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domingo, 28 de maio de 2023

Escrito por em 28.5.23 com 0 comentários

Golfe (II)

No início do ano, quando percebi que já fazia um bom tempo que eu não falava sobre esportes, decidi pesquisar pra ver sobre quais eu ainda não tinha falado. Acabei encontrando alguns da "família" do golfe, e isso me deu uma ideia: assim como, um dia, eu fiz um segundo post sobre beisebol para falar sobre esportes que se parecem com beisebol, hoje eu vou fazer um segundo post sobre golfe, para falar sobre esportes que se parecem com golfe.

Vamos começar pelo que é mais conhecido aqui no Brasil, o minigolfe. O minigolfe surgiu no início do século XX, com a África do Sul clamando para si a invenção, dizendo que os primeiros campos próprios para a prática do esporte teriam sido abertos lá em 1910; o primeiro registro escrito de uma partida de minigolfe, porém, data de junho de 1912, e é uma reportagem do jornal The Illustrated London News, que comenta sobre a abertura, em Londres, de um campo de golfe em miniatura, coberto e com piso de carpete ao invés de grama, chamado Golfstacle - uma mistura das palavras golf e obstacle. O Golfstacle faria um sucesso moderado e não duraria muito tempo, mas motivaria um grupo de empresários norte-americanos a criar uma empresa chamada Thistle Dhu (um trocadilho com this will do, algo como "vai servir"), especializada em montar campos de minigolfe em carpete. Fundada em 1916 em Pinehurst, Carolina do Norte, a Thistle Dhu exportaria campos para todo o país, mas iria à falência durante a Grande Depressão da década de 1930.

Antes disso, um inventor chamado Thomas McCulloch Fairbairn, fanático por golfe, revolucionaria o esporte inventando nada menos que a grama artificial, em 1922. Fairbarn gostava dos campos da Thistle Dhu, mas achava que o carpete não proporcionava a verdadeira experiência de jogar golfe. Ele então misturaria cascas de sementes de algodão, óleo de algodão, areia e corante, e obteria um material de textura quase igual ao da grama natural, que fazia com que a bolinha se comportasse exatamente como se estivesse em um campo de golfe verdadeiro, com a vantagem de que não precisava ser regado, aparado, nem exposto ao sol - além de ser muito mais barato que o carpete da Thistle Dhu, já que as cascas de sementes de algodão, material normalmente usado para fazer ração para gado bovino, eram vendidas a centavos por tonelada.

A grama artificial de Fairban seria responsável pelo surgimento de milhares de campos de minigolfe por todos os Estados Unidos, cerca de 150 deles apenas na cidade de Nova Iorque. Além de inventá-la, ele também seria o responsável por adicionar ao jogo "morrinhos", curvas inclinadas e piscinas, algo que não era possível com o carpete, com todos os obstáculos dos campos de carpete tendo de ser criados separadamente e montados sobre o campo. Por essas duas razões, Fairbarn é considerado o inventor do minigolfe moderno, e, até hoje, há um torneio em sua homenagem, a Fairbarn Cup, disputada anualmente em Seven Mile Island, Nova Jérsei. Infelizmente, a empresa de Fairbarn também iria à falência durante a Grande Depressão, e pouquíssimos campos originais criados por ele sobreviveriam até hoje, com a esmagadora maioria tendo sido desmontada e convertida em outros empreendimentos antes do final da década de 1930.

Por outro lado, durante a Grande Depressão, o minigolfe se desenvolveria e popularizaria na Europa. Em 1926, o alemão Franz Schröder viajaria aos Estados Unidos, jogaria minigolfe, compraria grama artificial e, ao retornar a seu país de origem, abriria o primeiro campo de minigolfe da Alemanha. O primeiro da Suécia teria uma história semelhante, com os irmãos Edwin e Eskil Norman, que moraram nos Estados Unidos durante a década de 1920, retornando a seu país de origem em 1930 e fundando, um ano depois, a Norman och Normans Miniatyrgolf, que fabricaria, montaria e instalaria campos de minigolfe na Suécia, Noruega, Dinamarca e, a partir da década de 1960, Reino Unido. Inicialmente, os Norman não tinham acesso à grama artificial, e usavam saibro como superfície; na década de 1960, a empresa passaria a usar feltro, que tinha uma vantagem sobre os três materiais usados até então (carpete, saibro e grama artificial): campos de minigolfe de feltro podiam ser montados ao ar livre, pois o feltro não era afetado nem pelas baixas temperaturas do inverno, nem pela chuva, que passava direto por ele em direção ao solo, sem encharcá-lo. Depois dos Norman, até mesmo empresas dos Estados Unidos passariam a usar feltro como superfície.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, em 1938, dois irmãos também fanáticos por golfe, Joseph e Robert Taylor, decidiriam tentar ressuscitar o minigolfe, e, para aumentar o interesse dos jogadores, criariam aquela que é sua principal característica: os obstáculos temáticos. Até então, todos os obstáculos de um campo de minigolfe lembravam os de um campo de golfe comum, mas os Taylor adicionariam moinhos de vento pelos quais a bolinha tinha de passar no intervalo de suas pás, canos que serviam como túneis, castelinhos, tobogãs, poços dos desejos, e toda sorte de construções que, além de aumentar a complexidade do jogo, o deixavam lindo. A Taylor Brothers logo começaria a receber várias encomendas de empresários interessados em abrir campos de minigolfe em suas cidades, e, na década de 1950, conseguiriam até um contrato com o Exército dos Estados Unidos, para fabricar campos de minigolfe que seriam montados nas bases onde os soldados norte-americanos estavam aquartelados durante a Guerra da Coreia.

Também na década de 1950, inspirado pelo sucesso da Taylor Brothers, o empresário Don Clayton criaria uma fábrica de campos de minigolfe chamada The American Putt-Putt Company; seus campos se tornariam tão populares que, até hoje, nos Estados Unidos, putt-putt é tipo um apelido do minigolfe, como ocorre com pingue-pongue em relação ao tênis de mesa. Logo, outras empresas, como a Lomma Golf, fundada pelos irmãos Al e Ralph Lomma em 1955, e a Arnold Palmer Miniature Golf, fundada por Frank Abramoff em 1961 e batizada em homenagem a um dos maiores jogadores de golfe de todos os tempos (que, bizarramente, estava em atividade na época, e não tinha participação alguma na empresa) também começariam a criar seus próprios campos, sempre com obstáculos criativos, o que faria com que o minigolfe logo se tornasse uma parte importante da cultura norte-americana, presente em parques de diversões, shoppings, e sendo, em muitas cidades pequenas, o point de encontro da juventude local.

Mas o minigolfe também é um esporte, e seu primeiro torneio competitivo, com prêmios em dinheiro, seria o National Tom Thumb Open, disputado pela primeira vez em 1920, com qualificatórias em todos os 48 estados (nem o Alasca, nem o Havaí faziam parte dos Estados Unidos na época) e mais de 200 jogadores participando da final. Durante a Grande Depressão, os torneios seriam cancelados, mas começariam a surgir os torneios europeus, com o primeiro sendo o Campeonato Nacional Sueco, em 1939. A Suécia, aliás, seria o primeiro país a fundar uma federação nacional de minigolfe, em 1937; o segundo, a Suíça, só o faria em 1954, e a dos Estados Unidos só seria fundada em 1995, porque, depois da Grande Depressão, o minigolfe passaria a ser visto lá como um passatempo de jovens, com o lado esportivo só sendo redescoberto na década de 1990.

Também seria na Suécia que seria fundada, em 2000, a Federação Mundial de Minigolfe Esportivo (WMF), que hoje conta com 51 membros dos cinco continentes - sendo que o Brasil não é membro. O mais importante campeonato da WMF é o Mundial, disputado a cada dois anos desde 2003. Os campeonatos da MWF seguem o chamado "estilo europeu", que se desenvolveu na Suécia e se popularizou na Europa continental; por causa disso, todos os melhores jogadores do ranking são europeus, e os dos Estados Unidos não costumam ter bons resultados, assim como os de países como Reino Unido e Japão, nos quais o "estilo americano" é mais popular. A WMF é membro fundadora da AIMS, uma espécie de confederação das federações internacionais dos esportes que ainda não são reconhecidos pelo COI, e um de seus objetivos, assim como o de aparentemente todas as outras federações esportivas internacionais, é colocar o minigolfe nas Olimpíadas, o que está bem longe de se concretizar no momento.

Pelas regras da WMF, o minigolfe é jogado em 18 buracos. Diferentemente do que ocorre no golfe, onde todos os buracos estão espalhados pelo mesmo campo, no minigolfe cada buraco tem sua própria pista, delimitada por linhas ou muretas, cada pista com sua própria teeing area; o ideal é que o circuito tenha 18 pistas, mas as regras da WMF permitem circuitos de no mínimo 12 pistas, caso no qual algumas serão jogadas duas vezes. Cada toque do taco na bola vale 1 ponto, e, se o jogador não conseguir colocar a bola no buraco após 6 tacadas, ele ganha mais 1 ponto e é obrigado a passar para a pista seguinte - portanto, o número máximo de pontos em cada pista é 7. Em um torneio de stroke play, ganha quem fizer menos pontos (com o mínimo possível sendo 18), enquanto no match play ganha quem vencer mais pistas (com cada pista sendo vencida pelo jogador que colocar a bola no buraco em menos tacadas). Em caso de empate, é disputado um mini-torneio em morte súbita, começando pela pista 1; a cada pista, os jogadores que colocarem a bola no buraco com mais tacadas vão sendo eliminados, até que só reste um. O único tipo de taco usado é o putter, e a bola deve ter entre 37 e 43 mm de diâmetro e não pode quicar mais de 85 cm quando cair de uma altura de 1 metro, mas, fora isso, não é padronizada - segundo a própria WMF, existem centenas de tipos de bolas diferentes, variando em material, dureza, aspereza e peso, com o jogador sendo livre para escolher a que melhor se adequa a seu estilo. Um jogador pode, inclusive, trocar de bola entre uma pista e outra, mas deve terminar cada pista com a bola com a qual a começou.

Atualmente, a WMF reconhece quatro modalidades, todas podendo ser disputadas em simples masculinas ou femininas, duplas ou equipes masculinas, femininas ou mistas, tanto em stroke play quanto em match play: concreto, miniaturegolf, feltgolf e MOS. Na modalidade concreto (também conhecida, em alguns países, como beton, B, Bongni, ou Abteilung 1) a superfície, obviamente, é de concreto, e as regras definem 18 pistas, que devem sempre ser jogadas na mesma ordem, com obstáculos simples como inclinações, rampas, túneis e curvas. A modalidade miniaturegolf (também conhecida como eternite, E, EB, Europabana ou Abteilung 2) tem superfície de eternite (um material sintético normalmente usado para fazer telhas) e 28 pistas, das quais são escolhidas 18, com obstáculos complexos como pirâmides, loopings, rampas, escadas e pontes. A modalidade feltgolf (também conhecida como feltro, F ou SFR) tem superfície de feltro e 32 pistas das quais são escolhidas 18, que combinam obstáculos simples e complexos; ao contrário do que se possa imaginar, normalmente o feltro é azul claro, e não verde. Já a modalidade MOS (sigla para Minigolf Open Standard) é a mais recente, inspirada no "estilo americano", e basicamente cobre qualquer tipo de pista que não faça parte das outras três, sem padronização de desenho ou superfície, e podendo usar os obstáculos chamados supercomplexos, como moinhos e castelinhos.

Torneios podem escolher qual modalidade vão adotar, mas nenhum torneio oficial da WMF jamais escolheu a MOS - todas as edições do Mundial, por exemplo, foram disputadas em concreto ou eternite. Como a WMF não é a única entidade a organizar torneios de minigolfe, porém, há torneios de prestígio que usam o que, para a WDF, seria a modalidade MOS, e atraem, principalmente, os jogadores dos Estados Unidos e do Reino Unido, como o US Masters, US Open, British Open, World Crazy Golf Championships e o World Adventure Golf Masters. Também vale citar o Campeonato Europeu, organizado pela WDF e segundo em importância abaixo apenas do Mundial, disputado a cada dois anos desde 2004, em quase todas as edições na modalidade feltro.

Vamos passar agora para um esporte que não é muito conhecido aqui no Brasil, mas tem tudo para se popularizar: o futegolfe, que consiste em encaminhar a bola até o buraco com chutes, ao invés de com um taco. O futegolfe usa uma bola comum de futebol, e é disputado em um campo comum de golfe; como o buraco para acomodar a bola precisa ser bem maior, ele nunca é cavado no green, o que poderia danificar irreversivelmente o campo, mas no fair, e sempre fora do trajeto usual das bolas de golfe. É mais fácil conduzir a bola com os pés do que com o taco, mas, principalmente devido a seu peso, a bola de futebol não viaja tanto quanto a de golfe; para acomodar essas duas características, a distância da teeing area até o buraco é menor, e o Par de cada buraco fica entre 3 e 5. Obviamente, cada chute na bola conta como uma tacada, e faltas são punidas acrescentando um chute ao total do jogador.

O futegolfe é sempre jogado no estilo match play, com os jogadores sendo pareados dois a dois, o vencedor de cada embate avançando e o perdedor sendo eliminado, até os dois melhores se enfrentarem na final (e os perdedores das semifinais disputando a medalha de bronze). A cada buraco, o jogador que cumprir o percurso com menos chutes marca um gol - ninguém marca gol em caso de empate - e, ao final dos 18 buracos, quem tiver marcado mais gols ganha o embate; caso ambos estejam empatados ao final do último buraco, o embate recomeça do primeiro buraco com morte súbita, sendo vencedor o jogador que primeiro marcar um gol. O campo de futegolfe normalmente tem 9 buracos, com a partida inteira sendo composta por 18 buracos, ou seja, cada buraco é disputado duas vezes, com a partida os seguindo em ordem crescente, depois em decrescente - primeiro do 1 ao 9, depois do 9 ao 1, sendo o 1 tanto o primeiro, quanto o último, quanto o primeiro do desempate se for necessário.

O futegolfe foi inventado em 2009, na Holanda, por Michael Jansen e Bas Korsten, irmão do ex-jogador profissional de futebol Willem Korsten. Entre 1999 e 2001, Willem jogou pelo Tottenham Hotspur, da Inglaterra, e, ao final dos treinos, tinha o hábito de apostar com os colegas de time quem conseguiria levar a bola do campo para o vestiário no menor número de chutes. Infelizmente, devido a inúmeras lesões, Willem teve de se aposentar cedo, aos 26 anos, e, ao retornar para a Holanda, conseguiu um emprego de treinador das divisões de base do NEC Nijmegen, time pelo qual começou sua carreira, mantendo a brincadeira, agora disputada entre seus comandados, ao final de cada treino. Bas assistiria a um treino comandado pelo irmão, e teria a ideia de criar um esporte que misturasse futebol e golfe; para pô-la em prática, ele chamaria Jansen, que o ajudaria a reunir uma seleção de jogadores e ex-jogadores profissionais de futebol da Holanda e da Bélgica, que disputariam o primeiro torneio de futegolfe em um dos campos de golfe de maior prestígio da Holanda, o Golfbaan Het Rijk - localizado em Nijmegen, mesma cidade do NEC.

O torneio, vencido por Theo Janssen, seria notícia em todos os principais meios de comunicação do país, e ajudaria o futegolfe a ter um início meteórico - antes do final de 2009, outros campos de golfe da Holanda, Bélgica e Hungria já estavam organizando seus próprios torneios, sempre com bastante procura. Em 2010, o esporte seria introduzido na Argentina, que hoje é uma das principais potências do futegolfe, e, no ano seguinte, nos Estados Unidos, que foi o primeiro país a fundar uma liga profissional, a American FootGolf League, e hoje já conta com mais de cem campos de golfe que também oferecem a prática do futegolfe a seus sócios. A popularização do futegolfe nos Estados Unidos coincidiria com um declínio da popularidade do golfe entre os jogadores mais jovens - muitos campos estavam em vias de fechar por falta de sócios, e acabaram sendo salvos da falência pelos jogadores de futegolfe.

Em junho de 2012, as federações nacionais de Holanda, Bélgica, Hungria, Suécia, Argentina, Estados Unidos, Austrália e Japão fundariam a Federação Internacional de Futegolfe (FIFG), que hoje conta com 39 membros dos cinco continentes, incluindo o Brasil. Naquele mesmo ano, 79 jogadores dos oito membros fundadores disputariam a primeira Copa do Mundo de Futegolfe, na Hungria, que teria apenas a competição de simples masculinas (vencida por um húngaro). A segunda edição seria disputada em 2016 na Argentina, e contaria com disputas de simples masculinas (vencida por um argentino) e equipes mistas (vencida pelos Estados Unidos); essa edição teria um enorme salto no número de participantes em relação à primeira, contando com 227 jogadores de 26 países. A ideia da FIFG era realizar a Copa do Mundo a cada dois anos, de forma que a terceira edição ocorreria em 2018 no Marrocos, com participação de 503 jogadores de 33 países, competindo nas simples masculinas (vencida por outro argentino), simples femininas (vencida por uma inglesa) e equipes mistas (vencida pela França). A edição seguinte, no Japão, em 2020, teve de ser cancelada pela pandemia, e somente será realizada nesse ano de 2023, nos Estados Unidos, com a participação de mais de mil jogadores, em disputas de simples masculinas, simples femininas, equipes masculinas e equipes femininas. Atualmente a FIFG discute se a próxima edição será em 2025 ou em 2026, mas é certo que, a partir de então, voltará a ser a cada dois anos.

Além da Copa do Mundo, a FIFG organiza a FIFG World Tour, uma série de torneios anuais nos mesmos moldes do que ocorre no golfe (com muitos deles, inclusive, sendo disputados como evento de abertura de torneios de golfe), e a FIFG World Champions Cup, série de desafios entre equipes. O futegolfe é hoje um dos esportes que cresce mais rápido no mundo, com o número de jogadores filiados e países interessados em fundar federações nacionais aumentando a cada ano - o único continente no qual a FIFG tem dificuldade em se firmar é a África, onde, apesar do enorme interesse em futebol, quase não há campos de golfe ou interesse pelo golfe, com o único país africano membro da FIFG sendo a África do Sul. O rápido crescimento do futegolfe motivaria a GAISF, organização que, dentre outras coisas, ajuda federações esportivas a preencher os requisitos para que seus esportes sejam aptos a fazer parte das Olimpíadas, a incluir a FIFG em sua lista de "membros observadores" - o que equivale a dizer "estamos de olho em vocês e temos interesse em ajudar".

O futegolfe possui um parente, criado na Alemanha em 1977 pelo ex-jogador profissional de futebol Andreas Oligmüller, chamado Buschball. Ao invés de um buraco, o Buschball usa um poste, e pode ser jogado em qualquer campo gramado, não necessariamente um campo de golfe. O objetivo é fazer com que a bola acerte o poste com no máximo nove chutes, com o jogador somando 10 pontos caso não consiga; a partida é disputada em stroke play, com aquele que somar menos pontos ao final sendo o vencedor. O Buschball nunca se popularizou fora de seu país de origem, mas lá ele conta até com um disputado torneio profissional entre clubes.

Vale citar também um esporte mais antigo, do qual muitos acham que o futegolfe é uma variante, chamado codeball. O codeball foi inventado em 1929, em Chicago, Estados Unidos, pelo médico William Edward Code, que buscava criar um esporte que pudesse ser disputado em parques, sem grande custo em equipamentos. O codeball usava uma bola de borracha de 15 cm de diâmetro, e o objetivo de cada jogador era fazer com que ela fosse levada do ponto inicial até uma tigela no menor número de chutes possível. Embora tenha sido inventado para ser jogado em parques, o codeball logo se tornaria tão popular que começariam a surgir campos próprios, com obstáculos que deixavam a partida mais emocionante; um campo "profissional" de codeball contava com 14 tigelas, e pelo menos 12 campos seriam inaugurados nos Estados Unidos na primeira metade da década de 1930. Um torneio profissional chegaria a ser realizado em St. Louis em 1935, mas, com o início da Segunda Guerra Mundial, o codeball decairia em popularidade até desaparecer, não sendo hoje mais jogado em lugar nenhum. Code também inventaria um outro esporte, uma mistura de futebol e squash, no qual a mesma bola do codeball deveria ser chutada contra uma parede e devolvida pelo oponente após um quique; ele chamaria esse esporte de codeball on the court (algo como "codeball de quadra"), e, para diferenciar os dois, passaria a chamar o original de codeball on the green (algo como "codeball de grama"), nome que nunca pegou.

O terceiro esporte que veremos hoje também foi criado em 1929, e se chama pitch and putt. Como vocês devem saber, o golfe é disputado em um campo gigantesco, que ocupa muito espaço, e cuja manutenção é muito cara. Na década de 1920, na Irlanda, alguns donos de clubes começaram a pensar em regras alternativas para o golfe, para que pudesse ser usado um campo menor, provavelmente inspirados pela abertura de um campo de tamanho reduzido, em 1914, na cidade de Portsmouth, Inglaterra - que, curiosamente, ganhou o apelido de "minigolfe". O primeiro campo de tamanho reduzido da Irlanda seria aberto no Condado de Cork, em 1929, mas as novas regras seriam vistas mais como uma curiosidade até a década de 1940, quando vários outros "minicampos" começariam a aparecer, e o novo esporte se espalharia por toda a Europa, com suas regras sendo refinadas. Esse novo esporte ganharia o apelido de pitch and putt, relacionado ao fato de que primeiro o jogador dava uma tacada longa (pitch) e depois várias tacadas curtas (putt), nome que acabaria pegando como o oficial do esporte.

Hoje, o pitch and putt é majoritariamente considerado um esporte diferente do golfe, embora use o mesmo equipamento, e alguns campos de pitch and putt fiquem no mesmo terreno de campos de golfe; há um grande grupo, entretanto, que inclui dirigentes e jogadores, que considera o pitch and putt uma variante do golfe, o que entrava seu desenvolvimento - muitos países não têm federações nacionais de pitch and putt, por exemplo, porque suas federações nacionais de golfe são fortes e barram sua criação, alegando que o pitch and putt é apenas um passatempo, não um esporte.

Essa briga, inclusive, faz com que o pitch and putt tenha duas federações internacionais: a primeira, a Federação Internacional das Associações de Pitch and Putt (FIPPA) seria fundada em 2006, como uma expansão da Associação Europeia de Pitch and Putt (EPPA), fundada em 1999 para congregar as federações nacionais de seis países europeus (Irlanda, Reino Unido, Espanha, Holanda, França e Itália; na fundação da FIPPA, também já faziam parte Noruega, Suíça e Andorra, e como fundadores da FIPPA estavam Estados Unidos, Austrália e Chile). Em 2009, insatisfeitos com a gerência da FIPPA, quatro membros (França, Itália, San Marino e Dinamarca) decidiram sair da entidade e fundar sua própria, a Associação Internacional de Pitch and Putt (IPPA). Hoje, a FIPPA conta com 11 membros plenos (incluindo Reino Unido, Catalunha e Galícia) e 3 membros associados (incluindo o País Basco), enquanto a IPPA conta com 10 membros (incluindo a Inglaterra), o Brasil não faz parte de nenhuma das duas, e a principal diferença é que a FIPPA considera o pitch and putt como um esporte separado, enquanto a IPPA o considera parte do golfe.

Seja como for, tanto FIPPA quanto IPPA consideram que são três as características que diferenciam o pitch and putt do golfe. Primeiro, no pitch and putt há uma distância máxima entre a tee area e o buraco, que, para a FIPPA, é de 70 metros, enquanto para a IPPA é de 90 metros. Segundo, há um comprimento total para o percurso que os jogadores fazem em uma partida, que, para a FIPPA, é de 1 km, enquanto para a IPPA é de 1200 m. Terceiro, cada jogador só tem direito a carregar consigo três tacos, sendo que um deles, obrigatoriamente, deve ser um putter - a maioria dos jogadores leva um putter e dois irons. Tirando isso, e alguns outros pequenos detalhes nas regras de cada federação que na verdade não alteram a mecânica do jogo, o pitch and putt é igual ao golfe, podendo ser disputado em stroke play, match play, simples masculinas ou femininas, duplas ou equipes masculinas, femininas ou mistas.

O principal torneio da FIPPA é a Copa do Mundo de Pitch and Putt, disputada somente por equipes mistas no estilo match play. As duas primeiras edições da Copa do Mundo ocorreram antes da fundação da FIPPA, e foram organizadas pela EPPA (que ainda existe, aliás), a primeira em 2004 na Itália (que cinco anos depois saiu e foi fundar a IPPA) e a segunda em 2006 na Catalunha; depois disso houve uma edição em 2008 na Holanda, e então o torneio passou a ser disputado a cada quatro anos, com a edição de 2012 sendo realizada na Irlanda e a de 2016 em Andorra. Por causa da pandemia, a edição de 2020, prevista para os Estados Unidos, foi cancelada, e não há previsão de quando ela será realizada nem onde. As duas primeiras edições da Copa do Mundo foram conquistadas pela Catalunha, que também tem uma prata e um bronze, e as três mais recentes pela Irlanda, que também tem um bronze; a Holanda tem duas pratas e um bronze, Andorra e Austrália têm uma prata cada, e França e Galícia têm um bronze cada.

Além da Copa do Mundo, a FIPPA organiza o Campeonato Mundial de Pitch and Putt, torneio de simples masculinas no estilo stroke play disputado a cada dois anos desde 2009; Catalunha e Irlanda mais uma vez são os dois países mais bem sucedidos. Campeonato Mundial de Pitch and Putt também é o nome do torneio principal da IPPA, que também é de simples masculinas no estilo stroke play, mas é disputado anualmente, desde 2012. A Espanha é o país mais bem sucedido no torneio da IPPA.

Pra terminar, vamos ver o golfe de praia, ou beach golf, esporte que vem ganhando popularidade na Europa, mas ainda não pegou no resto do mundo. O golfe de praia foi inventado em 1999, em Pescara, Itália, pelo jogador Mauro de Marco, que buscava criar uma versão do golfe que pudesse ser jogado na praia a qualquer momento, sem precisar fechar a praia; para isso, ele incluiu nas regras que tudo o que estiver na praia na hora do jogo conta como um obstáculo, incluindo guarda-sóis, cadeiras e até banhistas. Essas regras seriam refinadas ao longo dos anos, até a fundação, em 2004, da Beach Golf Sport Association (BGSA), que hoje atua como federação internacional do golfe de praia. Embora a BGSA goste de dizer que o golfe de praia é o único esporte no qual o público faz parte do campo de jogo, as regras atuais preveem uma delimitação do campo de jogo com faixas, para que a interferência de objetos externos não seja tão grande quanto no início.

O golfe de praia usa como campo um trecho de 2 km de praia em linha reta, que conta com 9 buracos. O taco usado é o wedge, e a bola é própria, feita de espuma de poliuretano, com 7 cm de diâmetro e peso máximo de 35 g, o que garante que ninguém vai se machucar caso seja atingido por ela; a bola também costuma ser rosa-choque, para ser facilmente encontrada durante o jogo. Cada teeing area conta com um pequeno tapete de grama sintética no qual está afixado um tee, para que o jogador dê sua primeira tacada; a partir de então, todas as tacadas são dadas com a bola na areia. O buraco é um copo enterrado na areia, demarcado por uma bandeirinha e por um semicírculo de 2 m de raio. Um equipamento próprio do golfe de praia é a cinta de proteção, uma faixa de material sintético de 5 m de comprimento segurada por três pessoas próximo ao jogador quando ele vai dar a tacada, para que os espectadores não interfiram - basicamente, é uma barreira para que ninguém ultrapasse aquele ponto, só que móvel.

O golfe de praia é sempre disputado em duplas, no estilo stroke play. O esporte é totalmente misto, com as duplas podendo ser formadas por dois homens, duas mulheres ou um homem e uma mulher. Pelas regras da BGSA, cada dupla deve ter um jogador de handicap alto e um de handicap baixo, normalmente um profissional e um amador, ou um jogador experiente e um iniciante; cada torneio também tem seu próprio handicap, com a soma dos handicaps dos parceiros de cada dupla jamais podendo ser maior que o do torneio. Para determinar a dupla vencedora de cada torneio, é usada uma fórmula, que leva em conta o número de tacadas, o número de bolas perdidas (porque, por exemplo, foram levadas pelo mar), o número de penalidades e o handicap da dupla, com a dupla de resultado final mais baixo sendo a campeã.

Atualmente, a BGSA conta com 18 membros, todos europeus, e todos os seus torneios foram realizados na Europa; jogadores de países que não são membros da BGSA podem participar de torneios mediante convites, normalmente reservados para jogadores profissionais de golfe ou celebridades - os torneios mais populares do golfe de praia, inclusive, são aqueles nos quais celebridades, como atores, cantores e atletas de outros esportes, fazem dupla com jogadores profissionais de golfe de praia. O principal torneio do golfe de praia é o Campeonato Europeu, disputado anualmente desde 2014, que atualmente conta com a participação de 90 duplas e dura sete dias. Além dos torneios em separado, como os que contam com celebridades, a BGSA costuma organizar tours, séries de três ou mais torneios nos quais os jogadores vão somando pontos, sendo o campeão aquele com mais pontos após o último. O BGSA Tour mais famoso é o da Itália, que dura 30 dias e visita várias praias do Mar Adriático.

Para tentar popularizar seu esporte no resto do planeta e conseguir mais membros, a BGSA criaria, já em 2005, uma espécie de secretaria chamada Way Entertainment, responsável pela organização de torneios não só do golfe de praia, mas de uma variante batizada de We Golf, disputada literalmente no meio da rua. As regras são as mesmas do golfe de praia, mas o número máximo de duplas é 40, e, em alguns torneios, as duplas representam países (por exemplo, "Portugal", ao invés de "Fulano/Beltrano"). Torneios de We Golf são mais raros que os de golfe de praia, por causa da logística, mas costumam atrair mais público.

Vale citar também que uma curiosa polêmica envolve o golfe de praia, e talvez dificulte sua expansão internacional: segundo as regras oficiais da BGSA, uma parte importantíssima do esporte são as caddy girls - uma mistura de árbitros, caddies, voluntários e anfitriãs do evento, com funções como animar o público, segurar a cinta de proteção, posicionar o tapete da teeing area, remover a bandeirinha do buraco quando a bola estiver próxima, carregar material para as duplas como bolas extras e toalhinhas, marcar os pontos de cada dupla, marcar faltas e penalidades cometidas por cada dupla, e somar os pontos para determinar o vencedor do torneio. Evidentemente, não é a mesma moça quem faz tudo isso, com cada torneio tendo por volta de 120 caddy girls. A polêmica fica por conta de que só são selecionadas para ser caddy girls moças jovens, bonitas e de corpo atraente, e, como o torneio é na praia, normalmente elas usam biquínis e shorts minúsculos, quando muito uma camiseta. A presença das caddy girls faz com que muitas pessoas não considerem o golfe de praia como um esporte sério, achando que é alguma forma de puro entretenimento, como uma gincana de televisão; mesmo assim, a BGSA não abre mão de sua presença, nem faz qualquer esforço para, digamos, tornar a função mais inclusiva.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Escrito por em 3.9.09 com 1 comentário

Golfe (I)

Quando eu comecei a escrever o átomo, lá em 2003, não sabia bem o que iria colocar aqui. Tentei começar com alguns pensamentos e divagações, mas logo isso se mostrou trabalhoso demais para algo que deveria ser objeto de lazer. Um dia, resolvi transformar o átomo em um blog sobre "as coisas que eu gosto", algo que me agradou muito mais, tanto que ele serve para isso até hoje. E, enquanto existirem "coisas que eu gosto", ele continuará assim.

Há algum tempo, porém, eu comecei a ter alguns pensamentos subversivos. Mais especificamente, tive algumas ideias para posts que não eram exatamente sobre coisas das quais eu gostasse. Comecei a pensar sobre como eu faria para colocar algumas "coisas que eu não gosto" em um "blog de coisas que eu gosto", e acabei chegando a uma nova ideia: fazer o "mês das coisas que eu não gosto". De posse de, digamos, quatro assuntos, eu colocaria um deles por semana, e faria uma espécie de especial, tipo quando eu fiz a série de "posts para completar meu Perfil".

Mas essa ideia do "mês das coisas que eu não gosto" esbarrava em dois pequenos problemas. Em primeiro lugar, escrever quatro posts sobre coisas que eu não gosto seria, sejamos francos, um saco. Afinal, que interesse eu teria em pesquisar sobre coisas que eu nem gosto? Em, segundo lugar, os assuntos que eu já tinha separado não eram exatamente "coisas que eu não gosto", mas "coisas que eu não gosto tanto assim" ou "coisas que eu gosto só um pouquinho".

Inesperadamente, assim que eu tomei consciência disso, foi extremamente fácil arrumar quatro assuntos. Só faltava escolher um mês qualquer para a "homenagem", e acabou calhando de ser esse mês de setembro. Portanto, começando hoje e durante todo esse mês, teremos mais um especial no átomo: o Mês das Coisas que eu Não Gosto Tanto Assim. Não é lá um nome digno de prêmio, mas reflete bem o que eu sinto por esses quatro assuntos. E, para inaugurar esse Mês especial, nada mais natural do que o primeiro assunto, aquele que me deu a ideia inicial e me levou a escolher os outros três: Golfe.

Acho que não é segredo para ninguém que eu nunca gostei de golfe, pois, além de ter falado isso aqui em uns três ou quatro posts, estava escrito com todas as letras no meu Perfil (hoje, para não ficar uma coisa contraditória, modifiquei essa informação). Os motivos que me levavam a não gostar de golfe, porém, não tinham nada a ver com suas regras, mas com a transmissão pela TV: em primeiro lugar, eu sempre achei muito estranho o fato de que, nas raras ocasiões em que dá para ver a bola após uma tacada, ela está voando pelos céus, sem que a gente faça a menor ideia de para que lado ela está indo, sem saber se ela vai cair no green ou em um estacionamento. Em segundo lugar, um jogo de golfe dura vários dias inteiros, ocupando a programação enquanto outras coisas mais legais poderiam estar passando.

Como eu já disse aqui uma vez, entretanto, eu posso ter um milhão de defeitos, mas ninguém pode me chamar de preconceituoso. Esse ano, decidi que iria assistir a alguns trechos de partidas, quando elas estivessem passando. Se eu disser que passei a ser um fã de golfe, estarei mentindo. Mas, de certa forma, passei a achar que os motivos que me levavam a não gostar de golfe eram implicância. Hoje, quando estou procurando algum esporte para assistir, não passo direto pelas partidas de golfe como fazia antigamente. Mas também não fico torcendo nem acompanho o campeonato. Um passo de cada vez.

Como todo esporte de regras simples, o golfe é muito antigo, e tem sua origem bastante disputada. Alguns dizem que ele teria se originado na Holanda, no final do Século XIII, sob a forma de um jogo no qual se rebatia uma bola de couro com um bastão de madeira com o objetivo de acertar um alvo posicionado a centenas de metros adiante. Outros alegam que ele seria ainda mais antigo, tendo se originado na China, no Século X, sendo descrito em documentos escritos e pinturas que mostram nobres da época jogando um jogo que usava dez tipos de tacos, e tinha o objetivo de usá-los para fazer com que bolinhas caíssem em buracos marcados com bandeirinhas. Há uma espécie de consenso, porém, de que o jogo de golfe como conhecemos teria sido inventado na Escócia, no Século XV, com a criação do primeiro campo de golfe permanente do mundo, o surgimento dos primeiros clubes de golfe, e, o mais importante, a codificação das regras do esporte. O nome do esporte, golf - no início também escrito como gouf ou gowf - seria uma corruptela do verbo goulf, que significa "acertar" no idioma escocês.

O golfe é um dos pouquíssimos esportes do mundo que não têm um campo de jogo padronizado. Pelo contrário, cada campo de golfe é único, com características que o diferenciam de todos os demais. Todos os campos de golfe, porém, devem ter alguns elementos característicos, necessários para o desenrolar da partida.

O primeiro desses elementos é a teeing area, também conhecida como teeing ground ou tee box. Trata-se do local onde cada golfista dará sua primeira tacada em direção ao buraco, assim chamada por causa do tee, aquele "prego" que os jogadores colocam no chão para colocar a bola em cima. A teeing area é normalmente plana, um pouco elevada em relação ao restante do campo, e tem grama baixa, sendo demarcada por dois marcos removíveis dispostos no campo. Cada buraco pode ter até cinco teeing areas, uma usada pelos homens, uma pelas mulheres, uma pelos jogadores juvenis, uma pelos veteranos, e e uma conhecida como championship tee, usada pelos homens em torneios oficiais (as mulheres, em torneios oficiais, usam a teeing area normalmente destinada aos homens). Cada uma dessas teeing areas possui uma distância diferente em relação ao buraco, sendo a championship a mais distante, seguida da dos homens, dos veteranos, das mulheres e dos juvenis. A teeing area é a única parte do campo onde um jogador pode usar um tee para apoiar a bola, mas ele não é obrigado a fazê-lo, podendo rebatê-la direto do chão ou apoiá-la em um montinho de areia.

O segundo elemento característico de todos os campos de golfe é o fairway, ou simplesmente fair ("suave"), que na verdade corresponde à maior parte do campo. O fair é uma grande área de grama baixa entre a teeing area e o green, que é a área em torno do buraco. Se não conseguir colocar a bola direto no green, a preferência de todo golfista é fazer com que ela caia no fair, pois de lá é muito mais fácil rebater a bola. Em contraste com o fair, temos o rough ("grosseiro"), uma área de grama alta, de onde é difícil rebater a bola, e onde pode haver árvores, que dificultam o ângulo da tacada. O rough sempre fica entre o fair e o out of bounds ("além dos limites"), a parte "de fora" do campo - ou seja, se a bola cair no out of bounds, será considerada fora, e a jogada, inválida.

Em torno do buraco, como já foi dito, há o putting green, ou simplesmente green ("verde"), uma área de grama bem baixinha, onde a bola corre com facilidade. O green normalmente tem um formato circular, mas pode ser irregular se o terreno no qual ele está for acidentado. O green é tão "sensível" que a forma como sua grama é cortada e irrigada afeta a forma como a bola se comportará nele, gerando greens "mais rápidos" - onde uma tacada leve faz com que a bola já corra muito - ou "mais lentos" - onde é preciso uma tacada mais forte para que ela corra a mesma distância. Em torno do green há uma área de grama um pouco mais alta, quase como o rough, conhecida como edge ("borda"). E, dentro do green, fica o buraco, dentro do qual há um copinho de 10,8 cm de diâmetro por 10 cm de profundidade, para facilitar que a bola seja recuperada após cair lá dentro. O buraco não fica sempre no mesmo ponto do green, sendo mudado a cada dia do torneio, e totalmente tapado quando não estão acontecendo torneios naquele campo. Quando os jogadores não estão rebatendo de dentro do green, fica encaixada no buraco uma bandeira fixada em poste de no mínimo 2,13 m de altura, para que os jogadores possam ver de longe em que direção está o buraco. Embora o normal seja que o jogador possa ver a bandeira já da teeing area, alguns trajetos até o buraco possuem "curvas", sendo conhecidos como doglegs (isso mesmo, "perna de cachorro", em referência à curvatura natural da perna de um cachorro). Um trajeto que tenha duas curvas, uma para cada lado, é conhecido como double dogleg.

Além dessas áreas, os campos de golfe podem ter obstáculos, sendo os mais famosos os bunkers e os water hazards. Um bunker é um buraco com areia, localizado no meio do fair ou bem próximo ao green. Rebater uma bola que caiu em um bunker já é difícil porque espalha areia e não se tem como controlar com precisão a direção da bola, mas além disso o golfista não pode tocar com o taco na areia em nenhum momento antes de concretizar a tacada. Alguns bunkers ainda possuem uma elevação, quase como uma "parede", na direção do green, o que força o golfista a bater por sobre ela, dificultando ainda mais a tacada. Após uma tacada em um bunker, o golfista ou seu caddie tem de "arrumar" a areia, deixando-a do jeito que estava antes da tacada.

Já os water hazards são obstáculos que contêm água, como rios, lagos e poças. Eles podem ser laterais, margeando o campo, ou estarem localizados no meio do fair, não dando ao golfista outra opção senão jogar a bola por sobre eles. Se a bola cair na água, o golfista possui três opções: se for possível, ele pode tentar rebater a bola no local onde ela caiu normalmente; se não for, mas for possível recuperar a bola, ele pode colocá-la no ponto onde ela cruzou a margem do obstáculo (no seco) e rebatê-la dali, recebendo uma penalidade. Se não for possível recuperar a bola, ele pode rebater uma bola reserva do local onde deu a tacada que jogou a bola na água, também recebendo uma penalidade.

Além desses tipos "padrão" de obstáculos, o terreno onde o campo está localizado pode criar outros, como áreas de vegetação densa, aclives e declives, ou até mesmo vento forte. Campos de golfe são enormes, ocupando em média o mesmo espaço que 60 campos de futebol. Por causa disso, se tornaram figuras comuns neles os famosos carrinhos de golfe, usados para a movimentação dos jogadores e árbitros pelo campo, e os não menos famosos caddies, jovens que carregam o equipamento dos jogadores para eles. Originários de uma época na qual os golfistas eram pessoas riquíssimas que não queriam carregar peso, os caddies hoje já são vistos como uma espécie de "aprendizes", e muitos deles acabam se tornando golfistas bem sucedidos, por adquirir um vasto conhecimento das regras do esporte e das sutilezas de cada campo durante seu trabalho.

Como o campo de golfe possui tantos elementos diferentes, cada jogada criará para o golfista uma situação única, na qual será necessária uma maneira diferente de se acertar a bola. Assim, existem diferentes tipos de tacos, sendo que cada golfista, pelas regras do esporte, pode usar até 14 tacos diferentes em uma partida. Para isso, ele os guarda em uma bolsa especial, cilíndrica, onde carregará os 14 tacos que acha que serão necessários de acordo com as características do campo.

Esse número de 14 pode parecer exagerado, mas existem tacos de golfe de muitos tipos diferentes, cada um para uma situação. No geral, eles podem ser divididos em três grupos, os woods ("madeiras"), de cabo longo e cabeça grande, usados para rebatidas longas; os irons ("ferros"), de cabo mais curto e cabeças menores, para rebatidas mais precisas; e os putters ("colocadores"), bem pequeninos, e somente usados quando a bola está dentro do green. Cada taco de golfe costuma ter também um número; quanto mais elevado esse número, mais curto o cabo e maior o ângulo de inclinação da cabeça, conhecido como loft. Isso é importante porque é o loft que determina a que altura a bola subirá, enquanto o comprimento do cabo determina a força da tacada e a distância percorrida. Um taco de valor alto, portanto, faz com que a bola suba muito, mas viaje pouco.

Os tacos conhecidos como woods têm entre 1 e 1,15 m de comprimento, e loft entre 7,5 e 31 graus. Embora originalmente eles fossem feitos de madeira (daí seu nome), hoje em dia os woods costumam ser fabricados em materiais mais duráveis, como fibra de carbono. Os woods normalmente são usados para tacadas longas, portanto sua cabeça é a maior dentre todos os tacos de golfe, sendo planas do lado que acerta a bola, esféricas do outro, e atualmente feitas de titânio. Normalmente, um golfista carrega para o jogo três woods, um número 1, um 3 e um 5. O wood número 1 também é conhecido como driver, é o taco mais longo disponível, e o preferido dos jogadores para a primeira tacada de um buraco, aquela que tira a bola da teeing area.

Vindo em seguida, os irons, originalmente feitos de ferro, mas hoje feitos de aço, são o que normalmente as pessoas reconhecem como um taco de golfe, com a cabeça pequena, em formato de elipse, e plana de ambos os lados. O lado da cabeça do iron que acerta a bola possui ranhuras que fazem com que a bola gire após a tacada, para adicionar efeito às jogadas. O cabo de um iron tem entre 91 e 99 cm, e seu loft fica entre 20 e 41 graus. Os irons também são numerados, sendo que, quanto maior o número, não somente o cabo é mais curto e o loft maior, mas a cabeça do taco também é maior. Os irons são usados para a maioria das jogadas, então um jogador normalmente carrega muitos deles, normalmente um conjunto que contém do número 3 ao número 9. Graças aos avanços tecnológicos dos materiais, atualmente alguns jogadores acham mais prático jogar com woods de números mais altos ao invés de com irons de números mais baixos, e outros até substituem os irons 3 e 4 por tacos chamados híbridos, que mesclam as características dos woods e dos irons.

Existe um subconjunto de irons conhecido como wedges. Com o mesmo formato e feitos do mesmo material, os wedges servem para situações especiais, como rebater bolas que tenham caído na grama alta, na areia, ou em uma depressão do terreno. Seu cabo é mais curto, entre 88 e 90 cm, e seu loft é maior, entre 45 e 60 graus. Wedges não são normalmente identificados por um número (embora, a rigor, o primeiro wedge seja o iron 10, e o último o iron 14), mas por um código, que determina seu uso: pitching wedge (PW), para todos os efeitos um iron 10; gap wedge (AW), normalmente usado quando a bola está no fair, bem próxima ao green; sand wedge (SW), usado quando a bola cai em um bunker; e lob wedge (LW), usado para tirar a bola de depressões ou fazê-la saltar por sobre obstáculos. Algumas companhias já estão comercializando o ultra lob wedge (UW), com um loft de 64 graus, que manda a bola ainda mais alto, e que seria próprio para sair de bunkers com "paredes". Normalmente um jogador só carrega dois ou três wedges por partida, sendo um deles o SW, por razões óbvias.

Finamente, temos o putter, o taco mais curto (81 cm) e de menor loft (5 graus) disponível, com cabeça quase retangular, uma pequena inclinação no ponto que liga a cabeça ao cabo, e feito de aço com detalhes de madeira. O putter só é usado em uma situação: quando a bola está dentro do green, e o jogador necessita de uma tacada precisa para colocá-la dentro do buraco. Embora, pelas regras, nenhum tipo de taco seja obrigatório, não existe nenhum jogador que não carregue um putter para uma partida.

Tão importante para um jogo de golfe quanto os tacos é a bola. Uma bola de golfe é feita de vários plásticos e borrachas sintéticas, e podem ser compostas de duas, três ou quatro camadas de materiais - sendo que o número de camadas afeta a forma como a bola se comporta após a tacada. Seja qual for o número de camadas, a bola não pode ter menos de 42,67 mm de diâmetro nem 45,93 gramas de peso. A bola normalmente é feita na cor branca, e possui várias concavidades, projetadas para diminuir o arrasto aerodinâmico. Diferentemente do que ocorre em outros esportes, o normal no golfe é que cada jogador use sua própria bola - e a mesma bola - do início até o final da partida; por causa disso, a maioria das bolas, além do nome do fabricante, traz também um número ou outro símbolo, para que o jogador identifique mais facilmente se aquela é sua bola ou a de um oponente.

Além dos tacos e da bola, o único equipamento indispensável para a prática do golfe são pequenos marcadores semelhantes a moedas coloridas, usados para marcar o lugar onde uma bola caiu, caso essa bola vá atrapalhar a jogada de outro jogador - se estiver bem no caminho entre outra bola e o buraco, por exemplo. Esses marcadores têm de ser fabricados de forma que, uma vez colocados no campo, não alterem a trajetória de uma bola que passe sobre eles. Alguns jogadores também costumam usar sapatos de golfe, que possibilitam uma base mais firme no momento da tacada, ou luvas de golfe, que permitem uma pegada mais firme no taco, mas esses equipamentos são opcionais.

O jogo de golfe pode seguir vários critérios de pontuação diferentes, sendo que dois são considerados "oficiais". Desses, o mais comum, utilizado na maioria dos torneios, é o chamado stroke play. Nele, todos jogam simultaneamente, e, depois que todos tiverem jogado todos os buracos, será declarado vencedor o golfista que precisou de menos tacadas para acertar a bola em todos eles. O outro critério de pontuação oficial é o chamado match play, ainda presente em alguns torneios, mas cada vez mais raro. No match play, os golfistas se enfrentam dois a dois, com os vencedores avançando e os perdedores sendo eliminados, até que só reste o campeão. Além disso, eles se enfrentam buraco a buraco: cada vez que um jogador acertar um buraco com menos tacadas que o outro, ele "vence" aquele buraco; se ambos acertarem o mesmo buraco com o mesmo número de tacadas, o buraco fica empatado. O vencedor da partida será o golfista que tiver vencido o maior número de buracos ao final do jogo. Em ambos os critérios, caso dois ou mais golfistas terminem empatados, é jogado um play-off entre eles, que pode ter morte súbita - ou seja, assim que um conseguir um buraco com menos tacadas que o outro, o jogo acaba.

Seja qual for o critério de pontuação, uma partida de golfe dura 18 buracos. Nem todos os campos de golfe possuem 18 buracos diferentes; alguns possuem só nove, sendo que em uma partida cada buraco é jogado duas vezes - e, em alguns desses campos, a segunda rodada é jogada "de trás para a frente", jogando da teeing area originalmente usada para o buraco 8 em direção ao buraco 7, por exemplo, com uma teeing area extra após o nono buraco sendo usada só para a "volta". Outros campos, maiores, possuem 27 ou 36 buracos, sendo escolhidos 18 deles para a partida. Alguns torneios exigem mais de uma partida para se apontar o vencedor, normalmente quatro, sendo jogados em vários dias, com uma partida de 18 buracos a cada dia.

Ao invés de simplesmente se contar quantas tacadas cada jogador deu em cada buraco, as regras do golfe convertem as tacadas em pontos, atribuindo um placar a cada jogador. Para isso, cada um dos buracos de um campo de golfe possui um número de tacadas "padrão", correspondente ao número de tacadas que um golfista experiente precisa para, partindo da teeing area, colocar a bola no buraco. Este número é conhecido como Par, e normalmente corresponde a 3, 4 ou 5 tacadas, embora muito raramente um buraco possa ter Par 6. O Par normalmente é determinado pela distância entre a teeing area e o buraco, mas alguns obstáculos, como aclives e declives, podem alterar o Par para mais ou para menos. A dificuldade de um campo é medida por seu Par total, que é a soma dos Par de todos os seus buracos; a maioria dos campos de golfe usados pelos profissionais tem Par 70, 71 ou 72, sendo mais comuns em torneios os de 72, com quatro buracos de Par 3, quatro de Par 5 e dez de Par 4.

O objetivo de cada golfista não é acertar o buraco com um número de tacadas igual ao Par, mas sim, se possível, com um número de tacadas menor que o Par. Isso porque, acertando um buraco com um número de tacadas igual ao Par, ele ganha 0 pontos, mas, para cada tacada a menos que o Par que ele der, ele perde um ponto (ou seja, se o Par era 5 e ele acertou o buraco com três tacadas, terá um placar de -2). Da mesma forma, para cada tacada a mais que o Par, o golfista ganhará um ponto (se o Par era 3 e ele precisou de cinco tacadas, terá um placar de +2). Penalidades, como as conferidas por tirar a bola da água para rebatê-la do seco, tocar a areia de um bunker antes da tacada, ou jogar a bola no out of bounds resultam em pontos extras para o jogador, aumentando seu placar. Em uma partida de stroke play, portanto, o vencedor será o jogador que, ao final do jogo, tiver o menor placar, pois isso demonstra que ele foi o que deu menos tacadas - e recebeu menos penalidades - durante o jogo.

Na linguagem do golfe, existem apelidos para o desempenho do jogador em cada buraco, dependendo do número de tacadas. Se o golfista conseguir acertar o buraco em um número de jogadas igual ao Par, a jogada também é conhecida como Par; mas se ele conseguir uma tacada a menos, será um birdie. Duas tacadas a menos configuram um eagle, três tacadas a menos, um albatross, e quatro tacadas abaixo do par valem um condor. No outro sentido, a contagem é mais fácil: uma tacada a mais do que o Par transforma a jogada em um bogey, duas tacadas a mais são um double bogey, três tacadas a mais, um triple bogey, e quatro tacadas acima do par fazem um quadruple bogey. Não existe um limite máximo de tacadas para um jogador acertar um buraco, mas a partir das cinco tacadas a mais a jogada é conhecida simplesmente como +5, +6, +7, e assim sucessivamente. Como quase não existem buracos de Par 6, quase nunca um jogador vai conseguir uma jogada de cinco tacadas abaixo do Par, então o único apelido que existe para ela é o hole in one, mesmo nome dado a qualquer jogada na qual o golfista acerte o buraco logo na primeira tacada. Além desses nomes todos, há o chip-in, que acontece quando o golfista acerta a bola direto no buraco, sem que ela corra pela grama.

Além de individualmente, o golfe pode ser jogado em duplas, de duas formas: na foursome, cada dupla joga com uma bola, e os golfistas se alternam nas tacadas, enquanto na four ball cada golfista tem sua própria bola, mas apenas o placar mais baixo de cada dupla é computado para cada buraco. Ambas as variações podem ser jogadas como stroke play ou match play. Finalmente, o golfe pode ser jogado em equipes, exatamente como a versão individual, mas somando-se os pontos de cada jogador de uma equipe para determinar sua pontuação total e apontar a equipe vencedora.

O golfe é um dos poucos esportes que não possuem uma federação internacional. Ele é regulado em conjunto por duas associações, a escocesa R&A, baseada no Royal and Ancient Golf Club of St. Andrews, um dos clubes de golfe mais aintigos e de maior prestígio do mundo, fundado em 1754 e considerado a "casa do golfe"; e a United States Golf Association (USGA), equivalente à federação norte-americana de golfe, fundada em 1894 e baseada em Far Hills, Nova Jersey. Para todos os efeitos, a USGA é a autoridade máxima do golfe para os Estados Unidos e México, enquanto a R&A é a autoridade máxima do golfe no resto do mundo. As regras do esporte, porém, são publicadas em conjunto pelas duas associações desde 1952, com boletins publicados por ambas a cada dois anos para dirimir eventuais dúvidas que surjam em torneios nesse meio tempo.

Tanto a R&A quanto a USGA organizam torneios anualmente, mas elas também permitem que outras organizações o façam, sendo as duas mais famosas a PGA Tour, de torneios exclusivamente masculinos, e a LPGA, de torneios exclusivamente femininos. Embora "PGA" signifique "Professional Golfers Association", a PGA Tour não tem nada a ver com a Associação dos Golfistas Profissionais dos Estados Unidos, da qual se separou em 1968. Desde então, a PGA reúne jogadores profissionais que atuam em clubes, como professores, por exemplo, enquanto a PGA Tour reúne os profissionais que disputam torneios. A LPGA (cujo L significa "Ladies") continua reunindo ambos os tipos de jogadoras.

Assim como ocorre com o tênis, alguns torneios de golfe são considerados "mais importantes" ou "mais charmosos" do que outros, atraindo mais atenção da imprensa e dos jogadores, e conferindo mais prestígio a seus vencedores. No golfe masculino, os quatro torneios mais importantes (mais ou menos equivalentes aos Grands Slam do tênis) são conhecidos como majors, e reúnem o Masters de Golfe, disputado desde 1934 no Augusta National Golf Club, em Augusta, Geórgia, Estados Unidos; o Aberto dos Estados Unidos, disputado desde 1895, a cada ano em um campo diferente; o British Open (conhecido no Reino Unido apenas como "The Open"), realizado desde 1860, a cada ano em um de nove campos tradicionais da Inglaterra e Escócia; e o PGA Championship, disputado desde 1916, também a cada ano em um campo diferente dos Estados Unidos. O British Open é organizado pela R&A, enquanto os três outros majors são organizados pela USGA. Todos os quatro são disputados em stroke play.

Abaixo dos majors, em ordem de importância, vêm as etapas do World Golf Championships, também em número de quatro: o WGC-Accenture Match Play Championship, único dos quatro disputado em match play, atualmente disputado na cidade de Marana, Arizona, Estados Unidos; o WGC-CA Championship, disputado em Doral, Flórida, Estados Unidos; o WGC-Bridgestone Invitational, em Akron, Ohio, Estados Unidos; e o WGC-HSBC Champions, disputado em Xangai, China. Abaixo do WGC temos as 24 etapas regulares do PGA Tour, todas disputadas nos Estados Unidos, e as 42 etapas do PGA European Tour, que, apesar do nome, são disputadas em países da Europa e da Ásia, na África do Sul e na Austrália. E além desses ainda temos outros torneios, como o Japan Golf Tour, o Asian Tour, o Sunshine Tour, o PGA Tour of Australasia, a Ryder Cup, disputada em equipes, e o The Players Championship, disputado anualmente em Ponte Vedra Beach, Flórida, e considerado pelos golfistas norte-americanos como o "quinto major".

No golfe feminino, os quatro majors são o Kraft Nabisco Championship, disputado desde 1972 em Rancho Mirage, Califórnia, Estados Unidos; o LPGA Championship, disputado desde 1955, sempre em cidades dos Estados Unidos, atualmente em Havre de Grace, Maryland; o Aberto Feminino dos Estados Unidos, disputado desde 1946, a cada ano em uma cidade diferente; e o British Open feminino, disputado desde 1976, sempre em cidades da Inglaterra e Escócia. Semelhante ao que ocorre no masculino, as jogadoras europeias elegeram um "quinto major", o Evian Masters, disputado desde 1994 em Évian-les-Bains, França. Abaixo dos majors, temos 25 etapas da LPGA Tour, disputadas nos Estados Unidos, Tailândia, Cingapura, México, Canadá, China, Coreia do Sul e Japão. Além desses, temos os eventos da Ladies European Tour, da LPGA of Japan Tour, e alguns outros torneios, como o HSBC LPGA Brasil Cup, disputado no Rio de Janeiro.

O golfe também já foi esporte olímpico, tendo sido disputado nas Olimpíadas de 1900 e 1904. Em 1900, em Paris, foram disputados um torneio individual masculino, de duas rodadas de 18 buracos cada, e um feminino, em uma rodada de nove buracos, ambos em stroke play. Em St. Louis, 1904, foram disputados um torneio individual masculino em match play e um torneio masculino por equipes de 10 golfistas cada, em stroke play. O golfe está na lista dos esportes que tentam ser incluídos em uma edição futura das Olimpíadas, mas esbarra em dois problemas: o primeiro é que o calendário do golfe já é muito apertado, e há uma desconfiança de que os principais golfistas do circuito profissional não estariam dispostos a abrir mão de torneios que oferecem polpudos prêmios em dinheiro para tentar ganhar uma medalha olímpica; o segundo é que, apesar da maioria das principais cidades do mundo já contar com um campo de golfe, não parece justo obrigar uma cidade candidata a construir uma coisa que ocupe tanto espaço só para sediar uma Olimpíada.

O tamanho dos campos, inclusive, está colocando o golfe no centro de uma disputa político-ecológica: muitas cidades simplesmente não estão conseguindo construir ou manter campos de golfe, devido a manifestações contrárias de habitantes que alegam que os campos causarão impacto ambiental, já que seus enormes gramados necessitam de uma grande quantidade de água e pesticidas para se manter sempre em condições de jogo. O fato de que o golfe é um esporte ligado às classes ricas não ajuda muito, pois dá argumentos a esses manifestantes de que os campos cobrarão muito e darão pouco à população.

Como a maioria dos esportes, porém, o golfe já não pode mais ser ligado a uma ou outra classe social. Já existem vários clubes no mundo inteiro que dão chances a crianças pobres de praticarem o esporte, com a possibilidade de desenvolver suas habilidades e se tornarem jogadores profissionais no futuro. Aqui mesmo, no Estado do Rio de Janeiro, temos o Campo Público Municipal de Golfe de Japeri, que não somente dá chance para crianças da Baixada Fluminense treinarem o esporte, mas também preserva o local, sendo um campo ecologicamente correto. Só é uma pena que o Governo do Estado tenha decidido construir uma auto-estrada que passa por dentro do campo, impossibilitando o uso de sete dos nove buracos, o que acabará com o campo e com o projeto social.
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