segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Além da Imaginação

Quando escrevi o post sobre Acredite se Quiser, me lembrei de outra série da minha infância que era uma nova versão de outra bem mais antiga, Além da Imaginação. Eu também gostava muito de Além da Imaginação, embora não tanto quanto de Acredite se Quiser, e confesso que, até hoje, aquela musiquinha da abertura me dá um certo arrepio. Animado pela lembrança, decidi que hoje seria dia de Além da Imaginação no átomo.

Além da Imaginação (cujo nome em inglês é The Twilight Zone, "A Zona do Crepúsculo") foi uma criação do roteirista Rod Serling. Na década de 1950, eram comuns na TV norte-americana as chamadas anthology series, séries nas quais cada episódio era uma história completa, com início, meio, fim e elenco próprio, sem que um episódio tivesse qualquer relação com os demais; Serling era um dos principais roteiristas desse tipo de série, tendo feito sucesso escrevendo episódios para a Kraft Television Theater e para a Playhouse 90, mas se ressentia de que muitos de seus roteiros eram alterados pelos produtores das séries ou pelos executivos dos canais que as exibiam sem sua autorização. Um dos motivos para isso era que Serling estava sempre buscando novos desafios, e costumava escrever roteiros com lições de moral, viradas de enredo surpreendentes (os famosos plot twists) e finais inesperados; um desses roteiros, por exemplo, escrito para a série The United States Steel Hour, seria baseado no caso real do linchamento de um adolescente negro ocorrido no Mississipi, e acabaria alterado duas vezes, primeiro para o assassinato de um jovem judeu em Nova Iorque, depois para o assassinato de um estrangeiro adulto em uma cidade não-especificada, para que não causasse polêmica.

Irritado com essas alterações, Serling decidiria investir na fantasia e na ficção científica, para que pudesse usar todo tipo de situação sem que ninguém reclamasse que o tema era controverso e alterasse o roteiro; o problema era que não havia, na época, nenhuma anthology series de ficção científica no ar, o que fez com que Serling decidisse propor uma aos executivos da CBS, canal para o qual estava trabalhando então. Ele chegaria a escrever um episódio piloto, chamado O Elemento Temporal, no qual um homem viaja no tempo para a Honolulu de 1941 e tenta em vão avisar aos militares norte-americanos de lá sobre o iminente ataque a Pearl Harbor. A CBS rejeitaria a proposta, porém, e engavetaria esse roteiro, pagando Serling, entretanto, pelo serviço - provavelmente para que ele não o vendesse às concorrentes NBC e ABC.

Em 1957, o produtor Bert Granet, que trabalhava para a Desilu - empresa que, alguns anos mais tarde, seria responsável pela produção de uma série de ficção científica da qual eu não sei se vocês já ouviram falar, chamada Jornada nas Estrelas - descobriu o roteiro de O Elemento Temporal por um acaso, e o adorou, pedindo permissão à CBS para gravá-lo para uma anthology series que estava sendo produzida pela Desilu para a própria CBS, a Westinghouse Desilu Playhouse. Como o roteiro já estava pago, os executivos da CBS permitiram, e Granet o transformou no sexto episódio da primeira temporada da série (que teve um total de duas), exibido em 24 de novembro de 1958. Vale citar que a Desilu Playhouse (o Westinghouse fica por conta de seu patrocinador, uma fabricante de eletrodomésticos) não era uma série de ficção científica, mas de drama, mas mesmo assim Granet decidiria investir no roteiro, de tão bom que o considerou; vale citar também que o segundo episódio da série se chama O Caso do Dr. Mudd, personagem cujo nome depois seria aproveitado em Jornada nas Estrelas.

Para surpresa dos executivos da CBS (mas talvez não de Granet), O Elemento Temporal seria um imenso sucesso, é hoje um dos episódios mais lembrados da Desilu Playhouse, e renderia uma enxurrada de cartas dos telespectadores ao canal, pedindo por mais episódios como ele. Isso, evidentemente, convenceria os executivos de que havia público para uma série de ficção científica; provavelmente sem saber onde enfiar a cara, eles chamariam Serling e dariam a luz verde para sua série, fazendo dele, além do chefe de roteiristas, o produtor da mesma - aliás, o faro de Granet era tão bom que Além da Imaginação não seria a única série da CBS derivada da Desilu Playhouse: o vigésimo episódio, exibido em 20 de abril de 1959, era inspirado nas memórias de um certo agente do tesouro nacional chamado Eliot Ness, e seu sucesso levaria a CBS a produzir uma série chamada Os Intocáveis, que teve quatro temporadas exibidas entre 1959 e 1963, além de dar origem a um dos filmes mais brilhantes da história do cinema.

A primeira temporada de Além da Imaginação, composta de 36 episódios de meia hora cada, estrearia em 2 de outubro de 1959, ocupando o horário das dez da noite de sexta-feira, normalmente temido pelos produtores. A crítica imediatamente adorou a série, considerando-a "a única em exibição que dá vontade de assistir", "o melhor que se pode conseguir em um episódio de meia hora" e "a melhor anthology series do ano", dentre outros elogios; o público, por outro lado, demorou para ser cativado, com os primeiros episódios tendo audiência baixíssima, especialmente o terceiro, Mr. Denton, cuja audiência foi tão baixa que quase fez a série perder seus patrocinadores - na época, a maior parte do custo das séries era financiado não pelo canal ou pela produtora, mas por um ou mais patrocinadores, que, em troca, colocavam seu nome no título da mesma ou tinham seus comerciais exibidos em maior número durante os intervalos do que os demais; os patrocinadores de Além da Imaginação eram a fabricante de cereais General Foods e pela indústria de produtos de higiene pessoal Kimberly-Clark. A partir de janeiro de 1960, felizmente, a audiência começaria a subir, agradando tanto aos patrocinadores quanto aos executivos da CBS, que decidiriam renová-la para uma segunda temporada.

Serling faria uma curta narração no início e no final de cada episódio, com um resumo do que os espectadores iriam encontrar naquele dia, a lição de moral de cada um, e dando uma prévia do episódio seguinte. Diferentemente da maioria das séries da época, o título de cada episódio de Além da Imaginação não aparecia na tela em seu início, sendo falado por Serling na conclusão do episódio anterior; por causa disso, o primeiro episódio, Onde Estão Todos?, jamais teve seu título televisionado, e só se sabe que era esse porque ele estava presente no roteiro. Durante sua narração, Serling costumava dizer que os protagonistas de cada episódio "entraram na Twilight Zone", justificando o nome da série; a tal "zona do crepúsculo", de acordo com a abertura da série, era "uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem, situada no reino da imaginação" - e, curiosamente, no Brasil, isso geraria uma certa confusão, já que, alguns anos mais tarde, estrearia uma série semelhante a Além da Imaginação, chamada, em inglês, The Outer Limits (algo como "os limites mais distantes", literalmente "os limites exteriores"), mas que, no Brasil, teria seu título traduzido para A Quinta Dimensão.

Serling escreveria os roteiros de 28 dos 36 episódios da primeira temporada, incluindo os oito primeiros; outros quatro teriam roteiro de Charles Beaumont, e três de Richard Matheson (com o episódio 31, O Antídoto, tendo roteiro de Robert Presnell Jr.); Serling, Beaumont e Matheson seriam os principais roteiristas da série, com 127 dos 156 episódios totais tendo sido escritos por eles - sendo 92, ou seja, mais da metade, por Serling. A primeira temporada teria um dos episódios mais famosos, mais referenciados e mais parodiados da série, Tempo Suficiente (o oitavo), no qual um homem interpretado por Burgess Meredith (o Pinguim da série Batman e o Mickey do filme Rocky) ama ler seus livros, mas está constantemente sendo impedido de fazê-lo por seus conhecidos. Outros episódios de destaque são Recordações Amargas, no qual um homem volta no tempo e vê a si mesmo na infância; O Monstro da Rua Maple, na qual acontecimentos estranhos levam os moradores de uma pacata rua à paranoia; e O Manequim, na qual uma cliente em uma loja aparentemente normal se vê envolvida em uma situação surreal. A primeira temporada renderia a Serling um Emmy de Melhor Roteiro em Série Dramática, não por um episódio, mas pelo conjunto da obra, e um Hugo Award, o maior prêmio da ficção científica, de Melhor Apresentação Dramática, reservado a filmes, programas de TV e peças de teatro (sendo o Hugo um prêmio cujas principais categorias dizem respeito à literatura de ficção científica).

O tema de abertura ficaria a cargo de Bernard Herrmann, mas ainda não tinha a sequência de notas agudas que vem à nossa cabeça quando ouvimos o nome Além da Imaginação; na primeira temporada, a abertura tinha 55 segundos, e trazia o tema de Herrmann ao fundo, enquanto Serling narrava o que era a twilight zone; nos quatro últimos episódios, para sobrar mais tempo para o episódio em si, seria produzida uma versão mais curta da abertura, de 35 segundos, com o tema truncado e uma narração resumida. Somente na segunda temporada é que a abertura ganharia um novo tema, composto por Marius Constant, e que começava com a música hoje característica da série; essa abertura teria 29 segundos e um texto diferente na narração de Serling. Por uma questão de consistência, quando a CBS começou a reprisar a primeira temporada, e quando colocou a série em syndication, para que outros canais dos Estados Unidos pudessem exibi-la, passou a usar a abertura da segunda temporada também na primeira; com isso, a abertura original ficaria por muitos anos perdida, somente sendo restaurada quando do lançamento da série em DVD.

A segunda temporada estrearia em 30 de setembro de 1960. A direção da CBS teria um novo chefe, Jim Aubrey, que, apesar de todo o sucesso da série, não estava satisfeito, pois Além da Imaginação era a série mais cara da emissora; Aubrey faria vários esforços para diminuir seus custos, como negociar com a Colgate-Palmolive para substituir a Kimberly-Clark como principal patrocinador, e determinar que os episódios fossem filmados em videotape ao invés de película. Ao todo, seis episódios da temporada (os de número 8, 11, 14, 17, 20 e 22) seriam filmados em videotape, tecnologia que ainda estava no início na época, e, apesar de bem mais barata que a película, tinha muito mais problemas - editar os episódios em videotape, por exemplo, era praticamente impossível, com todos os cortes tendo de ser feitos com truques de câmera, como se o programa fosse ao vivo, o que impossibilitava a filmagem de externas. O uso do videotape se mostraria tão complicado que, após a filmagem desses seis episódios, a CBS desistiria e decidiria voltar a filmar em película. Para cortar custos, então, Aubrey determinaria que a temporada deveria ter um número menor de episódios, 29 ao todo.

Assim como na primeira temporada, a maioria dos episódios da segunda - 20 dos 29 - seria escrita por Serling. Diferentemente do que ocorria na primeira temporada, na segunda Serling não fazia apenas a narração, com sua imagem aparecendo no vídeo enquanto ele fazia a introdução e a conclusão de cada episódio, e os títulos de cada episódio eram exibidos na tela, mas no final, durante os créditos. A segunda temporada renderia a Serling seu quinto Emmy de Melhor Roteiro em Série Dramática (de um total de seis, recorde da história do prêmio), mais uma vez pelo conjunto da obra, e um segundo Hugo de Melhor Apresentação Dramática.

A segunda temporada contaria com três dos episódios mais famosos da série: A Beleza está Apenas em quem Olha, no qual uma mulher que nasceu com uma deformidade física se submete a uma cirurgia plástica para passar a ter aparência considerada normal; Os Invasores (o melhor de todos, na minha opinião), no qual uma mulher encontra uma nave espacial minúscula e pequenos alienígenas em sua casa; e O Marciano, no qual a polícia tenta determinar qual dos passageiros de um ônibus é na verdade um alienígena. Curiosamente, o primeiro episódio da segunda temporada, O Rei Nono Não Retornará, era muito parecido com Onde Estão Todos? com ambos (escritos por Serling) sendo protagonizados por um homem que se vê sozinho em uma cidade sem mais ninguém.

A segunda temporada faria um grande sucesso, e atrairia três novos patrocinadores para a terceira: os cigarros Chesterfield, a Pepsi-Cola e as aspirinas Bufferin, que se uniriam à Colgate-Palmolive e aos cigarros L&M, que substituíram a General Foods no meio da segunda temporada. Com mais dinheiro entrando, a terceira temporada pôde ter nada menos que 37 episódios - dois deles feitos a partir de roteiros escritos para a segunda temporada mas não utilizados - com o primeiro deles estreando em 15 de setembro de 1961. Na terceira temporada, finalmente os episódios teriam um título "normal", exibido após a introdução de Serling, antes de o episódio em si começar.

Apesar das grandes expectativas, a terceira temporada não foi tão bem sucedida quanto a segunda: a audiência começou a cair, e as críticas já não eram tão favoráveis. Serling faria um mea culpa, se dizendo esgotado de tanto escrever roteiros para a série, e considerando que isso estava diminuindo sua qualidade - mais uma vez, ele seria responsável pela maior parte dos episódios da temporada, 20 dos 37. Além de Serling, Beaumont e Matheson, o time de roteiristas contaria com George Clayton Johnson, que estreou como roteirista na segunda temporada, com os estreantes Montgomery Pittman e Earl Hamner, Jr., e com o escritor de ficção científica Ray Bradbury, que escreveria o episódio Vovó Melhor que a Encomenda. A terceira temporada receberia duas indicações ao Emmy, mas não ganharia nenhum prêmio; ela ganharia, contudo, o terceiro Hugo de Melhor Apresentação Dramática da série, que se tornaria a recordista de prêmios nessa categoria (atualmente empatada com Doctor Who, que o levaria em 2006, 2007 e 2008), além de render a Serling um Globo de Ouro de Melhor Diretor ou Produtor de TV. A terceira temporada possui dois episódios considerados como os de melhores roteiros da história da televisão norte-americana: Para Servir o Homem, no qual o emissário de uma raça alienígena (representado por Richard Kiel, o Dentes de Aço dos filmes de 007) chega à Terra prometendo paz e compartilhando tecnologia avançada, e Um Bom Dia, no qual um menino com poderes mentais (Bill Mumy, o Will Robinson de Perdidos no Espaço) mantém sua família refém em sua fazenda.

No final da terceira temporada, uma confusão quase levaria ao cancelamento da série. Por algum erro de burocracia da CBS, o prazo para inscrição de patrocinadores aparentemente se encerraria sem que nenhuma empresa se mostrasse interessada em patrocinar a quarta temporada; com isso, o canal tiraria Além da Imaginação de sua grade, substituindo-a pela comédia Fair Exchange. A equipe achou que a série havia sido cancelada, e começou a procurar emprego em outras séries, outros canais ou outros lugares - incluindo o próprio Serling, que aceitou um convite para ser professor na faculdade Antioch College. Quando percebeu o erro, em novembro de 1962, a CBS tentou chamar de volta todos os profissionais da série, e as filmagens da quarta temporada começaram.

Com patrocínio da Johnson & Johnson, a quarta temporada acabaria sendo bastante diferente das demais. Não somente ela seria mais curta, com apenas 18 episódios, o primeiro estreando em 3 de janeiro de 1963, mas também os episódios seriam de uma hora ao invés de 30 minutos - isso porque o único horário que a CBS tinha disponível na grade, às nove da noite de quinta-feira, era um horário de 60 minutos, e não havia outra série de 30 minutos para fazer par com Além da Imaginação. Esse novo formato seria muito criticado por Serling, que considerava meia hora mais do que suficiente para apresentar a história, preparar o público e concluir de forma surpreendente como costumava fazer; tendo que alongar os episódios por mais meia hora, eles poderiam perder muito de seu encanto, com a maior parte do episódio servindo apenas para encher linguiça. De fato, os episódios da quarta temporada costumam ser considerados os mais fracos, e essa seria a primeira temporada na qual a série não ganharia nenhum prêmio - seria indicada ao Emmy de Melhor Fotografia e novamente ao Hugo de Melhor Apresentação Dramática, mas não ganharia nenhum dos dois.

Além da mudança de dia e de duração, a quarta temporada também teria uma mudança no título (passando a se chamar apenas Twilight Zone, sem o "The") e na abertura, que agora tinha 33 segundos e uma narração diferente, que começava antes de a sequência de notas característica do tema se encerrar, atropelando-a. Serling ainda seria o responsável pela maior parte dos roteiros, escrevendo 7 dos 18 episódios (dessa vez com Beaumont vindo logo em seguida, com 6, e Matheson escrevedo apenas 2), mas, devido aos compromissos que havia assumido fora de Los Angeles, teve de gravar as introduções e conclusões de todos episódios em um único dia, antes mesmo que os episódios tivessem sido filmados; Serling também teria de deixar de ser o produtor da série, sendo substituído por Herbert Hirschman, que só ocupou o cargo durante os cinco primeiros episódios, deixando a CBS após receber um convite da rival NBC para produzir a série Espionage. A pedido de Serling, Granet assumiria como produtor após a saída de Hirschman. O primeiro episódio produzido por Granet, Um Posto Avançado, no qual uma colônia de humanos em um planeta distante é resgatada e trazida de volta à Terra, é considerado o melhor da temporada; outro episódio de destaque é O Tempo é uma Ilusão, no qual o presidente de uma grande corporação, insatisfeito com sua vida, deseja que pudesse retornar à sua cidade natal e recomeçar - um dos motivos do destaque desse episódio é que ele conta com a presença de Julie Newmar, considerada uma das mulheres mais bonitas da TV norte-americana, e que se tornou famosa interpretando a Mulher-Gato no seriado Batman da década de 1960.

Após protestos do público e da equipe de produção, para a quinta temporada a CBS retornaria Além da Imaginação para as sextas-feiras (embora para o horário de nove e meia da noite), e os episódios para o formato de 30 minutos. Com 36 episódios e patrocínio da Procter & Gamble e da American Tobacco, a quinta temporada estrearia em 27 de setembro de 1963; Serling mais uma vez escreveria a maior parte dos episódios (16), mas, lutando desde o ano anterior contra uma doença degenerativa no cérebro, Beaumont escreveria apenas dois, com Matheson escrevendo outros quatro e Hamner, Jr. outros cinco. Também com problemas de saúde, Granet deixaria o cargo de produtor após o episódio 13, sendo substituído por William Froug, com quem Serling havia trabalhado na série Playhouse 90. Froug tomaria duas decisões controversas em relação a roteiros: primeiro, rejeitaria The Doll, escrito por Matheson (que, em 1986, seria produzido para a série semelhante Amazing Stories, e hoje é considerado um dos melhores dessa série), segundo, contrataria Richard de Roy para reescrever Tick of Time, escrito por George Clayton Johnson, no qual um homem está convencido de que vai morrer quando o relógio de seu avô parar de funcionar; Johnson romperia com a CBS depois disso, e a versão de de Roy, que daria origem ao episódio 90 Anos sem Descanso, seria considerada "trivial" pela crítica, e amplamente inferior ao roteiro de Johnson por quem o leu.

A quinta temporada teria um dos episódios mais famosos, aclamados e parodiados da série, Pesadelo nas Alturas, no qual um homem interpretado por William Shatner (o Capitão Kirk de Jornada nas Estrelas) parece ser o único que vê um monstro danificando, em pleno voo, a asa e a turbina do avião no qual está viajando. Também merecem destaque O Cronômetro, no qual um homem encontra um relógio capaz de parar o tempo; e Boneca Viva, no qual um homem interpretado por Telly Savalas (o detetive da série Kojak) se convence de que uma das bonecas de sua filha está viva e quer matá-lo. A quinta temporada não receberia indicação a nenhum prêmio, mas seu episódio de número 22, Uma Ocorrência na Ponte Owl Creek, ambientado durante a Guerra Civil Norte-Americana, e que trata do enforcamento de um prisioneiro Confederado pela tropas da União, exibido em 28 de fevereiro de 1964, era, na verdade, um curta-metragem mudo francês chamado La Rivière du Hibou ("o riacho da coruja", que, em inglês, traduz para owl creek, nome do local do enforcamento), por sua vez baseado no conto An Occurence at Owl Creek Bridge, do norte-americano Ambrose Bierce. Escrito e dirigido por Robert Enrico e tendo estreado na França em maio de 1962, La Rivière du Hibou ganharia o prêmio de Melhor Curta Metragem no Festival de Cannes em 1962 e o Oscar de Melhor Curta Metragem em 1963; a decisão de comprar o curta e exibi-lo como um episódio de Além de Imaginação seria de Froug, que o havia assistido e achado que sairia mais barato fazer isso do que refilmá-lo - no que ele tinha razão, já que conseguiu comprar os direitos por 20 mil dólares, mais cinco mil para editá-lo e incluir a abertura, os créditos finais, as pausas para comerciais e a introdução e conclusão de Serling, para um total de 25 mil, enquanto produzir um episódio do zero custava em torno de 65 mil. Esse seria o único dos 156 episódios de Além da Imaginação a não ter sido produzido pela equipe da série, e também um dos únicos cinco a não estar presente quando a série passou para syndication, já que a compra dos direitos só permitia que Froug o exibisse na TV no máximo duas vezes (os outros quatro, três da quinta temporada e um da quarta, enfrentaram acusações de plágio quando originalmente exibidos, e não foram incluídos pela CBS no pacote da syndication para evitar dores de cabeça); todos os cinco estão presentes, entretanto, nos DVDs, Owl Creek graças a um novo acordo firmado entre a CBS e o espólio de Enrico quando do lançamento da série nesse formato.

Em janeiro de 1964, a CBS anunciaria que Além da Imaginação havia sido, agora sim, cancelada, e que não retornaria para uma sexta temporada, com seu último episódio sendo exibido em 19 de junho de 1964. O cancelamento foi uma decisão de Aubrey, que nunca ficou verdadeiramente entusiasmado com a série, achando que o retorno em audiência e patrocínio não compensava o dinheiro gasto com a produção dos episódios; na época, porém, Serling divulgaria que o cancelamento seria decisão dele, que não queria mais trabalhar com a CBS. A rival ABC ofereceria a Serling continuar produzindo a série, mas com a exigência de que ela passasse a se chamar Witches, Warlocks and Werewolves ("bruxas, feiticeiros e lobisomens") e só tivesse histórias de horror; Serling recusaria, alegando "diferenças irreconciliáveis de opinião" entre ele e os executivos da ABC. No final de 1964, Serling venderia sua parte nos direitos de Além da Imaginação para a CBS, que passaria, então, a ser a única dona da série.

Em 1982, sete anos após a morte de Serling, o diretor Steven Spielberg tentaria ressuscitar a série. Ele acabaria não conseguindo e criando uma nova no mesmo estilo, a já citada Amazing Stories, que teria 45 episódios exibidos pela NBC de 29 de setembro de 1985 a 10 de abril de 1987, ao longo de duas temporadas. Mas, enquanto ainda tentava produzir uma nova série de Além da Imaginação, Spielberg convenceria a CBS a deixá-lo produzir um filme para o cinema que reunisse refilmagens de episódios famosos da série. Esse filme seria produzido pela Warner Bros. e lançado em 24 de junho de 1983, com o título de Twilight Zone: The Movie (No Limite da Realidade no Brasil; por alguma razão, quem traduziu o título não quis fazer referência a Além da Imaginação).

O filme é composto de um prólogo e de quatro segmentos; a narração, ao estilo de Serling, fica por conta de Burgess Meredith, recordista de participações em episódios da série, com quatro. No prólogo, criado especialmente para o filme e dirigido por John Landis (de Os Irmãos Cara de Pau e Um Lobisomem Americano em Londres), um motorista de caminhão (Albert Brooks) e um caroneiro (Dan Aykroyd) estão conversando sobre quais episódios de Além da Imaginação eles acham mais assustadores. Após a narração de Meredith, começa o primeiro segmento, também dirigido por Landis e também criado especialmente para o filme, inspirado em dois episódios da primeira temporada, O Que Você Precisa e Outro Lugar, no qual um homem (Vic Morrow), após perder o emprego para um judeu, decide vociferar insultos contra judeus, negros e asiáticos, e se vê transportado magicamente primeiro para o corpo de um judeu durante a Segunda Guerra Mundial, então para o de um negro no sul dos Estados Unidos na década de 1950, e então para o de um vietnamita na Guerra do Vietnã. O segundo segmento, dirigido por Spielberg, é a refilmagem de um episódio da terceira temporada, Brincando de Criança, no qual um idoso (Scatman Crothers) descobre o segredo da eterna juventude através de uma brincadeira de criança. O terceiro segmento, dirigido por Joe Dante (de Gremlins), é uma refilmagem de Um Bom Dia, também da terceira temporada, com Jeremy Licht no papel do menino e Kathleen Quinlan como uma mulher que vai até sua casa e acaba também ficando presa lá, que não existia no episódio original e foi inspirada (tendo, inclusive, o mesmo nome) na protagonista de um episódio da primeira temporada, Pesadelo. O quarto e último segmento é dirigido por George Miller (de Mad Max), e é uma refilmagem de Pesadelo nas Alturas, da quinta temporada, com John Lithgow (de 3rd Rock from the Sun) no papel do passageiro do avião que vê o monstro. O filme termina com uma nova cena com Aykroyd e a narração original de Serling para a primeira temporada da série.

O filme faria um sucesso moderado, com a crítica declarando que ele começa morno mas melhora no final - de fato, é consenso que os segmentos estão em ordem crescente, do mais fraco para o mais interessante. Em termos de público, renderia quase 30 milhões de dólares, tendo custado 10. Infelizmente, entretanto, o filme entraria para a história não por seus méritos artísticos, e sim por um acidente terrível que tiraria a vida de Morrow e de dois atores mirins: no roteiro original do primeiro segmento, o personagem de Morrow se redimiria após salvar duas crianças vietnamitas de um helicóptero que estava bombardeando sua vila durante a guerra; um erro do técnico de efeitos especiais Paul Stewart faria com que o helicóptero fosse afetado pela detonação das explosões, caindo sobre o trio de atores e matando todos os três instantaneamente - com Morrow sendo decapitado pelo rotor, e sua cabeça sendo arremessada a metros de distância. O julgamento se arrastaria por mais de dez anos, não somente por causa da morte dos atores, mas também porque os dois atores mirins, de 6 e 7 anos, estavam participando do filme em desacordo com as leis do estado da Califórnia, que proíbem que crianças gravem cenas à noite ou próximas a explosões - Landis os estava pagando por baixo dos panos, e esta cena seria gravada sem o conhecimento do estúdio. No final, Landis, Stewart, o produtor Dan Allingham, o produtor associado George Folsey, Jr. (que pediu às famílias dos atores mirins para não divulgar que eles estavam gravando essa cena) e o piloto do helicóptero, Dorcey Wingo, que sobreviveu, foram absolvidos das acusações de homicídio, mas Landis, que assumiu inteira responsabilidade pela irregularidade no uso dos atores mirins, foi condenado por esse fato, tendo de pagar uma gorda indenização às famílias e remover todas as cenas nas quais os dois apareciam da versão final do filme, e o segundo diretor assistente Andy House, que dirigia essa cena e estava presente no momento do acidente, teve seu nome retirado dos créditos do filme. Em uma nota bizarra, como a cena estava sendo gravada por várias câmeras, a morte de Morrow e das duas crianças foi filmada com detalhes em pelo menos três ângulos diferentes; segundo a Warner, todos os filmes registrando as mortes foram destruídos logo após o resultado do julgamento. Com a morte de Morrow, o segmento teve de acabar antes do tempo, com um final alternativo sendo criado às pressas.

O sucesso moderado do filme convenceria a CBS a ressuscitar a série, mas, nem um pouco animados com o desempenho de Spielberg à frente de seu segmento, ou com sua seleção de episódios para o filme, os executivos do canal escolheriam não colocá-lo na produção, e sim Carla Singer, então a vice-presidente de desenvolvimento de séries de drama do canal, e declaradamente fã da série original. Singer entraria em contato com jovens roteiristas e diretores que também fossem fãs de Além da Imaginação e estivessem dispostos a trabalhar na nova série, incluindo Harlan Ellison, George R. R. Martin, Wes Craven e William Friedkin; estes, por sua vez, conseguiriam convencer alguns dos mais famosos atores da década de 1980, como Bruce Willis, Helen Mirren, Morgan Freeman, Martin Landau, Jonathan Frakes e Fred Savage, a participar de seus episódios. O dublador Charles Aidman seria escolhido para fazer a narração no início e no final de cada episódio, mas, diferentemente de Serling, apenas sua voz era ouvida, sem sua imagem. O novo tema de abertura, inspirado no criado por Marius Constant e usando a mesma sequência de notas, seria composto por Merl Saunders, acompanhado pela banda The Grateful Dead, que também faria a trilha sonora de vários episódios.

A primeira temporada estrearia em 27 de setembro de 1985. Apesar de a série ocupar um espaço de uma hora na grade da CBS (45 minutos mais anúncios), nenhum episódio tinha essa duração, com cada um tendo ou 15 ou 22 minutos; graças a isso, seriam produzidos 59 episódios, exibidos em 24 datas - algumas datas com dois episódios, outras com três. A grande maioria dos episódios era de histórias originais, mas alguns eram refilmagens de episódios de sucesso da série original, como o episódio especial de Natal, A Noite dos Humildes, no qual um homem que trabalha como Papai Noel em um shopping (Art Carney no original, Richard Mulligan na refilmagem) encontra um saco de presentes mágico e se transforma no verdadeiro Papai Noel.

Esse episódio seria motivo de uma briga entre Ellison e os executivos da CBS: conhecido por detestar televisão e ser crítico contumaz das adaptações de suas obras, Ellison surpreenderia a todos ao aceitar o convite para ser um dos roteiristas de Além da Imaginação; um dos episódios escritos por Ellison seria justamente o especial de Natal, no qual um homem que trabalha como Papai Noel, bêbado, assusta um grupo de criancinhas com a história do "anti-Papai Noel". O episódio estava sendo filmado quando os executivos do canal decidiram barrá-lo, o que resultou em um prejuízo de quase 300 mil dólares, a saída de Ellison, que não quis mais escrever roteiros para o programa depois do acontecido, e um ataque da imprensa à série, que considerou a atitude do canal amadora e em desacordo com o espírito original de Além da Imaginação, que sempre fora uma série disposta a quebrar barreiras.

A primeira temporada do novo Além da Imaginação, aliás, sofreria com audiência baixa e desinteresse do público quase desde o início: o primeiro episódio teria boa audiência, mas, a partir do segundo, ela começaria a cair, até terminar a temporada perdendo para seus concorrentes de mesmo horário na NBC e na ABC, as comédias Webster e Mr. Belvedere. Os produtores da série atribuíram a queda na audiência a uma decisão equivocada do diretor de programação da CBS: quando os episódios começaram a ser gravados, o canal disse ao produtor executivo Philip Deguere que a série ocuparia o mesmo horário do Além da Imaginação original, às dez da noite; depois que os seis primeiros já estavam prontos, a CBS anunciaria que a série seria exibida às oito da noite, horário normalmente reservado para programas apropriados para toda a família - sendo que os seis primeiros episódios de Além da Imaginação eram bem mais adultos, com cenas perturbadoras e diálogo inapropriado para crianças, mas foram ao ar no horário das oito mesmo assim. O primeiro episódio, portanto, teria boa audiência por curiosidade do público quanto a um novo Além da Imaginação, mas, como a maioria das pessoas acreditaria que todos os demais seriam no mesmo estilo, ela começaria a cair. O chefe dos roteiristas, Michael Cassutt, também criticaria a qualidade dos roteiros, dizendo que nem todos tinham "o verdadeiro estilo de Além da Imaginação", com muitos parecendo ser roteiros de A Quinta Dimensão - série semelhante mas muito mais voltada para a ficção científica, sem as viradas de enredo, finais surpreendentes e lições de moral que caracterizavam Além da Imaginação.

Apesar de tudo, a série seria renovada para uma segunda temporada, que estrearia em 27 de setembro de 1986, após ser movida das sextas-feiras para os sábados - mas talvez teria sido melhor se tivesse sido cancelada, porque a produção da segunda temporada foi uma bagunça. Ela estrearia mais uma vez ocupando um horário de uma hora, mas com dois episódios de 22 minutos ou três de 15 minutos por dia. No meio de outubro, ela entraria em hiato, e, ao retornar, em dezembro, ocuparia um espaço de meia hora, com somente um episódio por dia. A temporada seria novamente interrompida após três episódios, e retornaria em fevereiro com o formato original - dois ou três episódios por dia, totalizando uma hora. Quando a segunda temporada tinha um total de 21 episódios, equivalentes a 11 dias, a série seria, finalmente, cancelada. O principal motivo seria a audiência, em nome da qual roteiristas escolhidos pelos executivos do canal já vinham alterando os episódios da temporada sem o conhecimento ou consentimento dos roteiristas originais - J.M. DeMatteis, hoje famoso por seu trabalho na Marvel e na DC, declararia estar extremamente insatisfeito com essa atitude, considerando que a versão do episódio A Garota com a qual me Casei, último da segunda temporada, no qual um casal de advogados extremamente bem sucedido (James Whitmore, Jr. e Linda Kelsey) sente que falta algo em suas vidas, que foi ao ar não tinha absolutamente nada a ver com o roteiro que ele escreveu além do título.

O cancelamento, entretanto, não significaria o fim da série: ao tentar vendê-la para syndication, a CBS descobriria que a maioria das emissoras não estava interessada em comprar uma série de apenas 35 episódios - número obtido somando o número de dias em que os episódios das duas temporadas foram exibidos (24 e 11, respectivamente). Para remediar a situação, eles trocariam toda a equipe de produção - incluindo Singer - e encomendariam uma terceira temporada de 22 episódios de meia hora cada. Para cortar custos, esses episódios seriam gravados no Canadá, e neles o ator canadense Robin Ward substituiria Aidan como narrador - por uma questão de consistência, Ward também regravaria as narrações de Ward, se tornando o narrador nas duas primeiras temporadas nos canais nos quais a série foi exibida em syndication. Todos os roteiristas também seriam dispensados e substituídos por uma nova equipe, liderada por J. Michael Straczynski (de Babylon 5), que escreveria mais episódios que qualquer outro roteiristas da nova série (onze, no total, incluindo uma adaptação de um episódio originalmente escrito por Serling para a série original mas jamais filmado); Straczynski também conseguiria a proeza de convencer Ellison a escrever mais um episódio, seu último na série.

A terceira temporada jamais seria exibida na CBS; seus 22 episódios já estreariam em syndication, o primeiro em 24 de setembro de 1988, após as reprises das duas primeiras temporadas, o último indo ao ar em 15 de abril de 1989. Depois disso, a CBS consideraria Além da Imaginação um formato falido, e não se interessaria em produzir novos episódios - em 1990, Matheson e a viúva de Serling, Carol, procurariam a emissora e dariam a ideia de um especial de fim de ano no qual Matheson adaptaria dois ou três roteiros jamais filmados de Serling, mas a CBS não se mostraria interessada.

No início de 1994, porém, Carol Serling estava limpando a garagem quando descobriu um manuscrito desconhecido de seu finado marido, escrito pouco antes de sua morte. Ela o mostraria aos produtores Michael O'Hara e Laurence Horowitz, que gostariam tanto que convenceriam a CBS a produzir o tal especial, que contaria com o tal roteiro perdido de Serling e com um roteiro original de Matheson. A CBS levaria esse especial ao ar em 19 de maio de 1994 com o nome de Twilight Zone: Rod Serling's Lost Classics (Além da Imaginação: Os Clássicos Perdidos de Rod Serling), o que, na verdade, era uma jogada de marketing, já que somente uma das histórias era de Serling, e nenhuma das duas havia sido escrita para Além da Imaginação. A história de Serling seria centrada em um médico do século XIX (Patrick Bergin) que acidentalmente descobre um elixir da imortalidade; a de Matheson envolvia um casal (Amy Irving e Gary Cole) que, ao assistir a um filme no cinema, percebe que o filme relata suas próprias vidas. O especial teria narração no início, no final e entre um episódio e outro feita pelo famoso ator James Earl Jones (dentre outros papéis, responsável pela voz de Darth Vader, de Star Wars). Apesar das esperanças de todos os envolvidos, o especial teria baixa audiência e dividiria a crítica, com alguns considerando-o fantástico, outros dizendo que teria sido melhor o roteiro de Serling jamais ter saído da garagem.

Mas este não seria o fim de Além da Imaginação: em 2000, a Paramount, que já tinha um contrato para lançar as séries da CBS em home video, começaria a negociar com o canal a produção de uma terceira série, para ser exibida no seu canal a cabo UPN. Essa nova série estrearia em 18 de setembro de 2002, e teria 43 episódios de meia hora cada, sendo que eles eram exibidos dois por dia - exceto em 23 de outubro, quando foi exibido um só, por isso o número ímpar. Os novos episódios abordavam questões contemporâneas, como a violência das grandes cidades, ataques terroristas, racismo e discriminação sexual; cada episódio tinha uma introdução e uma conclusão ao estilo das que Serling fazia na série original, dessa vez a cargo do ator Forest Whitaker, que, assim como Serling, aparecia na tela durante a narração. Assim como a segunda série, alguns episódios da terceira eram refilmagens de episódios da série original, mas desta vez adaptados para os tempos modernos - em O Monstro da Rua Maple, por exemplo, na série original os moradores da rua acreditavam que um deles era um alienígena, enquanto na série nova eles acreditam que é um terrorista. Vale citar também Ainda é um Bom Dia, que não é uma refilmagem, e sim uma continuação do episódio original, inclusive com Bill Mumy interpretando o mesmo personagem, mas já adulto. Infelizmente, a terceira série não faria nenhum sucesso, tendo baixa audiência desde o primeiro episódio, e acabaria tendo apenas uma temporada, com seu último episódio sendo exibido em 21 de maio de 2003.

Em dezembro de 2012, o diretor Bryan Singer (do filme dos X-Men) entraria em contato com a CBS e se ofereceria para produzir uma quarta série de Além da Imaginação. As negociações durariam cerca de um ano, mas não chegariam a lugar algum. Em novembro de 2017, seria divulgada a notícia de que outro diretor, Jordan Peele, estaria negociando a produção de uma nova série de Além da Imaginação para o serviço de streaming da CBS, o All Access, mas, até agora, não há novidades quanto a isso. Outra celebridade interessada em ressuscitar Além da Imaginação é o ator Leonardo DiCaprio, que, em 2011, começou a negociar com a Warner Bros., atual detentora dos direitos sobre todos os roteiros escritos por Serling, a produção de um novo filme para o cinema, que, diferentemente do de Spielberg, não seria composto por vários episódios, tendo uma única história baseada em um ou mais roteiros da série original. O diretor Matt Reeves (de Cloverfield) e o roteirista Aron Eli Coleite chegariam a ser contratados para o filme, mas, como a produção não começava nunca, ambos desistiram e foram se dedicar a outros projetos. As últimas notícias sobre o filme são de junho de 2017, e dizem que o diretor seria Joseph Kosinski (de Tron: O Legado) e o roteiro estaria a cargo de Christine Lavaf, com tentativa de estreia para 2019.

Mesmo com suas encarnações mais recentes não tendo obtido o sucesso esperado, Além da Imaginação ainda é uma marca forte, que desperta o interesse não somente dos fãs, mas também dos produtores que acreditam poder trazer de volta a magia da série original. Resta saber se algum deles, um dia, conseguirá ter a magistralidade de Serling e colocar um novo trabalho no mesmo patamar.

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