segunda-feira, 2 de março de 2015

Hole

Como eu disse semana passada, às vezes a melhor fonte de assunto para o átomo é o próprio átomo. Quando eu escrevi o post sobre a Tanya Donelly, resolvi contar quantos dos meus posts sobre música eram dedicados a cantoras e, dos que eram dedicados a bandas, quantos eram dedicados a bandas com vocalistas femininas. A princípio, aquele não seria um post sobre Tanya Donelly, mas sobre o Belly, uma das bandas das quais ela foi vocalista, e que eu adoro, mas sobre a qual nunca tinha escrito por achar que ia ter pouco assunto. Até por causa disso, quando comecei a escrever, acabei achando que fazer um post sobre a própria Tanya seria mais interessante - afinal, eu já ia mesmo falar de sua carreira solo pós-Belly, e acabei falando à beça sobre sua participação no Throwing Muses, de forma que o foco já nem era mais o Belly. Quando o post ainda era sobre o Belly, porém, eu tive a ideia para o post de hoje.

Vejam bem, na contagem dos posts, das 22 bandas sobre as quais eu já havia escrito, 12 tinham vocalistas masculinos e 10 tinham vocalistas femininas. Caso aquele fosse mesmo um post sobre o Belly, a contagem ficaria 12 a 11. E aí eu pensei "bem que eu podia arrumar mais uma para empatar", e a primeira que me veio à cabeça foi o Hole. O post acabou sendo não sobre o Belly, mas sobre Tanya Donelly, a contagem continuou 12 a 10, mas a vontade de escrever sobre o Hole já estava instaurada em minha mente. De onde ela sairá agora, com o post que vocês estão lendo.

Como quase todo mundo, eu comecei a prestar atenção no Hole porque era a banda "da viúva do Kurt Cobain". Eu nunca fui muito fã do Nirvana - não tenho nenhum CD deles, por exemplo - mas era a banda mais relevante da época, de forma que eu conhecia todas a músicas lançadas e até gostava de algumas, o que fazia que um interesse em uma "banda relacionada" fosse natural. Em mais uma das peças pregadas pela mídia, entretanto, Hole não tem absolutamente nada a ver com Nirvana - o som deles nem era grunge, por exemplo - e o que aconteceu foi que as músicas cantadas pela "viúva do Kurt Cobain" acabaram me agradando muito mais do que as cantadas pelo próprio Kurt Cobain. Comprei três CDs do Hole (os três primeiros), durante muito tempo os incluí em minha lista de bandas favoritas, mas, graças a um hiato em sua carreira, fui perdendo o interesse. Hoje, porém, ainda gosto das músicas antigas, e ainda as ouço com uma certa frequência.

Caso você não saiba, aliás, a "viúva do Kurt Cobain" se chama Courtney Love - ou não, já que esse é um nome artístico: ela nasceu Courtney Michelle Harrison em San Francisco, Califórnia, em 9 de julho de 1964. Seu pai trabalhava em uma editora, mas, no início da década de 1970, foi durante um breve período de tempo empresário da banda Grateful Dead. Sua mãe é psiquiatra e filha da famosa escritora Paula Fox com um pai desconhecido - o qual muitos alegam ser ninguém menos que Marlon Brando, com quem Fox teve um caso na mesma época em que engravidou da mãe de Courtney.

A menina teve uma infância difícil: quando ela tinha 5 anos, seus pais se divorciaram, e sua mãe entrou na justiça para impedir seu pai de vê-la, alegando que ele tinha o costume de dar LSD para Courtney quando ela ainda era um bebê. No ano seguinte, sua mãe se mudaria para a cidade de Marcola, Oregon, para viver em uma comunidade hippie, onde se casaria novamente, teria mais duas filhas e um filho, que faleceria pouco após o nascimento, e adotaria um menino. Após apenas dois anos vivendo na comunidade, sua mãe se divorciaria mais uma vez, e se mudaria com os quatro filhos para a Nova Zelândia. Courtney teria horríveis dificuldades de adaptação, e acabaria sendo mandada de volta para os Estados Unidos, indo morar com o padrasto na cidade de Portland, também no Oregon, onde cresceu.

Desde criança, Courtney tinha muitas dificuldades de aprendizado na escola e para fazer amigos, mas era considerada por seus professores uma criança criativa. Desejando se tornar atriz, aos 12 anos ela faria um teste para o programa Clube do Mickey, no qual não passaria. No ano seguinte, faria um curso de cinema com o então desconhecido diretor Gus Van Sant. Ao entrar na adolescência, ela se tornaria bastante problemática, e, após ser presa aos 14 anos por furtar uma camiseta de uma loja, seria enviada para uma unidade correcional, e seu padrasto perderia sua guarda. Ao ser liberada, ela viveria em diversos lares adotivos, nunca se adaptando a nenhum, até conseguir, aos 16 anos, que sua mãe a emancipasse. A partir daí, ela arrumaria um monte de empregos de curta duração, como colhedora de frutas em uma fazenda, garçonete em uma boate gay, e stripper e DJ em um clube noturno. Aos 17 anos, ela receberia um dinheiro dos pais de seu padrasto, e decidiria usá-lo para viajar para a Irlanda e, depois, para o Reino Unido, onde teria um caso com o músico Julian Cope.

Esse relacionamento a motivaria a se tornar cantora, e, após retornar aos Estados Unidos, ela tentaria formar, com dois amigos de adolescência, uma banda chamada Sugar Babydoll, que não deu muito certo. Em 1982, após descobrir que a banda Faith No More, que estava começando, procurava por um vocalista, ela foi até San Francisco e os convenceu a deixá-la fazer um teste; Courtney até chegaria a gravar algumas músicas como vocalista do Faith No More, mas, como a banda preferia um vocalista masculino, acabou não sendo contratada. Ela não desistiria, porém, e, após conhecer Kat Bjelland em um clube noturno de Portland em 1984, formaria com ela a banda Pagan Babies, que chegaria a fazer alguns shows em casas noturnas da cidade e a gravar uma fita demo antes de se separar no final de 1985. Bjelland formaria, então, a banda Babes in Toyland, e Courtney decidiria desistir de ser cantora e voltar a tentar ser atriz.

Com o dinheiro que ganhou tentando ser cantora, ela se matricularia no Instituto de Arte de San Francisco; seu primeiro papel seria um um curta dirigido por George Kuchar, que foi um de seus professores. Ao saber que estavam sendo feitos testes para o papel de Nancy Spungen no filme Sid & Nancy - O Amor Mata, de 1986, que contava a história da vida de Sid Vicious, baixista e vocalista da banda Sex Pistols, ela se candidataria, mas acabaria ficando apenas com um pequeno papel, quase de figurante. Desapontada, ela decidiria se mudar para Nova Iorque e voltar a trabalhar como stripper. Lá, ela seria convidada pelo diretor de Sid & Nancy, Alex Cox, para protagonizar seu filme seguinte, Straight to Hell, de 1987, ao lado de Joe Strummer, vocalista da banda The Clash. Após também fazer uma figuração no clipe da música I Wanna be Sedated, dos Ramones, Courtney, confusa e sem saber que rumo queria tomar na vida, decicidiria largar tudo e, em 1989, se mudar para o Alasca.

Courtney ficaria menos de um ano no Alasca. Lá, ela decidiria aprender a tocar guitarra - até então, o único instrumento que ela tocava era o piano, e, ainda assim, não muito bem - e dar uma nova chance ao seu sonho de ser cantora. Do Alasca, ela voltaria para a Califórnia, para a cidade de Los Angeles, onde alugaria um apartamento e colocaria um anúncio em um fanzine de música, o Recycler, que dizia "quero montar uma banda, minhas influências são Big Black, Sonic Youth e Fleetwood Mac".

O anúncio seria respondido pelo guitarrista Eric Erlandson, que se encontrou com Courtney em um café, e ficou muito impressionado com ela, principalmente porque, mesmo sem tê-lo visto tocar, ela insistia que ele era a pessoa certa - ele chegou até mesmo a pensar "no que estou me metendo", diante do comportamento tresloucado da moça. A parceria acabaria mesmo se concretizando, porém, e Courtney e Erlandson passariam a ensaiar regularmente, enquanto tentavam encontrar novos membros para terminar de formar a banda.

Após conhecer Erlandson, Courtney queria colocar o nome da banda de Sweet Baby Crystal Powered by God, mas, como ele não concordava, ela acabaria optando por Hole (que significa "buraco", em inglês). A versão extra-oficial é a de que o nome possui uma conotação sexual, uma referência à vagina, mas, embora Courtney assuma que esse acabou sendo um "efeito colateral" bem-vindo, a versão oficial é a de que ela teria tido a inspiração para o nome durante uma conversa por telefone com a mãe, na qual ela reclamou de ter tido uma infância complicada e a mãe respondeu "você não pode ter esse buraco dentro de si todo o tempo" - "buraco", aí, no sentido de "vazio", evidentemente.

A primeira formação completa do Hole teria Courtney como vocalista e guitarrista, Erlandson como guitarrista e Lisa Roberts, que coincidentemente morava no mesmo prédio que Courtney, como baixista. Segundo Erlandson, os ensaios eram pouco mais que ele tocando e as duas moças berrando a plenos pulmões, embora ele visse algum mérito nas letras escritas por Courtney. Courtney continuaria trabalhando como stripper para poder pagar pelo aluguel do espaço onde ensaiavam e para poder pagar por um baterista para suas apresentações nos bares e casas noturnas da cidade. A primeira apresentação do Hole ocorreria no Raji, um pequeno bar de Hollywood, em setembro de 1989, e contaria com Caroline Rue na bateria e Mike Geisbrecht como terceiro guitarrista; pagos por fora de início, ambos acabariam aceitando fazer parte da banda e dividir os lucros dos shows com os outros três. No início de 1990, Geisbrecht e Roberts decidiriam deixar a banda para buscar outros projetos, e Courtney convidaria Jill Emery para ser a nova baixista.

As apresentações do Hole em Hollywood chamariam a atenção da pequena gravadora Sympathy for the Record Industry, especializada em bandas punk de garagem, que os convidaria para gravar um single, Retard Girl, lançado em abril de 1990. Quando Courtney descobriu que Rodney Bingenheimer, apresentador de um programa de rock em uma rádio local, tomava café da manhã em uma lanchonte da Sunset Boulevard, o Hole passou a ir até lá diariamente e pedir para que ele tocasse Retard Girl em seu programa. Bingenheimer acabaria atendendo, e o Hole logo começaria a chamar a atenção do público e das gravadoras, com caça-talentos passando a frequentar seus shows, cada vez mais cheios. O som da banda, porém, ainda era considerado muito "cru" - e a atitude de Courtney não ajudava: quando abordada por um representante de uma gravadora, que lhe disse que a banda precisava de um som mais refinado, ela simplesmente o mandaria passear (não foi bem isso que ela falou, mas acho que vocêe entenderam).

A barulheira da banda pareceu não incomodar a gravadora Caroline Records, que os contratou no início de 1991, e lançou seu primeiro álbum, Pretty on the Inside ("bonito por dentro", nome que até hoje eu acho genial), em setembro daquele ano. O álbum foi um grande sucesso dentre os críticos de bandas indie e underground, e foi eleito um dos melhores do ano pela revista Spin. As vendas também foram boas não só nos Estados Unidos mas também no Reino Unido, onde a música Teenage Whore chegou ao primeiro lugar da parada indie, o que rendeu à banda um convite para uma turnê pela Europa abrindo shows para o Mudhoney. Ao retornar aos Estados Unidos, eles receberiam convites para abrir shows dos Smashing Pumpkins, Sonic Youth e Slug. O som de Pretty on the Inside remetia ao punk, com excesso de feedback, guitarras caóticas, contraste de tempos e letras chocantes e quase berradas; apesar de todo o sucesso que fez na época, Courtney, após seu lançamento, passou a não gostar dele, considerando-o "inaudível".

Parte dessa opinião pode ter vindo de Cobain, com quem Cortney começou a se relacionar pouco após o lançamento do álbum - afinal, Cobain também berrava, mas as músicas do Nirvana eram arranjadinhas, não bagunçadas como as do Hole até então. Logo no início de seu relacionamento com Cobain, Courtney engravidou de uma menina, Frances Bean Cobain, que nasceria em 1992. Por causa da gravidez, ela colocaria a carreira do Hole em suspenso, participando apenas da gravação de singles e de pequenos shows beneficentes ao lado de Cobain.

Durante a gravidez, Courtney também aproveitaria para começar a criar o material para o segundo álbum do Hole. Ela e Erlandson tomariam a decisão de mudar a direção da banda e invetsir em um rock mais melódico e controlado, mas ainda com letras contundentes que falassem sobre auto-imagem, identidade sexual e feminismo. A mudança no estilo musical desagradaria a Emery e Rue, que decidiriam deixar a banda. Patty Schemel seria contratada como a nova baterista após um teste, e Courtney colocaria um anúncio procurando uma nova baixista, mas não seria bem sucedida, o que levaria a banda a ter de atuar com baixistas contratados, ou com a própria Courtney no baixo, durante quase um ano; somente no início de 1993 é que Kristen Pfaff, ex-baixista da banda Janitor Joe, seria anunciada como a nova baixista do Hole.

No final de 1992, o Hole fecharia um contrato com a Geffen, mesma gravadora do Nirvana, que previa nada menos que oito álbuns. O primeiro desses álbuns, Live Through This, seria lançado em 12 de abril de 1994, uma semana após o suicídio de Kurt Cobain. Courtney passou vários dias enlutada, se recusando a promover o álbum ou a falar sobre ele com a imprensa, mas o fato é que ser "a viúva de Kurt Cobain" acabaria contribuindo imensamente pelo interesse do público e da mídia.

É óbvio que o álbum tem grandes méritos, mas, devido à comoção do suicídio de Cobain, jamais saberemos se ele conseguiria o mesmo desempenho caso o vocalista do Nirvana ainda estivesse vivo: Live Through This ganharia três Discos de Platina, seria eleito Álbum do Ano pela Spin, elogiadíssimo pela Rolling Stone, e suas cinco músicas de trabalho (de um total de 12 no álbum) - Doll Parts, Miss World, Violet, Asking for It e Softer, Softest - se tornariam grandes sucessos de crítica, que elogiariam, principalmente, suas referências ao feminismo. Os shows que se seguiram ao lançamento do álbum foram verdadeiras catarses, com Courtney cantando quase aos prantos em alguns deles, a plateia em transe na maioria, e os críticos declarando que jamais haviam visto algo igual.

A morte de Cobain, por incrível que pareça, não foi a única tragédia a acometer o Hole em 1994: em junho, apenas dois meses após o lançamento de Live Through This, Pfaff, há pouco mais de um ano com a banda, morreria de overdose de heroína. Para seu lugar, Courtney, seguindo uma recomendação de seu amigo Billy Corgan, vocalista dos Smashing Punpkins, contrataria a canadense Melissa auf der Maur, ex-baixista da banda Tinker, que abrira um show dos Smashing Pumpkins em Montreal. Além das mortes, o Hole teve ainda de lidar com uma "denúncia" de que Cobain, e não Courtney, teria escrito as músicas de Live Through This, o que acabou desmentido, mas deu muita dor de cabeça à banda. Com tudo isso, os nervos de Courtney estavam à flor da pele, tanto que, durante o Lollapalooza de 1995, ela se irritou com um comentário de Kathleen Hanna, vocalista do Bikini Kill, e deu-lhe um soco na cara.

Para aproveitar o sucesso e a exposição da banda, a Caroline Records decidiria lançar um EP, com três músicas inéditas e três covers, gravados em 1991 e 1992. Chamado Ask for It, o EP seria lançado em setembro de 1995. No fim daquele ano, devido a toda a tensão e ao estresse à qual a banda como um todo e ela em particular estavam sendo submetidos, Courtney decidiria colocar a banda em hiato por tempo indeterminado.

Durante o hiato, Courtney voltaria a investir em sua carreira de atriz participando nada menos que de três filmes em 1996, primeiro com pequenos papéis em Basquiat e Feeling Minnesota, mas ganhando um dos papéis principais de O Povo Contra Larry Flint, o de Althea, a esposa de Larry (Woody Harrelson). Escolhida pessoalmente pelo diretor, Milos Forman, Courtney foi motivo de preocupação para os executivos da Columbia Pictures, que a consideraram inadequada devido a seu "passado turbulento" e "parca carreira pregressa"; Forman decidiu bater o pé, e fez bem: Courtney faria uma interpretação elogiadíssima, seria indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática (perdendo para Brenda Blethyn, de Segredos e Mentiras) e ainda ganharia um baita elogio de Roger Ebert, considerado o maior crítico de cinema dos Estados Unidos, que disse que ela não era uma estrela do rock se arriscando no cinema, e sim uma verdadeira atriz.

Apesar de não fazer shows ou trabalhar em músicas novas, durante o hiato o Hole não ficou parado, gravando uma cover de Gold Dust Woman, do Fleetwood Mac, para a trilha sonora do filme O Corvo: A Cidade dos Anjos; lançando mais um EP, The First Session, de agosto de 1997, que continha quatro músicas gravadas na primeira vez em que o Hole entrou em um estúdio, em 1990, sendo uma delas, Turpentine, inédita; e uma coletânea, My Body, the Hand Grenade, de dezembro de 1997, contendo lados b, demos, singles e gravações raras ao vivo. Também durante o hiato, os membros da banda, principalmente Courtney, concordariam em adotar uma postura mais comportada em público, mas sem perder a essência em suas canções.

O resultado dessa decisão foi que Celebrity Skin, o terceiro álbum do Hole, lançado em setembro de 1998, era bem mais suave - e, portanto, comercial - que os anteriores. Billy Corgan ajudaria Courtney a "encaixar" suas letras nas melodias criadas por Erlandson, e acabaria sendo creditado como co-autor em cinco das faixas - o que daria origem a um boato semelhante ao de Live Through This, que dessa vez dizia que Corgan é que havia escrito as músicas de Celebrity Skin. Schemel aparece na capa do álbum e é creditada como baterista, mas, na verdade, quem gravou o álbum foi o baterista Deen Castronovo, por imposição do produtor Michael Beinhorn; Schemel, revoltada, deixaria a banda ao ser substituída, e Courtney e Erlandson, que haviam concordado com a decisão de Beihorn, se arrependeriam, mas não tinham como voltar atrás. Após o lançamento do álbum, a nova baterista do Hole seria Samantha Maloney, que apareceria nos clipes das músicas e faria a turnê de lançamento.

Celebrity Skin seria um grande sucesso de crítica e público, vendendo o suficiente para mais um Disco de Platina, sendo elogiado pelas revistas Rolling Stone, NME e Bender, e chegando ao nono lugar da Billboard 200. Sua primeira música de trabalho, também chamada Celebrity Skin, seria a primeira do Hole ao alcançar o topo das paradas de sucesso, chegando ao primeiro lugar da parada de rock moderno da Billboard. A segunda música de trabalho, Malibu, chegaria ao terceiro lugar, e a terceira, Awful, apesar de só chegar ao 13o, seria uma das mais tocadas nas rádios de rock em 1999. Celebrity Skin, o álbum, ainda renderia ao Hole suas quatro únicas indicações ao Grammy, de Melhor Álbum de Rock (perdendo para The Globe Sessions, de Sheryl Crow), Melhor Canção de Rock (Celebrity Skin, perdendo para Uninvited, de Alanis Morissette), e duas de Melhor Performance Vocal de Rock por uma Dupla ou Grupo (uma por Celebrity Skin no prêmio de 1999, perdida para Pink do Aerosmith, e uma por Malibu no prêmio de 2000, perdida para Put Your Light On, de Everlast e Santana).

Após a turnê de Celebrity Skin, Melissa auf der Maur deixaria a banda para tocar com os Smashing Pumpkins; pouco depois, Maloney também sairia, para tocar com o Mötley Crüe. Courtney retomaria sua carreira de atriz, conseguindo papéis de destaque em filmes de sucesso como O Mundo de Andy (1999), com Jim Carrey; Beat (2000), com Kiefer Sutherland; e Encurralada (2002), com Charlize Theron e Kevin Bacon. Ela também tentaria criar um projeto paralelo, uma banda chamada Bastard, com uma das ex-vocalistas do Veruca Salt, Louise Post; a baixista Gina Crowley; e Schemel na bateria. O projeto não foi para a frente, e as quatro jamais chegaram a gravar nada juntas.

Então, em maio de 2002, através do site da banda, Courtney e Erlandson anunciariam que o Hole estava formalmente encerrando suas atividades. Courtney tentaria uma carreira solo, enquanto Erlandson passaria a trabalhar como produtor musical. O fim da banda renderia um proceso da Universal, então dona da Geffen, já que eles tinham um contrato para oito álbuns e só lançaram dois. Esse processo se arrasta até hoje.

Processos à parte, Courtney conseguiria um contrato com a gravadora Virgin para lançar seu primeiro álbum solo, que decidira gravar na França, acompanhada por Linda Perry, do 4 Non Blondes, e de Schemel. A Virgin, porém, não gostou do resultado, e obrigou Courtney a regravar todas as músicas em seu estúdio de Los Angeles. Chamado America's Sweethart (a "namoradinha da América"), o álbum seria lançado em 2004 e dividiria a crítica, com a Spin lhe rasgando elogios e a Rolling Stone declarando que era uma prova da decadência de Courtney como artista. A própria Courtney não ficou satisfeita com o resultado final, e pôs a culpa no fato de que estava usando drogas como se não houvesse amanhã enquanto o gravou.

Courtney ainda faria uma segunda tentativa em 2006: acompanhada de Perry e Corgan, ela escreveria e tentaria gravar várias músicas para um segundo álbum, que se chamaria How Dirty Girls Get Clean. Graças às drogas, entretanto, ela já quase não tinha coordenação motora, ficando quase incapaz de tocar guitarra. Courtney acabaria desistindo do álbum e cancelando o projeto, mas algumas de suas músicas, ainda sem pós-produção, vazariam na internet.

Em 2009, Courtney anunciaria que o Hole estava voltando à ativa com uma nova formação, pegando a todos, principalmente Erlandson, de surpresa. Segundo ele, ele e Courtney tinham um contrato, segundo o qual o nome Hole não poderia ser usado a menos que ambos estivessem na banda; Courtney respondeu dizendo que o nome era dela, e que tal contrato jamais existiu. Nobody's Daughter, o quarto álbum do Hole, seria lançado em abril de 2010 pela Mercury Records, e seria majoritariamente composto por canções que Courtney havia escrito para How Dirty Girls Get Clean. O álbum seria um sucesso de crítica, e sua primeira música de trabalho, Skinny Little Bitch, seria uma das mais tocadas nas rádios de rock naquele ano. Além de Courtney, a nova formação do Hole contava com o guitarrista Micko Larkin, o baixista Shawn Dailey e o baterista Stu Fisher. Após o lançamento do álbum, a banda sairia em uma enorme turnê que durou dois anos, e, além dos Estados Unidos, incluiu shows na Europa, Japão, Rússia e Brasil. Durante essa turnê, Scott Lipps substituiria Fisher na bateria.

A nova formação do Hole duraria apenas esse álbum e essa turnê; em janeiro de 2013, Courtney retomaria sua carreira solo, iniciando uma turnê pelos Estados Unidos e lançando vários singles. Em 2014, ela anunciaria que fez as pazes com Erlandson - após admitir que foi um erro lançar o último álbum usando o nome do Hole, e que só o fez por não ter tido coragem de lançá-lo como um álbum solo - e que ambos estavam considerando para 2015 um retorno do Hole com a formação de 1995 - Courtney, Erlandson, Schemel e auf der Maur. Enquanto esse retorno não se concretiza, Courtney retomou sua carreira de atriz, dessa vez na televisão, com papéis nas séries Sons of Anarchy e Empire.

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