segunda-feira, 11 de março de 2013

Suede

Com todas as facilidades trazidas pela internet, os jovens de hoje podem não acreditar, mas houve uma época na qual era ridiculamente difícil comprar um CD importado. Atualmente, basta baixar, de forma legal ou ilegal, um arquivo mp3, ou recorrer a Amazons e afins, mas, quando eu era adolescente, era necessária uma verdadeira peregrinação caso você quisesse adicionar à sua coleção um CD de um artista que não havia sido lançado no Brasil.

Me lembrei disso essa semana, quando, sei lá por que motivo, me lembrei da odisseia que passei tentando comprar o CD Dog Man Star, segundo da banda inglesa Suede. Eu conheci o Suede através da Mtv, e, já pela primeira música que ouvi, The Drowners, decidi comprar o CD. No caso, o primeiro, que, como a banda, também se chamava Suede. Recorri a todas as lojas nas quais costumava comprar, em vão: nenhuma delas jamais havia ouvido falar nessa banda. Acabei encontrando em uma loja do Shopping da Gávea, que nem existe mais (a loja, não o shopping), por acaso, quando fui lá com meus pais para que eles vissem uma outra coisa qualquer - sendo bem longe da minha casa e com poucas lojas de interesse dos meus pais, o Shopping da Gávea jamais foi frequentado com constância pela minha família. Não me lembro se o CD foi caro ou barato, mas me lembro que foi o primeiro importado que comprei.

No ano seguinte, 1994, a banda lançaria seu segundo CD, e eu, animadamente, corri pro Shopping da Gávea atrás dele. Não tinha. Recorri a todas as lojas que eu conhecia. Não tinha. Toda loja de CDs que eu via pela frente eu entrava, e nenhuma tinha. Nem esse, nem o primeiro, nem o conhecimento do que seria um Suede. Acabei desistindo não somente por não encontrá-lo, mas também porque acabaria conseguindo alugá-lo - aliás, alguém imagina uma locadora de CDs hoje em dia? Pois elas existiram, e eu aluguei muitos - e, após ouvi-lo, não o achei tão legal quanto o primeiro.

O tempo passou, e Suede foi lentamente sendo empurrada para fora da minha lista de favoritas, de forma que, quando finalmente se tornou fácil comprar um CD deles, eu já não queria mais. Ainda assim, algumas de suas músicas, principalmente as do primeiro disco e The Wild Ones, do segundo, ainda me agradam bastante, principalmente por causa da nostalgia que trazem. Diante disso, pra aproveitar que eu me lembrei da história da busca incessante, e como posts sobre música estão cada vez mais raros aqui no átomo, nada melhor que apresentar hoje um post sobre Suede.


A história do Suede se confunde com a de outra banda da qual eu gosto muito e sobre a qual até já falei aqui no átomo, o Elastica. Tudo começou em 1989, quando o vocalista do Suede, Brett Anderson, e a futura vocalista do Elastica, Justine Frischmann, se conheceram na University College London e começaram a namorar. Ambos tinham o desejo de formar uma banda, então se uniram a um amigo de infância de Anderson, Mat Osman, e colocaram um anúncio procurando um guitarrista no tabloide New Music Express, respondido por Bernard Butler. O quarteto decidiu se chamar Suede ("camurça" em inglês) e começou a fazer pequenos shows nos arredores do bairro de Camden, tocando versões cover de músicas dos Beatles, dos Smiths e de David Bowie. Como nenhum dos quatro membros da banda era bom na bateria, eles se apresentariam ou com uma bateria pré-gravada, ou com bateiristas contratados.

Em abril de 1990, a banda enviaria uma demo para um concurso de bandas novas promovido por uma rádio de Londres, e seria selecionada para fazer parte de uma coletânea lançada pela gravadora independente RML. Sentindo que o sucesso estava próximo, Anderson decidiria procurar um bateirista fixo, e convidaria Justin Welch, o que mais havia tocado com eles no período das covers. Welch aceitaria o convite, mas só ficaria no Suede seis semanas, deixando a banda de Anderson para formar a sua própria, chamada Spitfire. Como o método já havia dado certo antes, Anderson decidiria colocar um novo anúncio no NME, que seria respondido por ninguém menos que Mike Joyce, ex-bateirista dos Smiths. O quarteto ficou nas nuvens com a possibilidade de ter uma celebridade em sua banda, mas Joyce, também sentindo que o momento do Suede era bom, e que poderia mais atrapalhá-los do que ajudá-los - afinal, comercialmente falando, "uma banda nova" é uma coisa, "a banda nova do bateirista dos Smiths" é outra completamente diferente - optaria por gravar apenas dois singles com eles e seguir em frente. Esses singles seriam lançados pela RML, mas, a pedido da banda, que ficou extremamente insatisfeita com o resultado, foram destruídos. Somente em junho de 1990 o Suede conseguiria seu bateirista fixo, Simon Gilbert, que ouviria a demo lançada pela RML e, após descobrir que a banda procurava um bateirista, se ofereceria para o cargo.

O Suede tocaria com essa formação - Anderson, Frischmann, Osman, Butler, Gilbert - até 1991, quando Anderson e Frischmann terminaram o namoro. A princípio, amores, amores, negócios à parte, ela continuaria fazendo parte da banda, mas a situação se tornaria insustentável quando ela começou a namorar Damon Albarn, vocalista do Blur: Frischmann frequentemente se atrasava para os ensaios do Suede por estar nas gravações dos videoclipes do Blur, nas assinaturas de contratos do Blur, planejando as turnês do Blur e vários outros eventos que não contribuíam em nada para a auto-estima do Suede. Um belo dia, Anderson decidiu simplesmente demiti-la, sem nem perguntar nada aos demais integrantes. Chutada para fora do Suede, ela procuraria Welch e formaria o Elastica.

Curiosamente, depois que Frischmann saiu, o Suede ganhou uma identidade própria: Anderson e Butler se tornaram grandes amigos, e começaram a escrever várias canções novas. Essas canções, porém, não agradariam às gravadoras, que as considerariam fora de compasso com o que se estava fazendo na época na Inglaterra - Blur, provavelmente - e nos Estados Unidos - o grunge. Até a RML se recusaria a lançar novos singles do Suede, acreditando que eles não tinham potencial comercial. Fora do circuito "comercial", a banda voltaria a fazer shows voltados para iniciantes, em um verdadeiro recomeço. Foi em um show desses, na University of London Union, em outubro de 1991, que o Suede finalmente chamou a atenção de um jornalista, John Mulvey, do NME.

O texto de Mulvey faria com que o NME passasse a chamar o Suede com frequência para tocar uma ou duas músicas nos festivais que organizava, e que representantes de gravadoras passassem a frequentar esses shows para conferir se o Suede era tudo aquilo mesmo. Em janeiro de 1992, durante um desses festivais, o Suede seria abordado pela gravadora Nude Records, com quem fecharia um contrato para o lançamento de dois singles. Pouco depois, eles seriam procurados também pela Island Records e pela East West, que desejavam assinar com eles por, no mínimo, dois anos. Logo a banda estarias nas capas das principais revistas de música do Reino Unido, já sendo chamada de "a melhor banda nova da Grã-Bretanha".

O primeiro single lançado pela Nude, The Drowners, foi um sucesso moderado, mas chamou a atenção dos críticos justamente pelo contraste com o que acontecia na música inglesa na época - o movimento batizado como "Madchester", que incluía bandas como The Stone Roses, Happy Mondays, James e The Charlatans - e com o grunge norte-americano, onipresente nas paradas de sucessos. O segundo single, Metal Mickey, entraria para o Top 20 da Grã-Bretanha e para o Top 10 dos Estados Unidos. O sucesso desses singles faria com que o Suede recebesse uma proposta bastante atraente justamente da gravadora mais associada ao grunge, a Geffen, mas a banda optaria por renovar por dois anos com a Nude - que, apesar de pequena e independente, era propriedade da Sony - para ter mais controle criativo sobre as músicas e sobre a arte de capa dos álbuns.

O Suede deixaria de ser uma promessa para entrar definitivamente na lista das bandas de maior sucesso da Inglaterra com seu terceiro single, Animal Nitrate, que chegou ao sétimo lugar do Top 10 britânico, rendendo à banda um convite de última hora para tocar na cerimônia do Brit Awards, principal prêmio da indústria fonográfica britânica. As letras carregadas de sexualidade e a postura andrógina de Anderson logo começaram a render comparações com David Bowie - embora o som da banda, que não se parecia com absolutamente nada feito antes ou depois, já começasse a forçar os críticos a criar um novo termo para enquadrá-lo.

A banda lançaria seu primeiro álbum, chamado simplesmente Suede, em 29 de março de 1993. Nos meses que antecederam ao lançamento, o Suede foi a banda sobre a qual mais se escreveu na Grã-Bretanha, o que gerou uma enorme expectativa, que por sua vez fez com que o álbum estreasse na lista dos mais vendidos já no primeiro lugar, quebrando o recorde de maior vendagem de um álbum de estreia de uma banda inglesa, que já durava dez anos. Apenas na primeira semana, Suede venderia cem mil cópias, e seria disco de ouro já em seu segundo dia nas lojas. A crítica também receberia o álbum extremamente bem, considerando-o a melhor estreia de uma banda inglesa desde os Sex Pistols. Suede também ganharia o Barclaycard Mercury Prize de 1993, prêmio em dinheiro destinado ao melhor álbum do ano no Reino Unido, o qual doaria integralmente à pesquisa contra o câncer.

Seguindo o sucesso do álbum, a banda sairia em uma turnê extremamente bem sucedida pela Europa, com apoio da Mtv europeia. O sucesso no mercado europeu, entretanto, não se refletia nos Estados Unidos: lá, a Mtv não dava o menor destaque à banda, e a imprensa pouco escrevia sobre ela, o que fez com que a turnê norte-americana não registrasse números tão bons quanto a europeia. Pior ainda, por decisão da Mtv, os shows do Suede nos Estados Unidos seriam abertos pelos Cranberries, banda irlandesa na qual a Mtv americana apostava e apoiava, o que faria com que muitas pessoas fossem aos shows apenas para ver os Cranberries, deixando o local após o show de abertura. Para piorar o inferno astral que o Suede vivia nos Estados Unidos, uma cantora de Jazz norte-americana chamada Suede decidiu processar a banda, que, por decisão judicial, só poderia lançar seus álbuns e fazer shows em solo norte-americano se trocasse de nome. Como a banda se recusou terminantemente, a gravadora propôs que os álbuns e shows nos Estados Unidos usassem o nome The London Suede, sugestão que foi aceita pela banda mas não agradou a Anderson.

Também foi durante a turnê norte-americana que o clima começou a pesar entre Anderson e Butler. Antes melhores amigos, os dois cada vez mais se tornavam desafetos. Os problemas começaram durante uma passagem de som em Los Angeles, da qual Butler saiu sem avisar nada, só retornando quando a banda já estava no hotel. Em seguida, o falecimento do pai de Butler fez com que ele voltasse para a Inglaterra sem avisar à banda, que teve de cancelar vários shows da turnê. A banda e Butler, depois disso, mal se falavam, e ele até chegou a viajar separado dos demais componentes para as cidades onde seriam feito os shows. Mais de uma vez, ele deixaria um show no meio, pedindo para Noel Hogan, dos Cranberries, substituí-lo.

Em fevereiro de 1994, o Suede lançaria seu novo single, Stay Together, que estrearia já em terceiro lugar no Top 10 britânico. A banda fazia mais sucesso do que nunca, e a imprensa havia chegado ao termo que procurava para definir o movimento iniciado por ela: Britpop. Enquanto Anderson escrevia as canções para o segundo álbum do Suede, bandas como Oasis, Supergrass, Elastica e Pulp entravam para as paradas de sucesso e estouravam no mundo inteiro. Anderson, porém, detestava o termo Britpop, e detestava que se referissem ao Suede como inaugurador do gênero, primeiro porque a imprensa frequentemente incuía seu desafeto Blur entre os expoentes do Britpop - o duelo de sucessos do Blur com o Oasis em meados da década de 1990, por exemplo, seria chamada pela imprensa de "Batalha do Britpop" - segundo porque era claro que o Suede não era uma banda pop. Tentando deixar isso ainda mais claro, Anderson decidiu seguir por uma vertente experimental, criando músicas ainda mais diversas do que as que o haviam levado ao sucesso.

Essa postura de Anderson desagradava a Butler, que achava que as novas canções experimentais dividiam a banda e a afastariam do sucesso. Durante as gravações do segundo álbum, ele frequentemente pediria para gravar suas partes separado, e acabaria brigando com o produtor, Ed Buller. Butler pediria a Anderson que demitisse Buller para que ele mesmo produzisse o disco, imaginando ser essa uma forma de unir a banda e retomar o caminho do primeiro disco; esse pedido, entretanto, seria feito na forma de um ultimato, no estilo "ou ele ou eu". Anderson escolheria Buller, e, assim como Butler não havia avisado à banda de que voltaria à Inglaterra em meio à turnê norte-americana, decidiria não avisá-lo disso. Butler daria um tempo nas gravações para se casar e, ao retornar ao estúdio, encontraria suas guitarras na rua e um segurança barrando sua entrada.

Butler, que deixaria algumas gravações para o segundo álbum incompletas, seria substituído por Richard Oakes, garoto de 17 anos que deixou uma fita demo com Anderson - a banda decidiria contratá-lo depois que Gilbert, ao entrar na sala onde Anderson ouvia a fita, a "identificou" como uma das primeiras demos da banda, o que, no mínimo, mostrava que Oakes e Butler tinham estilos parecidos. Oakes completaria o trabalho de Butler, e, no final de 1994, o Suede finalmente lançaria seu segundo álbum, Dog Man Star.

Dog Man Star estrearia já no terceiro lugar da lista dos mais vendidos, mas rapidamente cairia várias posições, até sair dela. Nenhum dos singles lançados desse álbum venderia bem, embora todos, assim como o próprio álbum, fossem extremamente elogiados pela crítica - especialmente The Wild Ones, considerada por boa parte da crítica e dos fãs como a melhor de todas as canções do Suede. Após o lançamento de Dog Man Star, o Suede sairia em uma curta turnê de três meses pela Europa, ao fim da qual se recolheria com o pretexto de gravar seu terceiro álbum. Durante as gravações, a banda contrataria um novo integrante, o tecladista Neil Codling, primo de Gilbert.

O terceiro álbum, Coming Up, lançado em 1996, recolocaria o Suede na trilha do sucesso - de fato, seria o álbum mais bem sucedido da banda, mais até do que o primeiro, vendendo um milhão e meio de cópias só na Inglaterra. Seu primeiro single Trash, estrearia na terceira posição do Top 10, e os quatro subsequentes, Beautiful Ones, Saturday Night, Lazy e Filmstar, também entrariam para os 10 mais. O álbum seria um grande sucesso na Europa, Ásia e Canadá, mas não nos Estados Unidos, onde a banda parecia ter uma caveira de burro enterrada - a crítica de lá reclamou que se passou muito tempo entre o álbum anterior e esse, e, após um show em Boston, o caminhão com todos os equipamentos da banda seria roubado.

Logo após Coming Up, a banda lançaria, em 1997, Sci-Fi Lullabies, uma coletânea de B-Sides, aquelas músicas que acompanham a principal nos singles. A coletânea foi bastante elogiada pela crítica, que declarou estarem dentre as escolhidas algumas das mais fortes canções do grupo. Por volta dessa época, o Britpop já começava a perder força, e a imprensa começava a especular o que Anderson faria para continuar nas paradas de sucesso. Anderson não se preocupava muito com isso, mas tomou pelo menos uma decisão: trocar de produtor, demitindo Buller e contratando Steve Osborne, que já havia trabalhado com Happy Mondays e New Order.

Infelizmente, também foi por volta dessa época que Anderson começaria a se envolver com drogas, principalmente crack e heroína. Quando foi anunciado que o título do álbum seguinte da banda começava com h, inclusive, muitos jornalistas disseram jocosamente que ele se chamaria "heroine".

O vício de Anderson se reletiria nas canções do álbum, lançado em 1999 e que na verdade se chamava Head Music, consideradas preguiçosas, de vocabulário redundante e temas limitados. O primeiro single, Electricity, estrearia no quinto lugar do Top 10, e o próprio álbum venderia bem, chegando eventualmente ao primeiro lugar dos mais vendidos, mas o álbum dividiria críticos e fãs, principalmente por seu uso frequente de sintetizadores e instrumentos eletrônicos.

Após o lançamento de Head Music, começariam boatos de que a banda iria se separar, que se tornaram ainda mais frequentes quando Codling, acometido de síndrome da fadiga crônica, deixou de participar de alguns shows da turnê subsequente. Anderson negou todos esses rumores rapidamente, mas, em todo o ano de 2000, o Suede só faria um único show, em Reikjavik, na Islândia.

No final de 2000, a Nude encerraria suas operações; como quase todos os demais artistas do selo, o Suede assinaria com a própria Sony, antiga donda da Nude, para o lançamento de seu álbum seguinte, A New Morning, lançado em 2002. Segundo Anderson, esse título fazia referência a um recomeço, já que, após um rigoroso tratamento, ele finalmente estava livre das drogas. A banda teria também uma nova formação, com Codling sendo substituído por Alex Lee, ex-Strangelove. A New Morning teve um processo de gestação complicado, durante o qual a banda levou dois anos, usou sete estúdios e teve quatro produtores diferentes, terminando com Stephen Street, que já havia trabalhado com Smiths e Blur. Comercialmente, o álbum foi um fracasso, não entrando nem no Top 20 e não sendo lançado nos Estados Unidos por decisão da Sony.

Em setembro de 2003, a banda seria convidada para tocar no Instituto de Artes Contemporâneas de Londres, durante cinco dias seguidos, nos quais tocaria um de seus álbuns completo por dia, com B-Sides entre as canções. No mês seguinte eles lançariam mais uma coletânea de B-Sides chamada, simplesmente, Singles. Pouco depois do lançamento de Singles, a banda resolveu dar um tempo, suspendendo o processo criativo do álbum seguinte e cancelando todos os shows que faria em 2004. Seu último show seria em dezembro de 2003 no London Astoria.

Logo após o fim do Suede, Anderson entrou em contato com Butler, buscando fazer as pazes. Após ficar de bem, a dupla lançaria um álbum de canções escritas em conjunto adotando o nome de The Tears. Anderson também lançaria quatro álbuns solo entre 2004 e 2009, nenhum chamando atenção especial da crítica ou fazendo especial sucesso. Gilbert entrou para a banda Futons, e Oakes para a Artmagic.

Então, em 2009, começaram a surgir boatos sobre a volta do Suede com sua formação original. Anderson os negou, mas disse que gostaria muito que isso acontecesse. Os boatos se tornaram tão persistentes que Saul Galpern, antigo dono da Nude e agora produtor, decidiu anunciar que a banda realmente voltaria, mas para uma única apresentação. Essa apresentação aconteceria em março de 2010, com a segunda formação da banda - Anderson, Osman, Gilbert, Oakes e Codling - no Royal Albert Hall de Londres, em um concerto em prol de uma fundação que trata de adolescentes com câncer. Antes disso, a banda faria duas outras apresentações de "aquecimento", no 100 Club de Londres e no Ritz de Manchester. Essas três apresentações foram bastante elogiadas pelos críticos, e renderam uma matéria de duas páginas no NME.

A banda também ficou extremamente satisfeita com as apresentações, e decidiu aceitar convites para tocar na Suécia e na Noruega. Animado, Anderson selecionou algumas faixas dos álbuns e B-Sides, e montou The Best of Suede, coletânea que seria lançada pela Sony em novembro de 2010. Após o lançamento, a banda saiu em turnê pela Europa, e, no ano seguinte, pelo mundo. Durante essa turnê, eles lançariam versões remasterizadas e expandidas de todos os cinco álbuns da banda.

Anderson sempre disse que a intenção da banda não era lançar um novo álbum, apenas fazer novos shows. No final de 2011, porém, durante um show na Rússia, eles tocaram sete músicas inéditas. No início de 2012, Ed Buller confirmou que havia sido mais uma vez contratado como produtor, e que um novo álbum seria lançado em breve. Em dezembro de 2012, o site oficial do Suede anunciou este álbum para 2013.

Bloodsports, esse novo álbum, está previsto para ser lançado segunda-feira que vem - enquanto escrevo essas linhas, aliás, não posso deixar de pensar na imensa coincidência que foi eu resolver escrever um post sobre Suede logo agora, e resisto à tentação de adiá-lo mais uma semana para coincidir com o lançamento.

Talvez o Suede já não seja a mais importante banda britânica do momento, talvez o novo trabalho não seja tão glorioso quanto o anterior, o fato é que escrever esse post me fez decidir dar uma nova chance à banda. Talvez, se não fosse a injustiça que sofreram nos Estados Unidos, eles tivessem se tornado tão famosos quanto Blur e Oasis, e não tivessem saído da minha lista de favoritas - para onde decidi retorná-la, se por mais nada, por causa do primeiro álbum.

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