segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Acredite se Quiser

Uma das lembranças mais nítidas que eu tenho da minha infância é o programa Acredite se Quiser. Eu o assistia, principalmente, na casa da minha avó, onde eu sempre passava as tardes de sábado em companhia dos meus primos. Quando ia dar a hora do programa, nos sentávamos em volta da televisão e ligávamos na finada TV Manchete; minha avó aproveitava e nos trazia um lanche. Talvez pela associação com esse tempo tão feliz - ou com o lanche - a música da abertura ficou gravada na minha cabeça para sempre: passei anos sem ouvi-la, mas conseguia cantarolá-la perfeitamente. Para escrever esse post, assisti a uns vídeos online, e até me deu um quentinho no coração ao ouvi-la novamente após todo esse tempo.

O motivo pelo qual estou escrevendo esse post é digno de um episódio do programa, aliás: não me perguntem o porquê, mas eu sonhei com Jack Palance. Quer dizer, no meu sonho, havia um homem que eu identificava como sendo o Jack Palance, mas que aparentemente era um conhecido da minha família. Ao acordar, resolvi pesquisar se Palance ainda estava vivo (não está, faleceu em 2006, aos 87 anos), e pensei que seria legal fazer um post sobre o programa - na época em que eu assistia, Palance era o apresentador, de forma que, para mim, ambos estarão eternamente associados. E é por isso que hoje é dia de Acredite se Quiser no átomo.

O nome original do Acredite se Quiser, em inglês, é Ripley's Believe It or Not - em uma tradução livre, "o acredite ou não do Ripley". Esse nome aparecia na abertura, e eu cheguei, quando criança, a procurar no dicionário o seu significado - não encontrando, evidentemente, um verbete para a palavra "Ripley". Ao questionar minha mãe, ela disse que deveria ser um nome de uma pessoa. Essa explicação me satisfez parcialmente, já que passei anos tentando descobrir quem seria o tal Ripley. "Anos" talvez seja exagero, deve ter sido no máximo um, mas o fato é que, já que eu passei muito tempo sem me interessar pelo programa, só acabei descobrindo hoje.

O tal Ripley do título é Robert LeRoy Ripley, cartunista profissional e antropólogo nas horas vagas, nascido em 25 de dezembro de 1890 em Santa Rosa, Califórnia, Estados Unidos, e que faleceu prematuramente, aos 58 anos, em 27 de maio de 1949, na cidade de Nova Iorque. Quando jovem, Ripley sonhava ser jogador de beisebol, e chegou a jogar por times semi-profissionais, até precisar largar o esporte e se dedicar em tempo integral aos cartuns para poder cuidar de sua mãe, muito doente. Seus primeiros trabalhos seriam publicados na revista Life e nos jornais San Francisco Bulletin e San Francisco Chronicle; após a morte da mãe, ele se mudaria para Nova Iorque, onde trabalharia para o jornal The New York Globe e tentaria uma vaga no time de beisebol New York Giants - se machucando durante a seleção, de forma tão grave que teve de encerrar a carreira definitivamente. Como cartunista do Globe, ele ficaria responsável pelo cartum Champs and Chumps, que trazia curiosidades sobre o mundo esportivo, sendo publicado no caderno de esportes, e conheceria Beatrice Roberts, com quem se casaria em 1919. No ano seguinte, Ripley seria enviado pelo jornal para Antuérpia, Bélgica, para ajudar na cobertura das Olimpíadas.

Durante a viagem, ele conheceria pessoas interessantes e aprenderia vários fatos curiosos, o que o estimularia a juntar dinheiro, durante os dois anos seguintes, para um projeto ambicioso: uma viagem ao redor do mundo. Ripley partiria em 3 de dezembro de 1922 e retornaria em 7 de abril de 1923, após visitar vários locais do interior dos Estados Unidos, da América do Sul, Europa, Oriente Médio e África. A viagem lhe custaria o casamento - sua esposa, após tanto tempo separada, pediria o divórcio quando ele retornasse - mas daria a Ripley a ideia de um novo trabalho: contratando o linguista Norbert Pearlroth como assistente, ele criaria a série Ripley's Believe It or Not!, um cartum de uma página inteira que, a cada dia, traria um fato curioso e interessante sobre algum assunto. A série começaria a ser publicada no jornal The New York Evening News (o Globe havia ido à falência no mesmo ano de 1923), mas, em 1926, passaria para outro jornal, o The New York Post.

A série faria tanto sucesso que atrairia a atenção de William Randolph Hearst, presidente da King Features Syndicate, responsável pela publicação de tiras de jornal de grande sucesso, como Mandrake, Popeye e O Fantasma, dentre outras. Hearst faria um acordo com Ripley, e logo o Ripley's Believe It or Not! estaria sendo publicado em 17 jornais de todos os Estados Unidos, e alcançando grande popularidade. Ripley aproveitaria o momento e lançaria os mais populares da série em forma de livro, à venda em todo o país - prática que seria repetida ao longo dos anos, com vários volumes sendo lançados. Incapaz de dar conta de todos os cartuns, Ripley entregaria a arte de alguns painéis, ao longo dos anos, aos cartunistas Joe Campbell, Art Slogg, Clem Gretter, Carl Dorese, Bob Clarke, Stan Randall e os irmãos Paul e Walter Frehm.

Uma das maiores provas da popularidade do Ripley's Believe It or Not! foi que ele seria diretamente responsável pela oficialização do Hino Nacional dos Estados Unidos. Em um dos primeiros cartuns publicados pela King Features Syndicate, Ripley explicaria que, apesar do costume de se usar The Star-Spangled Banner, que tem letra de Francis Scott Key sobre música de John Stafford Smith, como hino nacional, não havia nenhuma lei em vigor determinando que esse era o hino nacional oficial do país. Após a publicação do cartum, vários leitores começariam a enviar cartas ao Congresso, pedindo que o hino fosse oficializado. Um dos que fizeram campanha para a oficialização foi John Philip Sousa - a quem muitos confundem como sendo o autor do hino - um dos maiores compositores norte-americanos da época, autor de The Stars and Stripes Forever, considerada a "marcha oficial dos Estados Unidos" (Nota do Guil: e que eu aposto que você conhece, mesmo sem saber que é esse o nome, procure só pra ver), e de The Liberty Bell, tema de abertura do programa The Monty Python Flying Circus, que conversaria pessoalmente com o Presidente dos Estados Unidos na época, Herbert Hoover, sobre o assunto. Graças à pressão popular causada pelo cartum de Ripley, seria criada uma lei oficializando The Star-Spangled Banner como Hino Nacional dos Estados Unidos, sancionada por Hoover em 3 de março de 1931 - mais de 150 anos após a independência do país.

Além de publicar fatos coletados pelo próprio Ripley em suas viagens e pesquisas, o Ripley's Believe It or Not! aceitava contribuições dos leitores, que eram checadas (pessoalmente, quando possível) por Pearlroth, a maioria falando sobre vegetais de formas estranhas que nasceram em alguma cidade do interior do país. Dentre as selecionadas para a publicação estava a de um certo Charles M. Schulz, que alegava que seu cachorro Spike comia, regularmente, parafusos, alfinetes, tachinhas, pregos e lâminas de barbear. Schultz era ele mesmo um cartunista, e enviaria a carta no formato de um cartum; anos mais tarde, ele usaria Spike como inspiração para sua criação mais famosa: o cachorro Snoopy (que, até onde eu saiba, não tem o hábito de comer objetos pontiagudos).

No auge da popularidade, na década de 1930, a estimativa era de que o Ripley's Believe It or Not! tinha 80 milhões de leitores ao redor do planeta; somente no mês de maio de 1932, Ripley receberia mais de dois milhões de cartas dos leitores, o que levaria o mundo jornalístico a cunhar o jargão de que "Ripley recebe mais cartas que o Presidente dos Estados Unidos". Como sempre acontece nesses casos, surgiriam também as imitações, como a Strange as It Seems, tira de jornal criada por John Hix em 1928 e, assim como o Ripley's Believe It or Not!, publicada em vários jornais dos Estados Unidos em esquema de syndication; o Our Own Oddities, criado por Ralph Graczak em 1940 e publicado aos domingos no jornal The St. Louis Post-Dispatch; e o It Happened in Canada, criado por Gordon Johnston em 1967 e publicado em esquema de syndication no Canadá - e que tratava somente de fatos relacionados ao Canadá, e não internacionais como os demais.

No início da década de 1930, Ripley decidiria levar seu Believe It or Not para além dos jornais, e assinaria um contrato com a Mutual Broadcasting System para criar um programa de rádio, transmitido para os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia, e que ganharia versões em outros idiomas em vários países da Europa e Ásia. O programa era gravado e depois inserido em meio à programação das rádios, em blocos que variavam de 15 a 30 minutos, sempre com Ripley comentando fatos curiosos. Hearst decidiria financiar suas viagens pelo mundo, para que ele encontrasse cada vez mais assunto, e, em 1932, ele faria sua primeira viagem ao Extremo Oriente. Ripley não pararia de gravar o programa durante essas viagens, e se tornaria o primeiro radialista dos Estados Unidos a gravar de dentro de um avião, de dentro de uma caverna, do meio de uma floresta, do alto de uma montanha, e de outros lugares exóticos - inclusive do fundo do mar. Alguns programas também seriam transmitidos ao vivo, o que faria com que Ripley fosse o primeiro radialista do mundo a transmitir um programa do meio do oceano, e o primeiro dos Estados Unidos a transmitir ao vivo para o país estando fora dele - prática que ele adotaria diversas vezes, sendo que, na primeira, ele estava em Buenos Aires, Argentina.

Em 1933, Ripley gravaria uma série de 24 curta-metragens de seu Believe It or Not para a Warner Bros, que seriam exibidos nos cinemas, antes das produções do estúdio. No mesmo ano, ele abriria seu primeiro Odditorium (um trocadilho com as palavras odd, "excêntrico", e auditorium, "auditório", que se pronuncia justamente "oditórium"), uma espécie de museu de fatos curiosos e objetos bizarros, na cidade de Chicago. O Odditorium seria um sucesso, e logo abriria filiais em San Diego, Dallas, Cleveland, San Francisco e Nova Iorque. Hoje, já existem 32 Odditoriums espalhados pela América do Norte, Ásia, Europa e Austrália.

Em 1934, Ripley se tornaria o primeiro radialista a transmitir ao vivo simultaneamente para o mundo inteiro - dizem que todas as nações que tinham rádio receberam o programa ao mesmo tempo, embora eu creia que seja difícil verificar essa informação - com a ajuda de 28 tradutores simultâneos, que traduziram ao vivo seu programa enquanto ele o transmitia. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele se envolveria com organizações de caridade, doando grandes quantias em dinheiro e ajudando a organizar seus eventos. Durante a Guerra, com a dificuldade de se encontrar novos fatos curiosos, o programa do rádio lentamente mudaria de formato, passando a contar com entrevistados ao vivo e com números de comédia.

Em 1948, no aniversário de 25 anos do Ripley's Believe It or Not!, Ripley já havia visitado quase 200 países, sido votado o homem mais popular da América pelo jornal The New York Times, e possuía uma fortuna considerável, que incluía uma mansão de 28 quartos em Nova Iorque, uma quase do mesmo tamanho em West Palm Beach, Flórida, e um apartamento de cobertura gigantesco em Manhattan. Com tudo isso, ele tomaria uma decisão que seria considerada arriscadíssima: acabar com o programa de rádio e começar a gravar um programa para a televisão - aparelho que, na época, estava presente em apenas uma minúscula parcela dos lares norte-americanos, ao contrário do onipresente rádio.

O produtor do programa de TV seria Doug Storer, produtor do programa de rádio que se tornaria amigo pessoal de Ripley, e que, após sua morte, se tornaria presidente do Ripley's Believe It or Not Group (que abreviaremos para Grupo Ripley), responsável por cuidar da série dos jornais e de tudo o que fosse relacionado a ela. Exibido pela NBC, o programa de TV seria bem próximo do original do rádio, trazendo apenas fatos curiosos, com a apresentação e ilustrações do próprio Ripley e cenas gravadas ao redor do planeta. Infelizmente, Ripley só conseguiria gravar 13 episódios de um total de 35 planejados antes de sofrer um infarto fulminante e falecer - diz a lenda que ele morreu durante as gravações do 13o episódio, mas, na verdade, ele se sentiu mal, foi para casa sem concluí-las, e morreu em casa.

Após a morte de Ripley, o programa continuaria com apresentadores convidados, incluindo Storer. Seu sucesso garantiria uma segunda temporada, na qual a NBC usaria um apresentador fixo, o ator Robert St. John. A segunda temporada, porém, não faria nem a metade do sucesso da primeira, e a série acabaria cancelada após duas temporadas de 35 episódios cada, o primeiro exibido em 1o de março de 1949, o último em 5 de outubro de 1950.

A versão para jornal do Ripley's Believe It or Not! continuaria sendo publicada após a morte de Ripley, com os fatos curiosos sendo encontrados e verificados por Pearlroth, e os cartuns desenhados pelos irmãos Frehm. Somente em 1989, com a falta de interesse do público, é que a série seria cancelada, após 66 anos de publicação contínua.

No início da década de 1980, entretanto, ninguém diria que essa crise se avizinhava; pelo contrário, após anos de sucesso moderado, o Ripley's Believe It or Not! teria um surto de popularidade, com os jornais voltando a receber várias cartas com comentários e curiosidades. O canal de televisão ABC decidiria se aproveitar desse surto e fazer um contrato com o Grupo Ripley, tratando da produção de uma nova série para a TV. Para testar as águas, o canal produziria uma espécie de piloto, um programa especial de uma hora de duração escrito e dirigido por Ronald Lyon, do Grupo Ripley, no qual o ator Jack Palance, famoso por ter atuado em faroestes nas décadas de 1950 e 1960 (incluindo o clássico Os Brutos Também Amam), viajava o mundo apresentando histórias que originalmente fizeram parte da série de jornal Ripley's Believe It or Not!, como a de um homem que viveu a maior parte da vida com uma barra de metal alojada na cabeça, e a de que a lenda do Conde Drácula teria sido inspirada na vida da Condessa Elizabeth Báthory, que viveu na Hungria no século XV. No final, o programa ainda adicionaria uma nova curiosidade, falando sobre as mais recentes novidades no estudo do biofeedback. A abertura contaria com desenhos do próprio Ripley, e música do famoso compositor Henry Mancini (criador, dentre outros, do tema de A Pantera Cor de Rosa). Exibido em 3 de maio de 1981, o programa faria grande sucesso, abrindo caminho para a produção da nova série.

A segunda série para a TV de Ripley's Believe It or Not! estrearia na ABC em 26 de setembro de 1982, com uma temporada de 20 episódios de 45 minutos cada. A abertura seria a mesma do especial, mas o programa contaria com dois apresentadores, Jack Palance e a atriz canadense Catherine Shirriff. Cada episódio trazia por volta de dez curiosidades, a maioria já apresentada na série de jornal, mas agora mostrada de forma mais elaborada, com reconstituições feitas por atores, imagens atuais dos locais onde ocorreram, imagens de arquivo e reproduções; algumas das curiosidades eram novas, pesquisadas pela equipe do programa. Antes de cada intervalo comercial, um cartum desenhado por Ripley era apresentado, com a história relacionada a ele sendo narrada em off. Ao fim de cada curiosidade, Palance ou Shirriff falavam a frase que ficaria associada para sempre ao programa: "acredite... se quiser!" ("believe it... or not!" no original).

Ripley's Believe It or Not! teria uma das maiores audiências da ABC em 1982/83, e ganharia uma segunda temporada, de 23 episódios, que estrearia em 25 de setembro de 1983. A fórmula seria a mesma, mas Shirriff, que assumiria compromissos com o cinema (dentre eles as gravações de Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock, no qual interpretaria a klingon Valkris) seria substituída pela filha de Palance, a também atriz Holly Palance. Holly seria mantida para a terceira temporada, de 21 episódios, que estrearia em 23 de setembro de 1984.

A terceira temporada, infelizmente, já começaria com audiência menor que a segunda, e essa audiência seria decrescente a cada episódio. Alguns comentaristas de TV considerariam que o formato estava esgotado, mas a ABC decidiria dar mais uma chance ao programa, produzindo uma quarta temporada, que estrearia em 29 de setembro de 1985, na qual Holly seria substituída pela cantora country Marie Osmond. A previsão era de que a quarta temporada teria mais 20 episódios, mas, como a audiência só fazia cair, apenas 11 seriam gravados, com a série sendo cancelada após um total de 75 episódios (sem contar o piloto), o último deles exibido em 6 de fevereiro de 1986. Depois disso, o Ripley's Believe It or Not! enfrentaria a já citada crise de popularidade que levaria ao cancelamento de sua série dos jornais, bem como ao fechamento de vários Odditoriums ao redor do planeta.

Na década de 1990, a série apresentada por Palance seria reprisada pelo canal a cabo Sci-Fi, onde faria um certo sucesso. Esse sucesso motivaria o estúdio Cinar a fazer um acordo com o Grupo Ripley para a produção de uma série animada, que estrearia no canal a cabo Fox Family em 14 de julho de 1999, com 26 episódios. Voltada para crianças em idade escolar, a série animada tinha como protagonista Michael Ripley, um sobrinho fictício de Robert Ripley, que viajava pelo mundo em companhia de três crianças, sempre mostrando curiosidades aliadas a fatos históricos; cada episódio era temático, com todas as curiosidades e fatos sendo ligados a um único tema. A série animada não faria muito sucesso, e teria só essa temporada.

O sucesso das reprises da série dos anos 1980 no Sci-Fi também motivaria a ABC a encomendar um piloto para uma nova versão da série de TV em 1994. Era uma época de vacas magras para o Grupo Ripley, porém, e eles aproveitariam a ocasião para fazer uma espécie de leilão, oferecendo os direitos da série ao canal que fizesse a melhor proposta. O canal vencedor seria a TBS, que, em 1998, faria um lance pela produção de uma temporada de 22 episódios sem que fosse necessária a produção de um piloto. Essa temporada estrearia em 20 de janeiro de 2000, e teria apresentação de Dean Cain (que interpretava o Super-Homem na série Lois & Clark).

A terceira versão da série Ripley's Believe It or Not! traria uma abordagem mais sensacionalista, com maior foco nas partes aparentemente inexplicáveis das curiosidades. Diferentemente de Palance e suas co-apresentadoras, Cain não viajava pelo mundo, mas apresentava o programa de um grande galpão, com cada episódio começando com a reconstituição, nesse galpão, diante de uma plateia, de uma das curiosidades do dia. Cada episódio mais uma vez trazia por volta de dez curiosidades, com Cain atuando como narrador em off quando eram mostradas imagens externas. Cada programa também contava com um segmento Spot the Not, no qual eram apresentados três fatos para que os espectadores tentassem adivinhar qual dos três não era verdade.

Ao todo, a série teria quatro temporadas, com a segunda, de mais 22 episódios, estreando em 10 de janeiro de 2001; nela, o ator Gregory Jbara, irmão de Dan Jbara, o produtor da série, estrearia como narrador de alguns segmentos, dividindo a função com Cain, e um novo segmento, Ripley's Record, traria candidatos a quebrar algum recorde mundial reconhecido pelo Guinness Book diante da plateia do programa. A terceira temporada teria mais 22 episódios, estrearia em 9 de janeiro de 2002, e traria a participação da atriz Kelly Packard, que apresentaria um novo segmento no qual pessoas demonstrariam habilidades incomuns, viajando pelo país para encontrar candidatos e locais próprios para que eles se exibissem.

Assim como ocorreu com a segunda série, a audiência da terceira temporada seria bem mais baixa que a da segunda; para a quarta temporada, então, a TBS encomendaria apenas 11 episódios, com a possibilidade de encomendar mais 11 caso a audiência melhorasse. O primeiro episódio da quarta temporada iria ao ar em 8 de janeiro de 2003; em março, acreditando que a audiência daria sinais de melhora, a TBS encomendaria os episódios adicionais, mas mudaria de ideia e cancelaria a série após apenas três deles serem gravados. Assim, a quarta temporada teria um total de 14 episódios, o último sendo exibido em 20 de agosto de 2003.

Essa foi a última versão de um Ripley's Believe It or Not! produzida nos Estados Unidos; em 2004, a Paramount colocaria em pré-produção um filme sobre a vida de Robert Ripley, mas, até hoje, o projeto não saiu do papel. O Grupo Ripley ainda existe, e atualmente publica e republica suas curiosidades em um site, que conta com uma equipe para verificar se todas as alegações ali feitas são verdadeiras. Vários Odditoriums ainda estão abertos à visitação em todo o planeta, e, de vez em quando, também são lançados novos livros, alguns em formato ebook, a maioria deles com republicações da série de jornal, mas alguns trazendo material inédito. Aparentemente, o legado de Robert Ripley jamais morrerá. Acredite... se quiser!

Um comentário:

  1. show de bola essa matéria sobre Acredite Se Quiser. Eu lembro mais ou menos da série com Jack Palance. Não conhecia a história do Ripley, com certeza pode render uma boa cinebiografia.

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