerta acidentalmente um homem, que cai nos trilhos e é atropelado. Seymour, então decide levar os pedaços do homem para a loja e dá-los para Audrey Jr.

Mas, como qualquer ser vivo a planta precisa ser alimentada regularmente, o que colocará Seymour em uma grande enrascada - principalmente quando ela começa a florescer, e a Sociedade dos Observadores Silenciosos de Flores da Califórnia do Sul decide lhe dar um importante prêmio por ter criado uma nova espécie vegetal, em uma solenidade onde Audrey Jr. será exibida à alta sociedade. Esse dia acaba se transformando em um escândalo quando os botões de Audrey Jr, ao abrir, possuem os rostos das pessoas que ela comeu ao longo do filme. Disposto a acabar com sua ameaça de uma vez por todas, Seymour a ataca. Ele consegue matar a planta, mas acaba também devorado, com seu rosto aparecendo em um dos botões.

Corman encontrou alguns problemas para arrumar um distribuidor para o filme, não somente por causa do humor negro, mas também porque alguns distribuidores, como a American International Pictures, o consideraram anti-semita, por causa de personagens caricatos como Gravis Mushnick, Siddie Shiva e a mãe de Seymour, uma judia hipocondríaca. Corman acabou ele mesmo distribuindo o filme através de sua companhia The Filmgroup Inc, mas apenas quase um ano após concluir as filmagens. Com o título original de The Little Shop of Horrors, o filme, de apenas 70 minutos, seria lançado em 14 de setembro de 1960, sem muito alarde, mesmo após ter sido exibido fora de competição no Festival de Cannes daquele ano.

O filme até foi motivo de certo comentário após passar a ser exibido em sessão dupla junto com A Máscara do Demônio, de Mario Bava, mas nunca chegaria a ser um sucesso. Para tentar espremer mais algum dinheiro dele, em 1961 Corman lançaria seu filme seguinte, A Última Mulher da Terra, em sessão dupla com A Pequena Loja dos Horrores. Por não acreditar que um dia ele lhe renderia um dinheiro que compensasse o incômodo, Corman jamais oficializou seu copyright, o que fez com que o filme passasse a ser considerado de domínio público.

A Pequena Loja dos Horrores ficou mais ou menos esquecida até o início dos anos 1980, quando o compositor Alan Menken e o escritor Howard Ashman decidiram adaptar o filme para, acreditem ou não, um musical. Para torná-lo mais palatável, eles removeram alguns personagens, como Siddie Shiva, Burson Fouch, a mãe de Seymour - que passa a ser um órfão criado pelo dono da floricultura - e dois policiais que passam a investigar Seymour após desconfiar dos vários assassinatos na região. Três novas personagens, Crystal, Chiffon e Ronnette, atuam como "narradoras", cantando entre os atos, e o dentista, agora chamado Orin Scrivello, é sádico e namora Audrey, o que faz com que Seymour tenha raiva dele. A planta protagonista também passou por alterações: agora chamada Audrey II, ela é um ser do espaço sideral, que chegou à Terra durante um eclipse, disposta a dominar o mundo através de sua prole - e o pior é que ela consegue, já que o musical tem um final diferente, no qual Audrey II come não somente Seymour, mas também Audrey e o Sr. Mushnik, e então espalha seus botões pelo mundo, para que eles devorem a humanidade. Finalmente, apesar do bairro onde se localiza a floricultura também se chamar Skid Row, o musical é ambientado não em Los Angeles, mas em Nova Iorque, onde o espetáculo estrearia.

Audrey II, aliás, era um dos maiores atrativos da peça: dublada por um ator que ficava fora do palco, ao longo do espetáculo ela era representada por quatro bonecos diferentes. O primeiro, menorzinho, era manipulado por Seymour quando estava em suas mãos, e por uma mão de um cenografista estrategicamente colocado quando estava sobre a bancada; o segundo, um pouco maior, ficava sempre nas mãos de Seymour, e contava com um braço falso do personagem segurando seu vaso, enquanto o braço do ator estava na verdade dentro do boneco, manipulando-o; o terceiro, já bem maior, tinha um ator dentro, que usava os braços para manipular sua boca; e o quarto, gigantesco, precisava de duas pessoas para ser manipulado, uma para a boca e uma para as vinhas, e ainda tinha uma abertura especial por onde Audrey II "engolia" alguns atores da peça. Durante o espetáculo, algumas vinhas também pendiam do teto e eram recolhidas, como se Audrey II estivesse ameaçando comer a plateia.

Diferentemente do filme, o musical, que se chamava apenas Little Shop of Horrors (sem o "The") foi um enorme sucesso. Estreando em 6 de maio de 1982 no teatro do Workshop of the Players' Art e depois passando para o Orpheum Theatre, o musical foi aclamado pela crítica, ganhando o New York Drama Critics Circle Award, o Drama Desk Award e o Outer Critics Circle Award de 1982. Little Shop of Horrors só não foi indicado ao Tony, o mais famoso prêmio dos musicais norte-americanos, porque não era exibido na Broadway, mas é opinião quase unânime que, se tivesse sido indicado, teria ganhado. O musical ficou em cartaz até 1o de novembro de 1987, após nada menos que 2.209 apresentações, se tornando o terceiro musical off-Broadway com maior número de apresentações e o terceiro com o maior tempo em cartaz, além de o de maior renda da história. Em 1985, os produtores até receberam um convite para levar Little Shop of Horrors para a Broadway, mas acreditaram que seria melhor deixá-lo onde estava. Além da versão novaiorquina, em 1o de janeiro de 1983 estrearia uma versão do espetáculo em Londres, no West End Theatre, que ficaria em cartaz durante 813 apresentações, ganhando o Evening Standard Award.

A trilha do espetáculo, composta por Alan Menken e musicada por Edie Cowan, tentava ambientar o musical na mesma época do filme, com canções de rock no estilo anos 1960, doo-wop e canções no estilo dos primeiros sucessos da Motown, inclusive com as narradoras atuando como um dos famosos girl groups da gravadora. A trilha foi lançada em LP e cassete fazendo grande sucesso, e até hoje canções como Skid Row, Somewhere That's Green e Suddenly, Seymour são bastante conhecidas do público norte-americano.

O sucesso do musical rendeu a Menken e Ashman um convite da Warner Bros, que desejava adaptá-lo para o cinema. A princípio, Steven Spielberg seria o produtor e Martin Scorcese o diretor, mas dificuldades nas negociações - a principal delas que Scorcese pretendia fazer o filme em 3D - acabaram fazendo com que a produção ficasse a cargo de David Geffen, dono da gravadora Geffen, que também era um dos produtores do espetáculo, e a direção a cargo de Frank Oz. Com orçamento de 30 milhões de dólares, mil vezes maior que o do filme original, o novo filme - que manteve em inglês o mesmo nome da peça, Little Shop of Horrors, mas, em português, ficou com o mesmo nome do original, A Pequena Loja dos Horrores - seria lançado em 19 de dezembro de 1986, se tornando um grande sucesso de público e crítica, indicado aos Oscars de Melhores Efeitos Visuais e Melhor Canção, e aos Globos de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia e Melhor Trilha Sonora. A Pequena Loja dos Horrores seria o único roteiro escrito por Ashman, que faleceu em 1991, para o cinema.

O novo filme é, também, um musical, bastante fiel à peça. No tocante às canções, apenas quatro ficaram de fora, para diminuir a duração e não quebrar o ritmo do filme, mas, em compensação, uma totalmente nova - a indicada ao Oscar Mean Green Mother From Outer Space - foi composta por Ashman e Menken especialmente para o filme. Além disso, a música de abertura ganhou mais uma estrofe, para que todos os créditos do filme pudessem ser exibidos. No tocante ao roteiro, alguns personagens eliminados da peça, como os policiais que investigam os assassinatos, retornaram, e o final foi mais uma vez alterado: agora Seymour e Audrey não são mais devorados, e Seymour consegue matar a planta, realizando o sonho de Audrey de ir morar com ela em uma casinha do subúrbio. Esse não era o final original previsto para o filme, no qual Seymour e Audrey morriam e Audrey II continuaria crescendo até destruir a cidade de Nova Iorque em um momento meio Godzilla, enquanto seus botões se espalham pelo mundo e devoram a humanidade. Embora esse final tenha custado 5 milhões de dólares para ser filmado, e fosse o preferido do roteirista, do diretor e do elenco, ele não foi bem recebido pelos grupos de teste, e, temendo um fracasso do filme, Ashman decidiu alterá-lo.

cena do musicalOs bonecos de Audrey II do novo filme foram feitos por Lyle Conway, e considerados entre os mais modernos e realísticos da época. Operá-los era especialmente difícil - uma equipe de 60 técnicos era necessária para movimentar o boneco do estágio final da planta, que pesava uma tonelada - especialmente nas sequências nas quais Audrey II cantava, pois nelas o boneco teria de se mover extremamente rápido. Como isso se mostrou impossível, Oz se utilizou de um truque: filmar o boneco se movendo em 16 quadros por segundo, e, na hora da edição, acelerar a cena para os tradicionais 24 quadros por segundo - o que fazia com que os técnicos pudessem movimentá-lo mais devagar. Para que isso funcionasse direito, sem que a planta se movesse sem sincronia com a música, foram utilizados vários cortes de cena, e diminuída ao máximo a interação do boneco com os demais atores nesses momentos - e, quando a interação era absolutamente necessária, os atores se moviam em câmera lenta, inclusive suas bocas, com suas falas tendo de ser redubladas na edição. Surpreendentemente, o resultado ficou extremamente realístico, tanto que muitos acreditam que esse truque seja apenas uma lenda, embora os próprios Oz e Moranis confirmem tê-lo usado.

O elenco do filme conta com Rick Moranis como Seymour, Ellen Greene como Audrey, Vincent Gardenia como o Sr. Mushnik e Steve Martin como Orin Scrivello; além de Levi Stubbs, vocalista do grupo Four Tops, como a voz de Audrey II; e Tichina Arnold, Michelle Weeks e Tisha Campbell como Crystal, Ronette e Chiffon. Quatro comediantes famosos da época também fazem participações especiais: Christopher Guest como o primeiro cliente a pagar para ver Audrey II na floricultura, John Candy como o apresentador de um programa de rádio ao qual Seymour leva a planta, Bill Murray como um paciente masoquista de Scrivello, e James Belushi como um representante da World Botanical Enterprises, que planeja vender mudas de Audrey II por todo o país.

Com o sucesso do filme de Oz, o filme de Corman acabaria relançado em 1987, desta vez colorizado. Como o filme é de domínio público, ele também acabou lançado diversas vezes, tanto na versão preto e branco quanto na colorizada, por diversas distribuidoras, em VHS e DVD. Curiosamente, esses lançamentos alardeiam a presença de Jack Nicholson no filme como se ele fosse o astro principal, quando na verdade ele tem um papel bem pequeno, o do paciente masoquista do Dr. Farb - o mesmo interpretado no filme de 1986 por Bill Murray, e que não existe no musical original. Também em 1987, o filme de Oz foi adaptado para os quadrinhos, em uma edição especial lançada pela DC Comics.

Em 1991, foi a vez de A Pequena Loja dos Horrores virar um desenho animado, chamado, simplesmente Little Shop. Criado por Frank Oz e exibido na Fox Kids, o desenho transformava Seymour e Audrey em adolescentes; ele trabalhava na loja do Sr. Mushnik e era apaixonado por ela, que era filha do Sr. Mushnik e não dava muita bola pra ele. O melhor amigo de Seymour era Junior, uma planta carnívora falante que brotou de uma semente pré-histórica encontrada pelo garoto. Ao contrário do que ocorre no filme, Junior é uma planta do bem, não tendo o desejo de matar ninguém nem consumir a humanidade, embora, sendo uma planta carnívora pré-histórica, se alimente de carne. Junior também possui poderes telepáticos, hipnóticos, e é capaz de mover carne com o poder de seu pensamento. No lugar do dentista, o rival de Seymour era o valentão Paine Driller, que usava aparelho, também gostava de Audrey, e estava sempre tiranizando o pobre protagonista. Chiffon, Ronette e Crystal também estavam presentes no desenho, mas, ao invés de humanas, eram três flores cantoras.

Falando nisso, Little Shop era, também, um musical, embora a maior parte de suas músicas, talvez refletindo o período no qual foi realizado, eram raps, cantados por Junior - que, quando não estava cantando, usava várias gírias ao estilo hip hop. Embora se possa argumentar que o desenho era criativo, ele não fez muito sucesso, e teve apenas 13 episódios.

Em 2003, os produtores decidiram tentar um revival do musical, desta vez na Broadway. Como teste, eles montaram uma nova versão, que estreou em 16 de março daquele ano no Miracle Theatre de Coral Gables, Flórida, com novos bonecos criados pela Jim Henson Company. Essa versão, entretanto, foi muito mal recebida pela crítica, que considerou que, apesar de todos os avanços tecnológicos, levar Little Shop of Horrors para um teatro maior tirava seu charme, além de criticar bastante o elenco, considerado pouco inspirado e aquém do esperado.

Devido a essa reação, a estreia na Broadway foi adiada até que novos testes para o elenco e concepções de cenografia fossem feitos. A nova versão do musical só estrearia no maior palco do teatro novaiorquino em 2 de outubro, atraindo boas críticas e conseguindo uma indicação para o Tony de Melhor Ator para Hunter Foster, que interpretava Seymour. A maior novidade dessa nova versão era o novo boneco gigante de Audrey II, capaz de se projetar para a frente para tentar comer a plateia. Essa nova versão ficou em cartaz até 22 de agosto de 2004, quando, após 412 apresentações, partiu para uma turnê por diversas cidades dos Estados Unidos, encerrada em 16 de abril de 2006 em Columbus, Ohio. Em 17 de novembro daquele mesmo ano estrearia uma nova versão do espetáculo londrino, que saiu em turnê por diversas cidades do Reino Unido em 2008, estando em cartaz até hoje.

Em 2009, o diretor Declan O'Brien anunciou seus planos de fazer uma refilmagem de A Pequena Loja dos Horrores, desta vez como um filme de horror mesmo, em um estilo totalmente diferente dos usados até então. Enquanto ele não concretiza seus planos, eu fico com a planta alienígena e cantante. Memórias de infância não morrem assim tão fácil.
Ler mais