segunda-feira, 9 de março de 2015

Super-Homem

Juro que não vou ficar me delongando com isso, mas... algumas vezes, a melhor fonte de assunto para o átomo é o próprio átomo. Quando escrevi o post sobre o Flash, por exemplo, me dei conta de que ainda não havia escrito um sobre o Super-Homem. Tudo bem que eu nunca fui lá muito fã do Super-Homem, mas, até aí, também nunca fui lá muito fã do Motoqueiro Fantasma, e já escrevi um sobre ele. Além disso, o Super-Homem talvez seja o super-herói mais importante de todos, afinal, sem ele, provavelmente nenhum outro existiria, e isso já é motivo suficiente para que ele ganhe um post. Hoje, portanto, é dia de Super-Homem no átomo.

Pois é, Super-Homem. Eu sei que, atualmente, o personagem é mais conhecido como "Superman" - mudança que provavelmente foi feita por razões mercadológicas, já que merchandising do Homem de Aço poderia ser lançado por aqui sem muitas adaptações - mas eu, particularmente, prefiro continuar chamando-o de Super-Homem. Primeiro porque é o nome com o qual me acostumei - mesma razão pela qual eu tenho dificuldade em chamar Jornada nas Estrelas de Star Trek e o Ursinho Puff de Pooh - segundo porque é um nome bastante apropriado - ele é um homem e tem superpoderes, portanto, Super-Homem. Aliás, nunca entendi por que o Batman também não virou Homem-Morcego, mas isso não é assunto para hoje.

O Super-Homem foi criado em 1933 por Jerry Siegel e Joe Shuster, na época ambos com 18 anos e estudantes da Glenville High School, na cidade de Cleveland, Ohio, sendo Siegel o responsável por escrever as histórias e Shuster por desenhá-las. O primeiro Super-Homem criado por Siegel era completamente diferente do que conhecemos hoje: criado para a história The Reign of the Superman, publicada no fanzine Science Fiction, impresso pelo próprio Siegel, o Super-Homem era um vilão, careca e com habilidades telepáticas, inspirado pelo conceito do Übermensch de Friedrich Nietzsche. Naquele mesmo ano, porém, Siegel desistiria de escrever mais histórias sobre o vilão e reaproveitaria o nome para um novo personagem, desta vez um herói, que tinha superforça, a capacidade de dar saltos enormes, tinha pele invulnerável, e usava essas habilidades para combater o crime. Ninguém sabe o que teria motivado Siegel e dar uma guinada tão radical no conceito de seu personagem, mas se acredita que a criação do Super-Homem tenha sido motivada pela morte do pai de Siegel, um comerciante que levara um tiro durante um assalto à sua loja. Embora Siegel jamais tenha mencionado esse fato em nenhuma declaração sobre o personagem, o historiador Gerard Jones acha praticamente impossível ter sido coincidência ele ter criado um homem à prova de balas que combate o crime justamente após seu pai ter sido baleado durante um assalto.

Siegel e Shuster eram grandes fãs de cinema, e se inspiraram nos atores e filmes da época para nomear os elementos de suas histórias: o nome da identidade secreta do Super-Homem, Clark Kent, seria uma junção dos nomes dos atores Clark Gable e Kent Taylor, os preferidos da dupla; a jornalista Lois Lane, interesse romântico do herói, seria inspirada na corajosa jornalista Torchy Blane, protagonista de uma série para o cinema produzida no início da década de 1930, e que, em um dos episódios, foi interpretada pela atriz Lola Lane; e a cidade de Metrópolis, principal base de operações do herói, foi batizada em homenagem ao filme homônimo de Fritz Lang. A aparência do Super-Homem também seria derivada de elementos da cultura pop de então: seu queixo quadrado e ombros largos foram "emprestados" do visual de Dick Tracy, e seu uniforme, que consiste em um calção vermelho sobre um macacão azul, é inspirado nas roupas dos homens fortes dos circos da época, que realmente vestiam um macacão de uma cor com um calção de outra cor contrastante por cima, tendo as cores vermelha e azul sido escolhidas por serem as da bandeira dos Estados Unidos, e uma capa, inspirada pela do Zorro, sendo adicionada para conferir um visual mais heroico. Vale dizer que, graças ao sucesso do Super-Homem, esse uniforme (calção por cima da roupa e capa) se tornaria o estereótipo do uniforme de super-herói, com quase todos os criados desde então vestindo um semelhante ou alguma variação.

De início, Siegel e Shuster não pensavam em publicar uma revista em quadrinhos do Super-Homem, mas uma tira de jornal, pois as revistas em quadrinhos, na época, eram dominadas por histórias de piratas e caubóis, sem espaço para novidades, enquanto as tiras tinham protagonistas mais diversificados e mais próximos do conceito do personagem, como detetives e heróis mitológicos. A dupla passaria cinco anos sem sucesso tentando encontrar uma editora que se interessasse por suas tiras, e Siegel até mesmo acharia que a culpa do insucesso estava no traço de Shuster, contratando outros artistas para desenhar algumas tiras, na esperança de ser melhor sucedido com alguma delas. Um desses desenhistas, Russel Keaton, daria uma ideia que, mais tarde, seria desenvolvida e transformada na origem do personagem: na época, o Super-Homem tinha seus poderes, mas ninguém havia se preocupado ainda em explicar por quê; segundo Keaton, ele seria, na verdade, um homem do futuro, enviado ao presente ainda bebê e criado por um casal de humildes fazendeiros.

Como as tiras desenhadas por esses artistas contratados não teriam melhor sorte, Siegel voltaria a trabalhar com Shuster, e ambos ofereceriam algumas dessas novas tiras ao editor Max Gaines, que as recusaria, e à United Feature Syndicate, que mostraria interesse, mas jamais voltaria a entrar em contato. Enquanto esperavam o retorno da United, porém, a dupla seria surpreendida por Gaines, que conseguiria para os dois um contrato com a Detective Comics, uma das editoras que, em 1946, daria origem à DC Comics. Gaines perguntaria a Siegel se ele conseguiria transformar algumas tiras do Super-Homem em uma história inteira, pois a Detective Comics planejava lançar uma nova revista, chamada Action Comics, e precisava de um novo personagem, que não fosse um caubói ou pirata, e sim um herói de aventuras com muita ação. Siegel e Shuster não só aceitariam o desafio como também criariam todo o layout para os quadrinhos da história e ainda providenciariam a capa, na qual o Super-Homem ergue um carro para salvar um transeunte - imagem hoje considerada uma das mais icônicas do universo dos super-heróis e da cultura pop como um todo.

O Super-Homem, portanto, faria sua estreia na revista Action Comics número 1, lançada em abril de 1938 (mas dizendo na capa "junho de 1938", sabe-se lá o porquê), com uma história escrita por Siegel e desenhada por Shuster. A revista seria um imenso sucesso, a primeira tiragem se esgotaria rapidamente, e logo o Super-Homem se tornaria um dos personagens mais populares dos quadrinhos - e mais copiados, "inspirando" toda uma geração de super-heróis. O sucesso do personagem faria com que a DC lançasse, já em 1939, a revista Superman, que trazia exclusivamente histórias do personagem - a Action Comics, em algumas edições, trouxe histórias de outros personagens - sendo que as primeiras dez edições de Superman traziam apenas republicações de histórias já publicadas na Action Comics, mas, mesmo assim, teriam excelente vendagem. A partir de 1941, o Super-Homem também teria histórias publicadas em uma terceira revista, a World's Finest Comics, sempre acompanhadas por uma história do Batman, que havia feito sua estreia também em 1939. Ainda em 1939, Siegel e Shuster conseguiriam cumprir seu propósito original, passando a produzir a tira de jornal do Super-Homem, que seria publicada em uma dezena de jornais através do país.

No início, Siegel escrevia e Shuster desenhava todas as histórias do Super-Homem, mas, já no final de 1938, Shuster começou a ter problemas de visão, agravados pelo fato de que, com mais revistas e a tira por mês, havia mais histórias para desenhar, o que o levou a criar um estúdio e contratar novos desenhistas para substituí-lo - curiosamente, porém, Shuster fazia questão de desenhar o rosto do Super-Homem toda vez que o personagem aparecesse. A DC considerava essa interferência meio contraproducente, e começou a contratar ela mesma outros artistas para, pelo menos, fazer as capas - como Fred Ray, contratado em 1941, e que, em fevereiro de 1942, criaria uma das capas mais famosas e reproduzidas do Super-Homem, na qual ele está com uma águia americana pousada no braço em frente a um brasão com as estrelas e listras da bandeira dos Estados Unidos. Outros artistas de destaque dessa época foram Jack Burnley, Wayne Boring (nome que parece até implicância com o Batman) e Al Plastino, considerado um dos mais famosos desenhistas do Super-Homem na Era de Ouro.

Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, Siegel foi convocado para o exército e não pôde mais contribuir com roteiros; para seu lugar, a DC contrataria escritores famosos da ficção científica, como Edmond Hamilton, Wade Wellman e Alfred Bester, o que fez com que as histórias passassem a ter mais elementos como raios laser, invasores espaciais e alienígenas. Com a saída definitiva de Siegel e Shuster, Alvin Schwartz e Wayne Boring assumiriam a tira de jornal.

Falando em ficção científica, em meados da década de 1940 a origem do herói já estava plenamente estabelecida: o Super-Homem tinha superpoderes porque não era um humano, mas um alienígena, do planeta Krypton. Chamado Kal-El, ele foi posto ainda bebê em uma nave espacial por seu pai, o cientista Jor-El, pois Krypton estava se autodestruindo, e Jor-El considerava que essa era a única chance de salvar seu filho. O bebê navegou através do espaço e veio parar na Terra, com a nave caindo na pequena cidade de Smallville, no interior do Kansas, onde foi encontrada pelos humildes fazendeiros Jonathan e Martha Kent, que o batizaram com o nome de Clark e o criaram como se fosse seu filho. Na adolescência, Clark começou a demonstrar que possuía habilidades sobre-humanas, especialmente superforça - que, indiretamente, também lhe conferia supervelocidade e a capacidade de dar pulos enormes, devido à grande força nas pernas - e invulnerabilidade a armas de fogo e cortantes. No início, essas eram apenas características comuns a todos os kryptonianos, mas depois ficaria estabelecido que não (até porque um planeta inteiro de Super-Homens não seria destruído assim tão facilmente), que apenas o Super-Homem as possuía porque seu corpo foi afetado pelos raios amarelos do nosso Sol - o que se tornaria, inclusive, uma excelente alternativa para novas histórias, pois, ao viajar para o espaço ou outros planetas, ficando fora do alcance dos raios solares, o Super-Homem perdia seus poderes.

Também apenas mais tarde, outros roteiristas estabeleceriam que o Super-Homem tinha outros poderes, como visão de raios-x, visão de calor, sopro congelante, super-audição e a capacidade de voar - que muitos alegam ter sido copiada do Capitão Marvel. O Super-Homem da Era de Ouro também tinha dois outros poderes bizarros, a capacidade de moldar seu próprio rosto para mudar de aparência e uma espécie de "supersugestão", a "desculpa oficial" para que ninguém reparasse que Clark Kent e o Super-Homem são a mesma pessoa - visto que ambos têm exatamente a mesma aparência, exceto pela roupa e pelos óculos.

Clark Kent, inclusive, é apontado como uma das principais razões para o sucesso do Super-Homem: detetives, caubóis e outros heróis da época não tinham identidades secretas, eram sempre a mesma pessoa todo o tempo, e todos sabiam quem eles eram. Inspirado no Zorro - cuja identidade secreta é a do nobre californiano Don Diego de la Vega - Siegel criaria uma "segunda personalidade" para seu herói, um repórter que trabalhava no jornal Planeta Diário, ao lado da intrépida Lois Lane, por quem era apaixonado, e do garoto Jimmy Olsen, que trabalhava como fotógrafo. Kent era atrapalhado, inseguro e avoado, o que fazia com que ninguém desconfiasse de que ele e o corajoso e audaz Super-Homem eram a mesma pessoa - e facilitava a identificação dos leitores com o herói, pois qualquer um podia ter um herói dentro de si. Graças a Kent, praticamente todos os heróis subsequentes teriam identidades secretas, muitas vezes contrastantes com a personalidade do herói no qual se transformam, como Bruce Wayne e Peter Parker.

Em novembro de 1949, na Superman 61, seria introduzido um dos elementos mais característicos do universo do Super-Homem, a Kryptonita. Encontrada em fragmentos do planeta Krypton que viajaram pelo espaço e acabaram chegando à Terra, a Kryptonita é verde e radioativa, e a exposição á sua radiação faz com que o Super-Homem perca seus poderes, fique enfraquecido, e talvez até morra. O próprio Siegel criou a Kryptonita, mas preferiu guardá-la como um trunfo, que acabaria sendo usado pela editora Dorothy Woolfolk, que achava a invulnerabilidade do Super-Homem sem graça, e queria dar aos vilões pelo menos uma chance para derrotá-lo. Não somente isso daria certo como se transformaria em uma alternativa popular entre os roteiristas, tanto que "Kryptonita" acabaria se tornando sinônimo para algo que faz com que uma pessoa fique diminuída em suas habilidades.

Já o maior inimigo do herói, Lex Luthor, estrearia bem antes, na Action Comics 23, em abril de 1940. Também criado por Siegel e Shuster, Luthor originalmente era um cientista maligno que planejava dominar o mundo, usando suas invenções para voltar os governos uns contra os outros. Ao longo do tempo, entretanto, ele gradualmente se transformaria em um empresário milionário que possui um ódio profundo do Homem de Aço, e praticamente usa toda a sua fortuna tentando derrotá-lo. Muitas teorias já foram formuladas sobre o ódio de Luthor pelo Super-Homem, como um passado em comum no qual ambos eram amigos, até que algo aconteceu, ou o fato de que Luthor teria vindo da pobreza e conquistado tudo sozinho, não se conformando de o Super-Homem ter todos os poderes que tem sem ter feito esforço algum para isso. Seja como for, Luthor é visto como um grande antagonista justamente porque, ao contrário do Super-Homem, não possui nenhum poder, mas, com sua inteligência e seus recursos, já conseguiu chegar bem perto de derrotar seu inimigo.

Em 1945, o sucesso do Super-Homem já era tão grande que a DC decidiria criar um "segundo" Super-Homem - que, na verdade, era o mesmo: em todas as histórias já publicadas, o Super-Homem era adulto, mas sua origem dizia que ele começou a demonstrar seus poderes na adolescência. Assim, a DC decidiria, na revista More Fun Comics 101, lançar o personagem Superboy, que, na verdade, era o Super-Homem, mas em histórias ambientadas durante sua adolescência em Smallville, como se fossem flashbacks. O Superboy também faria bastante sucesso, principalmente dentre as crianças - o que levaria à criação de elementos e personagens bizarros, como Krypto, o supercão - e acabaria ganhando histórias também na Adventure Comics, até ganhar sua própria revista, Superboy, em 1949.

Na década de 1950, houve um grande declínio na popularidade dos super-heróis, e muitas revistas, inclusive da DC, foram canceladas. Superman, porém, continuou sendo publicada, pois, mesmo com as vendas abaixo do esperado, o personagem continuava sendo considerado um ícone norte-americano, então a DC apostava que sua popularidade poderia ressurgir a qualquer momento. De certa forma, a editora estava correta em sua previsão, embora a popularidade dos super-heróis não tenha renascido com o Super-Homem, mas com a nova versão do Flash, que estrearia em 1956 e abriria caminho para novas versões do Lanterna Verde, do Gavião Negro e de outros. Quando a mesma revista do Flash introduzisse o conceito de universos paralelos, em 1961 - em uma história na qual ficaria revelado que o Flash original, Joel Ciclone, na verdade viveu suas aventuras em uma versão da Terra conhecida como Terra-2, enquanto Barry Allen, o novo Flash, vivia as suas em uma versão conhecida como Terra-1 - a DC aproveitaria para dar uma repaginada no Super-Homem, descartando conceitos que já não eram mais utilizados - como a tal habilidade de moldar o próprio rosto - e adequando as histórias ao gosto dos leitores da década de 1960.

Com essa repaginação, ficaria determinado que, assim como existiam dois Flashes (e dois Lanternas Verdes etc.), existiam dois Super-Homens, sendo que o da Era de Ouro vivia suas aventuras na Terra-2, enquanto o da Era de Prata as vivia na Terra-1. Como, porém, as aventuras do Super-Homem foram publicadas de forma contínua ao longo da década de 1950, não havia uma linha clara delimitando quais aventuras seriam do Super-Homem "antigo" e quais seriam as do "novo", como ocorria, por exemplo, com o Flash e o Lanterna Verde - que, além de terem tido suas revistas canceladas e depois relançadas, ainda tinham identidades secretas diferentes para suas versões da Era de Ouro e da Era de Prata. Cabia, portanto, a cada roteirista decidir o que havia ocorrido em cada versão da Terra, seguindo apenas uma regra: todas as histórias do Superboy ocorreram na Terra-1, pois o fato de nenhuma das histórias originais da década de 1930 mencionar que o Super-Homem havia vivido aventuras na adolescência significaria que não existia um Superboy na Era de Ouro. Com isso, seria considerada a primeira aparição oficial do Super-Homem da Era de Prata a da revista Superman 46, de maio de 1947, a primeira história a mencionar o Superboy.

Com esse critério de que cada roteirista era livre para escolher se seu Super-Homem era o da Era de Ouro ou o da Era de Prata, basicamente as histórias do Homem de Aço na década de 1960 foram uma bagunça - alguns leitores tinham dificuldades para saber se estavam acompanhando as aventuras do Super-Homem "original" ou do "novo", algo que ocorria também com o Batman. Assim, em 1985, a DC decidiria "arrumar a casa" com a famosa minissérie Crise nas Infinitas Terras, que acabaria com o conceito do multiverso e faria um reboot do Universo DC como se apenas a Terra-1 existisse. A editora aproveitaria para fazer, também, um reboot do Super-Homem, removendo da cronologia personagens como o Superboy e a Supergirl, e aproveitando para reduzir um pouco seus poderes, pois já estava ficando difícil encontrar desafios à altura do Homem de Aço, já que, ao longo dos anos, diversos roteiristas criaram poderes verdadeiramente absurdos para o herói, como girar a Terra ao contrário para voltar no tempo, viajar voando pelo espaço até outra galáxia, ou conseguir manipular átomos com as mãos. Para abrir caminho para esse reboot, a revista Superman seria "cancelada" no número 423, de setembro de 1986, que trazia "a última história do Super-Homem", escrita por Alan Moore e com arte de Curt Swan, George Pérez e Kurt Schaffenberger.

A estreia da nova versão do herói seria na minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne e lançada simultaneamente à "última edição" de Superman. A minissérie recontaria a origem do Super-Homem, mas como se sua nave tivesse caído na Terra na década de 1950 - o que faria com que ele tivesse uns trinta anos na época em que a minissérie foi lançada. The Man of Steel se tornaria a versão oficial da origem do Super-Homem, e seria seguida do relançamento, em janeiro de 1987, da revista Superman, cuja numeração recomeçaria do 1, e também teria suas primeiras edições escritas e desenhadas por Byrne. Curiosamente, mais uma vez Superman não seria a única revista mensal a trazer as aventuras do Super-Homem, com o herói também protagonizando as edições de The Adventures of Superman - que, por algum motivo, seguia a numeração da Superman anterior, começando do número 424, por isso o "cancelada" está entre aspas no parágrafo anterior.

Em 1991, mais uma revista estrelada pelo herói, Superman: The Man of Steel, seria lançada. Como a Action Comics também ainda estava sendo publicada, e também trazia histórias do Super-Homem, a DC organizaria seus lançamentos para que uma nova história do herói fosse lançada por semana, em quatro revistas mensais. Como se isso já não fosse o bastante, em 1995 ainda seria lançada uma revista trimestral, chamada Superman: The Man of Tomorrow, que seria cancelada em 1999.

Apesar das quatro revistas, no início da década de 1990 o Super-Homem passava por uma crise de popularidade, que começaria com a saída de Byrne do título. Para tentar reverter a situação, os roteiristas Louise Simonson e Roger Stern iriam casar Clark Kent e Lois Lane, ideia que seria vetada pela Warner Bros, desde 1989 dona da DC, que, na época, investia na série Lois & Clark, e achou que mostrar os personagens casados nos quadrinhos e em relação indefinida nas telas iria confundir os fãs. Já sem muitas ideias do que poderia ser feito, o editor Mike Carlin decidiu tomar uma decisão arriscada: matar o Super-Homem. Curiosamente, a ideia surgiria como uma brincadeira: durante uma reunião da equipe criativa das revistas do herói, quando ninguém parecia ter uma boa ideia para se usar a seguir, o roteirista Jerry Ordway disse, em tom de piada, "já sei, vamos matá-lo".

O Super-Homem seria morto em 1992 pelo vilão Apocalypse, um kryptoniano pré-histórico ressucitado por Lex Luthor. Em um mundo sem o Homem de Aço, quatro heróis tentariam tomar seu lugar, incluindo um ciborgue e um clone adolescente que alegavam ser o verdadeiro Super-Homem, ressucitado; esses heróis estreariam em uma história chamada Reign of the Supermen, em referência à história original de Siegel e Shuster. O verdadeiro Super-Homem seria "ressucitado" um ano depois, em 1993, curiosamente com o cabelo comprido, em uma tentativa de modernizar o visual do herói. Em 1996, finalmente ocorreria o casamento de Clark e Lois, para o qual ele cortaria o cabelo, voltando à sua aparência original.

Em fevereiro de 1998, seria feita uma nova tentativa de modernização do herói, essa extremamente mal-sucedida: através de uma mutação, o corpo do Super-Homem passou a ser composto de energia pura, o que fazia com que ele tivesse de vestir um traje especial para contê-la e não se dispersar no ar. Após cair em uma armadilha criada pelo Superciborgue (o tal ciborgue que dizia ser o verdadeiro Super-Homem na saga da morte do herói, e que depois se tornou um vilão), o corpo do Super-Homem seria dividido em dois, o original, mais cerebral e controlado, de cor azul, e um segundo, mais impulsivo e violento, de cor vermelha. Essa reformulação seria tão malvista que não duraria nem um ano, com as duas formas se unindo para restaurar o corpo original do herói já em julho de 1998.

Durante a década de 2000, a DC daria uma "enxugada" nos títulos do Super-Homem, cancelando Superman: The Man of Steel em 2003 e Superman em 2006. Após o cancelamento de Superman, The Adventures of Superman passaria a se chamar apenas Superman; como a revista manteve a mesma numeração que começou lá em 1939, muitos consideram que esses dois títulos (The Adventures of Superman e a Superman original) são, na verdade, a mesma revista. Em 2003 a DC lançaria mais uma minissérie tratando da origem do herói, Superman: Birthright, que recontava a história de The Man of Steel com novos elementos. Em 2005, na saga Crise Infinita, o Super-Homem sofreria um novo reboot, e ganharia uma nova origem na minissérie Superman: Secret Origin, de 2009.

A próxima reformulação do Super-Homem ocorreria em 2011, com a saga Os Novos 52, que é, também, a versão atual do herói. Mais jovem que as versões anteriores, mais impulsivo, com um senso de justiça menos rígido, e sem o apoio de Jonathan e Martha Kent, que faleceram enquanto ele estava no colégio - algo que, curiosamente, também fazia parte da história do Super-Homem original de 1938, mas que seria modificado por Byrne em 1986 - esse Super-Homem luta para encontrar seu lugar em um mundo que trata os heróis com suspeita e hostilidade, possui um envolvimento romântico com a Mulher-Maravilha e usa uma armadura ao invés de um uniforme. A revista Superman seria novamente cancelada e relançada com a numeração recomeçando do 1 - assim como a Action Comics, em uma decisão surpreendente, já que a revista, mesmo após os vários reboots do Universo DC, mantinha a mesma numeração desde 1938.

Ao longo dos anos, devido à sua popularidade, o Super-Homem foi adaptado para diversas outras mídias além dos quadrinhos, sendo as mais famosas a radionovela de 1940, com Bud Collier interpretando o herói; a série animada dos Estúdios Fleischer de 1941, também com Collier dublando o Homem de Aço; a série para cinema de 1948, com Kirk Alyn; a série de TV de 1951, com George Reeves; um musical da Broadway de 1975; o primeiro filme para o cinema, de 1978, dirigido por Richard Donner e estrelado por Christopher Reeve, com Gene Hackman no papel de Lex Luthor, que gerou três continuações e ainda hoje é considerado um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos; e as séries Lois & Clark, de 1993, com Dean Cain e Teri Hatcher como o Super-Homem e Lois Lane, focada no relacionamento dos dois ao invés de em supervilões; Superman: A Série Animada, de 1996, produzida por Bruce Timm e Paul Dini, com Tim Daly dublando o herói; e Smallville, que começa ainda na adolescência do herói, estrelada por Tom Welling, que estreou em 2001 e, com 10 temporadas e 218 episódios, detém o recorde de série de ficção científica mais longeva da história da TV norte-americana. A adaptação mais recente é o filme O Homem de Aço, de 2013, dirigido por Zack Snyder, com Henry Cavill como o Super-Homem e Amy Adams como Lois Lane, que será o primeiro do planejado Universo Cinematrográfico DC, com sua continuação, Batman e Superman: Alvorecer da Justiça, planejado para 2016, acrescentando à história personagens como Batman e a Mulher Maravilha.

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