domingo, 12 de agosto de 2018

Dança Esportiva

Já falei aqui um milhão de vezes: depois de terminar de falar sobre todos os esportes do mais recente programa das Olimpíadas, fui olhar o programa dos mais recentes World Games, e descobri que faltava bem pouco para eu falar sobre todos os esportes dele também. Tão pouco que hoje eu vou acabar. Para isso, hoje é dia de dança esportiva no átomo.

A dança esportiva é um dos esportes que mais sofre preconceito de quem não está familiarizado com seus campeonatos, normalmente sob o argumento de que "é dança, não esporte". Eu me lembro, inclusive, quando a dança esportiva tentou pleitear um lugar no programa das Olimpíadas de 2000, em Sydney, e alguns amigos meus ficaram reclamando justamente isso, que ia ser muito sem graça ver um monte de casais dançando e os jurados escolhendo um para ser o vencedor. De fato, essa é a imagem que muitos têm quando se fala em dança esportiva, talvez enraizada em nossas mentes por filmes ou programas de TV: um monte de casais dançando ao mesmo tempo, cada um com um número nas costas, e um juiz que vai andando pelo meio deles eliminando os que não estão dançando direito, até que só sobre um casal, o campeão. Um campeonato de dança esportiva, porém, não tem absolutamente nada a ver com isso, e na verdade se parece com um campeonato de patinação artística em duplas, só que sem os patins.

Verdade seja dita, essa imagem dos casais dançando enquanto são julgados não foi inventada pelo cinema ou TV; os primeiros torneios de dança esportiva realmente eram realizados dessa forma, e, na época, o esporte tinha até outro nome, dança de salão (em inglês, ballroom dancing). Somente em 1990, quando a principal federação internacional da dança de salão decidiu começar a lutar pela inclusão do esporte nas Olimpíadas foi que eles decidiram mudar o nome para dança esportiva (em inglês, dancesport), justamente para enfatizar o lado esportivo da competição, e tentar fazer com que o grande público esquecesse aquela imagem dos casais bailando pelo salão enquanto são eliminados. Ainda não conseguiram - sendo um dos motivos o de que campeonatos amadores nesse estilo "mais tradicional" ainda são muito populares nos Estados Unidos - mas não estão poupando esforços: a dança esportiva já é até mesmo um dos esportes reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional, o pré-requisito necessário para que ela, um dia, faça parte das Olimpíadas.

Ninguém sabe quando as pessoas começaram a dançar, mas a dança de salão, em pares e com movimentos levemente coreografados, começaria a ser praticada na Europa no século XVI, com os bailes sendo considerados grandes eventos sociais. Seu auge ocorreu durante o século XIX, quando grandes bailes eram realizados em enormes salões, nos quais era dançada, principalmente, a valsa. Esses bailes, evidentemente, eram reservados apenas às pessoas mais abastadas, com as classes mais humildes dançando de forma mais despojada, sem coreografia ou grandes salões, em feiras e festivais.

No início do século XX, apresentações de dança coreografada por casais de bailarinos amadores e profissionais começariam a proliferar na Europa e nos Estados Unidos, principalmente no teatro. No início, essas apresentações eram ao som de valsa, mas logo começariam a usar ritmos mais populares, como o jazz. Em pouco tempo, alguém teria a ideia de usar um grande salão, como os das festas da alta classe do século anterior, e colocar vários desses bailarinos para competir entre si; a primeira dessas competições de que se tem registro seria realizada em 1909, em Londres. Em pouco tempo, as competições de dança se popularizariam, várias escolas de dança seriam abertas para poder ensinar a arte da dança de salão aos interessados, e os primeiros órgãos devotados exclusivamente a regular competições de dança começariam a surgir.

Inicialmente, como de costume, esses órgãos eram nacionais, como o Conselho Britânico de Dança (BDC) e o Conselho Nacional de Dança da América (NDCA). O primeiro órgão a tentar regular a dança de salão internacionalmente foi o Conselho Mundial de Dança (WDC, da sigla em inglês), fundado em Edimburgo, Escócia, em 1950, com o nome de Conselho Internacional de Dança de Salão (ICBD). O WDC existe até hoje, e atualmente conta com dos comitês, o Comitê de Dança Esportiva, devotado a regular e difundir a dança esportiva, e o Comitê de Dança Social, que fiscaliza escolas de dança e habilita professores de dança nos países membros do WDC. É interessante notar que, desde 1996, o WDC não é uma federação internacional, e sim uma organização privada sem fins lucrativos, com o nome completo de World Dance Council Ltda. - em 1996, quando a mudança ocorreu, eles adotaram o curioso nome de World Dance & Dance Sport Council Ltd (WD&DSC), mudando para WDC em 2006. Atualmente, o WDC conta com 59 membros dos cinco continentes, mas o Brasil não está dentre eles.

Mas a federação internacional reconhecida pelo COI não é o WDC, e sim a Federação Mundial de Dança Esportiva (WDSF), fundada em 1957 com o nome de Conselho Internacional dos Dançarinos Amadores (ICAD), para ser não uma federação que regulasse o esporte, e sim uma entidade que lutasse pelos direitos de seus "atletas". Insatisfeitos com o comportamento do WDC durante a década de 1980, quando, segundo eles, muito poderia ter sido feito mas o WDC não se moveu, a maioria dos membros do ICAD decidiria alterar o estatuto do órgão para que ele passasse, também, a regular e difundir a dança de salão - que, a partir de então, passaria a ser chamada pelo ICAD de dança esportiva. Junto com a mudança no estatuto, eles aprovariam também uma mudança no nome, com o órgão passando a se chamar Federação Internacional de Dança Esportiva (IDSF) em 1990.

No início, todos os membros do ICAD eram amadores, e todos os torneios organizados pelo IDSF eram exclusivamente para amadores; em 2010, o órgão passaria a aceitar também profissionais - e, evidentemente, a organizar torneios para eles - decidindo, para refletir essa nova postura, mudar novamente de nome em 2011, adotando o atual. Hoje, a WDSF conta com 90 membros dos cinco continentes, incluindo o Brasil. Curiosamente, os torneios do WDC ainda são mais populares, atraindo mais competidores, mas os da WDSF são mais "profissionais" em termos de infra-estrutura e organização. Vale citar, contudo, que os torneios do WDC e da WDSF, mesmo somados, ainda são a minoria dos torneios de dança do planeta, já que ambos os órgãos só organizam torneios internacionais, e a maioria esmagadora dos torneios de dança esportiva é nacional ou regional, e, portanto, organizados pelas federações nacionais de cada país - que, muitas vezes, decidem usar regras diferentes do WDC e da WDSF.

Dito isso, é importante falar que, a partir de agora, todas as regras e competições sobre as quais eu falar são da WDSF, por dois motivos: primeiro porque, desde 1997, a WDSF é reconhecida pelo COI como a única federação internacional de dança esportiva; segundo porque a WDSF é membro do IWGA, o que permite a inclusão da dança esportiva nos World Games. Se você algum dia assistir a um torneio de dança esportiva e as regras forem diferentes, provavelmente é um torneio organizado pelo WDC ou por alguma federação nacional.

A WDSF reconhece quatro modalidades de dança esportiva. A mais popular é a de duplas, que, como eu já disse, se parece com uma competição de patinação artística em duplas, só que sem os patins. Todas as competições de duplas da WDSF são disputadas com duplas mistas, ou seja, com cada dupla sendo formada por um homem e uma mulher. As duplas se apresentam uma de cada vez, e cada dupla possui um tempo entre 90 segundos e dois minutos para apresentar uma coreografia ao som de música, sendo avaliada por um painel de cinco jurados. Cada jurado atribui uma nota para a apresentação, e, após a maior e a menor nota serem descartadas, as restantes são somadas para determinar a nota final daquela dupla naquela apresentação. Competições de duplas normalmente são realizadas em várias fases, com as duplas de maior nota em uma fase avançando para a seguinte e as demais sendo eliminadas, até que, na última fase, a final, a dupla de maior nota será a campeã.

Cada jurado avaliará nada menos que dez componentes: postura (se os dançarinos aparentam estar elegantes e confiantes), tempo (se a coreografia está sendo feita no ritmo da música), linha corporal (se os dançarinos estão com a postura corporal correta para aquele estilo, sem estarem curvados, por exemplo), pegada (se o contato entre os dançarinos é firme e próprio para o estilo), movimento (se os movimentos usados na coreografia são próprios para o estilo apresentado), apresentação (se as roupas, acessórios e outros elementos dos dançarinos estão de acordo com o estilo apresentado), interpretação (se os movimentos escolhidos para a coreografia são relevantes de acordo com aquele estilo, e não apenas escolhidos para somar pontos), trabalho de pés (se a movimentação dos atletas está de acordo com o estilo escolhido), trabalho de solo (se os dançarinos usam todo o espaço disponível de maneira eficiente e esteticamente agradável) e o curioso critério dos "intangíveis" (como os dançarinos olham um para o outro, se eles combinam como casal, qual a reação do público à sua performance, e outros elementos altamente subjetivos). Nem todos os componentes possuem o mesmo peso, e o peso de cada um pode mudar de acordo com a fase da competição - nas primeiras fases o maior peso vai para os elementos mais básicos, como se a coreografia está no ritmo e se o estilo está sendo respeitado; já numa final o maior peso está sobre elementos mais complexos, como a sincronia entre os movimentos dos dançarinos e a forma como ele usam o espaço disponível. É interessante notar que, diferentemente do que ocorre na patinação, na dança esportiva é proibido um dos parceiros erguer o outro do chão, sendo levantamentos (o movimento no qual um parceiro ergue o outro do chão) e arremessos (o movimento no qual um parceiro joga o outro pra cima, pegando-o de volta durante a queda) punidos com a perda de pontos.

Falando em espaço disponível, a WDSF estabelece um tamanho mínimo e máximo para a área de competição, não em termos de largura e comprimento (a única exigência é que nenhum lado tenha menos de 10 m), mas de sua área total: o mínimo é de 200 metros quadrados, e o máximo é de 250. Isso permite que a área de competição seja retangular ou quadrada; diferentemente do que se imagina, a preferência é por uma área retangular, como, por exemplo, de 20 x 10 m.

O estilo da música usada pelos competidores não é de livre escolha deles, e sim determinado pela organização do torneio. Todos os torneios da WDSF contam com duas competições, uma de Danças Padrão e uma de Danças Latinas. Para a de Danças Padrão, os estilos válidos são valsa, valsa vienense, tango, foxtrot e quickstep; para as Danças Latinas, são samba, cha cha cha, rumba, paso doble e jive. É importante reforçar que a escolha do estilo vem da organização, e não dos competidores: em uma competição de Danças Latinas com três fases, por exemplo, se, para a primeira fase, a organização definir que o estilo será o samba, todos os competidores terão de apresentar coreografias de samba. O estilo pode ser diferente para cada uma das fases; no exemplo anterior, o estilo da segunda fase poderia ser a rumba, e o da final, o jive.

Cada estilo tem não somente coreografias próprias, mas também vestimentas adequadas - para a valsa vienense, por exemplo, os homens usam smoking e as mulheres usam vestidos longos - com a vestimenta também valendo pontos para as notas dos juízes. Como as características das coreografias das Danças Padrão são bem diferentes daquelas das Danças Latinas, os competidores costumam se especializar ou em um, ou em outro, sendo raros aqueles que competem em ambos. Existem, entretanto, competições conhecidas como Ten Dances, nas quais cada dupla faz uma apresentação em cada um dos dez estilos válidos, e suas notas vão sendo somadas para se determinar a dupla vencedora ao final da décima apresentação.

Além de competições de Danças Padrão e de Danças Latinas, a WDSF organiza competições de quatro outros tipos: Salsa (nas quais o único estilo válido é a salsa), New Vogue (competição criada pela federação nacional australiana, que tem como válidos 15 estilos populares na Austrália e Nova Zelândia, como o barclay blues e o twilight), Street Dance (que tem como estilos válidos o hip hop, o funk, o popping e o break) e Rock 'n' Roll (que tem como estilos válidos o rock 'n' roll, o boogie-woogie, o lindy hop e o bugg). Esses torneios são bem menos frequentes, e costumam ser disputados apenas em ocasiões especiais - nos World Games de 2013, disputados na Colômbia, por exemplo, houve uma competição de Salsa.

A segunda modalidade é chamada equipes. Cada equipe é composta por quatro duplas, ou seja, oito dançarinos. As quatro duplas se apresentam uma por vez, cada uma com sua própria coreografia, e suas notas são somadas para se determinar a nota da equipe. Todas as regras são as mesmas da modalidade duplas.

A terceira modalidade é chamada de formação. Nela, as coreografias são apresentadas por equipes de seis, sete ou oito duplas - ou seja, de 12, 14 ou 16 integrantes cada. Diferentemente do que ocorre na modalidade equipes, na modalidade formação todos os casais da equipe se apresentam juntos, em uma coreografia única. O número de casais é definido pela organização do evento, e todas as equipes devem competir com o mesmo número. Cada equipe conta ainda com 4 reservas, que podem substituir qualquer dançarino entre uma apresentação e outra, sendo que um dançarino substituído não pode mais retornar naquela competição. Como tem mais gente dançando, a área de competição também é maior, com no mínimo 345 e no máximo 415 metros quadrados. Também por ter mais gente dançando, os juízes também avaliam a sincronia da equipe como um todo, e não apenas de cada casal. Cada equipe tem 6 minutos para realizar sua apresentação, contando o tempo que ela leva para entrar e sair da área de competição; por causa disso, no mínimo quatro minutos e meio devem pertencer à apresentação em si. O estilo na modalidade formação é totalmente livre, ou seja, não precisa pertencer às Danças Padrão ou às Danças Latinas. Todas as demais regras são idênticas às da modalidade duplas.

A quarta modalidade se chama showdance, e é a mais diferente: em cada competição, a organização escolhe entre três e cinco dos estilos válidos, e cada dupla deve criar uma coreografia que use elementos de todos aqueles estilos - por exemplo, em uma competição de showdance de Danças Padrão, poderiam ser escolhidas a valsa, a valsa vienense e o tango, e as coreografias teriam de ter elementos de todos esses três estilos. As duplas podem usar até mesmo elementos de outros estilos, desde que as características da Dança sejam respeitadas (não se pode usar estilos das Danças Padrão em uma competição de Danças Latinas e vice-versa), que estes não representem mais de 25% do total da coreografia, e que, evidentemente, todos os estilos determinados pela organização daquele torneio estejam representados. Como as coreografias são mais longas, cada dupla tem entre três minutos e meio e quatro minutos para realizar sua apresentação.

Diferentemente das outras três modalidades, na showdance é permitido usar levantamentos (mas não arremessos), de forma limitada: para as Danças Padrão, todos os levantamentos da coreografia somados devem durar no máximo 10 segundos, e, para as Danças Latinas, no máximo 15 segundos; em ambos os casos, só pode ser feito um máximo de três levantamentos por coreografia. Também no showdance, durante as Danças Padrão, o casal pode se separar por no máximo 15 segundos, até duas vezes por coreografia - nas demais modalidades, os casais só podem se separar nas competições Danças Latinas, devendo, nas de Dança Padrão, um estar em contato com o outro durante toda a coreografia.

A WDSF também reconhece a dança esportiva paralímpica, também chamada de dança em cadeira de rodas. A dança em cadeira de rodas pode ser disputada nas Danças Padrão e nas Danças Latinas, em todas as quatro modalidades. Nas modalidades duplas, equipes e showdance, cada dupla pode ser composta por dois cadeirantes (categoria chamada duo) ou por um cadeirante e um andante (categoria combi); na modalidade formação, o número de andantes é livre, podendo a equipe contar, até mesmo, com um único cadeirante. A dança em cadeira de rodas também possui uma modalidade própria, chamada single, na qual um dançarino cadeirante apresenta uma coreografia sozinho, sem par; por causa disso, a modalidade single é disputada no masculino e no feminino separadamente. Por causa do espaço ocupado pelas cadeiras de rodas, a área de competição é maior, tendo no mínimo 250 e no máximo 350 metros quadrados.

Dançarinos cadeirantes são avaliados por uma comissão médica, e são classificados de acordo com o grau de mobilidade de seus braços e pernas. Existem classificações separadas para as competições de Danças Padrão combi (SC1 e SC2), para as de Danças Padrão duo (SD1 e SD2), para as competições de formação e de Danças Latinas combi (L&F1 e L&F2), e para as competições de Danças Latinas duo (LA1 e LA2), sendo que, para fins de maior justiça, classificados como 1 (os que têm o maior comprometimento de mobilidade) não competem contra classificados como 2 (os que têm o menor comprometimento), com cada competição podendo ter até duas provas - por exemplo, uma competição de Danças Padrão combi pode ter uma prova de SC1 e uma prova de SC2, com competidores diferentes em cada uma delas.

A dança em cadeira de rodas foi criada na Suécia, no fim da década de 1960, como parte do programa de reabilitação para pessoas que perderam os movimentos das pernas (ou as próprias pernas). Logo ela se tornaria um grande sucesso, com a primeira competição nacional sendo realizada em 1975, e o primeiro campeonato internacional, também na Suécia, em 1977. A dança esportiva paralímpica ainda não é regulada pela WDSF, que planeja fazê-lo até o final de 2020, já contando com um comitê dedicado a determinar quais seriam as melhores formas de regular o esporte e organizar seus torneios; por enquanto, internacionalmente, ela é regulada pelo Comitê Paralímpico Internacional, que se compromete a observar todas as regras da WDSF em suas competições.

O principal campeonato da WDSF é o Campeonato Mundial - ou, melhor dizendo, os principais campeonatos da WDSF são os Campeonatos Mundiais, já que ela realiza nada menos que sete Mundiais por ano: para a modalidade duplas, temos o Campeonato Mundial de Danças Padrão e o Campeonato Mundial de Danças Latinas, ambos realizados anualmente desde 1996; para a modalidade formação, temos o Campeonato Mundial de Formação em Danças Padrão e o Campeonato Mundial de Formação em Danças Latinas, realizados anualmente desde 1998; para a modalidade showdance temos o Campeonato Mundial de Showdance em Danças Padrão e o Campeonato Mundial de Showdance em Danças Latinas, realizados anualmente desde 2010; e ainda temos o Campeonato Mundial de Ten Dances, realizado anualmente desde 2004.

No início da década de 2010, a WDSF pensaria em unificar todos esses campeonatos - que são cada um disputado em uma sede diferente, o que causa alguns problemas de logística - criando um evento multidesportivo que contaria com nove competições, as sete já presentes em Mundiais e mais duas para a modalidade equipes. Com o nome de World DanceSport Games, esse evento teve sua primeira edição realizada em 2013, e estava previsto para ocorrer a cada quatro anos; houve grande resistência dos filiados à WDSF, porém, pois o fim dos Mundiais anuais representava menos oportunidade de competições internacionais para eles, de forma que os Mundiais anuais de 2014 e 2015 foram mantidos. Quando chegou 2016, o interesse em participar do evento multidesportivo era baixo, e a segunda edição, prevista para 2017, foi cancelada, ficando a de 2013, até hoje, como única edição dos World DanceSport Games.

Além do Mundial, a WDSF organiza dois outros torneios anuais, a Copa do Mundo e o Grand Slam Series. Ambos são realizados apenas na modalidade duplas, em várias etapas ao longo do ano, com as duplas recebendo pontos por suas classificações em cada etapa, e a dupla com mais pontos ao final do ano sendo coroada campeã daquele ano. Embora seja aberta a todas as duplas registradas na WDSF, a Copa do Mundo, realizada desde 1996 nas categorias Danças Padrão, Danças Latinas e Ten Dances, costuma atrair duplas de menor renome e prestígio, com as principais duplas focando nos Mundiais. Já o Grand Slam Series é, de certa forma, o contrário, pois dele participam apenas as duplas mais bem ranqueadas, que são convidadas para o torneio pela WDSF. Realizado anualmente desde 2016, nas categorias Danças Padrão e Danças Latinas, o Grand Slam Series é, atualmente, o evento de maior prestígio da WDSF, por ser o que atrai mais público, mais audiência na TV, e, por consequência, mais patrocinadores.

Para a dança paralímpica, o mais importante campeonato é o Mundial, até 2015 chamado de Campeonato Mundial de Dança em Cadeira de Rodas, mas a partir de 2017 renomeado para Campeonato Mundial de Dança Esportiva Paralímpica. A primeira edição foi realizada em 1998, mesmo ano no qual o IPC decidiu passar a regular o esporte, que, até então, não tinha federação internacional; desde então, ele é realizado a cada dois anos, exceto por um intervalo de três entre 2010 e 2013 para que passasse a ser disputado nos anos ímpares ao invés de nos anos pares. Apesar de ser regulada pelo IPC, a dança esportiva paralímpica ainda não faz parte das Paralimpíadas.

A principal ambição da WDSF é fazer com que a dança esportiva entre para o programa das Olimpíadas, o que, hoje, parece uma realidade ainda muito distante - a única vez em que houve uma tentativa séria de inclusão da dança esportiva no programa olímpico foi para os Jogos de 2000, em Sydney, mas a questão sequer chegou a entrar em votação pelo COI. Para provar que tem condições de fazer bonito em uma Olimpíada, a dança esportiva faz parte do programa dos World Games, desde a edição de 1997. Nos World Games é disputada apenas a modalidade duplas, atualmente com quatro competições: Danças Padrão (desde 1997), Danças Latinas (deade 1997), Rock 'n' Roll (desde 2005) e Salsa (desde 2013).

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