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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Escrito por em 13.1.09 com 1 comentário

Girassol

Quando eu comecei a escrever o átomo, somente os usuários que pagavam podiam hospedar figuras no Blogger. Como eu não estava muito a fim de pagar, tive de arrumar uma saída alternativa. No início, eu descaradamente roubava banda dos sites onde estavam as figuras que queria, colocando seus endereços em meus posts. Logo eu descobri que esta prática tinha um pequeno efeito colateral: se o dono do site original removesse a figura, ela sumia do meu blog. Se ele a mudasse, mantendo o mesmo nome, no meu blog ela também mudava. Depois que umas dez ou doze sumiram ou mudaram, era hora de arrumar outra solução. Foi mais ou menos nesta época que surgiram os sites de hospedagem de figuras, que se prestavam a quem quisesse colocá-las em sites de leilão, fóruns e... blogs.

O primeiro site de hospedagem de figuras gratuito que eu arrumei até que durou bastante. Um dia, porém, ele deu xabu, e eu tive de arrumar outro. Este, infelizmente, não durou tanto, dando problema poucas semanas depois de eu transferir todas as figuras para lá. Atualmente estou no terceiro. E espero que último, pois se ter de subir todas as figuras de novo para um novo site de hospedagem é um saco, ter de voltar post a post trocando todos os endereços de todas as figuras é um masoquismo ao qual eu não quero me prestar novamente.

Desta última vez, porém, este ato sacal de ter de editar todos os posts do blog até que produziu um efeito positivo: eu pude aproveitar que estava mudando os endereços das figuras para incluir em meus posts algo no qual eu já estava de olho faz tempo: categorias. Ou "marcadores", como o Blogger os chama. Mas, seja qual nome for, o fato é que eles não existiam nem quando eu criei o blog nem quando tive de trocar as figuras pela segunda vez, mas eu achava o conceito muito interessante, e só não os havia adicionado antes por não querer ter de editar todos os posts de novo um por um.

Eu não sei se alguém reparou, mas, ao criar os marcadores, eu procurei evitar categorias que ficassem com um post só. Por isso, por exemplo, Castlevania é uma categoria, mas Tomb Raider não, embora eu goste muito mais de Tomb Raider que de Castlevania. Uma categoria, porém, não teve jeito: Animais. Um dia eu resolvi fazer um post sobre o rinoceronte, meu animal preferido, e que infelizmente está ameaçado de extinção. Evidentemente, ao criar as categorias, não consegui encaixá-lo em nenhuma outra, então tive de criar uma categoria só para ele.

Esta semana, enquanto imaginava sobre o que poderia ser meu segundo post do ano, acabei tendo a idéia de criar um novo post para a categoria Animais, para que o rinoceronte não ficasse tão sozinho. Pensei em vários animais, dos quais eu gostasse ou que simplesmente eu achasse interessantes, mas acabei não chegando a conclusão nenhuma. Acabei foi tendo outra idéia. Assim como eu havia dedicado um post ao meu animal preferido, eu poderia dedicar um à minha planta preferida, e mudar o nome da categoria para Animais e Plantas. E foi isso que eu fiz. Portanto, graças a esta idéia, hoje vocês serão brindados com um post sobre o girassol, a minha flor preferida!

E antes que alguém aí se manifeste no sentido de insinuar que ter uma flor preferida depõe contra a minha masculinidade, gostaria de dizer três coisas: primeiro, gostar de uma flor não faz com que ninguém deixe de ser homem; segundo, mesmo que fizesse, homofobia é crime, e preconceito é uma coisa muito feia; e terceiro, se rodar por vontade própria para ficar sempre de frente com o Sol não é suficiente para uma flor ser considerada a preferida de alguém, eu sinceramente já não sei mais o que é.

O girassol (helianthus annuus) é uma planta originária da América Central e México, onde, inclusive, era adorada pelos povos nativos como o deus do Sol, tendo sido encontrados vários objetos ornamentais em ouro com a forma de sua flor. É uma das maiores flores do mundo, com o caule podendo chegar a três metros de altura, a raiz alcançar um metro e meio de profundidade, e o miolo da flor ficar com impressionantes 30 cm de diâmetro. Normalmente, porém, somente os girassóis selvagens ficam tão grandes; as variedades encontradas para venda são de uma subespécie anã, a helianthus annuus nanus, que alcança no máximo aproximadamente um terço deste tamanho. Por outro lado, registros de flores maiores ainda também não são incomuns: na Holanda e no Canadá alguns criadores conseguiram girassóis de 8 metros de altura, e um documento de 1567 diz que na cidade de Pádua havia um de 12 metros.

O girassol é uma planta anual, ou seja, do momento em que sua semente germina até o dia em que a planta morre, se passa aproximadamente um ano. Normalmente a planta floresce no Verão, mas pode florescer em qualquer época do ano, desde que a temperatura ambiente esteja entre 18 e 30 graus Celsius. Recomenda-se que o girassol seja plantado em uma mistura de uma parte de terra comum, uma parte de terra vegetal e uma parte de areia, regada sempre que ficar seca, e adubada regularmente. A semente deve ser plantada a 2,5 cm de profundidade, e, caso várias sejam plantadas juntas, cads uma deve ficar a 45 cm das outras. O girassol é uma planta resistente e normalmente não apresenta doenças, mas pode ser contaminada caso seja plantada junto com outras flores. Ataques de lagartas também não são comuns, mas, se acontecer, basta remover os insetos que o girassol se recuperará normalmente.

O girassol também é conhecido como uma planta da qual tudo se aproveita. Suas sementes, que nascem no miolo da flor, podem ser usadas para extrair um óleo que serve para cozinhar, diluir cosméticos, produzir margarina e até biodiesel. O refugo que sobra das sementes após a extração do óleo é processada e transformada em nutritiva ração animal. Ao invés de se extrair o óleo, pode-se torrar as sementes, que se tornam então comestíveis, ou processá-las para fazer "manteiga de girassol", consumida como se fosse geléia ou manteiga de amendoim. Até mesmo cruas as sementes podem ser mascadas, como uma espécie de chiclete, e usadas na alimentação de pássaros, como papagaios e periquitos.

Após a extração das sementes, o miolo também pode ser comido, após ser assado e salgado, sendo um lanche bastante popular na China. Na Alemanha, o miolo é moído e misturado com farinha de trigo para fazer o popular pão-de-girassol. Do caule pode-se extrair um látex, atualmente estudado para ser usado como borracha hipoalergênica. As folhas são alelopáticas, ou seja, quando usadas como adubo, evitam o nascimento de ervas daninas. Além disso tudo, o girassol absorve metais pesados do solo, podendo ser plantado para remover contaminação por chumbo, arsênico e até urânio. Em Chernobyl, girassóis conseguiram "limpar" uma área contaminada por urânio, césio-137 e estrôncio-90 após o acidente com a usina nuclear.

A flor do girassol tecnicamente não é uma flor, mas uma inflorescência, um conjunto de centenas de pequenas flores agrupadas, chamadas floretes, que formam o chamado capítulo, ou miolo, do girassol. Os floretes se agrupam no capítulo em um padrão de espirais intercaladas, com cada florete em um ângulo de 137,5 graus com o seguinte. Este padrão é tão curioso - o número de espirais para a direita é o número de Fibonacci seguinte ao número de espirais para a esquerda - que o matemático H. Vogel criou uma fórmula para representá-lo em 1979, hoje usada para se desenhar girassóis em computação gráfica.

Os floretes mais próximos da borda exterior do capítulo, normalmente chamados de pétalas, são estéreis; os mais para o centro se dividem em floretes femininos e hermafroditas. Os órgãos masculinos dos floretes hermafroditas se abrem antes que os dos femininos, e a polinização deve ocorrer em um espaço de 5 a 10 dias entre as aberturas. A polinização é feita normalmente por insetos, como abelhas, sendo o índice de aproveitamento por outros métodos muito pequeno. Os floretes polinizados então se desenvolvem e dão origem às sementes, que, na verdade, são os frutos do girassol.



Mas eu jamais poderia encerrar um post sobre o girassol sem falar do heliotropismo, que é o que faz do girassol, bem, um girassol. Como vocês devem ter imaginado, heliotropismo é a capacidade de girar para ficar sempre de frente para o Sol. Girassóis jovens são totalmente heliotrópicos, voltando seus capítulos para o Leste no nascer do Sol, e girando lentamente em direção ao Oeste conforme o dia passa, voltando para o Leste durante a noite. Este movimento é realizado por células especiais localizadas na junção entre o capítulo e o caule. Ao chegar a uma determinada idade, o girassol perde o heliotropismo, e fica fixo voltado para uma direção, normalmente para o Leste, embora girassóis selvagens possam ficar fixos em qualquer direção.

Se você estiver pensando em comprar um girassol, preste atenção às características da espécie, como a inflorescência; existem mais de 80 espécies de girassol, todos com as mesmas características, e atualmente, graças a cruzamentos, já são encontrados girassóis na cor laranja ou vermelha, além do tradicional amarelo, mas nem todas as plantas vendidas como "girassol" são a helianthus annuus. Temos, por exemplo, o tupinambo ou girassol batateiro (helianthus tuberosus), que produz uma espécie de batata rica em frutose em sua raiz; o helianthus maximillianii, nativo dos Estados Unidos, e cujas pétalas são levemente fechadas; e o girassol mexicano (tithonia rotundifolia), que, como o nome científico indica, nem é da mesma família, sendo só parecido com o girassol. Mas pior ainda são as florzinhas do gênero heliopsis, bem menores e sem heliotropismo, mas que também costumam ser vendidas como girassóis, ao ponto de já terem sido apelidadas de "falsos-girassóis".

Tradicionalmente, o girassol representa fama, sucesso, sorte e felicidade. Ele é amarelo, roda na direção do Sol e limpa solo contaminado por urânio. E é minha flor favorita.

E esse final ficou parecendo fecho de redação do primário, mas tudo bem.
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domingo, 11 de dezembro de 2005

Escrito por em 11.12.05 com 0 comentários

Rinoceronte

Todo mundo tem um bicho preferido. Alguns gostam de cachorros, outros de gatos, minha namorada adora onças, e tenho uma prima que ama chimpanzés. Quanto a mim, meu animal preferido é o rinoceronte. Desde criança, sempre achei aquele bicho meio desengonçado, com aparência de blindado, cabeçudo, com orelhinhas minúsculas e um enorme chifre no nariz uma das coisas mais fofas do mundo. Gosto não se discute.

Rinoceronte negro


Para minha infelicidade (e de milhares de ambientalistas no mundo inteiro), o pobre rinoceronte está em extinção. Tudo porque algumas culturas acreditam que seu chifre, quando moído, possui propriedades afrodisíacas. Como se isso já não fosse o bastante, em alguns países árabes (mais notadamente Iêmen e Omã), adagas feitas com chifre de rinoceronte são valiosíssimas. Como o rinoceronte não vai entregar seu chifre assim para qualquer um, a única forma de tirá-lo é matando o bicho antes. E aí centenas de rinocerontes morrem todos os anos para que alguns homens possam aumentar sua potência sexual ou exibir uma bela arma branca para os amigos. O que, além de uma pena, é uma tremenda ignorância.

O nome rinoceronte vem de duas palavras gregas: rhino, que significa nariz, e keros, que significa chifre. Evidentemente, ele ganhou este nome por causa da característica que diferencia o rinoceronte de todos os outros mamíferos: um chifre no nariz. Ao contrário do que muita gente pensa, o chifre do rinoceronte não é um osso: ele é feito de pêlos muito pequenos e muito compactos, tão compactos que formam uma estrutura duríssima. Outras características comuns a todos os rinocerontes são a pele muito espessa (cerca de 7cm), as orelhas pequeninas e as patas com três dedos cada. Rinocerontes cheiram e ouvem perfeitamente, mas não enxergam muito bem. É mentira, porém, dizer que são burros, irritadiços e atacam sem motivo. Na verdade, é um animal muito dócil, e só investirá contra prováveis agressores caso se sinta ameaçado, como qualquer animal selvagem. Apesar de grandalhão, o rinoceronte é muito veloz (alcança 50Km/h), e uma investida sua pode até virar um carro. Um rinoceronte vive cerca de 45 anos, e atinge a maturidade entre 5 e 8 anos de idade. As fêmeas têm um filhote por vez, normalmente a cada três anos, após um período de 16 meses de gestação. O rinoceronte é o segundo maior mamífero terrestre, perdendo apenas para o elefante, e logo à frente do hipopótamo, do qual não é parente, como muitos acreditam.

Hoje em dia ainda existem cinco espécies de rinocerontes, duas nativas da África e três da Ásia. O menos ameaçado de extinção é o rinoceronte branco (ceratotherium simum). Natural da África, ele não é branco, como seu nome afirma, mas sim acinzentado. A origem do nome foi um simples engano: das duas espécies de rinocerontes africanos, o branco é o que tem a boca mais larga, portanto, ele era chamado pelos africanos de weid ("largo" em afrikaans), palavra que foi confundida pelos ingleses com white ("branco", em inglês).

Rinoceronte branco


Um rinoceronte branco possui dois chifres, um maior, na ponta do nariz, e um menorzinho, logo acima. Sua boca é larga e achatada, pois ele a usa para comer grama. Mesmo com esta dieta, um rinoceronte branco pesa entre 1.800 e 2.700Kg. Um animal adulto pode chegar a 1,80m de altura, e até 5m de comprimento, da ponta do nariz até a cauda. Como sua cabeça é muito grande e pesada, o rinoceronte branco apresenta uma "corcundinha", para ajudar na sustentação do pescoço. Estima-se que existam por volta de 11.300 rinocerontes brancos em estado selvagem, espalhados pelo nordeste e sul da África.

A outra espécie africana é o rinoceronte negro (diceros bicornis), que, adivinhem, também não é preto. Na verdade, ele só um pouquinho mais escuro que o branco, e ganhou este nome porque, já que o outro era o branco, esse que era mais escuro tinha que ser o negro. Ele também tem dois chifres, embora o maior seja mais fino que o do rinoceronte branco. Sua cabeça é menor, não tem a corcundinha, mas a testa é mais pronunciada, e sua boca possui um "bico" (na verdade, um prolongamento do lábio superior), utilizado para quebrar os galhos da vegetação rasteira da qual se alimenta. O rinoceronte negro é menorzinho, tendo 1,60m de altura e 3,5m de comprimento e pesando entre 800 e 1.350Kg. Estima-se existirem ainda 3.610 rinocerontes negros no leste da África. A situação se agrava porque esta espécie é muito mais difícil de se reproduzir em cativeiro.

A situação dos rinocerontes africanos pode ser triste, mas a dos asiáticos é ainda pior. A espécie de rinoceronte mais ameaçada de extinção é a do rinoceronte de Java (rhinoceros sondaicus), somente encontrado em dois locais específicos, um na Indonésia e outro no Vietnã. Segundo a última contagem, feita em 2002, apenas 60 rinocerontes de Java ainda estavam vivos. Eles continuam sendo caçados, não há programa oficial de proteção, e a reprodução em cativeiro é quase inexistente, fatos que, infelizmente, podem contribuir para a eventual extinção total da espécie. Um rinoceronte de Java se distingue de seus parentes africanos por ter um único chifre, bem curto, e somente presente nos machos. Sua pele, de cor cinza ou marrom, é mais larga que o corpo, o que faz com que se dobre, dando a aparência de placas. Um rinoceronte de Java pode chegar a 1,70m de altura por 4m de comprimento, e pesar 2.300Kg. Sua dieta consiste de folhas de árvore que ele alcança com seu pescoço um pouco mais longo que o dos demais rinocerontes.

O segundo rinoceronte mais ameaçado do mundo é o rinoceronte de Sumatra (dicerorhinus sumatrensis), com 300 animais espalhados pelo sudeste asiático. Este rinoceronte é bem diferente dos outros, sendo o único peludo, apresentando longos pêlos castanho-avermelhados. O rinoceronte de Sumatra também é o único da Ásia com dois chifres, e é o menor de todos os rinocerontes, tendo 1,40m de altura por 3m de comprimento, e pesando entre 600 e 950Kg. A proteção aos rinocerontes de Sumatra selvagens também é deficiente, mas felizmente sua reprodução em cativeiro está começando a dar certo nos Estados Unidos.

O rinoceronte asiático de situação mais tranqüila é o rinoceronte indiano (rhinoceros unicornis), encontrado na Índia e no Nepal. Ainda assim, apenas 2.400 animais ainda sobrevivem em estado selvagem, embora esforços sejam feitos pelo governo da Índia para aumentar este número. O rinoceronte indiano é o maior dos rinocerontes, podendo atingir 2m de altura por 4m de comprimento, e pesar até 3 toneladas. Sua pele também é mais larga e forma dobras que dão uma aparência de blindagem. Possui um único chifre, meio arredondado no topo, e costuma comer grama e vegetação rasteira.

Rinoceronte indiano


Em todo o planeta, diversas instituições batalham para salvar o rinoceronte, seja combatendo a caça, criando reservas ambientais onde eles podem viver em paz, ou financiando pesquisas que facilitem a reprodução em cativeiro. Também é importante cuidar dos órfãos e feridos eventualmente encontrados, para que um dia eles possam ser devolvidos à vida selvagem. Afinal, o local de qualquer animal selvagem é ao ar livre, vivendo sua vida sem que ninguém tenha nada a ver com isso. Eu espero sinceramente que um dia os pobres rinocerontes deixem de ser caçados, ou correremos o risco de só encontrá-los em zoológicos e fotografias. E isso é muito triste.
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