segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Lanterna Verde

Acho que não é segredo para ninguém que eu prefiro Marvel a DC. Isso não significa, porém, como muitos por alguma razão costumam interpretar, que eu odeie a DC ou não ache graça em suas histórias. Eu pura e simplesmente não as acompanho.

Bom, a bem da verdade, já há muito tempo que eu não acompanho é nada de quadrinhos. Mas, na adolescência, quando eu acompanhava, só comprava Marvel. Da DC, só uma graphic novel ou outra e, quase sempre, era do Batman.

Também diferentemente da impressão que isso possa passar, o Batman nunca foi meu personagem DC preferido. Eu gosto pra caramba do Batman, mas, desde o desenho dos Superamigos que eu decidi que meu preferido era o Lanterna Verde. Não sei bem por que, talvez por ele ter um dos poderes mais legais - poder criar qualquer coisa com a força da imaginação.

Já há muito tempo que eu penso em fazer um post sobre o Lanterna Verde aqui no átomo, mas sempre adio por alguma razão. Da última vez, até comecei a escrevê-lo, mas parei e apaguei tudo. Hoje, decidi dar outra chance - e não é que saiu? Por isso, reservem suas passagens para Oa, porque hoje é dia de Lanterna Verde no átomo!

Hal JordanO Lanterna Verde original não era aquele dos Superamigos. Ele se chamava Alan Scott, e foi criado pelo cartunista Martin Nodell, usando o pesudônimo de Mart Dellon, no início da década de 1930. Nodell alegou ter tido sua inspiração quando caminhava próximo à linha férrea, e viu pendurada uma das lanternas com as quais os ferroviários sinalizavam para os trens. Nodell já pensava há algum tempo em criar um super-herói que portasse um anel mágico - ideia que teve após assistir à ópera de Richard Wagner inspirada na famosa lenda germânica O Anel dos Nibelungos - e, ao avistar a lanterna - que, por alguma razão, era de cor verde, e não preta como o normal - pensou em chamar seu herói de "Lanterna Verde", e dar a ele não somente um anel, mas também uma lanterna, com a qual ele "recarregaria" os poderes do anel.

Nodell trabalhou sete anos no conceito do personagem, experimentando várias versões de uniforme e de poderes, a maioria deles inspirados nas lendas da mitologia grega. Como o anel era mágico, e a lanterna era uma espécie de lâmpada, ele pensou em batizar a identidade secreta do herói como Alan Ladd, fazendo um jogo de palavras com o nome "Aladdin"; um amigo seu, o roteirista Bill Finger, com quem Nodell costumava conversar a respeito de sua criação, o desaconselhou, dizendo que o nome era sem-graça e não iria pegar junto ao público. Nodell, então, abriu a lista telefônica a esmo, e decidiu chamar o personagem de Alan Scott. Curiosamente, após a estreia do Lanterna Verde, surgiria um ator chamado Alan Ladd, que faria bastante sucesso atuando nas produções da Paramount.

Após anos trabalhando no personagem, Nodell finalmente chegou a uma versão definitiva, que apresentou à All-American Publications, uma das três editoras que, em 1946, se uniriam para criar a DC Comics. O editor Max Gaines gostou do conceito do personagem, e, após a luz verde (sem trocadilho), o Lanterna Verde estrearia na revista All-American Comics número 16, de julho de 1940, com roteiro de Nodell e Finger e arte de Nodell.

Segundo a origem criada por Nodell, Scott era um engenheiro ferroviário, que, após um terrível acidente no qual uma ponte da linha férrea desaba, encontra uma estranha lanterna de cor verde. A lanterna fala com ele, e lhe revela que o ocorrido não foi acidente, e sim um ato criminoso. Mais ainda, a lanterna o instrui sobre como forjar um anel a partir de seu metal, que lhe dará incríveis poderes para combater o crime. Forjando o anel e criando para si um uniforme, Scott decide adotar o codinome de Lanterna Verde, e usar seus novos poderes para combater o mal, começando pelos criminosos que causaram o desabamento da ponte.

A "lanterna falante" tinha uma explicação, que não envolvia Scott ter batido forte com a cabeça durante o acidente: ela fora forjada dos restos de um estranho meteoro, que caiu na China na antiguidade, o que faz com que seus poderes sejam de origem alienígena. Usando o anel, Scott podia voar, atravessar objetos sólidos - "viajando pela quarta dimensão" - e lançar raios que podiam nocautear, hipnotizar, cegar ou paralisar pessoas temporariamente, derreter metal e fazer com que objetos perigosos brilhassem. O poder mais característico do Lanterna Verde, o de criar objetos sólidos com o poder do anel, só seria introduzido bem mais para a frente, e, mesmo assim, Scott o usaria muito raramente. Apesar de todo o seu poder, o anel possuía duas desvantagens: primeiro, tinha de ser recarregado a cada 24 horas, bastando, para isso, encostá-lo na lanterna; quanto mais tempo se passava desde a última carga, mais fraco ficava o anel, até parar de funcionar completamente. Segundo, o anel não afetava plantas nem nenhum objeto feito de madeira - sendo a explicação da lanterna a de que a energia verde é a encarnação da energia das plantas, e, portanto, não pode ser usada para feri-las. Isso singificava não somente que Scott não podia manipular plantas e objetos de madeira com o anel, mas também que não podia usá-lo para se defender de ataques que o atingissem com objetos como um taco de beisebol, por exemplo.

Pouco após sua criação, o Lanterna Verde se tornaria membro fundador da Sociedade da Justiça da América, uma equipe de super-heróis que contava ainda com o Flash, Gavião Negro, Senhor Destino, Homem-Hora, Espectro, Átomo e Sandman. A estreia da equipe de daria na revista All Star Comics número 3, de dezembro de 1940, que entraria para a história não somente por ser a primeira revista a trazer uma equipe de super-heróis, mas também por ser a primeira a reunir heróis de duas editoras diferentes, já que o Lanterna Verde, o Flash e o Gavião Negro eram de propriedade da All-American Publications, enquanto os demais pertenciam à Detective Comics, que também publicava a revista. Ao longo da década de 1940, o Lanterna Verde apareceria em histórias não somente na All-American Comics e na All Star Comics, mas também na Comic Cavalcade e em uma revista dedicada somente a ele, Green Lantern, cuja primeira edição seria lançada em setembro de 1941.

A maioria dos vilões enfrentados pelo Lanterna Verde era de criminosos comuns, que ele impedia de concretizar seus crimes; em 1944, porém, ele ganharia dois poderosos arqui-inimigos: Vandal Savage, um homem das cavernas imortal e imensamente inteligente, que, assim como o Lanterna Verde, ganhou seus poderes através de um meteoro que caiu na Terra na Idade da Pedra; e o zumbi Solomon Grundy, cujo nome foi tirado de uma quadrinha infantil do século XIX. Pouco inteligente, mas imensamente forte, Grundy originalmente era um mercador do século XIX, chamado Cyrus Gold, que foi assassinado e jogado em um pântano, com a matéria vegetal do pântano se acumulando em seu corpo e, eventualmente, trazendo-o de volta à vida através de uma reação química. Isso faz com que ele seja uma grande ameaça para o Lanterna Verde, já que, sendo seu corpo feito de matéria vegetal, é imune ao poder do anel. Grundy se tornaria um dos vilões mais famosos da DC, e costuma ser citado como o primeiro zumbi a aparecer em uma história em quadrinhos.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, houve um declínio na popularidade dos super-heróis, e os títulos estrelados pelo Lanterna Verde tiveram uma grande queda nas vendas. Para tentar contornar a situação, a All-American Comics passou a publicar histórias de faroeste, e, em junho de 1949, a Green Lantern seria cancelada, na edição 38. O Lanterna Verde ainda apareceria como membro da Sociedade da Justiça na All Star Comics até a edição 57, de março de 1951 - também a última edição da revista, que, no mês seguinte, seria substituída pela All Star Western. Com o fim de suas revistas, o Lanterna Verde original também seria cancelado.

O personagem retornaria, repaginado, no final da década de 1950. A DC já havia relançado, com sucesso, em 1956, o Flash, com uma nova identidade secreta e uma nova origem; em 1959, aproveitando a onda de popularidade das histórias de ficção científica envolvendo seres alienígenas e viagens pelo espaço, o editor da DC, Julius Schwartz, teria a ideia de relançar também o Lanterna Verde, fazendo com que sua nova origem tivesse também esses elementos, que seriam, então, aproveitados em suas histórias.

O novo Lanterna Verde seria criado pelo roteirista John Broome e pelo desenhista Gil Kane. Atendendo pelo nome de Hal Jordan, ele seria um piloto de testes que trabalhava para a Aviação Ferris, companhia presidida pela jovem Carol Ferris, e que tinha contratos com o governo para desenvolver novos tipos de aviões militares. Durante um teste, Jordan encontra uma nave espacial que caiu em nosso planeta, e, dentro dela, um alienígena moribundo, de nome Abin Sur, que lhe entrega um estranho anel. Segundo Abin Sur, existe uma espécie de "polícia galáctica", chamada Tropa dos Lanternas Verdes, responsável por manter a paz e a ordem no universo. Liderada por seres conhecidos como Guardiões, que habitam o planeta Oa, a Tropa possui um Lanterna Verde para cada setor do universo, sendo Abin Sur o responsável pelo setor da Terra. Agora que está morrendo, porém, Abin Sur tem de encontrar um sucessor, e decide entregar o anel a Jordan, um humano destemido, com grande força de vontade e puro de coração, três características essenciais a todos os Lanternas Verdes.

O anel que Abin Sur entrega a Jordan, mais que um símbolo, é a fonte do poder dos Lanternas Verdes. Com ele, Jordan pode canalizar sua força de vontade, se tornando praticamente invulnerável - graças a um campo de força que o anel cria ao redor de seu corpo - capaz de voar, e de criar qualquer objeto que sua imaginação conceber. Jordan é o primeiro humano a se tornar um Lanterna Verde, e, como a imaginação dos humanos é muito poderosa, logo se torna também um dos mais fortes da Tropa. Após viajar para Oa, conhecer os Guardiões e passar por um rápido treinamento, Jordan decide permanecer na Terra, combatendo ameaças locais - mas indo ao espaço ajudar seus colegas sempre que requisitado. Assim como o do Lanterna Verde original, o anel de Jordan precisa ser periodicamente recarregado, usando, para isso, uma lanterna que estava na nave de Abin Sur; se não passar pelas recargas, vai ficando cada vez mais fraco, até perder totalmente seu poder. O anel de Jordan não tem qualquer vulnerabilidade à matéria vegetal, mas não consegue atuar com todo seu poder contra coisas da cor amarela - isso porque, na bateria original, localizada em Oa, a luz amarela é usada como uma espécie de diluente, para que os anéis possam funcionar corretamente.

O novo Lanterna Verde estrearia na revista Showcase número 22, de outubro de 1959. Rapidamente, ele faria grande sucesso, não somente pelos elementos de ficção científica, mas também por vários detalhes até então incomuns nas revistas de super-heróis. Para começar, a presidente da Aviação Ferris era uma mulher, e uma mulher jovem, algo raríssimo em 1959 - mas, para não fugir muito aos padrões da época, ela era romanticamente envolvida com o herói, embora isso também fosse um dos pontos vanguardistas da revista, já que ela é que dava em cima de Jordan, e não o contrário. Jordan também tinha um "parceiro", o mecânico de aviões Tom Kalmaku, um esquimó que, diferentemente do estereótipo de personagens étnicos da época, não era um apoio cômico, sendo bastante competente, tendo uma personalidade definida e se mostrando altamente inteligente - ao ponto de deduzir através de observação que Jordan e o Lanterna Verde eram a mesma pessoa. Finalmente, ao contrário de outros super-heróis, Jordan, quando não estava combatendo o crime, passava seu tempo com sua família - no caso, seus irmãos, Jack, o mais velho, que era promotor público, e Jim, o mais novo, que vivia de bicos e servia, ele sim, como apoio cômico das histórias.

Assim como o Lanterna Verde original, o novo seria membro fundador de uma equipe de super-heróis, a Liga da Justiça, que estrearia na revista The Brave and the Bold número 28, de maio de 1960, com a primeira formação da equipe contando com Mulher Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman e Ajax, o Caçador de Marte. Com roteiros de Gardner Fox e arte de Mike Sekowsky, as primeiras histórias da equipe seriam bastante "contaminadas" pelo estilo do Lanterna Verde, com a Liga enfrentando muitas ameaças espaciais.

Após o sucesso das primeiras histórias do novo Lanterna, a DC ressucitaria a revista Green Lantern, recomeçando a numeração do número 1, em julho de 1960. À frente do título durante um longo tempo, Broome e Kane criariam todos os elementos mais característicos do universo do Lanterna Verde, incluindo seu vilão mais famoso, Sinestro, que estrearia em Green Lantern número 7. Originalmente ele mesmo um Lanterna Verde - e, antes disso, um antropólogo e arqueólogo do planeta Korugar - Sinestro tinha obsessão pela ordem, o que fez com que ele se tornasse um dos mais eficientes Lanternas Verdes. Melhor amigo de Abin Sur, jamais se conformou de Jordan ter assumido seu lugar, embora ele mesmo tenha se tornado Lanterna Verde de uma forma parecida, quando Prohl Gosgotha caiu com sua nave e morreu em Korugar fugindo de um ataque dos armeiros do planeta Qwarth.

Aos poucos, a obsessão pela ordem de Sinestro foi aumentando, ao ponto de ele chegar à conclusão de que a única forma de mantê-la em Korugar seria ele mesmo se tornando ditador. Os Guardiões não concordaram com isso, tomaram seu anel e o baniram para o planeta Qwarth. Lá, ele reencontrou os armeiros, e fez um pacto com eles para que eles criassem uma nova arma: um anel que amplificasse não a imaginação e a força de vontade, e sim o medo e o pavor presente no coração de quem se opusesse ao portador do anel. Para completar sua vingança, Sinestro fez com que a luz desse anel - e, por conseguinte, tudo o que fosse criado por ela - fosse amarela, única cor contra a qual os anéis dos Lanternas Verdes são inúteis. Desde então, Sinestro - e seus aliados, muitos dos quais também usam anéis amarelos - se tornou um dos mais perigosos oponentes dos Lanternas Verdes, e arqui-inimigo de Jordan, a quem vê como responsável por sua destituição e banimento.

Outro personagem famoso era Guy Gardner, que estreou na edição 59, de março de 1968. Quando Abin Sur caiu na Terra, seu computador selecionou dois candidatos a se tornar o próximo Lanterna Verde, Jordan e Gardner. Como Jordan estava mais perto, ele acabou assumindo. Ao descobrir essa história, Jordan, se sentindo culpado, procurou Gardner, e os dois ficaram amigos. Gardner acabou sendo apontado como "Lanterna Verde reserva", assumindo o anel caso algo acontecesse a Jordan, e, ao longo dos anos, teria a oportunidade de ser Lanterna Verde em várias ocasiões nas quais Jordan esteve impossibilitado. Gardner se tornaria bastante popular nos anos 1980, quando o roteirista Steve Englehart e o desenhista Joe Staton o reformulariam como uma espécie de "paródia do machão americano", um personagem de sangue quente e muita coragem, mas pouco raciocínio.

As histórias do Lanterna Verde seguiriam com o clima de ficção científica até o início da década de 1970, quando o roteirista Dennis O'Neal e o desenhista Neal Adams assumiriam a Green Lantern, na edição 76. Na época, a dupla estava trabalhando na nova versão de outro herói antigo da DC, o Arqueiro Verde, e chegou à conclusão de que, devido a suas diferenças, eles dariam bons parceiros: o Lanterna Verde era um policial galáctico, que lutava para manter a lei e a ordem conforme definidas pelo sistema, enquanto o Arqueiro Verde era um anarquista que preferia viver por suas próprias regras e pregar a contra-cultura. O'Neal e Adams mudaram o nome da revista para Green Lantern / Green Arrow, e colocaram a dupla em uma viagem através dos Estados Unidos, lidando com questões mundanas como corrupção, racismo, poluição, cultismo, consumismo, superpopulação e uso de drogas - uma das mais famosas e chocantes histórias envolve a revelação de que o parceiro adolescente do Arqueiro Verde, Ricardito, era viciado em heroína.

Apesar de bastante elogiadas - o prefeito de Nova Iorque escreveria uma carta à DC parabenizando-os pela coragem de expor os problemas da América - essas histórias não fariam muito sucesso dentre o público, o que levaria a baixas vendas da revista. Com isso, ela seria cancelada mais uma vez, na edição 89, de abril de 1972. Depois do cancelamento, o Lanterna Verde passou a aparecer regularmente na revista do Flash, de 1972 a 1977.

Em 1976, Schwartz convenceria a DC a relançar a revista, o que ocorreria em agosto, recomeçando pelo número 90 e ainda com o título de Green Lantern / Green Arrow. O'Neal seria mais uma vez o roteirista, mas agora acompanhado pelo desenhista Mike Grell. O Lanterna Verde e o Arqueiro Verde permaneceriam parceiros, mas com histórias menos controversas, até a edição 122; a partir da 123, de dezembro de 1979, sob a batuta de O'Neal e do desenhista Joe Staton, o Lanterna Verde voltaria a viver aventuras espaciais, com o Arqueiro Verde deixando de figurar no título - em todos os sentidos, já que o nome da revista voltaria a ser apenas Green Lantern. O'Neal encerraria sua longa estada na revista na edição 129, de julho de 1980, sendo sucedido por vários roteiristas de renome, dentre eles Marv Wolfman, Steve Englehart e Len Wein.

A partir da edição 151, de abril de 1982, escrita por Wein e desenhada por Dave Gibbons, Jordan seria condenado pelos Guardiões a um exílio no espaço, por ter dado atenção demais à Terra enquanto todo um setor do espaço estava sob sua responsabilidade. Antes de partir, Jordan convenceu os Guradiões a deixar um outro Lanterna Verde cuidando da Terra, John Stewart. Assim como Gardner, Stewart, que estreou na edição 87, de dezembro de 1971, era um "Lanterna Verde reserva", escolhido pelos Guardiões depois que Gardner sofreu um acidente quase fatal ao tentar salvar um jovem durante um terremoto. Arquiteto e ex-fuzileiro naval, Stewart era justo e íntegro, mas um tanto beligerante. Ele também se tornaria conhecido por ser o primeiro super-herói negro da DC, e um dos primeiros dos quadrinhos em geral.

Em 1985, a DC faria a grande saga Crise nas Infinitas Terras, que abrangeria todos os seus títulos e mudaria muito de sua continuidade. Na época, a Terra já contava com nada menos que três Lanternas Verdes - Hal Jordan, Guy Gardner e John Stewart - e mais cinco alienígenas que resolveram fazer aqui sua base de operações. Para refletir a presença desse "esquadrão", a revista mudaria de nome, na edição 201, de junho de 1986, para The Green Lantern Corps. Embora muitos dos personagens fossem memoráveis - como o grandalhão Kilowog, o esquilo Ch'p, o cara de peixe Tomar-Re e a jovem Arisia, com quem Jordan teve um caso amoroso - as vendas da revista despencaram, e ela acabaria mais uma vez cancelada, em 1988, na edição 224.

Scott, Gardner, Stewart e RaynerA revista seria ressucitada, com a numeração recomeçando do número 1, em junho de 1990, trazendo Jordan, Stewart e Gardner como Lanternas Verdes, em histórias escritas por Gerard Jones e desenhadas por Pat Broderick. A revista venderia bem nos primeiros anos, mas, depois, teria uma queda acentuada nas vendas. Não querendo cancelá-la novamente, o editor Paul Levitz ordenou que fosse dada uma sacudida no universo dos Lanternas Verdes. Ele pegaria uma das histórias propostas por Jones, na qual surgiria um grupo de Guardiões impostores e Jordan teria que descobrir qual dos dois grupos é o verdadeiro, e mudaria totalmente seu enredo, dando a nova sinopse para o roteirista Ron Marz transformar em uma história. Marz criaria a saga Crepúsculo Esmeralda, na qual Jordan, enlouquecido pelo vilão Mongul ter destruído sua cidade natal, todos os seus amigos e sua família, e achando que os Guardiões não só não fizeram nada para impedir como também não se importam, decide se vingar, matando todos os Lanternas Verdes e todos os Guardiões, e absorvendo seus poderes para si. Após absorver todo o poder da bateria de Oa, ele se autodeclara o vilão Parallax, e começa a tentar encontrar uma forma de viajar no tempo para reescrever a história do universo de acordo com sua vontade.

Um dos Guardiões, porém, sobreviveu, e, vindo à Terra, deu o último anel dos Lanternas Verdes a Kyle Rayner, um desenhista de quadrinhos freelancer. Na edição 48, de janeiro de 1994, Rayner se tornaria o novo Lanterna Verde, vestindo um uniforme bastante diferente do que os demais usavam até então, e usando seu anel para criar construtos baseados nos quadrinhos que ilustrava, como robôs gigantes e monstros mitológicos. Conhecido como "o último Lanterna Verde" - já que todos os demais foram mortos por Jordan - Rayner seria a identidade secreta do herói durante dez anos, vivendo aventuras tanto no espaço quanto na Terra, se tornando, inclusive, um membro da mais recente formação da Liga da Justiça.

Jordan voltaria a ser o Lanterna Verde na minissérie Renascimento, de dezembro de 2004, na qual é revelado que Parallax é uma entidade alienígena parasítica que se apossou de seu corpo e o levou a cometer os atos criminosos. Curiosamente, o que levou ao lançamento dessa minissérie foi mais uma queda acentuada nas vendas da revista Green Lantern, que acabaria mais uma vez sendo cancelada, em novembro de 2004, na edição 181. O retorno de Jordan foi tramado pelo roteirista Geoff Johns, e visto pela DC como uma forma de tentar resgatar a popularidade do herói. A Tropa dos Lanternas Verdes também é reformada - embora muitos dos membros se mostrem desconfiados em relação a Jordan - e Jordan e Rayner se tornam amigos, inclusive enfrentando juntos Parallax, que passa a ser uma entidade própria.

A revista Green Lantern retornaria mais uma vez, novamente com a numeração recomeçando do 1, em julho de 2005, escrita por Johns e desenhada por Ethan Van Sciver. Essa seria uma fase muito elogiada do herói, que resgataria vários dos elementos originais da década de 1960, atualizados para o novo milênio, e traria mais detalhes sobre a origem do herói e de outros personagens de destaque, como Sinestro. Essa nova série também expandiria o universo dos Lanternas Verdes criando novas cores de anéis além do verde e do amarelo - mais precisamente, o vermelho, que tira seu poder da ira; o laranja, da avareza; o azul, da esperança; o índigo, da empatia emocional; o branco, da vontade de viver; e o preto, da morte; todos esses se uniriam não só ao verde e ao amarelo, mas também ao violeta, que tira seus poderes do amor, e já havia sido criado, na forma de uma joia e não de um anel, lá em dezembro de 1947, quando a personagem Safira Estrela fez sua estreia nas histórias do Lanterna Verde. Esses "Lanternas Arco-Íris" dariam origem a duas famosas sagas, A Noite Mais Densa, de 2009, e O Dia Mais Claro, de 2010.

A revista seria novamente cancelada em agosto de 2011, mas dessa vez como parte de um esquema da DC para "resetar" todas as suas revistas após a saga Ponto de Ignição. O novo relançamento, mais uma vez recomeçando do número 1, e integrado com a saga Os Novos 52, se daria em setembro de 2011, com roteiro de Johns e arte de Doug Mahnke. No início, Hal Jordan é o único Lanterna Verde da Terra, é mais jovem que suas encarnações anteriores, e, assim como todos os heróis dos Novos 52, enfrenta grande desconfiança do público em geral.

Recentemente, mais um nome diferente assumiu o manto do Lanterna Verde: Simon Baz, um descendente de libaneses muçulmano que recebe o anel meio que por acidente, mas que acaba ajudando Jordan durante uma grande crise.

Além de um poder legal, acho que algo que me atrai no Lanterna Verde é isso de ele não ser apenas um herói, mas um conceito - não há um Lanterna Verde, mas centenas, todos parte da Tropa. Deve ter a ver com o fato de que qualquer um, até eu, poderia receber um anel e virar um Lanterna Verde. Mais fácil, devo admitir, que ser mordido por uma aranha radioativa ou gastar milhões de dólares com equipamentos tecnológicos de combate ao crime.

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