segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Futebol (IV)

Em 2010, aproveitando a Copa do Mundo, eu fiz aqui uma série de três posts falando sobre futebol. Inicialmente, seria um só, mas, como eu pensava em escrever também sobre esportes derivados, como futsal e futebol de areia, e o post sobre futebol "de campo" já estava grande o suficiente, decidi dividir o assunto e escrever um segundo. Quando terminei esse segundo, fiquei com vontade de escrever um sobre jogos como futebol de botão e totó. Acabou virando uma trilogia.

Enquanto assistia às Paralimpíadas desse ano, entretanto, cheguei à conclusão de que esses três poderiam ser quatro. Na época, decidi escrever um quarto post sobre futebol, dessa vez sobre o futebol paralímpico. Infelizmente, acabei descobrindo que as informações sobre o futebol paralímpico são muito escassas, e, insatisfeito com o rumo que esse post tomava, deixei-o de lado.

Hoje, porém, decidi completá-lo. Mesmo com informações escassas, acho que gostaria de completar a série sobre futebol antes de chegar ao simbólico post 500. Então preparem-se, pois hoje é dia de mais futebol no átomo!

Atualmente, as Paralimpíadas contam com duas modalidades de futebol - e, até onde eu consegui descobrir, essas são as duas únicas modalidades "oficiais" de futebol para deficientes, embora, obviamente, nada impeça que deficientes pratiquem quaisquer outras. Eu vou começar pela que tem menos gente em campo, o Futebol de Cinco. O futebol de cinco surgiu na Inglaterra em meados da década de 1980, mas não como esporte destinado a deficientes: disputado em campos de grama natural ou sintética, menores que um campo oficial de futebol, com apenas cinco jogadores de cada lado (daí o nome) e praticamente as mesmas regras do futebol de onze, o futebol de cinco era disputado essencialmente como passatempo entre amigos, que, depois da escola ou do trabalho, se reuniam em um campinho para bater uma bolinha - algo como as famosas peladas aqui do Brasil, contando com times e locais fixos.

Apesar de sua popularidade ter motivado o surgimento de vários campos de futebol de cinco pela Europa - semelhante ao que vem acontecendo em algumas cidades aqui do Brasil, que já contam com vários campos de grama sintética que podem ser alugados por amigos dispostos a jogar uma partida - o futebol de cinco jamais se profissionalizou, ou seja, jamais surgiram clubes, uma entidade que codificasse suas regras ou campeonatos oficiais, sendo o esporte até hoje disputado apenas como recreação. Ainda assim, como tinha regras mais ou menos estabelecidas, seguidas por quase todos os seus praticantes, o futebol de cinco seria usado como base pela FIFA na hora de criar sua própria versão do futebol de salão, na época regulado por outra entidade, a FIFUSA - aliás, five-a-side football, o nome em inglês do futebol de cinco (e que significa "futebol com cinco de cada lado"), foi o primeiro nome escolhido pela FIFA para batizar seu esporte, já que, na época, o nome futsal era usado para identificar o esporte da FIFUSA. Como era jogado em uma quadra e não em um gramado, porém, o esporte da FIFA sairia muito mais parecido com o da FIFUSA do que com o futebol de cinco original - tanto que, alguns anos depois, graças à força da FIFA, roubaria até mesmo seu nome e suas principais seleções, sendo hoje considerado o futebol de salão "verdadeiro" em muitos países.

O futebol de cinco começaria sua carreira como esporte para deficientes no início da década de 1990, pelas mãos da Associação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA, na sigla em inglês), organização fundada em 1981 e responsável por regular também outros 14 esportes, dentre eles alguns específicos para cegos, como o golbol e o torbol, mas a maioria versões de esportes tradicionais adaptadas para cegos, como judô e boliche. A IBSA já havia notado que o futebol, especialmente o futebol de salão, era um dos esportes preferidos dos atletas cegos, que, infelizmente, não tinham como disputá-lo profissionalmente, apenas como recreação. Criando uma comissão para adequar o futebol para a prática de cegos, a entidade perceberia que muitos cegos praticavam o futebol de cinco, existindo até mesmo um torneio entre associações para cegos na Espanha, disputado desde 1986. A IBSA, então, decidiria codificar as regras e organizar seus próprios torneios da modalidade. Curiosamente, a IBSA não se refere a seu esporte como futebol de cinco - essa é a terminologia adotada pelo Comitê Paralímpico Internacional - e sim como "futsal para cegos".

O futebol de cinco para cegos usa praticamente as mesmas regras usadas informalmente na Inglaterra desde a década de 1980, com algumas adaptações. O campo deve ter entre 18 e 22 metros de largura por entre 38 e 42 metros de comprimento - para partidas internacionais, as medidas devem ser obrigatoriamente de 20 por 40 metros. Sua superfície deve ser preferencialmente de grama sintética, embora a IBSA também aceite grama natural ou cimento; concreto, madeira e substâncias sintéticas como as usadas em quadras de futsal, vôlei ou handebol são expressamente proibidas pela entidade. O campo também deve ser preferencialmente descoberto, e, se for coberto, a cobertura deve ser de madeira ou lona, nunca de concreto ou alumínio, para não interferir com a acústica local.

As linhas que demarcam a quadra em seu comprimento são conhecidas como linhas de gol, e no centro de cada uma fica um gol, de três metros de largura por dois de altura. O gol é demarcado por traves de alumínio de 8 cm de diâmetro, e possui entre 80 cm e 1 metro de profundidade, delimitados por uma rede. Para evitar acidentes, o gol deve ser removível, mas firmemente preso ao solo durante o decorrer da partida. A frente de cada gol ficam a pequena área, a grande área e duas marcas do pênalti. A pequena área é um retângulo cujas linhas laterais são traçadas a 1 metro de cada trave do gol e a linha frontal a 2 metros da linha de gol, o que faz com que ela tenha 2 por 5 metros. A grande área é um semicírculo de 6 metros de raio, centrado no meio do gol. A primeira marca do pênalti fica a 6 metros do centro do gol, sobre a linha da grande área; a segunda fica a 8 metros do centro do gol. Cada canto do campo também conta com um semicírculo, de 20 cm de raio, onde a bola é colocada durante os escanteios.

As linhas que demarcam a quadra na largura são as linhas de lado, e sobre cada uma fica uma mureta com entre 1 e 1,20 metro de altura, para evitar que a bola saia do campo. Essa mureta se estende por 1 metro após cada linha de gol, mas não há mureta sobre as linhas de gol. O campo é dividido ao meio por uma linha central, e, centrado no centro do campo (?) há um círculo de 3 metros de raio. Finalmente, duas linhas pontilhadas, uma de cada lado do campo, são traçadas a 12 metros de cada linha de gol.

A bola do futebol de cinco para cegos deve ter entre 60 e 65 cm de circunferência, e pesar entre 510 e 540 gramas. Sua principal característica é que ela possui um guizo, chamado pela IBSA de "sistema sonoro". Esse sistema segue regras rígidas da IBSA para ser colocado dentro da bola (que é inflável) de forma que não afete seu peso, sua circunferência, sua pressão nem seu centro de gravidade, nem a impeça de correr, rolar, quicar ou viajar pelo ar normalmente. Ele também deve ser capaz de emitir som toda vez que a bola se movimenta, mesmo que seja pelo ar ou girando em torno de seu próprio eixo. Diferentemente do que ocorre em outros esportes, uma partida deve usar a mesma bola do início ao fim, só sendo permitido trocá-la caso ela apresente algum defeito impossível de ser corrigido pelo árbitro - algumas vezes ela para de emitir som, mas o árbitro dá uma sacudidinha e ela volta, não sendo necessária a substituição.

Uma equipe de futebol de cinco é composta, obviamente, por cinco jogadores, sendo que um, obrigatoriamente, deve ser o goleiro. Os jogadores são ranqueados pela IBSA em três categorias, B1, B2 e B3, de acordo com seu grau de deficiência: os atletas B1 têm as deficiências mais severas, sendo incapazes de perceber a forma de uma mão posicionada à frente de seu rosto, enquanto os B3 possuem visão limitada mas são capazes de reconhecer vultos e formas. Em alguns torneios, como as Paralimpíadas, jogadores B1, B2 e B3 competem juntos; nesse caso, todos os jogadores atuam vendados, para que nenhum leve vantagem. Em outros torneios, como a Copa do Mundo, existem competições separadas para os B1 e para os B2/B3, sendo que, nessa última, cada equipe deve sempre ter dois B2 em campo em todos os momentos do jogo, sem contar o goleiro. Em qualquer das modalidades (mista, B1 ou B2/B3), o goleiro é livre, ou seja, é permitido que o goleiro seja B1, B2, B3 ou até mesmo que tenha visão normal, desde que, nesse último caso, ele não tenha participado de nenhuma partida oficial de futebol profissional nos últimos cinco anos.

Além dos cinco jogadores em quadra, completam a equipe cinco reservas, sendo obrigatoriamente um goleiro. As substituições são ilimitadas, mas só podem ser feitas quando a bola não estiver em jogo. Os jogadores entram e saem do campo por uma portinha em uma das muretas laterais, ou, caso essa não exista, pela linha do gol que seu time está defendendo. O jogador que está entrando só pode pisar dentro do campo quando o que está saindo pisar fora. A exceção à regra da subsituição é que um goleiro não pode ser substituído logo após a marcação de um pênalti, a menos que esteja contundido e não possa continuar.

Cada equipe conta, ainda, com um técnico e um guia, que podem ser deficientes ou ter visão normal. O técnico determina as substituições, pede tempo (direito a um tempo de um minuto em cada metade do jogo) e ainda pode "ajudar" os jogadores durante a partida, com instruções verbais que os orientem quanto à localização da bola e dos adversários. O papel do guia também é fornecer essa ajuda, sendo que ele e o técnico possuem áreas diferentes de atuação, demarcadas pelas linhas pontilhadas: o guia só pode orientar seus jogadores que estejam entre o gol adversário e a linha pontilhada mais próxima do mesmo, podendo, inclusive, se posicionar atrás do gol, enquanto o técnico só pode orientar os jogadores que estejam no espaço entre as duas linhas pontilhadas. Entre o próprio gol do time e a linha pontilhada mais próxima deste, quem pode orientar os jogadores é o goleiro, razão pela qual a maioria dos times hoje opta por goleiros com visão normal.

Uma partida de futebol de cinco para cegos dura dois tempos de 25 minutos, com um intervalo de 10 minutos entre eles. O relógio para quando alguma das equipes pede tempo, quando um dos árbitros precisa solucionar algum problema que prejudicaria o andamento da partida, como a troca da bola, quando um jogador está sendo atendido pelo médico da equipe, quando está ocorrendo uma substituição, a cobrança de um pênalti, ou quando um gol é marcado (voltando a correr no reinício da partida). Nos dois últimos minutos de cada tempo, o relógio para também nas cobranças de falta, tiro de meta, lateral e escanteio. É possível uma partida terminar empatada, mas, caso seja um jogo que não admite empate (como uma final), é jogada uma prorrogação de 25 minutos, ao final da qual, se o jogo ainda estiver empatado, será solucionado através de cobranças de pênaltis.

A partida é oficiada por dois árbitros, sendo um árbitro principal, que acompanha a bola, e um segundo árbitro, que deve sempre estar na metade oposta do campo em relação ao árbitro principal, o auxiliando apitando faltas e irregularidades nessa metade. Embora não seja obrigatório, a dupla pode contar com a ajuda de um oficial que controla o tempo da partida (cabendo ao segundo árbitro essa função caso esse oficial não esteja presente); de um terceiro árbitro, que fica como reserva, substituindo o principal ou o segundo casa estes não possam continuar na partida; e de um oficial que anuncia os incidentes da partida (faltas, substituições, pedidos de tempo, gols etc.) através do sistema de som do local onde a partida está sendo disputada, bem como pede silêncio caso a plateia esteja atrapalhando o desempenho dos atletas.

A maioria das faltas do jogo é cobrada com um chute do local onde a falta ocorreu. Nas três primeiras faltas cometidas por cada time, a cobrança é feita com barreira, e pode ser direta (chute direto para o gol) ou indireta (passar a bola para um companheiro). A partir da quarta falta, todas são sem barreira e obrigatoriamente diretas; nesse caso, faltas que aconteçam entre a segunda marca do pênalti (a que fica a 8 metros do gol) e o gol oposto (da outra metade do campo) são cobradas dessa marca do pênalti. Algumas poucas faltas, especialmente as cometidas pelo goleiro, são obrigatoriamente indiretas. Caso a falta ocorra dentro da grande área, será cobrado um pênalti, com a bola sobre a marca do pênalti localizada sobre a linha da grande área e nenhum jogador podendo estar dentro da grande área, exceto o goleiro adversário. Durante a partida, o goleiro não pode sair da pequena área, sendo marcada falta ou pênalti caso ele toque na bola ou atrapalhe uma jogada fora da pequena área. Os técnicos e guias também podem ser punidos caso não se comportem propriamente - orientando jogadores fora de sua área de atuação, por exemplo. Curiosamente, o comportamento dos técnicos e guias também pode resultar em faltas e pênaltis marcados dentro de campo. Assim como no basquete, um jogador que cometa cinco faltas está fora do jogo, devendo ser substituído imediatamente e não podendo mais voltar. Dependendo da gravidade da falta, o jogador também pode ser expulso, também devendo ser substituído imediatamente e não podendo mais voltar, mas com a diferença que não pode ficar nem no banco de reservas, devendo ir para o vestiário.

Para terminar, quando a bola sai pela linha de gol, se foi tocada por último por um jogador da defesa, é cobrado um escanteio, com a bola posicionada sobre o semicírculo, e se foi tocada por último por um jogador de ataque, é cobrado um tiro de meta, com o goleiro colocando a bola sobre a linha da pequena área e chutando-a de forma que ela saia da grande área. Como há uma mureta nas laterais, cobranças de lateral são raras, mas podem acontecer, caso a bola passe por cima da mureta; nesse caso, o jogador do time que não tocou na bola por último a coloca no chão, encostada na mureta, no ponto onde ela saiu, e cobra o lateral com o pé. Não é permitido fazer gol em cobrança de lateral nem de tiro de meta - mas de escanteio pode, embora seja bem difícil.

O futebol de cinco para cegos faz parte do programa das Paralimpíadas desde 2004, com o Brasil, maior potência desse esporte, tendo ganhado os três ouros disputados até aqui. Desde 1998, a cada dois anos até 2006 e depois a cada quatro, a IBSA também organiza a Copa do Mundo de Futsal para Cegos, disputada na categoria B1 em todas as edições exceto 2004 e na B2/B3 em 1998, 2002 e 2004. Na categoria B1, mais uma vez, o Brasil é o maior vencedor, tendo sido campeão em 1998 (quando a Copa foi realizada em Campinas, SP), 2000 e 2010; em 2002 (quando a Copa foi realizada no Rio de Janeiro) e 2006, a Argentina foi a campeã. Na B2/B3, o Brasil ganhou em 1998, e Belarus em 2002 e 2004. As competições B1 e B2/B3 do futebol de cinco também fazem parte, desde 2007, do programa do IBSA World Championships, evento multiesportivo realizado em 1998, 2003, 2007 (disputado em São Caetano do Sul, SP) e 2011, que também conta com atletismo, natação, powerlifting, golbol, judô e xadrez em seu programa. Brasil e Irã ganharam os ouros do B1 disputados até aqui, e Belarus ganhou ambos os do B2/B3. A próxima edição da Copa do Mundo está prevista para 2014, e a do World Championships para 2015.

O outro futebol presente nas Paralimpíadas é o Futebol de Sete (seven-a-side football em inglês), que, como o nome sugere, tem sete jogadores de cada lado. O futebol de sete é disputado por atletas com paralisia cerebral, e foi criado na década de 1970 pela Associação Internacional de Esportes e Recreação para Paralisados Cerebrais (CPISRA na sigla em inglês), entidade fundada em 1969 e que regula também bocha, ciclismo, atletismo, esqui alpino e esqui nórdico para paralisados cerebrais, além de um esporte exclusivo desses atletas, o racerunner, uma espécie de ciclismo disputado em triciclos sem pedais.

Assim como o futebol de cinco, o futebol de sete - e o de seis também - já era disputado como recreação em vários países, como, por exemplo, no Brasil, onde é conhecido pelo nome de futebol society. O futebol de sete para paralisados cerebrais, porém, não segue as mesmas regras dessas versões recreativas, tendo a CPISRA criado seu próprio conjunto de regras, baseado nas regras do futebol da FIFA. Isso faz com que todas as regras da FIFA sejam válidas, exceto as expressamente modificadas pela CPISRA nas regras oficiais do futebol de sete.

A primeira dessas regras diz respeito ao tamanho do campo. Com menos gente em campo, e os atletas tendo dificuldades motoras, não é viável jogar em um campo oficial, sendo usado um menor, com entre 70 e 75 metros de comprimento por entre 50 e 55 metros de largura. A superfície preferencial é grama natural, mas grama sintética também pode ser usada. As marcações do campo são as mesmas do futebol, assim como a bola, mas o gol tem 5 metros de largura por 2 de altura. Todas as regras para faltas, pênaltis, escanteios, laterais e tiros de meta se aplicam, com as seguintes exceções: o lateral pode ser cobrado com uma mão só, a bola pode ser rolada para o campo ao invés de arremessada por detrás da cabeça, e em todas as cobranças de falta e escanteio todos os jogadores adversários devem estar a no mínimo 7 metros de distância da bola. Também não existe a regra do impedimento.

Uma partida de futebol de sete dura dois tempos de 30 minutos cada, com um intervalo de 15 minutos entre eles. O relógio não para nunca, mas o árbitro, ao final de cada tempo de jogo, pode acrescentar alguns minutos para compensar o tempo de bola parada. É permitido um jogo terminar empatado, mas, caso seja um jogo no qual isso não é possível - uma final, por exemplo - é disputada uma prorrogação de dois tempos de dez minutos cada, sem intervalo entre eles. Persistindo o empate, o jogo é decidido nas cobranças de pênalti. Assim como no futebol, a partida é oficiada por um único árbitro, auxiliado por dois assistentes ("bandeirinhas").

Uma equipe de futebol de sete, obviamente, conta com sete jogadores, dois quais um, obrigatoriamente, deve ser o goleiro. Cada time pode contar também com três reservas, sendo que, como no futebol, as substituições podem ser feitas a qualquer momento com autorização do árbitro, mas um jogador substituído não pode mais retornar ao jogo. Assim como no futebol de cinco, os atletas são ranqueados de acordo com a severidade de sua deficiência, em graus de C5 a C8: os C5 são atleas com dificuldades para andar ou correr, mas não para permanecer de pé ou chutar a bola; os C6 possuem problemas de controle ou coordenação dos membros superiores; os C7 possuem hemiplegia; e os C8 têm um grau de deficiência mínima, determinado por avaliação médica, mas ainda suficiente para inviabilizar a prática do futebol profissional. Cada time deve ter um atleta C5 ou C6 em campo durante todos os momentos do jogo, e um máximo de dois atletas C8 em campo simultaneamente - caso um dos C8 seja expulso, porém, um dos outros não pode ser substituído por um C8, devendo a equipe ficar com apenas um C8 em campo pelo restante da partida.

O futebol de sete fez sua estreia internacional no primeiro evento multiesportivo organizado pela CPISRA, o CPISRA International Games de 1978. Já na edição seguinte, em 1982, ele mudou de nome, passando a se chamar CPISRA World Games. Dois anos depois, em 1984, o futebol de sete seria incluído nas Paralimpíadas, permanecendo no programa até hoje. Além das Paralimpíadas, o futebol de sete conta com um Campeonato Mundial, disputado a cada quatro anos desde 1987, sempre no ano anterior ao das Paralimpíadas, e faz parte do programa da BT Paralympic World Cup, evento multiesportivo anual organizado pelo Comitê Paralímpico Britânico desde 2005, que conta com equipes da Grã-Bretanha, Resto da Europa, Américas e Resto do Mundo competindo no atletismo, natação, basquete em cadeira de rodas, ciclismo, futebol de sete, vôlei sentado e bocha. Também costumam ser disputados anualmente uma grande quantidade de torneios internacionais entre seleções convidadas, conhecidos por nomes como International Tournament e International Championships, mas que usufruem de menor prestígio que o Mundial e as Paralimpíadas.

Até a década de 1990, o futebol de sete era dominado pela Holanda, que ganhou três mundiais e três ouros Paralímpicos, além dos títulos de 1978 e 1982. Desde 2000, entretanto, os países mais fortes no futebol de sete são Rússia e Ucrânia, com dois mundiais e dois ouros Paralímpicos cada - o ouro Paralímpico que falta foi conquistado pela Bélgica na primeira edição, em 1984. Os melhores resultados do Brasil foram uma prata nas Paralimpíadas de 2004, um bronze nas de 2000 e um quarto lugar no Mundial de 2011.

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