segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Toei Heroes (VIII)

E hoje teremos o último post com os heróis clássicos da Toei!

Kyoudai Ken Bicrossers
1985


Com os sentai se estabelecendo definitivamente a partir de 1979, a estreia do Toei Fushigi Comedy Series (do qual falaremos mais adiante) em 1981 e a dos Metal Heroes em 1982, a Toei optou por parar de investir em heróis "soltos". A parceria com a TV Asahi, mais rentável do que nunca, garantiu que todos os tokusatsu produzidos pela Toei no início da década de 1980 fossem exibidos por aquele canal, com os demais ficando com os anime e com outros tipos de séries com atores, como os TV Drama (semelhantes às novelas brasileiras) e as séries mais infantis.

Em 1984, entretanto, Shotaro Ishinomori, sempre ele, decidiu que era hora de inovar mais uma vez, e criar um tokusatsu infantil. Até então, todos os tokusatsu eram direcionados ao público infanto-juvenil, mas Ishinomori, que já tinha experiência com séries com atores para o público infantil, tendo inclusive criado Robocon - que aliás, a rigor, não é um tokusatsu, assim como, por exemplo, o Popeye não é um super-herói - não via por que o tom tradicional desse tipo de série não podia ser amenizado para agradar também às crianças. Com esse pensamento em mente, ele criaria Machineman, que já vimos aqui no quarto post da série dedicada aos Metal Heroes.

Exibido pela Nippon TV, que se interessou por ele após a Asahi e a Fuji recusarem, Machineman foi um grande sucesso, e, como sempre, motivou a criação de uma segunda série no mesmo estilo. Essa série se chamaria Bicrossers, e, sinceramente, só está aqui porque eu acho que não me cabe escolher de quais heróis vou falar e de quais não; já que me comprometi, é melhor falar de todos. Mas eu detesto Bicrossers, e acredito que seja o pior tokusatsu já feito em toda a história da TV japonesa.

Os Bicrossers - que também podem ser encontrados por aí como Bycrossers, Byclosser ou Biclossers - são dois irmãos - daí o Kyoudai Ken, que significa "punhos dos irmãos", seja lá por qual razão - Ken e Gin Mizuno. Quando surgiu uma ameaça à Terra, Pegasus III, o guardião da galáxia, decidiu presenteá-los com incríveis poderes: se comunicar por telepatia, ouvir gritos de socorro a quilômetros de distância e se transportar para a quarta dimensão - entrando no armário que há em seu quarto. Dentro da quarta dimensão, eles se transformam em Bicrosser Ken (de armadura vermelha) e Bicrosser Gin (de armadura azul), ganhando armaduras que aumentam sua força, resistência e velocidade, além de permitir que usem incríveis armas e veículos de última geração, o Auto Aero Crosser, nave pilotada por Ken que se transforma em veículo terrestre, e o Moto Aero Crosser, moto pilotada por Gin que se transforma em bazuca para matar os monstros da semana - Ken pega a moto com Gin e tudo e aperta um gatilho na parte de baixo dela, fazendo-a disparar um raio poderoso. Por que o próprio Gin não poderia disparar esse raio através de um botão no painel é um mistério que eu ainda não consegui decifrar.

Os Bicrossers deveriam usar os poderes conferidos por Pegasus III para deter a organização criminosa Destler, liderada pelo maligno Dr. Q, que fez um pacto com o demônio Gowla. O Dr. Q odeia as crianças, e as maltrata para gravar seu choro, cujo som alimenta Gowla, que, em troca, expele diamantes para o cientista. Além do Dr. Q e de Gowla, a Destler é formada pelo androide Blackman, pela malvada Sílvia e pelos monstros da semana, em sua maioria androides criados pelo Dr. Q e animados por Gowla.

No episódio 15, vem à Terra o irmão de Gowla, Gowla-Zongher, que substitui Gowla como co-líder da Destler. Mais ambicioso que seu irmão, que só queria se alimentar do som do choro das criancinhas, Gowla-Zongher desejava dominar o mundo, e todos os esforços da Destler então se voltaram para este fim. Também no episódio 15 entrou na série Rita, a neta adolescente do Dr. Q, ume menina meio mal-educada, que não se dava bem com Sílvia, tinha uma echarpe que se transformava em espada, e sempre chamava o Dr. Q de "vovozinho", o que o irritava sobremaneira.

O episódio 15, aliás, foi uma espécie de ponto de virada, uma tentativa de levantar a audiência da série, que andava baixa. No início, Ken e Gin, por exemplo, moravam com seus pais, sendo que sua mãe era um personagem extremamente cômico, e seu pai era bastante sério. No espisódio 15, seu pai foi transferido para outra cidade, levando a mãe, mas Ken e Gin continuaram morando sozinhos com a desculpa de que tinham de terminar os estudos.

Ken e Gin moravam em uma vila, onde também residia a garota Ayame, que trabalhava com seu pai em uma firma de serviços gerais chamada Mão na Roda. As crianças da vila, por algum motivo, eram os alvos preferenciais da Destler, e, quando não estavam sendo perseguidas pelos vilões, estavam se metendo em confusões das quais precisavam ser salvas pelos heróis.

Bicrossers tentou manter o mesmo tom de Machineman, para repetir seu sucesso, mas não conseguiu. Com orçamento extremamente baixo e atuações abaixo da média, teve baixa audiência ao longo de toda a sua exibição. Foram produzidos apenas 38 episódios, exibidos entre janeiro e setembro de 1985, sendo que os episódios 35, 36 e 37 são retrospectivas dos 34 anteriores. A baixa audiência fez com que a Nippon TV não se interessasse por um novo tokusatsu infantil, e a Toei voltasse a produzir tokusatsu apenas para a TV Asahi.

Aqui no Brasil, Bicrossers foi exibido pela Globo no início da década de 1990, na Sessão Aventura, para tentar combater o sucesso que séries como Jaspion, Changeman, Metalder e Goggle V faziam em suas concorrentes, a Manchete e a Bandeirantes. Na minha opinião, poderiam ter escolhido melhor: Bicrossers foi o primeiro tokusatsu exibido pela Globo, que depois exibiu, quase que na moita, sem que muita gente soubesse, Shaider e Gavan. Se tivessem começado por um desses, talvez tivessem tido mais sorte.

Bishoujo Kamen Patrine
1990


Diferentemente do que muita gente acredita - inclusive eu acreditava, antes de começar a pesquisar mais sobre o assunto - nem todo seriado japonês com atores é um tokusatsu. Nem mesmo aqueles de aventura. O tokusatsu tem alguns elementos próprios que o caracterizam, alguns deles meio difíceis de identificar por quem não é japonês. Segundo esses critérios, Robocon, por exemplo, apesar de ser protagonizado por robôs que vivem aventuras, não é considerado tokusatsu, mas apenas um seriado infantil. Sukeban Deka, que tem como protagonista uma colegial que, na verdade, é uma agente secreta, também não é. E muitos seriados protagonizados por meninas que ganham incríveis poderes para combater o mal são chamados, no Japão, simplesmente de Magical Girls, e, embora pra mim eles tenham tudo a ver com tokusatsu, também não o são.

Guardem essa informação em mente enquanto eu digo que, em 1981, na TV Fuji, estreou um programa chamado Toei Fushigi Comedy Series - fushigi significa "maravilhoso" ou "misterioso", dependendo do contexto - que apresentava seriados estrelados por robôs fofinhos como Robocon, menininhas que ganhavam poderes mágicos para combater o mal e adolescentes que montavam agências de detetives para solucionar mistérios. Voltados para o público infantil, todos tinham diálogos simples, orçamento baixo e muito humor em seus diálogos e situações. Ao todo, 14 seriados foram exibidos como parte do programa entre 1981 e 1993: Robot 8-Chan, Batten Robomaru, Pettonton, Dokincho! Nemurin, Katteni! Kamitaman, Morimori Bokkun, Omoikkiri Tanteidan Hadogumi, Jaman Tanteidan Maringumi, Mahou Shoujou Chuka na Paipai, Mahou Shoujou Chuka na Ipanema, Bishoujo Kamen Patrine, Fushigi Shoujo Nairu na Totomesu, Utau! Dairyugujo e Yugenjikko Sisters Chouchoutrian.

De todos esses, apenas um, seja lá por qual motivo for, é considerado um tokusatsu: a Bela Mascarada Patrine, traduzida aqui no Brasil para Estrela Fascinante Patrine. Patrine - que também pode ser encontrada por aí como Patrini ou Poitrine, mas no original japonês era Powatorin - é, na verdade, a adolescente Sayuri Murakami (Yuko Murakami no original), que, um dia, ganha incríveis poderes de um estranho velhinho para combater o mal. Esse velhinho, na verdade, é o deus protetor da cidade, e deu os poderes a Patrine para poder sair de férias, mas sob uma condição: ela jamais poderia revelar sua identidade secreta a ninguém, ou se transformaria em um sapo.

Os poderes de Patrine vêm do amor e da amizade, e incluem um uniforme para proteger sua identidade secreta, uma adaga com a qual marca seus inimigos com um "P" no meio do peito, e a habilidade de assumir os mais variados disfarces. Sayuri tem dois irmãos mais novos, o menino Hideki (Takuto no original) e a menina Tomoko (Momoko no original; o que eles têm contra os nomes originais?), sua mãe é dona de casa e trabalha em uma loja, e seu pai é o editor de uma conceituada revista feminina. Outros personagens incluem as crianças do Clube Patrine, fundado por Hideki, que decidem se reunir para ajudar a heroína, mas, como sempre, acabam mais atrapalhando do que outra coisa; e a Detetive Honda, mãe de um dos meninos do clube, e que odeia Patrine por ela fazer o trabalho da polícia.

Nos primeiros episódios, Patrine enfrentaria vilões terríveis, como o homem que roubava cartuchos de videogame, o dono de lanchonete cujos lanches viciavam as pessoas, e um grupo inescrupuloso que vendia produtos de Patrine sem pagar os devidos direitos de imagem. Lá pelo meio da série, talvez achando que esses vilões estavam muito chinfrins, Patrine ganha um novo inimigo, o Diabo do Inferno (apenas Diablo no original), um homem gigantesco de chapelão e batom preto, que pretende dominar todo o universo. Para derrotar os enviados do vilão, Patrine ganha uma caixa de música com o poder de purificar o coração das pessoas.

Também nessa segunda metade, surge uma nova heroína, a Pequena Patrine (Powatorin Petite no original), ninguém menos que Tomoko, a irmã de Sayuri. Ganhando do deus protetor os mesmos poderes com as mesmas condições - não contar a ninguém senão vira sapo - Tomoko não sabe que sua irmã é Patrine - e vice-versa - e, no início, se apresenta mais como uma rival amistosa, só se tornando de fato parceira da heroína após algumas escaramuças.

Patrine também foi criada por Shotaro Ishinomori, e desconfio que esse seja o único motivo pelo qual ela é considerada um tokusatsu e não uma Magical Girl, estilo com o qual tem tudo a ver. Ao todo, foram produzidos 51 episódios, exibidos entre janeiro e dezembro de 1990. Aqui no Brasil, Patrine foi exibida pela TV Manchete em 1993, e não fez muito sucesso; no Japão, entretanto, a série teve boa audiência, e Patrine é até hoje lembrada como uma das principais heroínas do tokusatsu.

Vale a informação de que, em 2007, estreou na TV Tokyo a série Bishoujo Serebu Panchanne (a "bela celebridade Panchanne"), produzida não pela Toei, mas pela Kyodo, e que é uma espécie de paródia de Patrine: sua protagonista, Yumiko Shinjo, quando tinha 15 anos, ganhou incríveis poderes e combateu o mal sob a identidade de Bishoujo Kamen Florence. Eventualmente, ela desistiu dessa vida, se casou e teve uma filha. Quinze anos depois, porém, o Japão está sob uma terrível ameaça, e cabe a Yumiko reotmar sua vida de heroína, desta vez como Panchanne, tendo de conciliá-la com a vida de dona de casa. Panchanne era ainda mais escrachado do que Patrine, e teve um total de 13 episódios, relativamente bem-sucedidos.

Choukou Senshi Changerion
1996


Sabe-se lá o porquê, a transliteração oficial do nome desse herói é Changéríon. Por que esses dois acentos, eu nem desconfio, mas, por praticidade, prefiro não utilizá-los, já que a "forma correta" de se escrever é em japonês mesmo, que nem acentos tem. Ah, sim, e a tradução é o Soldado Super-Óptico Changerion, o que não ajuda muito as coisas.

Em um futuro não muito distante, chega à Terra o exército DarkZide, vindo da Dimensão Negra. Seu mundo original está morrendo por falta de Larmu, uma espécie muito rara de energia. Os cientistas da DarkZide descobrem, entretanto, que Larmu é nada menos que a força vital dos seres humanos, e decidem invadir nossa dimensão para roubar tanta energia vital quanto conseguirem e evitar sua extinção.

Apesar dos acontecimentos, o governo japonês não acredita que uma coisa chamada DarkZide, vindo de um lugar chamado Dimensão Negra está roubando a energia vital de seus cidadãos - afinal de contas, isso é ridículo. A única chance da humanidade, portanto, é o SAIDOC, um grupo de cientistas, policiais e militares reunidos pelo Comandante Takeshi Munakata com a missão de deter o DarkZide. Através de extensas pesquisas, os cientistas do SAIDOC conseguem elaborar um cristal especial capaz de anular os poderes dos DarkZide, e o usa para criar uma armadura, que dará a quem vesti-la poderes suficientes para derrotar os vilões.

Originalmente, a armadura caberia a Katsuhiko Hayami, um policial sério, dedicado, com um senso do dever acima de qualquer suspeita. Infelizmente, durante um ataque do DarkZide, quem acaba usando a armadura é Akira Suzumura, a vergonha da polícia, irresponsável, otimista ao extremo, viciado em jogo e em banana split, e que nem membro do SAIDOC era. Mas, como uma vez que armadura se liga a um hospedeiro ela não pode ser usada por nenhum outro, Akira acaba se tornando Changerion, o único com poderes capazes de deter os DarkZide e salvar o Japão! Que os céus os ajudem.

Changerion retira seus poderes da luz refletida pelo cristal de sua armadura, que lhe dá força sobre-humana e uma grande resistência. Como os DarkZide vêm da Dimensão Negra, a luz concentrada por Changerion é insuportável para eles, e os poderes conferidos por ela conseguem penetrar todas as suas defesas. Dentre as armas usadas por Changerion estão um disco de arremesso, uma garra acoplada à sua mão direita, uma espada laser, uma pistola laser, e seu ataque final, o Shining Attack, que concentra o poder da luz em um golpe devastador para os monstros da semana.

Além da armadura de Changerion, o SAIDOC desenvolveu três robôs tipo Transformers, que eventualmente passam a ajudá-lo em suas missões: Rikushinki é de cor vermelha, pode se transformar em uma moto e alcançar velocidades de até 600 Km/h; Kuuretsuki, o de cor azul, pode se transformar em jato, e tem uma personalidade meio reclamona; e Houjinki, o amarelo, se transforma em uma espécie de tanque, com um canhão poderoso o suficiente para derrubar as naves do DarkZide. Os três podem se combinar para formar o Shining Buster, uma arma superpoderosa utilizada por Changerion.

Dentre os aliados humanos de Changerion estão o Comandante Munakata; Eri Minami, a única mulher do SAIDOC, corajosa e confiante; e Akemi Tachibana, professora do jardim de infância e namorada de Akira, que não fica muito satisfeita com sua transformação em Changerion. Hayami, o que deveria ser Changerion mas não foi, jamais se conformou, e passa a tentar sabotar as missões para mostrar que Akira não é digno da armadura - como se o próprio Akira já não fosse atrapalhado o suficiente para fazê-lo. Mais tarde na série, Hayami ganha o poder de se transformar em uma espécie de monstro, Brader, toda vez que come umeboshi, uma espécie de picles tradicional do Japão. Brader é como um lobisomem: age de forma selvagem e, quando o umeboshi é totalmente digerido, Hayami volta ao normal sem qualquer lembrança do que fez enquanto estava transformado.

O exército DarkZide é comandado pela Rainha Erieza, governante da Dimensão Negra. Seus principais membros são o musculoso General Zander, o cientista parecido com um sapo Dr. Vinsue, e o sacedote Priest Mordos, que se parece com uma árvore. Um membro renegado do DarkZide, com seus próprios interesses na invasão da Terra, chamado Dark Knight Gawer, aparece em alguns episódios, se opondo tanto a Changerion quanto aos DarkZide. Finalmente, a guerreira Zapphire completa o plantel dos vilões.

Todos os DarkZide têm a habilidade de assumir forma humana, inclusive os monstros da semana, sendo que a maioria dos episódios envolve Changerion descobrindo que algum humano é, na verdade, um DarkZide com propósitos malignos. Para agir entre os humanos sem levantar suspeitas, o General Zander assume a identidade do militar Kazuki Katayama; Zapphire a da bela Sayoko; e Gawer a do executivo Shogo Kuroiwa, disfarce tão perfeito que engana até mesmo Eri Minami, que se apaixona por ele.

Exibido na TV Tokyo entre abril e dezembro de 1996, Changerion deveria ter 52 episódios, mas a baixa audiência fez com que somente 39 fossem produzidos. Até hoje muitos fãs do tokusatsu não entendem como essa série não emplacou, e a consideram uma das melhores produzidas pela Toei.

Talvez por causa da audiência decepcionante, Changerion acabaria sendo o último tokusatsu produzido pela Toei para um canal que não fosse a TV Asahi, e o último "herói solto" inédito da empresa: todos os tokusatsu produzidos pela Toei de 1997 em diante - à exceção de Moero!! Robocon, que era um remake, e do seriado da Sailor Moon, que era uma adapatação - seriam sentai, Metal Heroes ou Kamen Riders.

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