domingo, 29 de maio de 2011

A Maldição de Sarnath (I)

E hoje veremos o último dos livros de contos de H.P. Lovecraft lançados pela Editora Iluminuras, A Maldição de Sarnath. Confesso que, quando decidi que iria escrever sobre esses livros, não estabeleci ordem; sabia que queria começar por A Cor que Caiu do Céu, mas os outros eu fui escolhendo enquanto escrevia. A ordem à qual cheguei, porém, acabou tendo duas características interessantes: primeiro, o número de contos de cada livro fez, até aqui, uma escadinha - 9,9,8,6,4 - segundo, o livro que tem mais contos acabou ficando justamente para o final. O que é uma coisa boa, porque me permite dividir o post em dois.

Sim, porque A Maldição de Sarnath traz nada menos que 20 contos. Pois é, vinte. E não, ele não é muito mais grosso que seus colegas, os contos é que são mais curtinhos. Mesmo assim, como o post não reproduz os contos, mas fala sobre eles, falar de 20 de uma vez só resultaria em um post gigantesco, o que nos leva à conclusão óbvia: hoje é dia de Lovecraft no átomo, e semana que vem também!

Os Outros Deuses (The Other Gods) - Escrito em agosto de 1921, mas publicado somente na edição de novembro de 1933 da revista The Fantasy Fan, este conto é mais um dos que fazem parte do Dream Cycle, assim como as histórias presentes no livro À Procura de Kadath. Nele, Lovecraft reutiliza locais e personagens que apareceram em Os Gatos de Ulthar, uma das primeiras histórias do Dream Cycle, além de mencionar, pela primeira vez, Kadath, a morada dos deuses que Randolph Carter tanto almeja alcançar.

Assim como Carter, inclusive, o protagonista da história, Barzai, o Sábio, sumo-sacerdote dos deuses da Terra em Ulthar, deseja uma conferência com estes, e parte para encontrá-los acompanhado de seu aprendiz, Atal. Segundo o conhecimento de Barzai, entretanto, os deuses da Terra viveriam em outra montanha, Hatheg-Kla, próxima a Ulthar e de bem mais fácil acesso que Kadath. Ao alcançar seu cume, porém, Barzai e Atal se deparam não com os deuses de Terra, mas com os "outros deuses", aquelas entidades alienígenas que tanto inspiram medo nas histórias lovecraftianas.

Muitos estudiosos de Lovecraft apontam como principal inspiração para esse conto o primeiro livro de Lord Dunsany, um dos autores preferidos de Lovecraft, The Gods of Pegana - um conjunto de contos no qual Dunsany cria um panteão próprio - em especial o conto The Revolt of the Home Gods, no qual um grupo de deuses se revolta e abandona a comunidade que os venera.

Curiosamente, um dos maiores estudiosos da obra de Lovecraft nada contra a corrente e argumenta que Os Outros Deuses é ambientado não nas Terras dos Sonhos, mas em um passado distante da própria Terra, semelhante à Era Hiboriana das histórias de Robert E. Howard - o qual Lovecraft ainda não conhecia à época em que escreveu o conto.

Também é interessante mencionar que Atal estreou justamente em Os Gatos de Ulthar, e também aparece em À Procura de Kadath, quando Carter o procura em busca de informações.

A Árvore (The Tree) - Uma das primeiras histórias escritas por Lovecraft, A Árvore é ambientada na Grécia Antiga, e não traz nenhum dos elementos que caracterizariam a obra do escritor em anos futuros. Ainda assim, os dois temas primários dessa história são aqueles nos quais Lovecraft se pautaria em praticamente tudo o que escreveu: o conhecimento proibido, que arruína a vida daqueles que com ele travam contato; e a impotência do homem diante dos deuses ou de criaturas igualmente poderosas.

Na cidade de Arcádia, existiam dois escultores, Kalos, cuja fonte de inspiração advinha da meditação e de conversas com os espíritos do bosque, e Musides, que adorava a vida noturna e se inspirava nas facetas mais mundanas da sociedade. Amigos e rivais, ambos eram mestres sem paralelo, capazes de esculturas belíssimas e inimitáveis. Um dia, o Tirano de Siracusa os convidou a competir entre si para criarem a estátua mais maravilhosa do mundo, com a qual adornaria sua cidade. Kalos e Musides aceitaram o desafio, mas, enquanto trabalhavam, Kalos adoeceu gravemente. Com o amigo à beira da morte, Musides lhe prometeu que lhe construiria a mais maravilhosa tumba de toda a Grécia, mas tudo o que Kalos exigiu foi que ele o enterrasse com ramos de oliveira próximos à cabeça. Musides assim o fez, mas também construiu a tal tumba. Então, um dia, dentro da tumba nasceu uma estranha oliveira, que mudaria o rumo dessa história para sempre.

A principal inspiração para A Árvore teria vindo da novela de horror The Great God Pan, de Arthur Machen, especialmente da descrição do autor para o deus Pan não como um semi-humano, mas como uma força da natureza. A Árvore foi escrita no início de 1920, e publicada na edição de outubro de 1921 do periódico The Tryout, dedicado a contos de autores amadores.

A Maldição de Sarnath (The Doom that Came to Sarnath) - Escrita em 1920 e publicada na revista The Scot de junho do mesmo ano, a história que dá nome ao livro é mais uma ambientada no mundo dos sonhos, fazendo parte do Dream Cycle.

Há mais de dez mil anos, humanos colonizaram as margens do Rio Ai na Terra de Mnar, fundando várias cidades. Desejando novas terras, um grupo de bravos exploradores adentrou Mnar até alcançar um lago, fundando a cidade de Sarnath. O local escolhido por eles, entretanto, não era deserto, sendo já habitada por uma raça de homens-lagarto que veio da Lua, fundando a cidade de Ib, onde veneravam seu deus, Bokrug.

Cheios de preconceito contra os habitantes de Ib, principalmente devido à sua aparência, os habitantes de Sarnath travaram uma grande guerra contra eles, que resultou na aniquilação de todos os homens lagarto e na destruição da cidade. Como prêmio, eles levaram a estátua de Bokrug para Sarnath, e instituíram um novo feriado, no qual todos os anos seria comemorada a destruição de Ib com um grande banquete.

Como vocês devem estar imaginando, isso não acaba bem. Principalmente quando a estátua de Bokrug desaparece misteriosamente, e Sarnath prepara o maior banquete de todos, para comemorar o aniversário de dez séculos da destruição de Ib, com a presença de dignatários de todas as cidades humanas do mundo dos sonhos.

Assim como muitas das histórias do Dream Cycle este teve sua inspiração na obra de Lord Dunsany, em especial Idle Days on the Yann, que faz referência a um enorme portão esculpido de um único bloco de marfim, enquanto A Maldição de Sarnath faz referência a um trono com a mesma característica. Curiosamente, Sarnath é uma cidade real, localizada na Índia, na qual Buda começou a pregar seus ensinamentos; ao ser perguntado sobre isso, Lovecraft disse desconhecer o fato, mas que poderia realmente ter lido o nome da cidade em algum lugar, embora imaginasse que tivesse ele mesmo inventado o nome.

Sarnath é citada em mais três histórias de Lovecraft: diretamente em A Cidade sem Nome e A Procura de Iranon, e como "a cidade sem nome da Arábia Deserta" em Nas Montanhas da Loucura.

A Tumba (The Tomb) - Eu já contei essa história aqui, mas vale relembrar: após um longo tempo sem escrever, Lovecraft foi convidado a se filiar à UAPA, uma associação norte-americana de escritores amadores. Lá, diversos outros escritores leram as histórias que ele havia escrito na adolescência, e gostaram tanto delas que decidiram publicá-las nos periódicos impressos pela associação. Um desses escritores, W. Paul Cook, era editor de seu próprio periódico, The Vagrant, e foi um dos principais incentivadores para que Lovecraft voltasse a escrever. Entusiasmado com o ânimo de Cook, no verão de 1917 Lovecraft escreveria duas histórias quase que simultaneamente, Dagon e A Tumba. Dagon seria a primeira das duas a ser publicada, na edição de novembro de 1919 de The Vagrant, mas A Tumba, que ele terminou de escrever primeiro, entraria para a história como o primeiro conto que Lovecraft escreveu em sua vida adulta.

Diferentemente de Dagon, que praticamente introduz o horror cósmico que viria a se tornar cada vez mais frequente na literatura lovecraftiana, A Tumba é uma história de horror gótico, na qual é evidente a influência das obras de Edgar Allan Poe, como era comum, aliás, nas primeiras histórias escritas por Lovecraft. Se pararmos para pensar, Lovecraft, já da primeira vez em que decidiu escrever ficção depois de adulto, já conseguiu um feito notável: escreveu ao mesmo tempo duas histórias de estilos bastante diferentes.

A Tumba conta a história de Jervas Dudley, que, quando criança, descobriu próximo à propriedade de sua família o mausoléu da família Hyde, com a porta parcialmente aberta, mas trancada por um cadeado que ele não foi capaz de violar. Jervas torna-se obcecado por entrar na tumba e descobrir o que há lá dentro, mas, paciente, decide esperar por uma oportunidade de abrir o cadeado, ao invés de forçá-lo inutilmente.

Anos mais tarde, Jervas está mais uma vez visitando a tumba, quando adormece em frente à sua porta. Ao acordar, ele tem a impressão de que uma luz acabara de se extinguir dentro do mausoléu. Intrigado, ele decide voltar para casa, e, se qualquer razão aparente, ruma diretamente para o sótão, onde encontra uma chave - que, por um acaso, abre o cadeado que ele jamais conseguira violar.

Finalmente entrando na tumba, Jervas Dudley encontra vários caixões ocupados, mas um vazio, reservado para Jervas Hyde. Intrigado pela coincidência do nome, Jervas faz o que qualquer um faria: deita no caixão para ver se cabe. Ele não somente adormece dentro do caixão como também torna-se obcecado por isso, retornado à tumba quase todos os dias para uma soneca. Mal sabe Jervas que esse estranho comportamento mudará toda a sua vida, principalmente depois que seu pai, intrigado com suas constantes saídas, coloca um serviçal para segui-lo.

A Tumba também foi publicada pela primeira vez em The Vagrant, mas apenas na edição de março de 1922.

Polaris (Polaris) - Escrita em maio de 1918, Polaris é considerada a primeira de todas as histórias do Dream Cycle - de fato, quando a escreveu, Lovecraft nem planejava criar um mundo dos sonhos, e sim uma espécie de cenário de ficção científica. De toda forma, muitas de suas características e elementos se repetiriam em outras histórias do Dream Cycle, deixando clara sua relação com elas. Polaris foi publicada pela primeira vez no jornal amador Philosopher, edição de dezembro de 1920.

Assim como muitas outras de suas histórias, Lovecraft começou a escrevê-la inspirado em um sonho que tivera. Estudiosos apontam a presença de diversos elementos autobiográficos, que refletiriam a angústia e impotência que Lovecraft sentia durante a Primeira Guerra Mundial: assim como ele, o narrador não pôde se tornar um guerreiro, por causa de sua compleição física e dos desmaios que sofria ao ser submetido a estresse. Apesar de a semelhança com os contos de Lord Dunsany também ser notável em Polaris, não é possível apontar o autor como inspiração, já que Lovecraft só começaria a ler suas obras no ano seguinte - e até ele mesmo se espantaria com as semelhanças entre o que escreveu e o que lia. Estudiosos alegam que isso não teria nada de notável, já que tanto Lovecraft quanto Dunsany foram influenciados por Edgar Allan Poe.

Polaris conta a história de um narrador sem nome, de cuja janela em sua casa no pântano consegue ver à noite a Estrela Polar - a tal Polaris do título. Um dia, ao dormir, esse narrador sonha que está em uma grande e bela cidade de mármore, cujos habitantes estão em guerra com o povo vizinho. Os sonhos com o local se tornam frequentes, ao ponto de o narrador se envolver cada vez mais com os assuntos da cidade. Inapropriado para a guerra, ele é posto como vigia em uma torre, para avisar quando os inimigos estiverem atacando. Da torre, ele consegue ver a Estrela Polar na mesma posição no céu em que via de sua casa. A partir de então, ele passa a confundir cada vez mais sonho e realidade, ao ponto de não saber mais qual de suas duas vidas é a verdadeira.

Além da Barreira do Sono (Beyond the Wall of Sleep) - Essa história é o relato de um estudante de medicina residente em um hospital psiquiátrico sobre seu encontro com John Slater, paciente que faleceu pouco após ser internado depois de ser julgado por assassinato. Simplório, humilde e dócil quando está acordado, Slater se transforma durante o sono, acordando em frenesi, gritando sobre um inimigo que o persegue, relatando locais fantásticos nos quais viveria, e atacando com selvageria todos à sua volta, até cair dormindo repentinamente após algum tempo de iniciado o surto, acordando na manhã seguinte sem se lembrar de nada que ocorreu durante a noite.

Esse estranho comportamento, bem como a descrição dos locais fantásticos, chama a atenção do residente, que passa a cuidar pessoalmente de Slater, bem como a procurar uma forma de descobrir o que ele sonha durante os surtos, ou até mesmo de vivenciar esses mesmos sonhos. Em sua busca, o jovem médico fará uma descoberta além de qualquer coisa que pudesse imaginar.

Além da Barreira do Sono foi escrita em 1919 e publicada na edição de outubro do mesmo ano da revista Pine Cones. Sua principal fonte de inspiração teria sido o romance Before Adam, escrito em 1906 por Jack London, que trata de memória hereditária. Esse romance tem uma passagem que diz "ninguém jamais rompeu a barreira de meu sono", o que costuma ser citado como fonte de inspiração para o título, mas estudiosos concordam que o mais provável seja que Lovecraft o tenha tirado de Além da Barreira, de Ambrose Bierce, autor que ele lia com frequência em 1919. As características do personagem John Slater teriam sido inspiradas por um artigo do jornal New York Tribune de abril daquele mesmo ano, que falava sobre uma família simplória de nome Slater envolvida com a polícia.

O conto termina com a descoberta de uma nova estrela e a citação das palavras de um "astrônomo real". Esse astrônomo, Garrett P. Serviss, de fato era real, assim como a estrela que ele descreve, GK Persei, descoberta em 1901, ano no qual é ambientado o conto. Lovecraft tirou a citação de Serviss do livro Astronomy with the Naked Eye ("astronomia a olho nu"), publicado em 1908.

Memória (Memory) - Essa história é tão curta - ocupa pouco mais de uma página do livro - que se enquadra na categoria hoje chamada flash fiction, embora na época de Lovecraft tal definição não existisse. De tão curta, eu nem posso falar muito sobre a história, senão vou acabar contando tudo. Só posso dizer que ela tem apenas dois personagens, o Gênio da Lua e o Demônio do Vale, é ambientada no Vale de Nis, e conta com um dos elementos mais característicos de Lovecraft, as gigantescas ruínas ancestrais com relíquias sem nome de um passado remoto.

Memória também foi escrita em 1919, mas publicada apenas na edição de maio de 1923 de The National Amateur, o jornal oficial da NAPA, outra associação de escritores amadores da qual Lovecraft era membro. Vale citar como curiosidade que Memória é, até onde eu saiba, a única história de Lovecraft que precisou de adaptação ao ser traduzida, com o rio Than virando rio Mhen - por uma razão que vocês vão ter de ler a história se quiserem descobrir.

O Que Vem com a Lua (What the Moon Brings) - Escrita em junho de 1922 e publicada junto com Memória, na edição de maio de 1923 de The National Amateur, essa história é essencialmente um fragmento, um texto que Lovecraft escreveu para depois desenvolver criando uma história mais longa, mas que acabou publicando mesmo assim quando seus colegas da NAPA o convenceram de que Memória era curta demais para ser publicada sozinha. Assim como muitas outras histórias lovecraftianas, O Que Vem com a Lua foi inspirada por um sonho do próprio Lovecraft. Mais detalhes sobre a história se perderam com o tempo.

O Que Vem com a Lua é narrada em primeira pessoa, por um narrador sem nome. O conto não deixa claro se é ambientado no mundo dos sonhos ou no mundo real, mas o narrador parece estar em um local conhecido, embora com detalhes que estranha, o que pode nos levar a crer se tratar de um sonho. Acompanhando a luz da lua em seu jardim, ele fará, como de costume, uma terrível descoberta. A história não foi bem recebida pelos leitores, e foi criticada pelo abuso dos adjetivos nas descrições e pelo comportamento irracional do narrador.

Nyarlathotep (Nyarlathotep) - Nyarlathotep, o caos rastejante, é um dos personagens mais famosos da cosmologia de Lovecraft, e um dos mais citados em suas obras. Nesse conto, ele faz sua estreia, na forma de um humano que alega ser um faraó, que teria acordado após um sono de vinte e sete séculos, e agora viaja de cidade em cidade demonstrando seus poderes fantásticos. Por onde Nyarlathotep passa, as pessoas são assombradas por vívidos pesadelos. A história começa quando Nyarlathotep chega à cidade do narrador, que decide assistir a uma de suas apresentações. Sem se convencer de que o faraó possui mesmo poderes, ele o desafia, dizendo que são meros truques. Logo ele aprenderá que essa não foi uma boa ideia.

Nyarlathotep foi escrito em meados de 1920, e publicado na edição de novembro do mesmo ano de The United Amateur, o jornal oficial da UAPA.

Ex Oblivione (Ex Oblivione) - Com um título que significa "dos esquecidos" em latim, Ex Oblivione foi escrito no final de 1920 e início de 1921, quando Lovecraft estava sob a influência da obra do filósofo Arthur Schopenhauer. O tema do esquecimento - o oblívio - pontuava os trabalhos de Lovecraft no período, inclusive seus ensaios de não-ficção.

O narrador de Ex Oblivione é um homem à beira da morte, que constantemente sonha com um muro, no qual há um portão que ele não consegue abrir. Um dia, ele sonha com um papiro que descreve o que há por detrás do portão, bem como o método para abri-lo. Evidentemente, ele não pensa duas vezes antes de fazê-lo. Se ele se arrependerá ou não... bem, eu poderia dizer "só lendo para saber", mas é Lovecraft, então o que vocês acham?

É interessante notar que, em linhas gerais, o enredo de Ex Oblivione lembra bastante tanto o de A Tumba, anterior a ele, quanto o de A Chave de Prata, posterior. Curiosamente, quando Lovecraft aceitou publicar o conto, na edição de março de 1921 de The United Amateur, ele o fez sob um pseudônimo, Ward Phillips - que, na verdade, era um pedaço de seu próprio nome, Howard Phillips Lovecraft. Como ele já havia publicado antes como H.P. Lovecraft, o porquê exato do psudônimo é um mistério.

Pois bem, aí estão os dez primeiros contos. Semana que vem, esse post será concluído com os dez restantes. Até lá!

1 enfiaram o nariz:

John Leão disse...

Muito show a resenha. Valeu!

2:45 PM

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