segunda-feira, 16 de março de 2015

Escrito por em 16.3.15 com 0 comentários

Natação

Ok, eu prometo, hoje é a última vez: às vezes, a melhor fonte de assunto para o átomo é o próprio átomo. Quando estava escrevendo o post sobre o levantamento de peso, resolvi ver sobre quais esportes olímpicos eu ainda não tinha falado, e percebi que ainda não tinha falado sobre natação. Eu me lembro que, logo depois que fiz o post sobre atletismo, resolvi que ia fazer um sobre natação também, mas acabei nunca o fazendo. Antes tarde do que nunca, aqui vai ele. Hoje é dia de natação no átomo!

A natação existe desde que o mundo é mundo. Sério, pinturas pré-históricas já mostram homens das cavernas nadando, embora não se saiba se eles faziam isso por recreação ou apenas por necessidade. A natação esportiva, por outro lado, não é tão antiga, tendo surgido na Europa no início do século XIX, graças a uma explosão de popularidade das piscinas públicas, que não eram uma ideia nova, pois já existiam no Império Romano, mas que, no final dos anos 1820, começaram a ser inauguradas em várias cidades da Inglaterra. Com o surgimento das piscinas públicas, não tardou para aparecerem os primeiros campeonatos para ver quem chegava de um lado ao outro da piscina mais rápido. Para manter registros dessas competições, em 1837 seria fundada, em Londres, a Sociedade Nacional de Natação, que realizava um campeonato anual com provas em seis piscinas públicas da cidade. A popularização desse campeonato levaria à criação de vários clubes de natação, cada um com sua própria piscina, onde seus sócios podiam competir. Muitos desses clubes também começariam a organizar seus próprios campeonatos, de forma que, para tentar organizar as competições, em 1880 seria fundada outra entidade, a Associação de Nadadores Amadores. No final do século XIX, essa Associação já tinha mais de 300 clubes de todo o Reino Unido dentre seus membros. Conforme a moda da natação em clubes chegava a outros países da Europa, estes também fundavam Associações, com a da Alemanha sendo fundada em 1882, a da França em 1890 e a da Hungria em 1896, ano da primeira Olimpíada da Era Moderna, em Atenas, Grécia, que já contaria com a natação em seu programa, graças à grande popularidade da qual o esporte já dispunha na época.

Como sempre acontece no início de cada esporte, nessa época, apesar da popularidade, a natação ainda era meio confusa, pois, basicamente, cada nadador podia adotar o estilo que quisesse ao nadar as provas, e cada Associação Nacional usava piscinas de tamanhos diferentes, o que levava, portanto, a provas de comprimentos diferentes. A falta de organização era tanta que as provas de natação das Olimpíadas de 1900, realizadas em Paris, França, aconteceriam não em piscinas, mas no Rio Sena, com direito a peixes, sapos, e a uma correnteza que ajudaria aos atletas, criando recordes mundiais imbatíveis - e, hoje em dia, inválidos. Para tentar resolver essa situação, em 1908 seria fundada a Federação Internacional de Natação (FINA, da sigla em francês), com a participação das federações nacionais do Reino Unido, Alemanha, França, Hungria, Bélgica, Dinamarca, Suécia e Finlândia. Hoje, a FINA já conta com 204 membros, dentre eles o Brasil, e é o órgão máximo não só da natação, mas também do nado sincronizado, dos saltos ornamentais e do polo aquático.

Atualmente, a FINA reconhece como oficiais 42 provas diferentes. Essas provas podem ser realizadas em dois tipos de piscina, a chamada piscina olímpica e a chamada piscina curta. Uma piscina olímpica - que, evidentemente, recebe esse nome porque é a usada nas Olimpíadas - tem 50 metros de comprimento por 25 de largura e, no mínimo, 2 de profundidade, embora a maioria tenha no mínimo 5 metros de profundidade, para que o atleta não toque o fundo acidentalmente durante as provas, o que poderia resultar em prejuízo ou benefício. No sentido do comprimento, a piscina é dividida em dez raias de 2,5 metros de largura cada, demarcadas por uma espécie de corda colorida - que não é feita de corda, mas de materiais sintéticos que flutuem e não ofereçam perigo aos nadadores; as primeiras, criadas especialmente para as Olimpíadas de 1924, em Paris, França, eram feitas de cortiça. Além dessas "cordas", no fundo da piscina existem dez marcações de cor preta, que acompanham o meio exato da raia, e servem para que os atletas se guiem durante as provas. As raias são numeradas de 0 a 9, e, em condições normais, apenas as raias de 1 a 8 são usadas durante uma prova, com as raias 0 e 9 servindo para que a água, ao se mover, perca velocidade após se chocar contra as bordas da piscina e retornar, não criando marolas para os nadadores que estão competindo. Esse sistema, apesar de extremamente útil - piscinas mais antigas tinham apenas oito raias, o que significava que quem nadava nas raias 1 e 8 pegava muita turbulência - não é perfeito, o que significa que nadar nas raias mais "do meio", como a 4 e a 5, oferece uma certa vantagem aos nadadores, pois a água estará mais tranquila; exatamente por isso, nessas raias costumam ser alocados os melhores nadadores da prova, aqueles com mais chances de ganhá-la, para que eles não sejam atrapalhados e deixem de conquistar o título por fatores externos.

Além das marcações das raias, cada piscina tem uma marcação a 5 metros de cada borda no sentido da largura, para que os atletas do nado de costas, que não estão enxergando a borda, saibam que ela está chegando e não trombem com ela ao alcançá-la. Como eles estão nadando de costas, essa marcação não é feita no fundo da piscina, e sim sobre ela, sendo a forma mais comum uma espécie de varal com várias bandeirinhas - quando o nadador passa pelas bandeirinhas, sabe que só faltam cinco metros para chegar à borda. A 10 metros de cada um desses varais também fica pendurada uma corda - essa, uma corda mesmo - usada quando a largada é queimada: quando um nadador parte para a prova antes de seu início ter sido autorizado, é soado um sinal sonoro; como eles estão dentro da água, porém, não é incomum que alguns não o escutem, e, nesse caso, a tal corda cai dentro da água - ao ver a corda ou trombar com ela, o nadador saberá que a prova foi interrompida, e que todos devem retornar aos blocos de partida.

Os blocos de partida, falando nisso, ficam um no centro de cada raia, dos dois lados da piscina - para que a largada possa ser feita de qualquer um dos lados, de acordo com a conveniência do organizador. O bloco de largada é uma plataforma ligeiramente inclinada, com apoios para os pés, na qual o nadador se posicionará antes da largada, e tomará impulso para cair na piscina quando o início for autorizado. A maioria dos blocos modernos conta também com sensores de pressão, que indicam se um nadador deixou o bloco antes de o início da prova ser autorizado, queimando a largada. Sensores de pressão também estão presentes nas partes submersas das duas bordas da piscina, para indicar se o nadador fez a virada corretamente, e determinar com precisão qual foi a ordem de chegada de cada prova.

A chamada piscina curta também tem todas essas características, exceto uma: ao invés de 50 metros, ela tem apenas 25 metros de comprimento. Apesar de quase todas as provas serem as mesmas para ambos os tipos de piscina (exceto por duas que são realizadas exclusivamente na piscina curta), a FINA e a maioria das demais federações organizam campeonatos separados para piscina curta e piscina olímpica, pois na piscina curta há um número maior de viradas por prova - uma prova de 100 metros, por exemplo, tem apenas uma virada na piscina olímpica, mas três na piscina curta - o que pode beneficiar ou prejudicar os atletas, de acordo com seu estilo e preparo.

Como somente oito raias da piscina são usadas por vez, não é possível que todos os competidores disputem as provas simultaneamente; por isso, competições de natação costumam ter várias provas eliminatórias, nas quais os atletas com os melhores tempos vão se classificando e os demais vão sendo eliminados, até que só restem os oito finalistas. Diferentemente do que ocorre no atletismo, a posição na qual um atleta termina a prova não importa, apenas seu tempo. Tradicionalmente, as provas eliminatórias ocorrem na parte da manhã, com as finais sendo realizadas à noite.

A natação possui um uniforme próprio: para os homens, deve ser usada uma bermuda que comece abaixo do umbigo e termine acima dos joelhos, ou uma sunga comum; as mulheres podem optar por um maiô comum, um "maiô de perninha" (cuja parte de baixo é uma espécie de bermuda, que deve acabar acima dos joelhos) ou biquini comum, embora quase todas as atletas profissionais, por questão de conforto, usem um dos tipos de maiô. Curiosamente, essa obrigatoriedade de modelos não existia até 2009 - inclusive, se um atleta quisesse competir completamente nu, não havia nada nas regras que o impedisse - mas a FINA se viu obrigada a regular sobre isso para impedir o uso dos chamados bodyskins, roupas inteiras semelhantes às usadas por mergulhadores, que começaram a se popularizar no início dos anos 2000 e diminuíam o arrasto do corpo dos atletas na água enquanto aumentavam sua flutuabilidade, levando a grandes velocidades e muitos recordes - sendo o argumento para sua proibição o de que as regras da FINA proíbem qualquer equipamento que altere a flutuabilidade ou a velocidade naturais do atleta, como nadadeiras ("pés de pato"), por exemplo. As regras não proíbem, entretanto que os atletas diminuam o arrasto de seu corpo com a água, por isso os nadadores costumam depilar completamente qualquer parte de seus corpos que não vá ficar coberta pelo uniforme e usar uma touca plástica que cobre os cabelos. A touca, ao contrário do que muitos imaginam, não é obrigatória, mas usada apenas porque os cabelos reteriam água e atrasariam o atleta caso ela não fosse usada - alguns homens, aliás, ao invés da touca, preferem raspar também a cabeça. Outro item não obrigatório, mas quase que universalmente adotado, são os óculos de mergulho, presos atrás da cabeça por uma fita elástica, que permitem que o atleta enxergue com mais clareza enquanto está submerso.

Das 42 provas reconhecidas pela FINA, seis são do nado estilo peito, nas distâncias de 50, 100 e 200 metros, com provas separadas para homens e mulheres. O nado estilo peito é considerado o mais antigo dos estilos de nado competitivo, pois era o usado na europa para recreação quando a natação começou a ser praticada como esporte - curiosamente, aliás, os nadadores ingleses do século XIX consideravam qualquer estilo de nado que levantasse água como "bárbaro" e "desenlegante", considerando o estilo peito "o único apropriado para cavalheiros". No estilo peito, a cada braçada, o nadador move seus braços para os lados, com as palmas das mãos viradas para fora, "puxando" a água para as laterais de seu corpo; simultaneamente a isso, ele move as pernas para a frente, dobrando os joelhos, e então para trás, fazendo com elas um círculo, e arqueia a cabeça para fora da água para respirar. Desde 1956, as regras da FINA obrigam que o nadador retire a cabeça da água a cada braçada, mesmo que não respire em todas elas; isso foi estabelecido porque, como retirar a cabeça da água aumenta o arrasto, reduzindo a velocidade, em meados do século XX alguns atletas tiveram a grande ideia de tentar dar o máximo de braçadas possível sem retirar a cabeça da água - e, portanto, sem respirar. Embora isso realmente tenha resultado em um aumento de velocidade e em quebra de recordes, muitos atletas chegavam até a desmaiar por levar seu corpo ao limite da falta de oxigênio, o que não deu à FINA outra opção senão intervir.

Logo após a mudança da regra, alguns nadadores resolveram fazer um pouco diferente, nadando o máximo possível por sob a água, movendo apenas as pernas, antes de dar a primeira braçada - pois, já que as regras determinavam que eles deveriam tirar a cabeça da água "a cada braçada", enquanto a primeira braçada não fosse dada, eles não precisariam tirar a cabeça da água - e, mais uma vez, ocorreriam abusos, com nadadores nadando quase a prova inteira, exceto por uma ou duas braçadas antes da virada ou chegada, sob a água, sem usar o estilo peito. Graças a isso, a FINA teve de intervir novamente, e, desde 1960, não importa o estilo da prova, o nadador só pode nadar sob a água pelos primeiros 15 metros após a largada ou uma virada, devendo, depois disso, obrigatoriamente, subir à superfície. No caso específico das provas do estilo peito, desde 2005 também é permitido um movimento de pernas do estilo borboleta (conhecido popularmente como "golfinhada") após cada virada, devendo os demais movimentos de perna da prova serem os próprios do estilo peito.

Falando no estilo borboleta, a ele pertencem outras seis provas, nas distâncias de 50, 100 e 200 metros, com provas separadas para homens e mulheres. O nado estilo borboleta surgiu na década de 1930 como uma variação do estilo peito: em uma época na qual as regras eram mais flexíveis, alguns nadadores começaram a mudar o jeito de se mover os braços e as pernas durante as provas do estilo peito, buscando aumentar sua velocidade. Há muita controvérsia sobre quem teria criado esse estilo específico que hoje conhecemos como borboleta (com pelo menos dez criadores diferentes, dependendo da nacionalidade de quem está contando a história), mas a verdade é que, de todos os inventados na época, esse se provou o mais rápido, de forma que, no final da década de 1940, ninguém mais usava o estilo peito tradicional, apenas o borboleta. Para não proibir o borboleta de vez, já que ele era um dos estilos mais populares dentre os nadadores, após as Olimpíadas de 1952 a FINA decidiria estabelecer regras rígidas sobre como deveria ser o movimento dos braços e pernas no estilo peito, e criar um novo estilo oficial chamado borboleta, também com regras rígidas quanto ao movimento dos braços e pernas.

No estilo borboleta, os braços se movem simultaneamente em um círculo completo, no sentido anti-horário, passando por trás da cabeça, saindo da água e puxando-a quando retornam a ela e passam por baixo do peito do nadador, em um movimento que alguém achou semelhante ao das asas de uma borboleta, por isso o nome. Paralelamente a esse movimento dos braços, as pernas, que ficam juntas uma à outra e esticadas, se movem para cima e para baixo em um movimento semelhante à cauda de um golfinho (por isso o apelido de "golfinhada", e o fato de o estilo borboleta também ser conhecido como "estilo golfinho"), e a cabeça é arqueada para fora da água para que o nadador respire. Assim como no estilo peito, o nadador é obrigado a retirar a cabeça da água a cada braçada, mesmo que não respire em todas as ocasiões. Para minimizar o arrasto sem desrespeitar as regras, tanto no estilo borboleta quanto no peito, a solução encontrada pelos nadadores foi retirar a cabeça da água parcialmente, mantendo o rosto na água, nas braçadas em que não respiram, e totalmente nas que respiram.

O terceiro e último estilo oficial da FINA é o nado de costas, que também tem seis provas, nas distâncias de 50, 100 e 200 metros, com provas separadas para homens e mulheres. O nado de costas também era usado desde a antiguidade para recreação, mas apenas no final do século XIX é que começaram a surgir competições específicas neste estilo. Diferentemente de nos demais estilos, no nado de costas o nadador fica de barriga para cima na água, o que facilita a respiração. Os braços, assim como no borboleta, se movem em um círculo completo no sentido anti-horário, saindo da água e puxando-a quando retornam a ela; diferentemente do borboleta, porém, no nado de costas os braços não se movem simultaneamente, mas alternadamente, com um braço saindo da água assim que o outro entra. Enquanto o nadador move os braços, ele move os joelhos também alternadamente, fazendo com que seus pés atuem como uma espécie de propulsor. Como os nadadores ficam de barriga para cima na água, a largada do nado de costas não é feita nos blocos de partida, e sim dentro da água, com os pés de cada nadador apoiados nas placas de pressão das bordas da piscina, seus joelhos dobrados, suas costas arqueadas e suas mãos tocando a borda acima da água. Ao ser dado o sinal de largada, os nadadores soltam as mãos e usam as pernas parta obter impulso. Durante os 15 metros que podem percorrer submersos, os nadadores costumam manter os braços esticados atrás da cabeça e mover apenas as pernas, ambas simultaneamente, imitando o movimento de um tecido balançando ao vento.

Das 24 provas que ainda restam, 16 pertencem ao estilo livre: as distâncias de 50, 100, 200, 400, 800 e 1.500 metros e os revezamentos 4 x 100 metros e 4 x 200 metros, todos com provas separadas para homens e mulheres. Ao contrário do que muita gente pensa, "estilo livre" não é um estilo oficial da FINA como o peito, o borboleta e o nado de costas; "estilo livre" simplesmente significa que cada atleta da prova é livre para usar o estilo que bem entender - em teoria, se alguém quiser nadar uma prova de 1.500 metros estilo livre usando nado cachorrinho, não poderá ser desclassificado por causa disso.

Mas, como o objetivo de todos os atletas é ganhar a prova, é óbvio e evidente que todos vão querer usar o estilo mais rápido, e o estilo mais rápido, atualmente, é o chamado crawl. O crawl já era usado por vários povos indígenas das Américas, mas só começou a se popularizar dentre os nadadores profissionais no início do século XX, quando nadadores da Austrália e dos Estados Unidos começaram a utilizá-lo em competições na Europa. O estilo crawl usado hoje foi criado pelo norte-americano Charles Daniels, medalhista de ouro nas provas de 200 e 400 metros das Olimpíadas de 1904, em Saint Louis, Estados Unidos, que o adaptou de vários estilos semelhantes usados por outros nadadores da época.

No estilo crawl, o nadador move os braços alternadamente como no nado de costas, com um braço só saindo da água quando o outro entra; os braços, porém, não fazem um círculo completo: cada braço puxa a água esticado, por baixo do corpo do nadador, e depois sai da água apenas levemente, retornando à sua posição inicial em um movimento lateral. Paralelamente a isso, as pernas, esticadas mas relaxadas, são movidas alternadamente para que os pés atuem como propulsor, e tronco faz um movimento lateral, inclinando-se para o lado do braço que está puxando a água; durante essas inclinações, os nadadores retiram o rosto da água lateralmente para respirar, embora não o façam em todas as inclinações. Vale citar como curiosidade que o motivo pelo qual o crawl é tão usado e tão popular é simplesmente porque ele é o estilo mais veloz: ao contrário do estilo peito, do borboleta e do nado de costas, o crawl não é regulado pela FINA, o que significa que, além de ele não ser um estilo oficial, não existem regras escritas sobre como devem ser seus movimentos.

As provas de revezamento merecem uma pequena explicação: cada uma delas é disputada não por um, mas por quatro atletas, todos representando o mesmo país (ou time, no caso de uma competição nacional ou regional). Todos os atletas devem nadar a mesma distância, ou seja, no revezamento 4 x 100 metros cada atleta nada 100 metros, para um total de 400 metros, e no revezamento 4 x 200 metros cada atleta nada 200 metros, para um total de 800. Um dos atletas será escolhido para abrir o revezamento, iniciando a prova quando a largada for autorizada; os demais esperam na borda da piscina, e, cada um deles, em uma ordem pré-determinada, sobe no bloco de partida quando o anterior estiver se aproximando. Cada atleta só pode deixar o bloco de partida quando o anterior tocar a placa de pressão na borda da piscina, sendo a equipe inteira desclassificada se alguém for apressadinho. Curiosamente, o tempo do primeiro atleta de um revezamento, mas apenas o do primeiro, conta como recorde da prova equivalente, caso seja um tempo mais baixo que o dela - o tempo do primeiro atleta de um revezamento 4 x 100 metros conta como recorde dos 100 metros livre caso seja mais baixo que o atual recorde dos 100 metros livre, por exemplo.

As oito provas que faltam são do chamado Medley - que não é um estilo, então "estilo Medley" não é uma expressão correta. As provas do Medley são disputadas nas distâncias de 100, 200 e 400 metros e no revezamento 4 x 100 metros, com provas separadas para homens e mulheres, e as duas provas dos 100 metros Medley (a masculina e a feminina) sendo disputadas apenas na piscina curta. O Medley, na verdade, é uma prova que utiliza os quatro estilos, cada um sendo usado exatamente durante um quarto da prova. Nas provas individuais, no primeiro quarto é usado o estilo borboleta, no segundo o estilo peito, no terceiro o nado de costas e, no quarto final, qualquer estilo que não seja um desses três, com praticamente todos os nadadores usando o crawl; na prática, isso significa que, na prova dos 200 metros Medley, o nadador pula na água e faz os primeiros 50 metros usando o estilo borboleta, faz a virada e retorna com o estilo peito, faz a virada e segue com o estilo costas, faz a virada e retorna com o estilo crawl, e, na prova dos 400 metros Medley, ele vai e volta com cada estilo antes de trocar - e por isso a prova dos 100 metros Medley só é disputada na piscina curta, pois seria impossível os nadadores trocarem de estilo no meio da piscina; na piscina curta, na prova dos 200 metros Medley, os nadadores vão e voltam antes de trocar de estilo, e, na dos 400 metros Medley, vão e voltam duas vezes em cada estilo. Na prova de revezamento, a ordem normal é alterada, com o nado de costas sendo o primeiro, seguido do borboleta, do peito e então do estilo livre; isso é feito porque, no revezamento, cada estilo será usado por um atleta diferente, e seria impossível para o atleta do estilo costas pular na piscina de costas partindo do bloco de partida quando o do estilo peito tocasse a borda da piscina. Assim como nos revezamentos do estilo livre, o tempo do primeiro atleta do revezamento Medley, se for mais baixo que o atual recorde dos 100 metros costas, conta como recorde dos 100 metros costas.

É interessante notar que nem todas as provas oficiais da FINA fazem parte das Olimpíadas: além das duas óbvias provas dos 100 metros Medley, disputadas apenas em piscina curta, as Olimpíadas não contam com os 800 metros estilo livre masculino, os 1.500 metros estilo livre feminino, nem com as provas de 50 metros estilo peito, costas ou borboleta, tanto no masculino quanto no feminino. Isso faz com que, das 42 provas oficiais da FINA, apenas 32 sejam disputadas nas Olimpíadas.

Assim como no das Olimpíadas, a natação está, desde a primeira edição, no programa do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, evento realizado pela FINA desde 1973, de início a intervalos irregulares, mas atualmente a cada dois anos, sempre nos anos ímpares, e que conta com provas não só da natação, mas dos saltos ornamentais, nado sincronizado e polo aquático. Tanto nas Olimpíadas quanto no Mundial, a piscina usada é a olímpica; por isso, a FINA organiza também, o Mundial de Piscina Curta, desde 1993, atualmente a cada dois anos, mas sempre nos anos pares - o que faz com que o Mundial de Esportes Aquáticos e o Mundial de Piscina Curta se intercalem. Na última edição, em 2014, a FINA experimentou seis provas novas: os revezamentos 4 x 50 metros livre masculino, feminino e misto; e os 4 x 50 metros Medley masculino, feminino e misto, sendo que cada equipe, nas provas mistas, conta com dois homens e duas mulheres; essas provas, entretanto, ainda não são consideradas oficiais.

A natação também possui uma versão paralímpica, regulada não pela FINA, mas pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), que, através de um acordo, se dispõe a aceitar todas as regulações determinadas pela FINA, com apenas as poucas adaptações necessárias para a participação plena dos atletas com deficiências. A natação faz parte das Paralimpíadas desde sua primeira edição, em 1960. As provas atualmente reconhecidas pelo IPC são os 50, 100, 200 e 400 metros estilo livre; os 50 e 100 metros estilo peito; 50 e 100 metros estilo borboleta; 50 e 100 metros estilo costas; 150 e 200 metros Medley (sendo que a prova de 150 metros não possui o estilo peito); revezamento 4 x 50 metros estilo livre; revezamento 4 x 100 metros estilo livre; e revezamento 4 x 100 metros Medley. Todas as provas podem ser disputadas no masculino e no feminino, sendo que os revezamentos também podem ser mistos, com equipes sempre compostas por dois homens e duas mulheres. Cada prova também possui múltiplas versões (nas Paralimpíadas de 2012, por exemplo, foram realizadas 11 provas dos 50 metros estilo livre masculina) para que atletas com diferentes deficiências possam competir separadamente.

Sim, pois, assim como em outros esportes paralímpicos, os atletas da natação são classificados de acordo com sua deficiência, usando uma escala que vai de 1 a 14. A categoria 14 é reservada para os atletas com deficiências intelectuais. Nas categorias de 11 a 13 são classificados os deficientes visuais, sendo que os da categoria 11 são os que possuem uma deficiência severa, os da 12 uma deficiência moderada, e os da 13 uma deficiência branda. Atletas da categoria 11 devem usar óculos especiais completamente negros, para que todos atuem em igualdade de condições - pois alguns são totalmente cegos, enquanto outros ainda conseguem distinguir vultos. Atletas das categorias 11 e 12 também contam com a ajuda (obrigatória na 11, opcional na 12) de assistentes, chamados tappers, que usam uma vara comprida para tocar em suas costas (ou barriga, no nado de costas) quando eles estiverem a cinco metros da borda da piscina, para que eles saibam que devem fazer a virada ou terminar a prova, e não trombem com a borda.

Nas categorias 1 a 10 são classificados os atletas com deficiências físicas, sendo que, quanto mais baixo o número, mais severa a deficiência. Assim, nas categorias 1 e 2 estão os atletas com pouca força ou controle nos braços, pernas e tronco, como os tetraplégicos; enquanto na 6 estão os que sofreram amputações de ambos os braços ou possuem uma deficiência que impossibilite seu uso pleno; e na 10 os que possuem apenas uma das mãos ou dos pés ou dificuldade para girar o quadril. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, no atletismo, na natação não há separação dos atletas por deficiência nas categorias de 1 a 10, sendo levado em conta, puramente, seu desempenho na água; assim, pode ocorrer de um paraplégico, um amputado, um paralisado cerebral e um portador de nanismo disputarem a mesma prova, caso todos sejam classificados na mesma categoria. As provas de revezamento seguem uma regra especial: nelas, atletas de diferentes categorias podem fazer parte de uma mesma equipe, desde que a soma dos números de suas categorias não ultrapasse um determinado valor - para as categorias de 1 a 10, o revezamento pode ser o chamado "baixo", cuja soma deve ser de até 20 pontos, ou "alto", de até 34 pontos, enquanto para as classes de 11 a 13 a soma deve ser de até 49 pontos. Assim, uma equipe que vá participar de um revezamento "baixo" pode ser composta, por exemplo, tanto por quatro atletas de categoria 5 quanto por um 7, um 3, um 6 e um 4.

Além da classificação numérica, os atletas da natação paralímpica possuem uma classificação com letras, referente a em quais provas eles estão aptos a competir: a letra S significa que aquele atleta compete nas provas do estilo livre, costas e borboleta, enquanto o código SB é para as provas de estilo peito, e o SM para as provas de Medley. Essa diferenciação é feita porque, devido às características do estilo peito, nem todos os atletas, de acordo com sua deficiência, conseguem ter nesse estilo o mesmo desempenho que têm nos demais - um mesmo atleta, portanto, pode ser classificado como S6 para as provas de estilo livre, borboleta e costas, mas SB5 para as provas do estilo peito. É por esse motivo, também, que existe a prova dos 150 metros Medley, que começam com o estilo borboleta, passam para o nado de costas e terminam com o estilo livre, sem a presença do estilo peito. Por fim, vale citar que o IPC permite que o atleta, dependendo do grau de sua deficiência, assuma diferentes posições na largada, como a normal no bloco de partida, no bloco de partida mas com um ajudante lhe dando equilíbrio, sentado no bloco de partida, em posição normal ou sentado, mas na borda da piscina ao invés de no bloco de partida, e partindo de dentro da água.

No final da década de 1980, a FINA começaria a regular também uma outra modalidade de natação, a natação em águas abertas. Diferentemente da natação tradicional, as provas da natação em águas abertas não são disputadas em piscinas, mas em mares, lagos, rios e represas. É interessante notar que, no início - como nas duas primeiras Olimpíadas, por exemplo - não havia qualquer distinção entre as provas de natação em piscinas ou em águas abertas, com ambas adotando as mesmas distâncias e regras. Conforme as piscinas foram se popularizando, porém, principalmente por proporcionarem igualdade de condições a todos os competidores, gradualmente as provas de águas abertas foram sendo abandonadas em competições oficiais, restando apenas proezas individuais como a tentativa de travessia do Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, ou provas tradicionais como a Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro. Com a popularização do triatlo, que tem sua parte de natação disputada em águas abertas, muitos nadadores, inclusive alguns que costumavam disputavar as provas de 800 e 1.500 metros estilo livre, passariam a se interessar pela natação em águas abertas, seja como treinamento ou pelo desafio de enfrentar elementos que não existem na piscina, como ondas e correnteza. Devido a essa popularização, a FINA decidiria regular a natação em águas abertas com regras próprias, ao invés de apenas liberar o uso de águas abertas para as provas que já existiam. Por causa disso, aliás, a FINA considera a natação em águas abertas como um esporte separado da natação.

Atualmente, a FINA reconhece como oficiais sete provas da natação em águas abertas, nas distâncias de 5, 10 e 25 Km, com provas separadas para homens e mulheres, e uma prova por equipes, na qual cada equipe é composta por dois homens e uma mulher, cada um nadando 5 Km. Todas essas provas estão presentes no Mundial de Esportes Aquáticos, do qual a natação em águas abertas faz parte desde 1991. Nas Olimpíadas, onde a natação em águas abertas estreou em 2008, em Pequim, China, só são disputadas as provas de 10 Km, com o nome de "maratona aquática" e como se fizessem parte do programa da natação, e não como um esporte separado.

As provas da natação em águas abertas começam com os competidores fora da água. Quando a largada é autorizada, todos correm, entram na água e começam a nadar. Diferentemente do que ocorre nas piscinas, não existem provas eliminatórias, com muitos atletas disputando as provas simultaneamente. Todas as provas de águas abertas são de estilo livre, e, assim como ocorre nas piscinas, quase todos os competidores usam o estilo crawl, por ser o mais rápido. O percurso que os nadadores devem cumprir é demarcado por boias, e equipes de salvamento seguem os competidores em barcos por fora desse percurso para auxiliá-los em caso de cãibras ou outros acidentes. A linha de chegada também é marcada por uma boia, normalmente em forma de portal, com os competidores devendo passar por baixo dela para encerrar a prova.

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