segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Glee

Na época em que Glee estava no ar, eu li em algum lugar que existem dois tipos de pessoas, as que gostam de musicais e as que não gostam, e que pouco podia ser feito para que as que não gostam passassem a gostar. Eu não sei o que foi feito para que eu passasse, porque, até bem próximo dos meus trinta anos, eu detestava musicais, principalmente por achar super ridículas aquelas cenas nas quais todo mundo começa a cantar e dançar de repente como se isso fosse a coisa mais normal do mundo, com apenas duas exceções: A Pequena Loja dos Horrores e The Rocky Horror Picture Show. Em dado momento, porém, talvez com a maturidade, passei a vê-los com outros olhos, resolvi assistir novamente Grease e Amor Sublime Amor, e até passei a gostar. Assim, quando li que iria estrear uma série musical ambientada em uma escola que contava com um coral composto por alunos párias da sociedade, resolvi assistir. Acompanhei Glee na TV do primeiro ao último capítulo, adorei algumas das músicas, não gostei tanto assim de algumas outras, e hoje posso dizer que é uma das minhas séries preferidas. E, agora que ela já terminou há algum tempo, acho que cabe fazer um post. Por isso, hoje é dia de Glee no átomo.


Glee foi uma criação de Ian Brennan, que fez parte do coral da escola quando estudante, e inicialmente escreveu o roteiro não para uma série, mas para um filme, em 2005. Durante anos, ele tentaria oferecer esse roteiro a vários estúdios, sempre sem sucesso, até que, através de um amigo, o roteiro chegaria às mãos de Ryan Murphy, co-produtor da série Nip/Tuck para o canal Fox. Murphy também havia feito parte do coral de sua escola, e estava procurando uma nova série que não envolvesse tiros, ficção científica ou tribunais - que, segundo ele, haviam dominado a televisão. Ele chamaria Brennan e Brad Falchuk, seu colega na produção de Nip/Tuck, e sugeriria que o roteiro fosse alterado para que Glee se tornasse uma série. Os três trabalhariam no roteiro do piloto e o ofereceriam à Fox, que daria a luz verde apenas quinze horas após recebê-lo - em parte devido ao grande sucesso de American Idol, que levou a Fox a acreditar que uma série estrelada por jovens cantores poderia seguir o mesmo caminho. Brennan, Murphy e Falchuk escreveriam, então, todos os episódios da primeira temporada, com Murphy e Falchuk atuando como produtores, e Brennan como produtor executivo.

Murphy também seria o responsável por selecionar todas as canções que apareceriam nos episódios, o que fazia tentando equilibrar sucessos pop e clássicos da Broadway. Ele se mostraria surpreso com a facilidade com a qual os compositores autorizavam o uso de suas canções, muitos deles, inclusive, permitindo que elas fossem usadas de graça, sem pagamento de direitos autorais - dentre as exceções estavam Bryan Adams, Guns N' Roses e Coldplay, que negaram a autorização, embora o Coldplay, após a segunda temporada, tenha voltado atrás, procurado Murphy e autorizado o uso de suas músicas. Todas as músicas presentes nos episódios seriam lançadas em formato digital e em CD pela Columbia Records, e seriam grandes sucessos de vendas.

Na hora de escolher o elenco, os produtores dariam preferência a atores com experiência em musicais de teatro, especialmente da Broadway - Murphy passaria três meses assistindo a espetáculos da Broadway para selecionar os melhores atores, que então convidaria para fazer testes. Aqueles que não foram selecionados dessa forma se inscreveram para os testes devendo apresentar um vídeo no qual cantavam e dançavam - à exceção de Jane Lynch, que originalmente não cantaria em nenhum episódio e teria apenas um papel recorrente, sendo promovida ao elenco principal depois que outro seriado do qual ela participaria foi cancelado. Todos os atores assinaram contrato não somente para a primeira temporada, mas também para três filmes, dos quais apenas um foi efetivamente realizado.

A primeira temporada de Glee estrearia em 19 de maio de 2009, e contaria com 22 episódios. Nela, Will Schuester (Matthew Morrison, um dos selecionados na Broadway), ex-aluno e professor de espanhol do Colégio William McKinley, localizado na pequena cidade de Lima, Ohio, no meio-oeste dos Estados Unidos, ao saber que a posição para instrutor do clube do coral (glee club, em inglês) do colégio estava vaga, decide se candidatar. Na época em que Schuester era aluno, o coral do McKinley, do qual ele fazia parte, era respeitado e vitorioso, tendo chegado às finais nacionais em mais de uma ocasião, mas já há alguns anos estava desacreditado, com poucos membros, e só servia para ser esculachado pelos alunos mais populares, como os que faziam parte dos times esportivos. Visando reviver aqueles que foram os melhores dias de sua vida, Schuester reformula totalmente o coral, e abre inscrições para novos membros.

Devido à má-fama do coral, porém, apenas alunos párias se candidatam, e, após uma série de testes, Schuester seleciona os melhores: Kurt Hummel (Chris Colfer), homossexual assumido que sofre bullying de praticamente todos os colegas do colégio; Artie Abrams (Kevin McHale, ex-integrante da boy band Not Like Them), cadeirante que sonha ser diretor de cinema e sofre por, em sua concepção, não poder levar uma vida normal como seus colegas; Tina Cohen-Chang (Jenna Ushkowitz, também selecionada na Broadway), de ascendência asiática, discriminada por ser tímida e gaga; Mercedes Jones (Amber Riley), aparentemente confiante e segura de si, mas que internamente sofre com a discriminação das colegas por ser negra e gordinha; e a cereja do bolo, Rachel Berry (Lea Michele, outra selecionada na Broadway), dona de uma voz sem igual e de uma auto-estima aparentemente sem limites, mas que sofre bullying por ser baixinha, judia e ser filha de dois pais homossexuais.

Para completar a equipe, porém, Schuester precisa de doze integrantes - mínimo para que o coral possa se inscrever em competições oficiais - incluindo um cantor principal masculino. Ao descobrir que o quarterback da equipe de futebol americano do colégio, Finn Hudson (Cory Monteith) canta bem, mas não está interessado em fazer parte do clube por medo de perder sua popularidade, ele o chantageia, fingindo ter encontrado em suas coisas maconha que, na verdade, pertencia ao instrutor anterior do clube, Sandy Ryerson (Stephen Tobolowsky), e alegando que irá mostrá-la ao treinador do time, Ken Tanaka (Patrick Gallagher), se Finn não se unir à equipe. Mesmo começando somente porque foi chantageado, Finn acaba não somente adorando fazer parte do clube como também leva para lá três outros membros, seus colegas no time de futebol americano Noah "Puck" Puckermann (Mark Salling), bad boy que não leva nada a sério nem obedece ninguém, e decide se unir ao grupo para "tomar conta" de Finn; Mike Chang (Harry Shum, Jr.) também de ascendência asiática, cujo sonho é ser dançarino profissional; e Matt Rutherford (Dijon Talton), que também adora dançar, mas tinha medo de se inscrever no coral e perder sua popularidade, decidindo, entretanto, seguir o exemplo de Finn.

Os três últimos membros de que Schuester precisava viriam por obra da treinadora das líderes de torcida, Sue Sylvester (Jane Lynch), mulher arrogante, egoísta, que adora atormentar Schuester e tem como maior orgulho na vida o fato de ser campeã do concurso de líderes de torcida há oito anos seguidos. Sue vê o novo clube do coral como uma ameaça, já que, se ele for bem sucedido, recursos da escola serão transferidos das líderes de torcida para o coral, e ordena que suas três principais líderes de torcida - Quinn Fabray (Dianna Agron), namorada de Finn que desconfia que ele possa querer largá-la para ficar com Rachel; Santana Lopez (Naya Rivera), latina namoradeira e que adora fazer bullying com os demais membros do clube; e Brittany Pierce (Heather Morris), excelente dançarina, mas um tanto prejudicada intelectualmente - se inscrevam no clube para sabotá-lo.

Além de treinar o coral, o qual batiza com o nome de Novas Direções, Schuester tem de lidar com a pressão de sua esposa, Terri (Jessalyn Gilsig), que é contra esse seu novo projeto, e com o fato de que se descobre apaixonado pela orientadora pedagógica da escola, Emma Pillsbury (Jayma Mays), que tem um severo caso de Transtorno Obsessivo Compulsivo relacionado a limpeza - e que também é o interesse romântico de Tanaka, que vê em Schuester um rival. Os personagens recorrentes da primeira temporada incluem o diretor da escola, Figgins (Iqbal Theba); Becky Jackson (Lauren Potter), aluna com Síndrome de Down que logo se torna ajudante de Sue; Jacob Ben Israel (Josh Sussman), responsável pelo jornal da escola, no qual publica muitas fofocas sobre os membros do Novas Direções; April Rhodes (Kristin Chenoweth), colega de Schuester na época em que ele era aluno e fazia parte do coral, e a quem ele procura para uma ajuda; a mãe de Finn, Carole (Romy Rosemont); e o pai de Kurt, Burt (Mike O'Malley), dono de uma oficina mecânica. Ao longo da temporada também participam a mãe biológica de Rachel, Shelby Corcoran (Idina Menzel), que canta tão bem quanto a filha; e Jesse St. James (Jonathan Groff), cantor principal do Adrenalina Vocal, principal coral rival do Novas Direções, e que tem um breve romance com Rachel.

A primeira temporada de Glee fez um enorme sucesso, com alguns episódios chegando a registrar quase 14 milhões de espectadores; teve quatro indicações ao Globo de Ouro, ganhando o de Melhor Série de TV Musical ou Comédia; e um total de 11 indicações ao Emmy, das quais venceu três - Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia para Jane Lynch, Melhor Ator Convidado em Série de Comédia para Neil Patrick Harris (que interpretou um outro colega de Schuester da época em que ele era aluno e fazia parte do coral em um dos episódios) e Melhor Diretor em Série de Comédia para Murphy. Evidentemente, com esse sucesso todo, foi garantida uma segunda temporada, na qual, novamente, todos os roteiros foram escritos por Brennan, Murphy e Falchuk.

A segunda temporada estrearia em 21 de setembro de 2010, com mais 22 episódios. Matt deixaria o coral e seria substituído por Sam Evans (Chord Overstreet), aluno recém-transferido ao McKinley, que se torna rival de Finn como candidato a principal voz masculina e a quarterback do time de futebol. Tanaka teria um colapso nervoso, e seria substituído como técnico do time por Shannon Beiste (Dot-Marie Jones), mulher que sofre com o preconceito de seus pares, que a consideram masculinizada. Após sofrer um bullying violento de parte de outro aluno, Dave Karofsky (Max Adler), Kurt decide trocar de escola, se matriculando na Academia Dalton e passando a fazer parte dos Warblers, o coral de lá, onde conhece Blaine Anderson (Darren Criss), rapaz sofisticado e bem-humorado que logo se torna seu namorado; para o lugar de Kurt no coral é escalada Lauren Zizes (Ashley Fink), garota gorducha que faz parte do time de luta livre do McKinley, por quem Puck se apaixona. Outros personagens da segunda temporada incluem a professora substituta Holly Holliday (Gwyneth Paltrow), que tem um breve romance com Schuester e se torna sua co-instrutora no Novas Direções; o dentista Carl Howell (John Stamos), que tem um breve romance com Emma; e a filipina Sunshine Corazón (Charice Pempengco), que chega a tentar uma vaga no Novas Direções, mas, após ser impedida por Rachel, que vê nela uma potencial rival, se torna a nova estrela do Adrenalina Vocal, que também tem um novo instrutor, Dustin Goolsby (Cheyenne Jackson).

Ao longo da primeira e segunda temporadas, o elenco fixo da série também sairia em uma turnê, realizada entre 10 de maio de 2010 e 3 de julho de 2011, com um total de 44 shows, sendo 31 na América do Norte e 13 na Europa. Chamada Glee Live! In Concert!, essa turnê apresentava os maiores sucessos interpretados na série, e renderia mais de 40 milhões de dólares em ingressos.

A segunda temporada teria seis indicações ao Emmy - só ganhando uma, para Gwyneth Paltrow como Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia - e cinco ao Globo de Ouro, das quais ganhou três: Melhor Série de TV Musical ou Comédia, Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para a TV (Chris Colfer) e Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para a TV (Jane Lynch). Na primeira metade, a audiência seria ainda melhor que a da primeira temporada - com o episódio A Queda de Sue Sylvester registrando mais de 26 milhões de espectadores - mas, da metade em diante, os números começariam a cair, talvez pelo fato de a série já não ser mais novidade.

Ainda assim, a Fox garantiria uma terceira temporada, de mais 22 episódios, que estrearia em 20 de setembro de 2011. Pela primeira vez, a série teria episódios que não fossem escritos por Brennan, Murphy ou Falchuk, com uma equipe de roteiristas composta por Ali Adler, Roberto Aguirre-Sacasa, Marti Noxon, Michael Hitchcock, Matt Hodgson e Ross Maxwell sendo contratada pelo novo produtor executivo, Dante di Loreto, para injetar sangue novo na trama.

Antes da terceira temporada, em 12 de agosto de 2011, estrearia nos cinemas o único dos filmes realizados com o elenco da série, Glee: The 3D Concert Movie. Dirigido por Kevin Tancharoen, o filme é pouco mais do que o registro de um dos shows da turnê Glee Live! In Concert!, realizado em East Rutherford, Nova Jérsei, com a adição de cenas de bastidores e depoimentos de adolescentes fãs da série que tiveram suas vidas tocadas por suas histórias.

Na terceira temporada, Kurt retorna ao McKinley, trazendo Blaine com ele, e ambos passam a fazer parte do Novas Direções - com Sam e Lauren deixando o grupo, embora, na metade da temporada, Sam retorne. Novos personagens incluem Rory Flanagan (Damian McGinty), estudante de intercâmbio vindo da Irlanda, que se apaixona por Brittany e luta para conseguir sua atenção; Joe Hart (Samuel Larsen), hippie que só come comida natural e vegetariana, anda descalço e toca violão, e se apaixona por Quinn; Sugar Motta (Vanessa Lengies), completamente desafinada mas filha de um milionário que faz gordas doações à escola, e exige que ela seja incorporada ao coral; Roz Washington (NeNe Leakes), treinadora da equipe de nado sincronizado do McKinley, que logo se torna rival de Sue; Sebastian Smythe (Grant Gustin), membro dos Warblers apaixonado por Blaine que quer tomá-lo de Kurt e não mede esforços para sabotar o Novas Direções; e Wade "Unique" Adams (Alex Newell), menino que gosta de se vestir de menina enquanto está cantando e é o novo trunfo do Adrenalina Vocal.

Samuel Larsen, Alex Newell e Damian McGinty entraram para o elenco da terceira temporada após serem os vencedores da primeira temporada de The Glee Project, Reality Show realizado pela Fox entre 12 de junho e 21 de agosto de 2011, que visava, justamente, encontrar novos talentos para o elenco de Glee. Larsen e McGinty terminaram empatados em primeiro lugar, enquanto Newell e outra candidata, Lindsay Pearce, terminaram empatados em segundo; entretanto, enquanto Larsen e Newell ganharam papéis no elenco fixo, McGinty ganharia apenas um papel recorrente (participaria apenas da terceira temporada e de um dos episódios da quarta) e Pearce faria apenas algumas participações especiais no papel de Harmony, outra jovem de Ohio que, assim como Rachel, deseja ingressar na NYADA. The Glee Project teria uma segunda temporada, exibida entre 2 de junho e 14 de agosto de 2012 e vencida por Blake Jenner, que também ganharia um papel na quarta temporada.

A terceira temporada também marcaria o fim de um ciclo: como a série é ambientada em um colégio, não faria muito sentido que os alunos estudassem lá eternamente; assim, ao longo da temporada, muitos deles já se preparavam para ingressar em uma universidade. Diferentemente do que ocorre com outras séries adolescentes (como Barrados no Baile, Buffy ou Veronica Mars), na qual todo o grupo costuma ingressar na mesma universidade, e a série continua com mais ou menos o mesmo elenco apenas em uma ambientação diferente, em Glee cada personagem tinha suas próprias ambições - Rachel, por exemplo, desejava ingressar na Academia de Artes Dramáticas de Nova Iorque (NYADA), sendo avaliada pela professora Carmen Tibideaux (Whoopi Goldberg), enquanto Quinn foi aceita em Yale, Finn resolveu servir ao exército, e Puck decidiu se mudar para a Califórnia e tentar carreira como roteirista de cinema - o que fez com que o elenco sofresse uma mudança substancial para a quarta temporada.

A terceira temporada já não faria tanto sucesso de público e crítica quanto as duas anteriores, o que se refletiu em apenas uma indicação tanto ao Emmy quanto ao Globo de Ouro - este último mais uma vez na categoria Melhor Série de TV Musical ou Comédia, que perdeu para Modern Family. Ainda assim, apostando que a série iria se reerguer após a entrada do novo elenco, a Fox a renovaria para duas temporadas logo de uma vez, com a quarta, de mais 22 episódios, estreando em 13 de setembro de 2012. A quarta temporada ganharia o reforço de dois ex-roteiristas da série House, Russel Friend e Garrett Lerner, no lugar de Adler e Noxon, e receberia apenas três indicações ao Emmy, sem ganhar nenhuma, e nenhuma ao Globo de Ouro, e sua audiência seria mediana, embora consistente.

Na quarta temporada, Finn, Quinn, Mike, Mercedes, Santana, Puck e Emma passaram a ser personagens recorrentes; enquanto Rachel e Kurt continuaram sendo do elenco fixo, mas agora morando em Nova Iorque ao invés de em Lima. O Novas Direções agora é formado por Blaine, Artie, Sam, Tina, Brittany, Joe, Sugar, Unique (que trocou o Adrenalina Vocal pelo coral do McKinley) e quatro personagens novos: Marley Rose (Melissa Benoist), menina pobre, tímida e com tendência à bulimia, considerada pelos colegas como "a nova Rachel", e cuja mãe, Millie (Trisha Rae Stahl), trabalha na cantina do McKinley; Ryder Lynn (Blake Jenner), jogador de futebol americano disléxico apaixonado por Marley; Kitty Wilde (Becca Tobin), líder de torcida metida que decide se inscrever no coral para paquerar Ryder e atormentar Marley; e Jake Puckerman (Jacob Artist), meio-irmão de Puck e rebelde como ele. Os outros novos personagens são do núcleo nova-iorquino: Cassandra July (Kate Hudson), professora de dança que decide pegar no pé de Rachel; Brody Weston (Dean Geyer), aluno da NYADA que se apaixona por Rachel; Adam Crawford (Oliver Kieran Jones), líder do coral da NYADA, que se apaixona por Kurt; e Isabelle Wright (Sarah Jessica Parker), diretora da Vogue.com, onde Kurt consegue um estágio.

Entre a quarta e a quinta temporadas, a série sofreria um baque: Cory Monteith, intérprete de Finn, seria encontrado morto em um quarto de hotel em Vancouver, Canadá, aos 31 anos, vítima de uma overdose de heroína. Consternado, Murphy decidiria também matar Finn na série, em um episódio-tributo tanto ao ator quanto ao personagem. Os roteiristas, agora contando com o reforço de Stacy Traub, decidiriam aproveitar a parada de final de ano (tradicional para algumas séries exibidas em canais que também exibem os play-offs da MLB), que ocorreria justamente após esse episódio-tributo, para decidir que rumos os personagens e a própria série iriam tomar após a morte de Finn; com isso, a quinta temporada, que estreou em 26 de setembro de 2013, seria mais curta, com apenas 20 episódios.

O Novas Direções, e o elenco em geral, não tiveram grandes novidades na quinta temporada, à exceção da participação especial de dois astros da música: Demi Lovato como Dani, garçonete que trabalha em um café em Nova Iorque frequentado por Rachel, Kurt e Santana, e que sonha se tornar cantora; e Adam Lambert (o novo vocalista do Queen) como Elliott "Starchild" Gilbert, aluno da Universidade de Nova Iorque (NYU) que se torna rival de Kurt quando ambos decidem ingressar na mesma banda. Essas participações, infelizmente, não contribuiriam para elevar a audiência da temporada - que se manteve decrescente desde o episódio-tributo a Finn - nem seu prestígio junto aos críticos, o que se refletiu em nenhuma indicação ao Globo de Ouro e apenas uma ao Emmy, de Melhor Diretor para Paris Barclay pelo centésimo episódio da série, o qual ele infelizmente não ganhou.

Vale citar, aliás, que a quarta e a quinta temporadas tiveram uma estrutura diferente das anteriores: nas três primeiras, cada temporada equivalia a um ano letivo completo, enquanto a quarta e a quinta equivaliam a um único ano letivo - ou seja, a quinta era uma continuação direta da quarta, sem intervalo de tempo significativo entre o último episódio da quarta e o primeiro da quinta. Esse formato foi criado por Murphy com dois objetivos: primeiro, para que os alunos que ainda estavam no McKinley, como Artie e Tina, não precisassem ir para uma universidade ao final da quarta temporada, e, segundo, para que os novos, como Marley e Jake, pudessem permanecer como alunos do McKinley por mais que três ou quatro temporadas como ocorreu com os originais.

Entretanto, após a morte de Monteith, e com a popularidade da série em queda, Murphy declararia não ter mais o mesmo entusiasmo para prosseguir produzindo a série. De comum acordo, ele, Falchuk e Brennan decidiriam que estava na hora de encerrar as carreiras dos alunos do McKinley, fazendo com que a sexta temporada, que havia sido encomendada pela Fox antes mesmo da estreia da quinta, fosse a última.

Os produtores pediriam à Fox, porém, que a temporada fosse mais curta, apenas para poderem fechar as pontas soltas e dar um final digno à série. Assim, a sexta temporada, que estrearia em 9 de janeiro de 2015, com a exibição de dois episódios seguidos, teria apenas 13 episódios, com os dois últimos também sendo exibidos em um único dia, 20 de março de 2015.

A sexta temporada é bastante centrada em Rachel, que decide voltar a Lima para reconstruir o Novas Direções após todos os membros antigos terem debandado. Além dela, Kurt, Blaine, Artie, Sam e Mercedes, mais Schuester, Sue e Beiste, são os únicos que permanecem como personagens fixos, com Tina, Santana, Brittany, Quinn, Puck, Mike, Matt, Joe, Sugar, Kitty e Unique fazendo participações especiais, e Jake e Ryder aparecendo apenas no último episódio. A sexta temporada também introduziria brevemente os novos membros do Novas Direções, que assumiriam o clube do coral após a partida definitiva dos anteriores: o gordinho Roderick Meeks (Noah Guthrie); o jogador de futebol americano Spencer Porter (Marshall Williams); a ex-aluna da Academia Dalton, rejeitada pelos Warblers, Jane Hayward (Samantha Marie Ware); e os gêmeos Madison e Mason McCarthy (Laura Dreyfuss e Billy Lewis Jr.).

Após a sexta temporada, Glee acabou de vez. Seus atores agora tentam a sorte no cinema, teatro, na Broadway ou em carreiras solo. Como de costume, alguns serão bem sucedidos, outros não, mas, assim como os membros do Novas Direções, já são todos vencedores.

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