segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Horror no Museu (III)

Hoje teremos o último post dedicado às histórias de Lovecraft publicadas no livro The Horror in the Museum and Other Revisions, com um total de oito histórias. As duas primeiras estão presentes em todas as edições do livro, e são apresentadas aqui seguindo a ordem em que foram publicadas na primeria edição, de 1970. As quatro seguintes só estão presentes na segunda edição, de 1989, e na terceira, de 2007, e são apresentadas na ordem em que estavam dispostas na segunda edição. Já as duas últimas não estão presentes neste livro, mas, como contam com a participação de Lovecraft, achei que fazia sentido falar sobre elas neste post, ao invés de em um post separado. Aliás, nunca entendi por que elas não fazem parte do livro.

Lembrando que nenhuma das oito histórias que veremos hoje, até onde meu conhecimento alcança, já foi publicada oficialmente em língua portuguesa. Assim sendo, o nome que aparece em negrito é o original, seguido de uma tradução feita por mim entre parênteses.

The Mound (A Colina) - No interior do Oklahoma, há uma pequena cidade, chamada Binger, nos arredores da qual há uma colina. Mistérios e lendas indígenas cercam a colina, na qual, dia e noite, fantasmas atuariam como sentinelas: durante o dia, um homem velho, durante a noite, uma mulher sem cabeça. Todos os que tentaram explorá-la retornaram loucos ou mutilados, de forma que a população preferiu afastar-se dela, considerando-a um local proibido.

Mas o narrador, um arqueólogo, não acredita nessas crendices, e vai até Binger para tentar desvender o mistério da colina. Durante uma de suas escavações, ele encontra um cilindro feito de metal desconhecido, dentro do qual há um texto escrito em espanhol. Traduzindo-o, ele descobre que seu autor se chamaria Pánfilo de Zamacona, e que o teria escrito em 1541. O manuscrito seria uma descrição de como Zamacona descobriu que a colina é, na verdade, a entrada para um mundo subterrâneo chamado K'n-yan, mais antigo que a humanidade, e povoado por seres meio carne, meio espírito, trazidos das estrelas há séculos por deuses ancestrais. Zamacona passa a viver em K'n-yan, relatando tudo o que viu no manuscrito, mas incapaz de retornar à superfície. Cabe ao narrador descobrir se o relato é verdadeiro, ou se tudo não passa de um trote bem elaborado pelos moradores da cidade.

The Mound foi a última das histórias que Lovecraft escreveu como ghost writer para Zealia Bishop. Segundo suas anotações, tudo o que ela lhe forneceu foi "existe uma colina na qual vaga um fantasma de um índio sem cabeça; algumas vezes é uma mulher". Partindo dessa sinopse, em suas palavras, "insuportavelmente dócil e sem-graça", Lovecraft aproveitaria para escrever a história da maneira como bem lhe aprouvesse, incluindo até mesmo referências à sua cosmologia e a Cthulhu - que, talvez para evitar que os leitores reconhecessem a história de pronto como de sua autoria, é chamado nessa história de Tulu. Talvez para não irritar Bishop, Lovecraft ainda tentaria deixar a história parecida com The Curse of Yig, colocando o próprio Yig e o índio Grey Eagle, um dos personagens daquela história, como personagens também desta, além de fazer várias referências ao Oklahoma.

Lovecraft escreveria uma de suas tradicionais histórias de conhecimento proibido, civilizações ancestrais e descoberta de fatos horríveis através de relatos, mas a mascararia com uma profunda crítica social: sua descrição de K'n-yan, que a princípio é vista por Zamacona como uma sociedade sem defeitos, mas depois revela suas mazelas, é justamente a visão que Lovecraft tinha em 1930 - ano na qual a história foi escrita - sobre a civilização ocidental, em sua opinião decadente, estagnada tecnologica e culturalmente, e voltando ao fanatismo religioso. Lovecraft se empolgaria tanto com a história que a deixaria com quase 30 mil palavras, um absurdo para um ghostwriting.

Não se sabe se Bishop não teria gostado da história ou se teria gostado tanto que não quis que ninguém descobrisse que foi Lovecraft que a escreveu, mas ela chegaria a declarar que o verdadeiro autor da história era Frank Bellnap Long, que também atuava como seu agente na época. Para desmenti-la, Long chegou a escrever uma carta pública, na qual negava qualquer envolvimento com a história, e ainda reconhecia Lovecraft como seu único e legítimo autor. Isso estremeceu as relações entre os três, e Bishop jamais procuraria Lovecraft para escrever para ela novamente.

Apesar de ter sido pago por Bishop ao entregar a história - o que, em sua condição de ghost writer já era a recompensa, sendo ela publicada ou não - Lovecraft gostou tanto dela que desejava que ela fosse publicada, e a ofereceu pessoalmente à Weird Tales. A revista, entretanto, passava por dificuldades financeiras, e seu editor, Farnsworth Wright, a rejeitou por ser muito longa e não ter pontos adequados para que fosse dividida e publicada em várias partes. Long chegou a preparar uma versão resumida da história, removendo algumas passagens, mas, ainda assim, ela continuaria longa, e seria mais uma vez rejeitada.

Após a morte de Lovecraft, August Derleth prepararia uma nova versão resumida, mas desta vez alterando várias passagens e mudando acontecimentos inteiros. Essa versão seria publicada como de autoria de Z.B. Bishop na Weird Tales, edição de novembro de 1940, e durante anos seria a única republicada, inclusive na primeira edição de The Horror in the Museum and Other Revisions. Somente em 1989, com o lançamento da segunda edição do livro, é que a história original de Lovecraft seria pela primeira vez publicada, passando a ser republicada no lugar da versão de Derleth desde então - curiosamente, a mesmíssima coisa havia acontecido com outra história escrita por Lovecraft para Bishop, Medusa's Coil.

Two Black Bottles (Duas Garrafas Negras) - Através de uma carta, o narrador é convidado a ir até a cidade de Daalbergen por um membro da congregação de seu tio, que era pastor lá. Aparentemente, o sacristão, que a cidade acredita ter um pacto com o demônio, o enterrou vivo, e desde então coisas estranhas acontecem na igreja. O narrador não acredita nisso, e decide ir até a igreja para conversar com o sacristão. Quando ele chega, o homem está bêbado e morrendo de medo, e lhe conta uma fantástica história.

Two Black Bottles foi publicada pela primeira vez na edição de agosto de 1927 da Weird Tales, creditada apenas a Wilfred Blanch Talman. Um dos muitos correspondentes de Lovecraft, Talman o teria enviado, em julho do ano anterior, um rascunho do início e uma sinopse do restante da história. Escritor iniciante, Talman desejava que Lovecraft o ajudasse a desenvovê-la, mas se irritou com o resultado, especialmente porque, segundo ele, Lovecraft reescreveu os diálogos sem sua autorização, deixando-os truncados - de fato, os diálogos dos habitantes de Daalbergen, cidade de colonização holandesa, são escritos na já característica forma de Lovecraft de transcrever dialetos.

Em represália, Talman teria não somente severamente criticado uma resenha que Lovecraft enviaria para a revista da qual era editor, a De Halve Moon, mas também se esforçaria para diminuir o papel de Lovecraft na revisão, alegando que quase todo o texto era de sua autoria, e que Lovecraft só teria recomendado mudanças estruturais. As correspondências de Lovecraft a Talman, entretanto, demonstram que ele escreveu partes inteiras da narrativa, que de fato apresentam seu estilo.

Seja como for, Two Black Bottles é considerada uma das mais fracas histórias de Lovecraft, falhando em criar uma atmosfera de horror satisfatória, deixando inexplicados alguns detalhes importantes da história e tendo um final meio sem graça. Final este que ninguém sabe se foi de autoria de Lovecraft ou de Talman.

Ashes (Cinzas) - No primeiro post dessa trilogia, vimos três histórias que Lovecraft escreveu junto com seu amigo C.M. Eddy Jr. Na ocasião, eu mencionei que a dupla havia escrito quatro histórias. Eu não errei na conta: Ashes é a quarta.

Na verdade, Ashes foi a primeira história que Lovecraft e Eddy escreveram juntos, quando Eddy o convidou para uma tarde em sua casa em 1923, assim como a primeira a ser publicada, na edição de março de 1924 da Weird Tales. Ela ficaria fora da primeira edição de The Horror in the Museum and Other Revisions, porém, porque apenas em meados da década de 1970 é que seriam descobertas cartas de Lovecraft a seus amigos nas quais ele diz que trabalhou com Eddy na história. Se o próprio Lovecraft não tivesse dito, talvez ninguém tivesse acreditado, pois, apesar de ser uma história de horror, possui elementos de romance totalmente estranhos às obras lovecraftianas. O mais provável é que o envolvimento de Lovecraft tenha sido bem pouco, apenas revisando a história antes de Eddy finalizá-la, talvez até sem alterar nada.

O protagonista de Ashes é Malcolm Bruce, que consegue um emprego como assistente do renomado cientista Arthur Van Allister. Um dia, Allister lhe mostra sua mais recente criação, uma fórmula capaz de transformar qualquer coisa em um pó branco em segundos - inclusive seres humanos. Enquanto trabalha com Van Allister em seus experimentos, Bruce se apaixona por sua secretária, Marjorie Purdy. O casal vive um intenso romance, mas, aos poucos, Bruce começa a desconfiar que Van Allister também está interessado em Marjorie. Um dia, Marjorie desaparece, e Bruce fica horrorizado ao encontrar um jarro de pó branco sobre a mesa do cientista. Imaginando que ele usou a fórmula nela, ele decide se vingar. O final não só é previsível como também meio bobinho, pelo menos na minha opinião.

The Trap (A Armadilha) - Dentre os muitos amigos escritores de Lovecraft, um dos mais queridos era Henry S. Whitehead, que foi pastor anglicano e serviu nas Ilhas Virgens durante dez anos, de onde recolheu muitas lendas do folclore local que passou a usar em suas histórias. Ao retornar das Ilhas Virgens, Whitehead foi morar na Flórida, e recebeu Lovecraft em sua casa entre 21 e maio e 10 de junho de 1931. Durante essa visita, Lovecraft fez uma leitura de Os Gatos de Ulthar no clube de leitura que Whitehead presidia, e o ajudou a escrever The Trap, uma história na qual Whitehead estava trabalhando, mas não estava satisfeito com o clima.

O narrador de The Trap é Gerald Canevin, professor em uma escola particular para rapazes, dono de um antigo espelho dinamarquês que adquiriu em uma barganha durante uma viagem às Ilhas Virgens. Um dia, durante uma sessão de leitura em seus aposentos - motivada pela quebra do sistema de calefação da escola, que deixou as salas de aula muito frias, temperatura à qual Canevin é especialmente sensível - um de seus alunos, Robert Grandison, nota uma estranha imperfeição na superfície do espelho, que só pode ser vista de um único ângulo. Pouco depois, Grandison desaparece sem deixar vestígios. Após o episódio, Canevin passa a ser visitado por Grandison em seus sonhos, e o aluno lhe revela que o espelho é, na verdade, um portal para outra dimensão, na qual ficou preso após tocar na estranha imperfeição, e de onde pode comunicar-se com o professor por telepatia. Canevin, então, passa a ter a missão de encontrar uma forma de libertar o aluno, já que ele não tem como sair por meios próprios.

Estima-se que algo entre a metade e três quartos da história sejam de autoria de Lovecraft, que apenas seguiu a espinha dorsal criada por Whitehead durante sua revisão - elementos típicos das obras de Lovecraft, como o narrador ser sensível ao frio, dão prova de que a revisão foi mesmo extensa. Por cortesia de Lovecraft, que, em sua própria opinião, estava somente ajudando ao amigo, ela seria publicada como sendo de autoria apenas de Whitehead, na edição de março de 1932 da revista Strange Tales. Somente na década de 1970 seriam encontradas cartas de Lovecraft que comprovariam que ele revisou a história, mas não quis o crédito pelo trabalho.

The Tree on the Hill (A Árvore na Colina) - Essa história possui três partes. Na primeira, um narrador identificado apenas como Single viaja através de uma peculiar região montanhosa conhecida como Hell's Acres. Lá, ele encontra uma única árvore solitária no topo de uma colina, e adormece sob sua sombra, tendo estranhos sonhos. Ao acordar, ele tira fotos do local. Na segunda parte, Single conta a história e mostra as fotos a seu amigo, o estudioso de mitologia egípcia Constantine Theunis. A princípio, Theunis não acredita, mas, ao ver as fotos, se assusta, e encontra em sua bilbioteca um antigo livro, A Crônica de Nath, que faz menção a uma espécie de lente, que ele deseja usar para ver as fotografias. A terceira parte traz o resultado do uso de tal lente sobre as vidas de Single e Theunis.

Escrita em maio de 1934, The Tree on the Hill seria publicada pela primeira vez na edição de setembro de 1940 - bem depois da morte de Lovecraft - da revista Polaris, creditada a Duane W. Rimel. Rimel era um jovem escritor que conheceu Lovecraft no início de sua carreira, e, assim como outros da época, resolveu mostrar-lhe algumas de suas histórias, para que Lovecraft dissesse o que achava.

Em uma de suas cartas a Rimel, Lovecraft deixa claro que revisou The Tree on the Hill, elogiando a história por sua capacidade de capturar a essência do bizarro, e lamentando que ela tanda ao anticlímax em certas passagens. Na mesma carta, Lovecraft diz a Rimel que alterou algumas passagens, que tentou fortalecer o final, e que esperava que Rimel gostasse das mudanças que fez.

De fato, o final, que evoca a mudança na vida do protagonista após este travar contato com um conhecimento proibido, é típico de Lovecraft, e estudiosos conjecturam que toda a terceira parte pode ser de sua autoria. Rascunhos também indicam que a citação da Crônica de Nath tambem foi escrita por ele, embora o restante da segunda parte pareça ser de autoria de Rimel. O livro fictício - A Crônica de Nath - parece ter sido inventado por Rimel, não somente porque Lovecraft, já tendo tantos, não precisaria inventar mais um livro místico, como também porque Rimel voltaria a mencioná-lo em muitas outras de suas histórias.

The Disinterment (A Exumação) - O narrador da história, mais uma vez sem nome, contraiu lepra durante uma viagem às Filipinas na qual cuidou de seu irmão, afligido pela mesma doença. Temeroso do estigma que a doença possa lhe trazer, ele concorda em ir morar com e ser tratado por um amigo, o cirurgião de reputação duvidosa Marshall Andrews. Um dia, Andrews viaja ao Haiti, sob o pretexto de estudar tratamentos para a doença, e de lá retorna com uma droga que diz ser capaz de deixar o paciente em um estado de animação suspensa tão perfeito que qualquer exame decreta que ele está morto. Andrews convence o narrador a deixá-lo usar a droga, declará-lo morto, enterrá-lo e mais tarde exumá-lo, "ressucitando-o" e dando-lhe a oportunidade de viver com uma nova identidade. O narrador, relutante, aceita, mas, ao acordar após a exumação, começa a desconfiar que Andrews lhe fez de cobaia em alguma experiência sinistra.

Em uma de suas cartas a Duane W. Rimel - creditado na publicação original como único autor da história - Lovecraft o parabeniza, dizendo que a história é esplêndida, muito bem escrita e uma de suas melhores. Na mesma carta, Lovecraft diz que revisou o manuscrito, aprimorando a fluidez da prosa, e que espera que as "pequenas alterações nos verbos" que fez fiquem do agrado de Rimel. Como tal manuscrito não sobreviveu, é impossível saber o quanto Lovecraft teria alterado a história, mas os estudiosos de sua obra são unânimes em dizer que ele fez muito mais do que "pequenas alterações nos verbos", sendo provável que ele tenha reescrito passagens inteiras, e tenha usado a frase ou como eufemismo, ou como modéstia. Realmente parece pouco provável que Rimel, sem uma interferência maciça de Lovecraft, tivesse conseguido imitar tão bem seu estilo e a atmosfera de suas histórias.

De acordo com a correspondência trocada entre Lovecraft e Rimel, The Disinterment foi escrita em setembro de 1935. Só seria publicada, entretanto, na edição da Weird Tales de janeiro de 1937, pouco antes da morte de Lovecraft.

The Sorcery of Aphlar (A Feitiçaria de Aphlar) - Em um mundo fantástico, o sábio Aphlar é banido pelo Conselho dos Doze, condenado a viver na cidade de Bel-haz-en, na qual nenhum conhecimento florescia, apenas a ignorância e a estupidez. Inconformado com esse destino, Aphlar foge para as montanhas, mas sabe que o Conselho não se conformará com seu desrespeito, e enviará soldados para matá-lo por sua insolência. Aphlar passa seus dias estudando seus muitos pergaminhos, esperando por seu destino. Mas, quando os executores chegarem, terão uma surpresa.

Publicada pela primeira vez na edição de dezembro de 1934 da revista The Fantasy Fan, The Sorcery of Aphlar tem sua autoria creditada apenas a Duane W. Rimel. Alguns estudiosos, entretanto, acreditam que, assim como ocorreu com The Tree on the Hill e The Disinterment, Lovecraft teria tido alguma participação na história.

O tamanho dessa participação, entretanto, ainda é assunto de muito debate. Segundo um manuscrito de R.H. Barlow, Rimel teria escrito a história e Lovecraft apenas a revisado; uma carta do próprio Lovecraft a Rimel, nos mesmos moldes da que enviou após revisar The Tree on the Hill, porém, dá a entender que sua participação tenha sido maior: nela, ele felicita o autor pela história, diz que lendo-a se lembrou de seu ídolo Lord Dunsany, e menciona ter feito algumas modificações que, em sua opinião, ajudariam na criação do clima, como a mudança do nome do protagonista, originalmente Alfred, para Aphlar. O fato de o clima de The Sorcery of Aphlar ser bem parecido com o do Dream Cycle de Lovecraft também parece ser um indicativo de que Lovecraft mexeu na história.

Bothon (Bothon) - Correspondências trocadas entre Lovecraft e Henry S. Whitehead, assim como algumas enviadas por Lovecraft a seus amigos, parecem apontar que The Trap não foi a única história de Whitehead na qual Lovecraft teve uma participação. Em diversas dessas correspondências, Lovecraft faz referência a uma história que ele chama de The Bruise (algo como "a escoriação" ou "o machucado"), que guarda grande semelhança com Bothon, história publicada em agosto de 1946 na revista Amazing Stories, creditada apenas a Whitehead.

Como Lovecraft não fala sobre o assunto claramente nas cartas, existem várias teorias sobre o tamanho de sua participação na história. S.T. Joshi, o maior estudioso da obra de Lovecraft, acredita que tenha sido um "ghostwriting ao contrário", com Lovecraft fornecendo uma sinopse que Whitehead teria transformado em história - algo do tipo já havia sido feito pela dupla em 1932, com Lovecraft fornecendo um fiapo de enredo de seu caderno de anotações, a ideia de um conto envolvendo um homem e seu gêmeo siamês, que Whitehead transformaria na história Cassius. Outros estudiosos sugerem que, partindo de sinopse de Lovecraft ou não, Whitehead a teria escrito e dado para Lovecraft revisar - em uma de suas cartas, inclusive, Lovecraft menciona que The Bruise teria sido rejeitada pela revista Strange Tales por ter um enredo muito raso, e que ele faria modificações para torná-lo mais profundo. Existe ainda uma teoria de que nem Whitehead, nem Lovecraft teriam escrito a história: Whitehead morreu em 1932, cinco anos antes de Lovecraft, e algumas das cartas dão a entender que eles estavam ainda na fase de planejamento da história quando Whitehead faleceu. Segundo essa teoria, August Derleth teria escrito a história no estilo lovecraftiano a partir de uma sinopse que encontrou dentre as anotações de Whitehead. Por que ele a teria submetido à Amazing Stories como sendo apenas de Whitehead - já que assim ela foi creditada - é um fato que não é coberto por essa teoria.

Infelizmente, eu nunca li Bothon. Aparentemente ela não existe gratuitamente em local algum da internet - e não deve ser por não ser de domínio público, já que, como eu já disse, Whitehead faleceu em 1932, então suas histórias são domínio público há uns dez anos - e eu não estou muito a fim de comprar um livro só para ver do que se trata. Tudo o que eu sei é que seu protagonista é um homem que, após receber uma pancada na cabeça, passa a ter memórias de um de seus antepassados, que viveu na mítica terra de Mu há 20.000 anos e lutou contra uma raça subterrânea chamada Gyaa-Hua - tal raça subterrânea, mais os nomes e descrições dos locais de Mu, aliás, seriam os pontos "lovecraftianos" citados por quem alega que The Bruise e Bothon são a mesma história.

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