segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Spawn

Eu já citei aqui várias vezes o boom dos quadrinhos dos anos 1990. Também já mencionei mais de uma vez que um dos principais responsáveis por esse boom foi a Image Comics, editora fundada por talentos egressos da Marvel e da DC, que queriam, basicamente, manter os direitos sobre os personagens que criassem. Talvez quem leia a história dos quadrinhos hoje não consiga ter uma dimensão do impacto que a Image teve sobre essa indústria - tão grande, aliás, que a publicação especializada Wizard colocou "o lançamento da Image Comics" na primeira posição de uma lista das coisas que mais chacoalharam o mundo dos quadrinhos entre 1991 e 2008, data na qual a lista foi publicada. Não é exagero nenhum dizer que a Image mudou a forma de se fazer quadrinhos - se foi para melhor ou para pior, fica a critério de cada um - e essa mudança toda seria capitaneada pelo primeiro personagem lançado pela editora: Spawn.

Criado por Todd McFarlane, que já havia trabalhado na DC, com Batman, e na Marvel, com Homem-Aranha, se tornando famoso por sua associação com esse último, Spawn era um personagem que dificilmente seria encontrado nas revistas da Marvel ou DC da época: um anti-herói de origem demoníaca, que luta para fazer o bem enquanto tenta escapar de um destino previamente traçado. Seu lançamento teve um efeito tão bombástico que até mesmo eu, que não era especialmente fã de McFarlane, nem costumo gostar de histórias que envolvem anjos e demônios, fiquei fascinado, e rapidamente incluí Spawn dentre meus personagens preferidos. Com o tempo, essa fascinação foi sumindo, e hoje eu até acho Spawn um personagem interessante, mas não acompanho suas histórias há quase vinte anos.

Ainda assim, fazendo o post sobre a Era dos Quadrinhos, e em seguida o sobre a Amalgam, me recordei da época em que a Image chacoalhou o mercado, e fiquei com vontade de escrever sobre Spawn. Como, em se tratando de assuntos para posts, eu não gosto de passar vontade, hoje é dia de Spawn no átomo!

Spawn, na verdade, é o ex-fuzileiro naval norte-americano Al Simmons. Ou quase. Vítima de uma cilada armada por Jason Wynn, diretor de uma agência governamental fictícia que equivale à CIA, NSA e NSC ao mesmo tempo, Simmons foi morto e acabou indo parar no inferno, por ter voluntariamente matado inocentes enquanto era fuzileiro. Lá, ele conheceu o demônio Malebólgia, que fez com ele um trato: sua alma em troca de poder retornar à Terra e rever sua esposa, Wanda. Como todo mundo sabe, nunca dá certo fazer um pacto com o diabo: Malebólgia realmente fez com que Simmons voltasse à vida, mas: (a) como uma criatura demoníaca de aparência hedionda e com poucas memórias de sua vida pregressa e (b) cinco anos depois de sua morte, tempo durante o qual Wanda se casou novamente, com o melhor amigo de Simmons, o empresário Terry Fitzgerald, e com ele teve uma filhinha, chamada Cyan.

Sem que Simmons soubesse, tudo isso já estava arranjado desde antes de sua morte, já que o motivo pelo qual Wynn decidiria enviá-lo para uma cilada seria um trato que ele fez com Malebólgia: um soldado altamente treinado e capaz de matar inocentes sem remorsos em troca de psicoplasma, substância sobrenatural que na Terra possui incríveis poderes, mas no inferno é inerte e existe em abundância. Desde o início, Malebólgia tramou fazer o pacto com Simmons para transformá-lo em um Spawn (palavra da língua inglesa que significa "cria" ou "rebento", e é normalmente usada na ficção para se referir a filhotes de monstros ou de seres sobrenaturais, como na expressão hellspawn, "cria do inferno"), uma criatura que age na Terra sob o seu comando, realizando missões de seu interesse - já que o próprio Malebólgia não pode se manifestar na Terra. Ao longo dos anos, incontáveis Spawns já obedeceram suas ordens, sendo Simmons o mais recente dessa lista.

Malebólgia não contava, porém, com a incrível força de vontade de Simmons, que decide usar seus poderes de Spawn para o bem - embora, mesmo assim, ele acabe atendendo aos interesses de Malebólgia, como quando Spawn matou um pedófilo, livrando a Terra de um criminoso, mas mandando mais uma alma fresquinha e poderosa para o exército do vilão no inferno. Para que Spawn não saia muito da linha, Malebólgia mandou outro demônio para a Terra, o Violador, que tem o poder de mudar de forma, embora em sua forma humana se pareça com um palhaço gordo e baixinho. Violento e depravado, o Violador se diverte atormentando Spawn, o que, ao invés de colocá-lo na linha, acaba aumentando sua vontade de desobedecer seu mestre.

Mesmo sendo um herói, Spawn ainda é visto como um servo de Malebólgia, o que faz com que ele tenha problemas com as forças do bem - como com as anjas caçadoras de demônios Angela e Tiffany; o Anti-Spawn, criatura que surge toda vez que um Spawn vem à Terra, e tem como única missão destruí-lo; ou Curse, fanático religioso que quer destruí-lo para garantir um lugar no céu. Como ele frequentemente interfere com os negócios de criminosos como o mafioso Tony Twist, Spawn também acaba sendo alvo de vários supervilões, como Chacina, ciborgue superforte e cheio de armas a serviço da máfia; e Capela, ex-parceiro de Simmons nos fuzileiros que agora atua como mercenário. A polícia também não vê o trabalho de Spawn com bons olhos, pois, para eles, ele está fazendo justiça com as próprias mãos, o que faz com que o caminho de Spawn frequentemente de cruze com o dos policiais Sam Burke e Twitch Williams. Felizmente, ele também tem aliados, como a bruxa adolescente Nyx e o mendigo Cogliostro, que sabe mais do que aparenta sobre Malebólgia e acaba se tornando um mentor de Spawn.

Os poderes de Spawn vêm de seu traje, que na verdade é um simbionte myrlu, uma criatura nativa do inferno, chamado Leetha, originário da Sétima Casa de K (ou K7-Leetha, para os íntimos). Os myrlu precisam de um hospedeiro para sobreviver, e, em troca permitem que ele comande suas ações, usando quando bem entender seus vastos poderes, que incluem força, velocidade, agilidade e resistência sobre-humanos, regeneração rápida, teleporte para locais próximos, e a habilidade de lançar rajadas de necroplasma pelas mãos. O poder do myrlu, entretanto, não é infinito, e se Spawn usá-lo demais, sem dar ao simbionte a possibilidade de se "recarregar", ambos morrerão. Todos os componentes do uniforme de Spawn, inclusive sua capa e suas correntes, são, na verdade, parte do simbionte, e, graças a isso, a capa e as correntes podem se mover como se fossem membros independentes, aprisionando inimigos ou protegendo Spawn de ataques. Após uma batalha contra o Anti-Spawn, o estresse faz com que novos poderes do myrlu se manifestem, mudando ligeiramente a aparência do uniforme de Spawn - a capa passa a ter um aspecto de rasgada, e as luvas e botas passam a contar com espinhos - e permitindo que a capa se transforme em diversos objetos para confundir seus inimigos. Assim como todas as criaturas demoníacas, Spawn também tem o poder de assumir forma humana, mas, graças a uma sacanagem de Malebólgia, ele não assume a forma de Simmons quando usa esse poder, muito pelo contrário - Simmons era negro, enquanto a forma humana de Spawn é a de um homem branco, louro e de olhos azuis.

Como já foi dito, Spawn foi o primeiro título lançado pela Image Comics, em maio de 1992. Na época, seu criador, Todd McFarlane, era um dos mais populares desenhistas de quadrinhos, graças ao período no qual trabalhou para a Marvel na revista do Homem-Aranha. Insatisfeito com a forma como foi tratado por DC e Marvel, achando que os personagens que criava deveriam ser de sua propriedade, e não da editora, e que ele merecia, além de seu salário mensal, um percentual sobre as vendas das revistas pelas quais era responsável, McFarlane decidiria se demitir e fundar a Todd McFarlane Productions, que, mais tarde, se tornaria um dos "selos" da Image. Graças à popularidade de McFarlane, o primeiro número de Spawn seria uma das revistas mais vendidas da história dos quadrinhos, com 1,7 milhão de exemplares. As boas vendas se manteriam durante cerca de quinze anos, com a queda nos números só começando a se acentuar a partir de 2008; ainda assim, Spawn ainda é uma das revistas mais vendidas da Image, além de uma das mais longevas, já que é uma das duas únicas - a outra sendo The Savage Dragon - a ter sido publicada ininterruptamente desde a fundação da editora até os dias de hoje.

Mas o sucesso de Spawn não advém apenas da popularidade de McFarlane. Talvez surpreendentemente - já que algumas histórias do Homem-Aranha das quais ele foi roteirista, como Tormenta, tinham roteiros, digamos, abaixo da média - Spawn conseguiu trazer roteiros inovadores e bem produzidos, em uma época na qual essa história de guerra entre o céu e o inferno e demônios que resolvem ser bonzinhos estava em seu início, e não tão saturada como de uns tempos pra cá. As primeiras edições de Spawn também contariam com roteiristas convidados da mais alta estirpe, como Dave Sim, Alan Moore, Frank Miller e Neil Gaiman - o que acabou causando um baita problema jurídico para McFarlane, já que foi Gaiman quem criou, na Spawn 9, da qual foi roteirista, três personagens importantíssimos: a anja caçadora Angela, o antecessor de Simmons como Spawn (apelidado de Spawn Medieval, já que atuou durante a Idade Média) e o misterioso Cogliostro.

Dada a importância desses personagens para a mitologia de Spawn, McFarlane continuou usando-os muitas e muitas vezes nas edições seguintes. Ao contrário do que pregava, porém, ele não considerou Gaiman como seu "dono", alegando que ele havia sido um "roteirista contratado", e que, portanto, os personagens que ele criou pertenciam à Todd McFarlane Productions. Gaiman recorreu à justiça e, enquanto não havia uma decisão final sobre o caso, McFarlane se viu proibido por ordem judicial de usar os três personagens. Ele acabaria, então, criando outros três, a anjas caçadoras Tiffany e Domina, e o "Spawn da Idade das Trevas", além de mudar a aparência de Cogliostro e passar a chamá-lo apenas de Cog. Quando saísse a sentença final, McFarlane se veria não somente proibido de usar Angela, Spawn Medieval e "Cog", mas também Tiffany, Domina e o Spawn da Idade das Trevas, considerados pela justiça como plágio dos personagens de Gaiman, além de ter de pagar ao roteirista uma gorda indenização, e passar a ele a propriedade dos três personagens que ele criou. Gaiman acabaria vendendo Angela à Marvel, e ela seria incorporada ao Universo Marvel não como uma anja caçadora de demônios, e sim como uma irmã há muito desaparecida de Thor.

McFarlane seria o roteirista de Spawn até a edição 70, de fevereiro de 1998, exceto pelas edições de 8 a 11, que foram as já citadas com roteiristas convidados (Moore, Gaiman, Sim e Miller, nessa ordem), e nas de 16 a 18, que tiveram roteiro de Grant Morrison. McFarlane também seria o desenhista até a edição 25, sendo substituído a partir da 26 por Greg Capullo. Depois de sua saída, as histórias passariam a ser escritas por roteiristas como Andrew Grossberg, Tom Orzechowski, Brian Holguin e David Hine, e, após a saída de Capullo, a arte ficaria a cargo de Whilce Portacio, Angel Medina, Philip Tan e Szymon Kudranski; ainda assim, McFarlane sempre esteve presente como uma espécie de "consultor", tanto no tocante aos roteiros quanto à arte. Eventualmente, McFarlane atuaria como roteirista em algumas edições intermitentes, mas usando um pseudônimo, para parecer que um novo talento havia se unido à equipe da revista, e, em 2008, quando as vendas começaram a cair, ele aceitaria retornar como roteirista e desenhista por algumas edições, para tentar alavancá-las.

Ao longo desses anos de aventuras, Spawn derrotaria Malebólgia, encontraria um novo arqui-inimigo no demônio Mammon, voltaria a ser humano, perderia a memória, ficaria preso na Terra, faria contato com seres de outra dimensão, impediria a ressurreição do deus Urizen, e até mesmo morreria: entre as edições 186, de novembro de 2008, e 250, de fevereiro de 2015, os poderes de Spawn não pertenceram a Al Simmons, e sim a Jim Downing, homem sem memória a quem o simbionte se uniu após a morte de Simmons, e que decidiu investigá-la. O retorno de Simmons foi um grande evento, com direito a uma edição de quase cem páginas, para comemorar o fato de Spawn ter chegado às 250 edições - na primeira vez em que uma revista de super-heróis que não fosse publicada nem pela DC, nem pela Marvel alcançou tal marca.

Além de em sua revista mensal, Spawn também protagonizaria quatro spin-offs: Spawn: Blood Feud, minissérie em quatro edições lançadas entre junho e setembro de 1995, escrita por Alan Moore com arte de Tony Daniel, na qual Spawn enfrenta um vampiro chamado Sansker; Curse of the Spawn, com 29 edições lançadas entre setembro de 1996 e março de 1999, que buscava expandir o universo de Spawn com histórias sem relação com o arco que estava sendo contado na revista regular, e que contou com um especial chamado Spawn: Blood and Salvation, lançado em dezembro de 1999 para concluir a história da última edição; Spawn: The Undead, série com nove edições lançadas entre junho de 1999 e fevereiro de 2000, escrita por Paul Jenkins, cada edição com uma história completa e sem relação com a revista mensal, lançada após o sucesso da edição especial Spawn: Blood and Shadows, com uma história completa também escrita por Jenkins, lançada em fevereiro de 1999; e Hellspawn, que teve 16 edições lançadas entre agosto de 2000 e abril de 2003, com histórias mais adultas e sombrias que a série mensal.

Os antecessores de Simmons também foram astros das minisséries Spawn the Impaler, escrita por Mike Grell com arte de Rob Pryor, com três edições lançadas entre outubro e dezembro de 1996, que sugere que Vlad Tepes, o homem que inspirou a criação do Conde Drácula, era um Spawn; Medieval Spawn / Witchblade, minissérie em três edições lançadas entre maio e julho de 1996, com roteiro de Garth Ennis e arte de Marc Silvestri e Brandon Peterson, na qual o Spawn Medieval e Katarina, a detentora da luva Witchblade na Idade Média, se unem para derrotar Lord Cardinale, detentor do poder do Darkness na mesma época; e a série Spawn: the Dark Ages, estrelada pelo Spawn da Idade das Trevas, que contou com 28 edições lançadas entre março de 1999 e outubro de 2001.

Os personagens coadjuvantes também ganhariam títulos próprios, como Angela, minissérie em três edições lançadas entre dezembro de 1994 e fevereiro de 1995, com roteiro de Neil Gaiman e arte de Greg Capullo, que mostra o julgamento de Angela por ter falhado em destruir Spawn, e foi seguida por uma edição especial chamada simplesmente Angela, lançada em junho de 1995, com roteiro de Beau Smith e arte de C. Bradford Gorby, na qual Angela caça um Spawn na época dos piratas; Sam & Twitch, série regular estrelada pelos policiais que investigavam os casos relacionados a Spawn, com 26 edições lançadas entre agosto de 1999 e fevereiro de 2003, seguida de Case Files: Sam & Twitch, com 25 edições lançadas entre maio de 2003 e julho de 2006; e Violator, minissérie em três edições lançadas entre maio e julho de 1994, centrada no Violador e em Tony Twist, com roteiro de Alan Moore e arte de Greg Capullo.

O Violador também apareceria na minissérie Violator vs. Badrock, com quatro edições lançadas entre maio e agosto de 1995 com roteiro de Alan Moore a arte de Rob Liefeld (uma dupla extremamente improvável, na minha opinião), na qual ele enfrenta um dos heróis criados por Liefeld para seu selo da Image, o Extreme Studios; Angela também se encontraria com uma criação de Liefeld em Angela / Glory, minissérie em duas edições, a primeira de março de 1996, com roteiro de Robert Place Napton e arte de Roger Cruz, e a segunda (chamada Glory / Angela), de abril de 1996, tendo roteiro de Liefeld, Jim Valentino e Randy Queen, e arte de Andy Park e Pat Lee. E Alan Moore também seria o roteirista de Spawn / Wild C.A.T.S., minissérie em quatro edições com arte de Scott Clark lançadas entre janeiro e abril de 1996, na qual Spawn se une ao grupo criado por Jim Lee para evitar um futuro no qual ele se torna maligno e ditador do planeta Terra.

Mas o mais importante crossover envolvendo um personagem da série de Spawn foi Spawn / Batman, único entre um personagem da série de Spawn e um de outra editora que não fosse a Image. Lançada em maio de 1994, com roteiro de Frank Miller e arte de McFarlane, esse especial coloca os dois heróis trabalhando juntos para encontrar um assassino serial em Nova Iorque. Como sempre acontece nesses casos, como um crossover foi lançado pela Image, outro deveria ser lançado pela DC: Batamn / Spawn, de dezembro de 1994, com roteiro de Alan Grant, Chuck Dixon e Doug Moench e arte de Klaus Janson, no qual Spawn vai até Gotham investigar a ressurreição de um homem que ele matou enquanto ainda era Simmons. Durante anos, os fãs pediram por um crossover de Spawn e Homem-Aranha desenhado por McFarlane, mas Image e Marvel jamais conseguiram chegar a um acordo para publicá-lo.

Além dos quadrinhos, Spawn protagonizou um desenho animado produzido pela HBO, chamado Todd McFarlane's Spawn, que teve três temporadas de seis episódios cada, exibidas entre maio de 1997 e maio de 1999, com a primeira sendo bastante fiel aos quadrinhos. O desenho, que contava com McFarlane em pessoa falando sobre Spawn na abertura, foi bastante elogiado, e chegou a ganhar dois Emmys de Melhor Programa de Animação, em 1997 e 1999. O desenho traz Keith David (de O Enigma de Outro Mundo e Platoon) como Spawn, e Jennifer Jason Leigh (de Mulher Solteira Procura e Os Oito Odiados) como a vampira Lilly.

Spawn também teve seu próprio filme para o cinema, lançado nos Estados Unidos em 1o de agosto de 1997, dirigido por Mark A.Z. Dippé e contando com o praticamente desconhecido Michael Jai White no papel de Spawn, John Leguizamo (de Para Wong Foo, Obrigado por Tudo) como Violador, Martin Sheen (de Apocalypse Now) como Jason Wynn, e o famoso dublador Frank Welker como a voz de Malebólgia. A origem de Spawn é quase a mesma dos quadrinhos, mas Wynn não possui qualquer pacto com Malebólgia e é o chefe de Simmons, mandando-matá-lo porque ele está próximo de descobrir um esquema ilegal de venda de armas que comanda. Ao retornar para a Terra, Spawn decide se vingar de Wynn, que, para impedi-lo, ameaça matar Wanda (Theresa Randle).

Apesar de trazer efeitos especiais de última geração para a época, o filme tinha sérios problemas de roteiro, como diálogos fracos e situações bizarras - Malebólgia transforma Simmons em Spawn para que ele lidere seu exército em uma invasão à Terra, mas, sem qualquer explicação, ele decide agir por conta própria, e ainda ouve do demônio "você nunca vai liderar meu exército se continuar assim", como se fosse isso que Simmons quisesse. As críticas ao filme foram bastante negativas, com o foco sendo principalmente no excesso de violência - que, aliás, poderia ter sido bem pior, já que o corte original do filme foi classificado como R (menores de 17 anos só podem assistir ao filme acompanhados pelos pais), o que levou a New Line Cinema, responsável por sua produção, a reeditá-lo para que ele fosse reclassificado como PG-13 (liberado para todas as idades, mas desaconselhado para menores de 13 anos). Apesar de uma bilheteria razoável - custou 40 milhões, rendeu 87 nos EUA - o filme também foi considerado um fracasso de público.

Durante anos, McFarlane pensou em fazer uma sequência para o filme, que incluísse os detetives Sam e Twitch. Em 2007, ele abandonaria essa ideia, passando a tentar conseguir a luz verde de algum estúdio para um novo filme, que atuaria como reboot, ignorando os eventos do de 1997. Em 2009, ele anunciaria que estava disposto a fazer um filme de classificação R, para que Spawn ficasse mais fiel aos quadrinhos. Em 2013, ele declararia que o filme teria orçamento baixo, sem uma grande quantidade de efeitos especiais, mais focado na história que um filme de super-heróis tradicional. Em 2016, ele anunciaria que estava com o roteiro pronto, escrito por ele mesmo, e que esperava poder começar a produção em breve. As últimas notícias dão conta de que o filme será produzido pela Blumhouse Productions, e que McFarlane, além de roteirista, também atuará como diretor e produtor. White e Jamie Foxx já expressaram sua vontade de interpretar Spawn, mas, até agora, ninguém do elenco foi oficialmente anunciado.

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