terça-feira, 10 de agosto de 2010

Futebol (III)

O futebol não quer largar de mim. Passado um mês do fim da Copa do Mundo, eis que eu retorno ao assunto. Hoje, porém, não falarei especificamente sobre futebol, e sim sobre diversos jogos que tentam emular a emoção do esporte. Sim, porque um outro indicativo da imensa popularidade do futebol é que, ao longo do tempo, pessoas se dedicaram a criar versões do jogo que podiam ser jogadas dentro de casa, por apenas dois jogadores, que nem precisavam ser atletas.

A mais famosa dessas versões é o futebol de mesa, conhecido aqui no Brasil por diversos nomes regionais, como totó, pebolim, pacau, matraquilhos e diversos outros menos cotados. O futebol de mesa foi inventado em Tottenham, Inglaterra, no ano de 1922, por Harold Searles Thornton, um fanático por futebol que buscava uma forma de jogar com seus amigos dentro de casa após retornar dos jogos do time para o qual torcia, o Tottenham Hotspur. Um dia, Thornton, conversando com os amigos em um bar, brincava com uma caixa de fósforos, e acabou encontrando a inspiração que precisava ao arrumar os palitos dentro da caixa como se fossem jogadores dentro de um campo.

Thornton construiu sua primeira mesa em casa, e a usava para jogar com os amigos. Ele também a patenteou, mas, como infelizmente não tinha dinheiro para produzi-las em larga escala, talvez seu jogo nunca tivesse se popularizado, não fosse uma visita de um tio, Louis P. Thornton, que morava nos Estados Unidos. P. Thornton adorou a invenção de seu sobrinho, e, quando voltou à América, levou consigo os planos de construção da mesa, que começou a produzir em série a partir de 1927.

Rapidamente, o jogo se tornou bastante popular nos Estados Unidos e Europa, chegando também à América do Sul após a Segunda Guerra, e a Ásia e Oceania levado por colonos ingleses. Inicialmente, era apenas uma diversão descompromissada, podendo ser encontrado em bares e hotéis, mas um grupo de jogadores decidiu levar o jogo mais a sério, organizando campeonatos com prêmios em dinheiro desde a década de 1940 nos Estados Unidos e 1950 na Europa. O mais famoso desses torneios foi o criado por Lee Peppard em Seattle em 1975, e oferecia 250 mil dólares ao campeão. O torneio de Peppard teve sete edições anuais, a última disputada em 1981.

Em 2002, a organização do jogo chegou a um novo nível com a fundação da Federação Internacional de Futebol de Mesa (ITSF, na sigla em inglês). A ITSF trata o futebol de mesa não como jogo, mas como esporte, sendo sua principal pretensão a de torná-lo reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional e eventual candidato a uma vaga nas Olimpíadas. A ITSF também organiza diversos campeonatos ao redor do mundo, e publica as regras oficiais do esporte, baseadas nas estabelecidas ao longo dos anos por jogadores casuais dos Estados Unidos e Europa. Atualmente, a ITSF conta com 61 membros, dentre eles o Brasil.

Uma mesa oficial de futebol de mesa tem 120 cm de comprimento por 60 cm de largura e 1 metro de altura. Ela possui dois níveis, um superior, no qual a ação se desenrola, e um inferior, onde a bola cai quando ocorre um gol, rolando até uma gaveta ou compartimento semelhante onde pode ser recuperada. Os gols são buracos centrados nas laterais mais curtas da mesa, com 20 cm de largura cada. O campo de jogo divide os dois níveis, sendo cercado por uma mureta de 20 cm de altura, que impede a bola de sair da mesa. A mesa pode ser feita de madeira ou alumínio, e algumas possuem um tampo de vidro.

No sentido do comprimento, cruzam a mesa oito hastes de metal, com empunhaduras de madeira, plástico ou borracha, usadas pelos jogadores para controlar os bonecos que representam os jogadores de futebol no campo, e podem ser feitos de metal, plástico, madeira ou até mesmo fibra de carbono. Normalmente cada time tem 11 jogadores, dispostos da seguinte forma: na haste mais próxima do gol fica o goleiro, que tem os movimentos limitados à frente do gol; na haste à sua frente ficam dois defensores; em seguida vêm os três atacantes do oponente; cinco meios de campo; os cinco meios de campo do oponente; três atacantes; os dois defensores do oponente; e o goleiro do oponente. Algumas mesas possuem dois "gandulas", personagens na mesma haste do goleiro, mas próximos dos cantos, usados para recuperar bolas que fiquem fora do alcance do goleiro; outras possuem cantos arredondados, para que a bola não fique presa em uma quina. A bola pode ser feita de metal, resina, plástico ou até cortiça, e tem 11 cm de circunferência.

As regras são bastante simples: no início do jogo, um dos jogadores colocará a bola na mesa através de um buraco na lateral próprio para esse fim, ou no pé de um de seus jogadores de meio-campo caso a mesa não tenha esse buraco. A partir de então, os jogadores usarão as hastes para controlar os bonecos, usando-os para conduzir a bola até o gol. Pelas regras oficiais, é proibido o spinning - movimento no qual o jogador, com a palma da mão, gira a haste fazendo os bonecos girarem 360 graus ou mais - assim como levantar ou sacudir a mesa para mover a bola sem o auxílio dos bonecos. Toda vez que há um gol, é o jogador que o sofreu que repõe a bola. A partida termina quando um dos jogadores alcança um número pré-determinado de gols, normalmente 11.

O futebol de mesa pode ser jogado na categoria simples ou duplas, sendo que, nas duplas, um jogador controla o goleiro e os defensores, e o outro os atacantes e meios de campo. Recreativamente, também se pode jogar com 3 ou 4 de cada lado, e alguns fabricantes até fazem mesas maiores, com mais hastes e a possibilidade de até 11 jogadores de cada lado.

Curiosamente, aqui no Brasil há um outro jogo chamado futebol de mesa, mas conhecido popularmente como futebol de botão. Esse nome é rejeitado por muitos jogadores, porém, porque, assim como o futebol de mesa descrito acima, ele é oficialmente considerado esporte, e o nome "futebol de botão" remeteria a um jogo infantil. Mais ou menos como o que acontece com o tênis de mesa e o pingue-pongue. Peço desculpas aos praticantes, mas, nesse post, vou usar o nome futebol de botão mesmo, senão vai acabar ficando uma confusão danada.

O futebol de botão foi inventado no Rio de Janeiro, em 1922, por Geraldo Cardoso Décourt, que na época tinha apenas 11 anos. De início, ele e os amigos do colégio usavam os botões de suas próprias roupas para jogar. Conforme o passatempo foi se aperfeiçoando e se popularizando, porém, ele decidiu transformá-lo em uma coisa séria, e, em 1930, lançou o primeiro livro de regras do novo esporte, o qual decidiu chamar de celotex - material utilizado para fabricar as mesas nas quais o futebol de botão era jogado.

De início, apenas as mesas eram fabricadas propriamente para a prática do futebol de botão, sendo utilizados objetos como botões de paletó e vidros de relógio para os jogadores, e caixas de fósforo para os goleiros. Somente na década de 1950 é que começaram a surgir os primeiros botões industrializados, feitos de acrílico e vendidos em bancas de jornal. Aos poucos, foram surgindo botões cada vez mais resistentes e vistosos, alguns pintados nas cores de clubes, alguns trazendo escudos de clubes e seleções, e alguns até mesmo trazendo fotografias de jogadores famosos da época. Hoje, existem botões de vários materiais e cores, e até mesmo fábricas e lojas especializadas na confecção e venda dos botões.

Cada time de futebol de botão é composto de dez botões, um goleiro, uma palheta (chamada de batedeira ou apertadeira em algumas cidades) e, é claro, o botonista, que é jogador que controlará os botões. Os botões são discos levemente côncavos, de diâmetro entre 35 e 60 mm e altura máxima de 1 cm, feitos de acrílico, resina, osso, coco, madeira ou qualquer outro material que não seja metal nem vidro, e podem ter um furo no meio ou ser totalmente sólidos. Assim como os jogadores de futebol, os botões devem ser numerados, e não há problema se os botões do mesmo time tiverem cores diferentes, desde que todos tenham o mesmo símbolo. As dimensões do goleiro dependem da categoria disputada (veja adiante), mas ele é sempre um paralelepípedo, feito de qualquer material que não seja metal ou vidro, que fica parado na frente do gol. A palheta é uma peça de acrílico, de qualquer formato, que será usada para pressionar os botões contra a mesa, impulsionando-os. As medidas e o material da bola também dependem da categoria disputada.

A mesa na qual o futebol de botão é disputado é feita de madeira, e suas dimensões exatas dependem da categoria em disputa. Sejam quais forem, em torno da mesa há uma proteção, de borracha, couro, barbante ou cortiça, para evitar que os botões e a bola caiam da mesa. As marcações na mesa são as mesmas do futebol de campo, e os gols são representados por balizas, com traves de de metal, madeira ou plástico e uma rede de tela, tecido ou plástico, centralizados nas linhas de fundo. O tamanho do gol, adivinhem, depende da categoria disputada.

O futebol de botão foi oficialmente reconhecido como esporte em setembro de 1988, sendo regulado, no Brasil, pela Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM) - caso alguém esteja se perguntando, o futebol de mesa é regulado no Brasil pela Associação Brasileira de Pebolim (ABP). Como na época da criação da CBFM já haviam diversas variações regionais das regras, a entidade optou por não unificá-las, mas reconhecê-las como categorias separadas do esporte. Atualmente, a CBFM reconhece três categorias como oficiais (bola 12 toques, bola 3 toques e disco) e duas como experimentais (dadinho e pastilha), com a possibilidade de se tornarem oficiais no futuro.

A categoria bola 12 toques é a mais popular em São Paulo, sendo conhecida vulgarmente como "regra paulista", mas também tem muitos praticantes no Sul, no Centro-Oeste, em Minas Gerais, Manaus, Alagoas, Piauí e no interior do Rio de Janeiro. Seu nome vem do fato de que o número máximo de toques que um botonista pode dar na bola é 12, sendo obrigado a chutá-la para o gol no décimo-segundo toque ou antes. Além disso, cada botão tem um limite de três impulsos consecutivos, mesmo que não toque na bola em um deles. A mesa dessa categoria tem 1,7 m de comprimento por 1,1 m de largura; o gol mede 12,5 cm de largura por 5 cm de altura; o goleiro tem 8 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade; e a bola é uma esfera de feltro, com no máximo 1 cm de diâmetro. Uma partida na regra paulista dura dois tempos de 10 minutos cada.

A categoria bola 3 toques, vulgarmente conhecida como "regra carioca", é a mais popular no Rio de Janeiro, sendo adotada também em Brasília, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, interior de Santa Catarina e nas regiões Norte e Nordeste, exceto na Bahia. É a categoria cujas regras são mais parecidas com as do futebol de campo, usando, inclusive, a regra do impedimento. Também é considerada uma das mais difíceis, pois seu nome vem do fato de que cada jogador (e não cada botão) só pode dar três toques na bola antes de chutá-la ao gol; além disso, o chute a gol deve ser feito sempre após um passe, ou seja, embora um mesmo botão possa dar dois toques seguidos na bola, o chute a gol deve ser sempre o primeiro toque do botão que chutou. A mesa dessa categoria tem 1,8 m de comprimento por 1,3 m de largura; o gol mede 14,64 cm de largura por 4,88 cm de altura; o goleiro tem 7 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade; e a bola também é uma esfera de feltro, com no máximo 1 cm de diâmetro. Uma partida na regra carioca dura dois tempos de 25 minutos cada.

A categoria disco é vulgarmente conhecida como "regra baiana", sendo a mais popular na Bahia e no Espírito Santo, e contando com praticantes também no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e em algumas cidades do Norte e Nordeste. A regra dessa categoria é bastante curiosa: na saída de jogo, cada jogador pode dar dois toques consecutivos, mas, a partir de então, cada jogador só pode dar, no máximo, um toque na bola, ou seja, ele toca e passa a vez para o adversário, o que faz com que o jogo envolva muito mais estratégia. O nome da categoria vem do fato de que a bola não é propriamente uma bola, mas um disco de 1 cm de diâmetro e 2 mm de altura. A mesa dessa categoria tem 2 m de comprimento por 1,4 m de largura; o gol mede 15 cm de largura por 6 cm de altura; e o goleiro tem 6 cm de largura por 3,8 cm de altura e 2 cm de profundidade. Uma partida na regra baiana também dura dois tempos de 25 minutos cada.

A categoria dadinho, como vocês devem estar imaginando, tem esse nome porque usa como bola um pequeno dado branco de acrílico ou outro material plástico de 6 mm2 de lado e entre 1 e 3 g de peso, com quinas arredondadas para não ficar agarrando na mesa. É popular nos estados do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e em Brasília. A regra é parecida com a paulista, com cada jogador tendo um máximo de nove toques na bola até o chute a gol, sendo no máximo três impulsos consecutivos por botão. A mesa dessa categoria tem 1,84 m de comprimento por 1,24 m de largura; o gol mede 11 cm de largura por 4,5 cm de altura; e o goleiro tem 8 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade. A partida de dadinho é a mais veloz, com dois tempos de 7 minutos cada.

Finalmente, temos a categoria pastilha, popular no Rio de Janeiro e em São Paulo, e que tem esse nome por usar como bola um disco de 1,1 cm de diâmetro, 4 mm de altura e 5 g de peso, chamado de pastilha. Cada jogador tem um máximo de oito impulsos até o chute a gol, não importando se os botões tocam na pastilha ou não, sendo, no máximo, dois impulsos consecutivos por botão. A mesa dessa categoria tem 1,87 m de comprimento por 1,21 m de largura; o gol mede 11 cm de largura por 4,5 cm de altura; e o goleiro tem 7 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade. Uma partida dura dois tempos de 10 minutos cada.

Além de bastante popular no Brasil, o futebol de botão é conhecido e praticado na Argentina, Uruguai, Chile, Portugal, Espanha, Suíça, Japão e no Leste Europeu, onde possui algumas regras diferentes e atende pelo nome de sectorball. A mesa e os gols do sectorball são da mesma medida que as da categoria bola 12 toques, e a bola é idêntica à da categoria pastilha, mas os botões são diferentes, com 5 cm de diâmetro, entre 1 e 2 cm de altura e vazados no meio, como uma argola. O goleiro é semelhante aos botões, mas mais alto, com 2,5 cm de altura, e pode sair jogando como qualquer jogador normal. Para impulsionar os jogadores se usa não uma pastilha, mas uma régua, que é envergada para trás e então solta para dar um peteleco no botão. Essa régua também vem a calhar para se verificar uma das regras do jogo: no sectorball, assim como na regra baiana, cada jogador só pode dar um toque na bola antes de passar a vez para o adversário, a menos que você consiga um "passe sector", que é fazer com que a bola toque um outro botão seu a no máximo 4,5 cm de distância do botão que a passou, indo em direção ao gol adversário. Um botão que receba um passe sector pode efetuar um segundo toque na bola, e, se conseguir um novo passe sector, a bola continua avançando. Uma partida de sectorball dura dois tempos de 13 minutos cada. O sectorball também é considerado esporte, regulado pela Federação Internacional de Sectorball (NSS, da sigla em húngaro!), e tem um campeonato mundial cuja edição de 2012 será no Brasil.

Na Europa Ocidental também faz muito sucesso um jogo de mecânica semelhante, o subbuteo, que, talvez pela popularidade do botão, ainda não é muito conhecido por aqui - a Estrela até chegou a comercializá-lo na década de 1970 com o nome de "Pelebol", mas não pegou.

O subbuteo foi inventado em 1947 na cidade de Kent, Inglaterra, por Peter Adolph. Quando criança, ele usava botões das roupas da mãe e fotografias recortadas de jornais e revistas para representar jogadores de futebol e jogar com amigos sobre cobertores nos quais desenhava o campo. Ao crescer, ele decidiu industrializar sua ideia, dando origem a um jogo que vendia, a princípio, exclusivamente pelo correio, mas que mais tarde lhe proporcionou fundar sua própria fábrica. Adolph tirou o nome "subbuteo" do nome científico de uma espécie de falcão, o falco subbuteo, conhecido em português como ógea, mas em inglês pelo nome de hobby - e, não por acaso, ele decidiu batizar seu jogo como subbuteo justamente porque o Escritório de Marcas e Patentes da Grã-Bretanha não permitiu que ele o registrasse com o nome de "hobby", que era genérico demais. Além de pelo nome subbuteo, o jogo também é conhecido, adivinhem só, como futebol de mesa, o que me leva a crer que esse pessoal que joga futebol em mesas não tem lá muita imaginação. Além de futebol, o subbuteo também permite que se jogue versões de mesa de outros esportes populares na Inglaterra, como o rugby, o críquete e o hóquei, mas a "versão futebol" é a mais popular, sendo considerada esporte e contando com uma federação internacional, a Federação de Futebol de Mesa Desportivo Internacional (FISTF, na sigla em inglês), que organiza diversos campeonatos, inclusive o Mundial, realizado anualmente desde 1993.

Um time de subbuteo é formado por dez jogadores e um goleiro; diferentemente do futebol de botão, porém, os jogadores realmente são "bonequinhos", que ficam de pé sobre uma base circular côncava. Inicialmente, os bonequinhos eram "bidimensionais", feitos de duas folhas de papel, uma representando a frente e outra as costas do jogador; mais tarde, passaram a ser "tridimensionais", feitos de plástico, como action figures e outras miniaturas colecionáveis. Hoje, podem ser encontrados dos dois tipos, sendo que os bidimensionais também são feitos de plástico. Hoje também podem ser encontradas versões bidimensionais "fotorrealísticas" de jogadores, feitas através de fotografias dos mesmos, ao invés de desenhos como é o mais comum. Assim como ocorre com o botão, o subbuteo tem centenas de conjuntos de jogadores diferentes, representando times e seleções do mundo ou pintados em cores genéricas.

Um bonequinho de subbuteo tem entre 16 e 30 mm de altura. Ele é montado sobre uma base que parece uma bola cortada no meio, com entre 16 e 21 mm de diâmetro e entre 5 e 7 mm de altura. O goleiro possui uma haste, de até 20 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, presa à sua base; essa haste passa por dentro do gol, e serve para que o jogador mova o goleiro sem ficar manipulando diretamente o bonequinho. Cada time tem também um goleiro reserva, sem a haste, que, pelo que eu entendi, é usado para fazer defesas fora da área. A bola é feita de plástico, e tem 22 mm de diâmetro, o que significa que ela é quase do mesmo tamanho dos jogadores. Embora o subbuteo também seja jogado em uma mesa de madeira, que tem entre 1,3 e 1,1 metro de comprimento, 70 e 90 cm de largura e 70 e 90 cm de altura, a superfície de jogo, curiosamente, é feita de tecido, feltro ou filme plástico, para facilitar a movimentação dos jogadores. As marcações são as mesmas do campo de futebol, com uma linha a mais, que determina a distância mínima que um jogador tem de estar do gol para poder chutar a gol. O gol tem 12,5 cm de largura por 6 cm de altura.

Uma partida de subbuteo dura dois tempos de dez minutos cada. Os jogadores controlam os bonequinhos com os dedos, dando petelecos nas bases. Não há limite de toques, desde que o jogador permaneça com a posse de bola; caso a bola toque em um bonequinho do time adversário, a posse passa para o outro jogador. O jogador que não tem a posse de bola pode mover seus bonecos como quiser enquanto o outro está conduzindo a bola, o que faz com que o subbuteo seja um jogo muito movimentado.

Para finalizar esse post, gostaria de falar de mais um jogo baseado no futebol, que não é tão glamouroso quanto o futebol de mesa, o futebol de botão ou o subbuteo, mas que fez parte de minha infância: o futebol de prego, também conhecido como futebol de pino.

Para jogar futebol de prego você precisa fazer seu próprio tabuleiro. Ou um adulto fazer por você, se você for uma criança. Qualquer pedaço de madeira retangular serve, com o ideal sendo 50 cm de comprimento por 25 cm de largura. Com a ajuda de uma régua e um lápis, traçam-se a linha do meio do campo e as áreas, sendo que o gol tem 10 cm de largura, e cada um dos outros dois lados da área tem 5 cm. Para fazer o círculo do meio do campo, usa-se um copo. Finalmente, divide-se o tabuleiro no sentido do comprimento em seis partes iguais, traçando quatro linhas pontilhadas, duas a 8,5 cm da linha do meio e duas a 8,5 cm da linha de fundo. Se você quiser, pode pintar o tabuleiro alternando os tons de verde em cada parte, para ficar parecido com um campo de futebol de verdade - ou com uma mesa de botão daquelas listradas.

Depois disso tudo marcado, é hora de pregar os jogadores no tabuleiro. São 26 pregos ao todo. Quatro deles representarão as traves, sendo pregados onde as linhas laterais das áreas tocam as linhas de fundo. Outros dois serão os goleiros, e serão pregados no meio da distância entre a linha de fundo e a linha pontilhada mais próxima dela, bem na frente do centro do gol. Outros quatro pregos serão os zagueiros, pregados sobre a linha pontilhada mais próxima da área, na mesma direção das traves. Mais dois serão os capitães, pregados sobre a linha pontilhada mais próxima do meio do campo, na mesma direção do goleiro. Oito serão os meios de campo, quatro pregados na mesma direção das traves e outros quatro na metade da distância entre eles e a linha lateral, todos pregados na metade da distância entre a linha do meio e a linha pontilhada mais próxima desta. Completam o tabuleiro quatro laterais, pregados na metade da distância entre as duas linhas pontilhadas de cada metade do campo, centralizados em relação aos meios de campo bem à sua frente, e dois líberos, pregados na metade da distância entre os goleiros e capitães. O ideal é que os pregos não sejam pregados até o final, ficando com pelo menos 3/4 de seu comprimento para fora da madeira.

Para o papel da bola, usa-se uma moeda não muito pequena nem muito grande, tipo a de 5 centavos - aliás, pode-se usar essa moeda também para marcar o centro do campo, para facilitar na hora de dar a saída. Através de qualquer método, determina-se quem vai começar o jogo, e a moeda é colocada no centro do campo. Esse jogador, então, terá o direito de dar três petelecos na moeda, tentando fazer com que ela desvie dos pregos - ou bata neles e mude de direção de propósito - e entre no gol, passando por entre as traves. Se a bola sair pela lateral, a posse - e os três petelecos - passam para o outro jogador no local onde ela saiu. Se não alcançar o gol, a posse passa para o outro jogador no local onde ela parou depois do terceiro peteleco. Se sair pela linha de fundo ou entrar no gol, a posse do outro jogador começa do meio do campo. O jogo continua até que um dos jogadores alcance uma determinada pontuação, como 11 gols, por exemplo.

O futebol de prego não é considerado esporte, não tem federação internacional, nem campeonatos disputados por jogadores profissionais. Mas eu garanto que é tão divertido quanto qualquer uma das outras três variações descritas nesse post.

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